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:: ‘preconceito’

“A BAHIA É UM LIXO”, DIZ LÍDER DO PSL NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Delegado Waldir diz que “a Bahia é um lixo” || Foto Cleia Viana/Câmara dos Deputados

O deputado e líder do PSL na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir, disse ontem em audiência que “a Bahia é um lixo”. Foi durante debate na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e contava com a presença do ministro da Educação, Abraham Weintraub, numa das comissões da Casa.

Delegado Waldir, deputado federal por Goiás, debatia com os deputados federais baianos Alice Portugal (PCdoB) e Bacelar (Podemos), quando cometeu a agressão contra o maior estado nordestino. Confira em vídeo postado no Twitter.

UFSB PROMOVE SEMANA DE COMBATE À LGBTIFOBIA

UFSB promove semana de combate à LGBTIfobia (Foto Gabriel Oliveira).

UFSB promove semana de combate à LGBTIfobia (Foto Gabriel Oliveira).

Nos dias 15,16 e 17 de maio será realizada, no campus Jorge Amado, a primeira Semana de Combate à LGBTIfobia. Segundo os organizadores, a semana terá exposição, debates, diálogos, intervenção e conscientização sobre a violência que os LGBTI sofrem todos os dias. O evento é aberto a toda comunidade e oferece certificação de participação.

A programação começa na segunda-feira (15) com a performance Sangrando, realizada pelos alunos Giulia Caroline e Pedro Lisboa, na entrada do pavilhão de aulas, às 18h. Na terça-feira (16), a programação começa às 17h, no auditório da reitoria, com a Cultural Colorida, com a estudante Yasmine Bandeira e microfone livre para quem quiser cantar, recitar, falar ou desabafar. Mais tarde, às 18h, ainda no auditório da reitoria, acontece uma roda de conversa com o tema “LGBTIfobia no microcosmo da universidade”, com a presença de alunos militantes LGBTI da UFSB e UESC.

Já na quarta (17), será comemorado o dia internacional de combate a LGBTfobia. Nesse dia, marcado por lutas e conquistas históricas, será realizado um cine-debate com a exibição do filme Bichas (2016), no auditório da reitoria, a partir das 18h, e contará com a presença de professores, estudantes e convidados.

Durante os dias 08 a 16, haverá um armário na entrada do pavilhão de aulas, onde as pessoas poderão colocar seus relatos LGBTIs e suas interseccionalidade. A Semana de Combate a LGBTIfobia é uma iniciativa dos estudantes LGBTIs da UFSB com apoio do docente Rafael Guimarães e do setor cultural da PROSIS.

INTERNET AJUDOU A DERRUBAR O MITO DA TOLERÂNCIA BRASILEIRA

bob vieira da costaBob Vieira da Costa

 

Já passou o tempo em que a internet era terra de ninguém. Não faltam canais para denúncias. O acesso a um meio amplo de comunicação, aliado a uma ideia distorcida de liberdade, fez com que os intolerantes encontrassem eco.

 

A internet vem ajudando a derrubar o mito de que nós brasileiros somos tolerantes às diferenças. Histórias que desnudam a intolerância entre nós surgem a cada dia. Para cada caso com pessoas conhecidas noticiado na mídia, há outros milhares nas redes sociais.

Cabelo ruim, gordo, vagabundo, retardado mental, boiola, malcomida, golpista, velho, nega. Expressões como essas predominam nas nuvens de palavras encontradas em posts que revelam todo tipo de intransigência ao outro, em vários aspectos: aparência, classe social, deficiência, homofobia, misoginia, política, idade, raça, religião e xenofobia.

Segundo dados da ONG Safernet, denúncias contra páginas que divulgaram conteúdos do tipo cresceram mais de 200% no país. Num primeiro momento, parece que a internet criou uma onda de intolerância.

O fato, porém, é que as redes sociais apenas amplificaram discursos existentes no nosso dia a dia. No fundo, as pessoas são as mesmas, nas ruas e nas redes.

Vejamos: o Brasil lidera as estatísticas de mortes na comunidade LGBT (dado da Associação Internacional de Gays e Lésbicas); mata muito mais negros do que brancos (Mapa da Violência); aparece em quinto lugar em homicídios de mulheres (Mapa da Violência); registrou aumento de 633% nos casos de xenofobia (Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos); e 6,2% dos seus empregadores confessam não contratar pessoas obesas (site de recrutamento).

A intolerância nas redes é resultado direto de desigualdades e preconceitos sociais em geral, não é uma invenção da internet. O ambiente em rede facilita que cada um solte seus demônios, ao dar a sensação de um pretenso anonimato. O mundo virtual é, portanto, mais uma forma de os intolerantes se manifestarem e ampliarem seu alcance.

Para se ter ideia, nossa agência, por meio da iniciativa Comunica que Muda, resolveu medir a intolerância na internet durante três meses, utilizando a plataforma Torabit.

De abril a junho, foram analisadas nada menos que 393.284 menções aos tipos de intolerância citados no início do texto. O percentual de abordagens negativas dos temas ficou acima de 84%. No caso do racismo, chegou a 97,6%.

O maior número de menções (220 mil) foi para a política, seguido da misoginia (50 mil), mas há que se ressaltar que o tema reflete a crise atual. Entre os Estados, o Rio de Janeiro registrou o maior número de citações (58.284), apesar de, proporcionalmente à população, o Distrito Federal ser o mais intolerante.

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IDENTIDADE NEGRA SOB O TAPETE

Cel artigo 2016Celina Santos | celinasantos2@gmail.com

 

É lamentável saber que ainda haja quem teime em hostilizar pessoas pela cor da pele;

 

Desde o 13 de maio em que foi formalmente abolida a escravidão no Brasil, passaram-se 128 anos, mas o racismo caminha na mesma velocidade que guia o mito da democracia racial. A identidade nacional, cunhada exaltando elementos como o samba, a capoeira, a culinária influenciada pela África, também exibe um esforço para relegar à condição de folclore a nossa negritude.

De um lado, 54% da população carregam, seja no fenótipo ou apenas na etnia, a herança africana aqui plantada durante mais de 300 anos de trabalho escravo. De outro, permanecem fortes os resquícios da chamada “Ideologia do Branqueamento”, marcada pelo estímulo à vinda de imigrantes europeus após a Abolição. Tudo para que não predominasse no país a aparência dos afrodescendentes.

A versão contemporânea de tal ideologia pode ser comprovada no cotidiano. Apesar do discurso da miscigenação racial, da ausência de preconceito, da beleza única do nosso povo, segue o culto ao alisamento dos cabelos; ao clareamento dos fios (mesmo que a pele e a sobrancelha não combinem com as madeixas); à rinoplastia, cirurgia plástica para tornar o nariz mais parecido com o europeu, dentre tantos exemplos.

Mas a questão não se esgota no plano da estética. É lamentável saber que ainda haja quem teime em hostilizar pessoas pela cor da pele, situação que só costuma virar “caso de polícia” quando o atingido é um jogador de futebol, um ator, atriz ou qualquer outra figura que mostre a cara na televisão. Conquanto seja crime, o racismo sobrevive de forma velada e, por isso, tão difícil de ser punido.

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ENTRE A LIBERDADE E A TOLERÂNCIA

Jackson LessaJackson Lessa | jacksonslessa@hotmail.com

A Europa está “grávida de acontecimentos”. Poderemos ter novos tiroteios, novas explosões, perseguições aos muçulmanos, intensificação da Islamofobia. Não será esse o desejo dos radicais? Provocar uma verdadeira guerra de civilizações?

O recente ataque à sede de uma revista francesa será mais um sintoma do chamado choque de Civilizações? Não podemos nos dar ao luxo de restringir a discussão em torno apenas da liberdade de expressão. Os meios de comunicação parecem se incomodar mais com o fato de ter sido um veículo de imprensa do que o fato de terem sido vidas humanas.

Na verdade, torna-se necessário compreender as possíveis causas desse ataque. Apesar de injustificável, ele é resultado de uma política de intolerância, que não se limita ao estilo jornalístico da revista e, sim, ao comportamento de grande parte da sociedade europeia, e até mesmo ocidental, em relação aos muçulmanos.

Vale lembrar que alguns fundamentalistas não representam a totalidade dos seguidores da religião. Esse evento francês envolve várias esferas, diferindo-se do 11 de setembro, nos EUA, principalmente por ter ocorrido na Europa, e em um momento em que o continente está em convulsão política e econômica.

Historicamente, a Europa ocidental sempre encarou outros continentes e outras religiões com preconceito. Em inúmeras ocasiões, os europeus olharam o diferente como divergente, e acharam essa diferença ameaçadora, quase uma maldição.

Após os ataques à Revista Charlie Hebdo a palavra mais utilizada foi DEMOCRACIA. Mas podemos falar realmente em democracia quando imigrantes são considerados invasores, além de difundir-se uma espécie de islamofobia?

Dois dias antes do referido crime, na Alemanha, várias pessoas foram às ruas protestar contra o que eles chamavam de islamização do país, dando sinais claros de preconceito religioso e xenofobia, fazendo com que a chanceler, Ângela Merkel, tivesse que se pronunciar oficialmente contra esse movimento.

Pesquisas apontam que 57% dos alemães consideram o islamismo uma ameaça, e 60% acham que a religião é incompatível com o Ocidente. A palavra-chave para esse lamentável acontecimento é TOLERÂNCIA. Entretanto, para quem faltou tolerância? Os fundamentalistas que não aceitaram críticas satirizadas ou os jornalistas que atingiram a imagem do islamismo?

A situação é complexa. Autoridades do mundo inteiro, entre eles Obama e Dilma, falaram que é inadmissível atingir valores democráticos como uma instituição da imprensa. Verdade, a imprensa deve ser a porta-voz da sociedade e por isso podemos, sim, considerar que a sociedade democrática foi atingida, de forma covarde, e isso precisa de punição. Porém, é admissível atingir valores sagrados da religião alheia?

Uma das grandes características da modernidade é a multiplicidade religiosa, o que exige de todos, independente do credo, a prática da tolerância, que seria a capacidade de aceitar o diferente, “o que não é espelho”. Relembrando Frei Betto: “das intolerâncias, a mais repugnante é a religiosa, pois divide o que Deus uniu, incentiva disputas e guerras, dissemina ódio em vez de amor”.

Não podemos ver apenas a árvore, precisamos perceber a floresta. Os próximos dias e meses poderão ser muito complicados. A Europa está “grávida de acontecimentos”. Poderemos ter novos tiroteios, novas explosões, perseguições aos muçulmanos, intensificação da Islamofobia. Não será esse o desejo dos radicais? Provocar uma verdadeira guerra de civilizações? E agora? Será que veremos liberdade e tolerância?

Jackson Lessa é professor de Geografia e Atualidades em escolas e cursos pré-vestibulares de Itabuna e região.

HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO E SUCESSO NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Domingas contou sua história de superação e sucesso em evento no CCAF (Foto Gabriel Oliveira).

Domingas, ao microfone, conta sua história de superação e sucesso (Foto Gabriel Oliveira).

Lorena Guimarães

Relatos de preconceito na roda de conversa “Mulheres Negras”, no Centro de Cultura Adonias Filho, ontem (19), emocionaram as pessoas que participaram da atividade. O evento reuniu testemunhos dos que conviveram e ainda convivem com o preconceito étnico-racial no dia-a-dia.

Um dos momentos mais marcantes da roda de conversa Mulheres Negras, ontem, no Centro de Cultura Adonias Filho, foi o relato da trajetória de vida da educadora, psicóloga e coordenadora do Movimento Negro Unificado, Maria Domingas Mateus de Jesus. Filha de agricultores, ela saiu da cidade de Ituberá, no Baixo Sul do Estado, e aqui conseguiu se firmar no mercado de trabalho. “Meu pai sobrevivia aqui em Itabuna da pesca no Rio Cachoeira. Muitas vezes o peixe por ele pescado era o único alimento na nossa mesa”, contou.

E acrescentou: “Certa vez, pai não tinha chegado da pescaria e minha mãe me disse: ‘você não vai à escola’. Mas fui, porque sabia que lá teria merenda. Neste dia, a professora que nunca se aproximou de mim, colocou-me de castigo, porque eu disse que a filha dela era metida. Isso sempre me marcou”, contou a educadora emocionada.

Maria Domingas ainda assiste a manifestações de preconceito como a que sofreu no condomínio onde mora. “No meu prédio, parece mentira, mas muitos ainda me olham desconfiados. Outro dia eu fui até a piscina com minha filha e uma moradora chegou a perguntar à síndica o que eu estava fazendo ali. Recebeu como resposta que eu era moradora e se calou”, relatou.

HOJE TEM CORTEJO A ZUMBI DOS PALMARES

Nesta quinta-feira, ao som de atabaques, chocalhos e outros instrumentos musicais afro-brasileiros e com indumentárias, o cortejo em homenagem a Zumbi dos Palmares, sairá às 17 horas do Jardim do Ó em direção ao monumento Berimbau, na Avenida Princesa Isabel, no Banco Raso.

Será o ponto culminante das festividades promovidas pelo Coletivo de Entidades Negras de Itabuna e do Comitê Gestor Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial no Dia da Consciência Negra para que seja lembrado um dos um dos líderes de nossa história desde o Brasil Colonial.

AOS URUBUS, COM CARINHO!

ricardo bikeRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

 

A história costuma se repetir, permitindo até a previsão de certas ofensivas. Na década de 50, com a UDN e o império de comunicação de Assis Chateaubriand; agora, com os tucanos, a Veja e a Rede Globo, com suas denúncias enlatadas que tentam subverter até o ordenamento jurídico.

 

A eleição acabou, mas muita gente ainda não desceu do palanque. Divulgado o resultado, compete aos brasileiros – todos – torcer para que o governo acerte o passo e cumpra seus compromissos. “Urubuzar”, como apraz a uma parcela de jacus baleados, é a verdadeira burrice que gente raivosa enxerga na opção alheia.

Nem gostaria de fazer mais comentários sobre essa campanha eleitoral (na verdade, agora deu uma preguiça danada de ficar chovendo no molhado). Mas o festival de bobagens que inunda as redes merece ao menos alguma observação.

Aos que desconhecem a história, recomenda-se a leitura do último dos três volumes da biografia do ex-presidente Getúlio Vargas, um belíssimo trabalho de apuração do escritor Lira Neto. A mesma campanha na mídia, a mesma direita raivosa, até a mesma Petrobras mergulhada em um tal “mar de lama”, produzindo um clima de ódio na sociedade que levou ao desfecho que todos (suponho) conhecem.

A história costuma se repetir, permitindo até a previsão de certas ofensivas. Na década de 50, com a UDN e o império de comunicação de Assis Chateaubriand; agora, com os tucanos, a Veja e a Rede Globo, com suas denúncias enlatadas que tentam subverter até o ordenamento jurídico. Na Código de Processo do PIG, uma delação premiada vale por uma condenação consumada.

Com esse fermento, adicionado à inconformidade de certos setores com a ascensão de quem antes vivia excluído, a direitona agora constrói um cenário de terceiro turno.

Hoje, um professor de ginástica comentava o tema sob o enfoque que lhe toca. Tempos atrás, havia apenas dondocas e playboys nas academias. “O pobre só tinha dinheiro para o básico”… Pobre nas academias, faculdades públicas e privadas, com conta bancária, frequentando restaurante, de carro novo e viajando de avião… Tudo isso dá urticária em muita gente metida a besta, que hoje extravasa sua bronca em fétidas postagens nas redes sociais.

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INTELIGÊNCIA NORDESTINA

Mariana FerreiraMariana Ferreira |mariana.sferreira90@gmail.com

 

O discurso de que o Bolsa Família é o que sustenta a maioria dos nordestinos é um mito comprovado em levantamento da Universidade Federal de Alagoas. Segundo os dados, existem mais pessoas que recebem da Previdência ou têm emprego formal do que beneficiários do programa de distribuição de renda.

 

Alegra-me poder discordar de quem acredita que nordestino é ignorante ou esfomeado. A visão, arcaica como é, desmonta-se na realidade. É fortunoso visualizar que o nordestino, bem como moradores de outras regiões do Brasil, não tem mais a miséria como motivo prevalente para estar em São Paulo, o que é a grande crítica do anti-nordestino, especialmente quando um petista ganha as eleições presidenciais.

Mudar-se para São Paulo não é demérito nenhum, ser nordestino e ir morar lá também não, simplificar essa relação, atrelando-a à pobreza e ignorância, é mera bobagem e completa desinformação. De toda forma, é interessante perceber como essa realidade foi modificada ao longo dos últimos anos, afinal, o Nordeste é a região com maior retorno de migrantes, segundo o IBGE.

E há motivos políticos para isso. Quer se queira ou não, após doze anos do PT conduzindo o governo federal, temos simplesmente um milhão de estudantes a mais no ensino superior no Nordeste, temos sete das dezoito universidades federais criadas nesse período em todo o Brasil, e todas fora das capitais e ainda com unidades em mais de um município. Temos ainda estudantes no programa Ciências Sem Fronteiras sendo premiados no exterior por inovação, além de um montante de obras estruturantes invejável para outras regiões. O nordestino tem o direito de ficar onde ele quiser, inclusive de voltar para casa, como milhares têm feito nesses novos tempos, já que têm estrutura melhor para isso.

O discurso de que o Bolsa Família é o que sustenta a maioria dos nordestinos é um mito comprovado em levantamento da Universidade Federal de Alagoas. Segundo os dados, existem mais pessoas que recebem da Previdência ou têm emprego formal do que beneficiários do programa de distribuição de renda, que concede ao favorecido o máximo de 175 reais mensais. Paralelamente, têm-se 8,9 milhões de nordestinos com emprego formal, ante 4,8 milhões em comparação a 2002.

Com essa realidade posta, para o nordestino, votar em Dilma é uma preferência racional. Foi o que 71,5% deles deixaram claro nas urnas no último domingo. Não é para menos, já que em oito anos um nordestino fez jus à sua terra e em mais quatro uma mineira fez jus à transformação daquela que se tornou a menina dos olhos do governo federal.

Mariana Ferreira é comunicóloga.

PILOTO XINGA NORDESTINOS E É DEMITIDO DA AVIANCA

Post foi copiado por um comunicador da Paraíba (Reprodução).

Post foi copiado por um comunicador da Paraíba (Reprodução).

O piloto Eduardo Pfiffer usou o seu perfil no Facebook para xingar nordestinos após, segundo ele, ter sido mal atendido em um restaurante em João Pessoa. “Para manter o padrão porco, nojento, relaxado, escroto de tudo no Nordeste como sempre”, escreveu. Um apresentador paraibano, Nilvan Ferreira, divulgou o caso, também no Facebook.

Hoje a Avianca comunicou a demissão do piloto. Em nota, citou que “repudia veementemente o comentário atribuído a um funcionário seu, veiculado nas redes sociais, de cunho preconceituoso” e disse ter “respeito e admiração por todos os povos, independentemente de sua origem”.

O piloto “faminto” ainda retirou o comentário da internet, mas era tarde. Por fim, restou pedir desculpas e dizer que não era preconceituoso, tinha amigos nordestinos e que sua namorada é de Recife (PE).

“ISSO É COMENTÁRIO DE MULHER MAL-COMIDA”, DISSE O “HOMEM DE VERDADE”

sakamotoLeonardo Sakamoto | Blog do Sakamoto

Ouvi a história e achei interessante contar. Porque a reação é sempre que a mulher se destemperou e não de que o maluco em questão havia extrapolado os limites da convivência.

 

– Tá tão bom esse jantar que você já pode casar!

A frase pousou na mesa de jantar tão leve quanto é possível para um golden retriever sujo e molhado, que sai correndo do jardim e, sem muita noção do próprio tamanho, lambuza todos à sua volta.

A bem da verdade, ela recebera a contragosto aqueles convidados. Pedido do chefe, que queria usar a sua melhor repórter para aumentar o interesse do pessoal da área comercial e de agências de publicidade com o jornalismo online que produziam. Então, reuniu velhos amigos para uma conversa sobre perspectivas do mercado digital – ou alguma abobrinha semelhante – e pediu o favor.

O problema é que ela não era a sua melhor repórter à toa.

– Oi, como disse?
– Que tá tão bom esse jantar que você já pode até casar.
– Desculpe, não entendi.
– Ah, é uma expressão antiga. Você já tem tudo que se espera…
– … de uma mulher?
– Não de uma boa…
– …dona de casa?
– Não, de alguém que…
– … que existe para servi-lo?

Percebendo aonde isso ia dar, o chefe tentou jogar panos quentes.

– Quando se cansar do jornalismo, a Clarice* pode abrir um restaurante!

Mas aí já era tarde demais.

Dado os comentários que o incômodo convidado fez, mangando da reação da anfitriã, os papeis já haviam sido identificados. E se ele fosse desempenhar o do “porco”, ela não ficaria na plateia batendo palmas como a “submissa”.

Após o jantar e a sobremesa, todos foram para a sala de estar a fim de beber e jogar conversa fora. Lá, o convidado, para provocar ainda mais, começou a cometer impropérios sobre o lugar do homem e da mulher, piadinhas a respeito do gênero de produtos de limpeza e reflexões sobre o que é ser um “homem de verdade” nesse mundo confuso.

O único momento em que se dirigiu a Clarice foi para perguntar:

– Poxa, mas meu cálice está seco há um século.
– Desculpe! Mas como você está falando besteira há tanto tempo, achei que já havia bebido demais.
– Isso é comentário de mulher mal-comi…

Antes que pudesse terminar a frase, um cálice de tinto chileno – de boa safra, diga-se de passagem – voou em sua camisa branca. E algumas pessoas que estavam no jantar, mesmo com a memória afetada pelo álcool, juram que tudo teria terminado em furdúncio se o sujeito não tivesse sido controlado pelos demais.

– Vagabunda! Mulher não me trata assim – resmungou, antes de sair porta afora e noite adentro.
– Acostume-se, o mundo mudou! – ainda disse ela.

O chefe ponderou que, apesar do cara ser um idiota, ela deveria se controlar mais:

– Por sorte, ele não era de uma agência grande…
– Não, você não está entendendo. Por sorte, o que eu tinha na mão era uma taça de vinho, não alguma coisa pesada ou cortante.

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HERALDO PEREIRA DIZ QUE PAULO HENRIQUE AMORIM FAZ UMA “LEITURA INTOLERANTE

Anderson Scardoelli, do Comunique-se

A edição de abril da Raça Brasil traz uma entrevista com o repórter de política e eventual apresentador do ‘Jornal Nacional’, da Rede Globo, Heraldo Pereira. À publicação, o jornalista respondeu a 19 perguntas feitas por Amilton Pinheiro. Além de falar da carreira, o âncora substituto do ‘JN’ falou pela primeira vez a respeito do processo movido contra Paulo Henrique Amorim, da TV Record. De acordo com ele, o colega de profissão foi intolerante e precisava pagar pelo ato racista.

Na entrevista à publicação da Editora Escala, que está disponível na íntegra na internet, Heraldo diz ter orgulho de sua raça e criticou relacionou a conduta de Amorim, que postou no blog Conversa Afiada que o jornalista só fazia sucesso por ser negro e de origem humilde, com a política. “Não vou permitir que um indivíduo que faz propaganda do que é ser negro em suas rodinhas de convertidos tardios ao esquerdismo, todos criados em berço de ouro, venha me dizer o que é ser negro”, afirmou o jornalista da Globo.

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NADA ALÉM DE INFANTILIDADE

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

 

Chamar uma mulher de chimpanzé doido me lembra aquelas patéticas discussões de crianças de quatro anos de idade.

 

 

Professor Marcos Peres, na boa, não estou certo se o senhor é preconceituoso, mas é sem dúvida alguma um sujeito que não pensa no que diz. Tudo bem, este é um tempo – felizmente – de liberdade de expressão, em que somos livres para manifestar nossas opiniões, muito embora devamos saber que há um preço a ser pago quando se ultrapassa o limite do direito, respeito e sentimento alheios.

O professor tem todo direito de não gostar de arrocha e axé, e devo admitir que esses dois estilos também não tocam aqui em casa. Concordo que boa parte das músicas que fazem a cabeça da galera colocam a mulher abaixo do chão, mas comparar as beldades a chimpanzés doidos não foi uma ideia das mais felizes e inteligentes. Depois, para escapar do vexame, recorrer ao xamanismo e outras saídas pela tangente… Não cola.

O senhor faz parte do corpo docente de uma universidade pública, milita com as ciências humanas e deveria ser mais tolerante com as diferenças. No mínimo, o professor deveria ser mais prudente com as palavras… Em vez disso, sendo um paulista, fez um ataque duro às mulheres baianas e nordestinas.

Escutei hoje numa rádio de Ilhéus o comentário de um ouvinte que afirmou concordar com o senhor, mas só pela metade. Ele também desaprova as músicas depreciativas, mas considera que o mestre extrapolou ou se empolgou, talvez com os freios do bom senso adormecidos pela facilidade e informalidade que nos inspiram – e às vezes no traem – no Facebook.

Soube que estão fazendo fila nos corredores da faculdade e tem gente se amontoando em frente à sala onde o senhor leciona. Não se preocupe com ataques xenofóbicos porque baiano sempre tratou paulista com a maior fidalguia, muito embora a recíproca nem sempre tenha ocorrido. A turma que curte um fuá está só de calundu, mas isso passa.

Para finalizar, uma reminiscência: chamar uma mulher de chimpanzé doido me lembra aquelas patéticas discussões de crianças de quatro anos de idade, quando uma chama a outra de algo como “cara de lagartixa” e a outra responde “e você, seu cabeça de caramujo”… Ou “seu chimpanzé doido”, sei lá…

Certo é que para uma criança algo assim é inofensivo e no máximo engraçado. Para um professor universitário, não passa de infantilidade.

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA.

PROFESSOR É INTERPELADO NA UESC POR COMPARAR BAIANAS A CHIMPANZÉ

Peres e o chimpazé: interpelado por colegas.

O professor de Sociologia que, no Facebook, comparou baiana dançando a um chimpanzé passou por apuros na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) no retorno do “feriadão”. Os colegas de departamento exigiram retratação por parte de Marcos Peres, e consideraram a atitude do professor incompatível e preconceituosa.

Paulista de origem, o professor leciona a disciplina Sociologia da Educação, na Uesc, e foi no Facebook que ele primeiro criticou a sensualidade da mulher baiana e, em seguida, falou do tango e completou: “não precisa mostrar a bunda e rebolar como chimpanzé doido para se chamar atenção dos homens… kkkk”.

O comportamento do professor Marcos Peres no Facebook foi revelado pelo site Jornal Bahia Online, na última segunda (14). Depois do retorno do feriadão (não houve aula na Uesc na segunda), os professores do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH) interpelaram Peres. Os colegas esperam retratação pública.

Como veiculado pelo JBO, o reitor Joaquim Bastos disse que Peres não responderia a sindicância porque a opinião não foi expressa em sala de aula. “Ele que arque com as consequências”, completou. A atitude do reitor da Uesc também sofreu críticas de parte do corpo docente da universidade.

Leia também
PROFESSOR DA UESC NÃO VÊ DIFERENÇA ENTRE
BAIANA REBOLANDO E “CHIMPANZÉ DOIDO”

MARCHA DAS VADIAS

Do Bahia Notícias:

Na primeira vez que desfila em Salvador, a Marcha das Vadias reuniu cerca de 50 jovens mulheres que protestaram contra aspectos machistas da sociedade, como a velada culpa que é imputada às mulheres vítimas de estupro. “

Minha roupa curta não é um convite” ou “A causa do estupro é o estuprador”, diziam as faixas e cartazes espalhados pelo bloco.

Ao contrário do que aconteceu nos protestos similares pelas demais capitais do país, em Salvador não houve topless das participantes.

OAB-CE ENTRARÁ COM AÇÃO POR OFENSAS CONTRA NORDESTINOS

Dois internautas ficaram extremamente irritados com o êxito do Ceará diante do Flamengo nas quartas de final da Copa do Brasil e resolveram partir para a mais pura ignorância. Ontem, no final da partida em Fortaleza, alguém que se apresenta na web com o nome Amanda Régis escreveu o seguinte no Twitter: “Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que tem moral, cambada de feios. Não é atoa que não gosto desse tipo de raça” (sic).

As ofensas redigidas em português precário não foram as únicas. Outro usuário, que se identifica como Luciano Farah, postou três comentários contra nordestinos. Em um, registrou que “Só vim no twitter falar o qnto os NORDESTINOS é a DESGRAÇA do brasil.. pqp! bando de gnt retardada qe acham que sabe de alguma coisa” (sic).

Os semi-analfabetos preconceituosos serão alvo de notícia-crime que a OAB encaminhará ao Ministério Público Federal. Na web, a reação às ofensas também veio “à altura”. Confira.

CQC, BOLSONARO, DISCRIMINAÇÃO, DESRESPEITO…

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), reacionário assumido, participou ontem de um quadro de perguntas e respostas do programa CQC, da TV Bandeirantes. Não era pra dar em boa coisa. Confira a participação polêmica do parlamentar que pouco (ou nada) acrescenta às discussões no Congresso Nacional.

DEPUTADO É AMEAÇADO AO DEFENDER CASAMENTO GAY

Do Poder Online

A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, ofereceu agora há pouco toda uma estrutura de segurança parlamentar e de investigação ao deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que denunciou ter sofrido ameaças de morte nas redes sociais desde que defendeu o casamento gay.

Homossexual assumido, Wyllys está montando um dossiê com todas as ameaças e injúrias para entregá-lo à Secretaria dos Direitos Humanos e à Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Confira também: CASO DE HOMOFOBIA NO “INFERNINHO” GERA PROTESTO

PLANETA DOS MACACOS

Tião Barros | tiaoart3@uol.com.br

Um torcedor jogou uma banana no campo, com endereço certo. Não foi só para o Neymar, foi para todos os brasileiros.

Um episódio que aconteceu no jogo Brasil e Escócia me chamou mais a atenção que o resultado em si. Não mais que a atuação genial de Neymar.

Um torcedor jogou uma banana no campo, com endereço certo.

Não foi só para o Neymar, foi para todos os brasileiros.

Não quero aqui incentivar um problema para embaixador resolver até porque na Escócia, terra do bom e velho whisky, tem gente boa.

Porém, esta manifestação racista merece uma repreensão veemente.

Ninguém deve ser humilhado. No Brasil, estamos discutindo o bullying.

A sociedade brasileira é feita de índios, brancos, negros e asiáticos. Brasileiros que estão fazendo crescer uma grande nação. Sociedade que merece respeito.

Temos muito ainda o que melhorar. E como! Mas já estamos muito mais perto de superar o racismo que em outros continentes.

A CBF, antiga CBD (para não esquecer que o nosso futebol é o melhor do mundo há muito tempo) deve, por respeito a Neymar, entre outros brasileiros vítimas de racismo pelos estádios a fora, não disputar amistosos por 3 partidas, apenas para repreender e, com isso, fazer o velho e o novo mundo pensarem mais seriamente sobre o assunto.

Racismo e humilhação são vergonhosos para quem pratica.

E ao cara que jogou a banana, apenas para ele, enfie a banana…

Tião Barros é publicitário e diretor da Art3.

Racismo e humilhação é vergonhoso para quem pratica.

E ao cara que jogou a banana, apenas para ele, enfie a banana…








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