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:: ‘Governo Bolsonaro’

LULA LIVRE MUDA O PRESENTE E DEIXA O FUTURO COMO UM PAPEL EM BRANCO

Jerberson Josué

 

O tempo dirá se Lula triunfará diante das tentativas de seus opositores de tentar mudar o Código Penal brasileiro para usar politicamente, ou se a direita se recuperando abate novamente a maior liderança popular política do mundo.

 

 

Após a saída do ex-presidente Lula da prisão, o cenário político brasileiro muda completamente. Primeiro, o governo Bolsonaro agora tem um adversário com vasta experiência em fazer oposição e com uma militância aguerrida para fazer repercutir suas vontades e estratégias políticas.

Já no primeiro discurso, Lula mostrou um pequeno arsenal em forma de oratória e críticas aos atos do governo e de parte da imprensa. Só em anunciar que iria rodar o Brasil, já deixou a esquerda – e em especial o PT – eufórica. E a direita, o governo e quem o odeia, em estado de apreensão. Sentiram o golpe ao correrem ao Congresso na tentativa de tirar da gaveta velhos projetos que tentam mudar o Código Penal e até a Constituição, essa última menos provável.

Parte da imprensa tentar construir uma narrativa que jogue a sociedade contra o Congresso tentando pressioná-los a aceitar uma mudança rápida. O motivo é puramente político e nada tem a ver com corrupção ou justiça.

Os opositores de Lula sabem que o poder de convencimento e sedução do ex-presidente Lula é eficiente e encontra terreno fértil diante de argumentos sobre suas ações e situação que pegou e deixou o país ao sair da presidência após 8 anos de governo com 90% de aprovação e tantos êxitos na economia e em projetos de transferência de rede.

Lula, de forma assertiva, inicia pelo Nordeste sua caravana. E já pela Bahia, onde tem maiores níveis de aprovação e onde o PT governa há 13 anos e com exitoso projeto com eleições e reeleições de Wagner e Rui. O último com 75% dos votos válidos na disputa. A avaliação do governador Rui Costa bate a casa dos 80%. O agora senador Wagner, teve a maior votação da história de um senador no norte Nordeste brasileiro. Ou seja, o time de Lula na Bahia é implacável com os adversários nas disputas estaduais. Até aqui.

Lula chega na Bahia com um clima positivo e enche de força sua militância, a esquerda e o PT. As suas andanças podem fortalecer projetos eleitorais da esquerda e do PT, onde quer que ele passe, já para a eleição de prefeito em 2020.

Em Ilhéus e Itabuna, um caso aparte. Uma relação pessoal do ex-prefeito Geraldo Simões, que sonha em voltar a dirigir o município grapiúna, com o ex-presidente pode ser fundamental na garantia de boa disputa. Em Ilhéus, o empresário Nilton Cruz é o pré-candidato do PT na eleição a prefeito em 2020. E também tem laços íntimos com Lula e a cúpula nacional do partido.

Em Salvador, os petistas também já se movimentam no intuito de ter uma candidatura na cidade onde Lula é altamente popular e seria uma cabo eleitoral fantástico. Em centenas de cidades do Brasil, a esquerda e o PT podem virar o jogo diante da derrota no pleito nacional de 2018 e eleger prefeitos nas principais cidades do Brasil, em especial no Norte e no Nordeste.

Voltando ao Lula, um incrível poder de aglutinação em torno de sua figura causa frio na barriga dos adversários e arrasta multidões apaixonadas em sua volta. Para 2022 ainda é cedo para se cogitar algo. Mas, para as eleições de prefeitos e na reorganização das oposições, é um fato consumado dizer que Lula mudou TUDO.

O tempo dirá se Lula triunfará diante das tentativas de seus opositores de tentar mudar o Código Penal brasileiro para usar politicamente, ou se a direita se recuperando abate novamente a maior liderança popular política do mundo.

Importante ficar atento aos resultados da economia. Isso será fundamental para qualquer projeção de qualquer grupo político. Lulismo e antilulismo terão reflexos nos resultados da economia. Conta contra o governo Bolsonaro as peripécias da Família Bolsonaro. Lula livre traz, inegavelmente, uma influência na política brasileira.

Jerberson Josué se define como um estudante na escola da vida.

O MBL E O GOVERNO BOLSONARO

Marco Wense

 

 

Será que o MBL mudou de verdade? Para muitos, o movimento tenta se salvar diante de um eventual fracasso do bolsonarismo. Os meninos do MBL já começam a pavimentar a estrada que pode levá-los para a oposição. De bestas, não têm nada.

 

É preciso acabar com essa imbecilidade de que fulano é de esquerda porque faz crítica ao governo Bolsonaro. Que sicrano é de direita porque aponta pontos positivos na gestão bolsonariana.

Ora, pura bobagem inerente a quem faz política com o fígado, aos radicais de plantão. A maioria não enxerga um palmo à frente. São teimosos e de difícil diálogo. Carregam a intransigência e intolerância na alma.

A sabedoria popular diz que o mundo da muitas voltas. A política também. Como exemplo cito o Movimento Brasil Livre. O MBL vai fazer um evento com deputados do PT e PCdoB como palestrantes, respectivamente Arlindo Chinaglia, ex-presidente da Câmara de Deputados, e Orlando Silva, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

“É o primeiro passo desde que o movimento, que ficou conhecido por sua agressividade retórica contra adversários e imprensa e por nunca fugir de uma treta, anunciou a decisão de dar uma espécie de reset”, diz o jornalista Fábio Zanini, da Folha de São Paulo.

Para Zanini, “os seus líderes querem se diferenciar dos grupos alinhados ao presidente Jair Bolsonaro (que eles chamam ironicamente de “minions”) e pretendem ser uma direita crítica. Querem ter liberdade para comentar acusações de corrupção e pautas que enxergarem como sendo excessivamente conservadoras”.

Como sugestão, servindo até mesmo como teste, o MBL deveria começar sua mudança de postura, provando que agora é outro, pedindo ao senhor presidente da República que demita Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo. O seu subordinado é acusado de desviar dinheiro do esquema do laranjal do PSL de Minas para sua candidatura a deputado federal. O tão badalado e costumeiro caixa dois.

Será que o MBL mudou de verdade? Para muitos, o movimento tenta se salvar diante de um eventual fracasso do bolsonarismo. Os meninos do MBL já começam a pavimentar a estrada que pode levá-los para a oposição. De bestas, não têm nada.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

UFSB SUSPENDE VIAGENS DE ALUNOS E DESLIGA AR-CONDICIONADO, APÓS CORTES DO MEC

UFSB sofre com o cortes feitos pelo MEC

A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) suspendeu viagens de alunos, aquisição de materiais de consumo e desligou ar-condicionado dos campi após os contingenciamentos do orçamento da Educação. A instituição tem campus nas cidades de Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas.

As informações foram divulgadas após um levantamento feito pelo G1. Conforme a UFSB, a medida foi tomada após o dia 5 de agosto, quando a universidade recebeu cerca de 6% do custeio discricionário. O valor equivale a R$ 868.927 e não atende às demandas contratuais da instituição.

Segundo a instituição, os materiais de consumo que tiveram as compras suspensas, como carteiras, quadros, itens de limpeza, atendem laboratórios, capacitação de servidores entre outros serviços.

O desligamento do ar-condicionado foi feito para evitar possíveis cortes de energia por falta de pagamento.

A UFSB informou que, atualmente, funciona em unidades adaptadas, locadas e cedidas pelos governos federal, estadual e municipal. As reformas e manutenções prediais, além das construções de novas salas de aulas e laboratórios, estão suspensas em todos os campi.

A Universidade Federal do Sul da Bahia tem uma dívida de mais de R$ 6,2 milhões. Conforme a instituição, a dívida é relacionada a obras de infraestrutura, como manutenção de salas de aulas e laboratórios, que foram licitadas e iniciadas em 2017, algumas têm mais de 50% de execução.

Ainda de acordo com a UFSB, para que a universidade consiga cumprir as obrigações contratuais, ela necessita de cerca R$ 1,2 milhões ao mês. Em agosto deste ano, a instituição fechará o mês com aproximadamente R$ 350 mil com notas fiscais em aberto. A situação não deve mudar nos próximos dois meses, afirmou a instituição.

A universidade ressaltou que, passados 8 meses do ano, foram liberados apenas 20% do orçamento de investimento previsto para o ano inteiro. O orçamento de emendas, também relativo a investimento, continua 100% bloqueado, informou a instituição. As informações são do G1-BA.

REITORA DA UFSB DIZ QUE CORTE DE VERBA AUMENTARÁ CRISE NO SUL E EXTREMO-SUL

Reitora Joana Angélica Guimarães: corte de verbas da UFSB vai prejudicar a região

A reitora da Universidade Federal do Sul Bahia (UFSB), Joana Angélica Guimarães, afirmou ao PIMENTA, que está muito preocupada com o anúncio de bloqueio de recursos das instituições federais de ensino superior do País pelo Ministério da Educação. Ela estará em Brasília nesta segunda-feira (6) para tentar reverter os bloqueios no orçamento da UFSB e cortes de verbas de emendas parlamentares.

Segundo a reitora, os cortes de repasses pelo governo vão causar impactos negativos não só para a UFSB, mas também para economia do sul e extremo-sul da Bahia, onde a universidade está fazendo investimentos de mais de R$ 110 milhões em obras em núcleos pedagógicos, laboratórios e infraestrutura nos seus três campi – Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas.

“Estou muito preocupada, pois caso ocorra a suspensão dessas obras, o prejuízo será enorme não só para a comunidade acadêmica e para administração pública, mas para toda a economia do sul e extremo-sul da Bahia, porque aumentará o número de desempregados e a crise financeira”. A seguir, trechos da entrevista com a reitora.

PIMENTA- Qual o impacto da decisão do MEC de bloquear os recursos da UFSB?

JOANA ANGÉLICA – Um impacto negativo muito grande, porque temos um orçamento sem reajuste desde 2015. Nesse período, como a universidade está expansão, precisamos aumentar as nossas despesas, principalmente de custeio. Por isso, tivemos de fazer contratações de professores, servidores técnicos e terceirizados, por exemplo.

PIMENTA- Qual o orçamento global para este ano?  

JOANA ANGÉLICA – Temos um orçamento de cerca de R$ 113 milhões, o mesmo do ano passado, que foi integralmente executado. Como somos uma instituição que começou do zero, necessitávamos e estamos fazendo investimentos de cerca de R$ 113 milhões nos três campi. Somente no Jorge Amado, em Itabuna, são R$ 64 milhões em investimentos, sendo R$ 24 milhões na construção do núcleo pedagógico e laboratórios e R$ 40 milhões em obras de infraestrutura.

PIMENTA- Qual o prazo para a conclusão do campus Jorge Amado?

JOANA ANGÉLICA – Hoje, estamos trabalhando para que o núcleo pedagógico esteja pronto no final do ano e a transferência das atividades para o início de 2020. Além disso, nossas equipes de arquitetos e engenheiros estão elaborando o projeto para reforma do prédio do antigo Fórum Ruy Barbosa, no centro de Itabuna, para que possamos transferir a sede da reitoria para lá. Com isso, vamos usar o dinheiro do aluguel em outras despesas.

PIMENTA- E as obras no extremo-sul?

JOANA ANGÉLICA – A nossa meta é que sejam concluídas entre o final de 2020 e início de 2021, se o cronograma for mantido como planejado. Estamos fazendo um investimento de R$ 49 milhões para que possamos contar com instalações adequadas para o melhor andamento das pesquisas e a realização das atividades acadêmicas diárias.

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BLOQUEIO DE RECURSOS: O prejuízo será enorme não só para a comunidade acadêmica e para administração pública, mas para toda a economia do sul e extremo-sul da Bahia, porque aumentará o número de desempregados e a crise financeira.

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PIMENTA- Será possível o andamento dessas obras com os cortes?

JOANA ANGÉLICA – Estou muito preocupada, pois caso ocorra a suspensão das obras, o prejuízo será enorme não só para a comunidade acadêmica e para administração pública, mas para toda a economia do sul e extremo-sul da Bahia, porque aumentará o número de desempregados e crise financeira. São muitos operários que correm o risco de desemprego. Menos dinheiro circulando só vai aumentar a crise financeira nessas regiões. Precisamos evitar que isso ocorra nesse momento.

PIMENTA- E o impacto para os cofres públicos?

JOANA ANGÉLICA – A depender de quanto tempo fiquem paralisadas, caso isso ocorra, o gasto para execução será muito maior. Podemos até ter de reconstruir prédios. Isso não será bom para população, que corre o risco de pagar duas vezes para a conclusão de uma obra. Entendo que ninguém quer isso.

PIMENTA – Acha que pode reverter essa situação?

JOANA ANGÉLICA – Vamos lutar muito para que possamos ter as condições mínimas de funcionamento das nossas unidades e as obras não possam sofrer atrasos. Espero não precisar desfazer contratos e, mais adiante, com os prédios deteriorados com ação do tempo, sermos obrigados a fazer um novo processo para a conclusão das obras. Estarei em Brasília na segunda-feira (6) e pretendo explicar toda a situação ao MEC [Ministério da Educação].

PIMENTA- Por que a UFSB precisa de tratamento diferente das demais instituições?

JOANA ANGÉLICA – O que posso e vou argumentar é que somos uma universidade que ainda está em processo de implantação, que começou do zero, sem imóveis e instalações adequadas para os nossos professores, estudantes e servidores técnicos. Precisamos concluir essa etapa do trabalho que está em andamento. Caso contrário, repito, toda a sociedade terá um grande prejuízo.

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REDUÇÃO DE VERBAS: Hoje, contamos com 282 professores e 251 técnicos-administrativo. Isso representa menos de um terço do que estava previsto no planejamento inicial, que foi prejudicado pela redução de verbas repassadas desde 2016.

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PIMENTA – O quadro de funcionários atende às necessidades da UFSB?

JOANA ANGÉLICA – Hoje, contamos com 282 professores e 251 técnicos-administrativo. Isso representa menos de um terço do que estava previsto no planejamento inicial, que foi prejudicado pela redução de verbas repassadas desde 2016. Precisamos contratar pessoal, mas não há autorização para novos concursos. Talvez, como existe uma pequena reserva de vagas, possamos ainda contratar professores.

PIMENTA- E a contratação de técnicos?

JOANA ANGÉLICA – Não existe previsão de quando será realizado concurso público para técnico-administrativo. A previsão inicial era de que, quando todos os campi entrassem em pleno funcionamento, contássemos com 1.300 ou 1.400 servidores, entre professores e técnico administrativo. Isso não deve mais ocorrer.

PIMENTA – A senhora não acha que há um distanciamento das universidades da população?

JOANA ANGÉLICA – Temos debatido muito esse assunto durante as reuniões da Associação Nacional dos dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifs) e já definimos uma série de ações institucionais para trazer as pessoas da sociedade para dentro dos campi. Elas precisam conhecer melhor o trabalho desenvolvido pelos nossos estudantes e professores/pesquisadores.

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PESQUISA NAS UNIVERSIDADES: São nas universidades públicas brasileiras, principalmente nas federais, onde são desenvolvidas as grandes pesquisas, tratamentos para muitas doenças. As federais, com seus hospitais universitários, prestam atendimento de alta qualidade e gratuito.

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PIMENTA- A senhora diria que há muito trabalho e pouca divulgação…

JOANA ANGÉLICA – São nas universidades públicas brasileiras, principalmente nas federais, onde são desenvolvidas as grandes pesquisas, tratamentos para muitas doenças. As federais, com seus hospitais universitários, prestam atendimento de alta qualidade e gratuito. Os beneficiados são, principalmente, as pessoas carentes, que não possuem um plano de saúde e não têm condições de pagar uma consulta médica, exames etc.

O BRASIL E A COP 25

Gerson Marques | gersonlgmarques@gmail.com

A desistência do Brasil em realizar a 25ª Conferência Internacional do Clima, a COP 25, demonstra bem o alinhamento ideológico de Jair Bolsonaro a Donald Trump e provoca uma mudança radical no papel internacional do Brasil, sempre marcado por uma política de independência ideológica na geopolítica global.

Os defensores do novo governo dizem que a questão é o custo elevado do evento, orçado em quinhentos milhões de reais. Segundo o Itamaraty, cem milhões de dólares. Os recursos, porém já estavam garantidos no orçamento de 2019, alocados no próprio Fundo do Clima, uma reserva do Brasil para este tema.

A negativa, na verdade, nada tem a ver com dinheiro. Trata-se de uma posição política, altamente influenciada pelo alinhamento ideológico com a extrema-direita americana, para quem a questão climática é ativismo esquerdista e não
representa de fato uma ameaça, apesar de todas as evidencias e estudos, como o produzido recentemente por treze departamentos e agências federais americanas, inclusive a Nasa, onde prevê que os EUA vão perder até 10% do PIB com as mudanças climáticas. Na mesma linha, o futuro chanceler brasileiro indicado por Bolsonaro, Ernesto Henrique Fraga Araújo, publicou recentemente um artigo em que afirma que a questão climática é uma agenda marxista, numa preocupante demonstração de profundo desconhecimento sobre o tema.

A linha de trabalho da COP visa comprometer os governos a enfrentar o desafio de manter o aquecimento global dentro dos 1,5 graus, a meta estabelecida para este século. Estudos coordenados pela ONU, no entanto preveem que este aquecimento pode chegar a até 5 graus, caso não sejam implantada as resoluções dos acordos de Kyoto e de Paris.

Um aquecimento deste tamanho faria da terra um mundo impossível. Áreas costeiras seriam redesenhada e milhões de pessoas perderiam suas moradias e grandes cidades litorâneas seriam ocupadas pelo mar. O impacto na agricultura levaria à inviabilidade de muitas atividades e a perdas de até 80% da capacidade agrícola do planeta. A fome dizimaria bilhões de pessoas e animais.

O Brasil é o sétimo maior produtor de CO2 do planeta. A maior parte destes gazes vem da destruição das nossas florestas, que cresceu 8,5% em 2017 e 16% em 2018. Batemos em dois anos todos os recordes de destruição da
Amazônia. Pelo previsto e dito até aqui, esta será uma tendência que vai se acelerar nos próximos anos, visto que a política de Bolsonaro para a Amazônia é de apoio ao avanço do agronegócio, relaxamento das políticas de combate
ao desmatamento e facilidades na liberação de licenças ambientais. Um desastre.

O debate sobre as mudanças climáticas globais não podem ser encaradas pela ótica ideológica. Trata-se de desafios e oportunidades. Esta questão tem consequências sobre a humanidade, mas também oferece oportunidades, até porque somos um dos países com maiores chances de oferecer soluções, inovações e experiências, a exemplo da geração de energia a partir de biomassas ou do rápido crescimento das fontes limpas na matriz energética.

No acordo de Paris, assinado na COP 21, as nações desenvolvidas se obrigaram a investir cem bilhões de dólares por ano em políticas de compensação e mitigação. O Brasil é um dos maiores beneficiados com esta cláusula. Por este acordo, podemos captar bilhões de dólares para preservação de nossas florestas e ampliar as políticas de mudança energética em nossa matriz, abandonando a construção de hidroelétricas, por exemplo.

É por isso que, se fôssemos considerar o valor a ser gasto pelo Brasil, como argumentado pelos apoiadores do futuro governo, cem milhões de dólares não é nada. Falta a esta turma a noção real do papel e do tamanho do Brasil no
mundo. Falta, também, entender o que significa receber uma conferência deste porte. Na edição de 2018, na Polônia, dezesseis mil estrangeiros foram ao evento, com impacto significativo no turismo, mas o maior ganho está na
exposição do país na mídia internacional. Milhões de dólares em mídia espontânea positiva, a relação ganho e benefício para o Brasil seria infinitamente maior, sem falar em nossa capacidade de influenciar a agenda e
manter o papel de protagonista.

A negativa da COP 25 no Brasil expõe o primarismo enviesado e ideológico do novo governo na questão do clima e abre mão do papel que o Brasil sempre teve de protagonista e liderança mundial nesta área. Sairemos da condição de
liderança respeitada para nos submeter a um alinhamento subserviente ao atual governo americano, isso sem nenhum debate interno, jogando fora um capital político internacional acumulado por anos.

Os custos ambientais, sociais e econômicos desta guinada serão sentidos pelas atuais e próximas gerações. Infelizmente, é só uma parte dos grandes problemas que enfrentaremos por eleger um governo sem debates, sem conhecer suas propostas, sem construção de compromissos, motivados por ódio e fake news.

Gerson Marques é consultor e administrador de empresas






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