Palavra-chave ‘Expresso Rio Cachoeira’
ITABUNENSE AMANHECE SEM ÔNIBUS

Greve mantém 100% da frota de ônibus na garagem em Itabuna (Foto Pimenta).
Os mais de 40 mil itabunenses que utilizam ônibus diariamente tiveram que recorrer a transporte alternativo ou bater perna para chegar ao trabalho ou se deslocar para outras atividades. A greve dos rodoviários paralisou todas as linhas urbanas. Motoristas e cobradores cruzaram os braços e as frotas das empresas São Miguel e Expresso Cachoeira não deixaram as respectivas garagens nesta terça, 29.
Os rodoviários exigem reajuste de 16,5%, tíquete refeição, aumento de 60% para 70% do valor da hora extra e passe livre. Até ontem, a categoria dizia que não havia obtido retorno da Associação das Empresas de Transporte Urbano (Aetu). As negociações começaram com duas das empresas de transporte intermunicipal (Rota e Águia Branca), mas rodoviários ligados às duas empresas também deflagraram greve.
RIO CACHOEIRA INVESTE R$ 4,8 MI NA RENOVAÇÃO DA FROTA
A Expresso Rio Cachoeira investiu R$ 1,8 milhão na aquisição de seis novos ônibus que integrarão a frota do transporte urbano em Itabuna. Elvis Souza, diretor da empresa, anunciou que mais R$ 3 milhões serão investidos na compra de mais dez ônibus novos.
Os novos veículos são equipados com elevador para cadeirante, possuem quatro câmeras de segurança cada e têm capacidade para transportar 80 passageiros.
Das duas empresas que possuem concessão do sistema de transporte em Itabuna (há ainda a São Miguel), a Cachoeira é a que mais tem modernizado a frota. O secretário de Transporte e Trânsito, Wesley Melo, afirma que 60% da frota de ônibus foi renovada nos últimos três anos.
A “DUREZA” DA AGERBA
A Agerba enviou ofício à Secretaria de Transporte e Trânsito de Itabuna solicitando que a pasta dê um conselhinho às empresas de ônibus urbanos do município: respeitem os limites da cidade e, assim, não façam transporte de passageiros na área do Atacadão e Makro.
O secretário Wesley Melo recebeu o recado e já passou adiante.
Notemos que a Expresso Rio Cachoeira e a São Miguel, que operam as linhas urbanas em Itabuna, não têm a mesma sorte da Rota Transportes, que goza de uma aparente displicência da Agerba.
A agência determinou reajuste de 7,86% da tarifa na rentável linha Itabuna-Salobrinho, mas a empresa aplicou aumento superior a 11%. A atitude irritou universitários da Uesc e moradores do Salobrinho.
ITABUNA NÃO FAZ LICITAÇÃO DO TRANSPORTE PÚBLICO. E O CIDADÃO, Ó!
O sistema de transporte público em Itabuna nunca passou por licitação e duas empresas exploram o serviço lastreadas em concessão precária por parte do município. E se o Ministério Público estadual não liga para essa aberração, o usuário do sistema é quem sofre. Ônibus sujos, mal-conservados, sempre lotados e boa parte acima dos dez anos de uso… Lata velha, mesmo.
O cenário é facilitado pela falta de fiscalização por parte da Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (Settran). Basta andar pelos principais pontos de ônibus para ver que praticamente não há fiscais nas ruas.
Se o Ministério Público estadual acordar e exigir uma nova licitação, talvez as cenas impostas aos cidadãos nos dias que correm acabem por se tornar raridade. Hoje, andar como sardinha em lata no buzu é o mais comum. Exigir do município uma licitação para o setor é o mínimo que se pode fazer para garantir mais qualidade ao serviço.
E não é preciso ir tão longe para ver exemplos de como a concessão faz bem nessas horas.
Ilhéus apresentava cenário tão duro e ruim como o de Itabuna, na década de 90. Fez-se uma licitação que resultou em melhoria do serviço – claro que ainda não é o melhor dos mundos! – e é comum ver circulando ônibus urbano com ar-condicionado pela Terra de Gabriela. E se quiser um sistema próximo do perfeito, basta um pulinho a Curitiba (PR).
Por aqui, o sistema é explorado pelas empresas São Miguel e Expresso Rio Cachoeira. Recuemos alguns anos e vamos lembrar que a Expresso Rio Cachoeira era Fátima e já mudou de controle por duas vezes. A São Miguel, mineira, comprou as linhas da Viação Itabuna, que explorou parte dos itinerários antes nas mãos das empresas Fátima, São José e Viação Grapiúna.
Todas essas mudanças ocorreram sem que se fizesse uma licitação sequer, abrindo espaço para toda sorte de “negócios” entre empresas e, claro, o poder público. Que tal a promotoria pública se posicionar sobre o caso? E o Conselho Municipal de Transportes, o que diz? A cidadania agradecerá. E muito!
Alguém já se perguntou por que o bilhete único não passa de ilusão em Itabuna?














