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:: ‘pobreza’

ALEJANDRO E O OUTDOOR

Cláudio Rodrigues

 

Mas o que Alejandro e os 18 milhões de meninos e meninas desse Brasil desejam é não serem privados de direitos básicos como moradia digna, educação, informação, água, saneamento e proteção contra o trabalho infantil.

 

“O futuro de seu filho começa aqui!”. O outdoor com a chamada de uma escola para o início de matrículas para o próximo ano letivo é uma ironia para Alejandro, de 6 anos, e outras 13 crianças que há duas semanas montaram abrigo na Avenida Contorno, em Feira de Santana, tendo como base para a instalação de suas tendas, a placa de publicidade que vende a educação como futuro.

Alejandro e a placa de outdoor em Feira || Foto Reginaldo Tracajá Pereira

Futuro esse que Alejandro e as demais crianças que ali “habitam” sabem que é incerto. O espaço é dividido por oito famílias que saíram do interior da Paraíba, fugindo da fome e falta de emprego. As famílias ali instaladas ilustram os gráficos da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a qual 50 milhões de brasileiros – 25 por cento da população – vivem abaixo da linha de pobreza, com renda familiar de US$ 5,5 por dia, sendo que 43 por cento desse contingente está na região Nordeste.

No País em que seis em cada dez crianças vivem na pobreza, conforme estudo inédito do Fundo das nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado no último dia de novembro 14, a futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, pastora Damares Alves, em mais uma declaração ideológica sobre gênero, afirmou que vai tratar meninas como princesas e meninos como príncipes. Mas o que Alejandro e os 18 milhões de meninos e meninas desse Brasil desejam é não serem privados de direitos básicos como moradia digna, educação, informação, água, saneamento e proteção contra o trabalho infantil.

Na semana em que se comemora os 70 anos da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o que a família de Alejandro e tantas outras na mesma situação desejam é que o Brasil faça valer seu o Artigo 25:

I) Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si mesmo e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez ou casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.

II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

A pastora e futura ministra – que durante uma pregação em um culto evangélico disse ter visto Jesus Cristo quando estava em cima de uma goiabeira e impediu que o mesmo subisse na árvore para não se machucar – talvez consiga, num milagre ou passe de mágica, tratar meninos como príncipes e meninas como princesas. Porém, se ela fizer valer o Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, os milhões de Alejandros desse país já se darão por satisfeitos.

Cláudio Rodrigues é consultor de empresas.

BOLSA FAMÍLIA SUSTENTA 21% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

Bolsa Família sustenta mais de 20% da população brasileira

Os beneficiários do Bolsa Família representam mais de um terço da população de 11 Estados brasileiros, todos das regiões Norte e Nordeste. No Brasil, 21% da população vive com os benefícios do programa.

Os dados fazem parte de levantamento feito pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) a pedido do Valor e evidenciam a importância dos recurso para a população daquelas regiões.

O Maranhão é o Estado com a maior relação entre a população e quem vive dos valores do Bolsa Família. De acordo com o ministério, 48% da população do Estado recebe os recursos. Piauí e Acre vêm a seguir, ambos com 41%.

PARA BANCO MUNDIAL, CRISE PODE LEVAR 3,6 MILHÕES DE BRASILEIROS DE VOLTA À POBREZA

Banco recomenda reforço no Bolsa Família.

Banco recomenda reforço no Bolsa Família.

A crise econômica poderá levar até 3,6 milhões de brasileiros para abaixo da linha de pobreza até o fim do ano. A estimativa é do Banco Mundial, que divulgou estudo referente ao impacto da recessão sobre o nível de renda do brasileiro. A projeção considera que a economia encolherá 1% no segundo semestre de 2016 e no primeiro semestre deste ano (ano-fiscal 2016/2017).

Num cenário mais otimista, que prevê crescimento de 0,5% da economia nesse período, o total de pobres subiria em 2,5 milhões, segundo o Banco Mundial.

Pelos critérios do estudo, são consideradas abaixo da linha de pobreza pessoas que vivem com menos de R$ 140 por mês. Segundo o Banco Mundial, a maior parte dos “novos pobres” virá das áreas urbanas. O aumento da pobreza na zona rural, segundo o estudo, será menor porque as taxas de vulnerabilidade já são elevadas no campo.

BOLSA FAMÍLIA

O estudo também avaliou o impacto do aumento da pobreza no Programa Bolsa Família. De acordo com o Banco Mundial, 810 mil famílias passariam a depender do benefício no cenário mais otimista (crescimento econômico de 0,5%) e 1,16 milhão na previsão mais pessimista (queda de 1%).

Atualmente, o Bolsa Família tem 14 milhões de famílias cadastradas, informa o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário.

O Banco Mundial recomenda a expansão do Bolsa Família para fazer frente à crise. “A profundidade e duração da atual crise econômica no Brasil cria uma oportunidade para expandir o papel do Bolsa Família, que passará de um programa redistributivo eficaz para um verdadeiro programa de rede de proteção flexível o suficiente para expandir a cobertura aos domicílios de ‘novos pobres’ gerados pela crise”, destacou o estudo.

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil conseguiu construir uma das maiores redes de proteção social do mundo. A instituição recomenda que o orçamento do Bolsa Família cresça acima da inflação para ampliar a cobertura e atender a um número crescente de pobres. No cenário mais otimista, o programa deveria subir 4,73% acima da inflação acumulada entre 2015 e 2017. Na previsão mais pessimista, a alta deveria ser 6,9% superior à inflação.

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POXA, LUCIANO HUCK!

Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

O tal do Luciano Huck salva as tardes preguiçosas e extensas dos sábados. Ele sabe prender a nossa atenção. Eu, que tantas vezes sou contra a política do assistencialismo em troca de voto e/ou audiência, verto lágrimas com a fórmula batida e cansada dos quadros Lar Doce Lar, Lata Velha etc. Luciano transforma homens e mulheres comuns em grandes personagens. E o Brasil todo se comove facilmente, até mesmo quando não há mérito para tal.

Porém, neste sábado, 18 de junho, o contador de histórias se superou: apresentou ao Brasil uma mãe que cria duas filhas em São Paulo com R$ 300,00 por mês. A grande surpresa foi a dignidade com que aquelas meninas foram criadas. Huck, embasbacado com a delicadeza dos gestos, com a grandiosidade dos hábitos e o vocabulário delas, perguntou o que não deveria: “E o que é miséria para você?” Com um sorriso sincero no rosto, a mãe respondeu que miséria era falta de saúde para trabalhar. “Sou pobre, não miserável!”. E, sutilmente, provou o que disse.

A verdade é que, enquanto acompanhamos a luta de pais de classe média e classe média alta, com filhos cada vez menos interessados nos estudos, as duas filhas daquela senhora dão um show na escola e ainda fazem cursos almejando aumentar a renda familiar, como o de confeitaria. Enquanto presenciamos casos de adolescentes abastados envolvidos com álcool e drogas, elas fazem curso de música clássica com um violino emprestado, cantam e sabem inglês. E, ainda falando do lado material da coisa, enquanto queremos sempre ter os melhores aparelhos celulares, notebooks, ipads, etc, aquelas duas meninas nunca tiveram o prazer de comprar uma blusa sequer, vivendo de doações. Mas, elas têm uma pequena biblioteca em casa.

Devo ainda lembrar que, enquanto vemos famílias sendo destruídas por falta de respeito e amor ao próximo, o Brasil conheceu a intimidade de três pessoas que residiam em dois cômodos, sem privacidade alguma, e que dividiam um único colchão. Porém, elas tinham metas espalhadas pela casa que diziam assim: “ser mais calma e tranquila”, “ser pontual”, “ser ação e fazer doação”, dentre outras. Em pleno sábado à tarde, um tapa na minha cara e na cara de metade da população brasileira. Miseráveis, elas, Luciano?! Não mesmo!

Manuela Berbert é jornalista e colunista da Revista Contudo.

16 MILHÕES NA EXTREMA POBREZA

A ministra de Desenvolvimento e Combate à Fome, Tereza Campello, anunciou nesta terça-feira (3) que o Brasil tem 16,27 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, o que representa 8,5% da população. A identificação de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza foi feita pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido do governo federal para orientar o programa “Brasil sem Miséria”, que será lançado, segundo Campello, nas próximas semanas pela presidente Dilma Rousseff.

O objetivo do programa será garantir transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva para resgatar brasileiros da miséria. Do G1

FAMÍLIAS DESABRIGADAS TERÃO PRIORIDADE EM PROGRAMA HABITACIONAL

Barracos desmoronaram por causa da instabilidade do terreno (foto Waldir Gomes)

As 12 famílias que ficaram desabrigadas após o desmoronamento de barracos na área conhecida como Favela do Gongo, vizinha ao bairro São Lourenço, na periferia de Itabuna, terão prioridade na destinação de unidades habitacionais do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Segundo a Prefeitura, os desabrigados deverão morar futuramente em apartamentos que estão sendo construídos no bairro São Roque.

Os barracos desabaram neste fim de semana, enquanto a Emasa (Empresa Municipal de Água e Saneamento) fazia um reparo na rede de água. Uma adutora de 300 milímetros rompeu exatamente sob o aterro onde estava a favela. Apesar da instabilidade do terreno e da situação irregular das habitações, quatro famílias ainda insistem em permanecer na área.

As outras 12 famílias que aceitaram sair do local receberão R$ 200,00 de auxílio mensal, para cobrir despesas com água, luz e telefone. A remoção foi realizada com o apoio da Secretaria de Assistência Social.

Com o rompimento da adutora, a zona norte da cidade está sem abastecimento há cinco dias e a Emasa estima que serão necessários mais dois dias para terminar o conserto. A suspensão do fornecimento de água atinge os bairros São Lourenço, Pontalzinho, Novo Horizonte, setores dos bairros Santo Antônio, Castália e São Roque, além dos loteamentos Monte Líbano, Del Gally, Eugênio Brandão e São João.

“OH, MUNDO TÃO DESIGUAL…”

Às margens da BR-101, em Camacan, sul da Bahia, famílias tentam sobreviver em barracos que mal se sustentam em pé. Ao fundo, propaganda de grife, imagens que sugerem um mundo muito distante desse povo sofredor (a foto é de Luiz Tito)

FORMIGLI, O SUPERSINCERO

A TV Santa Cruz exibiu esta noite matéria sobre a situação dos moradores de rua de Itabuna, cujo número é estimado em 120, no mínimo. A reportagem terminou com uma pequena entrevista com o secretário de Assistência Social do município, Antônio Formigli Rebouças, que provocou assombro.

Formigli admitiu que há dificuldades de toda ordem para se resolver a questão dos moradores de rua. Disse que falta, por exemplo, uma casa de acolhimento, mas a Prefeitura está sem condições para a empreitada, além de existir “talvez, uma falta de sensibilidade da equipe como um todo“.

Nunca antes na história desta cidade um gestor público foi tão sincero e só por isso Formigli merece aplausos. Já sua gestão é igualzinha ao governo “como um todo”: de ruim pra baixo.

PASSADO, PRESENTE… FUTURO?

Daniel Thame | danielthame@gmail.com

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Num momento em que, por conta da disputa eleitoral de 2010, se tenta difundir a ideia de que o governo atual é um equívoco e que é preciso recolocar a Bahia nos trilhos do progresso e do bem-estar social, numa espécie de retomada do paraíso perdido, é de bom alvitre analisar os resultados do estudo anual sobre desenvolvimento dos municípios brasileiros.

O documento, elaborado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) é relativo aos anos de 2005 e 2006, não por acaso os dois últimos anos do sistema que controlou a Bahia com mão de ferro por mais de duas décadas e traz números reveladores.

Como uma espécie de corolário das desigualdades sociais, neste período a Bahia apresentou o pior desempenho no comparativo de 2005 e 2006 quando o assunto é desenvolvimento.

Os dados da Firjan, que levam em conta as áreas de Emprego/Renda, Educação e Saúde, demonstram que a Bahia caiu do 18º. para o 22º. lugar em desenvolvimento. Como se fosse possível (e foi) conseguiu-se piorar o que já era ruim.

Revelam mais: dos 500 municípios brasileiros com os menores percentuais de desenvolvimento, 188 são baianos. E mais ainda: quando se consideram os 100 piores, a Bahia ampliou de 27 para 34 o número de municípios (34% deles), em comparação com a avaliação anterior.

Se faltava uma espécie de título inglório para simbolizar esse quadro vergonhoso, não falta mais: Santa Luzia, cidadezinha encravada na Região Cacaueira da Bahia, apresenta o pior índice de desenvolvimento do país, superando localidades de estados que se julgava inferiores à Bahia como Piauí, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Santa Luzia, com seus índices africanos de desenvolvimento, faz contraponto com a campeã São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, como índices dignos dos mais ricos países europeus.

Ilhéus e Itabuna também refletem a realidade baiana. Em Itabuna, houve um recuo de 1,5% (sinal de estagnação, o que não é bom). Em Ilhéus, a queda foi de 10%, o que é péssimo.
Um estado cujos indicadores de emprego/renda, saúde e educação (sentidos no dia a dia pelos baianos e apenas confirmado pelos números) o colocam na rabeira do desenvolvimento brasileiro, não se conserta da noite para o dia ou num passe de mágica.

Os avanços, e eles existem, às vezes demoram para aparecer., dada a situação de extrema desigualdade, ainda mais quando se abre mão de obras faraônicas, de grande apelo propagandístico, e se investe em projetos que melhoram a qualidade de vida dos baianos.

Saúde e Educação, além da geração de emprego e renda, devem estar entre as prioridades de qualquer governo que se proponha a reduzir o imenso fosso que separa os poucos muito ricos dos muitos muito pobres.

Que esses dados sirvam de alerta para evitar que o mantra muito bem engendrado e repetido à exaustão, ofereça um futuro que na verdade é a volta ao passado.

Um passado em que o que era cantado em prosa e verso como a terra da felicidade era o reino da desigualdade.

O rei se foi, mas os súditos e candidatos a sucessor estão aí, verdadeiros mercadores de ilusões, vendendo o que nunca entregaram e certamente nunca irão entregar.

Daniel Thame é jornalista

www.danielthame.blogspot.com








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