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:: ‘O Inspetor Geral’

TPI APRESENTA TEODORICO E O INSPETOR GERAL EM ITABUNA

Criações do TPI, Teodorico e O Inspetor são garantia de riso e reflexão.

Criações do TPI, Teodorico e O Inspetor são garantia de riso e reflexão.

Nesta quinta-feira (12) será a primeira vez que a peça Teodorico Majestade – as últimas horas de um prefeito entra em cartaz no Centro de Cultura Adonias Filho. A criação do Teatro Popular de Ilhéus (TPI) é sucesso de público e crítica. Em 2008, teve duas indicações ao Prêmio Braskem de Teatro nas categorias Melhor Texto e Melhor Ator.

É a mais pura demonstração da inteligência e da qualidade do teatro produzido no sul da Bahia. A sátira social e política, uma crítica ao modo de fazer político no interior do Brasil, terá apresentação única, às 20 horas, no CCAF.

A trupe do Teatro Popular de Ilhéus, no entanto, retorna ao palco do centro de cultura itabunense nas outras duas noites seguintes. Na sexta e no sábado (13 e 14), sempre às 20h, o TPI apresenta O Inspetor Geral.

Trata-se de outro sucesso de público. O Inspetor… é sátira que teve indicação ao Prêmio Shell de Teatro de 2012 na categoria Especial e ganhou os palcos do sul e sudeste do País. Apesar do sucesso lá fora, as duas peças são inéditas em Itabuna. As peças fazem parte do projeto itinerante do TPI.

SERVIÇO

Teodorico Majestade – as últimas horas de um prefeito
Quando: 12/09, às 20h
Local: Centro de Cultura Adonias Filho
Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)

O Inspetor geral
Quando: 13 e 14/09, às 20h
Local: Centro e Cultura Adonias Filho
Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)

TPI ESTREIA EM ITABUNA COM “TEODORICO” E “O INSPETOR GERAL”

Teodorico Majestade é um dos sucessos do Teatro Popular de Ilhéus (Foto Karoline Vital).

Teodorico Majestade é um dos sucessos do Teatro Popular de Ilhéus (Foto Karoline Vital).

O segundo final de semana de setembro será recheado de boas atrações teatrais no Centro de Cultura Adonais Filho, em Itabuna. Além do Comício Gargalhada, com o global Rodrigo Sant´anna, o palco do CCAF receberá duas peças do Teatro Popular de Ilhéus (TPI).

Teodorico Majestade – as últimas horas de um prefeito será encenada no dia 13 no palco do centro de cultura. No sábado (14), é a vez d´O Inspetor geral, outra grande criação do Teatro Popular de Ilhéus.

Teodorico… contra as desventuras de um prefeito de vários esquemas, enquanto O Inspetor… traz a saga de um vice-prefeito que ganha o poder com a cassação de Teodorico. As duas peças são inspiradas na crise política vivida em Ilhéus no último período da década passada.

A qualidade do texto, direção, produção e elenco fez com que as produções fossem indicadas a prêmios nacionais como o Braskem. Apesar de grande sucesso em temporadas em outros estados, as peças não tinham entrada em cartaz na vizinha Itabuna.

O “reparo” ocorre justamente no período em que o Teatro Popular de Ilhéus entra na “maioridade”: está completando 18 anos neste mês de agosto. Para comemorar a data, há programação especial na Tenda do TPI sempre de quinta a sábado, a partir das 20h. A partir de hoje e até sábado (15 a 17), a peça em cartaz é 1789, a mais nova produção ilheense.

QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA?

Estreia logo mais em Ilhéus a peça “O Inspetor Geral – sai prefeito e entra o vice”, uma sátira política inspirada na obra do russo Nicolai Golgol, porém com uma pitada de cultura nordestina, com uma forte incursão na literatura de cordel.

Quem for ao espetáculo vai conhecer figuras como Gilton Munheca, Jorge Paraíba e Cacau das Treitas, que aprontam mil e uma artimanhas na cidade fictícia de Ilha Bela. Todos fazem parte do grupo que sucedeu outro personagem de sucesso do Teatro Popular de Ilhéus: Teodorico Majestade, inspirado em algum prefeito de triste memória.

Dadas as inevitáveis comparações entre os personagens da ficção e algumas figuras da realidade ilheense, havia hoje um burburinho no Palácio Paranaguá, sede do governo municipal, onde Ilha Bela pode de repente se materializar, transformando o risível em lamentável. Nos corredores e salas, tinha quem apontasse o desconforto de algum secretário com uma suposta semelhança indigesta, mas não faltava gente morrendo de vontade de assistir à peça, que já fez sucesso em palcos de São Paulo, mas só agora chega a Ilhéus.

Um servidor do quadro de comissionados, demonstrando admirável coragem, afirmou que não somente  irá assistir, como dará boas gargalhadas. Só pediu para não ser identificado no PIMENTA, pois se diz corajoso, mas não doido.

Quem quiser ver e rir muito (pra não chorar) com “O Inspetor Geral” deve logo comprar seu ingresso na bilheteria do Teatro Municipal de Ilhéus, onde a peça dirigida por Romualdo Lisboa será encenada hoje e amanhã, a partir das 21 horas, e no domingo, com início às 20h.

O INSPETOR GERAL CHEGA PARA O PÚBLICO ILHEENSE

A peça “O Inspetor Geral – sai o prefeito, entra o vice” será encenada no Teatro Municipal de Ilhéus nos próximos dias 24 e 25, a partir das 21 horas, e dia 26, a partir das 20 horas.

Na cidade, será a estreia do espetáculo do Teatro Popular de Ilhéus, mas fora de casa os “santos” já fizeram “milagre”. O Inspetor estreou em maio do ano passado em São Paulo, com patrocínio do Sesi (Serviço Social da Indústria) e foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro. Neste primeiro semestre de 2012, a peça já tem agenda em Salvador e Curitiba.

Inspirado na obra de Nikolai Gogol, O Inspetor tem elementos de poesia e literatura de cordel, que servem para contar a história de Gilton Munheca, prefeito da fictícia cidade de Ilha Bela. Trata-se de uma sátira política, que dá sequência a outro sucesso do Teatro Popular de Ilhéus, a peça Teodorico Majestade – as últimas horas de um prefeito.

DÁ GOSTO DE VER

A turma boa do Teatro Popular de Ilhéus não cansa de encher de orgulho o ilheense que entende o valor da cultura.

Somente neste janeiro, o TPI responde sozinho por três excelentes notícias: foi indicado para o principal prêmio do teatro brasileiro, o Shell; tem espetáculo selecionado para o Festival de Teatro de Curitiba e será um dos temas de uma série de documentários da Sesc TV.

Em 2011, o Teatro Popular brilhou em palcos cariocas e paulistas, obtendo destaque junto ao público e à crítica especializada. E continua com a agenda cheia de compromissos no sudeste este ano, com o espetáculo “O Inspetor Geral”.

2011: ANO DE OURO PARA O TEATRO POPULAR DE ILHÉUS

Cena de "O Inspetor Geral...", sucesso do Teatro Popular

Fazendo uso de uma expressão popular, dá para dizer que o Teatro Popular de Ilhéus “bombou” em 2011. A sátira, mesclada com crítica social e política, tudo isso apresentado em forma de literatura de cordel, conquistou público e crítica com “Teodorico Majestade, as Últimas Horas de um Prefeito” e sua sequência, “O Inspetor Geral: sai o prefeito, entra o vice”.

Em maio, Teodorico participou da V Mostra Latinoamericana de Teatro de Grupo, em São Paulo, e recebeu críticas positivas de Sebastião Milaré e do colombiano José Assad. Milaré incluiu o TPI na série de documentários “Teatro & Circunstância Nacional”, da Sesc TV. A gravação será no próximo dia 28.

“O Inspetor…”, também um grande sucesso, continua brilhando nos palcos de São Paulo desde o primeiro semestre, com terceira temporada em Sampa agendada para fevereiro do ano que vem, no Teatro Ruth Cardoso. Antes disso, acontece a estreia na Bahia: dia 5 de dezembro, às 19h30min, no Largo Quincas Berro D’Água, no Pelourinho, dentro do projeto Verão Cênico, da Fundação Cultural do Estado.

Em 2012, “Teorico Majestade” será encenada em 22 assentamentos de reforma agrária no sul da Bahia. A proposta do TPI, premiada pela Funarte, é levar teatro de qualidade para famílias de pequenos agricultores.

Viva o Teatro Popular de Ilhéus!

 

Romualdo Lisboa: “A gente faz a desconstrução do marketing”

Em 2007, quando o governo do prefeito Valderico Reis em Ilhéus se afundava em uma sucessão de escândalos, os principais personagens daquela história política macabra se transportaram, em forma de verdadeiros mondrongos, para os palcos e ruas de Ilhéus. Surgia Teodorico Majestade, o prefeito da fictícia Ilha Bela, e todo o seu “staff” de malandros.

Criação de Romualdo Lisboa, encenada pelo Teatro Popular de Ilhéus, Teodorico é um tapa na cara da classe política, a vingança do povo ou a “desconstrução do marketing”, como diz o autor. A peça, indicada para dois prêmios Braskem, foi encenada no Rio de Janeiro e participou recentemente da 6ª Mostra Latino Americana de Teatro, em São Paulo. Sucesso de público e crítica, teve casa cheia todos os dias numa temporada de dois meses na capital paulista.

Sai o prefeito, entra o vice. Agora é a vez do Inspetor-Geral, que estreou em São Paulo e ainda terá uma temporada de dois meses por lá, antes de chegar a Ilhéus. Com sua linguagem universal, o Teatro Popular conquista outros palcos.

Leia abaixo os principais trechos do bate-papo do PIMENTA com o criador de Teodorico e do Inspetor :

PIMENTA – Como vocês chegaram à Mostra Latino-Americana?

Romualdo Lisboa – É a Cooperativa Paulista de Teatro que faz um levantamento das produções, sai para ver coisas. No nosso caso, eles sabiam que a gente já tinha feito temporada no Rio, Salvador e havíamos sido indicados para dois prêmios Braskem, o que despertou o interesse. O curioso é que durante a mostra, a crítica para a maioria dos espetáculos não foi boa. Eles contratam críticos de todos os países que participam e cada espetáculo é avaliado por dois deles. No começo, as análises estavam muito ruins, o que deixou os organizadores preocupados.

PIMENTA – Até Teodorico entrar em cena…
RL – Aconteceu que alguns espetáculos, antes do fim da semana, começaram a ganhar uma crítica bacana. Os da Colômbia e da Argentina, por exemplo, ajudaram a melhorar a crítica. O nosso espetáculo estava programado para o final e a opinião dos críticos foi muito boa. O resultado foi que Teodorico acabou fazendo a primeira temporada longa naquele teatro do Sesi e iniciou um projeto de vincular mais a comunidade da zona leste de São Paulo àquele espaço cultural.

PIMENTA – Eles já conheciam a experiência do Teatro Popular em Ilhéus?

RL – Eles conhecem a nossa identidade aqui na região, sabem como nós tornamos a Casa dos Artistas mais próxima da comunidade, como a gente vai para os bairros, os distritos. Essa política do grupo lhes interessou para aquele espaço. Estrategicamente foi bacana, porque a gente lotou sempre. Os ingressos eram reservados para três, quatro semanas. Estreamos no dia 13 de maio e ficamos até 2 de julho, realizando nesse período 32 apresentações.

 

Tinha gente que chegava e dizia: ‘vocês estão falando de Campinas? Porque tá acontecendo isso lá em Campinas’.

 

PIMENTA – Isso significa que o público paulista entendeu perfeitamente a mensagem de Teodorico
RL – Isso foi muito legal. Tinha gente que chegava e dizia: “vocês estão falando de Campinas? Porque tá acontecendo isso lá em Campinas”. Ou seja, a história não é só de Ilhéus, ela é universal.

PIMENTA – Vocês tinham ideia da dimensão que a peça tomaria quando começaram a encená-la na rua e até em frente à Prefeitura de Ilhéus (no período de crise política que levou à cassação do então prefeito Valderico Reis)?
RL – Não tínhamos a menor ideia. Teodorico eu escrevi com raiva e aquilo me deixou muito mal no começo. Houve uma cobrança das pessoas, que chegavam ali da janela (da Casa dos Artistas) e gritavam : “e aí, vocês não vão fazer nada não, é?”. Eram professores, gente da imprensa, que estavam indignados com aquela sequência de escândalos.

PIMENTA – Você conseguiu transformar essa raiva em um negócio engraçado.
RL – É, à medida que ia escrevendo, eu perdi a raiva e o negócio começou a ficar tão engraçado que a gente decidiu fazer uma pesquisa sobre literatura de cordel. O texto de Teodorico foi todo escrito em cordel, em sextilhas. Foi muito divertido. Em vez da gente fazer uma coisa com raiva, agredindo de maneira panfletária, a gente fez uma brincadeira.

PIMENTA – Que é muito mais eficaz…
RL – Com certeza, o humor é muito mais poderoso. O então prefeito de Ilhéus me encontrou algumas vezes e virou a cara, gritou, me xingou, e eu me divertia demais com aquilo. Havia uma evento grande, nós íamos mesmo sem sermos convidados. Os personagens estavam lá na porta, tocando, cantando, e de repente o prefeito chegava e via, e se via, era um inferno. Chegou num nível de estresse dele com isso que o então presidente da Fundação Cultural, Arléo Barbosa, negou uma pauta pra gente no Teatro Municipal. Ele dizia que até liberava a pauta, desde que a gente não encenasse Teodorico. Dizia assim: “ah, vocês têm tantos espetáculos legais, façam os outros, esse não”. Arléo Barbosa é uma pessoa super gente fina, mas estava numa situação em que não tinha autonomia. Como a gente não aceitava deixar de encenar a peça, ele aconselhava: “então fale com o prefeito”. Eu fui falar e o prefeito me enxotou de lá. O segurança dele é que interveio para que ele não me batesse. No dia seguinte, a gente colocou em todos os jornais que o prefeito havia censurado Teodorico Majestade no teatro.

 

Um começa a entregar o outro, até que o prefeito toma uma decisão. Eu não sei se na vida real isso é possível, mas na nossa história acontece.

 

PIMENTA – Quanto tempo durou a censura?

RL – A notícia saiu no sábado e a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Ilhéus) nos convidou para participar no mesmo dia de um almoço oferecido à imprensa. Eles pediram que levássemos algum espetáculo nosso e é claro que a gente levou Teodorico (risos). O prefeito estava lá e a gente encenou a peça diante dele. Naquele momento, meio na pressão, ele anunciou que o espetáculo poderia ser apresentado no teatro. Isso foi menos de 24 horas depois dele ter me enxotado da Prefeitura.

PIMENTA – E O Inspetor…?
RL – O Inspetor é a segunda parte de Teodorico. Sai o prefeito, entra o vice Gilton Munheca. Ele e a família estão numa situação muito bacana, vivendo dias muito felizes. A mulher vive na capital, só anda no luxo. Ele distribuindo uísque, fazendo festas. O irmão dele, Zé de Minga, é o responsável pelas festas. É uma orgia o tempo inteiro.

PIMENTA – Até que…
RL – Aí surge uma carta, avisando da chegada de um Inspetor-Geral, que viria em missão secreta para apurar todos os malfeitos. Então eles ficam alucinados: Gilton Munheca, Cacau das Treitas, Pai Didão, Jorge Paraíba e a mulher do prefeito, que na nossa história é a secretária de Educação. E um começa a entregar o outro, até que o prefeito toma uma decisão. Eu não sei se na vida real isso é possível, mas na nossa história acontece (risos). Ele toma a iniciativa de mandar arrumar a casa. Manda colocar funcionários para melhorar a limpeza das ruas, pintar meio-fio, consertar aqui e ali, trocar luz dos postes…
Nesse ínterim, surge a história de que tem uma pessoa estranha na única pensão da cidade. Aí eles entendem que só pode ser o inspetor geral e vão tentar comprar o cara. O prefeito leva o dito inspetor-geral pra casa, cada um leva um dinheirinho e o cara fica cheio de grana. No final das contas ele vai embora noivo da filha do prefeito, já perto do casamento, mas há uma série de outros fatos que complicam toda essa história.

PIMENTA – Na essência, o que tem de diferente nessa história em relação à de Teodorico?
RL – Diferentemente de Teodorico, O Inspetor-Geral… traz uma outra perspectiva desse universo. É quase um processo de expiação. A gente promove uma vingança no Teodorico, a gente se vinga dele e de todos os outros. E no Inspetor-Geral, a gente só constata esse tipo com quem a gente está lidando. Em seu discurso final, o prefeito diz assim: “Somos porcos miseráveis, grandes ratos abomináveis”. Ele e todos os demais acabam se enxergando como um mal para a sociedade.

PIMENTA – E o público acaba os enxergando como de fato são…
RL – A ideia é fazer a identificação dessa espécie de gente. É preciso que o público, quando vir na TV aquele discurso muito bem arrumado, ele enxergue as deformações daquele discurso. A gente faz a desconstrução do marketing, precisa fazer.

PIMENTA – Quando O Inspetor estreia em Ilhéus?
RL – Só depois que a gente encerrar o contrato com o Sesi de São Paulo, que inclui uma próxima temporada em outubro e novembro, no teatro da Vila das Mercês. É possível ainda uma temporada extra, de um mês, que pode ser em dezembro ou janeiro. Isso significa que provavelmente só em fevereiro a gente esteja aqui em Ilhéus com o espetáculo.

A HORA E A VEZ DE GILTON MUNHECA

Teodorico Majestade projetou o Teatro Popular de Ilhéus com a história de um prefeito atrapalhado da cidade fictícia de Ilha Bela. Mas o gestor foi sucedido por outra figura controvertida, o antigo vice Gilton Munheca. É ele o principal personagem da peça “O Inspetor Geral”, nova montagem do TPI, que estreou este mês no Centro de Atividades do Sesi em São Paulo.

Na peça, Gilton Munheca aprende as “regras do jogo” e se vê envolvido em uma rede de conchavos e desvios. Tem como parceiros de tramoias os astutos Pai Didão, Cacau das Treitas e Jorge Paraíba.

A peça tem no elenco os atores Hermilo Menezes, Tânia Barbosa, Potira Castro, Takaro Vítor, Guilherme Bruno, Ely Izidro, Aldenor Garcia, Rogério Matos e Elielton Cabeça. O texto e a direção são de Romualdo Lisboa.

O espetáculo tem patrocínio do Sesi-SP e fica em cartaz na capital paulista até o dia 2 de julho.

O GRAU MAIS ALTO DA CAPACIDADE HUMANA

Romualdo Lisboa | [email protected]

Em meados de 2007, Ilhéus, cidade do Sul da Bahia, passava por um momento histórico bastante incomum: o povo saiu às ruas para exigir a renúncia do prefeito, que implantou “um mar de lama” na máquina administrativa municipal. O que esse fato tem a ver com um grupo de teatro? É que no final de 2006, o Teatro Popular de Ilhéus estreou um espetáculo que ganhou os bairros, distritos, espaços culturais, associações de moradores, igrejas, terreiros de candomblé… Teodorico Majestade – as últimas horas de um Prefeito foi uma exigência do público que frequenta a Casa dos Artistas – sede do grupo e espaço cultural de grande importância para o movimento artístico da região. A montagem nasceu de uma necessidade urgente de dialogar com a sociedade sobre seu papel diante dos fatos que estampavam as primeiras páginas dos jornais.

Mas, para além do discurso político, do enfrentamento de problemas sociais o Teatro Popular de Ilhéus traz em seu Teodorico uma postura estética que privilegia a cultura popular em suas manifestações, ressaltando o protagonismo das comunidades afastadas do “Centro”, mas que formam os “outros centros”. E foi de bairro em bairro, de apresentações seguidas de debates sobre cidadania, que um movimento foi tomando conta das ruas, chegou à Câmara de Vereadores e inflamou uma cidade a dizer não à corrupção. E o Prefeito foi afastado.

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