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:: ‘Paris’

YRERÊ LANÇA NOVA LINHA DE CHOCOLATES FINOS NO SALÃO DE PARIS

Yrerê lança nova linha de produtos no Salon du Chcolat, em Paris || Foto Divulgação

Yrerê lança nova linha de produtos no Salon du Chcolat, em Paris || Foto Divulgação

A Fazenda Yrerê lançou nova linha chocolates e derivados do cacau (nibs e amêndoas caramelizadas) durante o Salão do Chocolate, em Paris, no último final de semana.

A nova linha da Yrerê conta agora com seis produtos, que vão de chocolates com 55% e 72% de cacau, em formatos de oitenta e trinta gramas e caixas de duzentos gramas de amêndoas de cacau caramelizadas com açúcar demerara orgânico e nibs de cacau.

Os produtos da Fazenda Yrerê são feitos com cacau colhidos na fazenda, elaborados no sistema cacau fino de pós-colheita e fabricados da Bahia Cacau. Além de produtora da chocolates e derivados, a Fazenda Yrerê trabalha também com turismo rural e está localizada na Rodovia Jorge Amado (BR-415), em Ilhéus, no sul da Bahia.

A participação da fazenda Yrerê no Salão do Chocolate em Paris, segundo Gerson Marques, é resultado da parceria da Associação dos Produtores de Chocolates do Sul da Bahia (Chocosul) com a Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR) e Federação da Indústria do Estado da Bahia (Fieb).

PORQUE PARIS, BERLIM E OUTRAS 265 CIDADES REESTATIZARAM O SANEAMENTO

Emasa deve ser passada à iniciativa privada || Foto Arquivo

Emasa deve ser passada à iniciativa privada || Foto Arquivo

Da BBC Brasil

Enquanto iniciativas para privatizar sistemas de saneamento avançam no Brasil, um estudo indica que esforços para fazer exatamente o inverso – devolver a gestão do tratamento e fornecimento de água às mãos públicas – continua a ser uma tendência global crescente.

De acordo com um mapeamento feito por 11 organizações majoritariamente europeias, da virada do milênio para cá foram registrados 267 casos de “remunicipalização”, ou reestatização, de sistemas de água e esgoto. No ano 2000, de acordo com o estudo, só se conheciam três casos.

Satoko Kishimoto, uma das autoras da pesquisa publicada nesta sexta-feira (23), afirma que a reversão vem sendo impulsionada por um leque de problemas reincidentes, entre eles serviços inflacionados, ineficientes e com investimentos insuficientes. Ela é coordenadora para políticas públicas alternativas no Instituto Transnacional (TNI), centro de pesquisas com sede na Holanda.

“Em geral, observamos que as cidades estão voltando atrás porque constatam que as privatizações ou parcerias público-privadas (PPPs) acarretam tarifas muito altas, não cumprem promessas feitas inicialmente e operam com falta de transparência, entre uma série de problemas que vimos caso a caso”, explica Satoko à BBC Brasil.

O estudo detalha experiências de cidades que recorreram a privatizações de seus sistemas de água e saneamento nas últimas décadas, mas decidiram voltar atrás – uma longa lista que inclui lugares como Berlim, Paris, Budapeste, Bamako (Mali), Buenos Aires, Maputo (Moçambique) e La Paz.

A tendência, vista com força sobretudo na Europa, vai no caminho contrário ao movimento que vem sendo feito no Brasil para promover a concessão de sistemas de esgoto para a iniciativa privada.

O BNDES vem incentivando a atuação do setor privado na área de saneamento, e, no fim do ano passado, lançou um edital visando a privatização de empresas estatais, a concessão de serviços ou a criação de parcerias público-privadas.

À época, o banco anunciou que 18 Estados haviam decidido aderir ao programa de concessão de companhias de água e esgoto – do Acre a Santa Catarina.

O Rio de Janeiro foi o primeiro a se posicionar pela privatização. A venda da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) é uma das condições impostas pelo governo federal para o pacote de socorro à crise financeira do Estado.

A privatização da Cedae foi aprovada em fevereiro deste ano pela Alerj, gerando polêmica e protestos no Estado. De acordo com a lei aprovada, o Rio tem um ano para definir como será feita a privatização. Semana passada, o governador Luiz Fernando Pezão assinou um acordo com o BNDES para realizar estudos de modelagem.

DA ÁGUA À COLETA DE LIXO

Satoko e sua equipe começaram a mapear as ocorrências em 2007, o que levou à criação de um “mapa das remunicipalizações” em parceria com o Observatório Corporativo Europeu.

O site monitora casos de remunicipalização – que podem ocorrer de maneiras variadas, desde privatizações desfeitas com o poder público comprando o controle que detinha “de volta”, a interrupção do contrato de concessão ou o resgate da gestão pública após o fim de um período de concessão.

A análise das informações coletadas ao longo dos anos deu margem ao estudo. De acordo com a primeira edição, entre 2000 e 2015 foram identificados 235 casos de remunicipalização de sistemas de água, abrangendo 37 países e afetando mais de 100 milhões de pessoas. :: LEIA MAIS »

ATAQUE EM PARIS DEIXA MAIS DE 110 MORTOS; ESTADO ISLÂMICO REIVINDICA AUTORIA

Policiais em rua de Paris, na França, logo após ataque (Foto Agência Lusa/Agência Brasil).

Policiais em rua de Paris, na França, logo após ataque (Foto Agência Lusa/Agência Brasil).

Redação com Agência Brasil

Ataques terroristas em estádio e casa de espetáculos numa noite de terror em Paris, na França, deixam, pelo menos, 118 mortos, de acordo com números da polícia do país europeu. Os ataques ocorreram por volta das 20h, no horário local.

Um homem-bomba atacou num dos portões do Estádio da França, na capital Paris, deixando 3 mortos. Numa casa de espetáculos, a Bataclan, cerca de 100 pessoas estariam mortas, após disparos feitos por três terroristas munidos de fuzil AK-47. Os atiradores, de acordo com sobreviventes, teriam entre 20 e 30 anos.

Além do Estádio da França e da casa de shows Bataclan, também foram registrados ataques em Gare Du Nord, o restaurante Petit Cambodge, o bar Le Carrilon, o Bataclan Concert Hall, o Belle Equipe Bar e em Les Halle.

O presidente francês, François Hollande, anunciou o estado de emergência e o fechamento das fronteiras da França.

O portal Site, que monitora as atividades dos jihadistas na internet, disse que o grupo terrorista Estado Islâmico assumiu a autoria dos ataques na noite desta terça-feira (13) em Paris. Até agora, a polícia contabiliza mais de 100 mortos em sete ataques na capital francesa, a maioria na casa de espetáculos Bataclan.

Segundo a diretora do portal, Rita Katz, a revista do Estado Islâmico, a “Dabiq”, escreveu que a França “manda seus ataques aéreos para a Síria diariamente” e que essas ações “matam crianças e idosos”. “Hoje vocês estão bebendo do mesmo cálice”, escreveu a publicação.

DILMA: “CONSTERNADA PELA BARBÁRIE TERRORISTA”

A presidenta da República, Dilma Rousseff, manifestou há pouco, por meio de sua conta no Twitter, a sua indignação com os ataques terroristas que deixaram pelos menos 40 mortos em Paris.

“Consternada pela barbárie terrorista, expresso meu repúdio à violência e manifesto minha solidariedade ao povo e ao governo francês”, disse a presidenta.

Os ataques ocorreram em vários pontos da capital francesa. A polícia adiantou que existem reféns na sala de espetáculos Bataclan, na Avenida Voltaire.

O Presidente francês, François Hollande, está reunido com o primeiro-ministro, Manuel Valls, e o titular do Interior, Bernard Cazeneuve, para fazer um balanço sobre os tiroteios e explosões em Paris.

ENTRE A LIBERDADE E A TOLERÂNCIA

Jackson LessaJackson Lessa | jacksonslessa@hotmail.com

A Europa está “grávida de acontecimentos”. Poderemos ter novos tiroteios, novas explosões, perseguições aos muçulmanos, intensificação da Islamofobia. Não será esse o desejo dos radicais? Provocar uma verdadeira guerra de civilizações?

O recente ataque à sede de uma revista francesa será mais um sintoma do chamado choque de Civilizações? Não podemos nos dar ao luxo de restringir a discussão em torno apenas da liberdade de expressão. Os meios de comunicação parecem se incomodar mais com o fato de ter sido um veículo de imprensa do que o fato de terem sido vidas humanas.

Na verdade, torna-se necessário compreender as possíveis causas desse ataque. Apesar de injustificável, ele é resultado de uma política de intolerância, que não se limita ao estilo jornalístico da revista e, sim, ao comportamento de grande parte da sociedade europeia, e até mesmo ocidental, em relação aos muçulmanos.

Vale lembrar que alguns fundamentalistas não representam a totalidade dos seguidores da religião. Esse evento francês envolve várias esferas, diferindo-se do 11 de setembro, nos EUA, principalmente por ter ocorrido na Europa, e em um momento em que o continente está em convulsão política e econômica.

Historicamente, a Europa ocidental sempre encarou outros continentes e outras religiões com preconceito. Em inúmeras ocasiões, os europeus olharam o diferente como divergente, e acharam essa diferença ameaçadora, quase uma maldição.

Após os ataques à Revista Charlie Hebdo a palavra mais utilizada foi DEMOCRACIA. Mas podemos falar realmente em democracia quando imigrantes são considerados invasores, além de difundir-se uma espécie de islamofobia?

Dois dias antes do referido crime, na Alemanha, várias pessoas foram às ruas protestar contra o que eles chamavam de islamização do país, dando sinais claros de preconceito religioso e xenofobia, fazendo com que a chanceler, Ângela Merkel, tivesse que se pronunciar oficialmente contra esse movimento.

Pesquisas apontam que 57% dos alemães consideram o islamismo uma ameaça, e 60% acham que a religião é incompatível com o Ocidente. A palavra-chave para esse lamentável acontecimento é TOLERÂNCIA. Entretanto, para quem faltou tolerância? Os fundamentalistas que não aceitaram críticas satirizadas ou os jornalistas que atingiram a imagem do islamismo?

A situação é complexa. Autoridades do mundo inteiro, entre eles Obama e Dilma, falaram que é inadmissível atingir valores democráticos como uma instituição da imprensa. Verdade, a imprensa deve ser a porta-voz da sociedade e por isso podemos, sim, considerar que a sociedade democrática foi atingida, de forma covarde, e isso precisa de punição. Porém, é admissível atingir valores sagrados da religião alheia?

Uma das grandes características da modernidade é a multiplicidade religiosa, o que exige de todos, independente do credo, a prática da tolerância, que seria a capacidade de aceitar o diferente, “o que não é espelho”. Relembrando Frei Betto: “das intolerâncias, a mais repugnante é a religiosa, pois divide o que Deus uniu, incentiva disputas e guerras, dissemina ódio em vez de amor”.

Não podemos ver apenas a árvore, precisamos perceber a floresta. Os próximos dias e meses poderão ser muito complicados. A Europa está “grávida de acontecimentos”. Poderemos ter novos tiroteios, novas explosões, perseguições aos muçulmanos, intensificação da Islamofobia. Não será esse o desejo dos radicais? Provocar uma verdadeira guerra de civilizações? E agora? Será que veremos liberdade e tolerância?

Jackson Lessa é professor de Geografia e Atualidades em escolas e cursos pré-vestibulares de Itabuna e região.

A PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NO SALON DU CHOCOLAT

Stand do Brasil no Salon du Chocolat

Stand do Brasil no Salon du Chocolat

O publicitário Marco Lessa, organizador do stand do Brasil no Salon du Chocolat de Paris, encerrado neste domingo (03), festeja os resultados obtidos pelo país durante o evento. Segundo ele, foi a melhor participação, consideradas as cinco vezes em que os brasileiros marcaram presença na França.

A representação brasileira contou com 250 expositores, da Bahia, do Pará e do Amapá, muitos dos quais produzem chocolates finos e miram o exigente mercado europeu. Segundo Lessa, a expectativa agora é para os dois próximos Festivais do Cacau e Chocolate, programados para o período de 3 a 6 de abril, em Belém-PA, e de 25 a 27 de julho, em Ilhéus.

Com relação a Paris, os produtores acreditam ter aberto novos caminhos para fechar bons negócios. “Vários contatos foram feitos para comercialização de amêndoa, conhecemos novas tecnologias de maquinário, pudemos divulgar os dois festivais, sem contar com a boa acolhida francesa dos chocolates gourmets”, diz o organizador do stand.

UNIVERSO PARALELO

PROTESTAR É NOVO, RESIGNAR-SE É VELHO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

01ProtestoSe o Brasil todo protesta, também quero protestar, com bandeira, muita festa, muito pneu pra queimar: protesto contra a pobreza do falar e do escrever, protesto contra o não ler, protesto contra o viver como gado na invernada, protesto contra a cambada que não sabe protestar, protesto contra Galvão, aquele do “bem amigos”, protesto contra novela (não de livros, mas de tela), protesto contra os perigos que me espreitam em cada esquina, protesto contra a menina que não quer vestir timão, protesto contra o contralto, porque prefiro o tenor, protesto contra o gestor, daqui, dali, dacolá…

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Contra desvio, “malfeito” e sinecura

Protesto contra quem cala, quando devia falar, protesto contra quem fala, quando devia calar, protesto contra quem quer a volta da linha dura, protesto contra o protesto que não sabe o que procura, protesto contra o desvio, o roubo e a sinecura, protesto contra a loucura que acomete o governante, tornando este nosso inferno bem pior do que o de Dante, protesto contra essa gente que de protesto não gosta, protesto contra a proposta de se fazer referendo (essas coisas do Congresso eu só acredito… vendo!), meu pensamento explicito, eu prefiro plebiscito, povo dizendo o que presta, dinheiro fácil, água fresca, pagode, cachaça e festa…

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03ProtestoO tomate, o resgate e o “malfeito”

Protesto contra o tomate, que andou subindo de preço, protesto contra o resgate do que não tem meu apreço, protesto contra o “malfeito”, protesto contra o prefeito, por não se dar ao respeito com nossa população, protesto contra os serviços, saúde e educação (e estando com rima em “ão”, elevo este meu protesto contra a volta da inflação), protesto contra a ausência de vergonha em tanto rosto, o que só me traz desgosto a cada nova eleição, protesto contra o som alto, com música ruim a esmo, e em dia de mau humor, protesto… contra mim mesmo!

 

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DEUS PARECE AJUDAR MAIS A QUEM ESTUDA

Circula pela internet um texto chamado “Avisos paroquiais em Portugal” (também conhecido como “Avisos paroquiais no Brasil”) que possui seu quê de engraçado. Creio que, deixando de lado o lúdico, o material serve como atenção ao cuidado que devem ter os que escrevem (ou falam, embora a fala sempre seja mais “permissiva”). Cito uns desses achados à porta das igrejas: 1) “Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra Hamlet, de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia”; 2) “Para todos os que tenham filhos e não sabem, temos na paróquia uma área especial para crianças”.
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05Sobre as águasJesus “desaparecido” durante milagre

Mais: 3) “Assunto da catequese de hoje: Jesus caminha sobre as águas; Assunto da catequese de amanhã: Em busca de Jesus”; 4) “Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência, uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa. Tragam os seus maridos”; 5) “O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia”; 6) “O torneio de basquete das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham nos aplaudir; vamos tentar derrotar o Cristo Rei”. Cristo Rei é marca de colégio recorrente no Brasil, daí a suspeita de que o (mau) texto seja verde-amarelo…

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COM FAULKNER, HEMINGWAY E COLE PORTER

O roteirista, que quer escrever um livro, está entediado, e não é pra menos: tem um sogro rico que adora a América e detesta os franceses (em Paris, o idiota quer vinho da Califórnia!), uma noiva meio bobinha, uma sogra fútil (acha uma cadeira de 18 mil euros uma pechincha!) e ainda lhe surge pela frente um cara que coleciona clichês de psicologia (do tipo “nostalgia é negação do presente”) e se acha especialista em vinhos (“prefiro os amadeirados aos frutados”). É preciso fugir dessa gente e viver a Paris de verdade, com Fitzgerald, Faulkner, T. S. Elliot, Gertrude Stein, Cole Porter e, naturalmente, Hemingway. Isto é Meia-Noite em Paris, filme de Wood Allen.
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07Minuit à ParisAllen também é “refugiado” na Europa

Nessa fuga, o roteirista encontra toda essa gente, acompanha seus dramas e contradições e, para completar, ainda se envolve numa paixão nova e sob medida, uma linda mulher, que “compreende” a literatura dele. É uma fantasia e uma homenagem à Paris da paixão de Allen (e da minha), um “refúgio” contra a mesmice do mundo em que vivemos. O filme tem forte relação de parentesco com A rosa púrpura do Cairo, de 1985, pelo mesmo viés de realismo fantástico. Há de se perceber ainda, além da homenagem, um quê de autobiográfico: Allen, qual seu personagem, foi recentemente “refugiado” na Europa, onde obteve financiamento para seus filmes, o que não conseguia nos States.

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Torre Eiffel com som de jazz antigo

Meia-Noite em Paris é uma delícia. Classificado como comédia romântica, o filme não me fez mais sorrir do que pensar. A história do roteirista americano de férias em Paris com a noiva e os sogros, quer morar lá e escrever um romance é motivo para mostrar a cidade e citar grandes mestres (em literatura, pintura, cinema e música) que ali foram abrigados. Paris é uma festa, de Ernest Hemingway, nos salta aos olhos. Meia-Noite… é essa celebração, abrindo com um clipe, som de jazz das antigas – Si tu vois ma mère, de Sidney Bechet (1897-1959), num city tour, em que quem conhece a cidade mais bela do mundo identifica locais famosos, a partir da Torre Eiffel.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

PROFESSOR ILHEENSE VAI PRESIDIR A ABL

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1ABL“A noite da última quinta-feira, 14, foi marcada pela retomada das atividades da Academia Brasileira de Letras e posse da nova diretoria, que será presidida pelo professor Josevandro Nascimento. Durante o evento, que contou com a presença do prefeito Jabes Ribeiro, foram prestadas homenagens póstumas ao poeta baiano Castro Alves, que nasceu na mesma data da solenidade”, dizia a notícia lida em respeitável blog. “Ora, vejam só!”, pensei de olho nos botões da blusa: “Um ilheense presidindo a Casa de Machado de Assis!” – e quase saí aos gritos e pulos, tomado dum agudo e justificado frenesi bairrístico.

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Castro Alves acaba de nascer, aleluia!

Mas, macaco antigo das redações, mantive minhas dúvidas e, como diriam os juristas, fui às provas: consultei dezesseis (!) blogs e dois importante jornais diários de Itabuna (os nomes não declino, mas adianto que o meu blog preferido, um que não gosta de molho agridoce, não está na lista). No entanto lhes digo, por ser rigorosamente verdadeiro, que os dezesseis veículos deram a notícia, fazendo do referido professor presidente da ABL – e criando uma barrigada monumental. Solidário, esperei uma semana pelo desmentido, que não veio; então, de alma lavada, enxaguada e embandeirada, comemoro publicamente o evento, pois não é toda hora que temos um ilheense a presidir o grande sodalício.

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O dia em que “mataram” Edivaldo Brito

E aquela parte que diz ter Castro Alves nascido “na mesma data da solenidade” me levou às lágrimas: é imenso privilégio ter aqui o Poeta dos Escravos bebezinho, em fraldas, nascido no dia 14 de março deste ano – mudando o curso da história. Falemos sério: a mídia contribui para a desinformação (e neste caso, o ridículo), ao publicar notinhas de assessoria sem submetê-las a copidesque, revisão e edição. O lastimável texto da prefeitura de Ilhéus foi replicado ipsis litteris, com erros gritantes, a ponto de dar o palestrante Edivaldo Brito como patrono da ABL – o que significa estar o mesmo morto e sepultado há, no barato, 120 anos. É demais pra minha paciência.

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COMILANÇA, OU O CASO DOS 3.600 PRATOS

4Comilança
Conhecido restaurante de Itabuna faz uma divulgação em que oferece “mais de 60 variedades de pratos”, num claro atentado à boa linguagem. O texto só pode ser salvo pelo cinismo daqueles para quem o importante é que a mensagem seja entendida. Eu entendi que a casa oferece “uma diversidade superior a 60 pratos”, só que isto não está dito em língua portuguesa. Como foi posto, o reclame gastronômico põe à disposição (há quem prefira “disponibiza”, argh!) 60 variedades multiplicadas por 60 pratos: 3.600 ofertas. Quer dizer: se o cliente quiser um churrasquinho de gato, por exemplo, será chamado a optar entre 60 tipos diferentes. Mesmo com o exagero a que a publicidade se dá direito, contenhamo-nos.
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Estupidez elevada à quarta potência

Tautologias à parte, a indigência vocabular da mídia tem mostrado disparates a todo momento, a ponto de sepultar termos consagrados pelo uso, em benefício de “novidades”. Vejam que, no noticiário policial, não mais existe a palavra “bala”, trocada por “munição”. Troca malsã: bala é munição, mas munição nem sempre é bala: um é termo genérico; o outro, específico. O pior é quando um repórter mais ignorante pouquinha coisa, diz que “a polícia apreendeu várias munições”. Esta palavra, se lhe cabe o uso, fica bem no singular; quando empregada no plural, em lugar de “balas”, temos um estranho caso de estupidez elevada à quarta potência. Ou, para quem prefere a medicina à matemática, um quadro de asnice recidivante.

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(ENTRE PARÊNTESES)

6Estória de facão e chuvaPermitam-me o pequeno anúncio: o livrinho Estória de facão e chuva (de 2005), esgotado, acaba de ter sua 2ª edição, por nímia gentileza da Editus (Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz), tendo Rita Virgínia Argolo à frente. O pequeno volume (184 páginas) reúne 35 crônicas e dois discursos, sendo um deles de Hélio Pólvora, na Academia de Letras de Ilhéus, em 2001. A professora Maria Luiza Nora, na apresentação de Estória… diz que o autor “com sua escrita, nos descomplica, nos tira aquela pose que pode estar querendo se instalar, nos humaniza a ponto de darmos boas risadas de nós mesmos, e risadas de deboche, o que é melhor”. O autor, cativo, agradece.

BARDOT E DENEUVE – REALIDADE  E LENDA

7Catherine DeneuveCanções com uma história real a sustentá-las são corriqueiras. Mas algumas conseguem se debater entre a realidade e a lenda, sem que nós, ouvintes distantes da cena da gênese, saibamos a verdade. É o caso de Belle de jour (sic), momento romântico de Alceu Valença, que é cercado por essa magia do sim e do talvez. Dizem que Alceu estava num café, em Paris (mas já pra lá de Bagdá), quando lhe surgiu à frente Catherine Deneuve e, com ela a lembrança do filme Belle du jour: ali mesmo ele escreveu a canção, para depois descobrir que não vira La Deneuve, mas Brigitte Bardot! Outros falam de incerta moça que caminhava todas as tardes na praia da Boa Viagem, no Recife, e que se afogou…
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O sotaque de Alceu nem a Sorbonne tira

Claro que a versão de que a letra foi inspirada no filme de Buñuel não interessa, por ser muito óbvia, pouco instigante. E também não faltam os psicólogos de mesa de bar, a explicar que “azul” é referência a heroína (a bela estaria, nesta visão, chapada!), enquanto a Boa Viagem teria duplo sentido: não seria apenas a praia, mas também aquela “boa viagem” patrocinada pela droga (“A belle de jour no azul viajava…”). O artista não esclareceu a dúvida, preferindo reforçar o mito de que a canção foi feita num bar parisiense, quando ele, doidão da silva, teve um delírio e viu… sabe Deus quem! Eu gosto mesmo é do francês de Alceu: o accent pernambucano de São Bento do Una nem a Sorbonne tira. Graças a Deus.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

O RISO E O CÔMICO NA LINGUAGEM DE JCC

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1 O coronelAs críticas favoráveis a O coronel e o lobisomem são muitas, disponíveis na internet. Por isso, cito especialmente uma, por ser difícil de encontrar. Trata-se do ensaio Língua hílare língua (1999), do professor, poeta e músico José Afonso de Sousa Camboim, da Universidade de Brasília. Com rara erudição, mas sem chatice, Camboim disserta sobre o riso e o cômico na obra de José Cândido de Carvalho, sobretudo em O coronel… É livro importante para o completo entendimento e a total fruição da linguagem do autor fluminense – até mesmo com aproximações de Machado de Assis (Memórias póstumas de Brás Cubas): o ensaísta chama a atenção para a possível morte do Coronel Ponciano – sem que este evento interrompa a narrativa.

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2Rachel de QueirósPalavras usadas com sentido imprevisto

Assim falou Rachel de Queirós: “Não sei de ninguém, no momento, que renove o idioma como o renova ele. Vira e revira a língua, arrevesa as palavras, bota-lhes rabo e chifre de sufixos e prefixos, todos funcionando para uma complementação especial de sentidos, sendo, porém, que nenhuma provém de fonte erudita, ou não falada: nenhuma é pedante ou difícil, tudo correntio, tudo gostoso, nascido de parto natural, diferente só para maior boniteza ou acuidade específica. No léxico de Zé Cândido não aparece uma palavra que não seja possível; se ela não havia até aqui, estava fazendo falta. No mais, o que ele faz principalmente é usar a palavra no sentido novo, ou imprevisto, ou desacostumado”.

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Lobisomem mordendo os autos do fórum

De O coronel… : “Jogaram os fundilhos de um suspeitoso no banco dos réus. A demanda do julgamento, é-lobisomem, não-é-lobisomem, afundou pela noite, que era sexta-feira. Pois foi a lua aparecer na vidraça da casa do Fórum e o tal suspeitoso soltar aquele ganido de cachorro acuado, num desrespeito nunca visto em recinto de lei. E sem pedir licença, como é dever em tais ocasiões, o suspeitado largou o dente na peça dos autos e demais papéis adjuntos. Sobreveio então um corre-corre de arruaça. Caiu desembargador, caiu mesa, caiu cadeira e cadeirinha. E o lobisomem, dono da sala, fuçando as gavetas e tudo mais que calhou de encontrar no caminho. E, no deboche, bebeu a tinta toda dos tinteiros e borrifou com ela portas e paredes”.

À BEIRA DE UM ATAQUE DE… URTICÁRIA

Leio, em texto da prefeitura de Ilhéus, que “Prazo para renovação de alvará de casas comerciais encerra 31 de janeiro” – e quase tenho um ataque de urticária. É que ainda não me convenci (graças ao bom Deus!) dessa acepção estranha em que empregam o verbo encerrar. Fui ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, meu preferido, e achei nada menos do que 11 sentidos para este verbo, alguns desconhecidos para mim. Em ordem alfabética: abrigar, compreender, conter, encobrir, fechar, guardar, incluir, lacrar, limitar, rematar e resumir – mas nenhum que sirva ao caso em tela. Por quê? Porque encerrar, como posto acima, é pronominal. E escrever “encerra 31 de janeiro” é ir do erro ao abuso.
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5BovespaA vaca ainda não está, de todo, atolada

O mesmo Priberam traz os vários sentidos desse verbo, na forma pronominal – é claro que alguns deles me escapam. Uma vista d´olhos na internet mostra que a vaca ainda não está inteiramente no brejo: “MPE encerra inscrições no dia 31”, “Bovespa encerra dia em queda”, “Wall Street encerra dia no verde” – são formas corretas do verbo encerrar, na sua regência de transitivo direto. Na mesma busca, encontro esta joia da G1 (globo.com): “Encerra dia 31 de janeiro o prazo para os sindicatos ficarem em dia com as contribuições” – uma espécie de disputa com o texto oficial acima referido. Mas a prefeitura de Ilhéus ganha, devido ao seu encerra 31 – não a 31 (ou dia 31), como seria em português.

ROMANTISMO, CIVILIDADE E HISTÓRIA

6RousseauEscritores, pintores, músicos, artistas em geral, todos passaram por Paris. Nas ruas, aspira-se romantismo, civilidade, história. Perrault, Michelet, Voltaire, Hugo, Richelieu, Molière, Coligny, Bréton, saltam das placas de ruas e instituições, como a nos saudar. É impossível “flanar” por Paris, sem sofrer a emoção de estar num dos berços do mundo, da cultura e da arte, palco de alguns dos maiores eventos da humanidade, lugar onde viveram mentes ilustres e questionadoras da presença do homem sobre a terra. Aqui se fez a Revolução Francesa, aquela que cortou cabeças coroadas e mudou o mundo. Mas não falo das ruas de Paris, o que já foi (bem) feito por grande nomes, até Voltaire – também porque isto aqui não é guia turístico.

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O dia em que Napoleão empenhou o chapéu

Para os do ramo etílico-poético, é imperioso visitar o café mais antigo do mundo, o Le Procope, muito chique e muito caro, como tudo em Paris. Mas se não der pra beber uma coisinha, sempre se pode tirar foto, que o pessoal permite. Reza a lenda que certa vez Napoleão deixou lá empenhado seu chapéu de dois bicos, pois não tinha luíses bastantes para pagar a conta. O lugar foi frequentado também por Diderot, Verlaine, Rousseau, Voltaire e Benjamin Franklin. Situado na rua da Antiga Comédia (rue de l´Éncienne Comédie), o restaurante dá fundos para a sede do jornal O amigo do povo (L´amie du peuple), com que Marat infernizava a vida dos inimigos da Revolução (isto não está nos guias). Mais histórico, impossível.

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Saxofonista e professor universitário

Archie Shepp (1937…) é um dos músicos de melhor formação intelectual da história do jazz. Além de saxofonista e cantor, é professor e dramaturgo, com estudos de literatura dramática na Faculdade de Goddard, na Califórnia. Começou no sax-alto, em bandas de segunda expressão, em New York; depois, sob a influência de John Coltrane, assumiu o sax tenor, passando a tocá-lo em vários grupos. Shepp foi professor de faculdade em Buffalo, no departamento de estudos sobre os negros, e depois na Universidade de Massachusetts. Na sua formação, além de Coltrane, está Duke Ellington. Apesar da reconhecida “erudição”, Shepp nunca desdenhou as canções simples. Dito o que, vamos a seu solo de Sob o céu de Paris.

(O.C.)

MARCELO GANEM SE APRESENTA EM PARIS

Artista participou do evento em 2011

O músico Marcelo Ganem, de Buerarema, fará duas apresentações durante o Salon du Chocolat de Paris, evento que começa no próximo dia 31 e vai até o dia 4 de novembro. Será a segunda vez que o artista participa do evento.

Os shows acontecem nos dias 2 e 3, dando destaque às composições incluídas no álbum Amoroso Chocolate. Está prevista a presença do percursionista itabunense Cláudio Kron, que vive em Londres.

Ganem viaja à França a convite da Câmara Setorial do Cacau e do Instituto Cabruca.

CEPLAC ENVIA AMOSTRAS PARA O SALÃO DO CHOCOLATE

Amostras selecionadas pela Ceplac (foto Wilde Cabra)

A Ceplac finalizou a seleção de amostras de amêndoas de cacau e as enviou nesta segunda-feira, 04, para a França. Em outubro, o fruto produzido no Brasil será avaliado no Salão do Chocolate de Brasil, no qual teve destaque em 2010, quando o produtor João Tavares, da Fazenda São Pedro, em Ilhéus, obteve o prêmio de melhor cacau da América, na categoria “Cacau Chocolate”.

Para o próximo salão, foram selecionadas 20 amostras de um total de 35 recebidas de produtores brasileiros até o dia 17 de março.

Na capital francesa, amêndoas selecionadas em diversos país serão avaliadas por um júri formado por fabricantes de chocolate e jornalistas especializados em gastronomia, entre outros representantes de setores ligados à indústria.










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