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:: ‘Ramiro Aquino’

UMA HOMENAGEM A WALDIR – E À DEMOCRACIA

O ex-governador e ex-ministro Waldir Pires faleceu na manhã da última sexta-feira (22), enquanto o Brasil sofria para, ao final, vencer a Costa Rica por 2 a 0. Abaixo, republicamos, pela sua importância histórica, um artigo do jornalista Marival Guedes relatando um dos momentos da vida de Waldir Pires. Era o primeiro ano do mandato de vereador de Salvador. 2013.

Marival, numa das crônicas semanais ao PIMENTA, relatava diálogo que teve com o ex-governador e um dos momentos daquele fervilhante 2013, já na Câmara de Salvador e numa audiência em que o Movimento Passe Livre puxava as discussões na capital baiana.  O corpo de Waldir Pires foi cremado ao final da manhã deste domingo.


DE DISCURSOS E DE RENÚNCIAS

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

Na audiência pública realizada pela Câmara, atendendo solicitação do Movimento Passe Livre (MPL) Salvador, mais de 300 entusiasmados jovens lotavam o Centro de Cultura. Foram 50 oradores, cada um com direito a três minutos, tempo controlado rigidamente pelo presidente do legislativo, Paulo Câmara.

Havia integrantes de vários partidos, outros que se autodenominam independentes e os antipartidários. Vários deste último grupo, bastante raivosos, os mais barulhentos. Muitas vezes as vaias impediam o pronunciamento, sendo necessária a intervenção do coordenador.

Mas quando um orador iniciou seu discurso, o silêncio foi total. Lembrando o que escreveu o compositor maior, naquele momento ouviríamos o barulho de “uma lágrima a cair no chão”. O vereador Waldir Pires (PT) começou elogiando os jovens e lembrou que começou aos 16 anos na luta contra o nazismo, de posição racista.

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana (Foto Paulo Macedo/BocãoN).

Waldir Pires hoje é vereador na capital baiana || Foto Paulo Macedo/BNews).

Falou da interrupção da democracia, com o golpe militar, quando muitos foram vítimas do exílio, torturas e assassinatos. Disse que continua na política (ele está com 86 anos), porque é a única forma de civilização humana de se transformar toda a sociedade.

Comemorando este novo momento, disse: “De repente vocês explodem e me deixam muito feliz”. Quando o coordenador da mesa avisou que o tempo estava se esgotando, a plateia de jovens do MPL se levantou e pediu para deixá-lo continuar. O ex-governador falou mais alguns minutos e encerrou com palavras de estímulo: “Continuem esta luta por uma sociedade livre e justa”. Novamente aplaudido de pé.

A RENÚNCIA

Conheço pessoas que não perdoam Waldir Pires por ter renunciado ao governo do estado em 1989, dois anos após a posse, para ser candidato a vice-presidente da República na chapa de Ulisses Guimarães, passando o cargo para o vice, Nilo Coelho. Certa vez, numa visita que ele fez à TV Cabrália perguntei, ao lado do então superintendente Ramiro Aquino, sobre a renúncia e expus os comentários dos bastidores.

“Professor são três as hipóteses que circulam sobre a renúncia: 1º) Que já havia este acordo com Nilo Coelho. 2º) que o senhor recebeu dinheiro. 3º) Que teve medo de morrer”.

(À época circulou uma informação sobre um atentado à vida dele. Foi encontrado um mapa geográfico no tanque de combustível do avião do estado, momentos antes do seu embarque.)

Waldir respondeu com a serenidade que o caracteriza: “Meu filho, não havia acordo, quem quer dinheiro fica no poder e quem tem medo não enfrenta uma ditadura. Renunciei por que acreditava que o doutor Ulisses ganharia a eleição, pois tínhamos 22 governadores do PMDB.”

CIRCUNSTÂNCIAS

Waldir não tomou decisão de última hora. A escolha para ser o candidato do partido era através do voto em dois turnos. Na convenção nacional do PMDB, além do então governador da Bahia, havia na disputa Ulysses Guimarães Iris Resende e Álvaro Dias. Ulysses e Waldir foram os dois mais votados, com Ulisses na frente. Para evitar o segundo turno, que poderia gerar uma divisão, o partido entrou em consenso e Waldir Pires ficou na vice, prevalecendo a lógica do mais votado. Talvez hoje Waldir argumente, “ eu sou eu e minhas circunstâncias”.

Marival Guedes é jornalista.

PERSPECTIVAS DO JORNALISMO REGIONAL SÃO DEBATIDAS EM EVENTO NO JEQUITIBÁ

O Curso de Jornalismo da Unime Itabuna promoverá um bate-papo com profissionais da área, nesta quinta (5), a partir das 18h, no Shopping Jequitibá, na área em frente à C&A.

Ramiro Aquino, Marcel Leal, Lohana Magnavita e Karen Póvoas, além do professor Tuca Souza, vão abordar a relevância e as perspectivas do jornalismo regional. A programação é alusiva ao Dia do Jornalista, 7 de abril.

O bate-papo com os profissionais de veículos como Morena FM, Jornal A Região, e TVs Cabrália e Santa Cruz terá mediação de Laísla Ohara.

Após o bate-papo, haverá stand up comedy reunindo nomes como Lucas Hussein e Hanny Montenegro. Para o professor Rodrigo Muniz, a atividade dá vazão às atividades desenvolvidas pelos alunos durante o curso.

TV CABRÁLIA, UMA HISTÓRIA DE 30 ANOS

Maron, Ramiro, Nestor, Rui e Daniel idealizaram comemoração

Maurício, Ramiro, Nestor, Rui e Daniel idealizaram comemoração

No dia 12 de dezembro, a primeira emissora de televisão do interior nordestino, a TV Cabrália, completa 30 anos de inaugurada. Ubaldo Porto Dantas era o Prefeito de Itabuna, Waldir Pires era o Governador da Bahia e na presidência da República estava José Sarney.

O então Senador Luiz Viana Filho deu nome ao complexo televisivo, uma iniciativa do filho Luiz Viana Neto, associado a Enrique Marques Barros e outros companheiros que já comandavam a TV Aratu, em Salvador. A obra foi edificada em menos de seis meses, atuou inicialmente como afiliada da Rede Manchete, sendo mais tarde vinculada ao SBT, Rede Família e Record News e, como sendo autorizada a atuar como emissora geradora por pouco tempo atuou como emissora independente.

Hoje fazendo parte da Rede Record, a primeira televisão do interior nordestino é parte integrante da história recente das comunicações nas regiões sul, sudoeste e extremo-sul da Bahia, num ano rico para a imprensa regional, onde nasceram também o Jornal A Região, em abril e a Rádio Morena FM, em dezembro.

A SAGA DOS PIONEIROS

Equipe reúne 30 anos de história da emissora

Equipe reúne 30 anos de história da emissora

Nos seus primeiros seis anos sob o controle da família Viana, tendo como diretor geral o jornalista Nestor Amazonas, a emissora é ainda hoje considerada um marco nessa história, revolucionando as comunicações no sul da Bahia com a iniciativa da criação de novas agências publicitárias e a fomentação de novos profissionais, que mais tarde viriam a sair também dos cursos acadêmicos que surgiram.

Em dezembro de 2016 almoçaram no Bataclan, em Ilhéus, o primeiro Superintendente, Nestor Amazonas, o primeiro Chefe de Jornalismo, Daniel Thame, o primeiro Repórter, Maurício Maron, o primeiro Apresentador, Ramiro Aquino e o primeiro Diretor Comercial, Rui Carvalho. Desse encontro de pioneiros saiu a decisão de comemorar os 30 anos da emissora, reunindo em novembro, para não conflitar com os festejos oficiais da emissora, todos aqueles que quisessem o reencontro.

Já está próxima a data escolhida, 18 de novembro, um sábado, na Associação dos Funcionários da Ceplac, a partir das 9h, o que os organizadores estão chamando de Grande Encontro. Os contatos, por meio das redes sociais, emails e telefones, confirmaram mais de 100 presenças, que com os familiares, alcançam 130 pessoas.

Emissora completa 30 anos em dezembro

Emissora completa 30 anos em dezembro

BRASIL E EXTERIOR

Vem gente de várias regiões do Brasil e até de outros países. Tem profissionais morando na Alemanha, na Itália, nos Estados Unidos, em Portugal e outros na Bahia, Brasília, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio e São Paulo. A maioria permanece em Itabuna, Ilhéus.

Para a programação, além da feijoada com entrada de acarajé, está prevista música com os artistas da casa, interpretação de textos históricos, exposição de fotos de época e de artigos jornalísticos.

“AGORA”, MÍDIA IMPRESSA, SEUS DESAFIOS E O FUTURO

luizconceiçãoLuiz Conceição | jornalistaluizconceicao2@gmail.com

 

O impresso/eletrônico sempre terá lugar em nossas vidas, já que intrinsecamente ainda vinculado à cultura e sociedade a que estamos integrados. Mesmo porque, a apuração dos fatos cotidianos e sua publicização sempre vai exigir a atenção de repórteres fiéis e editores criteriosos.

A vida transcorre em ciclos, segundo avalizam filósofos. Cada ciclo que se sucede é carregado de experiências positivas e negativas, conhecimentos adquiridos no anterior e busca-se um novo desafio. Certamente, com o advento da Internet as pessoas passaram a compreender o exaurimento cíclico de suas vidas e, talvez, se perguntem o que é o futuro e não como será, diante da velocidade como o novo chega.

As redes sociais são ferramentas tecnológicas, eletrônicas e modernas (!?) de comunicação social. É o futuro que chegou, antes de o presente sedimentar-se e muito mais rápido da compreensão do passado que se foi. Embora mais antigos, os blogs e portais também se incluem nesta realidade desafiadora.

Mesmo com tais novidades, a mídia impressa continuará tendo seu lugar destacado se se aproveitar da tecnologia e adaptar-se com boas pautas e relatos, como se viu à chegada do rádio e da televisão em meados do século XX. Foi, talvez, a primeira via-crúcis da mídia impressa, que acabou superada com inteligência, já que tais veículos acabaram se integrando.

É nesse contexto que merece saudação a iniciativa do grupo de empresários que assume a direção do jornal Agora, primeiro veículo offset colorido do sul da Bahia, editado há 35 anos.

Sua história, a partir de seus fundadores Ramiro Aquino e do lembrado José Adervan de Oliveira, contém os desafios do novo e a certeza do bem-feito e verdadeiro, tal sua posição de vanguarda na defesa dos interesses da sociedade grapiúna, apesar da desmemória de que todos somos autores e vítimas.

O impresso/eletrônico sempre terá lugar em nossas vidas, já que intrinsecamente ainda vinculado à cultura e sociedade a que estamos integrados. Mesmo porque, a apuração dos fatos cotidianos e sua publicização sempre vai exigir a atenção de repórteres fiéis e editores criteriosos.

O uso indiscriminado das tais redes sociais geram notícias falsas (fake new), intrigas e mentiras que são propagadas quase impunemente, a partir das consequências da sordidez humana que uma tela em branco permite. Causam terrível dano à sociedade e aos processos comunicacionais necessários à vida moderna.

Somente jornalistas sabem que a verdade será sempre um bem tutelado ao interesse e à informação públicos. Vida longa ao Agora!

Luiz Conceição é jornalista com atuação na Rádio Clube de Itabuna (Rádio Nacional), jornais Tribuna do Cacau, Diário de Itabuna, A Tarde e A Região e assessorias de comunicação e imprensa.

FUNDADOR DO JORNAL AGORA, JOSÉ ADERVAN MORRE AOS 74 ANOS

Adervan deixou legado na área de comunicação.

Adervan deixou legado na área de comunicação.

O jornalista e um dos fundadores do Jornal Agora, José Adervan de Oliveira, faleceu na tarde deste domingo (12), no Hospital Calixto Midlej Filho, em Itabuna, após lutar contra câncer de próstata.

O corpo do jornalista será velado no SAF de Itabuna, na Juca Leão, ao lado do Grapiúna Tênis Clube, a partir das 20 horas deste domingo. O enterro está previsto para as 16 horas desta segunda (13), no Cemitério Campo Santo, em Itabuna.

Adervan deixa viúva, Ivone, e as filhas Andréa, Fernanda e Roberta.

Bancário aposentado, Adervan fundou o Jornal Agora, na década de 80, com o também jornalista Ramiro Aquino. Inicialmente semanal, a publicação passou a ter edições diárias, de terça a sábado. Pela redação, passaram nomes como Antônio Lopes, Maurício Maron, Walmir Rosário, Ricardo Ribeiro e Kleber Torres.

À frente do Agora, foi ousado. Investiu por muitos anos em cadernos especiais para revelar o potencial da agricultura, do comércio e da economia sul-baiana. Ou abrir espaço para a cultura, com o Caderno Banda B. Os aniversários de Itabuna sempre eram marcados por edições especiais com a nossa história e as perspectivas para a economia.

O jornal era uma das suas razões de vida. Uma outra era a política. Adervan tinha militância desde os tempos de juventude e foi um dos fundadores do PSDB itabunense. Em 2008, disputou a Prefeitura de Itabuna pelo PSDB, tendo a médica Zina Macedo (PSDB) como vice. Também presidiu o diretório do partido. A política era um dos assuntos principais de sua coluna no jornal.

Marco Wense, que por muitos anos escreveu sobre política em sua coluna no Agora, assim se expressou em um aplicativo de mensagens:

“O jornalismo político fica mais pobre. Adervan era apaixonado pelo fascinante mundo do comentário, da análise e da opinião, seja na sua coluna nas páginas do Agora ou em qualquer outro lugar”.

E completa:

“Lá, em um lugar chamado de eternidade, vai se encontrar com [Eduardo] Anunciação. E o óbvio ululante, é dizer que vão conversar sobre política, política e política”.

O HORÓSCOPO E OS FRAUDADORES DA FRAUDE

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

 

Ele recebeu carta de uma ouvinte perguntando se o signo dela combinava com o do noivo. O novo “astrólogo” fez pesquisa básica e respondeu sem titubear: “Não combinam.”

 

“Se as pessoas soubessem como são feitas as salsichas e as leis, não comeriam as primeiras e não obedeceriam as segundas.” (Otto von Bismarck, 1815-1898).

Parafraseando o chanceler alemão, se as pessoas soubessem quais as fontes dos horóscopos (há exceções?) não leriam esta seção.

Começo com o da Revista Jóia, Rede Manchete, assinado pelo jovem Jean Jaque Duvalier, pseudônimo de um jornalista que se tornou famoso, Paulo Henrique Amorim.

PHA revela que tentava descobrir o signo das meninas que ele pretendia namorar e fazia previsões que coincidiam com os objetivos do “astrólogo”.

Em Itabuna, jornalistas de um veículo escreviam o horóscopo com dedicação especial ao signo do diretor. Aconselhavam o patrão a atualizar o pagamento dos salários.

Na Cabrália, eu perguntava o signo de cada colega e lia o horóscopo modificando o texto. Os inúmeros acertos geraram desconfiança e um dia uma moça arrebatou-me o jornal para conferir o que estava escrito.

No entanto, o caso mais impressionante foi o de Ramiro Aquino quando substituiu, por alguns dias, o famoso Aries (pronuncia-se Aires) Mota num programa sobre astrologia na Rádio Difusora.

Ele recebeu carta de uma ouvinte perguntando se o signo dela combinava com o do noivo. O novo “astrólogo” fez pesquisa básica e respondeu sem titubear: “Não combinam.”

Crédula em horóscopo e pragmática nas relações, a moça terminou o noivado. Avaliou que “se não vai dar certo, não adianta insistir.”

Apaixonado, o rapaz entrou em desespero e procurou o professor Ramiro a quem implorou, em prantos, nova avaliação. Aquino pediu pra que ouvissem o próximo programa.

Dia seguinte o “astrólogo” alegou que após aprofundar os estudos, baseando-se na data e hora de nascimento do casal, os astros revelavam que havia combinação. Foi uma festa.

Com noiva de volta e casamento a realizar-se, o jovem retornou à emissora para agradecer ao professor e convidar-lhe para a cerimônia.

Volto a Paulo Henrique Amorim. Ele fala com seu estilo irônico que era “uma maneira de fraudar o horóscopo, atitude que não faz mal a ninguém.” E arremata: “Não me sinto culpado.”

Realmente, eles fraudaram uma fraude.

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas aos domingos no Pimenta.

QUANDO O ARGUMENTO É A ARMA, DE FOGO

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

Numa movimentação, o mediador Ramiro Aquino percebeu um revólver na cintura do médico Amilton Gomes. Esperou o intervalo e pediu que a arma lhe fosse entregue, discretamente, para ser guardada pelo segurança.

Dirigentes políticos se reuniram para definir a chapa majoritária nas eleições de 2004 em Juazeiro. Participaram Osmar Galdino (Jojó), presidente do PT, Joseph Bandeira, pré-candidato a prefeito ( PT), Paganini Nobre Mota, presidente do PMDB e Geraldo Andrade, coronel reformado da PM e dirigente do PSB.

A discussão foi sobre a vice, cargo disputado por Paganini e Geraldo Andrade, que fez uma pergunta afirmativa: “Eu sou o candidato a vice ou não sou?”

O argumento havia sido colocado em cima da mesa: um revólver calibre 38, carregado. Todos ficaram convencidos e o coronel foi escolhido por unanimidade.

Em Itabuna na campanha de 88 para prefeito, a TV Cabrália promoveu uma série de debates. Num deles, participaram os candidatos Aurélio Laborda, Dr. Zito, Jairo Muniz, Amilton Gomes e Fernando Gomes. Os dois últimos “em pé de guerra”.

Numa movimentação, o mediador Ramiro Aquino percebeu um revólver na cintura do médico Amilton Gomes. Esperou o intervalo e pediu que a arma lhe fosse entregue, discretamente, para ser guardada pelo segurança.

Cenas do debate histórico na TV Cabrália em 1988.

Cenas do debate histórico na TV Cabrália em 1988. Amilton, à direita, estava armado.

Joaci Góes, então Deputado Federal, quando brigou com o senador ACM, passou a portar uma arma. Ele conta que havia a expectativa de ser imobilizado pelos guarda-costas do senador para causar-lhe danos físico e moral. “Então, me preparei para matar ou morrer.”

O ex-presidente escritor José Sarney, quando presidia o PDS, foi com um “três oitão” ao congresso do partido, em 1984, discutir a candidatura de Maluf contra Tancredo.

Sarney articulava contra Maluf e quando chegou ao local poetizou: “estou armado e quem tentar me desmoralizar eu dou um tiro na cara.”

Ele confessou, anos depois, em entrevista ao programa Roda Viva e justificou que os malufistas “falaram que iam me tirar à tapa da presidência do partido, que iam arrancar meu bigode, cabelo por cabelo. Então, achei prudente que eu fosse armado. É chocante, mas é verdade. Não é do meu feitio”.

Outro destaque é o pastor Malafaia, admoestando ovelhas e carneiros a não denunciarem os ladrões: “Teu pastor é ladrão, é pilantra? Sai e vai pra outra igreja.” Encerra com duas frases, uma trágica: “Eu já vi gente morrer por causa disso”. Outra cômica: “Ungido do senhor é problema do senhor. Não é problema teu.”

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas aos domingos no Pimenta.

RECONHECIMENTO E SAUDADE

Falecido no domingo, 7, aos 88 anos, em Itabuna, o radialista Yedo Nogueira ainda recebe homenagens e é lembrado com carinho e reconhecimento por quem teve o privilégio de trabalhar e aprender com ele. Entre estes, o comunicador Ramiro Aquino, autor de artigo aqui publicado.

Outro que também iniciou no rádio com Nogueira foi Genildo Lawinsky, hoje repórter da Rede Bahia. Em comentário enviado ao PIMENTA, o itabunense Genildo expressa pesar e lembra do seu início de carreira sob a batuta de um mestre da comunicação.

Eis o comentário :

“É com profunda tristeza que envio à dona Gilka e aos seus filhos, os sentimentos pela morte de um dos mais gabaritados profissionais que tive a oportunidade de conhecer. Mais que isso: Yedo foi um dos meus mestres e se hoje consegui dar uma boa caminhada na minha carreira de radialista, devo grande parte ao que aprendi no começo da minha vida profissional na Rádio Jornal de Itabuna a ele. Era o time dos sonhos, na época: Geraldo Santos, Yedo Nogueira, Ramiro Aquino, Décio Silva, Juca Neto e Jairo Silva. Ficam saudade, aprendizado e gratidão. Beijos, caro Yedo e obrigado por tudo”.

 

“AMIGOS DO ESPORTE, BOA TARDE…”

Ramiro AquinoRamiro Aquino | aquino05@uol.com.br

Guardo de Yedo o exemplo que ele deixou para a minha geração e de quantas ele alcançou, da integridade e da amizade.

Quantas e quantas vezes ouvi esta saudação proferida pelo comentarista de rádio Yedo Torres Nogueira, que nos deixou no domingo, 7, aos 88 anos. Aposentado de suas atividades comerciárias e de imprensa por mais de 30 anos, Yedo já vinha sofrendo seguidos problemas de saúde, o que restringia as suas aparições em nosso meio, recluso que ficava apenas no aconchego da família.

Há algum tempo não ficava mais sentado à porta de sua casa, na Ruffo Galvão, acompanhado da mulher Gilka, companheira de tantas jornadas. Na verdade ele era meu primo por afinidade, haja vista ser casado com a minha prima carnal Gilka Nunes de Aquino, filha do meu tio Ramiro.

No rádio passei a conviver com Yedo mais diretamente a partir de 1963, quando iniciei minhas atividades como repórter. O trio das transmissões esportivas da Rádio Clube era formado por Geraldo Santos (que viria a ser meu compadre, pois batizei seu filho Gustavo), como narrador, Yedo Nogueira, o comentarista e eu como repórter de pista. Éramos literalmente uma família.

Respeitado e premiado, Yedo conquistou uma legião de fãs e de amigos no rádio. Todos esperavam ansiosamente quando Geraldo anunciava nas transmissões: “e com vocês Yedo Nogueira, o seu comentarista de futebol”, pois sabiam que de sua boca sairia um comentário preciso, equilibrado, mesmo quando jogava o Clube Recreativo Flamengo, seu time do coração.

Para não me estender muito narro um fato que atesta a sua imensa credibilidade. Em determinada época Yedo foi juiz de futebol, dos mais sérios, compenetrados e respeitados, até pelos adversários. Um belo dia, apitando um clássico Fla x Flu (fora escolhido com aquiescência do Fluminense por sua retidão) ele marcou uma falta contra o Fluminense, quando ouviu do dirigente do Flu, Frederico Midlej: “você é um ladrão…”. Aquilo era demais. Yedo dirigiu-se até onde estava o diretor, entregou-lhe o apito e disse apenas: “agora vai você apitar o jogo…”

São muitas histórias que o espaço não me permite mais. Guardo de Yedo o exemplo que ele deixou para a minha geração e de quantas ele alcançou, da integridade e da amizade.

Ramiro Aquino é radialista e jornalista.

AOS 88 ANOS, MORRE RADIALISTA YEDO NOGUEIRA

Yedo Nogueira morre aos 88 anos (Foto Acervo Eduardo Anunciação).

Yedo Nogueira morre aos 88 anos (Foto Acervo Eduardo Anunciação).

O radialista Yedo Nogueira, de 88 anos, faleceu às 10 horas deste domingo (7), na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Calixto Midlej Filho, em Itabuna. Comentarista esportivo e comerciário aposentado, Yedo foi vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e estava internado no hospital da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna.

Yedo começou no rádio em 1962, na Clube (hoje Nacional AM), em Itabuna, e também trabalhou na Jornal e Difusora. O jornalista Ramiro Aquino lembra da trajetória do colega e amigo, que “recebeu vários prêmios como melhor comentarista da cidade”.

Nascido em Salvador, Yedo escolheu Itabuna para viver e casou-se com Gilka de Aquino Nogueira, com quem teve Eduardo, Yolanda, Ramayana e André. Além do rádio, Yedo trabalhou como comerciário na Correa Ribeiro, aposentando-se.

O corpo do radialista será velado no SAF, na Avenida Juca Leão, em frente ao Grapiúna Tênis Clube, em Itabuna. O enterro está marcado para as 10h desta segunda (8), no Cemitério Campo Santo.

MINHA COPA, A DA ESPANHA

Ramiro AquinoRamiro Aquino | aquino05@uol.com.br

Não vou cometer a hipocrisia de dizer “que vença o melhor”, pois o que quero dizer mesmo é “que vença o Brasil, vamos baixar a crista dessa fúria”, com todo respeito, é claro, ao time de Casillas, Xavi e Iniesta.

 

1982. Copa do Mundo na Espanha. Estávamos lá, numa loucura arquitetada por mim e pelo José Adervan, representando a Rádio Clube de Itabuna, fazendo parte, como repórter, da equipe do pool formado pelas rádios Jornal do Comercio (PE), Clube (BA) e Sociedade (Feira). Foi a maior experiência de minha vida como comunicador.

A Espanha é um país notável para receber turistas e no ano anterior tinha recebido 45 milhões de visitantes, quase o dobro de sua população de 25 milhões de almas à época.

Primeiro Sevilha, cidade tradicional, católica, cheia de igrejas, mulheres pudicas andando de vespa com os vestidos amarrados, sem mostrar sequer um pedacinho de coxa. Passamos bem, dando show de bola. Depois veio a cosmopolita Barcelona. Bairrista ao extremo, pois o Catalão só olha para o próprio umbigo. Um companheiro nosso foi dizer a um motorista de táxi que catalão, basco, andaluz, era tudo uma “mierda” só e quase dá morte. Não havia em Barcelona nenhuma seta ou sinal de trânsito que indicasse a saída para a cidade vizinha (e para Madrid, nem pensar). Passada a fronteira, 50 metros adiante tinha uma seta indicando Girona.

Mas o que tinham de bairristas eram fantásticos para receber bem o visitante. Diferentemente de Sevilha, no Hotel Expo, onde ficamos, a piscina no terraço expunha a beleza de europeias, asiáticas, africanas, fazendo topless. Mas elas perderam o charme quando chegaram duas mulatas da Beija-Flor de Nilópolis. Peitinhos empinados para a alegria dos fotógrafos estrangeiros. Mas não foi por isso que perdemos a Copa para a Itália depois da lavada de alma contra a Argentina. Tínhamos a melhor seleção do planeta, mas não soubemos jogar uma decisão.

Em Barcelona escolhemos um restaurante que ficava perto do hotel para fazer as nossas refeições. De propriedade de uma família catalã, todos os garçons, cozinheiros e auxiliares eram aparentados. Quando o nosso grupo chegava, era uma festa. Entrávamos na cozinha, preparávamos comida brasileira para servir a outros fregueses e tivemos a ousadia de preparar uma sangria (bebida típica espanhola) que virou opção da casa como a melhor sangria que eles já tinham bebido.

Após a nossa derrota para a Itália cheguei sozinho ao restaurante, praticamente vazio àquela hora. Fui cercado e consolado pelos novos amigos, que tinham passado a torcer por nós após a desclassificação da Espanha. Chorei de emoção com tanto carinho e aconchego. Fizeram uma comida especial para mim e jantamos juntos umas seis pessoas (garçons, auxiliares e eu). Ao me despedir outra surpresa: o jantar era cortesia da casa.

Escrevo tudo isso, a pedidos dos amigos do Pimenta, nos momentos que antecedem a nossa partida contra os espanhóis, hoje a melhor seleção do mundo (embora não seja imbatível), decidindo a Copa das Confederações. Não há nenhum conflito de consciência. Torcerei ardentemente pelo Brasil, mas não posso deixar de lembrar de momentos tão gratificantes dos meus 50 anos de comunicação.

Não vou cometer a hipocrisia de dizer “que vença o melhor”, pois o que quero dizer mesmo é “que vença o Brasil, vamos baixar a crista dessa fúria”, com todo respeito, é claro, ao time de Casillas, Xavi e Iniesta.

Ramiro Aquino é jornalista.

AS HISTÓRIAS DA IMPRENSA

rribeiroRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

 

Antes do jogo, Borges ouvira de um torcedor do Itabuna que queria vencer o jogo de qualquer jeito, mesmo que fosse com um gol roubado. Para ele, foi rigorosamente o que aconteceu.

 

Sempre gostei de conhecer as velhas histórias da imprensa, seja a itabunense, a baiana ou a brasileira. Não é à toa que li “De Tabocas a Itabuna – 100 anos de imprensa”, com os causos antológicos compilados pelo jornalista Ramiro Aquino. E viajei na leitura de livros como “Cobras Criadas”, de Luiz Maklouf Filho; “Minha Razão de Viver”, autobiografia de Samuel Wainer, e “Chatô, o Rei do Brasil”, biografia de Assis Chateaubriand escrita por Fernando Morais.

Vale a pena gastar tempo em uma roda de veteranos, rememorando eventos que se deram nas redações e sabendo como era o trabalho da imprensa no passado. Em Itabuna, um dos que conhecem e viveram boas histórias é o advogado e professor de direito Geraldo Borges, que durante anos militou no rádio e bem mais tarde na televisão. No rádio, ele era conhecido como Geraldo Santos e atuava na cobertura esportiva.

O ex-radialista conta episódio ocorrido na década de 70, na transmissão de um jogo entre Fluminense de Feira e Itabuna pelo Campeonato Baiano. A partida foi disputada no Estádio Joia da Princesa e o Itabuna venceu com um gol chorado, em pênalti duvidoso. Borges, que narrava o jogo, atento ao lance, não constatou a penalidade. Consultou o comentarista Ramiro Aquino, que também não viu absolutamente nada. Lance normal. Mas o juiz marcou e o Itabuna estufou o filó. Pronto.

Atormentado pela dúvida, sem o auxílio luxuoso do replay, o narrador itabunense procurou a ajuda do colega de uma emissora de Salvador. O sujeito lhe disse: “o resultado favorece meu Vitória, portanto foi pênalti e pronto”. Não adiantou, o cabra da capital era fiel  seguidor da regra de que os fins justificam os meios, ainda que estes sejam indecorosos. Isenção zero.

Geraldo Borges (então Santos) e Ramiro Aquino foram os únicos a duvidar do tal pênalti, o que lhes valeu o epíteto de traíras e outros adjetivos desse naipe. Em Itabuna, só faltou serem recebidos por uma artilharia de caroços de jaca, e o dono da rádio, Hercílio Nunes, mandou divulgar nota de repúdio aos dois radialistas. Na própria emissora em que eles trabalhavam.

Antes do jogo, Borges ouvira de um torcedor do Itabuna que queria vencer de qualquer jeito, mesmo que fosse com um gol roubado. Para ele, foi rigorosamente o que aconteceu. Mas não foi a primeira nem será a última fraude a entrar para a história.

Ricardo Ribeiro é blogueiro e advogado.

NO AR, A TV CABRÁLIA

daniel_thameDaniel Thame | danielthame@gmail.com

É possível dizer que mudou sem mudar, porque ao longo deste um quarto de século, continua sendo o que sempre se propôs a ser: uma televisão com a cara e as cores do Sul da Bahia, com uma profunda identidade regional.

O mês era dezembro e o ano era 1987.

Em Itabuna, todas as cores no ar anunciavam a chegada de uma nova estação. Não era o verão.

Quem chegava -e lá se vão 25 anos- era a TV Cabrália, primeira emissora de televisão do interior do Norte/Nordeste, não apenas uma repetidora da programação da Rede Manchete, a quem era afiliada.

Mas uma emissora com programação própria, vida própria e, principalmente, com a alma do Sul da Bahia.

A chegada de TV Cabrália, como era de se esperar, gerou expectativa e euforia, numa civilização orgulhosa de seu fruto de ouro e de ter forjado o próprio desenvolvimento.

O fruto de ouro, dois anos depois, perderia seu brilho, esplendor e pujança por conta de uma doença com poderes de bruxa malvada.

A TV Cabrália, símbolo daquele tempo, atravessou sobressaltos, mas resistiu ao apocalipse econômico e social  que as bruxarias provocaram, fez história. E que história.

Começou como afiliada da Rede Manchete, depois SBT e, adquirida pela Igreja Universal do Reino de Deus, passou pela Rede Record, teve uma incipiente fase na Rede Mulher e hoje integra a Record News.

É possível dizer que mudou sem mudar, porque ao longo deste um quarto de século, continua sendo o que sempre se propôs a ser: uma televisão com a cara e as cores do Sul da Bahia, com uma profunda identidade regional.

Gestada pelo espírito empreendedor do Dr. Luiz Viana Filho e que ganhou forma nas mãos do visionário Nestor Amazonas, a TV Cabrália, além de acompanhar os principais acontecimentos e se envolver nas grandes causas sulbaianas nestes 25 anos, foi uma espécie de escola de profissionais de televisão, profissão até então inexistente por essas plagas amadianas e/ou pragas vassorianas, com o perdão do trocadilho irresistível. :: LEIA MAIS »

VILLE PEUGEOT INVESTE PARA AMPLIAR PARTICIPAÇÃO NO MERCADO EM ITABUNA

Concessionária recebeu investimentos em tecnologia e na estrutura física (Foto Pimenta).

Edmundo Neto, Ramiro Aquino, Edmundo Cardoso Filho, Kátia Farias e Carlos Leahy na reinauguração da Ville (Foto Pimenta).

A Ville Peugeot espera aumentar para 6,2% a sua participação no mercado de automóveis zero em Itabuna com os investimentos em ampliação do espaço físico e em tecnologia. Edmundo Cardoso Filho disse ao PIMENTA que a Ville investiu R$ 600 mil na ampliação.

O empresário comanda o grupo que possui mais de uma dezenas de concessionárias no sudoeste baiana, reunindo marcas como Honda, Peugeot, Nissan, Hyundai, Fiat e Volkswagen.

Edmundo considera “virgem” o mercado itabunense de carro zero. O município vende 700 veículos por mês, enquanto Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, comercializa quase o dobro.

Confira na entrevista:

Edmundo: investimento em mercados virgens (Foto Pimenta).

PIMENTA – Qual é a participação da Peugeot no mercado de Itabuna?

EDMUNDO CARDOSO FILHO – No plano nacional, temos market share (participação de mercardo) de 2,23%. Em Itabuna, 5,5% dos carros vendidos são da marca da Peugeot.

Quanto o grupo investe na ampliação da concessionária em Itabuna?

A empresa está, fisicamente, dobrando todas as áreas – pátio, oficina, show room. O investimento fica em torno de R$ 600 mil, fora a parte tecnológica.

Qual o retorno que a empresa espera com estes investimentos em estrutura física e tecnologia?

Com os 5,5% de participação no mercado, a gente está vendendo uma média de 35 veículos por mês. Eu tenho a impressão que [com os investimentos] a gente vai fácil para 50 veículos por mês. Isso vai nos levar a 6,2% de market share.

A origem do grupo é o sudoeste baiano. Como está o mercado de Itabuna em comparação com Vitória da Conquista? 

O mercado de Conquista vende em torno de 1,3 mil carros por mês. Aqui, está girando em torno de 700 carros.

Por que a decisão de mais investimento em Itabuna?

Examente pelo mercado virgem que temos aqui. Se formos fazer um comparativo entre Vitória da Conquista com Itabuna, lá existem 16 marcas representativas. Acho que em Itabuna existem sete marcas representativas. Então, tem que chegar, investir…

O CAPITÃO E O PREFEITO

Ramiro Aquino | aquino05@uol.com.br

E os índices cresciam. Nas vésperas do pleito os adversários se assustaram, deram um tiro no pé com a coligação estapafúrdia e a última caminhada da campanha mostrou que a vitória era certa.

Inexperiente, despreparado, tosco até, um homem nada talhado para o importante cargo de dirigir o município de Itabuna. Estas foram algumas das afirmações que fizeram em torno de José Nilton Azevedo Leal, no máximo considerado gente boa, um amável diretor do órgão de trânsito da cidade, que seria eleito fácil para a Câmara Municipal, mas que não servia para Prefeito de Itabuna.

Quando resolveu lançar o seu nome à sucessão de Fernando Gomes, em 2008, esperou do amigo o apoio incondicional, que não veio, especialmente porque patinava num desconfortável índice entre 1 e 2 pontos nas primeiras pesquisas de intenção de voto.

O obstinado Capitão da Reserva da PM me confidenciou um dia num café da manhã na Facsul: “Rapaz, não pensei que a coisa era tão difícil. Alguns partidos tem me procurado para oferecer apoio, mas falam logo em dinheiro. Onde vou arranjar 100 ou 200 mil? E mesmo que arranjasse não pagaria. Mas não vou desistir, vou de porta em porta buscar o voto em todos os lugares”.

E assim o fez. Suas andanças olímpicas, de homem acostumado aos exercícios militares, deixavam os correligionários para trás nas ladeiras calçadas ou nos morros íngremes dos bairros mais simples, sem qualquer beneficiamento e até mesmo quando caminhava na planície, pedindo o voto a quem encontrava.

O carisma do Capitão, a empatia com o povo mais simples, o carinho com as crianças, recebiam uma contrapartida que o entusiasmava. Maria Alice, desgarrada da indecisão de Fernando Gomes, reuniu uma equipe que sonhava com o que poucos acreditavam, o crescimento da campanha. E os índices cresciam. Nas vésperas do pleito os adversários se assustaram, deram um tiro no pé com a coligação estapafúrdia e a última caminhada da campanha mostrou que a vitória era certa.

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A VIDA – COMO DEVERIA SER

Walmir Rosário | ciadanoticia@ciadanoticia.com.br

 

Deus deve ter sido bem mais generoso com o companheiro, proporcionando-lhe a capacidade de somente enxergar as coisas boas.

 

Esse Ramiro (o Soares de Aquino) é “um cabra” porreta! Com ele não tem tempo ruim e a vida deve ser vivida de forma bem amena, cor-de-rosa, como diriam alguns, ou na valsa, chavão bem antigo, mas que ainda me lembro muito bem. Sem ter medo de incorrer num daqueles chavões, poderia comparar o companheiro Ramiro a um daqueles vinhos de qualidade: quando mais velho, melhor, como afirmaria um experiente sommelier.

Criado com todos os valores de uma família cristã, Ramiro aprendeu a ser um bom filho, um bom pai, um bom amigo, enfim, um homem generoso. Tanto é assim que ninguém se recorda de tê-lo visto reclamando da sorte, pelo contrário está sempre alegre, de bem com a vida, capaz de transformar uma situação adversa em piada de salão, com um ensinamento moral positivo, uma lição de vida.

Durante todos esses anos, o “bom e velho” Ramiro, que já propôs mudanças no rádio, na TV e no jornal impresso, agora se mete em outra empreitada: exterminar as notícias ruins, banindo-as de vez dos veículos de comunicação. A única dúvida que ainda tenho é se a proposta de paz e amor será prontamente acatada pelos nossos comunicadores, acostumados a aplicar manchetes dignas de vender jornais e fidelizar os ouvintes e telespectadores no rádio e na TV.

Cá pra mim, ainda tenho as minhas dúvidas se os “coleguinhas” irão comungar com essa ideia, até porque existe uma máxima nas redações dando conta de que a notícia sempre é a que chama mais a atenção. E nossos coleguinhas citam esse exemplo: “Cachorro morder uma pessoa não é notícia. Mas uma pessoa morder um cachorro, sim, e de primeira página”.

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CONSIDERAÇÕES SOBRE O ARTIGO DE RAMIRO

Nelson Simões |

Caro Ramiro, como seu admirador e leitor, e por dever de ofício, cumpro o dever de responder ao seu artigo no PIMENTA, Cerimonial e Truculência não Combinam. Em primeiro lugar para registrar minha dispensável concordância com o título do artigo, que por si só diria tudo.

O conteúdo também é digno de elogios, pois enfoca um tema de quase nenhum foco na mídia em geral, a não ser quando é para receber críticas. Você, como profissional exitoso da área, sabe perfeitamente dos melindres e rococós que o cercam, e noves fora o folclore e até deboche que o profissional de cerimonial é visto, por puro desconhecimento geral de suas atibuições.

Dito isso, e como chefe de cerimonial do Governador, diretamente citado em seu artigo, quero fazer os seguintes esclarecimentos:

– sobre o evento em 2009, na Santa Casa, em Itabuna, nenhum reparo, a não ser mais uma vez desculpar-me pelo erro; embora não tenha sido eu, ou algum membro do cerimonial que cometeu a descortesia, mas um membro da segurança pessoal do Governador, é minha responsabilidade conduzir os eventos em que S.Exa. está presente; ficou como um aprendizado;

– sobre o evento do SEST/SENAT, no último dia 28/07, comemoração aos 101 anos de fundação de Itabuna, aí sim, um reparo; o evento era privado, da CNT, em que o senhor governador era o principal convidado, portanto, minha responsabilidade de executar o cerimonial; porém, mesmo assim, minha equipe tem a orientação de fazer isso em comum acordo com o dono do evento, seja quem for; a execução do hino e a exibição do vídeo constavam do texto do mestre de cerimônia e ele solicitou ambos no microfone; porém, o técnico de som e imagem contratado pelo promotor do evento, naquele exato momento precisou ir ao banheiro; convenhamos, a mesa não podia ficar esperando ele retornar, e nem tampouco podíamos anunciar isto no microfone; tivemos que improvisar em cima da hora; quanto à formação da mesa principal, sempre o fazemos ouvindo a sugestão do promotor, neste caso a CNT.

O promotor nos sugeriu as seguintes personalidades: prefeito Capitão Azevedo, presidente da CNT Senador Clésio Andrade, presidente da federação das empresas de transportes da BA e SE, Antonio Carlos Knittel, e homenageado sr. Pedro de Freitas Barros Júnior, todos acatados por este cerimonial, acrescidos das autoridades institucionais, vice-governador Otto Alencar, presidente da AL, Marcelo Nilo, e senador Walter Pinheiro; quanto às falas, de fato, pelo horário e agenda corrida do governador, propusemos falar apenas o senador Clésio e o governador Wagner, mas, depois revimos e foram acrescidas as falas de Pinheiro e Azevedo, sem nenhum sentimento de exclusão.

Bem, feitos os registros, quero colocar-me ao seu inteiro dispor. E pela sua experiência e competência reconhecida na área sempre aberto a qualquer crítica ou sugestão. Como sabe, jamais fui ou pretendi ser “cerimonialista”. “Estou”, por vontade exclusiva do senhor governador, que entende que na função deve ter alguém com um mínimo de visão política, o que é o meu caso.

Sempre seu leitor e do Pimenta na Muqueca, para continuar antenado às coisas e fatos da nossa nação grapiúna.

Cordial abraço.

Nelson Simões Filho, chefe de Cerimonial do Governador.

CERIMONIAL E TRUCULÊNCIA NÃO COMBINAM

Ramiro Aquino

O cerimonial do governador chegou a Itabuna três dias antes, trocamos ideias e gentilezas, só estragadas quando o Bispo Dom Ceslau foi barrado na UTI por um segurança “qualificado” do governo.

Alguns episódios recentes, e outros nem tanto, me inspiraram a escrever este artigo, que trata de um assunto de área onde atuo, no caso o cerimonial. Por definição e por tradição, cerimonial é um conjunto de normas de conduta e de comportamento em público ajustados por lei e algumas condições indispensáveis de etiqueta e de respeito às relações sociais, sejam no âmbito privado ou público.

Os últimos governos da Bahia, desde o longo domínio carlista (mais acentuado com Paulo Souto) aos dias hoje (quinto ano da gestão Wagner), têm dado demonstrações de uma truculência inimaginável quando se trata dessas relações. Nem ACM, reconhecidamente grosseiro em suas atitudes, tinha equipes do seu cerimonial ao nível do que já vimos e acompanhamos nos dois governos de Paulo Souto e no recente governo Wagner.

Como atuo na área, frequentemente sou contratado para realizar eventos que contam com a presença do governador. Aprendi, desde Souto, que é exigência na área governamental, usar o cerimonial do governo nas atividades em que o maior mandatário baiano esteja presente. Nada contra. Acho até um cuidado especial para que se preserve o governador e ele não sofra qualquer tipo de constrangimento. O que não é admissível é que o cerimonial do governo atropele as convenções sociais, a lei e as regras mais elementares de convivência, como nos exemplos a seguir.

O primeiro exemplo é positivo (para não dizerem que não falei de flores) e vem, imaginem, da cúpula carlista. Maio de 2000, inauguração do Jequitibá com as presenças do governador César Borges e do senador ACM. Uma semana antes o cerimonial do governo fez contato com o shopping pedindo o roteiro da solenidade. Como responsável pelo ato encaminhei o material para o governo, que o aprovou sem restrições apenas com uma exigência: que as demais autoridades e os anfitriões usassem traje esporte, já que o governador, o senador e sua comitiva, estariam assim trajados. O evento foi tranquilo.

Um segundo episódio foi no governo Paulo Souto. Inauguração da Fábrica Inaceres, em Uruçuca. Fui contratado para conduzir a cerimônia, mas adverti aos dirigentes da empresa que se o governador estivesse presente o cerimonial seria dele. Mas Paulo Souto não trouxe um mestre de cerimônia e sim um locutor de comícios, arrogante e mal educado, mal trajado e sem qualquer conhecimento de cerimonial. Por conta do seu despreparo deixou de chamar para o palanque o Embaixador do Equador, país sócio e investidor da Inaceres e, mais que isso, representante de um país estrangeiro. O avisei da gafe.  “E agora o que é que eu faço” perguntou-me, não tão arrogante como na chegada. “Assuma a culpa, peça desculpas e chame o homem”, respondi-lhe.

As mais recentes são dedicadas ao cerimonial do governo Wagner. Em 2009 a Santa Casa inaugura a nova UTI com a presença de Jaques Wagner. O cerimonial do governador chegou a Itabuna três dias antes, trocamos ideias e gentilezas, só estragadas quando o Bispo Dom Ceslau foi barrado na UTI por um segurança “qualificado” do governo (segundo consta um tenente coronel da PM), que não identificou a autoridade religiosa nem pelo anel, o colarinho clerical, a cruz peitoral ou pela mitra (chapéu), que os bispos usam. Ignorância pura.

Para encerrar a série de truculências fui convidado para conduzir a cerimônia de inauguração do SEST/SENAT. Novamente adverti: “o cerimonial será do governo”. Por se tratar de cerimônia padrão em suas inaugurações o roteiro que foi para as mãos do mestre de cerimônia governamental seguia esse padrão. Mas ele atropelou tudo: não exibiu o vídeo sobre a unidade, não leu um texto sobre o SEST/SENAT, não pediu o Hino Nacional. E mais: se armou uma trama para o prefeito Azevedo não usar da palavra, felizmente abortada pela pronta intervenção dos dirigentes do SEST/SENAT, Carlos Knitel à frente.

E mais: Wagner Chieppe, da Viação Águia Branca, um dos principais responsáveis pela vinda da unidade para Itabuna, ficou esquecido, em pé, sem qualquer gentileza, nem citação dos oradores, não fossem os pronunciamentos do prefeito Capitão Azevedo e de Carlos Knitel, que fizeram justiça, numa tarde de tantos equívocos protocolares.

Ramiro Aquino é cerimonialista, membro do Comitê Nacional de Cerimonial e Protocolo, jornalista e radialista.

UNIVERSO PARALELO

ONTEM, DITADURA; HOJE, DESCONHECIMENTO

Ousarme Citoaian
“As atividades referentes ao Dia do Trabalhador começam nesta sexta-feira…” – noticiou o Pimenta, na tarde do dia 29 de abril. O Pimenta está certo. A mídia brasileira (já não sei se em maioria, mas com certeza em grande número) costuma chamar o 1º de maio de Dia do Trabalho, um ranço preconceituoso que remete à mais recente ditadura militar. Não interessava aos ditadores fardados louvar o trabalhador (elemento, por definição, “subversivo”), daí essa degeneração da data, que – criada para prestar homenagem ao trabalhador – passou a referir-se ao trabalho. Foi-se a ditadura, restou a ignorância de setores da comunicação.

DO SANGUE DERRAMADO AO SHOW DE PAGODE

Se a alguém isto interessa, o Dia do Trabalhador é efeméride mundial, nascida em apoio às reivindicações do movimento operário, esmagado sob o peso do patronato, a partir da Revolução Industrial (segunda metade do século XVII). Em 1º de maio de 1889, numa manifestação de rua em Chicago, trabalhadores anarquistas foram assassinados pela repressão – quando reivindicavam a jornada de trabalho de oito horas. A data, marcada pelo sangue dos operários, foi escolhida como Dia Internacional do Trabalhador. Hoje – com as comemorações reduzidas a shows de falsos caipiras e sorteio de eletrodomésticos – aqueles anarquistas dão cambalhotas no túmulo.

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DEPLORÁVEL REVISÃO DE CAYMMI E CARTOLA

No texto Velhas e novas implicâncias, publicado em rede de jornais, o escritor João Ubaldo Ribeiro se mostra irritado com o uso de anacolutos (termos que  ficam “perdidos” na frase, sem função sintática, “sobrando”).  O acadêmico cita vários casos, entre os quais saliento (objeto de minha especial implicância, já externada nesta coluna) o “de”. Ubaldo destaca expressões como “aconteceu de eu ver” (contra “aconteceu eu ver”) e levanta uma hipótese curiosa: Caymmi cantando “acontece de eu ser baiano”. Por certo, os versos de Cartola ficariam “Acontece de que eu já não sei mais amar” e “acontece de que o meu coração ficou frio”. Um horror.

OS PORTUGUESES ESCREVEM EM… PORTUGUÊS

Luiz Amado, chefe da diplomacia portuguesa, em abril deste ano, falando do quiproquó  que acometeu a economia lusitana: “Ninguém fez tudo para evitar uma crise como esta”. Ainda em terras camonianas, sobre a crise no Hospital Santa Maria, em Lisboa (também em abril), o administrador disse que “fez tudo” para resolver o problema – ao que, em comentário, um leitor gaiato disse que “fizeram tudo” foi para comer o dinheiro do contribuinte (neste aspecto, lá como cá, más fadas há). Veja-se que os lusitanos, ao menos, escrevem em português, sem dar socos, pontapés e rabos de arraia na linguagem culta – como ocorre em nossa mídia.

FAZEM “DE TUDO” CONTRA A BOA LINGUAGEM

São muitos os exemplos, entre nossos veículos, da expressão infeliz “de tudo”, sempre acoplada ao verbo fazer. Diz um blog, sobre a morte de um adolescente, que a mãe fez de tudo para tira-lo da droga”; outro, enaltecendo as indiscutíveis qualidades do jornalista Ramiro Aquino, afirma, sem acanhamento, que o bom Ramiro “no rádio, fez de tudo: repórter/comentarista esportivo, apresentador de programas, noticiarista e diretor”. Em outro espaço, alguém, ao falar do professor Landoaldo, destaca-lhe a modéstia, com esta construção exemplar: “muitas pessoas na vida [ao contrário do homenageado] fazem de tudo para ficar na história”.

A CANTORA QUE VEIO DO ESPAÇO SIDERAL

Fiz aqui uma provocação sobre o nome da cantora Alobêned, e hoje volto, com prazer, a abordar  o tema. Duas curiosidades: o nome da artista é Denébola (ao contrário, dá Alobêned); a outra é sobre a origem da palavra. Denébola é a estrela Beta da constelação de Leão – e este, na mitologia, é o lendário Leão de Nemeia, um imenso e mau humorado animal, tido como indestrutível, pois nenhuma arma penetrava seu couro. Mas Hércules, filho de Zeus, o enfrentou na mão grande, o estrangulou e, só pra humilhar, fez e usou um manto com a pele do bicho (consta que, ao fim desse primeiro trabalho – foram doze, ao todo – Hércules teria dito “Conheceu, papudo?”  – mas disso não há prova provada).

UM PAI CHEIO DE CURIOSIDADE PELA VIDA

Para se chamar Denébola Maria só tendo um pai “incomum”: ele é Romilton Teles Santos (foto), que desempenhou várias atividades: radialista, escrivão e delegado de polícia, compositor popular (com umas 200 músicas inéditas), poeta, autor de jingles de propaganda política, advogado.   A família é de músicos: além do pai, a mãe (Neide Prado) e os irmãos (Marcionílio e Nonato Teles) são do ramo. A irmã Denébola Airan não canta. Porque não quer. Esse Romilton, o pai, tem insaciável curiosidade pela vida. Famoso cantor “caipira” (foi o Martelo da dupla “Martelo & Martelin” – com Eurípedes Silva), ultimamente encarnou o personagem “O homem da peneira”, tentando uma outonal carreira política.

“VAI SER MENINA E SE CHAMAR DENÉBOLA!”

A curiosidade levaria Romilton a “descobrir” Denébola, e por ela cair de amores. “Ora – direis – ouvir estrelas…” – pois o poeta, que tem ouvido capaz de ouvir e entendê-las, mantinha com Denébola longo diálogo noite adentro, “até que o sol fizesse o céu deserto”. Os sintomas da paixão: a pequena propriedade rural passou a chamar-se “Denébola” e seu jipe, caindo de velho, exibia pelas ruas de Itabuna a homenagem incompreendida: “Fazenda Denébola”. Eis que, quando Neide engravidou pela última vez, Romilton esfregou as mãos, esnobou o ultrassom e decretou por sua conta e risco: “Vai ser menina e se chamar Denébola!”.

CANTO DE NEGROS, ÍNDIOS E INCONFIDENTES

E foi. Aqui, parênteses: Creio que esta coluna, publicada há 17 meses ininterruptos, está em débito com Paulo César Pinheiro (talvez nunca tenha sido citado aqui), um extraordinário compositor da MPB, dos maiores entre os maiores. Pagaremos a conta outra hora. Por enquanto, à guisa de juros e correção monetária do débito, vamos de Canto das três raças/1976, jóia de mensagem política, com  versos que me trazem lágrimas aos olhos (gravada primeiramente pela mulher dele, Clara Nunes). Por exemplo, quando o poeta descreve o canto sofrido do seu povo: “Esse canto que devia/ser um canto de alegria/soa apenas como um soluçar de dor”. Ave, Paulo César Pinheiro, o grande! E agora, fechado o parêntese, Denébola Maria, o meu furacão preferido.



(O.C.)

EXAME DE PRÓSTATA

Marival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

Tempos depois, retornou para pedir desculpas por que seu melhor amigo havia morrido de câncer na próstata. Abraçou o médico e chorou. Júlio Brito também não se conteve.

Um cartunista escreveu que se fosse obrigado a ser politicamente correto na profissão, entraria na clandestinidade. É assim. Grande parte das piadas são discriminatórias com relação à raça, etnia, gênero e opção sexual. Neste último item, incluem-se as piadas sobre o exame de próstata.

Lembro-me que a revista Bundas elegeu “O Macho do Ano” o médico que teve a coragem de fazer o exame no então senador Antônio Carlos Magalhães. Ao lado do texto, uma charge com ACM posicionado corretamente para ser examinado.

O jornalista Ramiro Aquino assistia a um show de Renato Piaba e em determinado momento foi questionado sobre o exame. Ramiro respondeu que há anos consecutivos vai ao urologista com este objetivo. Piaba exclamou que Ramiro havia gostado da experiência e passou a fazer outras brincadeiras similares. Ramiro, que estava ao lado da esposa, Nadja Aquino, nada respondeu. Nem sorriu.

Dias depois na Feijoada do Tarik, César Mazzoni e Rogério Santos, respectivamente, à época, diretor e chefe de jornalismo da TV Santa Cruz, chamaram Piaba e Ramiro para as apresentações. Ramiro, pessoa sempre gentil, surpreendeu ao falar com firmeza: “não tenho prazer algum em lhe conhecer”.

Foi um constrangimento geral. O jornalista explicou que a fala do humorista tem grande repercussão e que ele, ao invés de contar aquele tipo de piada, deveria contribuir para a campanha do exame de próstata.

O urologista Júlio Brito conta que um senhor da área rural que foi ao consultório, fez o maior escândalo quando soube como é realizado o exame, se recusou e foi embora . Tempos depois, retornou para pedir desculpas por que seu melhor amigo havia morrido de câncer na próstata. Abraçou o médico e chorou. Júlio Brito também não se conteve.

Lembro-me também que, há poucos dias, Emilio Gusmão fez uma brincadeira sobre o assunto com o secretário Carlos Freitas. Foi censurado por um juiz. Se a brincadeira foi politicamente incorreta, pior é a censura. Precedente perigoso.

Encerro falando sobre o repórter JB quando trabalhava na TV Cabrália. Ele foi se submeter ao exame e quando retornou ao trabalho vários colegas aguardavam-lhe no estúdio para as piadas de sempre. JB entrou com seriedade e reclamou: “Foi muito rápido, pedi ao médico que fizesse de novo para evitar dúvidas, mas ele se recusou. Estou decepcionado.”

Marival Guedes é jornalista e escreve no PIMENTA às sextas.

BURGOS EXIGE SALA

Depois do vexame de ver exposta na mídia a sua situação de secretário sem sala, o titular da Secretaria de Governo da Prefeitura de Itabuna, Carlos Burgos, deu o famoso “par de gritos” no prefeito José Nilton Azevedo. Burgos exigiu que o alcaide lhe conseguisse algum lugar para desenvolver suas importantes atribuições na gestão municipal e o “chefe” do executivo atendeu na hora.

O problema está na física, pela qual dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no tempo e no espaço. Ou seja, alguém teve que ser desalojado para dar o lugar reivindicado pelo manda-chuva do governo Azevedo.

A vítima foi o jornalista Ramiro Aquino, que se retirou da sala que abrigava a equipe do cerimonial da Prefeitura e mudou-se para um cômodo na Assessoria de Imprensa.








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