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:: ‘Ousarme Citoaian’

COLUNISTA DO PIMENTA APLAUDE LEITOR QUE NOS CONDUZ À MITOLOGIA AFRICANA

vergerO colunista Ousarme Citoaian, deste blog, agradeceu ao leitor Yan Santos “pela ajuda quanto a Pierre Verger e à condução de todos nós à mitologia africana”.  Por telefone, O. C. disse ao Pimenta que o candomblé ainda é motivo de práticas preconceituosas, e que se orgulha de sua coluna servir como espaço de reação. “Não frequento nenhum tipo de religião, mas entre a ideia de um Deus único, poderoso e concentrador, e deuses com funções específicas (como na mitologia greco-romana e no candomblé), prefiro esta última fórmula”.

O. C.dedicou atenção a todos os comentários. A alguém que o elogiou, disse: “E se mais não falo é porque a modéstia me sufoca”. Depois, destacou que ser chamado de mestre na mesma edição (“e adeus, modéstia”) “é muito mais do que minha santa mãezinha sonhou para mim”.

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COLUNISTA PERGUNTA SE A INTERNET REPRESENTA O FIM DA GENEROSIDADE

LipovetskyO colunista Ousarme Citoaian, que assina aqui no Pimenta, aos domingos, o Universo Paralelo, afirma que os comentários em blogs “são feitos sem luvas de pelica, às vezes com aguilhões, espinhos e vitríolo”. Ele se pergunta se a internet acabou com a generosidade, tirando dos leitores “a hipocrisia que é usada em sociedade”.

Em resposta aos comentários desta semana, ele registra a observação de um leitor que acha os textos “acadêmicos demais”, destaca um comentário sobre o filme Paris à Meia-Noite e emprega palavras do mesmo leitor, ao dizer que a soma jazz+Paris, feita por um diretor genial, “é uma celebração da vida e dos sonhos”.

Sobre a leitora “Lúcia Menezes”, que fez um texto político (protestando na área das artes), ele se disse “surpreso” com a referência ao filósofo francês Gilles Lipovetsky, guru da hipermodernidade. Diz O. C. que “só por tais descobertas já vale trabalhar”.

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LUIZ GONZAGA: O REI NORDESTINO E NEGRO (OU PARDO) QUE O POVO DO BRASIL ELEGEU

chuckEm sua conversa semanal com os leitores, Ousarme Citoaian (que assina a coluna UNIVERSO PARALELO aqui no Pimenta) diz que, na questão do preconceito, “o Brasil esteve bem à frente dos EUA”, pois “elegeu um Rei do Baião, negro (ou pardo) e nordestino chamado Luiz Gonzaga”. O colunista se referia às relações históricas entre Elvis Presley e Chuck Berry – para muitos críticos, o verdadeiro “pai” do rock. Só que o mercado fez o gênero “fugir das mãos de Chuck Berry e ir parar no colo de Elvis Presley, feito Rei do Rock”.

Especialistas apostam que Berry perdeu a parada por ser negro, enquanto Elvis,“bem apessoado”, tinha o perfil “adequado” para subir os degraus da glória. Entre nós, para felicidade geral da Nação, Luiz Gonzaga – apesar de muita gente torcer o nariz para pardos e nordestinos, foi em frente e construiu fama.

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O COLUNISTA E AS CONFRATERNIZAÇÕES: “ENCONTRO DE MAIS DE TRÊS É COMÍCIO”

Amália RodriguesConcordando com um leitor que abomina certas confraternizações natalinas, Ousarme Citoaian, da coluna UNIVERSO PARALELO, aqui no Pimenta, se disse “não muito chegado” a ajuntamentos e que, “quase sempre, encontro de mais de três é comício”. Mas reconheceu que se dá bem em algumas reuniões em que “os chatos não foram convidados” e “ninguém fala me segurando, como se eu pretende fugir (será que advinham?)”.

Sobre linguagem, ele defende uma forma que utilizou (“a mim me encantam”), que considera “uma deliciosa redundância, mais ao gosto lusitano do que ao nosso”. E lembra de outra, “irmã gêmea”, igualmente saborosa, ouvida em Foi Deus (fado que Alberto Janes fez para Amália Rodrigues): “… e deu-me esta voz a mim”.

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COLUNISTA FAZ DEFESA DE “BEST-SELLERS”

Na contramão da crítica literária convencional (que costuma torcer o nariz a todo autor que vende muito), o colunista Ousarme Citoaian, do UNIVERSO PARALELO, disse nada ter contra os “best-sellers”. Ele destacou, entre estes, Os sete minutos, de Irving Wallace (grande êxito de vendas nos anos setenta), tratando da liberdade de expressão, em torno de um livro proibido por ser obsceno.

Para O. C., ninguém tem de prender-se à lista oficial dos críticos (da mesma forma com a lista dosmais vendidos), mas permitir-se o prazer da própria descoberta. Ao Pimenta, o colunista disse já ter lido “quase tudo” de Agatha Cristie, muito Connan Doyle (Sherlock Holmes), Raymond Chander, Ross Macdonnald e outros. “Nem só de Hemingway, Sthendal, Guimarães Rosa, Dostoiévski e Machado de Assis se faz o prazer da leitura”, brincou.

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UNIVERSO PARALELO

DA IMPENSADA VANTAGEM DE NASCER ADULTO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Volto à leitora não atendida. Afinal, quem é Ousarme Citoaian? – ela pergunta. E eu riposto: sou uma criação meio insana de jornalista desempregado, uma inutilidade que deu certo. Feito personagem de ficção, já nasci adulto, de barba na cara, o que foi um golpe de sorte, pois não sofri os achaques típicos: sarampo, catapora, acne juvenil, adolescência e outras mazelas, como bilu-bilu de senhoras ociosas. A criação não recebeu incenso e mirra (que querem?), mas ganhou tantos elogios que quase fica irremediavelmente estragada. O criador teve de puxar-lhe as orelhas (em sentido figurado, é óbvio, que a Lei da Palmada não é graça!), a fim de lhe dar uma pitada de juízo e modéstia.

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Para os realistas, a Fênix é só um mito

Você saiu de um hino… Deve ser a prova provada da doce insanidade do meu “pai”, que se gaba de umas tinturas francesas. Sou a pronúncia figurada de Aux armes, citoyens! (Às armas, cidadãos!) – grito de guerra tirado d´A Marselhesa. Quer dizer que seu criador é um guerreiro, um incendiário? Menos, menos. Ele se define como um cangaceiro domesticado, mas é, aqui pra nós, um romântico. Tanto isso é verdade que, às vezes, deseja tocar fogo no mundo, na doce ilusão de que das cinzas será possível nascer algo que preste. Eu, mais realista, sei que a Fênix é só um mito. Afinal, Ousarme Citoaian é pseudônimo ou heterônimo? Até parece que eu mergulho a profundidades tais…

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Duas escritas e uma só crítica no mundo

Mas creio que minha escrita é outra: também crítica do mundo, porém mais cuidada, mais “erudita”, mais (se posso dizê-lo) elegante. Visto assim, sou um heterônimo, pois faço uma “literatura” diferente dele. Como eu disse, sou seu “outro eu”, um tantinho metido a gato mestre, sem esconderijo de falso nome, o que, de resto, não é novidade. Vasta é a linhagem de pseudônimos/heterônimos identificados: Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), Aloísio de Carvalho (Lulu Parola), Alberto Hoisel (Zé… ferino e outros), Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde), Aurore Dupin (George Sand) e, encerrando minhas lembranças, Fernando Pessoa (Ricardo Reis, Álvaro de Campos e vários outros).

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TITULAR É REUNIR TERMOS INCOMPATÍVEIS

Falamos aqui há dias da “arte” de combinar palavras para obter o efeito desejado. Mas deixamos de mostrar exemplos, o que fazemos agora, lembrando alguns títulos de livros. Bons títulos parecem, na maioria das vezes, associações de termos incompatíveis à primeira vista – e talvez por isso causem belo efeito. Aqui está uma listinha modesta, a que a gentil leitora e o atento leitor (se cultivam essa já quase extinta paixão pelos livros) acrescentarão os de sua preferência. Vamos à “mistura”: Telmo Padilha denominou sua primeira publicação (1956) de Girassol do espanto; Jorge de Souza Araújo ganhou importante prêmio nacional com Floração de imaginários, Cyro de Matos é autor de O mar na rua Chile.

“As luas obscenas” de Hélio Pólvora

Titulação é arte. Euclides Neto, bom escritor, titulava mal – o que explica um romance chamado Machombongo. Marcos Santarrita fez Danação dos justos (vale citar também A solidão do cavaleiro no horizonte), Hélio Pólvora estreou em romance com Inúteis luas obscenas. O “gringo” Raduan Nassar escreveu poucos livros, mas é mestre em títulos: Lavoura arcaica e Um copo de cólera. Um estudo de Monique Le Moing sobre as deliciosas memórias de Pedro Nava chamou-se A solidão povoada, o espanhol Carlos Ruiz Zafón escreveu o best-seller A sombra do vento, e os leitores desta coluna, todos, leram Cem anos de solidão, de Garcia Márquez. Penso que estas poucas referências são suficientes para chegar ao nosso cqd.

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GUIMARÃES ROSA E SUA INFLUÊNCIA NA MPB

Descobri Luiz Cláudio, cantor, compositor e pesquisador das coisas de Minas, lá pelos anos setenta e fiquei abismado com a “parceria” dele e Guimarães Rosa:
“O galo cantou na serra/ da meia-noite pro dia/ o touro berrou na vargem/ no meio da vacaria/ coração se amanheceu/ de saudade que doía”. O galo cantou na serra só era novidade para minha ignorância. Em 2008, a historiadora Heloísa Starling (da Universidade Federal de Minas Gerais), após longa pesquisa, afirmou que o autor de Sagarana talvez seja o escritor de maior influência sobre a canção brasileira. “Há música espalhada por toda a obra de Rosa”, diz a professora.

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“O capeta tocando viola rio abaixo”

Para Heloísa Starling, essa musicalidade de JGR vem do próprio sertão, dos sons da natureza, do silêncio “e até do capeta tocando viola rio abaixo”, além do uso que ele faz da linguagem. Em Rosa, as palavras não têm apenas significado, mas sons e ritmos. Canções com influência roseana são muitas, nem sempre explícitas à primeira audição. Heloísa cita, além de O galo cantou…, Assentamento (de Chico Buarque para o MST), Travessia (Milton Nascimento-Fernando Brant), A terceira margem do rio (Caetano Veloso-Milton Nascimento), Sagarana (João de Aquino-Paulo César Pinheiro), Língua (Caetano Veloso) e Matita perê (Tom Jobim-Paulo César Pinheiro).

Um sujeito bom como cheiro de cerveja

Não encontrei menção da pesquisadora a Desenredo, a minha preferida nessa “parceria” de Rosa com a MPB. É letra do grande Paulo César Pinheiro, com melodia de Dori Caymmi, baseada no conto revolucionário, renovador do gênero, que tem este nome (está em Tutameia – Terceiras estórias). É a história de amor de Jó Joaquim, um sujeito “quieto, respeitado, bom como o cheiro de cerveja”. No vídeo, não sei o que mais me umedece os olhos: o ousado arranjo vocal (como sempre) do Boca Livre, a beleza suave, doce e dolorosamente jovem de Roberta Sá em harmonia com os “velhinhos” do grupo, os lindos versos ou a melodia compatível. Talvez, o conjunto da obra.

(O.C.)

COLUNISTA SE DIZ “LAVADEIRA CUIDADOSA”

Ao responder a um comentário, Ousarme Citoaian (signatário do UNIVERSO PARALELO, publicado semanalmente pelo Pimenta) afirmou não ser “uma hábil lavadeira”, como dissera o leitor (empregando uma expressão de Graciliano Ramos), mas “uma lavadeira cuidadosa”, no trabalho com o texto. “Se percebo uma mancha, lavo de novo, querendo que minha frase ´saia da oficina sem um defeito´”, a conhecida receita de Olavo Bilac para o verso parnasiano.

Ele acrescenta que o erro por imperícia é perdoável no profissional, mas o erro por preguiça, não. Sobre a conceituação “literalmente fantástica” de um mundo paralelo, apresentada por uma leitora, O. C. classificou como “genial” a ideia de “um grupo de baratas correndo e gritando, com medo das mulheres”.

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FALANDO DE PRESUNÇÃO, COLUNISTA DIZ QUE “NO CEMITÉRIO TODOS SE IGUALAM”

Ao responder a uma leitora sobre as incertezas da vida, o colunista Ousarme Citoaian (que assina a coluna UNIVERSO PARALELO aqui no Pimenta) disse que também ele emprega expressões do tipo “penso”, “parece” e semelhantes, por não ter “propriedade sobre as tais certezas certas”. O jornalista “pensa” que quem não duvida de si mesmo se transforma em morada da presunção – sendo esta “irmã siamesa da arrogância e da empáfia, e inimiga inconciliável da humildade”.

O titular do UP repete o conselho que um amigo seu ouviu do pai: “ao se sentir cheio de afetação e superioridade, visite o cemitério, para ver como, no final das contas, ali todos se igualam” – e lembra um curioso diálogo de José Lins do Rego e Graciliano Ramos, sobre o pessimismo deste.

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“VINTE SÉCULOS NÃO BASTAM PARA SEPARAR SÓCRATES E DESCARTES”, AFIRMA COLUNISTA

Em resposta aos leitores, sobre questões metafísicas como “quem sou, o que sou, o que faço no mundo?”, o colunista Ousarme Citoaian (que assina a coluna UNIVERSO PARALELO, aqui no Pimenta) diz que “buscar-se é próprio do homem”. Como a querer provocar os filósofos, ele cita, a propósito, o “Conhece-te a ti mesmo”, de Sócrates (que teria vivido lá pelos anos 450 a. C.), para lembrar que Descartes, nascido mais de dois mil anos mais tarde, pregou um “Penso, logo, existo”. As duas frases, tão distanciadas no tempo, soam próximas, segundo o colunista, “no sentido de levar o indivíduo a investigar-se”.

Ele mesmo se confessa surpreso com essa proximidade entre dois pensamentos tão díspares, e conclui com uma brincadeira: “Eu imaginava que Descartes fosse… cartesiano!” O. C. ainda “conversa” com seus leitores sobre jazz, literatura (festeja o lançamento de uma pesquisa sobre Marighella, “o inimigo número um da ditadura militar”) e assuntos difusos, como os diabinhos (sorridentes e cheirando a enxofre) que se escondem dentro dos computadores.

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COLUNISTA DEFENDE AS ORIGENS E A BUSCA DO UNIVERSAL, OU ‘EL CIELO COMO BANDERA’

Um comentário sobre redes e sua utilização pouco convencional no Nordeste de  outrora – levar defuntos à “última morada”, na expressão de João Cabral de Melo Neto – gerou dúvidas sobre a opinião do colunista Ousarme Citoaian (que assina o UNIVERSO PARALELO aqui no Pimenta). “O leitor não lê o autor, lê a si mesmo, no texto do autor”, disse O. C., citando Marcel Proust, mas considerando que, em comunicação, se o receptor não entende a mensagem, a responsabilidade é do emissor. “Fui mal”, admite, antes de esclarecer que é nordestino, sim senhor e sim senhora. “Se fugi da seca, feito ave de arribação, segui o destino secular da minha gente; se perdi o sotaque, não perdi o jeito ´intelectual´, absorvido dos cegos da feira de Flores, às margens do rio Pageú, e dos livretos de literatura popular”, esclarece. E finaliza: “mesmo sem renunciar às origens, a busca do homem é pelo universal, ´el cielo como bandera´”.

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PARA COLUNISTA, VEREADORA DEVE-SE IMPOR COMO MULHER E SOLDADA, “SEM DECEPÇÕES”

No centro de uma discussão cheia de mal-entendidos a respeito da vereadora soldada Valéria Morais, Ousarme Citoiaian (que assina a coluna UNIVERSO PARALELO aqui no Pimenta) não perdeu o bom humor. No tom irônico de sempre, disse que os reacionários  representam uma linha “filosófica” que não justifica o tempo gasto em polemizar. Chamando “para o que, de fato, é relevante”, ele se confessa envaidecido de seus leitores, com esta pergunta: “que coluna vocês conhecem que provoque remissões a Guimarães Rosa, Rubem Fonseca e outros grandes autores e grandes temas?”.

Sobre a vereadora-policial, o colunista lembra que ela foi citada porque estava muito visível na mídia, como vítima desse já antigo processo de “masculinização” pela linguagem.  E, ao contrário do que entenderam os “reacionários”, vê com simpatia este caso de ascensão social. “Quero que ela tenha vida longa, mandato público profícuo, sem decepções a seus eleitores, e, para dar exemplo, imponha ser tratada como mulher, vereadora e soldada”, disse O.C.

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PARA COLUNISTA DO PIMENTA, SÍMBOLO DA COPA DESAFIA ACORDO ORTOGRÁFICO

Defensor do hífen em certas expressões da linguagem brasileira, o colunista Ousarme  Citoaian (que assina o UNIVERSO PARALELO, semanalmente, aqui no Pimenta) disse que se sente “um pouco vingado”,  com a escolha do tatu-bola-da-caatinga para símbolo da Copa do Mundo. “Três hifens na mesma expressão, e o Acordo Ortográfico, que já nos privou de mal-me-quer, pé-de-moleque e dia-a-dia, passou batido”, comemora.

Respondendo aos comentários desta semana, ele lembra que o tatu-bola (Tolypeutes tricintus, “para a turma do almanaque”) “já foi servido assado, cozido e frito, por isso se encontra entre as espécies em fim de carreira”. Depois de deplorar que, em Porto Alegre, uma representação do tatu tenha sido chutada em praça pública (“como se bola fosse”), O. C. acrescenta que, “pelo menos, o Tolypeutes já se livrou de grande enrascada, pois se fosse visto pelo Acordo seria extinto, sem apelação”.

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COLUNISTA APROVA “PORTUGUÊS BRASILEIRO”

Provocado por abonar um texto iniciado por pronome átono (Me deixa em paz, de Monsueto Menezes e Ayrton Amorim), o colunista Ousarme Citoaian, do UNIVERSO PARALELO (que o Pimenta publica aos domingos) disse que a gramática define o espaço próprio para essa construção: a conversa informal, ou, se escrevendo (como é o caso analisado), deseja-se reproduzir uma conversa.

Ele argumenta que se trata de uma canção de fim de caso (Ora, vai, mulher, me  deixa em paz!), momento em que as “partes” já não ligam para os bons modos e  muito menos para a gramática. “Me deixa em paz é saboroso português brasileiro”, defende O. C. Brincando,ele afirma que o formato enclítico Deixe-me em paz ficaria bem numa conversa entre Machado de Assis e gramáticos ranzinzas, mas não se sustenta na linguagem das pessoas “normais”.

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“JOÃO HENRIQUE SERÁ O MÁRIO KERTÉSZ DO FUTURO”, DIZ COLUNISTA DO PIMENTA

JH, o artista.

O colunista Ousarme Citoaian, que assina a coluna UNIVERSO PARALELO aqui no Pimenta, disse (em resposta a comentário de leitor) que “João Henrique será o Mário Kertész do futuro”, referindo-se à notícia de que o prefeito de Salvador estaria inscrito num curso intensivo de radialista. Não foi um elogio, pois O.C. acrescentou que “isso, por certo, não nos ajuda”.

Ele também afirmou que já chega de apresentadores a dar murros, pauladas e patadas para expressar uma indignação nem sempre autêntica. “Em geral são indivíduos reacionários, que pregam a violência contra a violência e volta e meia se metem a disputar votos de eleitores incautos”, analisou.

Com uma leitora que perdeu comentário a enviar, ele retomou o caminho da ternura. “Eu saí perdendo, pois estou certo de que sua contribuição era doce feito mel de engenho”, disse, derramado feito caldo de cana caiana. Por fim, o entusiasmo com a lembrança do álbum Kind of Blue, de “Miles, Miles, o Divino”.

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COLUNISTA “REESCREVE” GEIR CAMPOS: DIZ TER “BRAÇOS COMPRIDOS PARA OS ABRAÇOS”

O autor da coluna UNIVERSO PARALELO (publicado no Pimenta aos sábados) fez uma citação velada do poeta, professor, tradutor, editor e militante comunista capixaba Geir Campos (1924-1999). O verso “Quero ter meus braços compridos para os abraços” (no original: “temos braços longos para os adeuses”) veio na “conversa” que Ousarme Citoaian mantém às terças-feiras com os leitores da coluna.

O. C. respondeu a todos os comentários postados, com seu estilo que combina ironia, gentileza e um respeito muito grande por quem o lê. Sobre o poeta, ele disse que não planejou a referência, o verso lhe veio espontaneamente. “É bom pra pôr na mídia um grande poeta que ninguém mais lê”, brincou o culto e gentil Ousarme.

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PARA COLUNISTA, O AMOR RESISTE AO SOTAQUE

Em sua abordagem semanal dos comentários postados na coluna Universo Paralelo, Ousarme Citoaian, provocado por uma leitora, afirma que a má pronúncia fere os ouvidos, não os sentimentos. “Amores `naquela base do só vou se você for´ não são destruídos por sotaques”, prega o colunista, para quem “o cupim da intolerância só corrói madeira fraca” (e, retornando à veia satírica, diz que está com ideia de montar um consultório sentimental)…

O. C. ainda se diz “quase com inveja” do leitor que cita Os desvalidos, de J. C. Dantas (que um crítico chamou “o Faukner de Sergipe”), divide com uma leitora a glória vivida pela coluna ao falar da queridinha de Sócrates, a poetisa de Safo (com quem inauguraram a moda de queimar livros) e ainda lamenta que, mesmo no Recife, as pessoas comecem a falar  “Bêbêribe e “Ôlínda” – por nefasta influência da tevê.

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COLUNISTA FESTEJA GORJEIO DO GURIATÃ

Ao “comentar os comentários” feitos à coluna Universo Paralelo, que assina aqui no Pimenta, Ousarme Citoaian teve uma surpresa: “O guriatã existe!” – exclamou, feliz feito um índio de Gonçalves Dias, ao ler a informação de um leitor. O colunista se referira ao pássaro símbolo da Academia de Letras de Itabuna, como “talvez já extinto”. Bichinhos de pena à parte, O. C. ainda conversa sobre poetas, poetos, poetisas e jazz (uma de suas paixões assumidas). Depois de rápido passeio (de nariz tapado!) pelo rock dito “brasileiro”, visita a língua portuguesa, tangencia a “sincronicidade” de Jung e, diante de certo comentário, se rende: “Não me sinto hipócrita bastante para não sentir o ego acariciado”.

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UNIVERSO PARALELO

HÍFEN É PUNIÇÃO CRUEL PARA A INOCÊNCIA

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Já citei Dad Squarisi e o “castigo divino” que Deus lançou sobre as línguas como punição aos homens por causa da Torre de Babel: o francês ficou com uma carga de acentos, o inglês escreve de um jeito e pronuncia de outro (exemplo: a pronúncia de here, é ria!), o alemão emenda as palavras, e nós de língua portuguesa fomos punidos com o hífen. Por isso eu digo que hífen não é sinal de escrita, é cruel punição para a inocência. As coisas estavam nesse eterno “tem hífen, não tem hífen”, quando veio o Acordo Ortográfico de 2009 e embananou tudo de uma vez por todas. Na semana passada, por imposição da regra, escrevi aqui “dor de cotovelo” (assim, sem hífen), sob protesto.

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Fica complicado o que nunca foi simples

Antes do Acordo, a regra era clara. Quando dois termos se unem e perdem o sentido, mete-se entre eles um tracinho ou dois e pronto. Assim, pé de moleque é o pé do moleque, enquanto pé-de-moleque é um doce; mesa redonda é uma mesa redonda (óbvio), mesa-redonda é uma negociação, uma discussão. Seguindo esse princípio, dor de cotovelo não é o que eu quis dizer (disse-o sob pressão, pois assim mandou o livro consultado). Qualquer pessoa escolarizada sabe que dor-de-cotovelo resulta de saudades e amores descarrilhados, não de bater os braços por aí. Mas parece que estamos condenados a essa barafunda hifeniana oficializada pelo Acordo, que veio complicar o que nunca foi simples.

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O GURIATÃ NOS UMBRAIS DA IMORTALIDADE

A Academia de Letras de Itabuna (Alita) tem entre seus símbolos um simpático pássaro outrora popular na região, hoje talvez já extinto, o guriatã. Minha surpresa foi descobrir desse bichinho uma descrição feita por um certo padre Jácome Monteiro, em 1610, há, portanto, mais de 400 anos: “É pássaro pequeno, do tamanho de um pintassilgo, preto pelas costas e por baixo amarelo, com um barrete da mesma cor, que o faz mui gracioso. É o pássaro mais músico de quantos há nesta Província, porque arremeda a todos os mais, e por isso o chamaram guiranheenguetá, que quer dizer pássaro que fala todas as línguas de todos os mais pássaros. São mui prezados. Estes são os que de ordinário se conservam cá em gaiolas”. Ao guriatã, agora imortal da Alita, mais quatro séculos de vida.

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DE ITALIANO SÓ SEI UMA PALAVRA: “PIZZA”

O Brasil ainda discute se dona Dilma é presidente ou presidenta – e os saudosistas não a aceitam, seja no masculino, no feminino, no neutro ou pintada de ouro sob pedrinhas de brilhantes (mas esta é outra história). Eu sempre tratei mulher no feminino: vereadora, professora, parenta, reitora – e por aí vai. Presidenta, então. A palavra existe nas línguas irmãs francês e espanhol (em italiano, desconheço, pois na língua de Dante eu só sei dizer pizza – e outra coisa que não pode ser escrita em blog familiar). Sthendal (O vermelho e o negro), Ariano Suassuna (O romance d´A pedra do Reino) usaram presidenta . O lusitano Antônio Feliciano de Castilho, também. Mas nosso tema é poeta/poetisa.

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Finalmente, mulher é poeta ou poetisa?

A história fala de uma poetisa chamada Safo, da ilha de Lesbos, na Grécia do século VII a. C. Nas últimas décadas, o Brasil passou a chamar as mulheres de poetas, transformando o que era feminino em “comum de dois”. Para os defensores de “novidades” na língua portuguesa, quem escreve “poesia de verdade” é poeta, não importa se homem, mulher ou qualquer outro sexo desses que por aí abundam. Poetisas seriam as senhoras e moçoilas que recitam seus versos bisonhos em modorrentas tardes de saraus, rimando mão com coração, ou não rimando nada com nada. Poeta escreve poesia, poetisa escreve asneiras – parece ser a regra que fixaram. Besteira pura, acho eu.

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Poetisas são “promovidas” a poeta?

Creio que em poeta/poetisa temos a sombra do preconceito: é de homem o ato de escrever poesia, de sorte que a boa poetisa tem direito ao título masculino de poeta, e a má poetisa que fique em sua primitiva condição feminina. Entendo que há bons e maus poetas, boas e más poetisas. Mas é só minha opinião. De Janete Badaró, ao entrar para a Academia de Letras de Ilhéus, Francolino Neto disse que deixou de ser poetisa, passou a poeta. Foi “promovida”, a meu ver, uma ofensa – mas o que fazer, se as próprias mulheres gostam desse jogo? Disse Cecília Meireles (foto), num poema: “Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”. Nunca soube se Valdelice Pinheiro se achava poeta ou poetisa. Eu a chamo poetisa. E das grandes.

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A PEDRADA INADMISSÍVEL QUE NINGUÉM VIU

Tive um professor meio descuidado que, como é comum aos descuidados, volta e meia errava, falando ou escrevendo. Se, com todo respeito, lhe apontávamos o deslize, ele dava sempre a mesma explicação: errara de propósito, para verificar se seus alunos estavam atentos… Na semana passada, ao falar de “duas coisinhas”, grafei, numa pedrada homérica, “duas cozinhas”. Poderia dar várias “razões” para o episódio, mas seriam todas falsas. Foi erro mesmo (que não recebeu, estranhamente, nenhum comentário). Não há justificativa mas desculpas.

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DAVIS: DROGAS, ARROGÂNCIA, GENIALIDADE

Mesmo quem não é muito ligado ao jazz, a melhor coisa do mundo, depois do uísque com água de coco (melhor ainda os dois, de braços dados), conhece o som do trompete de Louis Armstrong (foto), por ser único. Creio que é único também o trompete de Miles Davis (Chet Baker é acusado de imitá-lo). Miles Davis, o divino, é um dos meus músicos preferidos – nunca tomei conhecimento de suas experiências inovadoras do rock (um filho espúrio do jazz), mas ele é tido como essencial aos dois gêneros. Tirânico, arrogante, autodestrutivo e com indisfarçável ódio pelos brancos, Davis era um gênio que não teria lugar neste século. Não por acaso, morreu em 1991, aos 64 anos, depois de muita confusão, drogas e influência sobre imenso número de músicos.

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Sopro particularíssimo do divino Davis

Aqui, Miles Davis mostra sua leitura de Summertime, um tema de jazz que já teve todo tipo de interpretação (Armstrong, Janis Joplin, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Norah Jones, Charlie Parker, Sarah Vaughan, para citar uns poucos). A meu juízo de ouvinte não técnico, este bem-comportado registro não faz nenhuma revolução no jazz (que o músico californiano costumava incendiar). Mas é uma oportunidade, para quem não é do ramo, de tomar conhecimento do sopro particularíssimo de Miles Davis, a cujo nome costuma seguir o epíteto “o divino”.

(O.C.)

OUSARME E OS COMENTÁRIOS DA SEMANA NO UNIVERSO PARALELO

Toda terça-feira é dia do colunista Ousarme Citoaian responder aos leitores que comentaram sua coluna (Universo Paralelo, publicada no fim de semana) – o que ele faz com extrema elegância. “Nós, os autores, não temos o direito de chutar a canela de quem nos lê e opina, mesmo que as opiniões não batam com a nossa”, justifica.

Em tom de cumplicidade, ele “fala” com as pessoas como se estivesse numa roda de amigos e, às vezes, quase sedutor, encontra o que há de melhor para dizer: a uma leitora recita “Por onde for quero ser seu par”; a outra gaba a escrita bem feita (“Preciso me cuidar, senão você me toma o emprego!”) e a alguém que também elogiou a escolha de Andança, tasca um “Me leva, amor”, a propósito de explicar apungência do verso. Ao comentário de quem cita dois livros seus, O. C. manda um afago, embrulhado numa frase velha e boa (“Quem encontra um leitor, encontra um tesouro”).

Confira a coluna e, na sequência, o comentário dos comentários aqui

“ÉTICA NADA TEM A VER COM DIPLOMA”, DIZ COLUNISTA

O colunista Ousarme Citoaian, que assina a coluna Universo Paralelo aqui no Pimenta, afirmou – em resposta a comentário do leitor Ricardo Seixas – que “ética nada tem a ver com diploma de jornalista”.

Ousarme considera ter sido essa interpretação equivocada da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a derrubar a pretensão da exigência do diploma, agora aprovada pelo Senado.

Para ele, o mercado, distante das interpretações do STF e do Senado, não está nem aí para diploma, beca e capelo. E brinca ao afirmar que o mercado “emprega quem tem competência (e, valha-nos Deus, até quem não tem)”. O. C. “conversa” com seus leitores às terças.

Confira mais na coluna desta semana

ELE ESTÁ DE VOLTA

As manhãs de domingo não eram mais as mesmas sem a habitual leitura desde o último 11 de dezembro. Ousarme Citoaian, após dois anos ininterruptos de publicação de coluna, anunciava que iria parar. Era uma paradinha, pois. Os pedidos dos leitores/fãs comoveram, sensibilizaram o crítico, preciso, surpreendente e doce Ousarme.

Quis o destino que o retorno ocorresse em um emblemático 10 de agosto de 2012, centenário de nascimento de Jorge Amado. Ousarme muniu-se de suas armas poderosas para nos brindar com uma abordagem diferente da obra do escritor grapiúna.

– É análise, pouco feita por aqui, da vida política dele, o PCB, as prisões, os livros queimados etc -, explica o colunista, que já revelou a sua (a dele, claro) verdadeira identidade, mas não perde o charme do pseudônimo.

Aos leitores, Ousarme e Jorge – amados.

PRESIDENTE OU PRESIDENTA?

Jornalistas e acadêmicos notadamente de viés direitista atacam a forma presidenta, preferida por petistas e simpatizantes principalmente após a chegada de Dilma Rousseff ao cargo maior da República.

Bobagem o ataque, como também é bobagem a imposição da sua desinência. Rápida consulta aos dicionários e ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) não faz nada mal. Seria reveladora. A palavra existe. E sua aplicação é correta, pois.

Jornalistas e acadêmicos contrários ao uso da palavra – de sonoridade não muito agradável, reconheçamos – até sacam exemplos como estudanta, gerenta para contestar a escolha que acabou virando lei nos ambientes públicos por força de decreto da… presidenta. Não é preciso ir tão longe para mostrar o quanto estão errados. Lembremos do exemplo de parente e o seu feminino parenta.

Opor-se ao uso da palavra presidenta é normal. Atacá-lo com veemência como fazem alguns setores da mídia, porém, revela desconhecimento da própria língua. E, mais ainda, talvez seja revelador de algum grau de… misoginia.

Em tempo: presidenta não apenas define a mulher que detém o poder de uma nação ou empresa, por exemplo. Ensinam alguns dicionários, como o Aulete, que esta desinência também define quem é esposa de um presidente. Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente FHC, por exemplo, poderia ser chamada de presidenta à época. Há mais de um ano, Ousarme Citoaian já colocava as coisas no seu devido lugar na bela coluna Universo Paralelo (relembremos aqui).

QUE FIGURAÇA O INSPETOR MEIRELLES!

Olha só o exemplo pescado pelo jornalista e escritor Antônio Lopes (Ousarme Citoaian):

“O JORNALISTA É A ESCADA DOS POLÍTICOS”

Para o colunista Ousarme Citoaian, que assina semanalmente o UNIVERSO PARALELO aqui no blog, “os jornalistas são a escada usada pelos políticos para chegar ao poder”. Provocado pelo Pimenta, O. C. lembrou uma citação de Sherlock Holmes (em Os seis bustos de Napoleão) – “A imprensa é uma valiosa instituição, quando a gente sabe usá-la”, e acrescentou, mordaz: “embora não seja do meu conhecimento que nossos dirigentes públicos se preocupem com filigranas literárias, parece que eles, instintivamente, logo aprendem a usar a mídia”.

Em resposta aos comentários, O.C. diz que o nível dos leitores que aprovam a coluna o deixa “com a alma em festa, mas “inquieto quanto às expectativas criadas”. No UNIVERSO desta semana há também uma homenagem ao compositor Paulo César Pinheiro (foto) que, ainda menino, fez um clássico da MPB. Acesse.

UNIVERSO PARALELO

UM ENTRAVE DE NOME ESQUISITO: ANACOLUTO

Ousarme Citoaian
Falamos aqui de termos que aparecem nas frases sem que nada de bom a elas acrescentem – aos quais os gramáticos chamam de anacolutos, ou nome parecido. No caminho de quem persegue a “linguagem econômica” (apanágio de poucos redatores) emergem os tais anacolutos como um dos mais sérios obstáculos a transpor. Observo, na leitura das mídias regionais escritas, que entre nós abunda (além da preposição “de”, penduricalho que muito me irrita) uma profusão de artigos, indefinidos, sobretudo. É tamanho o festival de “um” e “uma” que até parece epidemia, caso de saúde pública.Vejamos alguns exemplos, colhidos aleatoriamente.

EMPREGAR MUITO ARTIGO LEVA AO DESASTRE

“Não é por um acaso que Itabuna ficou sendo a cidade mas (sic!) violenta do país”, diz um blog; “Quero deixar claro que se por um acaso inaceitável…”,  escreve colunista de Ilhéus, comentando a ideia gaiata de  anexar o  Salobrinho a Itabuna. Outro articulista, de Itabuna, titula seu arrazoado como “O direito de se ter uma opinião”. Mais curioso é que “O direito de se ter uma opinião” poderia, com lucro para o estilo, ser reduzido a “Direito de opinião”. Sobre os artigos definidos, falaremos num dia desses – mas adiantemos que tal categoria tem um quê de bebida alcoólica: se usar muito, o desastre é certo.

HÉLIO PÓLVORA E A LINGUAGEM ECONÔMICA

O texto econômico, de um mestre, da linha direta de Graciliano Ramos: “O coronel sacou o relógio da algibeira, em gesto maquinal. Sol a pino, de meio-dia. Ao longe, além das pastagens, os cacaueiros tinham um jeito tristonho de árvores murchas. O coronel cumprimentou o Surdo com um aceno de cabeça, depois de franzir a testa na tentativa de reconhecer-lhe a fisionomia e o nome. Inútil, eles se viam pela primeira vez. O Surdo desejou-lhe boas-tardes – e o coronel, devolvido o relógio chapeado de ouro à algibeira do colete de casimira inglesa, caminhou para o armazém, seguido por um pequeno séquito de curiosos” (Hélio Pólvora – Inúteis luas obscenas/2010).

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A LITERATURA ESTÁ PRESENTE NO DIA A DIA

A literatura, muitas vezes desdenhada, está presente na vida brasileira, bem mais do que admite nossa vã filosofia. Há frases que integram o imaginário nacional, muitas vezes citadas sem referência a origem e autoria. Exemplos que me vêm à mente: “Vai-se a primeira pomba despertada”, verso que já utilizei, emprestado de As pombas, de Raimundo Correa (foto) – que, contam, detestava este soneto, de tanto que o ouviu recitado; volta e meia alguém, falando de nossa língua a chama de “Última flor do Lácio” – sem pagar direitos autorais a Bilac; “A mão que afaga é a mesma que apedreja” é lembrança de Augusto dos Anjos, empregada à larga.

MÁRQUEZ, QUEM DIRIA, VIROU LUGAR COMUM

O repetido “mudaria o Carnaval ou mudei eu?” é Machado de Assis, que também popularizou o círculo vicioso; Gabriel García Márquez teve seu título Crônica de uma morte anunciada /1981 transformado em lugar-comum pela mídia pouco pensante, a ponto de não aguentarmos mais a expressão “tragédia anunciada”, apresentada como novidade.  O então ministro da Saúde (até tu, Tinhorão?), escolheu aproximar-se mais do título, ao comentar uma epidemia de dengue em Itabuna. “O que houve ali foi uma crônica da morte anunciada”, disse o lusitano. Em alguns veículos encontramos, em tempo de dengue exacerbada, verdadeiras pérolas do gênero.

NUNCA SE VIU TANTA “TRAGÉDIA ANUNCIADA”

“De acordo com os representantes do Ministério Público, o problema que atinge na região (sic!) foi uma tragédia anunciada”, diz um blog; “O que está acontecendo em Ilhéus é uma tragédia anunciada, proclama outro; de bem antes (2008), n´O Globo: “Essa tragédia porque passa o Rio foi muito anunciada”; a Veja (outrora modelo de linguagem jornalística),  na mesma data e trilha: “A situação do Rio é, nada menos, do que uma tragédia anunciada” e, adiante,  empolada: “quando a tragédia anunciada enfim se impõe como realidade…”. O governador, para não ficar atrás, também definiu a enchente no Rio como uma tragédia anunciada.

VINÍCIUS, SHAKESPEARE, ROMEU E JULIETA

Como se vê, nossa mídia tem mais tragédia do que o antigo teatro grego – e eu, sem pensar, me vali de uma expressão também clássica, numa paródia de  “Até tu, Brutus!”, atribuída a Júlio César (ano de  44 a. C.) e popularizada no teatro de Shakespeare. Aliás, o bardo inglês é responsável pela apelido de sujeito apaixonado:  Romeu (referência ao protagonista de Romeu e Julieta). “Depois de um longo e tenebroso inverno” é verso de Luis Guimarães Jr. que já nos incomoda, de tão recidivante; e “De repente, não mais que de repente” é da lavra de Vinícius, muito lembrado, mas que perde feio para “que seja infinito enquanto dure”.

JOIA RARA: ELLA CANTANDO EM PORTUGUÊS

O LP duplo (alguém ainda sabe do que estou falando?)  Ella abraça Jobim foi a grande surpresa fonográfica de 1981. Não é o melhor Ella Fitzgerald que já se ouviu, mas é um buquê de 19 canções de Tom, selecionadas por Norman Granz  (que o chamou de The Antônio Carlos Jobim songbook), na voz de uma das maiores cantoras de jazz de qualquer tempo, segundo a melhor crítica. Apesar de as letras vertidas para o inglês, chama a atenção o esforço que a grande diva faz para cantar alguns trechos em língua portuguesa, o que torna ainda mais singular a homenagem a Tom Jobim.

COM RISOS INOCENTES, SONOROS PALAVRÕES

E é Tom quem explica ter ouvido da cantora que ela teve um padrasto português, homem desinibido, que, como bom lusitano, “costumava desabafar em baixo calão”. Como prova de “conhecimento”, a cantora recitou, na maior inocência, e para a vermelhidão do maestro brasileiro (ou Brasileiro!), todos os palavrões de que ainda se lembrava (que não eram poucos!), enquanto “ria, com seus olhinhos inocentes”. É ainda o pai da Bossa Nova quem depõe: ”Percebi que Ella não sabia o significado daqueles tão sonoros palavrões, mas, de qualquer forma, eles devem tê-la ajudado para cantar em Português”.

HERANÇA: CAMARÁ, CAMARADA, CAMARADINHO

Camará é termo largamente empregado nas rodas de capoeira, sem o sentido registrado nos dicionários. Creio que seja uma apócope (“perda de sílaba final”) de “camarada”, mas o termo tem assento em documentos de cultura afro que não a capoeira. Os Tincoãs, extraordinário grupo vocal do Recôncavo, lembra uma estranha forma do falar afro-baiano, em A força da jurema: “Meus camarada, meus camaradinho,/ meus camarada, meus camaradinho,/ se quer que eu dance/ toque um pouquinho!” – enfim, são os surpreendentes caminhos da indomável língua brasileira. Clique e veja como Ella se sai nesse meio: Água de beber (Tom-Vinícius).

(O.C.)

OUSARME CLAMA: “TAMBÉM QUERO SER IMORTAL”

O colunista literário Ousarme Citoaian, do UNIVERSO PARALELO, aciona os teclados para informar a quem interessar possa: também quer uma cadeirinha na (mesa da) Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias Etc (Alambique). E o pedido vem em forma de versos:

Também quero ser imortal

Da Casa recém-nascida,
Alambique do gracejo,
Quero a honra imerecida,
O privilégio e o ensejo
De ter a minha inscrição
Nesse sodalício hilário,
Baseada a pretensão
em meu saber literário:

Fiz tentativas baldias
Com Telmo e com Jorge Amado,
Cyro nas antologias
Não li mas sei que é afamado,
Procurei ler Adonias,
Porém achei enjoado,
E um dia li meia orelha
Dum livrinho de Machado.

(Tratava de Capitu,
Coisa de homem e mulher,
Larguei porque nesse angu
Não meto minha colher…
De falar da vida alheia,
Machado tinha a mania
Mas fez outra coisa feia:
Fundou uma academia…

Ruim de livro, bom de copo,
A Alambique é o que eu quero,
A Alambique é que eu topo,
E meu pedido reitero:
Serviria a esse grupelho
Alguém cuja produção
Inédita e desconhecida
É feita em papel de pão?







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