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:: ‘Movimento Passe Livre’

UMA HOMENAGEM A WALDIR – E À DEMOCRACIA

O ex-governador e ex-ministro Waldir Pires faleceu na manhã da última sexta-feira (22), enquanto o Brasil sofria para, ao final, vencer a Costa Rica por 2 a 0. Abaixo, republicamos, pela sua importância histórica, um artigo do jornalista Marival Guedes relatando um dos momentos da vida de Waldir Pires. Era o primeiro ano do mandato de vereador de Salvador. 2013.

Marival, numa das crônicas semanais ao PIMENTA, relatava diálogo que teve com o ex-governador e um dos momentos daquele fervilhante 2013, já na Câmara de Salvador e numa audiência em que o Movimento Passe Livre puxava as discussões na capital baiana.  O corpo de Waldir Pires foi cremado ao final da manhã deste domingo.


DE DISCURSOS E DE RENÚNCIAS

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

Na audiência pública realizada pela Câmara, atendendo solicitação do Movimento Passe Livre (MPL) Salvador, mais de 300 entusiasmados jovens lotavam o Centro de Cultura. Foram 50 oradores, cada um com direito a três minutos, tempo controlado rigidamente pelo presidente do legislativo, Paulo Câmara.

Havia integrantes de vários partidos, outros que se autodenominam independentes e os antipartidários. Vários deste último grupo, bastante raivosos, os mais barulhentos. Muitas vezes as vaias impediam o pronunciamento, sendo necessária a intervenção do coordenador.

Mas quando um orador iniciou seu discurso, o silêncio foi total. Lembrando o que escreveu o compositor maior, naquele momento ouviríamos o barulho de “uma lágrima a cair no chão”. O vereador Waldir Pires (PT) começou elogiando os jovens e lembrou que começou aos 16 anos na luta contra o nazismo, de posição racista.

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana (Foto Paulo Macedo/BocãoN).

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana || Foto Paulo Macedo/BNews).

Falou da interrupção da democracia, com o golpe militar, quando muitos foram vítimas do exílio, torturas e assassinatos. Disse que continua na política (ele está com 86 anos), porque é a única forma de civilização humana de se transformar toda a sociedade.

Comemorando este novo momento, disse: “De repente vocês explodem e me deixam muito feliz”. Quando o coordenador da mesa avisou que o tempo estava se esgotando, a plateia de jovens do MPL se levantou e pediu para deixá-lo continuar. O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

A RENÚNCIA

Conheço pessoas que não perdoam Waldir Pires por ter renunciado ao governo do estado em 1989, dois anos após a posse, para ser candidato a vice-presidente da República na chapa de Ulisses Guimarães, passando o cargo para o vice, Nilo Coelho. Certa vez, numa visita que ele fez à TV Cabrália perguntei, ao lado do então superintendente Ramiro Aquino, sobre a renúncia e expus os comentários dos bastidores.

“Professor são três as hipóteses que circulam sobre a renúncia: 1º) Que já havia este acordo com Nilo Coelho. 2º) que o senhor recebeu dinheiro. 3º) Que teve medo de morrer”.

(À época circulou uma informação sobre um atentado à vida dele. Foi encontrado um mapa geográfico no tanque de combustível do avião do estado, momentos antes do seu embarque.)

Waldir respondeu com a serenidade que o caracteriza: “Meu filho, não havia acordo, quem quer dinheiro fica no poder e quem tem medo não enfrenta uma ditadura. Renunciei por que acreditava que o doutor Ulisses ganharia a eleição, pois tínhamos 22 governadores do PMDB.”

CIRCUNSTÂNCIAS

Waldir não tomou decisão de última hora. A escolha para ser o candidato do partido era através do voto em dois turnos. Na convenção nacional do PMDB, além do então governador da Bahia, havia na disputa Ulysses Guimarães Iris Resende e Álvaro Dias. Ulysses e Waldir foram os dois mais votados, com Ulisses na frente. Para evitar o segundo turno, que poderia gerar uma divisão, o partido entrou em consenso e Waldir Pires ficou na vice, prevalecendo a lógica do mais votado. Talvez hoje Waldir argumente, “ eu sou eu e minhas circunstâncias”.

Marival Guedes é jornalista.

SALVADOR: MPL FAZ NOVA MANIFESTAÇÃO E QUEIMA BONECO DE ACM NETO

Marival Guedes

Estudantes picham sede da Setps em ato realizado hoje.

Estudantes picham sede da Setps em ato realizado hoje.

O Movimento Passe Livre Salvador (MPL) promoveu reunião hoje em frente à Câmara de Vereadores, ocupada por 14 integrantes do grupo. Em seguida, os manifestantes foram até o Sindicato das Empresas de Transportes (Setps) e picharam a sede da entidade com “palavras de ordem” do movimento. No retorno à Câmara, um boneco de ACM Neto foi queimado pelos manifestantes.

Ao contrário das atividades anteriores, o movimento convidou partidos políticos e movimentos sociais. No entanto, com relação aos parlamentares, somente compareceu o vereador Hilton Coelho (PSOL), o que gerou críticas de manifestantes. “Os outros estão comprometidos com os empresários de ônibus e da construção civil”, acusavam.

Hoje pela manhã uma comissão formada por vereadores se reuniu com o secretário de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Cícero Monteiro, representando o governo do estado. Para a tarde está previsto um encontro desta comissão com um representante da prefeitura. Nestas reuniões estão sendo apresentadas as reivindicações do MPL, sendo as duas principais a redução da tarifa e o passe livre.

SABACK, DO MPL: “ACM NETO ESTÁ IMPEDIDO PELO MP DE AUMENTAR TARIFA DE ÔNIBUS ATÉ 2014”

André Saback Movimento Passe Livre entrevista

Marival Guedes, de Salvador

O Movimento Passe Livre Salvador, que ocupa a Câmara de Vereadores desde o dia 22 deste mês, criou uma Tribuna Popular na porta no legislativo, onde serão realizadas diversas atividades. A Câmara está ocupada por 14 integrantes, sendo 11 fixos e três flutuantes, para a troca de informações.

Nesta entrevista, um dos ocupantes, André Saback, formado em Marketing pela Estácio/ Fibe, fala sobre o esvaziamento do MPL, a nova postura do movimento, que agora convoca partidos, a desoneração de PIS/Cofins e o acordo que impede ACM Neto de aumentar a tarifa até 2014. Saback também comenta como seria a implantação do passe livre universal.

BLOG PIMENTA- O presidente da Câmara marcou audiência, mas cancelou. Por quê?

ANDRÉ SABACK – Ele havia marcado na sexta-feira (26) uma audiência para ontem (29), pra buscar caminhos para a solução, inclusive poderia ter a presença do secretário Aleluia. Ele desmarcou a reunião por conta da nossa agenda de atividades e para entender melhor nossas ações e conversar depois.

PIMENTA – Quais as atividades?

SABACK – Nós começamos ontem (segunda-feira) e até a sexta teremos uma tribuna popular aberta a todas as pessoas para que, durante o dia,  se manifestem sobre a questão. À noite, palestras com professores e filmes de movimentos sociais e outras revoltas populares.

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Todo movimento popular tem um pico. Nós chegamos a botar 30 mil pessoas. Há um refluxo e o retorno à base inicial.

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PIMENTA – Nas últimas manifestações, houve uma grande redução do número de participantes. O que provocou este esvaziamento?

SABACK – Todo movimento popular tem um pico. Nós chegamos a botar 30 mil pessoas. Há um refluxo e o retorno à base inicial. No momento, temos nas ruas para participar dos atos nossos membros mais orgânicos e os movimentos sociais mais próximos. Há um poder menor de convocação por que a sociedade já teve esta participação e percebe – talvez por conta da mídia – que o movimento chegou num ápice e declínio. Acaba numa certa acomodação.

PIMENTA – Além da tribuna popular, o que será feito para revitalizar o movimento?

SABACK – A gente está com articulações com os movimentos sociais que não fizeram parte [no primeiro momento], a exemplo dos partidos políticos, sindicatos e movimentos estudantis, porque havia um consenso de que seria “aparelhar”. Mas estamos convocando estes movimentos pra agente poder ter vitalidade pra ir pra rua. Então, pra este ato de quinta-feira, 1º de agosto, nós vamos convocar a população em geral e estes movimentos.

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O MPL nunca foi antipartidário. O apartidarismo se mantém, a gente tem um mecanismo nas nossas assembleias que detecta quais as correntes que estão atuando.

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PIMENTA – Então, acabou o antipartidarismo no MPL Salvador?

SABACK – Na verdade, o MPL nunca foi antipartidário. O apartidarismo se mantém, a gente tem um mecanismo nas nossas assembleias que detecta quais as correntes que estão atuando e consegue com horizontalidade, seguindo nossa Carta de Princípios, bloquear alguma tentativa de aparelhar o movimento.

PIMENTA – Qual o comportamento da mídia durante todo este processo?

SABACK – Teve um comportamento de gangorra. Em alguns momentos, teve um viés interessante que favorecia o interesse pelo movimento. Em outros tentava esfriar, não sei exatamente por qual motivo. Teve altos e baixos no mês de junho e após a ocupação a gente teve a presença da mídia dando certo apoio. Depois começou a se desinteressar,  fazer as entrevistas e não publicá-las ou publicá-las com viés negativo. Talvez isto também seja um agente desmobilizador.

PIMENTA – Quais os dois pontos principais do MPL neste momento?

SABACK – Tiramos da carta de 21 pontos, sete pontos voltados para o município, mas que não precisa basicamente do legislativo. O prefeito [ACM Neto] tendo boa vontade política, pode realizar. E a gente radicalizou num ponto inegociável que é a redução da tarifa. Além disso, ônibus 24 horas, que favorece a população, a ter acesso no dia a dia e à cultura e lazer nos finais de semana quando há atividade à noite e as pessoas são impedidas por falta de transporte.

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A desoneração foi transformada em nova parcela de lucro para os empresários, o que acaba virando uma espécie de reajuste. Então, nada que gere lucro para os empresários até 2014 pode imperar.

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PIMENTA – Qual a proposta de redução?

SABACK – A gente pediu de R$ 2,80 para R$ 2,50 com base na desoneração do PIS/Cofins, que dá mais ou menos 20 centavos.

PIMENTA – O prefeito ACM Neto alega que há dois anos não tem aumento…

SABACK – O último governo tentou aumentar, mas o Ministério Público agiu e houve um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) definindo que não haverá aumento até 2014. Então, ele não pode aumentar porque está bloqueado.

PIMENTA – E a desoneração não beneficiou as pessoas…

SABACK – A desoneração foi transformada em nova parcela de lucro para os empresários, o que acaba virando uma espécie de reajuste. Então, nada que gere lucro para os empresários até 2014 pode imperar. Vale dizer que o lucro dos empresários do transporte de Salvador é demasiado. Temos uma das maiores tarifas do Nordeste.

PIMENTA – Quando você fala em Passe Livre, é apenas para o estudante ou toda a população?

SABACK – Nossa proposta é gradual. Primeiro a redução, depois o passe livre para estudante, idoso, deficiente.  Uma série de leis que tramitam na Câmara de Salvador nos leva a um segundo passo. Quando o empresário começar a se familiarizar com estas propostas, a gente começa a caminhar em direção ao Passe Livre Universal. Então, que seja o Passe Livre Estudantil o primeiro passo.

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Nós temos municípios que adotaram esta medida, sendo o mais recente exemplo o de  Paulínia (SP) onde a tarifa era R$ 1,00 e neste mês foi decretado o Passe Livre Universal, o fim das catracas.

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PIMENTA – E como será viabilizado?  De onde sairiam os recursos?

SABACK – Uma das possibilidades é o IPTU progressivo, taxando uma alíquota maior dos imóveis com maior porte e destinando esta diferença para um fundo de transporte. Nós temos municípios que adotaram esta medida, sendo o mais recente exemplo o de  Paulínia (SP) onde a tarifa era R$ 1,00 e neste mês foi decretado o Passe Livre Universal, o fim das catracas.

PIMENTA – Qual a outra forma?

SABACK – Temos uma série de estudos que podem criar um novo imposto sobre combustíveis, penalizando o usuário do veículo individual que gera o congestionamento atual, já que há uma lógica errada no sistema de transporte. A gente pensa na inversão, colocando sistema de transporte de massa para toda a população e quem tem carro deve usar para o lazer ou em momentos específicos.

PIMENTA – Haverá uma sessão especial no próximo dia oito na Assembleia Legislativa.  Qual o resultado concreto  que esta reunião pode gerar?

SABACK – Um dos pontos principais, no que se refere ao Estado, é Passe Livre para a Região Metropolitana ou a redução da tarifa coligada à integração com os modais da região e os de Salvador. Porque os ônibus da RM têm tarifa diferente, não aceitam smart card e não estão integrados. O metrô que virá também deverá ser integrado à tarifa daqui. O governo tem que conversar sobre isto, inclusive com outros municípios.

PASSE LIVRE FAZ NOVOS PROTESTOS EM SALVADOR

O Movimento Passe Livre Salvador caminha, neste momento, do Campo Grande até a Câmara de Vereadores, ocupada por alguns integrantes do grupo. Não haverá, segundo a coordenação do movimento, ampliação do número de ocupantes. Os que lá estão participarão da sacada do prédio e os participantes da passeata ficarão na porta.

André Saback, um dos ocupantes, afirma que a saída deles depende unicamente do prefeito ACM Neto. “Assim que ele atender as reivindicações, uma pauta com sete itens voltados exclusivamente ao poder executivo municipal, nós deixaremos o local”, garante.

André destaca que está havendo má vontade do prefeito, já que o governo federal desonerou PIS/Cofins em 7,85%  para que os empresários reduzam a tarifa. Amanhã, o MPL realiza reunião às 15h15min, na porta da Câmara, para informar e avaliar as ações do movimento.

DE DISCURSOS E RENÚNCIAS

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com  palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

Na audiência pública realizada pela Câmara, atendendo solicitação do Movimento Passe Livre (MPL) Salvador, mais de 300 entusiasmados jovens lotavam o Centro de Cultura.  Foram 50 oradores, cada um com direito a três minutos, tempo controlado rigidamente pelo presidente do legislativo, Paulo Câmara.

Havia integrantes de vários partidos, outros que se autodenominam independentes e os antipartidários. Vários deste último grupo, bastante raivosos, os mais barulhentos. Muitas vezes as vaias impediam o pronunciamento, sendo necessária a intervenção do coordenador.

Mas quando um orador iniciou seu discurso, o silêncio foi total. Lembrando o que escreveu o compositor maior, naquele momento ouviríamos o barulho de “uma lágrima a cair no chão”. O vereador Waldir Pires (PT) começou elogiando os jovens e lembrou que começou aos 16 anos na luta contra o nazismo, de posição racista.

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana (Foto Paulo Macedo/BocãoN).

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana (Foto Paulo Macedo/BocãoN).

Falou da interrupção da democracia, com o golpe militar, quando muitos foram vítimas do exílio, torturas e assassinatos. Disse que continua na política (ele está com 86 anos), porque é a única forma de civilização humana de se transformar toda a sociedade.

Comemorando este novo momento, disse: “De repente vocês explodem e  me deixam muito feliz”. Quando o coordenador da mesa avisou que o tempo estava se esgotando, a plateia de jovens do MPL se levantou e pediu para deixá-lo continuar. O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com  palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

A RENÚNCIA

Conheço pessoas que não perdoam Waldir Pires por ter renunciado ao governo do estado em 1989, dois anos após a posse, para ser candidato a vice-presidente da República na chapa de Ulisses Guimarães, passando o cargo para o vice, Nilo Coelho. Certa vez, numa visita que ele fez à TV Cabrália  perguntei, ao lado do então superintendente Ramiro Aquino, sobre a renúncia e expus os comentários dos bastidores.

“Professor são três as hipóteses que circulam sobre a renúncia: 1º) Que já havia este acordo com Nilo Coelho. 2º)  que o senhor recebeu dinheiro. 3º) Que teve medo de morrer”.

(À época circulou uma informação sobre um atentado à vida dele. Foi encontrado um mapa geográfico no tanque de combustível do avião do estado, momentos antes do seu embarque.)

Waldir respondeu com a serenidade que o caracteriza: “Meu filho, não havia acordo, quem quer dinheiro fica no poder e quem tem medo não enfrenta uma ditadura. Renunciei por que acreditava que o doutor Ulisses ganharia a eleição, pois tínhamos 22 governadores do PMDB.”

CIRCUNSTÂNCIAS

Waldir  não tomou decisão de última hora. A escolha para ser o candidato do partido era através do voto em dois turnos. Na convenção Nacional do PMDB, além do então governador da Bahia, havia na disputa Ulisses Guimarães Iris Resende e Álvaro Dias. Ulisses e Waldir foram os dois mais votados, com Ulisses na frente. Para evitar o segundo turno, que poderia gerar uma divisão, o partido entrou em consenso e Waldir Pires ficou na vice, prevalecendo a lógica do mais votado. Talvez hoje Waldir argumente, “ eu sou eu e minhas circunstâncias”.

Marival Guedes é jornalista.

ACM NETO DESCARTA 2014 E EVITA FALAR DE REDUÇÃO DA TARIFA DE ÔNIBUS

ACM Neto descarta - por enquanto - 2014.

ACM Neto descarta – por enquanto – 2014.

Marival Guedes

Salvador – O prefeito ACM Neto anunciou hoje (11) no programa Acorda Pra Vida (Tudo FM) que no dia 25 deste mês assina decreto com medidas sobre o transporte coletivo em Salvador, mas não mencionou redução da tarifa nem citou o Movimento Passe Livre (MPL).

Ele falou que vai implantar gradativamente o bilhete único para permitir que o passageiro não pague a segunda “perna”, esse R$ 1,40 que é a segunda passagem. Também será ampliado o benefício do “Domingo é Meia” e implantado o sistema de monitoramento eletrônico com um sistema de GPS de controle de todos os ônibus.

O prefeito adiantou também que vai fazer a concessão do serviço com renovação da frota , revisão das linhas, sistema de corredores exclusivos de ônibus (neste aspecto levou projeto para o Governo Federal no total de 900 milhões de reais) integração da Estação da Lapa com o Iguatemi. Além disso, há quatro outros corredores exclusivos, com recursos do governo do estado.

CANDIDATURA EM 2014

O jornalista Levi Vasconcelos disse que “todas as pesquisas apontam ACM Neto como líder absoluto na disputa para o governo do estado”. E completou: “Ele tem dito que não será candidato, mas já disse também que não seria candidato a prefeito de Salvador”, para concluir com a pergunta: E aí, ACM Neto?”.

O prefeito não comentou sobre as negativas com relação a candidatura no ano passado, mas negou com veemência que seja candidato ao governo do estado em 2014:

“Não serei candidato a governador em nenhuma hipótese. Está completamente descartado. Primeiro por que quando me elegi prefeito havia e há uma grande esperança depositada no nosso trabalho. Eu não posso frustrar esta esperança da população. Segundo, todos os grandes projetos deste governo vão se tornar reais entre 2015 e 2016. Eu quero colher estes frutos. Até abril do ano que vem eu vou arrumar a casa.Eu fui eleito pra ser prefeito de quatro anos e ficarei até o último dia do meu mandato.”

ACM NETO FALTA A AUDIÊNCIA E MEMBROS DO MPL CHAMAM PREFEITO DE “OMISSO E COVARDE”

Manifestantes lotaram centro de cultura e "homenagearam" ACM Neto (Foto Marival Guedes/Pimenta).

Manifestantes lotaram auditório e “homenagearam” Neto (Foto Marival Guedes/Pimenta).

Marival Guedes

Salvador – O prefeito ACM Neto não compareceu à audiência pública realizada hoje (11) pela Câmara de Vereadores de Salvador, proposta pelo Movimento Passe Livre (MPL). O poder executivo foi representado pelo subchefe de gabinete, Luís Antônio Galvão, que não se comprometeu com nenhuma das reivindicações do MPL. O grupo cobra passe livre e redução de tarifa de R$ 2,80, dentre outros pontos.

Os manifestantes vaiaram e acusaram o prefeito de ser “omisso e covarde”. Também criticaram a ausência do governador Jaques Wagner que foi representado por Adélia Andrade, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). O Sindicato de Transporte de Passageiros de Salvador (SETPS) também não compareceu.

O longo encontro no Centro de Cultura da Câmara começou às 14h15min e terminou às 18h20min. Se pronunciaram aproximadamente 50 pessoas, entre vereadores, representantes do MPL e de outras entidades.

A pequena capacidade do local para um evento deste porte (apenas 300 lugares) acabou causando tumulto, pois muitos integrantes do movimento foram impedidos de entrar e tiveram que assistir num telão instalado em um espaço ao lado do auditório.

No final o presidente do Legislativo, Paulo Câmara, disse que na próxima semana dá o primeiro passo com relação às reivindicações, promovendo reunião com os integrantes da Comissão de Transporte. As informações sobre o encontro serão encaminhadas para o governador Jaques Wagner e o prefeito ACM Neto.

Já o Movimento Passe Livre, que entregou a carta com as reivindicações na prefeitura no dia 27 do mês passado, se reúne no próximo domingo (14), às 14h, no Passeio Público do Teatro Vila Velha. No final os manifestantes gritavam: “boi, boi, boi, boi da cara preta, se não baixar tarifa a gente pula a roleta”.

DILMA REÚNE-SE COM MOVIMENTOS SOCIAIS EM SALVADOR

Marival Guedes

A presidente Dilma Rousseff receberá representantes dos movimentos sociais às 9h, na base aérea em Salvador. A reunião foi decidida na última hora, mas dela não participa o Movimento Passe Livre, por decisão dos seus integrantes.

De acordo com informações obtidas pelo PIMENTA, as reivindicações do MPL serão encampadas por outras entidades do movimento social e entregues à presidenta.

Após este encontro, Dilma Rousseff participa de solenidade no Centro de Convenções, em Salvador, às 11h, quando lançará o Plano Safra do Semiárido e entregará ônibus para transporte de estudantes e máquinas para os municípios baianos.

Também no CC, a presidente deverá anunciar a política de garantia do preço mínimo para as culturas do cacau e do sisal, conforme antecipou ontem, em Ilhéus, o governador Jaques Wagner.

CARTA DO MPL CRITICA FELICIANO E REPUDIA VIOLÊNCIA DA PM

Na carta aberta divulgada hoje (26), o Movimento Passe Livre  “repudia a violência promovida pela Polícia Militar às manifestações pacificas em Salvador e todo o Brasil” .

O MPL repudia, também, a violência, hostilidade e intolerância a militantes de partidos políticos tal qual aconteceu em São Paulo. A representante da UNE, Hortência Pinheiro, fala que isto “é fascismo e esclarece que o movimento é  apartidário, mas não antipartidário”.

O MPL critica ainda os gastos com a Copa do Mundo, o projeto conhecido como “Cura Gay”, a presença do pastor Marcos Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, além do projeto que cria o Estatuto do Nascituro e a internação forçada para dependentes químicos.

No documento o movimento defende os dez por cento do PIB para a educação, 100% dos recursos do petróleo para as áreas sociais, reforma política e desmilitarização das polícias no Brasil.

O grupo diz esperar ter deixado claras suas reivindicações e posicionamentos “com o intuito de não dá margem a equívocos e invasão do movimento por grupos oportunistas com pautas conservadoras”.  Eles finalizam o documento dizendo esperar agora uma resposta da prefeitura e governos federal e da Bahia. Marival Guedes, de Salvador.

SALVADOR: MOVIMENTO QUER REDUÇÃO DE TARIFA DE ÔNIBUS E MUDANÇA DE NOME DE AEROPORTO

Os coordenadores do Movimento Passe Livre concederam entrevista coletiva, nesta tarde (26), em Salvador, para apresentar os 21 pontos de documento que entregarão amanhã ao prefeito ACM Neto.

Dentre os principais pontos, estão a redução imediata da tarifa de ônibus (hoje é R$ 2,80), frota circulando 24 horas, passe livre para estudantes – inclusive de curso pré-vestibular – , ampliação e renovação da frota e a criação do bilhete único que permita 4 viagens no prazo de até 3 horas.

AEROPORTO 2 DE JULHO

Os coordenadores do movimento lembram que Salvador tem uma das tarifas mais caras entre as capitais do país e a mais alta do Nordeste. O Movimento Passe Livre também cobra que o aeroporto de Salvador volta a ser, oficialmente, 2 de Julho. Hoje o terminal soteropolitano leva o nome do ex-deputado Luís Eduardo Magalhães, tio do prefeito de Salvador.

Outro ponto é a ampliação da meia tarifa também para feriados e não só aos domingos. Extinção da taxa para recadastramento do Salvador Card, investigação dos gastos com a construção do metrô – que ainda não foi concluído e o projeto Cidade Bicicleta, de construção de ciclovias, projeto que prevê construção de 217 quilômetros de vias exclusivas para bicicletas.

UNIVERSO PARALELO

PASSE LIVRE E A CONTRADIÇÃO ABERTA

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1SimancaOs tipos mais conservadores, que querem tratar os movimentos sociais na pancada, uniram-se aos progressistas, em apoio ao Movimento Passe Livre (MPL), escancarando uma contradição. Coerente mesmo foram as PMs da Bahia e de São Paulo, fazendo o que é da sua tradição fazer: baixar o pau (v. charge de Simanca). Cientistas sociais e palpiteiros em geral estão incertos quanto ao que pretende a massa: vagamente, menos corrupção, mais educação (quase criei uma “palavra de ordem”), mais saúde pública, menos futebol, mais seriedade com o dinheiro público, menos safadeza…  No atacado, todos aprovamos esta pauta, mas falta a ela o varejo, o foco concreto e claro.

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Movimento (ainda) simpático à direita

Tem sido uma festa protestar contra tais coisas (e ainda a sogra chata, o vizinho ranzinza e o preço do tomate), mas não me divirto tanto. Entendo ser este um movimento de esquerda (se me permitem usar a velha classificação francesa, para mim ainda válida). E a direita não tarda a tratar essa turma como trata índios, sem-terra e semelhantes, todos incluídos na vasta lista de “baderneiros”. Por menos disso ela já derrubou um presidente e pôs o Brasil em “ordem unida” durante 21 anos, enquanto arrancava as unhas dos descontentes. Freado o aumento das tarifas, o MPL, ao voltar às ruas (espero que volte), deverá focar-se em um dos muitos problemas nacionais.

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“DOR DE AMOR DÓI MAIS DO QUE BURSITE”

3Dor de amorO verbo amar transitivo indireto (com a preposição “a”) foi, em tempo que longe vai, exclusivo jargão religioso. “Amar a Deus sobre todas as coisas”, está grafado na tábua. A gramática quer, em relação a coisas e pessoas, o verbo não preposicionado. Amar era também de uso menos extenso: homens amavam mulheres, mulheres amavam homens, homens e mulheres amavam suas mães, estas os amavam sem medidas… Os para-choques repetiam uma frase produzida por alguém de coração dilacerado (ou vítima de crônica subliteratura): “Amor só de mãe!” – ai que me embriago de tanta poesia! Compreende-se. Quem leu Rubem Braga sabe que “dor de amor dói mais do que bursite”.
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Velha calça desbotada ou coisa assim
Voltando ao amar transitivo direto, diga-se que ele foi “democratizado”. Amavam-se pessoas, hoje se ama praia, macarrão com queijo, sorvete de coco, carro novo, a velha calça desbotada e, de moto, ama-se o vento na cara. São modismos que o tempo nos traz: conheço uma jovem senhora que ama seu iPhone de recentíssima geração (será isto o chamado sexo virtual que nunca entendi?). A boa linguagem, pela qual poucos na mídia ainda se interessam, recomenda que se goste das coisas citadas acima, sendo vedado amá-las. Se, por acaso, alguém não sabe a diferença entre gostar e amar, que tente beijar uma máquina. Adianto-lhes que não funciona, a não ser que seja uma… “máquina”.
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5Batata fritaAdoração ao arroxa e à batata frita
Cartola, em licença poética escreveu: “Não quero mais amar a ninguém…”, e caiu em “erro”, por usar a forma “religiosa” (“Não quero mais amar ninguém”, diz a norma). E quase tudo que foi dito vale para o verbo adorar, que igualmente nos remete à igreja. Adorar só a Deus e signos sagrados, era assim que era. Depois, o povo, que não está nem aí para gramáticas e gramáticos, mudou a regra. Hoje, com todo respeito, adora-se batata frita, novela de tevê, show de arrocha e de dupla “caipira”. Pelo sentido “clássico” do termo, tem-se a ideia de que o maluco se ajoelha diante do pacote de fritas e também genuflectido assiste à novela das nove. Medonhos tempos, estes.

QUEM DERA QUE ESSA RUA FOSSE MINHA!…

As ruas nos falam de dados momentos, lembranças que ficaram. “Se essa rua fosse minha/ eu mandava ladrilhar/ com pedrinhas de brilhante/ só pra ver meu bem passar”, diz o antigo frevo Vassourinhas. Antônio Maria (“o bom Maria”, como o chamava Vinícius, seu colega de quarto), morando no Rio e, ferido de saudades da terrinha, abre seu Frevo nº 3 dizendo: “Sou do Recife, com orgulho e com saudade”, para depois introduzir “Rua antiga da Harmonia,/ da Saudade, da Amizade e da União…/ São lembranças noite e dia”. Em poucos versos, quatro ruas de nomes sonoros, que mexem com os sentimentos da gente: harmonia, saudade, amizade, união.
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7AlceuMachado de Assis fala das ruas do Rio

Meu endereço em Buerarema era Manuel Vitorino, 6 (esquina com Siqueira Campos) – mania que as pessoas têm por vultos estranhos à cidade. Isso mudou um pouco. Já temos na antiga Macuco as ruas Paulo Portela, Manuel Lins, Pastor Freitas – personagens locais e já mortos, comme il faut. Mas eu queria falar era do fascínio que os nomes de ruas exercem sobre mim e, pelo que vejo, em vários autores. Lembro aqui de três deles, tocando o tema: Machado de Assis, Antônio Maria e Alceu Valença. Nos contos de Machado é possível saber muito do velho Rio, pelas ruas que o mestre cita: Larga de S. Joaquim, da Alfândega, do Lavradio, da Quitanda e, naturalmente, do Ouvidor.

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Um amor que sumiu nas ruas do Recife

“Sob uma chuvinha miúda, triste e cortante, como no enterro de Brás Cubas, o menino passeia sua melancolia por estas ruas que, transeuntes apressados sequer suspeitam, lhe pertenceram um dia. E chora as mudanças: mudou a cidade, mudaram os tempos, mudou ele, que ficou depressivo e meio adulto, morreu de velha a caramboleira, silenciaram os sabiás e bem-te-vis da infância que se foi” (Antônio Lopes: Luz sobre a memória – Agora Editoria Gráfica/1999). Perdidão da Silva, Alceu Valença parece procurar seu amor sumido nas ruas do Sol, da Aurora, da Matriz, das Ninfas, da Boa Viagem, da Soledade – mas como sempre acontece em casos semelhantes, o esforço é vão.

(O.C.)

SALVADOR REGISTRA CONFRONTOS; WAGNER CONVOCA COLETIVA

Wagner fala dos confrontos na capital baiana em coletiva (Foto José Nazal).

Wagner fala dos confrontos na capital baiana em coletiva (Foto José Nazal).

A tarde de manifestações do Movimento Passe Livre em Salvador terminou em confronto de grupos e policiais militares no Campo Grande. Jornalistas e manifestantes reclamam de excessos da polícia na repressão aos manifestantes.

Os confrontos começaram no raio de dois quilômetros do Estádio Fonte Nova, a chamada “área da Fifa”, faixa que os manifestantes não poderiam cruzar. Há relatos de que o próprio Batalhão de Choque da PM “abriu espaço” para os ativistas, quando começou a “descer o malho”, com spray de pimenta e disparos. Um ônibus foi incendiado na Avenida Centenário em ação de vândalos. Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas, entre manifestantes e um policial.

O governador Jaques Wagner deve se pronunciar sobre os acontecimentos desta tarde e noite de quinta (20). Uma coletiva foi convocada para esta sexta (21), às 10h30min, no Salão de Atos do CAB.

MOVIMENTO PASSE LIVRE EM SALVADOR

A discussão sobre a tarifa e a qualidade dos transportes públicos chega a Salvador. Manifestantes criaram uma página no Facebook e convidam para hoje (15), às 14h, na Arena do Passeio Público (praça do Teatro Vila Velha), reunião para a “construção do ato de apoio ao Movimento Passe Livre”.

Eles vão discutir mobilidade urbana, ônibus 24 horas, ciclovias, acessibilidade e apoio ao passe livre. Segundo os organizadores, aproximadamente cinco mil pessoas já confirmaram presença. Eles adiantam que o movimento é apartidário, sem líderes e pacífico.








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