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:: ‘memória’

GUIAS E RECEPTIVOS CONHECEM PROPOSTA DE VISITAÇÃO PÚBLICA DO PALÁCIO PARANAGUÁ

Palácio Paranaguá foi sede do governo ilheense até o ano passado.

Palácio Paranaguá foi sede do governo ilheense até o ano passado.

Agentes do trade turístico ilheense participarão, na próxima quinta-feira (27), de uma aula de instruções sobre o novo formato de visitação do Palácio Paranaguá. A explanação, às 15h, no segundo andar do próprio palácio, será feita por Anarleide Menezes, integrante da Rede de Museus e Pontos de Memória do Sul da Bahia.

Planejada pela Secretaria de Turismo e Esporte (Setur), a iniciativa é uma das etapas da implantação do Museu do Palácio Paranaguá, em Ilhéus. Segundo o município, o espaço será aberto para visitação pública nos próximos dias.

Anarleide ministra aula pública.

Anarleide ministra aula pública no Palácio.

– Nesta primeira etapa a missão é contextualizar imagens e móveis nos primeiros ambientes disponibilizados, apresentando uma ideia de como era a cidade e como o Palácio funcionava no século passado – explicou Anarleide.

O acervo do prédio histórico conta com fotografias e peças dos séculos XIX e XX e do mobiliário que atendeu a intendentes e prefeitos da cidade. Nos últimos dias, os objetos que compõem o acervo ganharam a aplicação de cera de abelha clarificada na Alemanha. O espaço foi higienizado.

O itinerário da visitação é a parte superior do Palácio Paranaguá, onde, em uma das salas, funciona a Setur. Estagiários do curso técnico do CEEP (antigo Colégio Estadual) vão acompanhar os visitantes.

A professora Anarleide Menezes elogia a decisão do governo em iniciar o processo de implantação do Museu. “Claro que ainda estamos longe do ideal. Um projeto de museu envolve mídias digitais, totens… Mas a cidade não pode ficar esperando. Tem que começar”, afirmou. “O Palácio no centro da cidade vai surpreender. A Rede de Museus e Pontos de Memória do Sul da Bahia vai ajudar na divulgação do espaço”, assegura.

PALÁCIO COM 110 ANOS DE HISTÓRIA

O Palácio do Paranaguá é um prédio histórico localizado no centro da cidade. Foi construído em 1907, no mesmo local onde existiam ruínas de um colégio jesuíta. Seu nome é uma homenagem ao presidente da província da Bahia da época do Brasil Império, o Marquês de Paranaguá.

João Lustosa da Cunha Paranaguá elevou a Vila de São Jorge dos Ilhéus à categoria de cidade, em 1881, por meio de lei provincial. O palácio é um dos símbolos da opulência que existiu na região durante a saga do cacau. Em estilo neoclássico, é uma das mais belas construções do interior do estado.

PAIS QUE LEEM PARA OS FILHOS AJUDAM A AUMENTAR O VOCABULÁRIO E A MEMÓRIA

Leitura ajuda a melhorar vocabulário dos filhos (Foto Andrezza Mariot)

Leitura ajuda a melhorar vocabulário dos filhos (Foto Andrezza Mariot)

Mariana Tokarnia

O hábito dos pais de ler para as crianças em casa pode trazer mais benefícios do que se imagina. Um estudo da Universidade de Nova York, em colaboração com o IDados e o Instituto Alfa e Beto, divulgado hoje (6), mostra um aumento de 14% no vocabulário e de 27% na memória de trabalho de crianças cujos pais leem para elas pelo menos dois livros por semana.

O estudo concluiu ainda que a leitura frequente dos pais para as crianças leva a uma maior estimulação fonológica, o que é importante para a alfabetização, à maior estimulação cognitiva em casa e a um aumento de 25% de crianças sem problemas de comportamento.

“Esses dados são bastante impressionantes. Estamos comparando dois grupos que estão dentro do sistema de creches, dentro de um sistema com professores treinados para ler para as crianças. Acrescentamos a leitura dos pais e, quando isso é feito, da forma como foi feito, tem grande impacto”, diz o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira.

Ele explica que o momento de leitura é também um momento importante de interação entre pais e filhos. “Esse é o ponto central, levar os pais a conversar com os filhos. Eles podem também levar as histórias para o real, quando estiverem na rua, podem mostrar para os filhos algo que apareceu na história. Essa forte interação tem impacto em outras dimensões cognitivas”.

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PESQUISA SUGERE ELO ENTRE CHOCOLATE E MELHOR DESEMPENHO DO CÉREBRO

Pesquisa liga consumo de chocolate a melhor desempenho do cérebro.

Pesquisa liga consumo de chocolate a melhor desempenho do cérebro.

Da BBC Brasil

Análises de uma pesquisa americana realizada na Austrália sugerem que há uma ligação entre o consumo de qualquer tipo de chocolate e melhorias no funcionamento do cérebro.

A pesquisadora especializada em nutrição Georgina Crichton, da Universidade do Sul da Austrália, analisou uma pesquisa que teve início na década de 1970 nos Estados Unidos e observou mais de mil pessoas durante 30 anos.

O objetivo da pesquisa, chamada Maine-Syracuse Longitudinal Study (MSLS) – pois envolvia a Universidade do Maine e o Instituto Luxemburgo de Saúde -, era observar a relação entre a pressão sanguínea das pessoas e o desempenho do cérebro.

Isto foi feito durante décadas até que os pesquisadores resolveram ampliar o estudo e observar outros fatores de risco cardiovascular, incluindo diabetes, obesidade e fumo. A pesquisa teve ao todo sete coletas de dados entre os participantes, feitas com cinco anos de intervalo.

O pesquisador que liderou o estudo, Merrill Elias, decidiu perguntar aos participantes o que eles comiam e incorporou um novo questionário já na sexta onda de coleta de dados, entre os anos de 2001 e 2006.

As respostas a esse questionário deram pistas sobre a dieta dos participantes que interessaram os pesquisadores.

A pesquisadora australiana entrou em contato com Merrill Elias, que liderou o MSLS, para fazer uma nova análise da pesquisa.

“Examinamos se o consumo habitual de chocolate estava associado à função cognitiva (funcionamento do cérebro – memória, concentração, raciocínio, processamento da informação) em cerca de mil indivíduos no MSLS. Descobrimos que aqueles que comeram o chocolate pelo menos uma vez por semana tiveram um melhor desempenho em múltiplas tarefas cognitivas, se comparados àqueles que comiam chocolate menos de uma vez por semana”, disse Georgina Crichton.

O QUE FOI ANALISADO

Entre os aspectos analisados estavam memória verbal, memória visual e espacial, organização e raciocínio abstrato, além da habilidade de recordar uma lista de palavras ou onde um objeto foi colocado.

“Com exceção da memória funcional, essas relações não foram atenuadas com o controle estatístico para fatores cardiovasculares, de dieta e estilo de vida. Isto significa que independentemente de fatores como idade, sexo, nível de educação, colesterol, glicose, pressão sanguínea, energia total e consumo de álcool, a relação entre consumo de chocolate e cognição continuava sendo importante”, afirmou Crichton.

A pesquisadora afirma que existe uma crença histórica nos benefícios do chocolate, mas baseada apenas na experiência e observação. Agora a ciência está começando a identificar bases para estas crenças.

MUITO AÇÚCAR, POUCA MEMÓRIA

Da Agência Lusa

As pessoas com níveis elevados e permanentes de açúcar no sangue têm mais problemas de memória do que os que registam menores taxas, conclui um estudo do Hospital Universitário de Berlim, na Alemanha.

Para chegar a essa conclusão, uma equipe de médicos, liderados por Agnes Flöel, chefe do Serviço de Neurologia Cognitiva do Centro de Investigação Clínica Neurocure, examinou a capacidade de memorização de 141 doentes com idade média de 63 anos.

Durante o estudo, foram feitos diferentes testes de memória, que consistiam, por exemplo, em recordar durante meia hora uma lista de quinze palavras, e incluiam análises dos níveis de açúcar e ressonâncias magnéticas ao hipocampo, uma das zonas do cérebro mais importantes para a memória.

Os resultados mostraram que os pacientes que apresentam nível menor de açúcar no sangue obtiveram melhores pontuações nas provas de memória. Aqueles com maiores níveis de açúcar conseguiram recordar em média duas palavras menos que os seus companheiros com menor quantidade de açúcar. A análise das ressonâncias mostrou que o hipocampo naqueles pacientes tinha menor dimensão e apresentava “pior estrutura”.

Para a doutora Flöel, os pacientes poderiam “conservar a capacidade de memória em idade avançada por meio de uma redução do nível de açúcar”. Flöel insistiu, por outro lado, na importância de uma dieta rica em verduras, frutas, cereais integrais e peixe, bem como de “uma atividade física regular que influencie positivamente o nível de açúcar no sangue”.

MATERIAL DA ESTÁTUA É IMPRÓPRIO

roberto joseO presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), Roberto José, enviou mensagem a este blog, na qual comenta a nota sobre o abandono da estátua do escritor Jorge Amado (leia nota e comentário aqui).

Segundo Roberto, a Ficc aguardou a finalização de perícias e irá restaurar a estátua em breve, porém a mesma terá que ficar  no interior da “Casa de Jorge Amado”, em Ferradas. Ele afirma que especialistas desaconselharam a exposição da escultura ao ambiente externo. O material seria bastante vulnerável ao desgaste, em função de ter sido feito com resina.

Ainda de acordo com o presidente, haverá um concurso entre artistas locais a fim de escolher uma nova escultura para a entrada de Ferradas, onde em janeiro a estátua de Jorge foi vítima de vândalos. O presidente da Ficc ressalta que a perícia confirmou somente que a obra foi alvo de pedradas, mas não de tiros.

DESRESPEITO À MEMÓRIA DE JORGE

Guindaste retira estátua do trevo de acesso a Ferradas (Foto Thiago Pereira).

Estátua foi removida em janeiro para passar por reparos que ainda não ocorreram(Foto Thiago Pereira).

Em um de seus livros, Jorge Amado contou ter nascido no “c…” do mundo, afirmação que irritou alguns itabunenses, repentinamente tomados de um ufanismo pelo torrão natal, que não aparece no zelo pela cidade no dia a dia, nem pelo respeito à memória de quem deu alguma projeção a este lugar.

Neste sábado, 10, Jorge completaria 101 anos. Nasceu em Ferradas, onde no ano passado foi instalada uma estátua de resina em sua homenagem. Em janeiro de 2013, vândalos dispararam tiros e apedrejaram a escultura, que precisou ser removida para passar por reparos.

Pois bem,  mais de seis meses já se foram e a estátua, feita pelo artista plástico Lavrud Durval, permanece esquecida em uma sala da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc).  A restauração, pelo jeito, não é prioridade.

Durval disse que, no final de janeiro, a Ficc lhe solicitou um orçamento do serviço, que ficaria em R$ 5 mil. Desde então, não houve mais contatos. O descaso, lamentável, foi lembrado hoje no blog do jornalista e escritor Daniel Thame, um estudioso da obra de Jorge Amado.

ARQUIVO PÚBLICO EXPÕE IMAGENS HISTÓRICAS

Ponte

Fotos dos desbravadores que subiram o Rio Cachoeira no século XIX até chegar ao local onde surgiria o povoamento que deu origem à cidade de Itabuna, imagens de velhos chefes políticos, além das enchentes que causaram muita destruição em 1914 e 1967 e muitos outros momentos históricos.

Tudo isso faz parte da mostra que o Arquivo Público Municipal abre na próxima segunda-feira, 22, às 14 horas, prosseguindo até o dia 26, no andar térreo do Espaço Cultural Josué Brandão. A exposição faz parte das comemorações dos 103 anos de emancipação de Itabuna.

Na agenda da mostra, também está incluído o lançamento da segunda edição da “Indexação das Leis e Atos Oficiais do Município de Itabuna – 1932 a 2013”. A compilação foi realizada pelo técnico em arquivologia Sílvio Carvalho.

A FESTA DO BEIJO EM BANCO DO PEDRO

Marta Almeida entrevista Gilvan Rodrigues na Festa do Beijo

Marta Almeida entrevista Gilvan Rodrigues na Festa do Beijo

Quem conhece o publicitário Gilvan Rodrigues sabe que ele é um cara inquieto, chegado a produzir novidades. Foi com esse espírito que em 1994, há 18 anos, ele movimentou o pacato distrito ilheense de Banco do Pedro com a Festa do Beijo.

Natural daquela “ilha” cercada de cacau e mata atlântica por todos os lados, Gilvan queria ver como a tranquila comunidade reagiria à ideia, inspirada em evento realizado naquela época em Santos, litoral de São Paulo. E como beijo é um negócio que faz sucesso em qualquer lugar, a festa, como se diz hoje, “bombou”. O casal  Pinheiro e Adriana ficou nada menos que duas horas de lábios colados, até que foi reconhecido como imbatível nessa estimulante modalidade esportiva.

Na foto, o então barbudo Gilvan é entrevistado pela repórter Marta Almeida, da TV Santa Cruz, à época de cabelos bem curtinhos. Uma relíquia que apareceu no baú do Pimenta.

PARA COLUNISTA, AS CICATRIZES DEIXADAS PELA DITADURA JAMAIS SERÃO REMOVIDAS

No “diálogo” com seus leitores, o que faz às terças-feiras, Ousarme Citoaian (que assina a coluna UNIVERSO PARALELO aqui no  Pimenta) falou de tortura e torturadores, assunto remanescente da ditadura militar – e o fez sem papas na língua. Ele disse que “as manchas da tortura jamais serão lavadas”, mas que é indispensável apontar ao mundo “os que arrancaram unhas e aplicaram o pau-de-arara, além de outros mimos aos opositores do regime”. Ele defende a tese de que “não se trata de revanche, mas de justiça,pois o crime de tortura é de lesa humanidade, é imprescritível, tem de ser punido”.

O. C. lembra ainda que o Brasil “exportava técnicas de crueldade para os países vizinhos” – mas mesmo estes (Argentina, Uruguai, Chile e Peru) “levam seus torturadores ao banco dos réus”, enquanto aqui, “o próprio Lula recuou diante dos arreganhos dos quartéis”.

Para ver a coluna mais recente e os comentários, clique aqui.

MEMÓRIAS DO RIO CACHOEIRA

Cena do documentário sobre o Cachoeira (foto Victor Aziz)

O resultado de dois anos de pesquisas sobre a história do rio que tem tudo a ver com o próprio surgimento da civilização grapiúna será apresentado no próximo dia 22, às 19h30min, em um evento no Centro de Cultura Adonias Filho. É o projeto “Memórias do Rio Cachoeira”, uma iniciativa do Núcleo de Produções Artísticas (Nuproart), juntamente com a Panorâmica Produções e a banda Manzuá.

A história do rio é contada por pescadores, lavadeiras, areeiros, entre outras pessoas cuja sobrevivência sempre dependeu do Cachoeira. O trabalho que será apresentado no próximo dia 22 é um CD com 12 músicas compostas a partir de poemas de autores itabunenses como Cyro de Mattos, Valdelice Pinheiro, Daniela Galdino e Ruy Póvoas, e um documentário de 60 minutos.

A iniciativa foi vencedora do edital de Apoio à Produção de Conteúdo em Música no Estado da Bahia, da Secretaria Estadual da Cultura, Fundo de Cultura da Bahia  e Fundação Cultural do Estado.

Abaixo, clipe da música “Correnteza” (letra de Ruy Póvoas), interpretada pela Manzuá:

JÁ FOI UMA ESCOLA

 

Um leitor do PIMENTA, ex-aluno do Colégio Divina Providência, registrou esta imagem da área onde um dia funcionou o Colégio Divina Proviência, no centro de Itabuna.

Em maio, o prédio, adquirido por um empresário, foi demolido com autorização da Prefeitura. Houve embargo judicial, danos em imóveis vizinhos (como a capela Santo Antônio), mas o novo dono conseguiu avançar com a obra.

Em lugar do velho CDP, serão construídos uma loja de calçados e outros estabelecimentos comerciais. A Prefeitura não tem um plano para melhorar o fluxo de veículos naquela área, que se torna cada vez mais problemático.

UNIVERSO PARALELO

ITABUNA E O NÓ GÓRDIO NA SAÚDE PÚBLICA

Ousarme Citoaian
Em artigo que comenta a situação da saúde pública de Itabuna, um diário local afirma haver nas relações da prefeitura com o estado um nó górdio a ser desatado. Bela expressão, dessas que integram o falar brasileiro – e cujo emprego tanto temos defendido. Essas aquisições parecem dar ao texto sabor erudito, “culto” – o que é verdade, pois quem não tem boa base de leitura raramente recorre a tais adornos estilísticos. Mesmo quando utilizadas por pessoa que delas apenas ouviu falar, tais “frases feitas” oferecem ao texto encanto e formosura. Como nem todos sabem a origem do termo, valho-me do Google e atualizo minha informação, que passo adiante.

O NÓ SÓ FOI DESFEITO DEPOIS DE 500 ANOS

Górdio foi um camponês que se tornou rei da Frígia, na Ásia Menor (lá pelo século VIII a.C.) e, para não esquecer sua origem humilde, botou dentro do templo de Zeus a carroça em que chegou à cidade.  E a amarrou com um nó tão danado que gerou uma profecia: quem o desatasse tornar-se-ia rei de toda a região. Mesmo com tão grande prêmio, o Nó de Górdio ficou intato durante cinco séculos. Até que Alexandre da Macedônia parou em Frígia para o repouso de suas tropas e, sabendo da profecia, resolveu tirar a história a limpo. Pôs-se em silêncio em frente ao nó, analisou-o e, com um golpe de espada forte e certeiro, o cortou, tornando-se assim o rei do pedaço, isto é, o líder da Ásia Menor.

O REI MIDAS FOI ATENDIDO AO PÉ DA LETRA

Moral da história: diante de problemas, precisamos – com o emprego do capital intelectual de que dispomos – pensar, analisar e encontrar alternativas. Mas é pertinente  referir que esse rei Górdio fazedor de nós era pai do rei Midas, fazedor de ouro, outro nome caro à mitologia grega. Midas era rico, ganancioso, orgulhoso, enfim, se achava. Foi vítima da ganância e da má interpretação de suas palavras: pediu a Dionísio (a quem prestara um favor) o poder de transformar em ouro tudo o que tocasse e, a partir daquele dia, sua vida ficou um inferno dourado, pois tudo que ele tocava (água, comida, gente, coisas e bichos) virava ouro. Pediu em sentido figurado, recebeu ao pé da letra.

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A MEMÓRIA FAZ O PASSADO SEMPRE PRESENTE

Há de se perceber nestas provocações semanais um quê de memória, de passado, nem sempre aprovado pelo apetite dos obsessivos do imediato. “Quem gosta de passado é museu”, repete-se o adágio indigente de bom gosto, graça ou criatividade. É tempo de lembrar, sem rodeios ou firulas, que, ao contrário desse discurso equivocado, o passado sempre está presente. Não há intenção de trocadilho, mas a constatação de que nosso ontem não nos abandona – e isso é tão fundamental, que o homem nasceu com memória, faculdade de guardar, registrar e lembrar. Não sei de alguém que diga isto melhor do que o historiador francês Jules Michelet: “Memória é ressurreição”.

REMÉDIO CONTRA AS FISSURAS DO PASSADO

A relação tempo-memória foi muito bem analisada no discurso de posse do escritor mineiro Antônio Olinto (foto), na Academia Brasileira de Letras. Baseio-me na lembrança (não disponho, no momento, do livro em que está o discurso) e destaco a essência: não se vive sem passado, o passado sempre está presente em nossa vida, e a memória vence o tempo. A memória é o anti-tempo, a panaceia para traumas e fissuras que ele causa. E Olinto encerra com este fecho de ouro: “Só na memória palpita uma possível imortalidade”. Um fato ocorrido ontem pode estar esquecido hoje; outro, há séculos, pode permanecer atual. O que os diferencia não é o tempo, é a memória.

EM ITABUNA, O EXAGERO HÁ DE SER LOUVADO

Itabuna acaba de criar duas academias de letras. À parte o exagero de dois sodalícios de uma tacada só, a iniciativa há de ser louvada. Afinal, o que é uma academia de letras, se não um grande e nobre mergulho no passado literário da região? Só por ter levantado o assunto, a cidade já fala, quando nada à boca pequena, em Adonias Filho, Firmino Rocha (foto), Manuel Lins, Telmo Padilha, Gil Nunesmaia, José Bastos, Jorge Medauar, Euclides Neto, Plínio de Almeida, Afrânio Peixoto e tantos outros patronos da novel instituição (todos mortos, comme il fault) – a  lista, conforme o modelo francês da Academia Brasileira de Letras, é de 40 nomes. É a possível imortalidade literária palpitando, como quis Antônio Olinto.

O COLUNISTA PERDEU SUA APOSTA TEMEROSA

Os leitores foram generosos quanto à minha aposta (um tanto temerosa, sei) em Bravura indômita como ganhador do Oscar. O filme ficou no zero, mesmo com dez indicações, perdendo feio para O discurso do rei. Rubens Ewald Filho tinha razão – e este episódio deixa clara a distância entre palpites de amador e de profissional: um opina apoiado em aspectos técnicos, mercadológicos e políticos; outro baseia-se em preferências pessoais. Rubens Ewald sabia; eu queria. Mas continuo a ver o faroeste como a essência do cinema norte-americano. E, por favor, sejam gentis comigo: não me falem em faroeste spaghetti.

JOHN WAYNE, OU A ARTE IMITANDO A VIDA

Alguns westerns abordaram a decadência do gênero, sempre com uma visão romântico-nostálgica sobre o ocaso desse ciclo. À memória me vem, sem muito esforço, O último pistoleiro (Don Siegel/1976), em que o velho Marion Robert Morrison, mais conhecido como John Wayne (1907-1979), faz papel dele mesmo: com câncer de pulmão (era fumante), Wayne representa John Bernard Books, famoso pistoleiro corroído pela doença – e que procura um lugar tranqüilo para morrer em paz. Com mão segura, Siegel (Perseguidor implacável/1971 e mais de 30 outros títulos) conduz a história a um final digno dos clássicos, depois de diálogos (e silêncios!) muito inteligentes.

PISTOLEIRO CHORA PELOS “VELHOS TEMPOS”

Mas nenhum faroeste tem tanta graça e leveza quanto Dívida de sangue/1965, de Elliot Silvestein (Um homem chamado cavalo/1970) – que deu o Oscar a Lee Marvin. O filme, além de Marvin em plena forma, tem a plena beleza de Jane Fonda (“Oh! que saudades que eu tenho!”) e, para arrematar, Nat King Cole e Stubby Kaye, os menestréis que, no formato de coro do teatro grego, fazem o contraponto da narrativa. A cena em que o pistoleiro pé de cana toma uma talagada “para firmar a mão” é antológica. E tocante é seu discurso saudosista sobre a perda de poder dos caubóis. Um vídeo especial para esta coluna, aqui.

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O.C.

IMAGENS DE “PRISCAS ERAS”

O Sindicato dos Comerciários de Itabuna comemora 65 anos nesta sexta-feira, 20. A entidade nasceu nos anos 40, enfrentou ditaduras, já teve fases de combatividade e também de peleguismo, mas se consolidou como uma das mais fortes organizações sindicais do sul da Bahia.

Uma ampla programação fará parte da festa de aniversário, mas uma das atrações está sendo reservada  para depois. Trata-se de uma exposição fotográfica, que conta boa parte da história do Sindicato. As imagens ainda estão sendo reunidas e selecionadas, mas pelo menos uma o PIMENTA já divulga em primeira mão.

Na foto abaixo, comecinho dos anos 80, o então presidente do Sindicato, Agenor Medeiros, recebe cumprimento do prefeito da época, Fernando Gomes. Atrás, com um daqueles gravadores gigantes daquele tempo, o jornalista Joel Filho, com um respeitável bigode, registra o evento.

FG cumprimenta Agenor Medeiros, enquanto o intrépido Joel Filho registra tudo com seu supergravador

 

CDP: A INCOERÊNCIA AVANÇA CONTRA A MEMÓRIA

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

Manter o Divina numa situação de abandono é tão vil e desrespeitoso quanto destruí-lo, mas demolir a escola será a confirmação de que Itabuna ainda é uma cidade majoritariamente inculta.

Sem querer me perfilar entre os saudosistas, que já são muitos e eloquentes, mas a ideia de demolir o velho Colégio Divina Providência para dar lugar a estabelecimentos comerciais é uma bruta patacoada. Deixo momentaneamente de lado a questão do respeito à memória e à cultura itabunenses para considerar a incoerência pura e simples de gente que vê possibilidade de instalar empreendimentos de grande porte em um trecho totalmente asfixiado no centro de Itabuna.

Trafegar pela Rua São Vicente de Paulo, onde fica o velho prédio do CDP, assim como em outras vias daquela área, é verdadeiro suplício. Encontrar uma vaga para estacionar o carro é uma proeza. Andar pelos passeios esburacados é um exercício de equilíbrio. Ainda assim, o governo local engendra seu esforço de propaganda e falácia (a dos 600 empregos, por exemplo), na tentativa de  satisfazer interesses privados.  Um empenho tão grande, que alimenta desconfianças quanto a práticas “poucos republicanas”.

Estudei no Divina Providência entre 1985 e 1990, tempo em que aprendi muita coisa e construí amizades que duram até hoje, apesar da distância que nos separa de alguns colegas. A escola está viva em nós, em nossas histórias e nas lembranças de amigos como Lair Oliveira, Fábio Carmo, Ailton Brandão, Gustavo Melo, Allah Góes, Iano Pimentel, Glauber Souza, Henrique Serapião e tantos outros já espalhados pelo mundo. Gente do meu tempo no Divina.

Ver o colégio transformado em escombros certamente seria triste, assim como é passar todos os dias em frente àquele prédio e observá-lo abandonado, degradado, imaginar seu interior coberto de poeira e teias de aranha, as salas vazias onde os alunos e professores já foram substituídos por ratos, baratas, morcegos e outros bichos. Animais nocivos é o que não falta, do lado de dentro e do lado de fora.

Manter o Divina numa situação de abandono é tão vil e desrespeitoso quanto destruí-lo, mas demolir a escola será a confirmação de que Itabuna ainda é uma cidade majoritariamente inculta, principalmente no sentido de que não cultiva seus valores, não preserva sua história nem procura nela exemplos para inspirar as gerações presentes e futuras. É um povo que aceita – parte por ação e outra por omissão – crescer desprezando o seu passado, o que normalmente causa uma grande sensação de vazio.

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA e também escreve no Política Et Cetera.

CULTURA É FRESCURA?

Allah Góes | allah.goes@hotmail.com

 

Ao se manter apenas a fachada do prédio, como alguns propõem, se destrói a nossa história.

 

De fato, corroborando com o pensamento lapidar de nosso ex-prefeito, a população itabunense dá mais uma demonstração de que a cultura grapiúna tem pouca (ou nenhuma) importância, pois assiste impassível ao desmonte de um dos últimos ícones da luta de nossos desbravadores pela construção de uma Itabuna melhor, o prédio do Ginásio Divina Providência.

Construído sob a liderança de Monsenhor Moises, que também foi o responsável pela instalação da Santa Casa de Misericórdia, o Ginásio Divina Providência, que foi criado há exatos 87 anos, além de servir como símbolo de que os desbravadores, apesar de incultos, diferentemente de nós, cultos cidadãos, davam a devida importância à cultura, nos faz lembrar que é somente através da educação que se pode construir o futuro.

E o futuro desta terra foi construído justamente por aqueles que ali estudaram, onde juntos, tanto os filhos das famílias mais abastadas, como os mais humildes que, através de bolsas oferecidas pela Sociedade São Vicente de Paulo, mantenedora do Colégio, conviviam e aprendiam, através do exemplo e da educação, que era possível transformar Itabuna numa cidade melhor.

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SIDENILTON É O PAI DO “DESTOMBAMENTO”

Sidenilton Pereira trabalha pela demolição do colégio

O advogado José Sidenilton Pereira, diretor do Procon de Itabuna, é o mais entusiasmado defensor da anulação do tombamento do prédio onde funcionou o Colégio Divina Providência. Segundo foi apurado pelo PIMENTA, empresários planejam demolir a construção para que no terreno sejam instaladas uma unidade das Lojas Americanas e outra da Silva Calçados.

Pereira preside a comissão designada pelo prefeito de Itabuna, José Nilton Azevedo, com a finalidade de proceder aos estudos e, em seguida, à “retificação dos atos de tombamento” do prédio do Divina. Os outros membros da comissão são o secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Carlos Leahy, e a advogada Veneranda Andrade Santos.

Pereira, segundo informações de dentro do governo, tem mostrado elevadíssimo interesse no “destombamento”. Nesta quarta-feira, 20, às 15 horas, uma audiência pública vai debater o assunto na Casa do Educador. A convocação da Prefeitura para esta reunião foi discretíssima.

EM GESTAÇÃO:UM GOLPE NA MEMÓRIA DE ITABUNA

Um sorrateiro decreto baixado pelo prefeito de Itabuna neste mês de abril nomeia comissão com a finalidade de rever outro decreto, de 2008, que tombou o prédio do Colégio Divina Providência como patrimônio histórico e cultural do município.

Nos termos do decreto azevediano, revelado pelo site Cia da Notícia, fica constituída comissão “composta dos servidores municipais a seguir nominados: José Sidenilton de Jesus Pereira – Diretor do Departamento Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor – PROCON/Procuradoria-geral do Município; CARLOS VELOSO LEAHY – Secretário de Indústria, Comércio e Turismo e VENERANDA ANDRADE SANTOS – Advogada/Secretaria Municipal de Administração, para, sob a presidência do primeiro, procederem o estudo e posterior retificação dos atos de tombamento do prédio situado na Rua São Vicente de Paula, nº 152, Centro, nesta Cidade de Itabuna, onde funcionou o Colégio Divina Providência, declarado tombado através do Decreto nº 8.171-A, de 29 de dezembro de 2008.para os fins que indica e, dá outras providências”.

Com quase 90 anos, após ter formado várias gerações de itabunenses, o velho CDP está na iminência de virar poeira e escombros para dar lugar a algum empreendimento comercial. Interesses não muito claros estão por trás da manobra, que prepara um golpe em nossa história para privilegiar a voracidade de alguns. Percebe-se, de antemão, um suspeito conluio do poder público com algum interesse privado que logo irá aparecer.

Resta saber se a sociedade itabunense aceitará passivamente a artimanha…

O ESQUECIMENTO DOS VEREADORES DE ITABUNA

Que Itabuna tem hoje uma das piores composições de legislativo de todos os tempos, não se discute. Na Câmara de Vereadores, falta decência, vergonha e também memória, e a prova desta última se deu com o completo esquecimento do Dia da Mulher, comemorado a 8 de março.

Pelo Regimento Interno da Câmara, a data é sempre marcada pela entrega da Comenda Otaciana Pinto, que presta homenagem a mulheres de destaque. Como este ano o 8 de março caiu em pleno feriado de carnaval, não foi possível realizar a solenidade no dia exato, mas se esperava que ela ocorresse logo em seguida. Pelo menos, na primeira semana seguinte.

Pois os digníssimos vereadores retornaram ao “trabalho” e nada de anunciar a entrega da Comenda, o que demonstra o profundo respeito e a consideração que nutrem pelas mulheres.

Em tempo: nesta quinta-feira, 17, a partir das 15 horas, a Câmara de Vereadores de Ilhéus presta sua homenagem às mulheres da cidade. Atrasou um pouco, mas está melhor que os esquecidos da cidade vizinha.








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