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:: ‘Ricardo Ribeiro’

POLÍCIA DESVENDA ASSASSINATO DE PROFESSOR APOSENTADO NA BARRA

Jeferson foi preso e confessou crime.

Jeferson foi preso e confessou crime à polícia.

Delegado Ricardo Ribeiro pediu preventiva do acusado.

Delegado Ricardo Ribeiro pediu a prisão preventiva do acusado.

Um trabalho articulado entre as polícias civil e militar levou à elucidação da morte do professor aposentado Joaquim de Oliveira Souza, crime ocorrido nesta segunda-feira (6), e que chocou a população de Barra, no oeste da Bahia, região da 14ª Coorpin (sede em Irecê). De acordo com a investigação, o educador foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte).

O autor do crime foi Jeferson Santos da Silva, vulgo Jefinho, de 25 anos. A polícia chegou ao latrocida depois de obter informações de que ele mantinha relações íntimas com o aposentado em troca de dinheiro. Com o avanço das apurações, descobriu-se que Jeferson reclamava uma dívida de R$ 2 mil que a vítima teria com ele.

O suspeito acabou detido pela Polícia Militar e conduzido para a Delegacia Territorial de Barra, onde foi interrogado pelo delegado Ricardo Ribeiro e assumiu ter matado Joaquim. O crime, no entanto, foi de latrocínio, porque vários objetos – entre eles um aparelho de TV, um de DVD, receptor e botijão, além de diversas folhas de cheque – desapareceram da casa da vítima após o homicídio.

PRISÃO PREVENTIVA

No final da manhã de hoje (7), uma denúncia anônima recebida por uma guarnição do 4º Pelotão da PM, sediado na Barra, levou à localização de alguns dos objetos furtados, em poder de Carlos Henrique Barbosa da Silva, o “Culiê”, e Amando Dias Fidélis Neto, vulgo “Maluquinho”, que foram presos em flagrante pelo crime de receptação. O delegado Ricardo Ribeiro pediu a prisão preventiva de Jefinho à Vara Crime local, pelo latrocínio.

Joaquim de Oliveira Souza, que já foi diretor de esportes da Prefeitura da Barra, foi sepultado com grande acompanhamento na tarde desta terça-feira, no cemitério local.

UNIVERSO PARALELO

COMO DEUS AMOU A JACÓ E ODIOU A ESAÚ?

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1Esaú e JacóA forma preposicionada do verbo amar, aqui referida há dias, possui uma exceção muito nobre, que não foi citada. É que o Livro Sagrado dos católicos (no qual se esperava o respeito à regra de amar a Deus) abriga, em Romanos 9:13, esta joia de tradução: “Amei a Jacó, e odiei a Esaú”, palavra de Deus. A expressão, incompatível com um ser de infinita bondade, incapaz de abrigar o ódio (segundo os que Nele creem e O explicam), suscitou variadas interpretações. Destaca-se entre elas a do respeitado teólogo John Murray, no livro Romanos, resumida a seguir.

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“Sem malícia, perversidade ou vingança”

Para o exegeta (nascido na Escócia, em 1898), não se pode dar a esse ódio divino as mesmas características do ódio exercido pelo homem mau. “No ódio de Deus não existe qualquer malícia, perversidade, vingança, rancor ou amargura profanos”, diz o estudioso. Ele acrescenta que “o tipo de ódio assim caracterizado é condenado nas Escrituras, e seria uma blasfêmia atribuí-lo ao próprio de Deus.” E assim vão os crentes tentando explicar as profundas contradições do seu livro-texto, nem sempre com êxito. Voltemos, então, ao verbo, sem intenção de trocadilho.

Noel: “Jurei nunca mais amar ninguém”

Se Cartola escreveu “Não quero mais amar a ninguém”, ferindo a regra, e Pixinguinha foi pelo mesmo caminho, com “Amar a uma só mulher/ deixando as outras todas”, há exemplos do emprego “certo” do verbo: Noel Rosa (na charge de Pedro Thiago) grafou “Jurei nunca mais amar ninguém” e Dora Lopes (na voz de Noite Ilustrada) quase repete o Poeta da Vila, com “Jurei não amar ninguém”. Na poesia, abramos ala para a lusitana Florbela Espanca, que cultua a forma “clássica”: “Eu quero amar, amar perdidamente!/ Amar só por amar: aqui… além…/ Mais este e aquele, o outro e toda a gente…/Amar!  Amar!  E não amar ninguém!”

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ESPUMA RAIVOSA CAINDO SOBRE A GRAVATA

Eu que (quem acompanha esta coluninha sabe) não sou chegado a tevê, recebi de uma gentil leitora a sugestão de dar uma olhada no comentário de Arnaldo Jabor (Jornal da Globo, 12 de junho). Encontrei a preciosidade nos arquivos do Google. Trata-se, todos sabem, de um cineasta (ou ex-cineasta) que se fez popular na última campanha presidencial, pelo uso que a direita faz do seu discurso raivoso. Desta vez, falando sobre as manifestações de rua, ele se superou. Juro a vocês que lhe vi a espuma a escorrer pela a gravata. Felicitando-me por ainda considerar a tevê uma “máquina de fazer doido”, anotei umas frases da fala do homem.
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“Revoltosos não valem nem 20 centavos”
Protesto passagem em Itabuna foto Pimenta www.pimenta.blog.brÓdio puro: “No fundo, tudo é uma imensa ignorância política, burrice misturada a um rancor sem rumo”. Falso desconhecimento: “Se vingam de quê?” Brincando de ser inteligente: “A causa deve ser a ausência de causa”. Em defesa do interesse da Globo: “Por que não lutam contra a PEC 37?” A face da direita: “Esses caras vivem no passado de uma ilusão. Eles são a caricatura violenta da caricatura de um socialismo dos anos 50, que a velha esquerda ainda defende aqui”. A explosão final: “Realmente, esses revoltosos classe média não valem nem 20 centavos”. Depois perguntam por que a Globo estava na lista dos protestos.

ENTRE PARÊNTESES, OU…

Pra não dizer que só falo de espinhos
Aos que me acusam de muito falar mal da mídia – alguns afirmam que caço erros, uma injusta inversão, pois são os erros que me perseguem – vai aqui o que pode ser uma surpresa: o signatário desta coluna é leitor de cabresto de um certo Ricardo Ribeiro, que no Pimenta publica, volta e meia, análises sobre o nosso conturbado viver quotidiano. O defeito do estilo de Ricardo está em não publicar com a frequência que eu gostaria. Ou não. Talvez essa falta de vocação para arroz de festa contribua para fazê-lo avis rara, ou vinho de safra incomum, trigo que se sobressai ao joio. Importa é que a linguagem clara, a lucidez do texto e a visão crítica do autor o levantam ao nível dos “clássicos” do jornalismo regional.

ÂNGELA E A LUZ DIFUSA DO ABAJUR LILÁS

7Ângela MariaO nome é Abelin Maria da Cunha, apelido Ângela Maria, ex-vocalista de coro de igreja que, escondida da família, se apresentava em shows de MPB. Cantou durante quase 70 anos, de 1945 até hoje. E cantou tudo o que lhe caiu às mãos: o verso clássico de Ari Barroso e Noel Rosa, rimas ricas e indigentes, dores de amores derramados ou contidos, a deliciosa cafonice da “luz difusa do abajur lilás que nunca mais irá iluminar outras noites iguais”. Cantou famosos e anônimos, transformou desconhecidos em clássicos, foi de Capiba a Chico Buarque, de Dolores Duran a Paulo Vanzolini. Cauby Peixoto disse que com ela aprendeu a cantar os “finais” das canções. Elis Regina diz que deve a Ângela Maria ser cantora.
Vítima de roubo, agressão e humilhação
Discreta, Ângela não alardeia seus nove casamentos e que seus maridos a submeteram a humilhações, agressões físicas e prejuízos financeiros, quase a levando ao suicídio. No fim dos anos 60, em desespero, mudou-se do Rio para São Paulo, mas continuou sendo roubada, caindo ao estado de grande pobreza. Deu a volta por cima, com uma nova união, a décima (conviveu por 33 anos e casou-se em maio último). Diz que seu melhor amigo sempre foi Cauby Peixoto (ele já confessou ser apaixonado por ela – e que só não se casaram porque ele chegou “atrasado”, Ângela já estava casada). No vídeo, o depoimento de Elis Regina e o canto inconfundível da Sapoti (show da TV Globo, em 1980).

(O.C.)

VAI UM POUCO DE DETERGENTE AÍ?

Ricardo Ribeiro | Página em Construção

O ex-ministro Carlos Ayres Britto, figura de grande lucidez e serenidade, costuma repetir que “nas coisas do poder, o melhor detergente é a luz do sol”. O pensamento é de Louis Brandeis, jurista norte-americano, que atuou na Suprema Corte de 1916 a 1939 e se destacou, desde os tempos de advogado, como defensor das liberdades civis e dos direitos dos trabalhadores, além, como se presume, da preservação do interesse público nas ações do Estado.

A frase do jurista serve perfeitamente à Prefeitura de Itabuna, que anda necessitando da incidência de fortes raios solares para se livrar das impurezas que se multiplicam na sombra. Ou no breu das tocas, como diria Chico Buarque.

Sendo específico, não é necessário microscópio para detectar “bactérias” indesejáveis no processo seletivo organizado com a finalidade de contratar servidores para as Secretarias da Saúde e da Assistência Social. Está escuro e não dá para enxergar os critérios desse certame, no qual algum dedo indicador (contaminado) parece ter escolhido quem deveria entrar e quem deveria apenas fazer figuração no cenário.

Frisamos que o verbo “parecer”, utilizado acima, visa evitar prejulgamento, mas a suspeita é geral e as explicações tardam. Elas se fazem necessárias para justificar a preferência por currículos raquíticos, em detrimento de outros muito mais consistentes. Se a seleção utilizou exclusivamente a análise curricular, é preciso esclarecer por quais insondáveis motivos ocorreu tal inversão de critérios.

Leia mais no blog de análises Página em Construção

A FAMIGERADA CULTURA DO “NÃO É COMIGO”

ricardo artigosRicardo Ribeiro | ricardo_rb10@hotmail.com

 Faz-se necessário participar e até questionar, é claro, a impiedosa carga tributária que nos sobrecarrega. Mas, antes de tudo, é preciso participar, fiscalizar, cobrar e responsabilizar-se.

Termina nesta quarta-feira, 15, salvo possível prorrogação, o prazo para o itabunense quitar seu Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em cota única. Quinze dias antes, encerrara o prazo para a declaração do Imposto de Renda e ainda estamos às voltas com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), sem falar na infinidade de tributos embutidos nos mais diversos produtos, os quais pagamos a todo momento.

Tantos impostos e tão pouco retorno. Essa é uma realidade cruel e vergonhosa, pela ausência de contrapartidas do poder público, mas aliada à cultura da omissão por parte de quem paga a conta. Ou de quem não paga.

Entre ser adimplente e exigir seus direitos, há muitos – sobretudo no caso do IPTU – que preferem a inadimplência conformada. Tipo: “não tenho um serviço público de qualidade, as ruas estão acabadas e escuras, mas também não pago o IPTU”.
É absurda e anticidadã tal postura, mas lamentavelmente comum.

Ela é prima daquela outra que trata a coisa pública como objeto pertencente a ninguém e, portanto, desmerecedor de qualquer cuidado. Não é raro que o sujeito inadimplente em suas obrigações tributárias com a cidade seja o mesmo que joga lixo na rua, para sobre a faixa de pedestre e ouve som nas alturas, sem se importar com os direitos do vizinho.

Essa é uma cultura que perpetua o atraso, pois não cria as condições necessárias à promoção de mudanças. É ela uma das principais responsáveis pelos problemas que não se resolvem, seja a ineficiência da saúde, da educação ou do transporte público. Quem se abstém da cidadania não se sente parte de coisa alguma e costuma achar que tudo é culpa dos políticos. Ledo engano.

Na democracia, todas as responsabilidades devem ser compartilhadas e o papel do cidadão não pode se encerrar no momento do voto. Faz-se necessário participar e até questionar, é claro, a impiedosa carga tributária que nos sobrecarrega. Mas, antes de tudo, é preciso participar, fiscalizar, cobrar e responsabilizar-se. Ir além do individual e pensar no coletivo, cuidar do que é comum.
Esse é um comportamento que de fato poderia mudar toda a nossa realidade, algo que governo nenhum, sem articulação social efetiva, jamais conseguirá.

Ricardo Ribeiro é advogado.

JORGE FEZ UM BOM MARKETING DE ILHÉUS?

Ricardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

Em “Gabriela”, tudo é negativo; as mulheres vivem como em um campo de concentração e só podem falar de liberdade aos cochichos. 

Sem querer estragar a festa de ninguém, já que o momento é de comemoração e, vale adiantar: Jorge Amado merece cada confete que lhe cai sobre a memória e sua obra única. A intenção aqui não é tirar o mérito, mas abordar o formidável escritor sob outro ângulo, o de sua relação com Ilhéus e as terras do cacau como um todo.

Indo direto ao assunto, há uma nítida diferença entre a abordagem que a obra amadiana faz de Salvador e da região cacaueira, sendo que esta é claramente apresentada como o lugar dominado pelo patriarcalismo, o atraso, a violência das tocaias e um solo que, como é descrito em Terras do Sem Fim, foi “adubado com sangue”.

A história de Gabriela, Cravo e Canela, ora em reprise em forma de novela na Rede Globo, mostra os fazendeiros de cacau como coronéis truculentos, que tratavam as mulheres como bicho, as usavam e, se bobeassem, matavam-nas. Prazer mesmo, só com as teúdas e manteúdas ou as “quengas” do Bataclan. A hipocrisia ditava o ritmo em Ilhéus, uma cidade onde – da forma que é descrita em Gabriela, poucos gostariam de viver. Pelo contrário, o que a narrativa desperta é uma incontida pena de quem tinha a desventura de morar naquele lugar de tanta gente desprezível.

Ainda que justifiquem tratar-se de uma Ilhéus de outro tempo, o cotidiano descrito é perverso e de tintas carregadas em tudo que é deplorável. Por outro lado, Jorge não descreve as belezas de Ilhéus. Em sua obra não aparecem os belos mirantes da cidade, suas praias de areia branca e fina, seus coqueirais, o mar, os rios, as matas. Estas, quando entram na trama, é como esconderijo de jagunços, cenário de batalhas intermináveis e sangrentas pela posse de uma terra onde vicejava, ao mesmo tempo e paradoxalmente, a riqueza do cacau e a miséria de uma região que se teimava em ser primária: na monocultura e nos costumes.

Salvador já aparece bem diferente nos livros de Jorge. Apesar de também descrever a pobreza que já havia na capital, o escritor demonstra que esta era a cidade de seu coração. Da multiplicidade cultural, do ecumenismo religioso, dos pescadores e saveiros, de um mar hipnótico. Não é à toa que seus livros atraíram para Salvador figuras como o francês Pierre Verger e o argentino Caribé, curiosos por tanta beleza que transpirava das páginas de Jorge. Vieram e ficaram.

Ser a cidade quase natal (para lá o escritor, nascido em Itabuna, foi aos quatro anos de idade) é sem dúvida alguma um privilégio para Ilhéus. Foi nela que o autor idealizou suas primeiras obras, está nela a inspiração para tantas histórias e tantos personagens. Mas ser conhecida como “A terra da Gabriela”, com tudo a que a história da morena cor de cravo e canela remete, talvez não seja o melhor marketing para Ilhéus.

A impressão que se tem é de que o sul da Bahia ficou para o escritor como o lugar do passado, do qual ele comemorava a libertação. Em “Gabriela”, tudo é negativo; as mulheres vivem como em um campo de concentração e só podem falar de liberdade aos cochichos. O contraponto positivo está nos personagens que negam Ilhéus e tudo que ela representa na obra. Malvina, com sua coragem e nobreza que destoam de tudo que a cerca; Mundinho Falcão com sua visão liberal e cosmopolita; e Gabriela, que confronta aquele mundo arcaico com um sorriso infantil e a convicção da liberdade, a antítese perfeita da podridão que a cerca.

Loas a Jorge, mas Ilhéus definitivamente tem muito mais a oferecer do que carregar esse ranço de ser a eterna “Terra da Gabriela”.

Ricardo Ribeiro é advogado e editor do Cenabahiana.com.br

A VOLTA DO CIPÓ DE AROEIRA

Cláudio Rodrigues | claudiorodrigues10@yahoo.com.br

As acusações contra Simões pelo TCU são de fazer inveja ao também deputado, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Salim Maluf.

Nos últimos meses, uma grande nuvem negra anda pairando sobre a cabeça do deputado federal e ex-prefeito de Itabuna Geraldo Simões. É como se todas as maldades que o político realizou com aliados e não-aliados estivesse sob o efeito bumerangue.

As últimas vitimas das maldades de Simões, ao menos que eu tenha conhecimento, foram a professora Miralva Moitinho, atual presidente do PT itabunense e ex-diretora da Direc 7 – que sofreu fritura até ser exonerada e teve a sua gestão à frente do órgão investigada por uma sindicância, e o jornalista Ricardo Ribeiro.

Profissional exemplar e de um caráter ímpar, Ricardo prestava serviços para uma empresa privada de mineração e foi sumariamente demito a pedido do “todo poderoso” deputado. Isso, porque o mesmo não gostou do que o rapaz escreveu em um site de notícias.

Depois dessas maldades, Geraldo começou a viver seu inferno astral. Um “grupo” ligado ao parlamentar adquiriu a rádio Difusora, líder isolada da programação AM e que era de propriedade do ex-prefeito Fernando Gomes, até então adversário quase mortal do parlamentar, pela “bagatela” de R$ 3,5 milhões, segundo a imprensa local.

Depois da troca de comando, o Ibope da emissora despencou e nem mesmo a competência do diretor de programação J. Pimentel conseguiu frear a queda, e o que era para ser uma poderosa arma de campanha e política, não vai passar de mais um bem patrimonial para o “grupo” do deputado.

Sua esposa e pré-candidata a prefeita da cidade, amarga uma rejeição do tamanho do Alto da Lua, e até o momento não conseguiu atrair nenhum partido de expressão e muito menos um nome de peso para a composição de vice-prefeito. Pelo visto, vai disputar com o candidato do PCB, Pedro Heliodoro, quem vai ficar com a lanterna na mão.

Como diz o ditado, “urubu quando está de azar, o de cima suja o de baixo”. O deputado teve seu nome citado em gravações de conversas entre familiares do também parlamentar João Carlos Barcelar, sobre venda de emendas parlamentares do Orçamento da União.

O fato ganhou repercussão nacional e o deputado deve ser investigado pelo Conselho de Ética da Câmara Federal. Como inferno pouco é bobagem, o nobre deputado consta na Lista dos Políticos Fichas Sujas, que foi divulgada semana passada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). As acusações contra Simões pelo TCU são de fazer inveja ao também deputado, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Salim Maluf.

Como cantou Vandré nos tempos da Ditadura, “madeira de dar em doido vai descer até quebrar. É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

Cláudio Rodrigues é empresário.

O PT ESTÁ MALUFADO HÁ MUITO TEMPO

Ricardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

Quantas esperanças desfeitas diante da constatação de que, ao fim e ao cabo, o PT era só mais um partido interessado no poder pelo poder.

Que novidade existe no PT que malufa? A imagem que fulminou o resto de utopia e sonho que ainda existia em alguns petistas puros (ainda há uma meia dúzia) nada mais é do que a consagração de um processo de erosão moral que já acomete a legenda há bastante tempo. Atribua-se a cena indecente, mas coerente com a degradação petista, à falta de freios que tem marcado a atuação do ex-presidente Lula nos últimos lances políticos da Terra Brasilis.

A união com Maluf espanta por revelar que o PT realmente perdeu os cinco por cento de pudor que ainda lhe sobravam. Não pela aliança em si, que já estava celebrada e macomunada há muito, mas pela desfaçatez do ato, pelo seu potencial de escárnio e desprezo pela opinião pública. Não é batom na cueca, mas adultério explícito em plena Avenida Paulista, na hora de pico.

Como bem escreveu um jornalista, o PT não se aliou a um ex-adversário, mas a um ladrão incluído na lista de grandes corruptos catalogados pelo Banco Mundial. Um sujeito procurado pela Interpol, mas encontrado pelo Partido dos Trabalhadores (sic) para dar vazão a projetos eleitorais divorciados da moral e dos bons costumes.

É nisso que se transformou o PT, partido que já alimentou o sonho de que a política e o Brasil poderiam ser diferentes e faltava pouco para reivindicar para si um espaço na lista de sinônimos da palavra “ética”.

Quantas esperanças desfeitas diante da constatação de que, ao fim e ao cabo, o PT era só mais um partido interessado no poder pelo poder. Aliás, não era mais um, era sim o mais perigoso, pois conseguiu, durante tanto tempo, omitir sua verdadeira identidade, escondendo-se sob uma máscara de decência. E enganou a muitos, inclusive a este que vos escreve.

Esse PT mofado e malufado perdeu as bandeiras e a vergonha. Está irremediável, trágica e ridiculamente nu.

Ricardo Ribeiro é blogueiro e advogado.

E O FORRÓ CONTINUOU

Ricardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

Numa ironia com o rei do baião, ficou determinado como imoral se falar em forró nas cidades onde a chuva se esqueceu de cair.

Quiseram o destino e os humores do clima que o ano do centenário de Gonzagão coincidisse com uma das piores secas que já assolaram o Nordeste e, em particular, a Bahia, com mais de 200 municípios sofrendo as agruras da estiagem. É provável que, se vivo estivesse, o velho Lua, que expressou essa mesma realidade cíclica em sua música, manifestasse certa frustração pelo fato de que até os dias de hoje o nordestino pobre continua irremediavelmente escravo das condições climáticas, e dependendo de ajudas incertas. Recursos trombeteados, mas que quase não chegam ao destino, agarrados antes pelas unhas dos “carcarás”.

Em Vozes da Seca, parceria com Zé Dantas, o rei do baião já deixava claro que o nordestino não precisava de esmola, mas sim de um apoio efetivo para conviver com a seca. “Seu doutor, os nordestino têm muita gratidão/Pelo auxílio dos sulistas nesta seca do sertão/Mas, doutor, uma esmola para um homem que é são/Ou lhe mata de vergonha,ou vicia o cidadão”. O recado tem quase 60 anos, mas nada mudou e a indústria da seca continua próspera.

Na Bahia, cidades fantasmas, lavouras perdidas, fome e morte. O governo anunciou para todo o Nordeste um pacote de R$ 2,7 bilhões destinado ao programa de carros-pipa e ações do Programa Água para Todos. Quanto desse dinheiro chegará aos que sucumbem na seca? Quanto ficará preso às malhas da burocracia e da ladroagem?

Numa ironia com o rei do baião, ficou determinado como imoral se falar em forró nas cidades onde a chuva se esqueceu de cair. Como, se morrem de sede, poderão fazer festa junina e celebrar suas tradições? Gonzagão lamentaria, não com a indignação dos empresários das bandas de forró eletrônico e outras variações, mas com a tristeza do sanfoneiro pé-de-serra, com seu gibão e chapéu de couro, cara marcada de sofrimento… Este sim, também uma vítima da seca.

Leia a íntegra clicando aqui.

DEPUTADO ATACA JORNALISTA, MAS NÃO EXPLICA PEDIDO DE DEMISSÃO

Geraldo Simões negou ter pedido cabeça de jornalista na bandeja da Bamin

O deputado federal Geraldo Simões (PT) concedeu entrevista à sua emissora, a Rádio Difusora, e pela primeira vez falou sobre o suposto pedido feito por ele à Bahia Mineração (Bamin) para que demitisse o assessor de comunicação, Ricardo Ribeiro, aqui do PIMENTA.

No programa Cacá Ferreira, o parlamentar insistiu em negar que tenha feito o pedido, embora a assessores o deputado tenham falado que o fez no momento em que consumia bebida alcoólica e que “voltaria atrás” (confira mais abaixo). Na entrevista, o parlamentar disse ter feito a “descoberta” de que o jornalista trabalhou no governo municipal e acusou Ricardo Ribeiro de ser “caneta paga” de opositores, para criticá-lo.

O deputado ainda afirmou que foi ele quem deu o primeiro emprego ao jornalista ao contratá-lo para a assessoria de comunicação, em 2001, quando assumiu a prefeitura de Itabuna. Sarcástico e destilando arrogância, Geraldo disse que Ricardo aprendeu a escrever na prefeitura.

O parlamentar ameaçou interpelar o jornalista para provar que foi ele quem pediu sua demissão. Também afirmou que, seguindo conselho de um advogado, avalia entrar com ação por difamação.

O blog teve acesso a mensagens de texto, trocadas por celular entre o jornalista e um diretor da Bamin, que confirmam o pedido feito pelo deputado à empresa.

“TRABALHO COM ISENÇÃO E ÉTICA”

Ricardo Ribeiro rebateu o argumento do deputado, que o acusa de estar a serviço de adversários, e lembra que quando participou do governo municipal, entre 2009 e 2010, decidiu afastar-se do blog, fato que é confirmado por Davidson Samuel, também do PIMENTA. “O blog tem postura crítica ao governo. Eu não misturo as coisas e nunca coloquei o blog a serviço de assessoria de imprensa, prova disso é que o PIMENTA continua independente e criticando a administração municipal quando ela merece ser criticada”, ressalta Ricardo.

Quanto à afirmação de Geraldo de ter sido a prefeitura o primeiro emprego do jornalista, Ricardo lembra que o convite para participar do governo de Geraldo, no período 2001 a 2004, partiu do jornalista Daniel Thame.

– Tive grandes colegas na Assessoria de Comunicação, a exemplo de Cláudio Rodrigues, Daniel Thame, Maurício Maron e Antônio Lopes, mas meu primeiro emprego foi no Jornal Agora, onde trabalhei com Joel Filho, Vera Rabelo, José Adervan, entre outros, e de fato aprendi os primeiros passos da profissão . Nunca pedi emprego ou qualquer outra coisa a Geraldo Simões. Fui convidado a trabalhar na assessoria por Daniel Thame, e foi por mérito e não por apadrinhamento. A indicação foi técnica, porque Daniel conhecia e conhece meu trabalho – assinala Ricardo, que também foi editor do programa Jornal das Sete, da Morena FM, antes de integrar a assessoria.

CRONOLOGIA

A ligação do deputado Geraldo Simões para pedir a cabeça do jornalista foi feita no sábado, 14. O parlamentar telefonou para Armando Santos, do Conselho da Presidência da Bamin. Este acionou o diretor de Relações Institucionais da empresa, Frederico Souza.

O diretor de Relações Institucionais da Bamin, então, ligou para o jornalista na noite de sábado e perguntou se Ricardo conhecia Geraldo e se tinha alguma coisa contra o deputado. Geraldo disse ao diretor Armando Santos que o assessor de comunicação passava “24h do dia” batendo nele e no PT de Itabuna.

Logo após receber a ligação, Ricardo enviou mensagem a Frederico afirmando ter entendido o porquê do pedido do deputado. A razão foi um artigo em que defendia o direito do PCdoB de ter candidatura própria em Itabuna e criticava a “arrogância do PT” de Itabuna.

Ricardo enviou mensagem ao diretor de Relações Institucionais e disse que iria pedir desligamento para não causar constrangimentos à empresa. Frederico respondeu-lhe que não era necessário chegar a esse ponto, pois as coisas seriam contornadas. “Diante da resposta, fui trabalhar na segunda-feira, mas à noite eu recebi a ligação da gerência de comunicação em Ilhéus, informando sobre o desligamento”.

O jornalista disse que não gostaria de envolver o nome da empresa e que o centro de todo o problema está no ato de perseguição do deputado. “A empresa está em momento de fragilidade e que fica sensível a pedidos como este. Não vou julgar a empresa, porque o mais grave nessa história é o ato grotesco de perseguição promovido pelo senhor Geraldo Simões”, afirma.

A ÚLTIMA DO PIMENTA

O PIMENTA migrou de endereço em novembro passado e atingiu seu pico de visitação na nova fase. Foram 370.007 acessos únicos nos últimos 30 dias e exatos 1.126.572 páginas vistas (pageviews). Os dados são do Google Analytics, mecanismo de aferição de audiência na internet mais utilizado pelas principais agências de publicidade devido à sua credibilidade.

Os números fazem deste blog um dos mais acessados da Bahia e o mais visitado da região cacaueira, conforme dados do mercado publicitário. O período analisado vai de 20 de março a 19 de abril. Os gráficos também revelam tendência de manutenção do crescimento já que o site possui altíssima taxa de aprovação dos leitores (retornos) e de novas visitas, segundo o Analytics.

O jornalista Ricardo Ribeiro diz que os resultados obtidos no período reforçam a condição do PIMENTA como uma das principais fontes de informação do sul da Bahia. “Nosso foco é o que acontece diariamente em nossa região e no estado, mas sempre antenado com o que acontece Brasil afora”. Davidson Samuel, um dos diretores do site, lembra que a migração do blog para um novo endereço veio de uma outra novidade, um site gratuito de classificados, o ClassiPimenta.

ALENCAR, O HOMEM QUE SORRIU PARA A MORTE

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

Tive a grande satisfação de conhecer José Alencar e foi há quase nove anos, antes dele se tornar vice-presidente do Brasil. Em 2002, na campanha pela sucessão presidencial, o grande brasileiro esteve em Itabuna para um encontro com lideranças locais. Lembro-me da reunião marcada para uma sala do hotel Imperial, onde quase não couberam prefeito, vereadores, secretários municipais e jornalistas. O calor era absurdo e intensificado pelas luzes dos equipamentos de filmagem.

Alencar não demorou a chegar, com aquele sorriso de gente boa e cumprimentando todo mundo. Ora, o homem vinha em campanha, devia estar fazendo média, mas havia algo diferente naquela expressão, no jeito de falar pausado, simples, ponderado, no olhar humilde. A diferença tinha jeito de ser sinceridade e dignidade. E era, como a história comprovou.

O político e empresário, que se foi nesta terça-feira, 29 de março, teve uma infância pobre e cresceu na base da determinação. Mas a maneira como venceu na vida, apesar de rica em exemplos, não é o que mais marcou a história de José Alencar. Foi a forma como ele enfrentou a morte, sem temor, que realmente definiu o homem que em tantos momentos nos causou espanto e emoção, por sua coragem e vontade de viver, ainda que não manifestasse nesta disposição um apego inexorável a este mundo.

Alencar enfrentou 17 cirurgias em 14 anos, não tinha um rim, possuía apenas um terço do estômago. No entanto, depois de cada alta no hospital, ele saía com aquele sorriso que nos encabulava e matava de vergonha. Era como se mostrasse a cada um de nós que, se ele podia desdenhar da morte e sorrir diante dela, o que justificaria os nossos queixumes por causa de problemas tão insignificantes.

A frase mais bonita de Alencar revelou o que realmente o amedrontava: “não tenho medo da morte, tenho medo é da desonra”. Lapidar, irretocável, sabedoria de quem entende que a importância da vida não se mede pelo tempo, mas pelo caráter, as atitudes e os exemplos.

Imagino Zé Alencar chegando no céu, com aquela simplicidade mineira dele. Perante os anjos de Deus, sempre com o riso escancarado de menino, ele aparece cantarolando baixo o samba de Nelson Cavaquinho: “Tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor…”

Um dos anjos o interpela: “sossega Alencar, que já não dói “. Ele, mineiríssimo: “uai, mas agora é que dói, sô! Dói de saudade”… E segue sorrindo.

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA e também escreve no Política Etc.

PARA GEDDEL, PT É IGUAL ÀS MOÇAS DO BATACLAN

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

 

Língua afiada, Geddel  recorreu a uma analogia de lupanar para atingir o PT.

Como é comum acontecer em política, a entrevista do peemedebista Geddel Vieira Lima, publicada neste fim de semana no jornal Agora, de Itabuna, revela mais pelo que não diz do que pelo que o entrevistado afirma.

Há alguns meses, seria impensável o ex-ministro da Integração Nacional sequer cogitar a possibilidade de uma reconciliação com o PT, notadamente em Itabuna, onde a maior liderança do partido carrega a responsabilidade por uma vaia estrondosa dedicada a Geddel durante o lançamento do PAC do Cacau em Ilhéus.

A entrevista, naturalmente, tem muitas críticas ao PT e a Geraldo Simões, mas nas entrelinhas Geddel confirma aquela tese de que não há impossibilidades em política. Faltando mais de um ano para definir o jogo, as críticas parecem “charme” de quem não deseja parecer um pretendente fácil.

O PMDB está procurando se valorizar, ao mesmo tempo que aponta vícios e defeitos no PT. Em certo trecho da entrevista, o ex-ministro repreende Geraldo Simões por este ter negado a autoria da vaia em Ilhéus. “Hoje, quando nega, não resgata credibilidade para eventuais conversas”, broqueia Geddel.

Outra leitura da reprimenda pode ser a seguinte: “Geraldo, meu filho, arrependa-se dos pecados e venha com humildade pedir nosso apoio, que poderemos pensar no seu caso”. O perigo é que o conselho embute uma armadilha, pois o confessor assumiria ter mentido reiteradamente sobre sua participação em um episódio que contribuiu para o rompimento entre PT e PMDB na Bahia.

Língua afiada, Geddel ainda recorreu a uma analogia de lupanar para atingir o PT, classificando-o como partido sovina na hora de dar apoio e desesperadamente sedento para obtê-lo. “Para receber, parece aquelas moças do antigo Bataclan”, mandou o ex-ministro, recordando as dadivosas meninas da casa de Maria Machadão.

Dizem que no Bataclan era comum os coronéis inimigos baixarem as armas para se entregar aos deleites, pecados e vícios nas madrugadas, longe de olhares curiosos e indiscretos. A semelhança com o que ocorre nos bastidores da política torna altamente apropriada a comparação feita pelo cacique do PMDB.

Como se diz em bom baianês, nada mais natural que esse rififi entre petistas e peemedebistas acabasse no brega…

 

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA e também escreve no Política Et Cetera.

FALTA GESTOR PÚBLICO EM ITABUNA

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

A maioria dos nomes que gravitam em torno da sucessão municipal itabunense é de políticos que se cacifaram pelo carisma ou pelo apadrinhamento. Enquadram-se em uma ou outra categoria os principais pré-candidatos, exceto o atual prefeito José Nilton Azevedo, que pode ser alocado em ambas. Tem carisma próprio, é verdade que um tanto desgastado, e é uma cria política do ex-prefeito Fernando Gomes.

O que falta, porém, são perfis de gestor público. Alguém que tenha se preparado, estudado e conheça bem as demandas e a estrutura da máquina, que saiba administrar na dificuldade e otimizar os recursos para que a coletividade tenha o maior benefício.

O voluntarismo, os tapinhas nas costas, as promessas desligadas de qualquer projeto bem construído não deveriam mais determinar a escolha dos governantes, embora seja isso que ocorra quase sempre. E não é por outra razão que o desencanto logo substitui a esperança do eleitor.

A um ano e oito meses das eleições de 2012, novos postulantes aparecem no cenário. O PT deverá vir com Juçara Feitosa ou Geraldo Simões, correndo por fora o vereador Claudevane Leite. O PCdoB tem três postulantes: Wenceslau Júnior, Luís Sena e Davidson Magalhães. O PP ensaia o empresário Roberto Barbosa, ainda sujeito a possíveis turbulências. Há também os deputados estaduais Augusto Castro (PSDB) e Coronel Santana (PTN), que irão esperar o desenho das nuvens.

Azevedo, naturalmente, é candidato à reeleição (pelo DEM ou outro partido ao qual venha a se filiar). E nessa lista não se deve esquecer o “highlander” Fernando Gomes (PMDB), que pensa em tentar o quinto mandato!

É altamente provável que o futuro governante itabunense seja pinçado dessa relação. Agora, se algum deles tem o devido preparo para administrar o município e solucionar suas carências históricas, é outra conversa. Uns já demonstraram sua inaptidão para a empreitada, ficando praticamente limitados a ações cosméticas e à administração da folha de pagamento e outras demandas relativas ao custeio da máquina.

Faltam ousadia, criatividade e espírito público, ao passo que sobra apego ao poder pelo poder em um sistema que usa o povo como massa de manobra e se alimenta de suas expectativas, mantendo-as insatisfeitas para usá-las novamente na próxima eleição. Como a memória das vítimas é curta, o ciclo sempre se repete. Lamentavelmente.

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros responsáveis pelo PIMENTA e também escreve no blog Política Etc.

SIM, TEMOS VIDA INTELIGENTE

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

Ouvia hoje uma moça que estudou a carreira de Nara Leão e montou um espetáculo sobre a intérprete. Já passei em bares do Rio Vermelho onde jovens se divertiam ao som de um belo chorinho. Música de qualidade, brasileiríssima, fiel às nossas raízes, mas um oásis em meio à baixaria que ainda não reina, mas tumultua.

No Natal, percebi o “rei” Roberto Carlos um tanto incomodado, sem graça diante da apresentação do convidado Exaltasamba em seu especial de fim de ano. A banda, sem a menor reverência à Sua Majestade, entoou a apelativa música que chama a uma “fugidinha”. Era para ser um dueto, mas Roberto não cantou, apenas corou.

Não serve de consolo, mas a fuleiragem não é monopólio baiano. Está no funk carioca e nas músicas americanas que agridem os ouvidos e o ser humano, fazendo imerecido sucesso junto a pessoas que não se dispõem a refletir sobre o que ouvem. A música não é de pobre, como insinuou um defensor do estilo, mas serve para estigmatizar, humilhar, diminuir, ridicularizar e achincalhar exatamente o pobre.

Só ouve esse tipo de lixo quem ainda não teve acesso à boa música, aquela que faz bem ao espírito, que alegra e garante a festa, porém com criatividade, sutileza, inteligência. Mas nunca é tarde para procurar saber o que é bom, abandonando essas coisas que dizem ser de duplo sentido, mas não têm sentido algum.

Por isso tive grande satisfação ao ler o artigo de Daniel Thame publicado no PIMENTA (confira). Até porque, assim como o amigo, este escriba também foi submetido a uma tortura mental ao tentar passar alguns dias em confraternização familiar em um condomínio praiano na zona norte de Ilhéus. Acabei adoecendo e tenho certeza de que os sintomas da virose foram agravados pelo repertório que tocava na rua e em casas vizinhas, a um volume tão indecoroso quanto as letras das porcarias.

Estou plenamente convencido de que esse lixo, além de incomodar, também faz mal à saúde.

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA e também escreve no Política Etc.

FELIZ 2011!

Ricardo Ribeiro | ricardoribeiro@pimentanamuqueca.com.br

Fim de ano é momento propício à renovação de projetos e construção de novas aspirações. É nesse embalo que meu coração bate nesse ocaso de 2010, com um otimismo que felizmente sobrevive às intempéries.

Temos visto, seguidamente, esperanças se transformarem em frustrações. Mesmo que alguns de nossos heróis tenham morrido de overdose e ainda haja tantos inimigos no poder, sinto uma incrível necessidade de acreditar. É como se fosse uma vacina, um remédio, um elixir ou simplesmente uma tática para não desesperar jamais. Simplesmente, vejo apenas vantagens no pensar positivo, em apostar no sorriso franco e no abraço caloroso, no ouvir bastante e falar com cautela, no propor em vez de reclamar.

Torço para que, em 2011, todos possamos assumir uma atitude de cooperação. Que tenhamos a capacidade de nos colocar no lugar do outro, entendê-lo como ser humano e somente cobrar na medida em que aceitamos ser cobrados, sem exigir nada além disso.

Proponho um ano novo em que deixemos de esperar pelas soluções que nunca vêm e comecemos a participar com disposição e sinceridade da vida política e comunitária. Logicamente, sem esquecer da família, que é onde tudo começa… Para o bem e para o mal.

Não nos iludamos. Os novos eleitos não serão salvadores da pátria, não farão milagres e, se muito, cumprirão uns 10% do que prometeram. Portanto, você tem duas alternativas: ou fica 90% frustrado ou vai em busca do que é seu de direito. Eu vou.

Feliz Ano Novo!

Ricardo Ribeiro é um dos blogueiros do PIMENTA e também escreve no Política Etc.

LETRAS DE MÚSICAS QUE NUNCA ENTENDI

Marival Guedes

Algumas músicas a gente ouve, repete e não consegue entender a letra, por se tratar, muitas vezes, de histórias pessoais. Não dá pra adivinhar. É o caso de “Chão de Giz”, do paraibano Zé Ramalho. Durante anos ouvi, sem saber o que significava:

“Eu desço dessa solidão/Espalho coisas sobre/Um Chão de Giz/Há meros devaneios tolos/A me torturar/Fotografias recortadas/ Em jornais de folhas/Amiúde! Eu vou te jogar/Num pano de guardar confetes”.

Tive acesso à “tradução” lendo uma entrevista do autor na, lamentavelmente, extinta revista “Bundas”. Zé Ramalho revela que o giz foi pra disfarçar . Na verdade, se refere à Giza,uma paraibana rica,socialite e casada, com quem teve um caso aos 18 anos, quando também já era casado. Ele pegou uma fotografia dela publicada num jornal, recortou e pregou na parede. “A descrição que aparece em Chão de Giz é dos livros que eu estava lendo, das pessoas que me rodeavam , do psicodelismo daquele período”, explica.

Aproveitando o embalo, os entrevistadores perguntam sobre “Garoto de Aluguel:

“ Baby!/Dê-me seu dinheiro/Que eu quero viver/Dê-me seu relógio/Que eu quero saber/Quanto tempo falta/Para lhe esquecer/Quanto vale um homem/Para amar você…”

Esta é mais clara, próxima da realidade. Ele recorda que quando chegou ao Rio com outros artistas nordestinos, eram várias as dificuldades. Dormiam em casas de amigos, sofás de teatros e bancos das praças. Conheceram algumas meninas na porta do teatro e tornaram-se amigos.

Elas curtiam o amor- livre,o flower power e sabiam da situação do grupo. Então, iam ao motel e quando saíam diziam pra eles: “toma aí este troco pra passar o dia, pegar um PF…”

O cantor justifica que não ficava jogando anzol no Alaska – galeria frequequentada por garotos de programa. Era uma coisa amigável e espontânea. “Isso inspirou a música porque eu via por um lado mais radical,tentava me colocar na situação de uma pessoa que vivia disso,passei a prestar atenção a isso”.

De Zé Ramalho a Fernando Pessoa- O jornalista Ricardo Ribeiro,integrante deste blog, lembra da frase de um general romano: “navegar é preciso,viver não é preciso”, utilizada pelo poeta português em “Navegar é Preciso” e por Caetano Veloso em “ Os Argonautas”. Na primeira citação, preciso se refere à necessidade. Na segunda, nos remete à inexatidão, imprecisão, às surpresas que a vida nos traz.

Pra terminar, cito Álibi (Djavan), outra música que até hoje não compreendo, principalmente estes versos: “Quando se tem o álibi/De ter nascido ávido/E convivido inválido/Mesmo sem ter havido”.

Pra eu não ficar esperando por uma entrevista do autor, alguém que comprerendeu, por favor, mande-me a “tradução”.

Marival Guedes é jornalista e escreve no Pimenta às sextas-feiras.

DE VOLTA PRA CASA

Este blog ‘veio ao mundo’ em agosto de 2006, o projeto foi ampliado em 2008 e hoje situa-se entre os sites mais acessados da Bahia (taí o Alexa que não nos deixa mentir). Parte dessa conquista se deve a uma figura que, a partir desta segunda, tal qual o bom filho, está de volta à casinha.

Então, para nós, hoje é um dia mais do que de festa. Sobre a figura que retorna, diremos que quem o conhece o trata como amigo, irmão. Se a proximidade for apenas profissional, todos são unânimes ao apontar nele as qualidades do texto exato, caprichado e que leva à reflexão, da pessoa ética e correta, equilibrada, amiga mesmo em ambiente de competitividade. Humana, acima de tudo.

Podemos dizer que adjetivos são poucos a este cara, o cara. Certo é que, sem mais delongas, o leitor do Pimenta terá, a partir desta segunda-feira, 14, véspera de estréia do Brasil na Copa do Mundo, todas essas qualidades aqui. Indo direto ao ponto, o ‘baixinho’ Ricardo Ribeiro está de volta (olha ele aí, à direita).

Foi uma ‘separação’ de exatos nove meses, período em que, mostrando-se ético como sempre foi, preferiu deixar-nos a manter um pé aqui e outro no cargo que acumularia a partir daquele mês de 2009, como diretor de Departamento de Comunicação Social da prefeitura de Itabuna, após aceitar um convite do também amigo e profissional exemplar, Walmir Rosário.

O seu retorno nos traz mais que felicidade. Com ele, vem junto a certeza de que ele nunca deveria ter privado o leitor do Pimenta das qualidades que sempre transbordaram nestas páginas por sua ‘pena’. Ficamos órfãos, mas só por este tempo.

Seja mais do que bem-vindo, véi.

Davidson Samuel

BLOGOTERAPIA NO POLÍTICA ETC

O blogueiro (com rima) Ricardo Ribeiro estreia novo espaço no Política Etc, destinado a opiniões e reflexões. Na verdade, ele já vinha produzindo alguns artigos sobre diversos temas e resolveu batizar esta área do blog com o nome “Blogoterapia”. No primeiro texto, uma análise sobre pequenos delitos que muitos brasileiros costumam cometer no dia-a-dia.

O Pimenta reproduz no post abaixo.

UM ATÉ BREVE

Faz mais de duas semanas que, nós, do Pimenta, perdemos um dos nossos referenciais de qualidade. O jornalista Ricardo Ribeiro decidiu aceitar o convite do amigo Walmir Rosário, para assumir o Departamento de Comunicação da Prefeitura de Itabuna. Ao mesmo tempo, lançou um blog com característica mais pessoal, o Política ETC.

Jornalista e advogado dos mais éticos e pessoa das mais equilibradas que já conhecemos, Ricardo julgou ser incompatível assumir a nova função e continuar no Pimenta. As ponderações foram feitas e a nós, infelizmente, coube aceitar a decisão tomada pelo baixinho.

Assumir o Departamento de Comunicação da Prefeitura, temos certeza, é algo que Ricardo faz tendo em vista os desafios a superar. A sua trajetória pessoal e competência nos dão a certeza de que irá superá-los. Mais que isso, que Walmir e o prefeito Nilton Azevedo acertam na escolha para este governo que começa.

Quem conhece o jornalista, advogado e hoje secretário de Assuntos Governamentais e de Comunicação Social, Walmir Rosário, sabe o quanto honra um convite de tal envergadura. Walmir, assim como Ricardo, é uma de nossas referências éticas no jornalismo regional.

Por aqui, brincamos, internamente, dizendo que esta saída não é algo definitivo, mas temporário. “Está licenciado”. Ao amigo e irmão (para qualquer hora!), que sempre demonstrou lealdade e princípios e foco no que faz, desejamos sucesso nas novas jornadas.

Davidson Samuel / Domingos Matos










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