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:: ‘Jorge Amado’

PIMENTA DO DIA – A PERERECA DE JORGE

Tieta (aquela que não era mulher, mas sim “uma plantação inteirinha de xibiu”), Dona Flor, Gabriela, Jacutinga e e suas gostosíssimas quengas… Ora, nós só podemos dar justíssimos parabéns aos ilustres pesquisadores da Uesc por essa mais que apropriada homenagem. Viva a obra amadiana!

Do leitor “Juca Bala” em comentário ao post sobre a homenagem de pesquisadores da Uesc a Jorge Amado, que empresta o sobrenome à nova espécie de perereca descoberta no sul da Bahia, a Phyllodytes amadoi.

JORGE, ITABUNA E ILHÉUS: INDIFERENÇA E AMOR

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Do Blog do Thame

Se vivo fosse, Jorge Amado completaria 105 anos. Um dos mais importantes escritores brasileiros, conhecido em todo o mundo, Jorge Amado deu à chamada Civilização Cacaueira uma dimensão planetária, em obras imortais como Cacau, Terras do Sem Fim, Tocaia Grande e, principalmente, Gabriela Cravo e Canela, todas ambientadas no Sul da Bahia.

Nascido na Vila de Ferradas, na então recém emancipada Itabuna, Jorge passou parte da infância e juventude em Ilhéus, cidade em que inspirou grande parte de sua obra e onde escreveu o primeiro romance, O País do Carnaval.

Enquanto a relação dos ilheenses com o escritor é de admiração, reconhecimento e afeto, os itabunenses o tratam com olímpica indiferença.

Jorge Amado sempre se definiu como ilheense ou, no máximo, um grapiúna. Só ao completar 80 anos disse enfaticamente, num programa especial da TV Cabrália, que nasceu em Itabuna. De Ferradas, escreveu Navegação de Cabotagem, livro de memórias, que nascera “no cu do mundo”.

Óbvio que se tratava de uma brincadeira, mas os orgulhosos ferradenses receberam a blague como ofensa. E jamais o perdoaram, tanto que um busto colocado na praça principal foi retirada durante a noite e sumiu e uma estátua colocada na entrada no bairro foi alvo de vandalismo e, depois de restaurada, abrigada em segurança no campus da Universidade Federal do Sul da Bahia.

Casas de Jorge: Ponto turístico em Ilhéus; portas fechadas em Itabuna.

Casas de Jorge: Ponto turístico em Ilhéus; portas fechadas em Itabuna.

Na celebração dos 105 anos de Jorge, os contrastes que explicam a relação. A casa em que o escritor nasceu é um projeto inacabado de memorial e passa a maior parte do tempo fechada. Já a casa em que o escritor morou em Ilhéus é atração turística, com direito a uma estátua, foto obrigatória para pessoas de todas as partes do Brasil e do Exterior.

Indiferença em Itabuna, amor em Ilhéus.

Não importa. Nosso Menino Grapiúna é imortal.

Salve Jorge!!!

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EM VÍDEO, JOSÉ DELMO LEMBRA OS 105 ANOS DE JORGE AMADO

Dos principais nomes da arte grapiúna, José Delmo recitou, em vídeo, poema para lembrar os 105 anos de nascimento do maior escritor baiano de todos os tempos, o também grapiúna Jorge Amado, que veio ao mundo em 10 de agosto de 1912, na Vila de Ferradas, em Itabuna. Pausa (e palmas!!!) para Zé, homenagem para Jorge!

Salve Zé! Salve Jorge! Eternamente amados!

O vídeo foi enviado ao PIMENTA pelo inquieto Gerson Marques.

FÃS ILHEENSES DE JORGE & MATEUS DESCONHECEM JORGE AMADO

Jorge, o cantor, ficou decepcionado com o desinteresse de seus fãs ilheenses por Jorge, o escritor

Jorge, o cantor, ficou decepcionado com o desinteresse de seus fãs ilheenses por Jorge, o escritor

Ainda não é possível concluir que o escritor Jorge Amado seja um ilustre desconhecido em sua própria terra, mas o teste realizado ontem por outro Jorge – da dupla Jorge & Mateus – demonstrou que pelo menos os seus fãs ignoram a obra do autor nativo, traduzido em mais de 70 idiomas.

Os sertanejos se apresentaram ontem à noite em Ilhéus e o homônimo do escritor perguntou inicialmente quem ali era natural da cidade. Muitos levantaram as mãos. Depois, indagou quem havia lido Jorge Amado e somente uns gatos pingados responderam positivamente.

Diante disso, o cantor disse que daria um livro aos ilheenses: “Capitães da Areia, vocês vão gostar”.

Jorge Amado não seria a primeira celebridade a não ter reconhecimento em sua sua própria casa, mas a esperança é de que a parcela dos ilheenses que deixou de prestigiar Jorge e Mateus esteja mais afinada com a literatura nacional. Se nem isso, aí lascou!

JABES “EMPAREDA” GESTORES DO BATACLAN, QUE TERÁ ATRAÇÕES GRATUITAS

Fachada do Bataclan, que deverá ter programação semanal (Foto Gidelzo Silva).

Fachada do Bataclan, que deverá ter programação semanal (Foto Gidelzo Silva).

A Prefeitura de Ilhéus emparedou os atuais gestores do espaço Bataclan, famoso pela obra de Jorge Amado. Desde o ano passado, depois de uma polêmica surgida durante a campanha eleitoral de 2012, os concessionários já vinham arcando com as faturas de água, energia e do IPTU, que antes eram pagas pelo ilheense.

Agora, com um aditivo no contrato de cessão de uso, o espaço está obrigado a fornecer programação cultural por três dias da semana de forma gratuita. Atrações, que antes custavam R$ 50,00 a mesa, serão na faixa.

Essas medidas seriam uma espécie de retaliação do prefeito Jabes Ribeiro aos atuais coordenadores do espaço. Durante a campanha de 2012, chegaram a retirar uma placa colocada no local que indicava a reforma no prédio, tocada justamente pelo agora prefeito.

Pra completar o pacote,  o restaurante instalado no prédio, localizado na Avenida Dois de Julho, terá de incluir no cardápio pratos típicos da culinária regional.

BATE-PAPO SOBRE OBRA DE JORGE AMADO ABRE 3º DIA DA FELITA

Paloma Amado durante entrevista na feira literária (Foto Divulgação).

Filha de Jorge Amado, Paloma concedeu entrevista na feira literária (Foto Divulgação).

A obra de Jorge Amado é o tema de bate-papo que abre o terceiro dia da Feira Literária de Itabuna (Felita), no Teatro Amélia Amado, no Colégio Ação Fraternal de Itabuna (AFI). A conversa reúne o jornalista Daniel Thame e a filha de Jorge, Paloma Amado, e tem mediação do escritor Antônio Nunes. O bate-papo começa às 10h30min.

A programação desta manhã de sábado ainda tem atividades para crianças, no Espaço Crianças, e visitação orientada à feira, que vai até amanhã (7), na AFI, na Avenida Amélia Amado, centro. À tarde, a partir das 14h, haverá oficina de poeisa com João Filho e leitura pública de contos e poemas com os escritores Aleilton Fonseca e Sérgio Di Ramos.

Ulisses Góes apresenta A Coleção Pedra Palavra, também no Espaço Orfeu. A programação vai até a noite de hoje, sendo encerrada com apresentação de Nívia Maria Vasconcelos e Os Ohmeros.

A programação da noite também tem conversa com o escritor Ondjaki e, no espaço Palavra por Palavras,  Rita Santana, Daniela Galdino e Nelson Maca dialogam contando com mediação de Nívia Maria Vasconcelos tendo como temática a “Literaturas divergentes: Literaturas Negra e Feminina no Brasil”. Confira a programação abaixo, clicando no “leia mais”.

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BOURGES EXPÕE “GABRIELAS” NO JEQUITIBÁ

Talles expõe no Jequitibá até 5 de outubro.

Talles expõe no Jequitibá até dia 5.

O fotógrafo Talles Bourges abre nesta quarta (24) a exposição GabriElas, no Shopping Jequitibá, às 19 horas. A mostra tem como inspiração as obras de Jorge Amado.

Segundo Bourges, é uma homenagem ao escritor grapiúna. “Meu objetivo é recriar Gabriela no sentido contemporâneo, e tentar fazê-la fiel ao passado”, diz o fotógrafo.

O fotógrafo explica que a sua segunda exposição na terra natal tem um alvo: “São mulheres representando Gabriela”.

A exposição integra o evento anual de moda Mundo Fashion do Shopping Jequitibá, que ocorre na quinta.

A mostra de Bourges vai até 5 de outubro. Suas telas serão expostas em áreas de circulação do shopping.

O itabunense tem vários trabalhos, principalmente na área de moda e trabalhos com a principal modelo brasileira, Gisele Bündchen. A foto exclusiva, diz, “rendeu bons frutos” para o seu portfólio.

RESTAURADA, ESTÁTUA DE JORGE VAI PARA CAMPUS DA UFESBA

Restaurada pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, após sofrer atos de vandalismo (tiros ou pedradas, a depender das versões), a estátua de  Jorge Amado não voltará ao seu local original, na entrada de Ferradas, bairro de Itabuna onde o escritor nasceu em 1910..

Diante da fragilidade com que a estátua foi produzida, uma resina sintética, a FICC decidiu que a estátua será colocada na sede do campus e da reitoria da Universidade Federal do Sul da Bahia, onde, acredita-se, estará a salvo do vandalismo. A Ufesba está localizada também em Ferradas e o campus leva o nome de Jorge Amado.

Leia íntegra no Blog do Thame

CONSULTA DEFINE NOME DE BIBLIOTECA ILHEENSE

Colégio Sá PereiraOs professores do Colégio Estadual Antônio Sá Pereira (Ceasp), em Ilhéus, decidiram realizar uma consulta à comunidade para definir o nome da biblioteca da unidade. O espaço foi revitalizado e a reinauguração está prevista para o próximo mês.

A enquete é aberta. Os nomes escolhidos para votação foram os de Ariston Cardoso, Jorge Amado, Ruy Barbosa, Paulo Freire e professora Margarida Paixão. Dados biográficos de cada um dos candidatos auxiliam o internauta na hora do voto.

Confira a enquete no blog do colégio (clique aqui).

O MAIOR BAIANO

baianos

O jornal A Tarde promove competição para descobrir quem foi, segundo a opinião popular, o maior baiano de todos os tempos.

A primeira fase da seleção colheu indicações espontâneas de notáveis, cada um indicando três nomes em ordem decrescente de relevância. Desta etapa, saiu vencedor o jurista e político Ruy Barbosa, seguido pelo poeta Castro Alves e pelo escritor Jorge Amado.

Entre os dez nomes mais lembrados, além dos três mestres acima, figuram, em ordem alfabética, ACM, Anísio Teixeira, Dorival Caymmi, Edgar Santos, Glauber Rocha, Irmã Dulce e Milton Santos.

A lista com os dez compõe agora em uma enquete, e qualquer pessoa pode votar no seu preferido. O resultado indicará o baiano “mais retado” de todos os tempos.

“CUÍCA DE SANTO AMARO” SERÁ EXIBIDO EM PORTO SEGURO

Cuíca_de_Santo_AmaroO documentário que conta a história do trovador José Gomes, o “Cuíca de Santo Amaro”, fica em cartaz até esta quinta-feira, 12, no Cine Santa Clara, em Ilhéus, com sessões sempre às 18 horas. De 13 a 19 de sembro, o filme será exibido no Cine Plaza, em Porto Seguro.

Para o dia 12, às 18h30, no Centro de Cultura de Porto, está previsto o lançamento do DVD com cinco extras e material pedagógico, debate e apresentação do livro “A Verve de Cuíca”.

O poeta de forte veia satírica nasceu em 1907 e teve como temas recorrentes de sua obra questões relacionadas à política, morte e ao sexo. Cuíca de Santo Amaro é mencionado em livros de Jorge Amado e chegou a inspirar um personagem criado pelo autor.

EXPOSIÇÃO CORES DA BAHIA

nadja 7

A artista plástica Nadja Alves expõe 15 telas na mostra Cores da Bahia, que será aberta nesta quarta-feira, 4, em frente à loja Le Biscuit, no Shopping Jequitibá. As obras, em estilo primitivista, enfatizam o cotidiano das terras do cacau e figuras como baianas de acarajé, pescadores, capoeiristas e trabalhadores rurais.

Em sua obra, Nadja também presta um tributo a Jorge Amado, apresentando alguns dos principais personagens do escritor, como Tieta e Gabriela.

A mostra fica aberta até o dia 17.

MATERIAL DA ESTÁTUA É IMPRÓPRIO

roberto joseO presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), Roberto José, enviou mensagem a este blog, na qual comenta a nota sobre o abandono da estátua do escritor Jorge Amado (leia nota e comentário aqui).

Segundo Roberto, a Ficc aguardou a finalização de perícias e irá restaurar a estátua em breve, porém a mesma terá que ficar  no interior da “Casa de Jorge Amado”, em Ferradas. Ele afirma que especialistas desaconselharam a exposição da escultura ao ambiente externo. O material seria bastante vulnerável ao desgaste, em função de ter sido feito com resina.

Ainda de acordo com o presidente, haverá um concurso entre artistas locais a fim de escolher uma nova escultura para a entrada de Ferradas, onde em janeiro a estátua de Jorge foi vítima de vândalos. O presidente da Ficc ressalta que a perícia confirmou somente que a obra foi alvo de pedradas, mas não de tiros.

O ABANDONO DO BAIRRO JORGE AMADO

Valeta na rua Pitanga. Segundo moradores, a situação ficou pior após a chuva de sexta-feira, 8

Valeta na rua Pitanga. Segundo moradores, a situação ficou pior após a chuva de sexta-feira, 8

Em Itabuna, não é apenas a estátua de Jorge Amado que está cheia de buracos. O bairro que leva o nome do escritor também se encontra em situação deplorável, com ruas intransitáveis e moradores chegando a abandonar suas casas em função do complicadíssimo acesso.

A moradora Elisângela Alencar afirma que as ruas Pitanga, Graviola, Lírio e Violeta, de nomes bonitos, estão há anos sem receber manutenção. Nelas, o trânsito é comprometido por enormes valetas que se abriram ao longo das vias, tornando difícil até mesmo trafegar de moto ou bicicleta.

Segundo a moradora, a situação do bairro, que já era ruim, ficou muito pior após a chuva do dia 8.

ESTÁTUA DE JORGE AMADO É RETIRADA PARA RESTAURAÇÃO

Guindaste retira estátua do trevo de acesso a Ferradas (Foto Thiago Pereira).

Guindaste retira estátua do trevo de acesso a Ferradas (Foto Thiago Pereira).

A estátua do escritor Jorge Amado foi retirada, ontem, 29, do trevo de acesso a Ferradas, em Itabuna, para restauração, após ser alvo de tiros e apedrejamento. A ação dos vândalos repercutiu nacionalmente.

De acordo como presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), José Roberto Silva, a imagem será transferida para outro local, “pois o material utilizado na confecção da mesma é inapropriado para exposição”.

Confeccionada pelo escultur Lavrud Durval, a estátua bronzinada tem 1,85 metro de altura e faz parte das homenagens ao centenário de nascimento do escritor itabunense.

PIMENTA DO DIA

Do leitor(a) que assina como “Ilheense de nascimento e coração” em comentário à nota JORGE AMADO NÃO FOI BALEADO. FOI APEDREJADO

 

A mídia do passado vivia falando mal de Jorge Amado (meados dos anos 70 e 80 ). Cresci ouvindo que o escritor era comunista e ateu, e por isso não era bem vindo a Itabuna. Livros foram queimados e nas escolas de Itabuna era proibida a leitura de seus romances. A imprensa escrita (jornal) colocava notas difamatórias e com calúnias. Jorge agiu certo porque valorizou Ilheús, que o acolheu e ainda lhe fez uma grande homenagem em vida. SALVE JORGE!

 

Obs.: Sobre o título da nota que ensejou o comentário, vale ressaltar que posteriormente a polícia confirmou os tiros disparados contra a estátua do escritor.

JORGE NÃO FOI BALEADO. FOI APEDREJADO

A Ficc (Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania) divulgou nota na qual esclarece que a estátua do escritor Jorge Amado, na entrada do bairro de Ferradas, não foi alvo de tiros, como chegou a ser noticiado pela imprensa. Mas não há razão para alívio, pois a escultura, na verdade, foi apedrejada.

De acordo com a entidade, as perfurações foram constatadas no início deste mês, depois que moradores denunciaram a ação de vândalos.

A fundação estuda a possibilidade de refazer a escultura com a utilização de bronze. Em virtude de restrições orçamentárias, o governo passado encomendou a obra do artista Lavrud Durval em fibra de vidro, bem menos resistente.

Ou seja, não foi apenas na Avenida Amélia Amado que o governo anterior fez armengue. Outro Amado teve o mesmo triste fim na “homenagem” póstuma que lhe prestaram.

A ESTÁTUA DE JORGE

Autor da escultura em homenagem ao escritor Jorge Amado, o artista plástico Lavrud Durval não recebeu contato da Prefeitura de Itabuna para restaurar a obra danificada, ontem, por vândalos, em Ferradas. A diretoria Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc) teria preferido recorrer a outro artista para o restauro.

– Até agora não fui procurado pelo município – lamenta Durval.

VANDALISMO: ESTÁTUA DE JORGE AMADO É ALVO DE TIROS

Do Blog do Thame

Estátua foi danificada por vândalos nesta quarta.

Estátua foi danificada por vândalos nesta quarta.

A estátua do escritor Jorge Amado, colocada na entrada do bairro de Ferradas, em Itabuna, para homenagear o centenário do escritor, foi atingida com vários tiros de revólver, além de ser alvejada com pedradas. O ato de vandalismo danificou a estátua, obra do escultor Lavrud Durval,  feita em resina bronzinada e com cerca de dois metros de altura.

Os tiros atingiram várias partes da estátua do escritor, nascido em agosto de 1912  em Ferradas, então distrito e hoje bairro de Itabuna. Moradores alegam ter ouvido os tiros, mas não tem qualquer suspeita sobre os autores do ato de vandalismo, já que a estátua fica às margens da rodovia BR 415, a cerca de 500 metros da área urbana do bairro.

Embora nascido em Ferradas/Itabuna, Jorge Amado é mais venerado em Ilhéus, onde passou parte da infância e, na juventude,  escreveu seu primeiro romance, “O País do Carnaval”.

Leia mais no Blog

 

UNIVERSO PARALELO

O MAR BRAVIO É O MEU RIO MULTIPLICADO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Quando menino em Buerarema, eu não sabia o que era o mar. Aliás, nenhum de nós sabia. Orlandino, o mais velho da turma, gabava-se de já ter visto o mar, em Ilhéus, mas a gente não acreditava – ele, diziam os mais velhos, era mentiroso e fumador de maconha. Mas sabíamos, talvez do livro de Geografia de Gaspar de Freitas, que o mar era feito de água – a maior parte daquelas três quartas partes de que se formava o planeta, segundo a professora Aflaudísia. Na minha imaginação, multiplicado o rio Macuco, obtinha-se o mar bravio, sem tirar nem pôr… Mas eu queria mesmo era ver o bichão bem de perto, frente a frente, meu olho no olhão dele.

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O sono perdido entre o mar e a vizinha

1Serra do Jequitibá

Orlandino dissera que o mar era salgado, mas isso era mentira: pelos meus cálculos, todo o sal das vendas de Gringo e Zé Bazuza não daria para salgar o Poço da Pedra, quanto mais o marzão de Ilhéus. Eu andava com insônia (não só por culpa do mar, mas também de uma vizinha – e o nome dela eu não digo nem sob tortura). Da existência e tamanho desmesurado do mar eu já sabia, pois o vira, meio encoberto e misterioso, lá do alto da Serra do Jequitibá. Foi onde nasceu a árvore símbolo  de minha terra, que lhe dá poesia e proteção (o jequitibá primeiro morreu de velho, mas há um filho que lhe herdou a responsabilidade de guardião de Buerarema.

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Feiro do chocolate Paris 2010Quis ser um pássaro e voar até o oceano

Fizemos muito piquenique (o pastor Freitas preferia “convescote”) ao pé da árvore generosa, depois de caminhar da cidade à serra. De lá tínhamos uma mal definida vista de Ilhéus, com as águas de tanta insônia. Minha intenção nunca confessada era ser um pássaro, bater as asas na Serra do Jequitibá e voar, voar, voar toda a distância entre a serra e o oceano – Marcelo Ganem, menestrel da minha terra, disse isto em verso e música. Cheguei, em sonho desvairado, a pensar que, por magia só cabível em mente infantil, tal poderia acontecer. Mas não precisou. Certo dia, não sei a troco de quê (talvez devido à boa sorte, que sempre me segue)…

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Tonto de emoção, provei o mar salgado

… Fui dar com os costados em Ilhéus, fiquei frente a frente com o mar imenso, tendo, afinal, aquele despropósito de água ao alcance dos dedos. Lembro-me agora daquele menino Diego (de Eduardo Galeano, em O Livros dos abraços) que, trêmulo de emoção frente à grandeza do oceano, pediu ao pai: “Me ajuda a olhar”. Não digo que fiz o mesmo, porque sou um triste menino de verdade, não um inteligente ser de ficção. Apenas, emocionado, levei à boca um pouco daquela grandeza. Provei-o. Era salgado o mar, e muito. O gosto era minha única interrogação, pois o existir a Serra do Jequitibá já me confirmara. Foi bom saber que meu amigo Orlandino não mentia nem puxava. Quer dizer: só um pouquinho de cada coisa.

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SEM RIO OU SÃO PAULO, SÓ RESTA O NADA

5Antônio Jr.Ninguém é profeta em sua terra (equivale a santo de casa não faz milagre). Em matéria de arte, não se chega ao êxito se não romper as fronteiras do próprio quintal. Veja-se apenas na região cacaueira da Bahia: Adonias Filho, Jorge Amado, Hélio Pólvora, Marcos Santarrita, Telmo Padilha, Cyro de Mattos – todos que tiveram maior ou menor notoriedade foram buscá-la no Rio de Janeiro. É no Rio (e, nos últimos tempos, também num lugar chamado São Paulo) que as coisas acontecem; fora desse eixo, é o nada. Exemplos, em contrário (os que nunca saíram daqui): Ruy Póvoas, Jorge Araujo, Euclides Neto, Antônio Nahud Jr., Janete Badaró. Dirão que a música baiana, feita em Salvador, ganha o Brasil e o mundo – mas isto é exceção.

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Na Bahia, os caminhos são obstruídos

Afora minha humilde opinião de que ivetinhas, harmonias, claudinhas, chicletes e danielas ficariam melhor no anonimato, a exceção confirma a regra: Caymmi, João Gilberto, Gal, Gil, Nana, Caetano e Bethânia foram vencer no Rio (e João Ubaldo também, se falamos em literatura). A reflexão me vem a propósito de O desterro dos mortos (Via Litterarum), belo livro de Aleilton Fonseca. Contista excepcional, comparável aos grandes do Brasil, ele não ocupa o espaço nacional merecido – e eu atribuo isto ao fato de (nascido em Firmino Alves) morar em Salvador. Mesmo recebendo incentivadoras menções na Europa, notadamente na França, o autor ainda não foi “descoberto” pelo sul maravilha, o que lhe obstrui os caminhos.

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VÍDEO PROVA QUE O IMPOSSÍVEL ACONTECE

7Billie HolidayOs tenoristas Coleman Hawkins, Ben Webster e “Pres” Lester Young, mais Gerry Mulligan (sax barítono), Roy Eldridge (trompete), Milt Hinton (baixo) e a voz mágica de Billie Holiday juntos – seria um delírio difícil de imaginar até como delírio. Pois, creiam, o encontro aconteceu, em 1957, numa apresentação ao vivo, da qual destacamos Fine and mellow, uma composição da própria Billie. E ainda teve Mal Waldron (piano), Doc Cheatham (trompete), Vic Dickenson (trombone), Danny Barker (guitarra) e Osie Johnson (bateria). O vídeo nos dá, mais de meio século depois, a emoção desse momento raro do jazz (Billie morreria em 1959).

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“Pres”, o favorito de Billie Holiday

Ela canta os primeiros versos do tema, para a entrada de Webster e, em seguida, Lester Young. Billie, em close, tem os olhos brilhantes e segue o solo, balançando a cabeça, como em aprovação ao sopro suave de Young, seu saxofonista favorito – foi ela quem o apelidou de “Pres” (President). Após a segunda intervenção de Lady Day, vem o “choro” do trombone de Vic Dickenson e o som particularíssimo de Gerry Mulligan, o único branquelo do grupo. Mais Billie (“O amor vai fazer você beber e jogar” – Love will make you drink and gamble), para o solo do mestre Coleman Hawkins, meu saxofonista preferido, seguido de Roy Eldridge. Sublime.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

13º SALÁRIO É “DÉCIMO”, NA INTIMIDADE

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

“Décimo começa a ser pago em Ilhéus” – proclama em manchete respeitável blog, com um texto que nos inclina a acreditar que este acontecimento, às vésperas do Natal, não se dá devido à solidariedade cristã do prefeito, mas ao bloqueio de recursos municipais para este fim. Sirvo-me menos da ação em si, pois da inépcia de prefeitos regionais já ando cheio (e se coisa pior não digo é por estar, ainda, tomado por inacreditável espírito natalino). Atenhamo-nos, portanto, à questão linguística: o décimo (que bom para os servidores) está garantido. Mas “décimo”? Seria a décima parte de alguma coisa? Seria ainda o salário de outubro (décimo mês do ano)? Seria, por acaso, o “décimo terceiro salário”?

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O homem voltará aos sinais de fumaça

2LibrasA escolha correta é a última – na linha do “se você entendeu, tudo bem”. Não adoto este caminho, mas sei que a linguagem, como a vida, sujeita-se à Lei do Menor Esforço (LME – para nos mantermos moderninhos). Todo mundo sabe que você resulta de vossamecê, vosmecê, essas coisas – ultimamente é vc e, quem sabe, em alguns anos será apenas v. A exagerarmos este estranho processo, o homem perderá, no longo prazo, a faculdade da fala e da escrita, sendo levado a escolher, para comunicar-se, entre sinais de fumaça e Libras. É possível que sejamos as primeiras vítimas, pois algum engraçadinho já disse que essa tal LME foi inventada na Bahia, talvez por Dorival Caymmi, só depois exportada para outros cantos.

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Para falar palavrões, todas as letras

Ela nos sufoca, a LME, pois surge a todo instante. Num desses terríveis ônibus que sacolejam nas ruas esburacadas de Ilhéus e Itabuna, ouço uma indignada senhora reclamar nestes termos: “Ó, motô, vê se vai mais devagar!” Motô, saiba a gentil leitora, é “motorista”, à luz da LME. Na lanchonete, a mocinha, depois de soltar, em conversa cordial com a colega, alguns palavrões cabeludos (estes, sem falta de nenhuma sílaba!) dirige-se ao balconista: “Salta um refri!”, sendo fácil saber que a dona de palavrório tão inadequado estava pedindo um refrigerante. Vá lá que, em nome do dinamismo da língua, aceitemos tais violências, mas só no coloquial. Ao escrever, é bom ficarmos nos limites da chamada norma culta.

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(ENTRE PARÊNTESES)

4CupimO ex-presidente FHC, quando não está elucubrando teorias sobre o futuro do Brasil, é chegado a dar declarações em que emprega termos pouco conhecidos, o que revela originalidade de estilo, se acaso não for isto simples mostra de sua reconhecida erudição. A ele se deve, da época em que foi presidente, definir a oposição como “catastrofista”, chamar aposentados de “vagabundos” e recuperar a expressão “nhém-nhém-nhém”. Mas agora ele se superou. “Temos que descupinizar essa confusão que está havendo entre o interesse público e o interesse privado”, disse, a propósito da corrupção no Brasil (como se falasse de alguma novidade…). Descupinizar a confusão? Meu Deus!

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“TODO MUNDO” LEU MEU PÉ DE LARANJA-LIMA

Opinião que externei sobre best-sellers, recentemente, quase nos faz cair no engodo de que para ser “bom” o autor não pode vender muito, se vender muito é “ruim”. Creio que essa visão encerra um preconceito: os que entendem são poucos, a massa não conta, se o autor vende muito é porque faz “concessões”. Os prosadores Jorge Amado e Rubem Fonseca vendem muito, Paulo Coelho vende muito mais. Também foram best-sellers José Mauro de Vasconcelos (Meu pé de laranja-lima era lido por “todo mundo” que enxergava em 1970, e ganhou adaptações para a tevê e o cinema). Obviamente, uma obra de arte não se faz grande ou pequena apenas devido a efêmeras paixões do público. O tempo, sim, é juiz isento.

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Paulo Coelho: o tempo sabe a resposta

6Meu pé de laranjaHá muitos anos não ouço falar de José Mauro, mas penso que ele tem ainda um bocado de leitores – só isso justificaria a Saraiva ter à venda (soube disso agora, via Google) a 117ª edição de Meu pé…, enquanto Rosinha, minha canoa (outro grande êxito de vendas do autor) já tenha atingido, no mínimo, 44 edições. Apesar desses números, o stablishment  literário se mostra de nariz torcido e retorcido – Zé Mauro não chegou ao patamar de “clássico”. Quanto a Paulo Coelho (publicado em mais de 160 países e lido em 70 e tantos idiomas, ganhador de uma centena de prêmios internacionais e membro da Academia Brasileira de Letras), talvez o maior vendedor de livros do mundo, não se sabe o que o tempo dirá.

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APENAS UMA ESTRANGEIRA CANTANDO BEM

7Quiet nightO baixista Ray Brown se entusiasmou com a voz da pianista Diana Krall e levou a nova promessa a diversos produtores. Ela chegaria ao topo em 1996, com o álbum “All for you”, um tributo a Nat King Cole, que se transformou em grande êxito. Mas só após ganhar o Grammy em 1999 ela viu reconhecido seu talento como vocalista de jazz. É figura fácil no Brasil: além da trilha de dez (!) novelas da Globo, fez por aqui várias apresentações. É fã de Tom Jobim (e quem não é?): Corcovado (Quiet night, na versão dos gringos) dá nome a um de seus discos, gravado em 2009, que contém ainda Garota de Ipanema (The girl etc.) e uma surpreendente Este seu olhar, em português. Nenhuma revolução: apenas mais uma estrangeira cantando (bem) Tom Jobim.

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Tenho absoluto desamor ao lugar-comum

Reza o folclore que uma senhora perguntou a Armstrong o que é jazz (já li outra versão, com Duke Ellington). A resposta: “Se a senhora não sabe até hoje, madame, não adiantaria eu lhe explicar”. Para nosso propósito, digamos que jazz seja um jeito de de tocar, de cantar. Pensando nisso, imaginei que a gentil leitora gostaria de saber como uma canção banal soaria, quando sob o domínio de um grupo de jazz. O tema é Jingle bells, em cujo teste a bela e canadense Diana Krall se sai muito bem, mesmo sendo branca. Corajosa, ela mostra que não é Ella Fitzgerald, mas comete seus scatzinhos. A propósito, pensei num adjetivo para Krall e, como só me ocorreu “estonteante”, desisti, por absoluto desamor ao lugar-comum.

(O.C.)

JORGE E ZÉLIA NO RIO VERMELHO

jorge e zélia 2

O casal mais famoso da Bahia está eternizado no Rio Vermelho, reduto da boemia soteropolitana. Jorge Amado e Zélia Gattai, que construíram uma história de amor entre si e com o povo baiano, receberam mais uma homenagem neste ano de 2012, quando Jorge completaria seu centenário.

A celebração ao casal se materializa em uma escultura concebida por Tati Moreno, inaugurada nesta quarta-feira, 19, pelo governador Jaques Wagner, acompanhado por secretários estaduais e por João Jorge e Paloma Amado, filhos de Jorge e Zélia.

“A homenagem é mais do que merecida e se torna mais um ponto de atração turística para Salvador”, afirmou Wagner. A iniciativa contou com apoio do governo baiano, por meio da Bahiatursa e Bahiagás.

UNIVERSO PARALELO

ANÍSIO TEIXEIRA, O PIONEIRO ESQUECIDO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Também fui vítima da “síndrome de Jorge Amado” que atingiu a mídia este ano, quando outros vultos foram ofuscados pela figura do grande romancista. E assim, ao mencionar a queima de livros de Jorge em Salvador (um dos maiores crimes que a ditadura brasileira praticou contra a civilização), deixei de mencionar que também viraram cinzas ali 23 exemplares de Educação para a democracia, de Anísio Teixeira. Baiano de Caetité (1900-1971), ele foi educador respeitado no Brasil e no mundo, um revolucionário que, já nos anos trinta, defendia o ensino público, gratuito, laico e obrigatório. Pioneiro da escola de tempo integral (com a Escola Parque), preferia levar o aluno a julgar, não apenas a memorizar.

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Mais um “acidentado” no governo Médici

Inimigo da ditadura de 64 (já fora perseguido pela de Vargas), Anísio Teixeira estava em campanha para a Academia Brasileira de Letras, em 1971, quando desapareceu. Ao procurá-lo, a família foi informada por agentes do governo de que ele se encontrava detido. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado no fosso de um elevador, na Praia de Botafogo, sem sinais que comprovassem a queda. A versão oficial foi de “acidente” – afinal, no governo Médici, por coincidência, os opositores da ditadura se “acidentavam” com muita frequência. Talvez as investigações agora abertas pela Comissão da Verdade esclareçam o caso e tirem a Bahia do silêncio que tem mantido em torno desse filho notável.

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NÃO CONFUNDAMOS “VADIAS” COM VADIAS

Mesmo que estejam em desuso, as aspas existem. Gostei de encontrar dois textinhos (corretos) para ilustrar este tópico: 1) Candidato a prefeito é perseguido por motoqueiros e 2) “Perseguido”, prefeito nega acusações de desvio de verba. No primeiro caso, alguém foi perseguido; no segundo, alguém se diz perseguido. Sem aspas, no caso 2, o prefeito estaria avalizado pelo veículo que divulgou a notícia; com aspas, fica explícita a dúvida sobre a “perseguição”.  A Marcha das Vadias estaria melhor se fosse Marcha das “Vadias”: sem aspas, a mulher se diz vadia; com aspas, remete à ofensa que motivou a expressão. Elas não são vadias, mas “vadias” – e quem não sabe rezar, xinga Deus, ou se xinga.

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A discussão em torno do termo é menor

É bonito de se ver (“um colírio”, dizia-se em outros tempos) mulheres à mancheia, fazendo o povo pensar. Como se trata de protesto contra a discriminação que elas sofrem dos homens, alia-se à beleza o direito, combina-se a estética com a justiça – e eu quase diria, em linguagem popular, junta-se a fome à vontade de comer. Por favor, não me tomem por machista (ou homofóbico, atrevido, tarado e porco chauvinista), mas a discussão em torno do termo “vadia” é menor, nada acrescenta ao que o movimento tem de socialmente sério e justo. Por mim, se fosse Marcha das Marias, Joanas, Rosas, Margaridas, Hortênsias, Violetas, Magnólias – ou coisa que o valha – teria o mesmo efeito.

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(ENTRE PARÊNTESES)

Ah, esses cientistas e suas descobertas maravilhosas! Eis que agora eles decidiram que é tempo de as baratas pagarem, com trabalho suado, toda a repugnância que, ao longo dos séculos, causaram ao homem (e, se vocês me entendem, às mulheres). Em pesquisa, descobriram que é possível “enganar” essas nojeiras com asas e fazê-las encontrar vítimas de desastres, monitorar ambientes e obter informações de inimigos. Segundo o professor Alper Bozkurt, da Universidade da Carolina do Norte, EUA, é só colocar um chip nas bichas (ops!) e, por controle remoto, guiá-las a locais ermos, não acessíveis às nossas mãos nem nossos olhos. Bem empregado.

CENTENÁRIO DO MAIOR CANTOR POP DO PAÍS

Nascido a 13 de dezembro de 1912, o centenário do ilustres brasileiro Luiz Gonzaga transcorre esta semana. Trata-se, na minha modesta opinião, do maior cantor pop do País – posição que, com sua morte (e isto também é apreciação pessoal), passou a ser de Gilberto Gil. Numa época em que o preconceito era bem maior do que hoje – quando o nordestino era chamado de “baiano”, “paraíba” ou “pau-de-arara”– ele buscou em seu meio, creio que por intuição, o tipo que o consagraria nacionalmente (do vaqueiro, o gibão; do cangaceiro, o chapéu). Depois, saiu por aí, ao som de sanfona, zabumba e triângulo, a cantar a pobreza, a tristeza, as injustiças e, é claro, as belezas do sertão profundo.
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Outra vítima do “governo é governo

Penso hoje que ter Luiz Gonzaga como “de direita” seja um erro, desses que eu já cometi e de que me penitencio. Ele era homem ligado ao poder, qualquer poder de ocasião. Oportunista? Talvez dizê-lo de fraca formação política, um tanto alienado, seja mais correto. Apoiou a ditadura, ligou-se à Arena (depois PFL, hoje Democratas), porque aquele era o grupo que mandava. Hoje, seria petista de carteirinha. Lembra o Fabiano de Vidas secas (feito por Átila Iório, na foto): humilhado pelo soldado amarelo, um dia encontra-o em plena caatinga, oportunidade de vingar-se (talvez cortando-lhe  a garganta  desaforada e arrogante) mas, na hora “H”, recua. “Governo é governo”, justifica-se. Luiz Gonzaga, censurado, aceitou a censura, rendeu-se ao poder, como Fabiano: “Governo é governo”.

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Amordaçado, o Rei se manteve “gentil”

A ditadura militar calou a voz de Luiz Gonzaga em Vozes da seca, Paulo Afonso e, mais incrível ainda, Asa branca. Certa vez, no Recife, um amigo meu, num show, pediu a Lua que cantasse Vozes… e ele, candidamente, disse que não lembrava da letra. Meu amigo nunca entendeu – e eu acho que só entendi agora – que não se tratava de esquecimento, mas de censura. O artista deixou de dizer a verdade, preferindo ser gentil com seus algozes. Mas a música sobreviveu e ele, em tempos de democracia, voltou a cantá-la. No vídeo, campeão absoluto de visualizações da coluna, mais de 15.000 em dois anos (foi postado em setembro de 2010), o Rei solta a voz poderosa. Para mim, um grito de liberdade, a mordaça atirada no cesto de lixo.

(O.C.)






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