setembro 2014
D S T Q Q S S
« ago    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  



:: ‘Rio Cachoeira’

O RETRATO DA POLUIÇÃO DO CACHOEIRA

Rio Cachoeira Poluição2

(Foto Jéssica Dias).

O nível de poluição do Rio Cachoeira pode ser medido pela cor da água e pelo odor que libera em dias chuvosos. Hoje, por exemplo, o cenário pela manhã era este captado na fotografia. Além da cor escura e do forte odor, essa larga camada de espuma dá a exata medida do que nós, itabunenses, e das populações acima estão fazendo com o nosso rio. Os estragos são incalculáveis. De tão maltratado, o rio já perde um de seus cartões postais na área urbana de Itabuna, a Ilha do Jegue.

“GRITO DA ÁGUA” TERÁ ABRAÇO AO RIO CACHOEIRA EM ITABUNA

Rio Cachoeira fornece 24% da água consumida pelo itabunense (Foto José Nazal).

Rio Cachoeira corta área urbana de Itabuna (Foto José Nazal).

No Dia Mundial da Água, amanhã (22), Itabuna promoverá um grito pela recuperação do Rio Cachoeira. O Grito da Água começa com a concentração no Jardim do Ó, às 10 horas, percorrendo a Avenida do Cinquentenário até a Praça Camacã. De lá, segue para as avenidas Aziz Maron e Mário Padre (Beira-Rio), onde participantes darão abraço simbólico no Rio Cachoeira.

Será o primeiro Grito da Água em Itabuna. O evento está sendo organizado pelo coletivo Fiscal Grapiúna e a base sul-baiana Sindae (Sindicato dos Trabalhadores em Água Esgoto e Meio Ambiente na Bahia).

RIO CACHOEIRA DEGRADADO

Erick Maia é diretor da base do Sindae em Itabuna. Ele explica que o grito é apartidário e tem a finalidade de provocar discussão quanto à recuperação do Rio Cachoeira e aos recursos hídricos. “Itabuna tem quase 220 mil habitantes e apenas 8,7% do esgoto produzido no município é tratado”, diz.

Ainda segundo Erick, 17 projetos industriais não andam porque o município não dispõe de oferta de água suficiente para atender à demanda. Segundo ele, na área de Ferradas, a falta d´água afeta até mesmo o projeto de construção de mais de 2,1 mil moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. O município também enfrenta dificuldades para captar recursos para o saneamento básico.

ASSOREAMENTO À VISTA?

Rio Cachoeira Assoreamento

(Foto Pimenta).

Uma máquina retroescavadeira de grande porte está sendo utilizada pela Prefeitura de Itabuna para fazer a limpeza das margens do Rio Cachoeira, no trecho central da cidade. Pessoas temem o risco de assoreamento, embora técnicos digam que a margem será recomposta. Fica o alerta.

RIO CACHOEIRA HÁ DEZ ANOS

Rio que dá beleza à região central de Itabuna é maltratado (Foto Ed Ferreira).

Há dez anos, o Rio Cachoeira já registrava grau elevado de poluição, principalmente no trecho urbano de Itabuna. A foto acima, de Ed Ferreira, é de 2002.

O cenário piorou nos últimos anos. Ao avaliar as condições dos rios baianos, o coordenador do sistema de monitoramento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topázio, assim definiu a situação atual do Cachoeira:

- O rio Cachoeira, por exemplo, quando atravessa Itabuna, piora as suas condições por causa da coleta irregular de lixo, falta de educação da população, que joga objetos em seu curso e, ainda, pelo esgoto a céu aberto que é despejado em suas águas.

O GRITO DO RIO CACHOEIRA

Cena desta quinta à tarde, mostra degradação acelerada do Rio Cachoeira (Foto Luiz Conceição)

Depois de cerca de quatro meses sem chuva forte, o Rio Cachoeira começa a receber água nova de suas cabeceiras e a exalar mau cheiro insuportável de esgoto sanitário que contamina a parte central de Itabuna. Nuvens de espumas se acumulavam nesta quinta na barragem na região central de Itabuna.

A maioria dos municípios ao longo do corpo d’água não conta com serviço de saneamento básico para coleta e tratamento de esgotos sanitários que correm para o rio. Isto provoca contaminação por metais pesados e matéria orgânica a jusante da pequena barragem construída em frente ao bairro da Conceição, onde toneladas de baronesas (aguapés) se acumulam ao longo dos períodos de seca.

Os novos gestores municipais eleitos em 7 de outubro passado deveriam juntar esforços para cobrar do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério das Cidades recursos para despoluir o rio, revitalizá-lo e torná-lo limpo outro vez. Ou mesmo pressionar os senadores, deputados federais baianos e os estaduais para recuperar tanto a Bacia do Cachoeira como a do Rio Almada, de onde vem mais de 70% da água que abastece os lares itabunenses.

MARCOS FROTA E O RIO CACHOEIRA

Ontem, o ator e artista circense Marcos Frota agradeceu a recepção em Itabuna e criticou o abandono do Rio Cachoeira. O ator lembrava que esta era a quarta vez no município e estava muito triste com o que via.

- É o nosso rio, abandonado, me deixou triste demais. Como é que a população deixa o rio desta maneira.

As apresentações do circo-show do artista ocorrem no estacionamento do Shopping Jequitibá, um dos trechos onde a fedentina do rio beira o insuportável.

JUÇARA FEITOSA: “NOSSO ADVERSÁRIO É O DEM”

A suplente de senadora e petista Juçara Feitosa disputará a prefeitura de Itabuna pela segunda vez. A convenção que confirmará a candidatura ocorre no próximo dia 30.

Ela acredita que o atual modelo de administração em Itabuna “está esgotado” e defende que os partidos da base aliada se juntem à sua candidatura “pelo desenvolvimento da cidade”.

Juçara também crê que a alta aprovação popular da presidente Dilma Rousseff ajudará a quebrar resistência do itabunense em eleger uma mulher prefeita.

Nesta entrevista, a ex-secretária de Desenvolvimento Social desfere estocada no Capitão Azevedo (DEM). Para ele, o prefeito enganou o eleitor com promessa de “20 mil bolsas renda, carteiras de motorista gratuita, terra pra todo mundo e prefeitura móvel”

PIMENTA – A senhora teve 42 mil votos em 2008, mas perdeu a eleição para seu oponente por 12 mil fotos de frente. Por que manter sua candidatura?

JUÇARA FEITOSA - Itabuna e região estão recebendo grandes investimentos. É importante que o município esteja próximo dos governos federal e estadual, pois o modelo que administra a cidade, o DEM, está esgotado, sem criatividade e sem capacidade de gestão. Por isso, sou candidata.

Mas esse discurso de proximidade com os governos federal e estadual já não deu certo, não é? 

Os governos Dilma e Wagner são do PT e vão nos ajudar a colocar Itabuna no contexto do desenvolvimento. Estamos vivendo isso com o Brasil e queremos que seja assim também com a nossa cidade.

A presidente Dilma pode ajudar sua campanha?

A presidente Dilma se mostra grande gestora, faz excelente trabalho e é respeitada mundialmente por isso. O Brasil, após Lula e com Dilma, só tem boas notícias. Acredito que podemos fazer o mesmo com Itabuna. Ter boas notícias em vez de ser apontada como campeã da dengue, campeã da mortalidade infantil, campeã em índices de violência.

Como está a sua pré-campanha?

Tenho conciliado apoios e conversado com as pessoas. Tenho visto de perto as carências de famílias mais humildes de nossa cidade. Percebo o desejo de mudança para vida digna, de qualidade e compromisso com a saúde, infraestrutura dos bairros e o social.

A saúde é das áreas mais criticadas em Itabuna. O que fazer?

Defendo que é urgente reformular a política de saúde, aplicando além dos 15% exigidos pela Constituição, e reforçar os recursos federais e estaduais que vêm para o município. Reorganizar os hospitais e recuperar e melhorar as unidades básicas de saúde com mais cotas de exames, médicos, remédios, equipamentos. Defendo ainda criar centros especializados de saúde da mulher e da criança.

 

RECURSOS FEDERAIS: As obras começam, mas não terminam, ou fazem obra de qualidade duvidosa.

 

A senhora fala em afinidades do seu partido e de seu projeto com os governos estadual e federal. Mas a cidade tem tido muitas obras.

É verdade, mas são obras estruturantes previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, que não mede esforços em repassar recursos para cidades acima de 200 mil habitantes. Os projetos chegam, as ações são importantes, mas os recursos não são aplicados como deveriam pela prefeitura. As obras começam, mas não terminam ou se faz obra de qualidade duvidosa.

Um dos grandes debates nesta eleição será o avanço da criminalidade. Qual seria a solução para a violência?

É preciso ação firme no combate à violência que afeta crianças, jovens e toda a sociedade. O combate não pode ter somente repressão, mas políticas públicas inclusivas. Defendo a criação da Secretaria da Segurança Pública e Trânsito e ações coordenadas com o Ministério Público e polícias Civil e Militar, além de programas sociais para jovens de 15 a 29 anos, a faixa mais vulnerável, inserindo-os no grupo de população economicamente ativa da sociedade.

Como está o quadro de alianças para sustentação de sua candidatura a prefeita?

Já temos um número significativo de partidos, mas isso será definido até o dia 30 de junho, dia de nossa convenção.

As conversas com os partidos da base aliada do governo estão em que nível?

Estamos conversando com todos. O PT trabalha pela união e defesa do povo, independente das vaidades das lideranças. O nosso adversário é o DEM.

 

O VICE: Não definimos ainda. Será uma grande surpresa que iremos apresentar na nossa convenção.

 

Quem será o candidato a vice de sua chapa?

Não definimos ainda. Será uma grande surpresa que iremos apresentar na nossa convenção, no dia 30.

O PCdoB se mantém ressentido com o PT pelo episódio envolvendo o vereador Wenceslau Junior. Há diálogo com os comunistas?

Itabuna deve estar acima desses sentimentos. Caminhamos para fortalecer a cidade, que não pode perder tempo nem oportunidades.

A militância petista está animada com sua nova pré–candidatura?

A militância do partido está firme e confiante.

As eleitoras de Itabuna estão dispostas a mudar de opinião e votar na senhora?

A mulher tem papel importante na sociedade e sente mais as dificuldades dos serviços públicos de saúde, educação, infraestrutura, má-qualidade de vida e a violência. Tenho certeza que as mulheres de Itabuna responderão a esse chamamento.

A imagem da presidente Dilma pode contribuir para reforçar sua campanha nessa direção?

A presidenta Dilma será um dos nossos exemplos. Queremos convencer as mulheres que, mais próximos dos governos federal e estadual, poderemos realizar os investimentos na infraestrutura dos bairros, na saúde, na educação e na qualificação das pessoas.

 

ESTOCADA EM AZEVEDO: Não nos utilizaremos de mentiras nem falsas promessas, a exemplo de 20 mil bolsas renda, carteiras de motorista gratuita, terra pra todo mundo e prefeitura móvel…

 

Como a senhora acha que será a campanha no rádio e na TV?

Vamos fazer uma campanha de alto nível. Não nos utilizaremos de mentiras nem falsas promessas, a exemplo de 20 mil bolsas renda, carteiras de motorista gratuita, terra pra todo mundo e prefeitura móvel e de portas abertas… Itabuna não quer mais essa enganação. Mostraremos projetos concretos para provar a nossa real intenção em priorizar o cuidado com a cidade.

A senhora foi secretária municipal de Assistência Social como avalia o setor atualmente?

Quando dirigi a Assistência Social, fizemos ou trouxemos vários programas como Viva Maria, Grapiúna Cidadão, Alimenta Itabuna e Bolsa-Família. Muitos desses meninos conseguiram o primeiro emprego na Coelba, Banco do Brasil e na Prefeitura. Os projetos já não oferecem as mesmas oportunidades e caiu em qualidade. Poderia hoje estar atendendo a 30 mil famílias, mas não passa de 19 mil. Isso mostra a falta de prioridade e descaso com os mais humildes.

O Rio Cachoeira está morrendo. O que fazer para recuperá-lo?

A barragem do Rio Colônia é uma forma de recuperar o nosso Rio Cachoeira e irá melhorar o fornecimento de água e garantir abastecimento para mais de 50 anos. O Inema já concedeu a licença prévia e ajustes estão sendo feitos para que a licença definitiva saia. Além disso, o Governo Wagner está elaborando um plano diretor de saneamento básico em Itabuna que irá coletar e tratar 100% do esgoto.

As ações de saneamento que a senhora fala incluiria devolver o patrimônio, fundir a Emasa com a Embasa ou a privatização?

Está fora de cogitação a transferência da Emasa ao Estado ou à iniciativa privada. A empresa é municipal e precisa ser fortalecida e reestruturada para que continue cuidando das ações de saneamento. Pena que se tenha se transformado em cabide de emprego. A Emasa é essencial para continuar a atender a população carente com tarifas diferenciadas de água e esgoto e até isenções tarifárias.

SINDICATO PROTESTA CONTRA DEGRADAÇÃO DO RIO CACHOEIRA

Leito do Rio Cachoeira no trecho urbano de Itabuna.

O 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, será marcado com uma  manifestação de protesto contra a falta de saneamento em Itabuna. O Sindicato dos Trabalhadores de Água e Esgoto do Estado da Bahia (Sindae) convocou a população para uma caminhada pela Avenida do Cinquentenário, saindo do Jardim do Ó, às 15 horas.

A marcha deve contar com o apoio de parlamentares e entidades dos movimentos sindical e popular e vai denunciar a situação de deterioração ambiental em que se encontra o Rio Cachoeira. Em Itabuna,  100%  do esgoto domiciliar e industrial são  jogados sem nenhum tratamento pela Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa) no leito do rio.

DENÚNCIA CONTRA A EMASA

Dirigentes do Sindae distribuíram material em que acusam a Emasa de paralisar estações elevatórias de esgoto, acumular dívidas e impor péssimas condições de trabalho.

Outra queixa é a falta de investimento no setor: o maior ocorrido agora foi com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Além disso, foram repassados recursos pelo Ministério das Cidades para a cobertura do córrego Lava-Pés (Amélia Amado), no valor de R$ 12,8 milhões.

PEIXES MORREM NO RIO CACHOEIRA

Uma cena triste e lamentável vem sendo presenciada por quem caminha pelas margens do Rio Cachoeira, no trecho que corta o centro de Itabuna: trata-se da morte de milhares de peixes pela falta de oxigênio, agravada pela estiagem. Sob a chamada “ponte velha”, por exemplo, é assustador o “tapete” de peixes mortos boiando nas águas fétidas do rio.

A degradação do Cachoeira resulta principalmente da falta de política de saneamento básico no município. A cidade joga quase 100% de seus dejetos diretamente no rio, sem tratamento, cometendo um crime ambiental que o transforma num canal a cada dia mais poluído.

O mau cheiro contamina o ar ao longo do rio durante o dia e grande parte do centro da cidade e bairros adjacentes à noite. Sem ação efetiva para retirar o esgoto do rio e o lixo de suas margens, a Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) mantém na conta de água a cobrança da taxa de coleta e tratamento de esgoto.

Estiagem acentua a poluição do Rio Cachoeira (foto Luiz Conceição/Pimenta)

MEMÓRIAS DO RIO CACHOEIRA

Cena do documentário sobre o Cachoeira (foto Victor Aziz)

O resultado de dois anos de pesquisas sobre a história do rio que tem tudo a ver com o próprio surgimento da civilização grapiúna será apresentado no próximo dia 22, às 19h30min, em um evento no Centro de Cultura Adonias Filho. É o projeto “Memórias do Rio Cachoeira”, uma iniciativa do Núcleo de Produções Artísticas (Nuproart), juntamente com a Panorâmica Produções e a banda Manzuá.

A história do rio é contada por pescadores, lavadeiras, areeiros, entre outras pessoas cuja sobrevivência sempre dependeu do Cachoeira. O trabalho que será apresentado no próximo dia 22 é um CD com 12 músicas compostas a partir de poemas de autores itabunenses como Cyro de Mattos, Valdelice Pinheiro, Daniela Galdino e Ruy Póvoas, e um documentário de 60 minutos.

A iniciativa foi vencedora do edital de Apoio à Produção de Conteúdo em Música no Estado da Bahia, da Secretaria Estadual da Cultura, Fundo de Cultura da Bahia  e Fundação Cultural do Estado.

Abaixo, clipe da música “Correnteza” (letra de Ruy Póvoas), interpretada pela Manzuá:

A HISTÓRIA DO CACHOEIRA

Equipe que produz o documentário

A turma responsável pelo projeto “Memórias do Rio Cachoeira” conclui nesta segunda-feira, 29, a produção do vídeo-documentário que contará a história do rio que se identifica com a cultura grapiúna. Areeiros, lavadeiras, aguadeiros, pescadores, ambientalistas, sociólogos e historiadores estão entre os que foram escolhidos para falar sobre o Cachoeira.

O projeto, que tem o objetivo de contribuir com o registro e preservação da história da região, inclui também um CD com 12 poemas de autores itabunenses. Os poemas estão sendo musicados pela banda Manzuá.

DRAGON – O PAI VELHO

VOCÊ PRESERVA O RIO CACHOEIRA?

Balsa construída com 2 mil garrafas-pet está ancorada próximo à Ilha do Jegue

Quem passa neste fim de semana pelas margens do Rio  Cachoeira, trecho da Ilha do Jegue, centro de Itabuna, é desafiado a se perguntar sobre o próprio comportamento com relação ao rio. Bem ao lado da ilha, em uma pequena balsa, há uma faixa com a indagação que cada pessoa deve fazer a si mesma (a que está no título desta nota).

A balsa foi construída com 2 mil garrafas-pet, recolhidas nos bairros Mangabinha, Jardim Primavera, Manoel Leão e na escola Curumim. A iniciativa do protesto é dos integrantes do projeto Memórias do Rio Cachoeira, que está produzindo um CD com 12 poemas de autores grapiúnas sobre o rio, musicados pela banda Manzuá.

Em tempo: hoje é celebrado o Dia de Combate à Poluição.

O RELAX DAS CAPIVARAS

Se a poluição deixa o Rio Cachoeira menos “vivo”, nas últimas semanas há algo de belo que atrai a atenção de quem circula pelas margens do rio, nas proximidades da Câmara de Vereadores de Itabuna. Uma capivara deu cria e tornou-se atração para quem transita pela avenida Mário Padre. Na foto do leitor Rolemberg Santos, a soneca de mãe e filhotes em meio ao barulho na região central de Itabuna.

NÃO É PEIXE. É PET!

No centro de Itabuna, cidadão observa a cheia do Rio Cachoeira e os objetos que ela traz. Na barragem, em vez de peixes, chama atenção a grande quantidade de garrafas-pet, produto que leva 450 anos para se decompor na natureza (foto Luiz Tito)

A CIDADE ACORDOU DIFERENTE

Luiz Tito | luizvitorianotito@gmail.com

Pautado para cobrir uma possível epidemia de dengue na cidade, fui logo informado de que o índice de proliferação do mosquito no município tá abaixo de 1%.

Nessa manhã, acordei e encontrei tudo mudado em Itabuna. O Rio Cachoeira voltou a ser o cartão-postal da cidade, ele está reluzente como a luz do dia, belo e formoso como as ondas do mar. Como foi excelente fazer minha caminhada às suas margens, sem um só buraco na calçada, lixo acumulado e mato numa crescente, e, melhor, ter o prazer de ouvir os pássaros cantando como se fossem uma sinfonia.

Após uma hora deslumbrado com esse lindo cenário, lamentavelmente tive que retornar para casa. Tomei meu banho, me alimentei feito um rei e parti para o batente. Nas ruas, tudo mil maravilhas. Até parecia conto de fadas. Trânsito fluindo maravilhosamente bem, com suas sinaleiras em perfeito estado. Não havia ninguém dormindo nas calçadas e os motoristas dando prioridade aos pedestres que atravessavam as ruas nas faixas. Gentileza benéfica para os cegos e pessoas com outras deficiências.

Cheguei ao trabalho e resolvi dar um rolé em busca de uma boa foto jornalística. Peguei um ônibus, paguei apenas R$ 1,50 e parti para a Vila da Paz. No decorrer da viagem, tudo beleza: ruas sem buracos, tudo asfaltado, ônibus limpo, todo organizado e o melhor nisso tudo foi a informação passada pelo cobrador: “não teremos aumento no preço da passagem tão cedo”.

Ao chegar à Vila da Paz, que maravilha!, a paz reina no local, assim como em todos os outros bairros periféricos do município. Não poderia ser diferente, afinal, as nossas polícias estão muito bem equipadas, com armas de primeiro mundo, viaturas blindadas e um efetivo acima da média. No local, há anos que ninguém é assassinado. É só alegria.

Pautado para cobrir uma possível epidemia de dengue na cidade, fui logo informado de que o índice de proliferação do mosquito no município tá abaixo de 1%. Leptospirose?  Que bicho é esse? No bairro Jaçanã, os escorpiões são criados em cativeiros e exportados para países adeptos desse prato. No Antique, seus moradores viraram especialistas em cobras e as mandam direto para o instituto Butantã. Esse negócio ta rolando muita grana.

A pauta da dengue caiu e fui designando a ir ao famoso bairro Califórnia, o nome é tão sugestivo que tem até a Nova Califórnia. Fiquei deslumbrado com o local, é coisa de Hollywood, o cenário é bem apropriado para a produção de bons filmes. Fui informado que os políticos todos os dias estão no pedaço. Lá, a assistência é constante, não falta nada e, assim como na Vila da Paz, a paz também é predominante no local.

Montei no cavalo e parti para o futebol. Logo de cara, encontrei no estádio Luís Viana Filho (coisa de primeiro mundo, a FIFA já aprovou e teremos jogos da Copa ) placas de publicidades do poder público e de empresas privadas que estão unidos na luta do Itabuna para retornar à Primeira Divisão. Falaram-me em off, que estão trazendo algumas feras renomadas para reforçar o elenco.

Nas escolas, tudo informatizado, professores alegres com os seus salários e ensino “de prima”. A nossa saúde, que esteve doente, como num toque de mágica, levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima, e hoje o diagnóstico é outro. Mudou para melhor.

E como todos os anos aqui tem carnaval, festa que agita a rede de hotelaria, restaurantes, bares e afins, conseqüentemente gera trabalhos e receitas para a terra de Jorge Amado, só me resta lembrar-se dessa música: Eu queria que essa fantasia fosse eterna. …Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado, um sonho de um sonho, magnetizado. Na verdade, não sonhei. Hoje é primeiro de abril! 

Luiz Tito é repórter-fotográfico da agência A Tarde e sonha com uma Itabuna melhor.

CAMINHONEIRO SALVOU PESCADOR

Pescador aguarda o socorro, que demorou quatro horas para chegar (foto Radar Notícias)

O pescador Elias Gonçalves Reis, de 57 anos, que ontem foi arrastado pelas águas do Rio Cachoeira, em Itabuna, acabou sendo salvo por um caminhoneiro da Vila Zara. Elias desceu cerca de 150 metros e conseguiu se apoiar em uma formação de baronesas.

Segundo o site Radar Notícias, o Corpo de Bombeiros não conseguiu fazer o resgate, devido à falta de equipamentos adequados à missão. O salvamento acabou sendo feito pelo caminhoneiro, que, com o auxílio de uma câmara de ar presa a uma corda, conseguiu chegar ao local em que Elias se encontrava. Em seguida, os dois foram puxados por uma motocicleta.

O drama do pescador durou aproximadamente quatro horas.

UNIVERSO PARALELO

MEA CULPA, MEA MAXIMA CULPA

Ousarme Citoaian
Que estas primeiras palavras sejam um sincero pedido de desculpas. Na semana passada, ao citar um verso de canção popular (“Paraíba masculina, mulher macho, sim senhor”), o atribuí ao pernambucano Zé Dantas (1921-1962), quando seu autor é o cearense Humberto Teixeira (1916-1979). Há várias “explicações” para este erro, sendo mais verossímil a de que me vali da memória – e esta, como a maioria dos políticos, não merece confiança. Mas não quero tal expediente, igualmente fácil de usar e difícil de ser acreditado. A troca de nomes dos autores foi erro sem justificativa, do qual me penitencio. Cabeça não é arquivo.

UMA PITADA DE TRISTEZA, OUTRA DE TÉDIO

Quem se isola voluntariamente dos alaridos do mundo é definido com uma palavra pouco bonita: misantropo. É alguém com uma doença chamada misantropia, sem gosto pela vida social, um tanto melancólico, com uma pitada de tristeza, um quase tédio ao gênero humano. Sua divisa poderia ser a frase que Machado de Assis se esqueceu de fazer: “Quanto mais conheço a espécie humana, mais gosto do meu cachorro”. O pior é que os outros (eles são o inferno!) se metem a interpretar esses indivíduos, chegando a resultados deploráveis, pois lhes dão qualidades e defeitos inexistentes.  Eles querem apenas se isolar.  E, convenhamos, não é querer muito.

MEDO DE FICAR FRENTE A FRENTE CONSIGO

“Mãe, não quero ficar sozinha comigo” – disse, para espanto geral, a filhinha de uma velha amiga. Criança diz cada uma! Eu sou o contrário daquela menininha. Não tenho medo de mim, me enfrento, vivo em paz com meus fantasmas: tiro-os do armário e com eles converso (“Ora! – direis!…) numa boa, não sou dado a rapapés sociais, tento ser arroz-de-festa, mas (ai de mim!) falta-me talento para tanto. Às vezes me tranco com meus livros, discos, filmes e pensamentos, desligado o celular. E não sou único. Sei de outras gentes que preferem o silêncio ao barulho, o isolamento ao burburinho, o jazz ao arrocha, a conversa ao comício, a solidão à má companhia.

SEM RAZÕES PARA VIVER “EM SOCIEDADE”

O poeta português Herberto Helder (no retrato) é misantropo da pesada: não recebe ninguém, recusa honrarias (não foi receber o cobiçado Prêmio Pessoa), tem endereço pouco conhecido e quanto a dar entrevista, nem pensar. A família diz que ele “não morde”, conversa bem e é dotado de bom humor, mas que não vê motivo para viver “em sociedade”. De um escritor só  importa sua obra, ele diz . No Brasil, se salientam como portadores desse distanciamento da humanidade os prosadores Dalton Trevisan, Rubem Fonseca e outros (parece-me que, entre eles, Raduan Nassar, aquele de A lavoura arcaica). Porém o caso mais notável é o de famoso cantor baiano.

O GATO QUE NÃO AGUENTOU JOÃO GILBERTO

João é dado ao isolamento. Tranca-se no quarto do hotel e ali passa dias distante do mundo, sem contato, sequer, com o garçom que lhe leva as refeições (dizem que a comida é colocada à porta e, mais tarde, o cantor a pega, sorrateiramente). Sua única companhia é o violão, que, todos sabem, não faz perguntas. Reza o folclore que João teve um gato, mas o bichinho se suicidou, coitado – depois de ouvir o músico repetir o mesmo acorde durante dois dias seguidos, até altas horas da madrugada. No terceiro dia, quando João sacou a viola, o gatinho tomou a decisão radicalíssima. A quem interessar possa: não toco violão nem tenho gato.

COMENTE »

BOM, MAU, MAL, BEM, MARAFONA, MARATONA

Há pessoas que confundem marafona com maratona. Ou habeas corpus com corpus Christi e mal com mau. Para fugir à ultima armadilha, é simples: lembrar que mal é o contrário de bem, e  mau é o contrário de bom. Bem educado, mal educado; bom caráter, mau caráter. Bem educado é quem tem bons modos, diz “por favor”, “com licença”, “obrigado”, “desculpe”; mal educado é aquele grosso, que anda por aí sem camisa, exibindo a pança e, não raro, o pigostílio (dicionário, pra que te quero?) e ainda diz que ser educado é ser fresco. Para o tipo, grossura é prova de macheza.

POLUÍDO, O RIO BOM VAI MAL DAS PERNAS

 É fácil seguir essas regrinhas, mas às vezes a gente fica mareado. Foi o caso do redator de um jornal diário de Itabuna: indignado com a situação do Cachoeira, ele proclamou que o velho rio, dentre outros males, está “mal cheiroso”. Acertou no atacado, errou no varejo: poluído e esquecido pelos governos, o rio cheira mal (não cheira bem), tem mau cheiro (cheiro ruim) e, vítima de maus tratos, está malcheiroso. Ligado assim. O bom rio vai bem mal das pernas, se me permitem trocadilho e prosopopeia. Diga-se, entretanto, que o erro não reduz o mérito da denúncia.

UMA FAMOSA FRASE JAMAIS PRONUNCIADA

 

Mesmo que sua experiência em cinema se resuma a Tropa de Elite 2 (que, ouvi dizer, é superior a Tropa de Elite 1 e inferior a Tropa de Elite 10, que sairá em 2013), já ouviu falar em Casablanca. E conhece a frase mais repetida do filme, quando Ingrid Bergman (Ilsa) vira-se para Doley Wilson (Sam) e diz: “Toque outra vez, Sam” (em língua de bárbaros, Play it again, Sam). Mentira. A frase famosa jamais foi pronunciada. E, para estragar de vez essa anedota, Wilson (na foto, com Bergman) não poderia tocar mesmo, pois não era pianista (o som que se ouve foi posto sobre a voz, no estúdio). Mesmo assim, a fala se tornou das mais conhecidas do cinema. É sem nunca ter sido.

O PERIGO DE NUNCA TER VISTO CASABLANCA

Era Montmartre, 2009. Após jantar no Le Ceni com uma senhora brasileira mais generosa do que inteligente, nos despedimos, às primeiras horas da madrugada (ela seguia para a Espanha; eu, findos os euros, retornava ao Brasil). Vali-me de uma frase de Casablanca: em macarrônico francês que o vinho só fez piorar, lhe recitei “Nós sempre teremos Paris” (algo como Nous aurons toujours Paris). Ruborizada e feliz, ela não poupou elogios ao meu estro romântico, certamente por desconhecer o filme. Àquela altura, explicar seria bem mais difícil do que manter a humanitária petite fraude. Fiz um Bogart deplorável; mas ela também não era nenhuma Ingrid Bergman.

MAGIA E ROMANTISMO, MAS SEM PIEGUICE

Resta dizer que Casablanca aparece em 3º lugar na lista de 2010 do Instituto Americano do Filme – perde para O poderoso chefão e o imbatível Cidadão Kane, que encabeça todas as listas dos críticos, em todos os tempos. O filme é de Michael Curtiz, um diretor distante da propalada genialidade de Orson Welles (Cidadão Kane). A ideia de Casablanca era a de um melodrama como outro qualquer, sem maiores ambições, feito em cima da perna, com um roteiro que era emendado enquanto a claquete batia. Quase 70 anos depois, quando Humphey Bogart diz a Ingrid Bergman “Nós sempre teremos Paris” o espectador chega à beira das lágrimas. Mágico, romântico, não piegas.

MUITOS DISSERAM “NÃO” A ESTE CLÁSSICO

O número de estudos sobre Casablanca é espantoso, revelando muitas curiosidades: William Wyler, com o prestígio nas alturas, recusou a direção; Hedy Lamarr (foto) não quis fazer Ilsa Lund; George Raft não aceitou o papel de Rick Blaine; e Paul Henreid relutou em ser Victor Laszlo, líder da resistência, por ser o papel “menor”. Em meio a esses acasos Bogart e Bergman se transformaram no mais apaixonante casal do cinema. O filme tem humor, romantismo e política na dose certa, com o cinismo de Rick encobrindo sua ideologia anti-nazista. E naquela Casablanca sob a bota dos alemães o Rick´s Bar é o centro de tudo. Clique e veja o trailer (a Warner nos proibiu de divulgar a cena que escolhemos).
(O.C.)