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:: ‘Gil’

ARTISTAS MUDAM DISCURSO SOBRE CENSURA A BIOGRAFIAS

Do G1

Os cantores Roberto Carlos, Gilberto Gil e Erasmo Carlos assumem uma postura diferente da que vinha sendo defendida anteriormente em relação à publicação de biografias, em um vídeo divulgado na noite desta terça-feira (29) pelo grupo Procure Saber, do qual fazem parte, ainda, artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso. Assista aqui.

Os cantores continuam defendendo seu direito a privacidade e intimidade, mas têm um discurso novo quando abordam a questão das autorizações prévias, e chegam a admitir que já tiveram uma posição mais “radical”, de acordo com as declarações no vídeo publicado no perfil do Procure Saber no Facebook.

“Quando nos sentimos invadidos, julgamos que temos o direito de nos preservar, e de certa forma preservar a todos que de alguma forma não tem, como nós temos, o acesso à mídia, ao Judiciário, aos formadores de opinião”, diz Gil.

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CARTA ABERTA A CAETANO, GIL E CHICO, SEM CENSURA!

Manu BerbertManuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

 

A cada declaração concedida por vocês e a cada matéria que leio sobre o tema, a sensação é de frustração.

 

Eu poderia começar essa carta comentando o quanto admiro (embora de formas diferentes) o trabalho e história de cada um de vocês, ou relatando o quanto os três foram e são importantes para a cultura brasileira, mas prefiro ir diretamente ao assunto: acompanhando essa polêmica toda em que vocês se colocam contra as biografias não autorizadas de personalidades públicas, a primeira palavra que vem à mente é INACEITÁVEL.

Perdoe a intimidade, Gil, mas é como se aquela doce e paciente professora que me alfabetizou, ainda na infância, agora dissesse que eu não sei escrever.  A cada declaração concedida por vocês e a cada matéria que leio sobre o tema, a sensação é de frustração. Eu não posso aceitar que os meus guerreiros do Tropicalismo, que lutaram pela liberdade de expressão no final da década de 60, sob o massacre de uma ditadura militar, agora lutem contra o direito de acesso a suas fascinantes histórias. É inaceitável.

Não, eu não sou contra o direito à privacidade, Caetano, e concordo quando você diz que a lei deve servir para todos, mas é preciso ser coerente e admitir que um cidadão, ao optar por seguir uma carreira pública, deve estar preparado emocionalmente para os ônus e bônus que ela possa lhe proporcionar. Perdoe a minha audácia, mas eu não posso aceitar que vocês, que me fizeram acreditar que a liberdade de expressão deve ser ampla e irrestrita, agora estejam fomentando uma discussão sobre privacidade alegando direitos autorais.

Mas e aí se alguma dessas biografias lhes causarem constrangimento? Assim como qualquer cidadão brasileiro, recorram à justiça e lutem pela punição dos envolvidos. Cada um que arque com as responsabilidades dos próprios atos. Vocês esqueceram o que é democracia? Sugiro que recorram aos próprios acervos, leiam e assistam suas próprias entrevistas. Aqui para nós, ninguém jamais ousou falar em democracia melhor que vocês nestas últimas décadas. Impedir biografias, nobres ídolos, é como retroceder e pedir que o Brasil esqueça, inclusive, a trajetória que os faz importantes e famosos até hoje.

Manuela Berbert é publicitária e colunista do jornal Diário Bahia.

UNIVERSO PARALELO

O MAR BRAVIO É O MEU RIO MULTIPLICADO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Quando menino em Buerarema, eu não sabia o que era o mar. Aliás, nenhum de nós sabia. Orlandino, o mais velho da turma, gabava-se de já ter visto o mar, em Ilhéus, mas a gente não acreditava – ele, diziam os mais velhos, era mentiroso e fumador de maconha. Mas sabíamos, talvez do livro de Geografia de Gaspar de Freitas, que o mar era feito de água – a maior parte daquelas três quartas partes de que se formava o planeta, segundo a professora Aflaudísia. Na minha imaginação, multiplicado o rio Macuco, obtinha-se o mar bravio, sem tirar nem pôr… Mas eu queria mesmo era ver o bichão bem de perto, frente a frente, meu olho no olhão dele.

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O sono perdido entre o mar e a vizinha

1Serra do Jequitibá

Orlandino dissera que o mar era salgado, mas isso era mentira: pelos meus cálculos, todo o sal das vendas de Gringo e Zé Bazuza não daria para salgar o Poço da Pedra, quanto mais o marzão de Ilhéus. Eu andava com insônia (não só por culpa do mar, mas também de uma vizinha – e o nome dela eu não digo nem sob tortura). Da existência e tamanho desmesurado do mar eu já sabia, pois o vira, meio encoberto e misterioso, lá do alto da Serra do Jequitibá. Foi onde nasceu a árvore símbolo  de minha terra, que lhe dá poesia e proteção (o jequitibá primeiro morreu de velho, mas há um filho que lhe herdou a responsabilidade de guardião de Buerarema.

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Feiro do chocolate Paris 2010Quis ser um pássaro e voar até o oceano

Fizemos muito piquenique (o pastor Freitas preferia “convescote”) ao pé da árvore generosa, depois de caminhar da cidade à serra. De lá tínhamos uma mal definida vista de Ilhéus, com as águas de tanta insônia. Minha intenção nunca confessada era ser um pássaro, bater as asas na Serra do Jequitibá e voar, voar, voar toda a distância entre a serra e o oceano – Marcelo Ganem, menestrel da minha terra, disse isto em verso e música. Cheguei, em sonho desvairado, a pensar que, por magia só cabível em mente infantil, tal poderia acontecer. Mas não precisou. Certo dia, não sei a troco de quê (talvez devido à boa sorte, que sempre me segue)…

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Tonto de emoção, provei o mar salgado

… Fui dar com os costados em Ilhéus, fiquei frente a frente com o mar imenso, tendo, afinal, aquele despropósito de água ao alcance dos dedos. Lembro-me agora daquele menino Diego (de Eduardo Galeano, em O Livros dos abraços) que, trêmulo de emoção frente à grandeza do oceano, pediu ao pai: “Me ajuda a olhar”. Não digo que fiz o mesmo, porque sou um triste menino de verdade, não um inteligente ser de ficção. Apenas, emocionado, levei à boca um pouco daquela grandeza. Provei-o. Era salgado o mar, e muito. O gosto era minha única interrogação, pois o existir a Serra do Jequitibá já me confirmara. Foi bom saber que meu amigo Orlandino não mentia nem puxava. Quer dizer: só um pouquinho de cada coisa.

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SEM RIO OU SÃO PAULO, SÓ RESTA O NADA

5Antônio Jr.Ninguém é profeta em sua terra (equivale a santo de casa não faz milagre). Em matéria de arte, não se chega ao êxito se não romper as fronteiras do próprio quintal. Veja-se apenas na região cacaueira da Bahia: Adonias Filho, Jorge Amado, Hélio Pólvora, Marcos Santarrita, Telmo Padilha, Cyro de Mattos – todos que tiveram maior ou menor notoriedade foram buscá-la no Rio de Janeiro. É no Rio (e, nos últimos tempos, também num lugar chamado São Paulo) que as coisas acontecem; fora desse eixo, é o nada. Exemplos, em contrário (os que nunca saíram daqui): Ruy Póvoas, Jorge Araujo, Euclides Neto, Antônio Nahud Jr., Janete Badaró. Dirão que a música baiana, feita em Salvador, ganha o Brasil e o mundo – mas isto é exceção.

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Na Bahia, os caminhos são obstruídos

Afora minha humilde opinião de que ivetinhas, harmonias, claudinhas, chicletes e danielas ficariam melhor no anonimato, a exceção confirma a regra: Caymmi, João Gilberto, Gal, Gil, Nana, Caetano e Bethânia foram vencer no Rio (e João Ubaldo também, se falamos em literatura). A reflexão me vem a propósito de O desterro dos mortos (Via Litterarum), belo livro de Aleilton Fonseca. Contista excepcional, comparável aos grandes do Brasil, ele não ocupa o espaço nacional merecido – e eu atribuo isto ao fato de (nascido em Firmino Alves) morar em Salvador. Mesmo recebendo incentivadoras menções na Europa, notadamente na França, o autor ainda não foi “descoberto” pelo sul maravilha, o que lhe obstrui os caminhos.

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VÍDEO PROVA QUE O IMPOSSÍVEL ACONTECE

7Billie HolidayOs tenoristas Coleman Hawkins, Ben Webster e “Pres” Lester Young, mais Gerry Mulligan (sax barítono), Roy Eldridge (trompete), Milt Hinton (baixo) e a voz mágica de Billie Holiday juntos – seria um delírio difícil de imaginar até como delírio. Pois, creiam, o encontro aconteceu, em 1957, numa apresentação ao vivo, da qual destacamos Fine and mellow, uma composição da própria Billie. E ainda teve Mal Waldron (piano), Doc Cheatham (trompete), Vic Dickenson (trombone), Danny Barker (guitarra) e Osie Johnson (bateria). O vídeo nos dá, mais de meio século depois, a emoção desse momento raro do jazz (Billie morreria em 1959).

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“Pres”, o favorito de Billie Holiday

Ela canta os primeiros versos do tema, para a entrada de Webster e, em seguida, Lester Young. Billie, em close, tem os olhos brilhantes e segue o solo, balançando a cabeça, como em aprovação ao sopro suave de Young, seu saxofonista favorito – foi ela quem o apelidou de “Pres” (President). Após a segunda intervenção de Lady Day, vem o “choro” do trombone de Vic Dickenson e o som particularíssimo de Gerry Mulligan, o único branquelo do grupo. Mais Billie (“O amor vai fazer você beber e jogar” – Love will make you drink and gamble), para o solo do mestre Coleman Hawkins, meu saxofonista preferido, seguido de Roy Eldridge. Sublime.

(O.C.)

CAETANO À DIREITA, GIL À ESQUERDA

Na política,eles não se bicam

Se na música eles sempre se entenderam muito bem, na política faz tempo que os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil caminham em sentidos opostos. O primeiro anunciou no início da semana, num evento em homenagem a Ulysses Guimarães em Brasília, que apoia o candidato do DEM à Prefeitura de Salvador, ACM Neto. Nesta sexta-feira, 19, Gil gravou depoimento de apoio à candidatura de Pelegrino.

A conferir qual dos apoios terá mais influência sobre o eleitorado…

UNIVERSO PARALELO

ACADÊMICOS COM PRODUÇÃO LITERÁRIA NULA

Ousarme Citoaian
Academias de letras – que Itabuna está criando no atacado – sempre foram objeto de polêmica e abrigo de vaidades. Inspirada na Académie Française au Fil des Lettres (literalmente: Academia Francesa ao Fio das Letras), a Academia Brasileira de Letras foi muitas vezes questionada, ao longo dos seus mais de cem anos, devido a nomes que permitiu assentarem-se para o chá das cinco. Lá estiveram, por exemplo, o ex-ditador e presidente Getúlio Vargas (Cadeira nº 37) e o general da ditadura militar Aurélio de Lira Tavares (foto), cuja produção literária não existe publicada ou inédita (na 20). Em tempos mais recentes, José Sarney, aquele, de questionados poemas cívicos, abancou-se na Cadeira 38.

LAMBANÇA DA ACADEMIA BOMBA NA INTERNET

Mas o estoque de lambanças (termo, convenhamos, nada acadêmico) da Academia não se esgota facilmente:  nas comemorações dos 110 anos de nascimento do confrade José Lins do Rego, e sob a “justificativa” de que o escritor era Flamengo, a ABL achou de dar a Medalha Machado de Assis ao jogador Ronaldinho. Na internet, para usar outra expressão alheia ao chá das cinco, o mico bombou. E, por último, entre um jornalista de viés conservador e preconceituoso (Merval Pereira) e um escritor de verdade, o baiano Antônio Torres (autor de Um táxi para Viena d´Áustria, dentre outros romances), a ABL escolheu o primeiro. Depois de Sarney, Aurélio e Getúlio, Merval (um panfletário da direta) lhe cai muito bem.

ACADEMIAS ESQUECERAM O “FIO DAS LETRAS”

Resta dizer, retomando o assunto regional, que academia de letras parece hoje coisa tão contemporânea quanto a anágua, o chapéu palheta, o cabriolé e o sapato de duas cores. Em outras palavras, uma aspiração demodée, arcaica, que não agita o meio em que se insere, não muda em nada o panorama cultural da região. Assim é com a Academia de Letras de Ilhéus (que teve seu ápice nos tempos de Abel Pereira e um pouco com Adonias Filho), hoje decadente em suas funções. As de Itabuna, se seguirem o modelo viciado (o erro fatal de ceder a outras atividades o espaço da literatura) serão natimortas. Investir no fil des lettres sugerido pelos franceses é o desafio que nossos sodalícios têm a enfrentar.

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TRIÂNGULO AMOROSO “QUENTE” AOS 65 ANOS

Pretendia um comentário sobre a criatividade dos brasileiros ao traduzir títulos de filmes, mas o primeiro que me vem à mente é Gilda (King Vidor/1946), que permaneceu no original – e aproveito para lembrar este adorável lugar comum mil vezes repetido, criado para a campanha promocional do filme: nunca houve mulher como Gilda. A personagem de Rita Hayworth rompe (e já são passados 65 anos!) com todas as convenções de Hollywood. Gilda, o filme, trata de um triângulo amoroso em que Gilda, a mulher, é o vértice principal. Na base, estão dois homens, sendo um o marido (Mundson) e outro o ex-amante (Farrell).

EM GILDA, CADA GESTO É UM APELO SENSUAL

A relação entre os homens é cheia de insinuações homossexuais (algo que, neste aspecto, lembra a dupla Bentinho-Escobar, de Machado de Assis, em Dom Casmurro). O que Mundson, o maridão, não sabe é que Farrell faz parte do passado de Gilda – e como faz! Os dois foram amantes (talvez em Nova York), separaram-se (por motivos nunca explicados), e Gilda guarda dele um ódio tão grande que, agora, em Buenos Aires, fará tudo para destruir a amizade dos dois homens. Gilda é incrivelmente sensual: o jeito quase imoral de jogar o cabelo, o olhar, os movimentos, cada baforada na longa piteira (na época havia charme em fumar), tudo sugere obscenidade.

O FAMOSO STRIPTEASE QUE NÃO ACONTECEU

 

E até quem prefere o cinema pingando sangue, com a trilha sonora de serras elétricas e outros instrumentos de “ação”, já ouviu falar do striptease de Rita Hayworth, em Gilda, que foi sem nunca ter sido: com o vestido tomara que caia quase caindo, Gilda canta, dança e incendeia a plateia, ao começar a tirar a roupa. Primeiro, lenta e provocadoramente, a longa luva da mão esquerda, depois… nada. Ela só tira a luva. Pede para alguém da platéia ajudá-la a abrir o zíper do vestido, a dança é interrompida e o resto do show há de ser feito somente na imaginação do espectador. Pensando bem, nunca houve mulher como Gilda.

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A MPB QUE JAMAIS SE RENDEU À DITADURA

Paradoxalmente, na ditadura militar a MPB produziu a pleno vapor. Seria possível organizar hoje uma imensa coletânea (se é que ainda não foi feita), um cancioneiro do protesto dos nossos compositores mais engajados: há muitas canções de Chico Buarque (Apesar de você, Roda viva, Cálice – com Gilberto Gil), Caetano Veloso (É proibido proibir), Geraldo Vandré (Pra não dizer que não falei das flores), Aldir Blanc (O bêbado e o equilibrista – com João Bosco). Liste-se ainda uma rara parceria de Caetano-Gilberto Gil (Panis et circensis), denunciando a conivência da sociedade com a ditadura: diante do pão e circo do governo, “as pessoas da sala de jantar/são ocupadas em nascer e morrer”.

DO “REI” PARA CAETANO VELOSO, COM AFETO

 

A relação incluiria também, de Gil, Aquele abraço, sua despedida, quando expulso do País (“Meu caminho pelo mundo/eu mesmo traço”) e Não chore mais, sobre tema de Bob Marley (“Amigos presos,/ amigos sumindo assim,/ prá nunca mais”). Até Roberto Carlos, jovem cantor das tardes de domingo (que até hoje disputa com o outro “rei’, o do futebol, o primeiro lugar em alienação política), entraria na lista. Ele fez, com Erasmo Carlos, Debaixo dos caracóis dos teus cabelos, para Caetano Veloso (na foto, com o “rei”), que estava preso: “Janelas e portas vão se abrir/pra ver você chegar/e ao se sentir em casa,/sorrindo vai chorar”. E não se há de esquecer Apenas um rapaz latino americano, dentre outras citações de Belchior.

O HOMEM QUE NÃO QUIS SER “CHE GUEVARA”

PBelchior ironiza o temor do regime aos artistas, como se canções fossem capazes de derrubar o governo. “Por favor, não saque a arma no saloon/eu sou apenas um cantor”, pede o poeta, como se dissesse: “De que tanto vocês têm medo, que não deixam, a nós, apenas músicos, ´sem dinheiro no banco ou parentes importantes´, dizer e cantar o que nos vai na cabeça?”. Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, é o canto de guerra da época, nossa A marselhesa. Perseguido, o autor (que fez também, Porta estandarte, com o ubaitabense Fernando Lona) “mudou de lado”, dizendo que não queria ser o Che Guevara da MPB. Foi-se a ideologia, a canção ficou (lembrada com Simone, mulher bela e cantora sofrível, aqui).

O.C.








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