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:: ‘Marco Maia’

TIRIRICA DEU O EXEMPLO

Elio Gaspari | O Globo

Tiririca candidatou-se a deputado dizendo que “pior do que está, não fica”. Enganou-se. Graças a ele, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-SP), deu-se conta de que não devia ir à Espanha às custas do dinheiro da Viúva para assistir ao jogo do Real Madri contra o Barcelona, neste sábado.

Na segunda-feira, o palhaço anunciou que devolveria os R$ 971 que cobrou à Câmara pela sua hospedagem no Porto d”Aldeia Resort, em Fortaleza. Até então, Marco Maia achava natural que o dinheiro público patrocinasse seu passeio. Ontem, mudou de ideia e pagará as despesas. Parabéns.

O genial jornalista americano Henry Mencken ensinou que “consciência é a voz interior que nos avisa que alguém pode estar olhando”. Foi a influência da consciência coletiva sobre as consciências individuais que estimulou a atitude imediata de Tiririca e um pouco tardia de Maia.

O presidente da Câmara informou que decidiu custear sua viagem para “acabar com qualquer dúvida” em torno do episódio. Não ficaria “dúvida” alguma. Ele queria ver um jogo de futebol, acompanhado de dois colegas (Romário de Souza Faria e Eduardo Gomes) e dois assessores, conseguiu um convite do parlamento espanhol para visitar a instituição e estaria tudo acertado se a iniciativa não tivesse caído na boca do povo. Muito simples, o doutor queria viajar às custas da Viúva e decidiu fazer o que farão todos os outros espectadores do jogo: pagará pela própria diversão. Acreditar que ele não percebeu a diferença entre pagar a viagem com dinheiro do seu bolso ou com o da bolsa da Viúva seria duvidar de sua inteligência.

Marco Maia entrou na vida pública pela porta do sindicalismo metalúrgico. À primeira vista, representa uma geração de jovens idealistas que ralaram na oposição até a vitória de Lula, em 2002. Nem tanto. O doutor começou sua militância partidária em 1985. Oito anos depois, o PT conquistou a prefeitura de Porto Alegre, na qual se manteve até 2001. Desde 1993, ele passou apenas um ano longe do poder municipal, estadual ou federal.

Na Câmara, Maia celebrizou-se ao isentar a Agência Nacional de Aviação Civil de qualquer responsabilidade na crise do apagão aéreo de 2010. Reincidiu na fama quando enfiou numa Medida Provisória um cascalho que prorrogava os contratos dos pontos de comércio instalados nos aeroportos nacionais. (O contrabando foi vetado pela presidente Dilma Rousseff.) A conexão do deputado com a aerocracia pode ser percebida também na sua iniciativa de incluir no orçamento da Viúva uma dotação de R$230 mil para a Abetar, entidade que defende os interesses das empresas de transporte aéreo regional.

Por mais que o PT goste de se apresentar como campeão das causas dos fracos e dos oprimidos, seu comissariado mostra que assimilou, exerce e gratifica-se com os piores maus costumes dos poderosos. A doutrina do mensalão (“fizemos os que todos fazem”) contaminou a retórica dos comissários adicionando-lhe um incontrolável ingrediente de cinismo. Se todos fazem o que fazem, eles investiram-se no direito de fazer o que bem entendem. Às vezes, dá bolo.

Coluna publicada originalmente n´O Globo.

MENTALIDADE DE JABUTI

O deputado, com sua visão de um Brasil republiqueta, de quinto mundo, diz que “é preciso romper com essa coisa de que o país só anda com grandes reformas”.

Marco Wense

Vossa Excelência, o gaúcho Marco Maia, do PT do Rio Grande do Sul, terra do saudoso Leonel de Moura Brizola, é candidato à presidência da Câmara dos Deputados via instituto da reeleição.

Maia assumiu o comando do Legislativo nacional substituindo Michel Temer, que, mesmo contra a vontade do então presidente Lula, foi eleito vice-presidente da República na chapa encabeçada por Dilma Rousseff.

Tudo dentro do figurino democrático, obedecendo aos preceitos constitucionais e o regimento interno da Casa, instituição com a credibilidade arranhada em decorrência da traquinagem de muitos parlamentares.

O que é lamentável é essa costumeira tapeação envolvendo as reformas política e tributária, que são indispensáveis, respectivamente, para a modernização do sistema eleitoral e uma justa cobrança de impostos.

No decorrer da campanha política, os senhores candidatos, movidos por uma demagogia “descaradinha” – como diria o ex-craque de futebol Fernando Riela – ficam dizendo que, se eleitos, vão defender, com unhas e dentes, as necessárias reformas.

Depois, já eleitos, dão um zignal no eleitor, viram as costas e desligam o celular. Aquele celular que atendia dona Maria e o senhor João com um bom dia carinhoso. A expressão “zignal” é usada pelos próprios políticos.

Aliás, em período eleitoral, os candidatos parecem uns cordeirinhos. Falam mansamente e pausadamente. São atentos com todos: “meu amiguinho”, “meu irmãozinho”, “minha pedinha” e “minha corrente”.

O Marco Maia, por exemplo, depois de reeleito para o Parlamento, com boa parte da votação proveniente das promessas de campanha, passa, agora, a criticar o apelo pelas reformas, dizendo que elas não são tão importantes.

O deputado, com sua visão de um Brasil republiqueta, de quinto mundo, diz que “é preciso romper com essa coisa de que o país só anda com grandes reformas”. É bom lembrar que o petista, como presidente da Câmara dos Deputados, é o terceiro na linha sucessória presidencial.

Ora, esse discurso de menosprezo com as imprescindíveis reformas não engana mais ninguém. Nem mesmo as freiras do Convento das Carmelitas. Querem continuar usufruindo da prostituição que toma conta do sistema eleitoral, do vergonhoso toma-lá-dá-cá.

Em relação à reforma tributária, o rabo é bem grande e preso aos interesses do grande capital financeiro, já que os banqueiros são os maiores financiadores de campanhas políticas.

Portanto, não resta outra conclusão que não seja a de que o deputado Marco Maia tem “mentalidade de jabuti”.

Marco Wense é articulista da revista Contudo.



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