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:: ‘leitura’

“LETRAS DE ABRIL” NO CENTRO DE CULTURA

Genny Xavier coordenada o Letras que Voam, da FICC.

Genny Xavier coordenada o Letras que Voam.

A Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) e a Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) promovem, na próxima terça (18), o “Letras de Abril”, que busca incentivar a leitura entre o público infantil. A programação ocorrerá das 8h às 11h30min e das 13h30min às 16h30min, voltada para crianças matriculadas em escolas municipais ou atendidas por projetos sociais.

Segundo a coordenadora do projeto, Genny Xavier, a programação da sessão especial terá atividades lúdicas de contação de histórias, com a educadora Edna Serpa; Teatro de Bonecos, com direção de Diovane Tavares; e participações musicais do cantor Nonato Teles e da cantora Jullia Ewelyn; além de exibição de filme e espaço de leitura.

O evento é parte do projeto Letras que Voam, da Ficc. O projeto visa estimular a prática de leitura por meio do acesso ao livro e da promoção de atividades lúdicas. Para agendamento de visita do projeto, com oficinas de leitura, basta entrar em contato com a FICC através do telefone (73) 3613 4915 ou enviar ofício de solicitação para o e-mailletrasquevoam@gmail.com. Interessados também podem procurar informações na Sala de Apoiodo projeto, situada na sede da FICC, na Praça Laura Conceição, 339 – Centro.

PAIS QUE LEEM PARA OS FILHOS AJUDAM A AUMENTAR O VOCABULÁRIO E A MEMÓRIA

Leitura ajuda a melhorar vocabulário dos filhos (Foto Andrezza Mariot)

Leitura ajuda a melhorar vocabulário dos filhos (Foto Andrezza Mariot)

Mariana Tokarnia

O hábito dos pais de ler para as crianças em casa pode trazer mais benefícios do que se imagina. Um estudo da Universidade de Nova York, em colaboração com o IDados e o Instituto Alfa e Beto, divulgado hoje (6), mostra um aumento de 14% no vocabulário e de 27% na memória de trabalho de crianças cujos pais leem para elas pelo menos dois livros por semana.

O estudo concluiu ainda que a leitura frequente dos pais para as crianças leva a uma maior estimulação fonológica, o que é importante para a alfabetização, à maior estimulação cognitiva em casa e a um aumento de 25% de crianças sem problemas de comportamento.

“Esses dados são bastante impressionantes. Estamos comparando dois grupos que estão dentro do sistema de creches, dentro de um sistema com professores treinados para ler para as crianças. Acrescentamos a leitura dos pais e, quando isso é feito, da forma como foi feito, tem grande impacto”, diz o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira.

Ele explica que o momento de leitura é também um momento importante de interação entre pais e filhos. “Esse é o ponto central, levar os pais a conversar com os filhos. Eles podem também levar as histórias para o real, quando estiverem na rua, podem mostrar para os filhos algo que apareceu na história. Essa forte interação tem impacto em outras dimensões cognitivas”.

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QUER SABER? SEJA PROATIVO

Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

 

Precisamos, fundamentalmente, de disposição para procurar e constante atualização das nossas habilidades de pesquisa e leitura.

 

 

Há alguns dias me envolvi em uma polêmica num fórum das redes sociais. O espaço era destinado a tirar dúvidas de estudantes e pretensos estudantes universitários. Ali surgiam as mais diversas questões sobre o funcionamento de uma instituição de ensino superior. Muitas complexas, outras extremamente banais.

Aí começou o imbróglio. Respondi a uma dessas dúvidas banais e provoquei em tom didático: “Vamos aprender a usar o Google, pessoal”! Fui quase apedrejado. Acusaram-me de “cercear” as dúvidas alheias e, na condição de educador, eu deveria respondê-las. Reforço aqui uma reflexão que se une a o que argumentei por lá.

Primeira questão: entre postar uma dúvida num Fórum para aguardar que alguém responda ou partir para uma busca nos mecanismos que a tecnologia oferece, a segunda opção trará resultados mais rápidos e muito provavelmente mais referenciados do que a primeira.

Segunda questão: o mínimo que posso esperar de um estudante universitário é a ação de pesquisa. A reflexão curiosa, o desejo de aprender, a busca pelos meios de obter informação, deve fazer parte do cotidiano e do modo de agir desse estudante contemporâneo.

Terceira questão: até mesmo na satisfação de uma dúvida (que será mais bem resolvida de acordo com o nível de informação que o estudante buscou) devemos ter como objetivo a consolidação da autonomia, numa perspectiva Freireana, do estudante.

As tecnologias oferecem inúmeros caminhos para a obtenção da informação. Flutuamos hoje em um mar revolto de informações, onde nossa principal habilidade demandada é a do equilíbrio neste “mar informacional” e nossa capacidade de mudanças bruscas de rumo em busca do dado qualificado. Tal como Pierre Lévy afirma em sua obra Cibercultura, nossa busca pelo saber deixa de estar assemelhada à escalada de uma pirâmide e se aproxima da analogia com as ações de um surfista em busca do equilíbrio e de boas manobras.

Tal como um surfista, se desejamos informação, precisamos fugir da postura passiva. O sábio do presente vai à busca do saber. Não há tempo, em uma constante atualização de dados, para que fiquemos estacionados no aguardo de alguém para nos servir de informação e conhecimento. E ainda com a existência da possibilidade de equívocos nessas informações.

No tempo entre uma publicação num fórum e a chegada de sua resposta, há a possibilidade de encontrar e checar a qualidade de diversas fontes de informação. Precisamos, fundamentalmente, de disposição para procurar e constante atualização das nossas habilidades de pesquisa e leitura.

Felipe de Paula é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia
www.facebook.com/professorfelipedepaula/

ITABUNA, ILHÉUS E ITAPETINGA PARTICIPAM DO “DIA DE LER. TODO DIA!”

Projeto estimula leitura em várias regiões do Brasil.

Projeto estimula leitura em várias regiões do Brasil.

As cidades de Itabuna, Ilhéus e Itapetinga, na Bahia, participam neste dia 1º de outubro do projeto  Diadeler.Tododia!, nascido em Barueri, na Grande São Paulo. A ação transformou numa grande mobilização nacional e vai envolver cerca de 415 cidades em todo o país, incluindo 12 capitais.

Em Ilhéus, as atividades serão realizados no Centro Cultural de Olivença, com  o projeto itinerante de leitura, atendendo estudantes e moradores do local, num dos pontos mais importantes da história da cidade. Em Itapetinga, acontece no Espaço Leiturinha, na praça da Concha Acústica,  com a presença de alunos da rede municipal de ensino, além da presença de contadores de histórias e escritores locais.

Em Itabuna, o Diadeler.Tododia! foi incluído na programação do Festival Multiarte Firmino Rocha, promovido pela FICC, no Centro Cultural Adonias Filho. As atividades incluem a Tenda Cultural Itinerante, com livros e jogos interativos.

Nas três cidades, o projeto Diadeler.Tododia! conta com o apoio dos presidentes da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, Roberto José da Silva; secretário de Cultura de Ilhéus, Paulo Atto, e da secretária de Educação de Itapetinga, Sibele Nery.

De acordo com secretário de Cultura e Turismo de Barueri (SP), João Palma, o Diadeler TodoDia! quer chamar a atenção de pais, professores, governantes e da sociedade como um todo para a importância do ato de ler.

FAMÍLIA É DECISIVA PARA FORMAR LEITORES

Participação da família estimula jovem leitor (Foto Fernando Frazão/ABr).

Participação da família estimula jovem leitor (Foto Fernando Frazão/ABr).

Transformar a leitura em um momento prazeroso para as crianças pode ser a chave para a formação de jovens e adultos leitores. No 12 de outubro, que marca o Dia Nacional da Leitura e Dia da Criança, especialistas e professores ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a leitura não pode ser encarada como uma obrigação e a participação da família desde cedo pode ser decisiva nesse processo.

Com 25 livros infantis publicados e mãe de três filhos, a escritora Alessandra Roscoe diz que uma relação prazerosa das crianças com a leitura é a principal forma de aproximar os pequenos dos livros. Alessandra conta que já lia para os filhos antes mesmo de eles nascerem, quando ainda estava grávida.

“Você cria um vínculo afetivo, uma relação muito mais forte, com a voz da mãe, do pai, com quem quiser ler em voz alta para a barriga. A criança estimulada a encontrar o livro desde cedo tem uma relação prazerosa com a leitura, e não uma relação de obrigação, não uma coisa chata”, diz.

Alessandra faz uma crítica aos pais que “escondem” os livros dos filhos. Para ela, os livros precisam ficar ao alcance das crianças. “A criança tem que ter acesso, tem que poder manusear. Não adianta ter aquele livro na última prateleira da estante, dizer que tem livros infantis maravilhosos, mas não ler com o filho”, argumenta.

A socióloga Zoara Failla, do Instituto Pró-Livro, também defende que transformar a leitura em um momento de reunião com a família é um passo importante na formação de novos leitores. “É fundamental que a família dê o exemplo. Quando você lê para crianças, em momentos lúdicos, cria na memória dessa criança algo afetuoso”.

Zoara, que também coordena a pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, defende a importância de se presentear a criança com livros como forma de criar gosto pela leitura. Segundo a pesquisa, 88% daqueles que gostam de ler ganharam livros em algum momento da vida.

“A criança que ganha um livro vê que aquilo é importante. Quando a criança está alfabetizada, a leitura contribui para o vocabulário, para a melhora da capacidade da escrita. É principalmente por meio da leitura que a criança tem acesso ao conhecimento, à cultura, o que é muito importante para a formação desses cidadãos”, defende.

A leitura mediada é a base do projeto Roedores de Livros, no Distrito Federal. A iniciativa, coordenada pela professora Ana Paula Bernardes, promove leituras em grupo com crianças de 5 a 14 anos, além de funcionar como uma biblioteca.

“A gente conquista uma criança lendo para ela. Ela sente muito prazer em estar junto a um adulto, em alguém estar lendo com ela.”

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ÍNDIO QUER LIVRO

Projeto incentiva a leitura na comunidade tupinambá

Projeto incentiva a leitura na comunidade tupinambá

Levar o hábito da leitura à tribo Tupinambá de Olivença é o objetivo do projeto “Biblioteca Itinerante Oca Cultural”, lançado nesta segunda-feira (13) na reserva ecológica indígena Estância das Fontes, em Olivença. A proposta é uma iniciativa do Instituto dos Povos Indígenas da Bahia e está integrada ao Programa Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Coordenador pedagógico do projeto, o tupinambá Cláudio Magalhães diz ser necessário inserir no cotidiano dos jovens da comunidade, abordagens que enfoquem temas como saúde, drogas, meio ambiente, direitos humanos e a história dos índios da Bahia e do Brasil. Para isso, ele considera essencial incentivar a prática da leitura.

“Exercitar a leitura como prática democrática é fundamental na formação do senso crítico e da cidadania”, salienta Magalhães.

UNIVERSO PARALELO

DOIS CRONISTAS COM FERVOR PELA FÁBULA

1SandroOusarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

O jornalista Sandro Moreyra (1918-1987) tinha semelhanças com João Saldanha (1917-1990): eram, ambos, estrelas da crônica esportiva, amigos, às vezes colegas na mesma redação, mas, principalmente os identificava a posse de igual fervor pela fábula: Sandro “criou” muitas das “tiradas” de Garrincha (incluindo aquela em que, durante uma preleção com Feola explicando como chegar ao gol adversário, o jogador teria perguntado: “E o senhor já combinou isso com os russos?”); Saldanha tem entre suas verdades indiscutíveis ter marchado, em Pequim/1949, ao lado de Mao Tsé Tung. Sandro esqueceu-se de inventar um chinês apontando a dupla e perguntando: “Quem é aquele baixinho ao lado de João Saldanha?”.

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Num Ba-Vi, a reação de Mário Vianna

Uma das anedotas de Sandro Moreyra (no livro Histórias de futebol, Coleção “O Dia Livros”, já citado aqui): “Mário Vianna apitava nervosa decisão entre Vitória e Bahia e já no fim o goleiro do Vitória entra de pé na cara do adversário. Sem vacilar, Mário marca o pênalti e expulsa o agressor. Muita discussão, e no meio dela a voz possante do zagueiro Betão, do Bahia, gritando para os do Vitória: ´Não têm que reclamar. Este é o terceiro pênalti que vocês cometem e o primeiro que o careca aqui tem coragem de marcar´. Ferido na dignidade de seus dois enes, Mário Vianna rugiu:  ´Ah é? Então não foi pênalti, quem está expulso é esse  bobalhão aí, e é falta contra o Bahia”.

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NA MESMA CASA, DOIS AUTORES CLÁSSICOS

3MosqueteirosVai longe o tempo em que prometi retomar o romance de capa e espada, após uma referência aos Dumas (Alexandre, pai e filho). O père é autor de Os três mosqueteiros (1844), que responde pelo gênero a que me atenho; o fils, que não lhe queria ficar devendo, respondeu, quatro anos depois, com A dama das camélias. Dois clássicos irremediáveis, na mesma família. O livro do velho Dumas deu régua e compasso à narrativa cheia de intrigas, duelos, guerra, suspense e reviravoltas romanescas conhecida como romance de capa e espada. No caso, o autor de O conde de Monte Cristo, outro clássico, conta as tramas que envolvem o cardeal Richelieu, o Rei Luís XIII e a misteriosa e inescrupulosa Milady.
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Os três mosqueteiros que eram quatro

Para escrever as aventuras de Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, Dumas se valeu do historiador Auguste Maquet,  de quem se informou do ambiente reinante na corte de Luís XIII, dois séculos antes da narrativa. Publicado como folhetim no jornal Le Siècle, o título escolhido pelo autor (Athos, Porthos e Aramis) foi alterado pelo editor para Os três mosqueteiros. Dumas père, que de bobo nada tinha, aceitou a sugestão, percebendo que, por ser absurda (já que os heróis eram quatro), contribuiria para o sucesso da obra. Touché!: o romance está entre os recordistas de longevidade, e inspirou muitos autores – entre eles Ponson du Terrail, Paul Féval e a lusa Isabel Ricardo (O último conjurado).

CADÊ OS HOSPITAIS? CADÊ AS ESCOLAS?

5EsdrasPerguntaram ao escritor Esdras do Nascimento (foto) se compensa escrever, por serem tão poucos os leitores. A resposta mal humorada: “Vivendo tão mal, sofrendo de verminose, tifo, males cardíacos, tuberculose, sendo roubado a toda hora pelos milionários e pelos políticos, recebendo uma miséria pelo seu trabalho, como é que se pode querer que o brasileiro leia mais? Cadê os hospitais? Cadê as escolas? Quando se pensa no que ganha um professor, por exemplo, na hipocrisia de falar em cultura, no lucro dos banqueiros e supermercados, nos desabamentos causados pela ganância e pela incompetência, é cretinice discutir o baixo índice de leitura no Brasil”.
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Essas mulheres maravilhosas e suas falas

Noutro momento, bem-humorado, Esdras (15 romances publicados, dentre eles A rainha do calçadão, opus 14, que acabo de ler) diz que as mulheres têm uma sintaxe própria, a ser devidamente decodificada. E mostra, para exemplificar, a diferença entre o linguajar da mulher e do diplomata: segundo o escritor, diplomata, quando diz “sim”, quer dizer “talvez”, quando diz “talvez” quer dizer “não”, e se disser “não”, é porque não é diplomata; a mulher emprega signos diferentes: quando diz “não”, quer dizer “talvez”, se disser “talvez”, quer dizer “sim”; e se ela disser “sim”… reduz-se o interesse,  não vale mais a pena.

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A BIG BAND BRASILEIRA E SEU MAESTRO

7TabajaraE meados dos anos 30, imperavam as big bands americanas (também chamadas por aqui de jazz bands), à frente gigantes como Glenn Miller, Benny Goodman, Tommy Dorsey e Harry James. É nesse clima que um conde alemão de quem me foge o nome resolveu criar algo parecido em João Pessoa/PB, nascendo a Jazz Tabajara, em 1934, mais tarde Orquestra Tabajara. Para o caso, interessa que Severino Araújo (1917-2012) assumiu a direção do grupo em 1938 (aos 21 anos) e fez da Tabajara uma marca nacional. Eclética, a “Orquestra Tabajara de Severino Araújo” tocou muita música americana, mas não se descuidou dos temas nacionais, indo do samba à lambada de Beto Barbosa, do frevo ao bolero.
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Improviso ousado para um grande tema

O maestro dirigiu a banda durante 79 anos, sendo, aos 90, substituído pelo irmão, Jayme. Nesse período, a Tabajara tocou com grandes cantores, entre eles Orlando Silva e Francisco Alves, além de animar muitos bailes aqui e no exterior. É quase impossível encontrar um brasileiro com mais de 60 anos (a geração que dançou de rosto colado) que não conheça a Tabajara. Com olho e ouvido “clínicos”, Araújo sempre soube escolher bons músicos. Por exemplo o saxofonista, arranjador e professor Dulcilando Pereira, apelidado Macaé (nascido no ano em que Araújo assumiu a orquestra, 1938). No vídeo, sob a batuta do maestro Severino, o ousado improviso de um tema, para mim, sagrado: Manhã de Carnaval.

O.C.

ENCONTRO DO PROLER NA UESC

Acontece nos dias 11 e 12, na Uesc, o X Encontro Local do Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura). O evento será realizado no auditório Paulo Souto, sempre das 8 às 20 horas, e tem como público-alvo professores e alunos da Educação Básica, graduandos e outros interessados no tema.

As inscrições, gratuitas, podem ser feitas até esta segunda-feira, 10, no Protocolo-Geral da Uesc ou nas Direcs de Ilhéus e Itabuna.

LIVROS VOADORES E UM FILME FANTÁSTICO

Fisgado no site Brainstorm, o curta Morris Lessmore, do Moonbot Studio, vem arrebatando prêmios pelo conjunto da obra. Fala do amor pelos livros e – lógico – pela leitura. Na animação, livros ganham vida. Pulsam, voam, gesticulam. Têm coração. Fantástico.

UNIVERSO PARALELO

OS PORTUGUESES SÃO MUITO… “FRANCESES”

Ousarme Citoaian

Creio que sou mais cartesiano do que desejaria, mas isso não é escolha, é herança genética. Ou maldita. Tendo a ver o mundo de forma dual: preto-branco, alto-baixo, positivo-negativo, bom-ruim, esquerda-direita. Os cartesianos têm um quê de esquizofrenia, pois vivem num mundo lógico que não existe. O mundo é cheio de nuances: entre o preto e o branco há todo um calidoscópio (ou caleidoscópio), um festival de pigmentos; e distância quase infinita separa o bem e o mal, ninguém é inteiramente bom ou ruim. Ouvi dizer, e acreditei, que os franceses são cartesianos, lógicos. Não por acaso René Descartes – na forma latina, Renatus Cartesius – é francês. Mas a linguagem mostra que os portugueses parecem mais “franceses” do que os próprios.

NÃO SE PODE FECHAR, SE NÃO FOI ABERTO

Situações que mostram o lado lógico dos lusitanos: 1) o brasileiro pergunta se o português sabe as horas. Resposta: “sei”; 2) A moça avisa à senhora, ao volante, que a porta do carro está aberta e ouve, em vez de “obrigada”, esta correção: “Ela não está aberta; está mal fechada”; 3) O cliente (brasileiro, claro) reclama: foi informado pelo gerente de que o restaurante não fechava aos sábados e, ao ir almoçar, deu com a cara na porta. “É verdade que não fechamos”, ouviu do português. “Pois se não abrimos, como haveríamos de fechar?” 4) Na pia do hotel, duas torneiras com a letra F, em vez das costumeiras F (fria) e Q (quente). A camareira explica ao hóspede confuso: “Uma é fria, outra é fervente”.

ÀS VEZES, A ÚLTIMA É TAMBÉM A PRIMEIRA

Numa loja, o brasileiro, cansado de esperar o vendedor a fazer cálculos com lápis e papel, pergunta: “O senhor não tem calculadora?” O portuga: “Infelizmente, não trabalhamos com electrónicos, mas o senhor pode encontrar na loja aqui ao lado…” 6) O turista vai de Lisboa a Madrid, de carro, sem saber bem o caminho, avista um camponês, e procura informar-se: “Amigo, esta estrada vai para Madrid?”. Camponês: “Ao que me consta, não. Mas se for vai nos fazer muita falta”. 7) Sebastião Nery (A Nuvem), num vilarejo, perto de Trás-os-Montes, pergunta numa quitanda se aquela é a última vila antes da Espanha. Resposta: “Depende. Se o senhor vai daqui pra lá, é a última; mas se vem de lá pra cá, é a primeira”.

NA FALTA DE BONS AUTORES, LEIA OS MAUS

Leio declarações do jornalista e escritor Fernando Morais (foto) e encontro, renovada, a fórmula que pessoas mais experientes com a escrita “culta” sempre repetem. Perguntaram-lhe (já perdi a conta das vezes em que vi esta pergunta feita) sobre que conselho daria a jovens jornalistas.  Fernando Morais citou o deputado Ulisses Guimarães (“Conselho ilumina, mas não aquece”) e indicou o caminho esperado: ler. “De preferência, leiam bons autores. Se não der, leiam maus autores – é melhor do que não ler nada. Não conheço nenhum grande escritor que não seja um leitor voraz. Aprende-se a escrever lendo”.

MESTRE INTOLERANTE, RANZINZA, ANTIQUADO

Sem ser candidato a Machado de Assis – a idade, me faz postulante mais adequado a avô, ao pijama, ao chinelo folgado e à cadeira (tomara que de balanço, não de rodas) – ainda assim não entendo jornalista que não lê. E, creiam-me, existem alguns deles, bem falantes e conceituados, que leram o último livro quando estavam na escola – se é que passaram por lá. São gênios, pobres vítimas de algum professor intolerante, antiquado, ranzinza, teimoso, casmurro e caturra. Mas esse mestre hipotético e patético, pregador no deserto, tipo de João Batista, da Bíblia, tem a minha solidariedade.

CHATÔ, CIDADÃO KANE E ROBERTO MARINHO

Fernando Morais é um desses caras que migraram do jornal para o livro. E se deu muito bem (Ruy Castro fez o mesmo), pois os dez livros que publicou venderam mais de dois milhões de exemplares, puxados por Chatô – o Rei do Brasil (1994), Olga (1986) e A Ilha (1976).  A Ilha é sobre Cuba, Olga é a mulher do líder comunista Luís Carlos Prestes (presa e entregue aos nazistas pela polícia de Getúlio) e Chatô fala de Assis Chateaubriand, espécie de Cidadão Kane caboclo (ou Roberto Marinho arcaico). Escritor engajado, acaba de lançar Os Últimos Soldados da Guerra Fria (outra vez Cuba).

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GRANDE PELEJA, DRAMÁTICA E CONFLITUOSA

Entre as mais belas manifestações da cultura nordestina está o desafio de repentistas. Em 1997, isto foi mostrado mais uma vez, com o I Campeonato Brasileiro de Poetas Repentistas, em São Paulo. Esse certame inovou: se antes eram premiadas as melhores duplas, passou-se a premiar o melhor poeta; se antes os repentistas cantavam um com o outro, dessa vez foi um contra o outro. Tal modalidade, de acordo com Sérgio Rubens de Araújo Torres, colocou o evento “mais próximo do tradicional desafio ao pé da parede, mais dramático, mais conflituoso, injetou uma dose extra de emoção às pelejas”.

VENCENDO O CANTADOR SEBASTIÃO DA SILVA

 No CD que reproduz o grande espetáculo, chama a atenção o desempenho do vencedor, Oliveira de Panelas (foto). O cantador esteve em Itabuna, com Deusdeth Bandeira (em 2002, se a memória não me trai), a convite da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FIIC), e eu estava lá. Apesar da timidez crônica, conversei com os poetas (porque gosto do assunto e porque foi fácil: o público, no Centro de Cultura, era bem pequeno). No Campeonato de São Paulo, o pernambucano Oliveira de Panelas massacrou o cearense Sebastião da Silva, apesar da experiência deste, cantador de primeira, vencedor de vários certames.

 O PORQUÊ É SEPARADO QUANDO É PERGUNTA

Na final, os dois glosaram o mote decassílabo “Na gramática portuguesa/quem sabe tudo sou eu” (dado na hora, sem que os repentistas tenham dele qualquer conhecimento prévio). Neste caso, são estrofes de dez versos, com rimas do tipo ABBAACCDDC (o primeiro verso rima com o quarto e o quinto, o segundo com o terceiro etc.). Oliveira de Panelas dá uma “aula” de português, mostrando conhecer, empiricamente, mais do que muito doutor de anel no dedo. As estrofes foram improvisadas alternadamente pelos dois cantadores, conforme a regra – mas deixamos de apresentar a parte de Sebastião da Silva, por ser menos interessante.

(O.C.)









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