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:: ‘Saldanha’

UNIVERSO PARALELO

DOIS CRONISTAS COM FERVOR PELA FÁBULA

1SandroOusarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

O jornalista Sandro Moreyra (1918-1987) tinha semelhanças com João Saldanha (1917-1990): eram, ambos, estrelas da crônica esportiva, amigos, às vezes colegas na mesma redação, mas, principalmente os identificava a posse de igual fervor pela fábula: Sandro “criou” muitas das “tiradas” de Garrincha (incluindo aquela em que, durante uma preleção com Feola explicando como chegar ao gol adversário, o jogador teria perguntado: “E o senhor já combinou isso com os russos?”); Saldanha tem entre suas verdades indiscutíveis ter marchado, em Pequim/1949, ao lado de Mao Tsé Tung. Sandro esqueceu-se de inventar um chinês apontando a dupla e perguntando: “Quem é aquele baixinho ao lado de João Saldanha?”.

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Num Ba-Vi, a reação de Mário Vianna

Uma das anedotas de Sandro Moreyra (no livro Histórias de futebol, Coleção “O Dia Livros”, já citado aqui): “Mário Vianna apitava nervosa decisão entre Vitória e Bahia e já no fim o goleiro do Vitória entra de pé na cara do adversário. Sem vacilar, Mário marca o pênalti e expulsa o agressor. Muita discussão, e no meio dela a voz possante do zagueiro Betão, do Bahia, gritando para os do Vitória: ´Não têm que reclamar. Este é o terceiro pênalti que vocês cometem e o primeiro que o careca aqui tem coragem de marcar´. Ferido na dignidade de seus dois enes, Mário Vianna rugiu:  ´Ah é? Então não foi pênalti, quem está expulso é esse  bobalhão aí, e é falta contra o Bahia”.

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NA MESMA CASA, DOIS AUTORES CLÁSSICOS

3MosqueteirosVai longe o tempo em que prometi retomar o romance de capa e espada, após uma referência aos Dumas (Alexandre, pai e filho). O père é autor de Os três mosqueteiros (1844), que responde pelo gênero a que me atenho; o fils, que não lhe queria ficar devendo, respondeu, quatro anos depois, com A dama das camélias. Dois clássicos irremediáveis, na mesma família. O livro do velho Dumas deu régua e compasso à narrativa cheia de intrigas, duelos, guerra, suspense e reviravoltas romanescas conhecida como romance de capa e espada. No caso, o autor de O conde de Monte Cristo, outro clássico, conta as tramas que envolvem o cardeal Richelieu, o Rei Luís XIII e a misteriosa e inescrupulosa Milady.
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Os três mosqueteiros que eram quatro

Para escrever as aventuras de Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, Dumas se valeu do historiador Auguste Maquet,  de quem se informou do ambiente reinante na corte de Luís XIII, dois séculos antes da narrativa. Publicado como folhetim no jornal Le Siècle, o título escolhido pelo autor (Athos, Porthos e Aramis) foi alterado pelo editor para Os três mosqueteiros. Dumas père, que de bobo nada tinha, aceitou a sugestão, percebendo que, por ser absurda (já que os heróis eram quatro), contribuiria para o sucesso da obra. Touché!: o romance está entre os recordistas de longevidade, e inspirou muitos autores – entre eles Ponson du Terrail, Paul Féval e a lusa Isabel Ricardo (O último conjurado).

CADÊ OS HOSPITAIS? CADÊ AS ESCOLAS?

5EsdrasPerguntaram ao escritor Esdras do Nascimento (foto) se compensa escrever, por serem tão poucos os leitores. A resposta mal humorada: “Vivendo tão mal, sofrendo de verminose, tifo, males cardíacos, tuberculose, sendo roubado a toda hora pelos milionários e pelos políticos, recebendo uma miséria pelo seu trabalho, como é que se pode querer que o brasileiro leia mais? Cadê os hospitais? Cadê as escolas? Quando se pensa no que ganha um professor, por exemplo, na hipocrisia de falar em cultura, no lucro dos banqueiros e supermercados, nos desabamentos causados pela ganância e pela incompetência, é cretinice discutir o baixo índice de leitura no Brasil”.
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Essas mulheres maravilhosas e suas falas

Noutro momento, bem-humorado, Esdras (15 romances publicados, dentre eles A rainha do calçadão, opus 14, que acabo de ler) diz que as mulheres têm uma sintaxe própria, a ser devidamente decodificada. E mostra, para exemplificar, a diferença entre o linguajar da mulher e do diplomata: segundo o escritor, diplomata, quando diz “sim”, quer dizer “talvez”, quando diz “talvez” quer dizer “não”, e se disser “não”, é porque não é diplomata; a mulher emprega signos diferentes: quando diz “não”, quer dizer “talvez”, se disser “talvez”, quer dizer “sim”; e se ela disser “sim”… reduz-se o interesse,  não vale mais a pena.

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A BIG BAND BRASILEIRA E SEU MAESTRO

7TabajaraE meados dos anos 30, imperavam as big bands americanas (também chamadas por aqui de jazz bands), à frente gigantes como Glenn Miller, Benny Goodman, Tommy Dorsey e Harry James. É nesse clima que um conde alemão de quem me foge o nome resolveu criar algo parecido em João Pessoa/PB, nascendo a Jazz Tabajara, em 1934, mais tarde Orquestra Tabajara. Para o caso, interessa que Severino Araújo (1917-2012) assumiu a direção do grupo em 1938 (aos 21 anos) e fez da Tabajara uma marca nacional. Eclética, a “Orquestra Tabajara de Severino Araújo” tocou muita música americana, mas não se descuidou dos temas nacionais, indo do samba à lambada de Beto Barbosa, do frevo ao bolero.
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Improviso ousado para um grande tema

O maestro dirigiu a banda durante 79 anos, sendo, aos 90, substituído pelo irmão, Jayme. Nesse período, a Tabajara tocou com grandes cantores, entre eles Orlando Silva e Francisco Alves, além de animar muitos bailes aqui e no exterior. É quase impossível encontrar um brasileiro com mais de 60 anos (a geração que dançou de rosto colado) que não conheça a Tabajara. Com olho e ouvido “clínicos”, Araújo sempre soube escolher bons músicos. Por exemplo o saxofonista, arranjador e professor Dulcilando Pereira, apelidado Macaé (nascido no ano em que Araújo assumiu a orquestra, 1938). No vídeo, sob a batuta do maestro Severino, o ousado improviso de um tema, para mim, sagrado: Manhã de Carnaval.

O.C.

UNIVERSO PARALELO

CUIDADO COM A LEITURA QUE “CONTAMINA”

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1Homem lendo jornalQue não sejam tão puristas e chatos os que se comunicam com a população, mas mantenham um mínimo de cuidado com a linguagem. Fazer isto é respeitar o leitor/ouvinte e (por que não?) ser didático, ensinar: já vimos nesta coluna que o jornalista e advogado Ricardino Batista, de Itabuna, dizia ter aprendido a ler não propriamente na escola, mas tentando decifrar os textos do jornal A Tarde. Hoje, considerando certas coisas que vejo publicadas, tal experiência resultaria em completo desastre. Há de se tomar cuidado para não se “contaminar” com certos escritos que por aí desfilam sua irresponsabilidade, impunemente.

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Vereador quer “encontrarem” soluções

 

Penso no bom Ricardino ao ler nota da assessoria do vereador ilheense Rafael Benevides, um atentado violento ao pudor do texto. Diz que o edil tem ouvido os “reclames” da população, “à cada dia” melhora seu desempenho, e (com outros poderes) procura “encontrarem” soluções para “às várias” necessidades do município. Por fim, a cereja do bolo da incompetência: há “problemas em que a todos preocupam de que, deverasmente, macula à imagem do município”, mas ele vai “enveredar” esforços para resolvê-los. Chuta-se a gramática, viola-se a concordância, constrange-se a regência. Pressionado por tão desmesurada insensatez, calo-me.

 

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SALDANHA, A CONVENIÊNCIA E A ALIENAÇÃO

3SaldanhaNestes bicudos tempos de questionável futebol internacional no Brasil, enquanto multidões incendeiam as ruas (às vezes literalmente), me vem à lembrança a perfeita associação de futebol e política, que foi o jornalista João Saldanha (julho, 1917 – julho, 1990). Em meio ao alheamento da crônica esportiva (parte por conveniência dos veículos, parte por alienação mesmo), Saldanha, politizado, militante do PCB, saberia dar seu recado sobre o esporte sem esquecer o clamor das ruas, que, certamente, estaria apoiando. Tem sido difícil aguentar os comentários ufanistas, quando o povo sofre e protesta contra tudo e contra todos.
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Os ônibus são para prestar serviço”O João sem Medo sempre encontrava o viés político, como neste trecho de crônica publicada no extinto JB, em 1988: “Os ônibus são para prestar serviço e não para dar lucros fantásticos, como o que estes indivíduos, seus proprietários, abocanham. Eles dizem abertamente: ´Com mais de oito cadáveres já estou no lucro´. E os cadáveres somos nós. Corrompem o poder público, andam por onde querem, violentam o trânsito, e os seus prepostos são os que fixam os preços e itinerários. Ninguém sofre mais do que o pobre coitado que se atreve a ir a um jogo noturno. Fica horas sentado num meio-fio à mercê da intempérie e do assaltante”.

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JOVENS, BONS MODOS E “ESQUISITICES”

5RestauranteCometi, há dias, um gesto de gentileza com uma (não muito) jovem senhora e ela, correspondendo, disse que eu era “das antigas”. Acreditem, isto foi um elogio, que me fez pensar se os bons modos são coisa de velhos, vedada aos jovens. Penso que dizer “obrigado”, “desculpe”, “por favor” e outras esquisitices deveria fazer parte da educação básica de todos – mas parece que esta é uma típica ideia de ancião. As adolescentes são, em geral, lindas, mas algumas delas deveriam ficar de boca fechada. Ser jovem, para muita gente, significa dizer palavrões, desdenhar dos “coroas”, empurrar, em vez de pedir licença. Talvez seja a este meu pensar que chamam “choque de gerações”.
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A rapidez do mundo muda os conceitos

Pois até o conceito de “choque de gerações” já não é mais o mesmo. Se antes esse “antagonismo” se dava entre pessoas de 40 anos e de 20, por exemplo, agora as de 18 já “encaram” as de 25 como se estas fossem figuras fugidas do museu. É a rapidez com que o mundo gira, a poder de chips, parafusos, teclas e botões. Há meio século, “coroa” era quem tinha 60 anos, enquanto hoje já ganha este epíteto quem passa dos 30. Mas, nem pensem, não é meu caso: já tenho outonos bastantes para ser chamado de coroa, pé-na-cova, sobrevivente – ou o que mais queiram inventar para caracterizar um tipo “das antigas”. Digo que gostei do que a gentil senhora me disse. “Das antigas” é estranho, mas, para o caso, serve.

A MÃO DIREITA QUE “TOCAVA” A ORQUESTRA

7Count BasieSe acaso existiu algum chefe de orquestra modesto terá sido Count Basie (1904-1984), na foto, com Frank Sinatra. Poucos merecem tanto a denominação de bandleader: sem gritar nos ensaios, sem gesticular exageradamente nos shows, discreto, ele “se esconde” atrás do piano e dali lidera seus músicos. Não faz grandes solos, apenas “ponteia”, dá sinais, abre caminho para o grupo. “Basie não toca o piano, toca a orquestra”, resumiu um crítico de quem já não me lembra o nome, talvez seja Bruno Schiozzi. Não é à toa que Basie era tido como exclusivamente “mão direita”: sem floreios harmônicos da mão esquerda, ele não permitia excessos a seu piano, mais para reger do que para tocar.

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Sem piano, não havia família “chique”

O piano teve grande influência na cultura do Brasil antigo. Pois saibam todos que a mesma coisa se deu nos Estados Unidos. Nos anos vinte, lá como aqui, toda família “chique” tinha piano. A house is not a home without a piano (“uma casa sem piano não é um lar”), diziam os americanos ligados a costumes europeus. Ao escolher o piano como seu instrumento de jazz, Basie se submeteu à formação clássica, até encontrar o próprio caminho: “amputou” a mão esquerda, e simplificou tudo. Aqui, um raro momento de solo do maestro, quando ele “provoca” o baixo de Cleveland Eaton e o trombone de Booty Wood, em Booty´s blues. O show, de 1981, foi no lendário Carnegie Hall.

 

 

O.C.

SHEIK SALDANHA

Sheik Saldanha

Um toque de humor e irreverência no Carnaval de Ilhéus foi dado pelo impagável jornalista Saldanha, o “Gogó de Ouro”. Anfitrião do camarote mais badalado da Avenida Soares Lopes, Saldanha recebeu seus convidados vestido como um legítimo sheik árabe. À frente da tenda – ou melhor, do camarote – a informação: “Dubai é aqui”.

Quem foi se divertiu.

SALDANHA PROCLAMA: “DUBAI É AQUI”

Saldanha faz questão de dizer que em seu camarote "não tem miséria"

O gozadíssimo jornalista Elival Vieira, que todos conhecem em Ilhéus como Saldanha, promete “bombar” com o camarote do seu jornal Foco Bahia no Carnaval da terra da Gabriela.

Fantasiado de sheik, Saldanha receberá seus convidados com toda pompa. Ele já disse que pretende decorar seu camarote como um mini-palácio, fazendo jus ao tema escolhido: “Dubai é aqui”.

Para não deixar ninguém com sede, o jornalista já mandou comprar 3.500 latas de cerveja e muitas garrafas de uísque importado. E promete chegada triunfal na avenida, de turbante e a bordo de um reluzente Landau 1960. Depois, caminha sobre um tapete vermelho até o camarote.

Perguntado sobre quem terá o privilégio de frequentar tão suntuoso camarote, Saldanha responde solenemente com sua voz empostada: “a nata da sociedade de Ilhéus e Itabuna”.

Talvez sobre espaço, mas que esse Saldanha é uma figura, não há dúvida. Em tempo: o anfitrião de Dubai faz questão de frisar que, após o Carnaval, fará um périplo por 11 países da Europa. Como se diz, a burguesia tem seus encantos…








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