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:: ‘Fernando Morais’

OS COMUNISTAS E AS CRIANCINHAS

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

Um fervoroso católico que conheço costumava fazer chacota afirmando que comunista come criancinha, maliciosamente utilizando o duplo sentido. Não brinca mais. Neste aspecto, descobriu depois que a brincadeira ou a “coisa séria” se aplicava a alguns padres.

Ouço, desde a adolescência, a frase comunistas comem criancinhas e somente no ano passado descubro sua origem lendo o ótimo livro Os últimos soldados da guerra fria, do escritor Fernando Morais.

A anedota afirmando que comunistas comem pessoas nasceu no fim da Segunda Guerra Mundial por meio dos fascistas, que distribuíam milhares de panfletos dizendo: os soldados que se entregarem ao Exército Vermelho serão triturados e transformados em comida para saciar a fome da população.

No caso específico das crianças, a macabra estória surgiu numa das mais perversas operações realizadas pelos Estados Unidos em Cuba. Segundo o escritor, “a CIA e o arcebispo Coleman Carroll, titular da arquidiocese de Miami, arquitetaram um espantoso plano de transferência massiva de crianças de Cuba para os EUA.”

Através de uma emissora de rádio instalada em território hondurenho, um locutor gritava alertando as mães cubanas que o governo revolucionário iria roubar seus filhos quando eles completassem cinco anos. Acrescentava que “só seriam devolvidos aos 18 anos, transformados em monstros materialistas.”

Depois foram distribuídos milhares de panfletos “com o texto de uma falsa lei afirmando que o pátrio poder das pessoas menores de vinte anos seria exercido pelo Estado.” No documento, com três artigos e dois parágrafos, colocaram a assinatura do Doutor Fidel Castro, primeiro ministro, e do presidente da República, Osvaldo Dorticós.

A denominada Operação Peter Pan foi executada em 1960 pelo padre irlandês Brian Walsh. Fernando Morais conta “que os desmentidos do governo revolucionário não foram suficientes para diminuir a apreensão das famílias cubanas.”

Foi neste momento que espalharam a estória dos comunistas comedores de criancinhas. Escreve Morais: “Vigários de paróquias de todo o país, especialmente no interior, onde vivia a população mais simples e desinformada, se encarregaram de difundir a macabra versão de que as crianças separadas dos pais seriam removidas para Moscou e transformadas em consumo para a população russa.” Segundo uma ONG americana, 14.048 menores de ambos os sexos foram contrabandeados para os Estados Unidos.

Um fervoroso católico que conheço costumava fazer chacota afirmando que comunista come criancinha, maliciosamente utilizando o duplo sentido. Não brinca mais. Neste aspecto, descobriu depois que a brincadeira ou a “coisa séria” se aplicava a alguns padres.

Marival Guedes é jornalista e escreve no Pimenta às sextas.

FERNANDO MORAIS RECOMENDA

Em comentário veiculado na Rádio Metrópole, o escritor Fernando Morais – autor de obras como “Olga”, “Chatô, o Rei do Brasil” e a recente “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” – faz grandes elogios à obra “A Privataria Tucana”, escrita pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Mas ressalta que o livro, que “está bombando nas redes sociais”, é ignorado pela grande mídia.

Segundo Morais, o livro é bem escrito e está lastreado em farta documentação, a demonstrar que o processo de privatização de estatais, conduzido pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi o mais escandaloso esquema de corrupção já armado no Brasil. Entre os principais envolvidos na maracutaia, estariam José Serra e sua filha Verônica.

O livro vendeu mais de 15 mil cópias na primeira semana após o lançamento e está praticamente esgotado nas livrarias. Ainda assim – ressalta Morais – a revista Veja e os grandes jornais, como Folha de São Paulo, O Globo e Estadão, fingem ignorar a existência d’A Privataria Tucana.

Ouça o comentário de Fernando Morais:

 

UNIVERSO PARALELO

OS PORTUGUESES SÃO MUITO… “FRANCESES”

Ousarme Citoaian

Creio que sou mais cartesiano do que desejaria, mas isso não é escolha, é herança genética. Ou maldita. Tendo a ver o mundo de forma dual: preto-branco, alto-baixo, positivo-negativo, bom-ruim, esquerda-direita. Os cartesianos têm um quê de esquizofrenia, pois vivem num mundo lógico que não existe. O mundo é cheio de nuances: entre o preto e o branco há todo um calidoscópio (ou caleidoscópio), um festival de pigmentos; e distância quase infinita separa o bem e o mal, ninguém é inteiramente bom ou ruim. Ouvi dizer, e acreditei, que os franceses são cartesianos, lógicos. Não por acaso René Descartes – na forma latina, Renatus Cartesius – é francês. Mas a linguagem mostra que os portugueses parecem mais “franceses” do que os próprios.

NÃO SE PODE FECHAR, SE NÃO FOI ABERTO

Situações que mostram o lado lógico dos lusitanos: 1) o brasileiro pergunta se o português sabe as horas. Resposta: “sei”; 2) A moça avisa à senhora, ao volante, que a porta do carro está aberta e ouve, em vez de “obrigada”, esta correção: “Ela não está aberta; está mal fechada”; 3) O cliente (brasileiro, claro) reclama: foi informado pelo gerente de que o restaurante não fechava aos sábados e, ao ir almoçar, deu com a cara na porta. “É verdade que não fechamos”, ouviu do português. “Pois se não abrimos, como haveríamos de fechar?” 4) Na pia do hotel, duas torneiras com a letra F, em vez das costumeiras F (fria) e Q (quente). A camareira explica ao hóspede confuso: “Uma é fria, outra é fervente”.

ÀS VEZES, A ÚLTIMA É TAMBÉM A PRIMEIRA

Numa loja, o brasileiro, cansado de esperar o vendedor a fazer cálculos com lápis e papel, pergunta: “O senhor não tem calculadora?” O portuga: “Infelizmente, não trabalhamos com electrónicos, mas o senhor pode encontrar na loja aqui ao lado…” 6) O turista vai de Lisboa a Madrid, de carro, sem saber bem o caminho, avista um camponês, e procura informar-se: “Amigo, esta estrada vai para Madrid?”. Camponês: “Ao que me consta, não. Mas se for vai nos fazer muita falta”. 7) Sebastião Nery (A Nuvem), num vilarejo, perto de Trás-os-Montes, pergunta numa quitanda se aquela é a última vila antes da Espanha. Resposta: “Depende. Se o senhor vai daqui pra lá, é a última; mas se vem de lá pra cá, é a primeira”.

NA FALTA DE BONS AUTORES, LEIA OS MAUS

Leio declarações do jornalista e escritor Fernando Morais (foto) e encontro, renovada, a fórmula que pessoas mais experientes com a escrita “culta” sempre repetem. Perguntaram-lhe (já perdi a conta das vezes em que vi esta pergunta feita) sobre que conselho daria a jovens jornalistas.  Fernando Morais citou o deputado Ulisses Guimarães (“Conselho ilumina, mas não aquece”) e indicou o caminho esperado: ler. “De preferência, leiam bons autores. Se não der, leiam maus autores – é melhor do que não ler nada. Não conheço nenhum grande escritor que não seja um leitor voraz. Aprende-se a escrever lendo”.

MESTRE INTOLERANTE, RANZINZA, ANTIQUADO

Sem ser candidato a Machado de Assis – a idade, me faz postulante mais adequado a avô, ao pijama, ao chinelo folgado e à cadeira (tomara que de balanço, não de rodas) – ainda assim não entendo jornalista que não lê. E, creiam-me, existem alguns deles, bem falantes e conceituados, que leram o último livro quando estavam na escola – se é que passaram por lá. São gênios, pobres vítimas de algum professor intolerante, antiquado, ranzinza, teimoso, casmurro e caturra. Mas esse mestre hipotético e patético, pregador no deserto, tipo de João Batista, da Bíblia, tem a minha solidariedade.

CHATÔ, CIDADÃO KANE E ROBERTO MARINHO

Fernando Morais é um desses caras que migraram do jornal para o livro. E se deu muito bem (Ruy Castro fez o mesmo), pois os dez livros que publicou venderam mais de dois milhões de exemplares, puxados por Chatô – o Rei do Brasil (1994), Olga (1986) e A Ilha (1976).  A Ilha é sobre Cuba, Olga é a mulher do líder comunista Luís Carlos Prestes (presa e entregue aos nazistas pela polícia de Getúlio) e Chatô fala de Assis Chateaubriand, espécie de Cidadão Kane caboclo (ou Roberto Marinho arcaico). Escritor engajado, acaba de lançar Os Últimos Soldados da Guerra Fria (outra vez Cuba).

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GRANDE PELEJA, DRAMÁTICA E CONFLITUOSA

Entre as mais belas manifestações da cultura nordestina está o desafio de repentistas. Em 1997, isto foi mostrado mais uma vez, com o I Campeonato Brasileiro de Poetas Repentistas, em São Paulo. Esse certame inovou: se antes eram premiadas as melhores duplas, passou-se a premiar o melhor poeta; se antes os repentistas cantavam um com o outro, dessa vez foi um contra o outro. Tal modalidade, de acordo com Sérgio Rubens de Araújo Torres, colocou o evento “mais próximo do tradicional desafio ao pé da parede, mais dramático, mais conflituoso, injetou uma dose extra de emoção às pelejas”.

VENCENDO O CANTADOR SEBASTIÃO DA SILVA

 No CD que reproduz o grande espetáculo, chama a atenção o desempenho do vencedor, Oliveira de Panelas (foto). O cantador esteve em Itabuna, com Deusdeth Bandeira (em 2002, se a memória não me trai), a convite da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FIIC), e eu estava lá. Apesar da timidez crônica, conversei com os poetas (porque gosto do assunto e porque foi fácil: o público, no Centro de Cultura, era bem pequeno). No Campeonato de São Paulo, o pernambucano Oliveira de Panelas massacrou o cearense Sebastião da Silva, apesar da experiência deste, cantador de primeira, vencedor de vários certames.

 O PORQUÊ É SEPARADO QUANDO É PERGUNTA

Na final, os dois glosaram o mote decassílabo “Na gramática portuguesa/quem sabe tudo sou eu” (dado na hora, sem que os repentistas tenham dele qualquer conhecimento prévio). Neste caso, são estrofes de dez versos, com rimas do tipo ABBAACCDDC (o primeiro verso rima com o quarto e o quinto, o segundo com o terceiro etc.). Oliveira de Panelas dá uma “aula” de português, mostrando conhecer, empiricamente, mais do que muito doutor de anel no dedo. As estrofes foram improvisadas alternadamente pelos dois cantadores, conforme a regra – mas deixamos de apresentar a parte de Sebastião da Silva, por ser menos interessante.

(O.C.)






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