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:: ‘Rio Cachoeira’

A CAMINHO DO CEMITÉRIO

Jackson LessaJackson Lessa | jacksonslessa@hotmail.com

O primeiro passo para fugir do pesadelo é acordar. Caso contrário, teremos que parafrasear Paulinho da Viola e dizer “Rio Cachoeira, foi um rio que passou em nossas vidas”.

Estamos diante de um problema sem precedentes na cidade de Itabuna, a morte de um rio. É um pesadelo prestes a se tornar realidade, também tornando inquestionável a urgência em enfrentar esse problema. Essa crise não se limita ao aspecto natural, envolve também a história e cultura do município. Enfrentar a crise é olhar para o futuro. Precisamos trazer o tema para o centro do debate, seria o ponto de partida para um verdadeiro programa de salvação do Cachoeira.

É necessário criar uma agenda local para garantir uma gestão racional desse recurso hídrico, um projeto que envolva também os municípios vizinhos. Que estejam incluídos, seus afluentes, mata ciliares, famílias que vivem da pesca, da agricultura e da criação de gado.

O rio desaparecerá se nada for feito. Devemos entender que a intervenção na gestão do rio também tem relação com a luta contra a pobreza e a melhoria das condições econômicas e ambientais da região. Será que temos a capacidade de enfrentar essa crise?

O grande obstáculo para solucionar essa questão é assumir a responsabilidade. As pessoas da cidade reclamam da estética, se incomodam com o mau-cheiro, se lamentam da presença de mosquitos, falam sobre a possibilidade da proliferação de doenças, mas não tomam nenhuma atitude realmente efetiva para “ressuscitar” o rio. Não podemos mais esperar pela ação do poder público, nossos governos, em sucessivas gestões não planejaram nada referente à recuperação do rio e se milagrosamente planejaram erraram na execução. Dessa forma, passa a ser dever dos cidadãos a iniciativa de lutar pela existência de nosso Cachoeira.

Sabemos que há um distanciamento do governo com o povo, o que provoca a redução da participação cidadã e consequentemente um esvaziamento dos processos democráticos. Infelizmente, os partidos políticos não conseguem definir prioridades para o município e muito menos assimilar as manifestações organizadas pela população ou movimentos sociais.

Precisamos da atuação de grupos que ajam de forma paralela ao mundo da política, associações que organizem debates, universidades, escolas, igrejas. É fundamental contar com o apoio de toda a sociedade, porém precisamos informá-la, transferir responsabilidades, democratizar a gestão.

O primeiro passo para fugir do pesadelo é acordar. Caso contrário, teremos que parafrasear Paulinho da Viola e dizer “Rio Cachoeira, foi um rio que passou em nossas vidas”.

Jackson Lessa é professor de Geografia e Atualidades em escolas e cursos pré-vestibulares de Itabuna e região.

RIO CACHOEIRA NO FOCO

O Rio Cachoeira é tema de vídeos preparados por alunos de uma escola particular de Itabuna em uma gincana anual. Os alunos foram divididos em duas equipes (Tatu e Gnomos) e, ao final, produziram vídeos chamando atenção para a necessidade de preservar o rio que banha Itabuna por meio de paródias, uma delas de uma música do sertanejo Cristiano Araújo. Confira:
Gnomos

Tatu

CHARGE – SALVEMOS O CACHOEIRA

Charge Sebáh

Charge Sebáh Vilas-Boas.

PARA VANE, RETIRADA DE COMPORTAS DO CACHOEIRA TEVE MOTIVAÇÃO POLÍTICA

Retirada das comportas baixaram ainda mais o nível do Cachoeira (Foto Dimigueh).

Retirada das comportas baixaram ainda mais o nível do Cachoeira (Foto Dimigueh).

O prefeito Claudevane Leite classificou como “ato de vandalismo” a retirada de comportas da barragem do Rio Cachoeira e apontou motivação política. Após a retirada, o nível do rio baixou quase dois metros e expôs o nível de degradação do rio que corta cerca de 12 quilômetros da área urbana de Itabuna e fornece água potável para, aproximadamente, 25% da população.

O prefeito tratou o caso como ato de vandalismo em entrevista ao Programa Jota Silva (Rádio Jornal), quando também falou sobre política e investimentos no município. Apesar do crime ter ocorrido há mais de uma semana, o município ainda não recolocou novas comportas, o que deverá ocorrer nos próximos dias, segundo ele.

Vane ainda sugeriu que a retirada das comportas teria motivação política, assim como o furto de quatro respiradores pulmonares artificiais do Hospital de Base de Itabuna. Três respiradores foram furtados em março do ano passado, mas outro aparelho “sumiu” do hospital em abril deste ano. O prefeito também falou de investimentos e disse que até 10 de junho será licitada a obra de R$ 31 milhões para urbanização de bairros na região da Nova Itabuna.

NESTLÉ

Ex-funcionário da Nestlé, o prefeito também respondeu a pergunta sobre a ameaça de fechamento das linhas de processamento de leite em pô da multinacional em Itabuna. Segundo ele, a Nestlé vai ampliar uma linha [de achocolatado] na unidade itabunense. “Mas a gente não quer que leite deixe de ser produzido aqui”, disse ele em resposta ao radialista Jota Silva.

VÂNDALOS DESTRÓEM LIXEIRAS E JOGAM NO RIO

Lixeira é lançada no leito do Rio Cachoeira em Itabuna (Foto Gabriel Oliveira).

Lixeira é lançada no leito do Rio Cachoeira em Itabuna (Foto Gabriel Oliveira).

Várias lixeiras instaladas há pouco mais de um mês ao longo da Beira-Rio, em Itabuna, foram destruídas por vândalos. A destruição começou logo após as lixeiras serem instaladas. Pelo menos duas foram lançadas pelos autores do vandalismo no leito do Rio Cachoeira.

As lixeiras foram instaladas na Beira-Rio logo após uma campanha anônima cobrar coletores nas avenidas Aziz Maron e Mário Padre. Como se vê, não faltava apenas lixeira…

Em tempo: a prefeitura prometeu hoje uma ação mais constante para punir os vândalos. Alguns deles, além das lixeiras, também destróem a rede de iluminação pública a fim de fazer dinheiro com a fiação ao longo da avenida. Ainda no ano passado, partes das vias às margens do Cachoeira ficam às escuras porque ladrões destruíram a rede à procura de cabos de fibra ótica da rede pública de internet.

ESTIAGEM AFETA ABASTECIMENTO EM ITABUNA

Nível muito baixo de volume do Cachoeira impede captação em Ferradas (Foto Divulgação).

Nível muito baixo de volume do Cachoeira impede captação em Ferradas (Foto Divulgação).

Do A Região

Itabuna começa a sentir os efeitos da estiagem. Várias localidades estão sem água. A região mais afetada é abastecida pela estação de tratamento de Ferradas, que capta água do Rio Cachoeira.

Ela abastece bairros como Ferradas, Urbis IV, Nova Itabuna e Jorge Amado. A captação de água em Ferradas não é feita desde a semana passada, segundo Ricardo Campos, presidente da Emasa.

A estação é responsável por captar e distribuir cerca de 250 litros de água por segundo. De acordo com o presidente da Emasa, a captação foi suspensa por causa do volume de água no Rio Cachoeira.

O nível do rio está cada vez mais baixo e não tem chovido nas cabeceiras. Os problemas no fornecimento de água começaram há duas semanas.

A situação ficou ainda mais complicada nos últimos dias com a quebra de equipamentos da Estação de Rio do Braço, em Ilhéus. A quebra foi provocada pelas fortes chuvas na área.

Campos diz que equipes da Emasa e da Coelba trabalham no conserto das peças. A estação de Rio do Braço capta cerca de 600 litros de água por segundo. Ele apelou à população para que economize água.

BARRAGEM DO RIO COLÔNIA PODE ALAVANCAR A ECONOMIA EM ITABUNA, MAS NÃO RESOLVE FALTA DE ÁGUA

erick maiaErick Maia | erickmaia13itb@gmail.com

De acordo com estudos do próprio município, a média de perdas de faturamento está em torno de 56% e ainda existem regiões da cidade que ultrapassam estratosféricos 70%, bem acima da média baiana de 30,27% e da nacional, 38,8%.

Garantir água com qualidade, quantidade e regularidade, conforme preconiza a Lei Nacional de Saneamento, tornou-se um grande desafio, principalmente para as médias e grandes aglomerações populacionais. Um exemplo emblemático é a crise da água em São Paulo, por se tratar da maior e mais rica cidade brasileira. Em Itabuna, em um passado não tão recente, porém não tão longe, tivemos que conviver com crises gravíssimas de abastecimento d’água. Aqui, além das estiagens prolongadas, pesou a falta de reservação, que afetou, à época e ainda hoje, a qualidade de vida da população e o crescimento da economia local.

Recentemente, conseguiu-se a primazia de ter em solo grapiúna um importante indutor de desenvolvimento econômico que é o gás natural. Raríssimos municípios do estado da Bahia foram beneficiados com essa matriz energética de baixo custo e menos poluente. Contudo, nada disso é relevante sem um componente elementar, a água.

Nesse sentido, a construção de uma barragem que atenda as demandas socioeconômicas de Itabuna, há décadas, vem sendo discutida pelas lideranças políticas locais e pela própria sociedade. Várias alternativas foram analisadas, desde a captação no rio das Contas, passando pelo rio do Braço e Almada, até que, definitivamente, concluiu-se, através de estudos de viabilidade ambiental, técnica e econômica, que a melhor solução para o momento seria no rio Colônia.

Hoje temos uma indicação concreta do Governo do Estado, apesar dos percalços envolvendo licitações, de que a tão esperada barragem será construída no município de Itapé. Contudo, cabe um questionamento importante a ser feito. Será que a barragem do rio Colônia resolverá, realmente, a demanda por água em Itabuna?

Um estudo de impacto ambiental realizado pela CERB (Companhia de Engenharia Ambiental da Bahia) revelou que a construção da Barragem no Rio Colônia atenderia a duas finalidades principais. A primeira referia-se ao abastecimento de água, já a segunda, ao controle de enchentes no Rio Cachoeira, que, periodicamente, afetam as comunidades ribeirinhas.

Outro aspecto citado foi a garantia de uma vazão mínima, ecológica, que contribuísse em épocas de estiagem para diluição dos esgotos lançados no Cachoeira e, por consequência, inibisse o mau odor exalado pelo rio, além da proliferação das chamadas “baronesas”. Assim sendo, fica entendida a relação de ganhos ambientais, e até certo ponto sociais, da construção da barragem do rio Colônia.

Porém, ainda não está claro, se, finalizando-se a obra, o abastecimento de água à população e as indústrias de Itabuna estará garantido. Um indício é que a construção da barragem não contempla a adutora que, teoricamente, traria a água do município de Itapé até Itabuna. Se nada for feito, a alternativa será continuar captando água no rio Cachoeira, nas intermediações do bairro Nova Ferradas, cuja qualidade da água é inferior a do rio Colônia e seu tratamento muito mais caro e complexo.
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CORPO DE JOVEM QUE SE AFOGOU NO CACHOEIRA É ENCONTRADO

Michel desapareceu ao tentar pegar uma bola (Foto Reprodução).

Michel desapareceu ao tentar pegar uma bola (Foto Reprodução).

O corpo de Michel Thomas Morça foi localizado por volta das 5h30min da manhã deste sábado (6) no Rio Cachoeira, na área central de Itabuna. O jovem estava desaparecido desde as 20h40min da última quinta-feira (4), quando entrou no rio para pegar uma bola (relembre aqui). Ele e amigos jogavam futsal numa quadra na cabeceira da Ponte do São Caetano.

Populares avistaram o corpo de Michel e acionaram o Grupamento do Corpo de Bombeiros. Ontem, bombeiros mergulhadores fizeram buscas no rio por mais de oito horas em busca do corpo. O trabalho foi suspenso depois das 18h. A baixa visibilidade dentro d´água impedia a agilidade nas buscas. O corpo estava a cerca de 300 metros do ponto onde ele se afogou ao tentar pegar a bola.

Michel tinha 17 anos e era filho único de Junail Morça. O jovem morava no Banco Raso, bairro vizinho à quadra onde jogava bola quase que diariamente com amigos e vizinhos de bairro. Ontem, amigos eram vistos chorando e lamentando a perda, enquanto os bombeiros faziam as buscas no Cachoeira.

JOVEM DESAPARECE NO RIO CACHOEIRA; BOMBEIROS FAZEM VARREDURA

Bombeiros fazem varredura em áreas próximas ao local onde Michel desapareceu (Foto Oziel Aragão / Plantão Itabuna).

Bombeiros fazem varredura em busca do corpo de Michel (Foto Oziel Aragão / Plantão Itabuna).

Michel tinha 17 anos (Foto Reprodução).

Michel tinha 17 anos (Foto Reprodução).

Um jovem de 17 anos desapareceu por volta das 20h40min desta quinta (4) no Rio Cachoeira, em Itabuna. Michel Thomas Morça, morador do Banco Raso, se afogou ao tentar pegar uma bola após o “baba” na quadra de esportes da Beira-Rio, no centro da cidade.

De acordo com amigos,o “baba” estava terminando, quando Michel deu um chute e a bola caiu no Cachoeira. O jovem foi pegar a bola e demorou. Os amigos foram surpreendidos com pedido de socorro.

Um dos jovens, Bruno Lemos, entrou na água e tentou socorrer o amigo, mas não conseguiu. “Ele disse que estava sentindo cãibra”, disse Bruno ao PIMENTA.

O jovem que tentou socorrer o amigo estava em estado de choque. “Vi ele morrendo na minha frente”, repetia, desconsolado, na calçada da Beira-Rio. Pouco tempo depois, com a chegada do Corpo de Bombeiros, Bruno voltou à margem do rio para auxiliar os bombeiros.

Após dez minutos de análise do local, a guarnição, preparada para casos de afogamento, acionou outra equipe com bote. Por questões de segurança, segundo o Subtenente Vasconcelos, as buscas ao corpo de Michel será feita somente no início da manhã desta sexta-feira.

Vasconcelos explicou que a equipe foi acionada para um salvamento, o que dispensaria um bote. Seguindo protocolo de segurança, afirmou, o bombeiro não faz buscas pelo corpo à noite em águas escuras. Um bote foi usado para fazer varredura no local.

A mãe do jovem chegou meia hora após o afogamento de Michel, sendo amparada por parentes e auxiliada por bombeiros. Atualizado às 5h36min.

PARA DEPUTADO, FALTA VONTADE POLÍTICA PARA “DESENROLAR” BARRAGEM DO COLÔNIA

Canteiro de obras está abandonado desde agosto de 2013

Canteiro de obras está abandonado desde agosto de 2013

A novela em torno da obra da barragem do Rio Colônia segue sem previsão de desfecho. Em setembro, o governo do estado relançou edital do projeto, cuja execução fora interrompida em agosto de 2013, seis meses após o início dos trabalhos.

Como já noticiado pelo Pimenta, a licitação para contratar uma nova empresa acabou frustrada, já que não houve interessadas na sessão marcada para a abertura das propostas.

A situação, mais uma vez, vira mote para alfinetadas dos opositores. O deputado estadual Augusto Castro (PSDB) puxa as críticas, ao afirmar que “falta vontade política” para fazer a obra andar.

A barragem é apontada como solução para dar regularidade ao sistema de abastecimento de Itabuna e Itapé, além de aumentar a vazão do Rio Cachoeira, do qual o Colônia é afluente.

Em setembro, ainda durante a campanha, o então candidato a governador Rui Costa falava com entusiasmo sobre o projeto. “Conhecida a empresa vencedora (da licitação), vamos garantir que as obras prossigam e o cronograma seja cumprido”, declarou Rui à época.

FORÇA E BELEZA DO RIO CACHOEIRA

Rio Cachoeira na região central de Itabuna (Foto Eri Lavinscky).

Rio Cachoeira na região central de Itabuna (Foto Eri Lavinscky).

Embora o homem tente antecipar a morte do Rio Cachoeira, ele insiste em continuar vivo. O bicho homem lhe dá injeções letais na forma de esgoto, dejetos industriais, tudo lançado no leito do Velho Cachoeira sem nenhum tipo de tratamento. O sopro de vida vem a cada cheia, a cada chuva forte.

Às vezes, o rio generoso manda recados. Por sua natureza e quando recebe “sustança”, avisa que é preciso mais respeito. Causa alguns estragos para dizer que, se deixarem, ele vive. E, se deixarem, ele nos alimenta e mata a sede. Basta um pouco de cuidar, um pouco de carinho. A imagem do Cachoeira, acima, foi captada pelo jornalista Eri Lavinscky ontem ao final da tarde.

NOVA LICITAÇÃO DA BARRAGEM DO COLÔNIA NÃO ATRAI EMPRESAS

Barragem teve obras interrompidas no ano passado (Reprodução Pimenta).

Barragem teve obras interrompidas no ano passado (Reprodução Pimenta).

As obras de construção da Barragem do Rio Colônia, em Itapé, no sul da Bahia, vão demorar ainda mais. Nenhuma empresa se interessou pela nova licitação da barragem.

A apresentação de propostas estava marcada para hoje, mas a licitação deu deserta. A previsão é de que a licitação seja relançada até o início de janeiro. A obra é uma das promessas do governador eleito, Rui Costa.

A barragem do Colônia é considerada a solução para o abastecimento de água em Itabuna e para a perenização de um outro rio,  o Cachoeira, que corta a área urbana de Itabuna.

Com a obra, os cálculos são de que o volume de captação e vazão da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), que abastece os lares de Itabuna, dobre para até 1,5 mil litros por segundo.

A primeira licitação foi realizada no final de 2012 e a ordem de serviço assinada em 8 de janeiro do ano passado. O valor total, incluindo barragem, indenização e desvio de rodovia, chega a R$ 71 milhões.

O RETRATO DA POLUIÇÃO DO CACHOEIRA

Rio Cachoeira Poluição2

(Foto Jéssica Dias).

O nível de poluição do Rio Cachoeira pode ser medido pela cor da água e pelo odor que libera em dias chuvosos. Hoje, por exemplo, o cenário pela manhã era este captado na fotografia. Além da cor escura e do forte odor, essa larga camada de espuma dá a exata medida do que nós, itabunenses, e das populações acima estão fazendo com o nosso rio. Os estragos são incalculáveis. De tão maltratado, o rio já perde um de seus cartões postais na área urbana de Itabuna, a Ilha do Jegue.

“GRITO DA ÁGUA” TERÁ ABRAÇO AO RIO CACHOEIRA EM ITABUNA

Rio Cachoeira fornece 24% da água consumida pelo itabunense (Foto José Nazal).

Rio Cachoeira corta área urbana de Itabuna (Foto José Nazal).

No Dia Mundial da Água, amanhã (22), Itabuna promoverá um grito pela recuperação do Rio Cachoeira. O Grito da Água começa com a concentração no Jardim do Ó, às 10 horas, percorrendo a Avenida do Cinquentenário até a Praça Camacã. De lá, segue para as avenidas Aziz Maron e Mário Padre (Beira-Rio), onde participantes darão abraço simbólico no Rio Cachoeira.

Será o primeiro Grito da Água em Itabuna. O evento está sendo organizado pelo coletivo Fiscal Grapiúna e a base sul-baiana Sindae (Sindicato dos Trabalhadores em Água Esgoto e Meio Ambiente na Bahia).

RIO CACHOEIRA DEGRADADO

Erick Maia é diretor da base do Sindae em Itabuna. Ele explica que o grito é apartidário e tem a finalidade de provocar discussão quanto à recuperação do Rio Cachoeira e aos recursos hídricos. “Itabuna tem quase 220 mil habitantes e apenas 8,7% do esgoto produzido no município é tratado”, diz.

Ainda segundo Erick, 17 projetos industriais não andam porque o município não dispõe de oferta de água suficiente para atender à demanda. Segundo ele, na área de Ferradas, a falta d´água afeta até mesmo o projeto de construção de mais de 2,1 mil moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. O município também enfrenta dificuldades para captar recursos para o saneamento básico.

ASSOREAMENTO À VISTA?

Rio Cachoeira Assoreamento

(Foto Pimenta).

Uma máquina retroescavadeira de grande porte está sendo utilizada pela Prefeitura de Itabuna para fazer a limpeza das margens do Rio Cachoeira, no trecho central da cidade. Pessoas temem o risco de assoreamento, embora técnicos digam que a margem será recomposta. Fica o alerta.

RIO CACHOEIRA HÁ DEZ ANOS

Rio que dá beleza à região central de Itabuna é maltratado (Foto Ed Ferreira).

Há dez anos, o Rio Cachoeira já registrava grau elevado de poluição, principalmente no trecho urbano de Itabuna. A foto acima, de Ed Ferreira, é de 2002.

O cenário piorou nos últimos anos. Ao avaliar as condições dos rios baianos, o coordenador do sistema de monitoramento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topázio, assim definiu a situação atual do Cachoeira:

– O rio Cachoeira, por exemplo, quando atravessa Itabuna, piora as suas condições por causa da coleta irregular de lixo, falta de educação da população, que joga objetos em seu curso e, ainda, pelo esgoto a céu aberto que é despejado em suas águas.

O GRITO DO RIO CACHOEIRA

Cena desta quinta à tarde, mostra degradação acelerada do Rio Cachoeira (Foto Luiz Conceição)

Depois de cerca de quatro meses sem chuva forte, o Rio Cachoeira começa a receber água nova de suas cabeceiras e a exalar mau cheiro insuportável de esgoto sanitário que contamina a parte central de Itabuna. Nuvens de espumas se acumulavam nesta quinta na barragem na região central de Itabuna.

A maioria dos municípios ao longo do corpo d’água não conta com serviço de saneamento básico para coleta e tratamento de esgotos sanitários que correm para o rio. Isto provoca contaminação por metais pesados e matéria orgânica a jusante da pequena barragem construída em frente ao bairro da Conceição, onde toneladas de baronesas (aguapés) se acumulam ao longo dos períodos de seca.

Os novos gestores municipais eleitos em 7 de outubro passado deveriam juntar esforços para cobrar do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério das Cidades recursos para despoluir o rio, revitalizá-lo e torná-lo limpo outro vez. Ou mesmo pressionar os senadores, deputados federais baianos e os estaduais para recuperar tanto a Bacia do Cachoeira como a do Rio Almada, de onde vem mais de 70% da água que abastece os lares itabunenses.