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:: ‘José Delmo’

EM VÍDEO, JOSÉ DELMO LEMBRA OS 105 ANOS DE JORGE AMADO

Dos principais nomes da arte grapiúna, José Delmo recitou, em vídeo, poema para lembrar os 105 anos de nascimento do maior escritor baiano de todos os tempos, o também grapiúna Jorge Amado, que veio ao mundo em 10 de agosto de 1912, na Vila de Ferradas, em Itabuna. Pausa (e palmas!!!) para Zé, homenagem para Jorge!

Salve Zé! Salve Jorge! Eternamente amados!

O vídeo foi enviado ao PIMENTA pelo inquieto Gerson Marques.

ZÉ DELMO CONTA CAUSOS E COISAS DE ILHÉUS NO TEATRO MUNICIPAL

Zé Delmo conta causos e coisas da história de Ilhéus.

Zé Delmo conta causos e coisas da história de Ilhéus.

O ator grapiúna José Delmo apresenta, de segunda a sexta-feira, todas as manhãs e tardes, o espetáculo “Aqui e agora, contação de histórias sobre causos e coisas de Ilhéus”, no palco do Teatro Municipal. Um dos objetivos deste novo projeto idealizado pela prefeitura é tornar o espaço do Municipal mais intimista e próximo dos visitantes, além de valorizar o artista e tudo que ele representa para a cultura de Ilhéus e do sul da Bahia.

Para o gestor de Cultura Pawlo Cidade, Zé Delmo é uma lenda viva da arte cênica da região, considerado um decano do teatro. “Suas histórias irão alegrar e satisfazer os turistas que visitam um dos mais conceituados teatros do interior da Bahia, o de Ilhéus”. Pawlo Cidade destacou ainda que a secretaria municipal de Cultura abriu espaço do teatro para ele falar sobre coisas e causos relacionados aos coronéis do cacau.

SOBRE JOSÉ DELMO

Natural de Buerarema, mas nascido no município de Belmonte, José Delmo tem na ponta da língua boa parte da sua obra. Além de poeta, ator e artista plástico, ainda é licenciado em desenho e artes plásticas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Enquanto estudava em Salvador buscou também trilhar os caminhos do teatro. Estreou como ator profissional em 1977, na peça “A função do casamento”, escrita por Haydil Linhares, no Teatro do Pelourinho (Sesc). José Delmo fez parte de movimentos culturais no sul da Bahia. Fundou ao lado de outros artistas grapiúnas, a exemplo de Ramon Vane, José Araripe, Gal Macuco, José Henrique e Marcelo Ganem, o Grupo de Arte Macuco e as Feiras de Arte de Buerarema.

RAMON SE MUDOU DA TERRA

adroaldo almeidaAdroaldo Almeida

como ele sabe agora, jamais encontramos um bálsamo, conforto ou doçura na provisoriedade dessa condenação da existência. Talvez nessa travessia, na eternidade de serafins e cítaras, ele possa declamar todo seu lirismo sem a azáfama e a urgência dos dias terrenos.

 

No meio da década de 1980, eu cheguei a Itabuna para estudar e trabalhar. Era bancário e sindicalista, mas queria ser escritor. Por revés da sorte, acabei advogado e político, uma lástima. Naquele tempo, transitava na senda da arte entre Buerarema e Ilhéus uma trupe felliniana: Jackson, Betão, Alba, Eva, Gideon, Gal, Delmo, Zé Henrique e, naquela miríade estrelar, ele, claro, RAMON VANE, o mais cênico de todos. A figura de um pintor holandês do século XVII, a recitação de um menestrel medieval e a presença carismática de um franciscano. Um astro rasgando o céu da Mata Atlântica. Nosso Rimbaud trovando no alto da proa de um barco bêbado, singrando os mares e domando as ondas naquela temporada no inferno, atirando poesias contra a estação da ditadura ainda presente.

Eu o encontrava quase todas as noites no curso noturno de Direito da Fespi. Fomos colegas e contemporâneos, nos códigos e na decodificação da Justiça, mas “as leis não bastam, os lírios não nascem da lei”, como aprendemos com Drummond e escrevemos o nome tumulto na pedra.  Era tímido na faculdade, nunca o encontrei no DCE, mas enxergava-o de soslaio num canto da biblioteca do Departamento de Letras, onde ambos acorríamos à procura da consolação na palavra. Porém, como ele sabe agora, jamais encontramos um bálsamo, conforto ou doçura na provisoriedade dessa condenação da existência. Talvez nessa travessia, na eternidade de serafins e cítaras, ele possa declamar todo seu lirismo sem a azáfama e a urgência dos dias terrenos.

No domingo [dia 15] acordei com uma mensagem de Gideon Rosa: “Ramon se mudou da terra hoje de madrugada”. Assustado, levantei mudo e pasmo, e essas reminiscências me afloraram durante toda a manhã. Daqui de Itororó, lamentavelmente, não pude ir ao sepultamento, então, mando rápidas e atropeladas letras na ambição de contribuir para desentortar as veredas no seu caminho ao paraíso.

Ramon Vane era um artista, eu me lembro!

Adroaldo Almeida

LÁ VAI O POETA

Afonso Dantas | afonso.dantas@camaracomunicacao.com.br

 

A poesia parece que escapou por alguma janela.

 

Reza a lenda que um poeta – não me recordo se foi Vinícius de Moraes ou o bardo Juca chaves (quem quiser que consulte o Google para descobrir) – ao se hospedar em um hotel, escreveu ao lado da profissão: Poeta. E o hoteleiro ao ler aquilo, exigiu pagamento adiantado…

Se isso foi verdade, eu não sei, mas assim é tratado o poeta, quase sempre visto com desconfiança ou até com um misto de pena e simpatia, daquela dedicada aos loucos e palhaços, pois poesia sempre foi considerada uma arte dos lunáticos.

A oportunidade e ousadia de viver a poesia é que deve ser o grande segredo, pois conheço muitos “poetas” – juízes, médicos, advogados, empresários – que se dizem poetas, mas que se refugiam desse chamado “amor à Lua”, em seu dia-a-dia massacrante e tedioso e quando se encontram com um poeta que realmente parece “viver a poesia”, ficam maravilhados e ao mesmo tempo, temerosos, pois sentem vergonha e medo de seu comportamento, ou no fundo, uma grande inveja desse modo de vida livre, mas nada ortodoxo.

Comecei em propaganda, vendo diretores de arte e redatores saindo com suas pranchetas e cadernos debaixo do braço para criar as grandes campanhas publicitárias que venderiam os produtos e serviços da agência onde eu estagiava. E, na volta, bronzeados de Sol e destilando aromas nada naturais em horário de expediente, mostravam belas e eficazes campanhas perante o espantado olhar do atendimento a beira de um ataque de nervos e o meu olhar de pura admiração e, assumo, um pouco de inveja.

Hoje a estrutura é bem diferente, os prazos são mais curtos e dificilmente alguém da criação se desconecta da equipe de planejamento. Ou seja, ficou um pouco mais sem graça. A poesia parece que escapou por alguma janela.
Vi e vejo muitos poetas, que vivem a poesia na sua melhor expressão, livres e entregues à vida sem pudores e sem medo, como os poetas grapiunas Ramon Vane e José Delmo, que sorvem as experiências, traduzindo-as de forma muito especial e marcante (agora recomendo o Google para conhecê-los).

Firmino Rocha, poeta considerado louco ao perambular ébrio pelas ruas de Itabuna, Bahia, na madrugada, tem seu poema “Deram um fuzil ao menino” gravado em bronze no prédio da ONU, em Nova York, embora em vida, sempre era apontado com pena e desdém: “- lá vai o poeta!”

Pois lá vai o poeta e lá vem a vida, atropelando esse comportamento mágico e precioso, que deve ser compreendido e protegido, para que a vida não fique sem graça, afinal “O poeta é a pimenta do Planeta. Malagueta!”

Afonso Dantas é meio poeta, publicitário, sócio e diretor de criação da Camará Comunicação Total e o principal, é pai de Maria.

BOM PROGRAMA NO SÁBADO

O programa Aprovado que a Rede Bahia leva ao ar neste sábado, às 8 horas, será dedicado a uma cidade centenária. Sim, ela, Itabuna. Apresentado pelo ator Jackson Costa, o programa trará muita gente boa da terrinha ou que cresceu neste chão: Alba Cristina, Aldenor Garcia, Eva Lima, José Delmo, Marcelo Ganem e Ramon Vane, além da banda Manzuá.

O programa foi gravado em Itabuna há cerca de 15 dias e nele se destaca o poético e maltratado… Rio Cachoeira.  A banda Manzuá, informa a atriz Eva Lima, é a vencedora do V Festival Multiarte Firmino Rocha.

Da Redação: No final da noite de sexta, a Rede Bahia informou que o programa seria exibido somente no dia 7.






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