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:: ‘saúde’

“NÃO VOU FAZER OPOSIÇÃO AO PREFEITO, MAS VOTO COM O DEM”

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Se tem uma secretaria que é alvo das maiores críticas, dentro e fora do governo, essa é a da Saúde. Também, pudera. Abriga em seu guarda-chuva desde o Samu até o Hospital de Base, passando pela coordenação de combate a dengue, zoonoses e postos de saúde.

O secretário Antônio Vieira divide seu tempo entre administrar a pasta e explicar o que muita gente chama de caos. Bom, nessa quinta-feira ele esteve na redação do Pimenta para fazer mais esclarecimentos. Em uma entrevista de mais de 1h20min de duração, respondeu a perguntas dos blogueiros sobre dengue, Samu, gestão plena da saúde, candidaturas e eleições.

Mas nem só de explicações e administração do caos vive o secretário. Ele é, essencialmente, político. Tanto que o momento em que mais se mostrou entusiasmado foi quando falou de política e mandou um recado a Azevedo. “Não vou fazer oposição ao prefeito, sou Democratas e voto com os candidatos do DEM”. A seguir, a entrevista.

Como está o combate à dengue em Itabuna nesse início de ano? Aliás, hoje ainda se fala em controle da dengue ou é combate mesmo?

Combate. Iniciamos a guerra contra a dengue exatamente há um ano, no dia 14 de janeiro de 2009. Seria no dia 13, mas o prefeito preferiu dia 14. Ele disse: ‘pelo amor de Deus, 13 não!’ Claro que foi brincadeira, mas estamos em guerra contra a dengue desde aquela data.

O que é possível assinalar como mudança daquela situação, do início de 2009, para a de hoje?

Ainda temos um índice altíssimo. Pegamos o município com uma infestação predial de 25%, hoje estamos com 7%, de acordo com os números do último ciclo, o sexto, que completamos em dezembro. O preconizado é abaixo de 1%. Em 2008 foram feitos apenas quatro ciclos. Tínhamos, em 2009, 100 casos suspeitos, hoje temos apenas 25.

O município prepara um plano de combate à dengue, que está para ser lançado. O que está previsto, em termos de ações da prefeitura, para impedir uma nova epidemia?

Não creio que tenhamos uma epidemia. Poderemos ter um surto, que difere da epidemia. Não temos casos de internação que sugiram uma possível epidemia. Temos acompanhamento na atenção básica, nas unidades hospitalares, mas não temos nada que fuja desse controle. E também não omitimos casos. Eu sei de município aí, até menor que Itabuna, que omite casos de dengue e ninguém fala nada.

Qual é o município?

É Jequié, mas como é ligado ao governo, fica todo mundo calado.

Mas a prefeitura de Jequié é do PMDB, que é oposição a Jaques Wagner…

Nada, nada… Fizeram tudo por Jequié, fizeram varredura na cidade toda, limparam esgotos, fizeram tudo. Aqui, até prometeram, mas já estamos em 14 de janeiro e cadê as máquinas do governo?

“O diálogo dele é mais com o prefeito, não sei qual é a deles”

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Se bem que Roberto Brito, que está sempre com o prefeito Azevedo, poderia reforçar esse pedido…

Ele tem ajudado Itabuna… Roberto Brito foi meu estagiário, tenho uma boa relação com ele. Mas o diálogo dele é mais com o prefeito, não sei qual é a deles. [mudando o discurso para a política]: Só sei que vou ter que tomar alguma posição política. Eu sou do Democratas, quero deixar isso bem claro. Não vou fazer oposição ao prefeito, nada disso, mas vou acompanhar candidatos ligados ao Democratas, principalmente os que nos ajudem.

Há uma crítica ao prefeito, nesse seu posicionamento?

Não. Mas até agora ainda não conversamos sobre política. Somos do mesmo partido, conversamos sobre tudo na administração, mas politicamente ainda não conversamos. Eu não me meto nas decisões dele, agora na hora que tiver que… [cortando o raciocínio]: Inclusive eu já o chamei para uma conversa política, no ano passado, e ele disse que ainda estava muito distante, que conversaríamos agora.

O senhor citou o exemplo de Jequié, que tem forte representação política e foi contemplada com várias ações do governo no combate à dengue. Acredita que essa tenha sido a razão para que as ações não tenham vindo para cá?

Exatamente. Os eleitores de Itabuna precisam aprender a votar. Se Itabuna e Ilhéus, com mais de 270 mil eleitores, votassem em candidatos daqui, a situação seria diferente. Poderíamos votar em quatro ou cinco candidatos da região, que tem bons candidatos. Eu, mesmo, tenho grande simpatia pelo coronel Santana. Não sei qual o caminho que vamos tomar, mas tenho grande simpatia por ele.

Ele é do PTN…

Mas o PTN é ligado ao Democratas. Quem é que comanda o PTN na Bahia? É ACM Neto. Mas, voltando, eu acho que falta ao nosso eleitor aprender a votar. Não admito que Itabuna vote em 280 candidatos a deputado estadual.

“Quem é que comanda o PTN na Bahia? É ACM Neto”

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O senhor fala que vai apoiar quem ajudar sua gestão. Nesse sentido, que avaliação o senhor faz da atuação de ACM Neto em favor da saúde em Itabuna?

ACM Neto, o ar da graça que ele deu para Itabuna foi a liberação de uma verba de R$ 300 mil, para recuperação de equipamentos de uso permanente das unidades de média e alta complexidade. Estamos aguardando só a liberação da Caixa.

Ainda se pensa, no governo, em mudar a secretaria da Saúde para a área do aeroporto?

Não estou convencido de que lá seja o melhor local. Ficaria muito distante do restante da administração, com quem temos que ter contato constante, a exemplo do setor de licitações, secretaria das Finanças. Nosso espaço no Centro Administrativo nos atende perfeitamente, e deve ser mantido lá.

Fale mais sobre esse mutirão que está sendo planejado para o combate à dengue. O que ele vai envolver, quem participa…

Vamos fazer, durante seis semanas, um grande mutirão, cobrindo toda a área da cidade, utilizando em torno de 1.500 funcionários de todas as secretarias, além dos voluntários dos clubes de serviço, maçonaria e outras entidades. Vamos fazer uma varredura por módulos, e começaremos, nesse sábado, pelo módulo 1, que envolve os bairros Novo Horizonte, Santo Antônio e Mangabinha. Vamos fazer a doação de brindes para aquelas famílias eu conseguirem manter suas casas livres do mosquito da dengue.

O senhor acha que esse expediente surte efeito?

Esperamos que sim. Vamos trabalhar com famílias de baixa renda e poderemos dar cestas básicas a quem cumprir as recomendações para o combate ao mosquito.

Em relação às projeções para este ano, qual seria um número aceitável de casos de dengue, dentro do que se tem hoje de infestação, de casos de dengue este ano?

Falando em probabilidade, acreditamos que em torno de 100 casos/mês estará dentro do aceitável, para o que temos observado.

E se, Deus nos livre, ocorresse nova epidemia como a de 2009, qual a capacidade do município para enfrentá-la?

Toda, porque todos os equipamentos que utilizamos no ano passado estão à nossa disposição. Temos agora as ótimas instalações do Hospital São Lucas, a Unidade de Pronto Atendimento Valdenor Cordeiro está em plena condição de funcionar. Estamos melhor que o ano passado, quando a rede não tinha sequer soro para os pacientes e tivemos que comprar às pressas.

Os médicos receberam treinamento para o diagnóstico?

Os da atenção básica estão treinados, todos sabem como fazer um diagnóstico. Infelizmente, tenho que dizer, os médicos intra-hospitalares não dão a devida atenção a isso. São poucos os que fazem o treinamento. Vamos fazer agora um treinamento com um representante do Ministério da Saúde e vamos tentar trazer todos eles.

“Os médicos intra-hospitalares não dão a devida atenção”

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No ano passado foi feito pouco isolamento viral, para saber qual o tipo de vírus que temos aqui. Isso não é preocupante para esse ano?

É preocupante, sim. Felizmente no Brasil não temos o tipo quatro – são quatro tipos de vírus. Temos os tipos um, dois e três no Brasil, e na Bahia temos mais o um e o dois. Por isso não podemos ter vacina, porque são vários tipos. Um é mais patogênico que o outro.

O senhor acha que depois da epidemia de 2009, a população está mais conscientizada?

Me parece que sim. E tem que haver, cada vez mais, essa responsabilidade. Temos uma série de ações que estaremos implantando e que terão que ter maior participação da comunidade. Por exemplo, na execução dos ciclos, visitamos toda a cidade, casa por casa. Depois de 60 dias, voltamos, e se o morador não tiver consciência e abrir suas portas, prejudica o trabalho. E é nesse ponto que está a diferença, porque hoje até recebemos denúncias de focos. No ano passado era muito mais difícil até você entrar nas casas.

Mas aí entra a questão da identificação dos agentes, fardamento sem uniformização…

É, inclusive estamos comprando novo fardamento, porque os primeiros vieram fora de padrão. Compramos de uma empresa de Feira e Santana, que nos mandou fora das especificações. Já está desqualificada para as próximas licitações.

Saindo um pouco de dengue, e chegando no Samu. O senhor viu que o coordenador administrativo do Samu reclamou da falta de autonomia na gestão do órgão…

Isso aí se refere a recursos financeiros. Quando se fala em autonomia administrativa, fala-se em autonomia dos recursos financeiros. O Samu não tem esse fluxo de recursos na unidade. Tem lá a conta específica do Samu, para onde vão os recursos. Mas, tudo o que foi requisitado, foi liberado. Não há pendências.

Como o senhor viu a informação de que funcionários da saúde estão novamente assinando o livro de ponto antes de trabalhar?

Estou indo no Samu, verificar isso. Se for comprovado, será afastado quem fez isso.

O coordenador do Samu, Carlos Coelho, sequer quis aparecer no órgão, para acompanhar uma visita do Conselho Municipal de Saúde. Dizem que ele não aparece muito por lá também…

Ele não foi porque estava no plantão, na Maternidade Esther Gomes. Eu soube o que aconteceu, ele disse que não se programou porque não foi avisado da visita do Conselho.

E essa dificuldade para fazer as ambulâncias rodar?

Esses veículos estão com sua vida útil muito além do que é o recomendado. Temos a dificuldade de manutenção, por serem importados.

A oficina da prefeitura não tem a menor condição de fazer reparos, por exemplo, na parte eletrônica de qualquer veículo. E, por outro lado, os carrinhos da saúde, de marca nacional, estão completamente desmantelados.

A oficina não tem condições mesmo. Mas os carrinhos da saúde nos foram entregues daquele jeito. Acabaram com tudo, carregaram até cimento em ambulância.

O Samu de Ilhéus não tem tantos problemas com as ambulâncias, que são importadas também…

O segredo é a manutenção, sim. Mas lá, também, não tem a mesma demanda que Itabuna. Não tem uma BR-101 para dar cobertura. Aí também entra a questão da cidade pavimentada, o que leva os veículos a quebrar menos. Mas estamos para receber três novas ambulâncias, e vamos recompor a frota, com as unidades de campo e as reservas técnicas.

“O segredo é a manutenção, sim”

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O senhor está acompanhando aquele caso do idoso Ailton Prado, que tem um tumor cerebral e enfrentou dificuldades para a cirurgia na Santa Casa de Misericórdia?

Ainda ontem (quarta, 13) o doutor Valdece me ligou, e eu já autorizei a compra dos materiais que o SUS não cobre e a Santa Casa não quer bancar. É uma obrigação do estado, mas vamos comprar, para ver a cirurgia ser realizada.

Por falar em compra, a secretaria da Saúde agora se reporta à da Fazenda para qualquer procedimento financeiro. Antes, a Saúde concentrava essas soluções. Isso não atrapalha o andamento das ações?

Atrapalha, um pouco, mas eu não atribuo tanto ao secretário [da Fazenda, Carlos Burgos]. Temos é uma dificuldade da secretaria do Planejamento de fazer as coisas saírem em tempo hábil, mas até isso já estamos melhorando, já foi pior.

Pior?

O governo federal quer o secretário da Saúde gerindo tudo, eu até prefiro que seja assim, como está. Estamos vendo lá o que aconteceu, no governo passado. A gente recebeu muita coisa, que estamos resolvendo agora. Acho que Jesuíno acabou se perdendo em algumas coisas, mesmo ele sendo um contador.

Por que o senhor acha isso?

Porque todo dinheiro que chega é destinado a algo, você não pode misturar as verbas, comprar algo que não foi determinado. Por exemplo, eu tenho recursos lá, para comprar medicamentos, que não posso fazer mais nada. São verbas carimbadas, do governo federal, que estamos respeitando rigorosamente e o dinheiro está dando pra tudo.

Houve desvios na gestão de Jesuíno?

Não, não. Não estou falando de desvio de recursos.

Não de recursos, de finalidades.

Ah, tem algumas coisas que estamos resolvendo agora. Porque ele comprava, ordenava… É por isso que, comigo, antes de eu assinar, passa por três leituras. Depois eu leio tudo de novo, para botar minha assinatura.

Vocês têm interesse ou alguma previsão de retomar a plena?

Estamos conversando com o prefeito e temos planos de tentar definir em até 90 dias. Ele já está aceitando [a ideia]. Aí, sim, o Hospital de Base vai poder funcionar direitinho, tudo vai para os seus lugares. Com recursos suficientes, porque não pode funcionar bem com R$ 1,5 milhão.

O estado faz alguma complementação em cima desse valor?

Nada, quem está complementando sou eu, que estou fazendo convênios para levar recursos para lá porque, se não, não funciona. O hospital precisa, no mínimo, de R$ 2,2 milhões. Tem um milhão e meio e colocamos todo mês R$ 300 mil. O Regional de Ilhéus recebe R$ 3 milhões, e não tem a resolutibilidade que nós temos. Fazemos em média 450 cirurgias/mês.

Mas essa questão do fundo municipal de saúde é condição para o retorno da gestão plena, não é?

É condição, sim. Mas veja que quando assumi a secretaria, recebi da Receita Federal a indicação de como seriam gerenciados os recursos do SUS, do municipal de saúde, juntamente com o prefeito e o secretário da Fazenda. O que existe é uma dificuldade de a gente agilizar as coisas.

Pra finalizar: o senhor será candidato a algum cargo?

Não, não tenho nenhuma pretensão, até porque não morro de amores por ser deputado. Não vou aqui fazer qualquer tipo de crítica, porque eu sei tudo o que acontece lá. É igual a Câmara de Vereadores, só se sentam para negociar. Negociar o quê? Os interesses do povo? Isso ocorre tanto na esfera estadual como na federal.

MÉDICO NÃO ATENDE NO SÃO ROQUE: POSTO ESTAVA FECHADO

Essa é inacreditável, mas aconteceu. Conta o blog Políticos do Sul da Bahia que o médico José Félix desistiu de bater o ponto e atender os pacientes do posto de saúde Dílson Cordier após esperar mais de uma hora para que abrissem a unidade de saúde, instalada no bairro São Roque.

O médico bateu em retirada e os pacientes ficaram a ver navios. Enquanto isso, o médico Antônio Vieira continua tranquilo e sereno à frente da Pasta da Saúde em Itabuna.

(Não é só a unidade do São Roque que enfrenta descaso por parte da administração. Na unidade de Saúde da Família do bairro Novo Horizonte, pacientes reclamam que faltam médicos, odontologistas e… medicamentos considerados básicos, como dipirona).

PT FECHA COM NEWTON E ASSUMIRÁ A SAÚDE

Rabat é a indicação do PT para a Saúde.

Rabat é a indicação do PT para a Saúde.

Segundo noticiou há pouco o blog O Sarrafo (confira lá), está fechado o primeiro nome da reforma administrativa de El Louco Newton Lima.

O prefeito de Ilhéus concordou com a indicação do neoaliado PT e o o médico Antônio Rabat vai assumir a Secretaria de Saúde de Ilhéus, substituindo a “menina” Marleide Figueiredo.

A mudança na Pasta reflete acordo dos petistas com o prefeito ilheense. Desde a sexta-feira, 8, vereadores e dirigentes do PT estadual e municipal conversam com o governo para definir como será o ingresso da legenda no Palácio Paranaguá.

O nome de Rabat foi praticamente definido pelo ex-deputado Josias Gomes, numa entrevista concedida ao Pimenta na Muqueca, na última quinta (reveja).

Rabat foi pré-candidato a prefeito de Ilhéus pelo PMDB, em 2008, e acabou filiando-se ao PT em julho do ano passado. É dos nomes mais respeitados da política e da medicina ilheense.

E AINDA SE GABAM DE TEREM ACABADO COM AS FILAS…

– NO CALIFÓRNIA, 280 PACIENTES AGUARDAM CARDIOLOGISTA

– SOMENTE SEIS CONSULTAS FORAM LIBERADAS

A Central de Regulação como a prefeitura gosta: sem filas aparentes

A Central de Regulação como a prefeitura gosta: sem filas aparentes

Hoje é a primeira sexta-feira útil do mês. Quem utiliza os serviços públicos de saúde nos postos da prefeitura sabe que isso significa a esperança de ter seu exame ou consulta liberados. Mas, para a grande maioria, não passa disso mesmo: esperança.

Exemplo disso são os pacientes que fizeram solicitações no posto de saúde do Califórnia, PSF Alberto Teixeira Barreto. Quem esperava por consultas a especialistas como reumatologista ou mesmo cardiologista, saiu da unidade decepcionado, hoje pela manhã.

Para a primeira especialidade, não foi liberada umazinha consulta, sequer. Já para o cardiologista, foram seis os contemplados. A demanda era de 280 pacientes. Na rede – não apenas no Califórnia – há casos que já esperam na fila virtual há quase um ano.

“Eu, mesma, posso dizer que experimentei as duas filas da Central de Regulação. Aquela que todo mundo via e era escandalosa para a prefeitura, e essa, agora, que é só no computador e a gente tem que sofrer calada”, reclama uma paciente.

NIVER

Ela diz que espera uma ressonância magnética desde o início do ano passado, e que já se prepara para fazer um bolo para o aniversário de seu pedido de exame. “Estou oficialmente na fila desde março de 2009. Antes, vinha a cada 15 dias, mas não tinha essa lista de espera”.

Para piorar, ela diz que a atendente com quem falou nessa terça-feira (5), na central, quis porque quis fazê-la acreditar que só estava esperando há cinco meses, desde agosto do ano passado.

“Mostrei a ela que em agosto os dados foram atualizados – acho que estavam caindo no esquecimento da memória do computador. Mas, mesmo que fosse um pedido de agosto, isso seria aceitável?”.

Transferimos a pergunta ao secretário da Saúde, Antônio Vieira: “É aceitável uma espera de cinco meses por um exame, secretário? E de um ano?”.

PT PODE ASSUMIR SECRETARIA DA SAÚDE EM ILHÉUS

Josias Gomes (Arquivo Pimenta)

Josias Gomes (Arquivo Pimenta)

O Pimenta conversou há pouco com o ex-deputado federal e ex-presidente do PT baiano, Josias Gomes, sobre a turbulência político-administrativa em Ilhéus, quando o prefeito Newton Lima exonerou 13 dos 15 secretários e outros 230 ocupantes de cargos comissionados.

Josias disse acreditar em acordo entre o prefeito e o Partido dos Trabalhadores, convidado a participar do governo municipal.

As bases serão consultados antes do “sim” – ou “não” – ao convite de Newton. O atual presidente do diretório do PT estadual, Jonas Paulo, estará em Ilhéus amanhã, dia 8, para conversar com o prefeito ilheense e ouvir os dirigentes do partido no município.

Caso o PT aceite o convite, poderá assumir uma importante secretaria do governo. Pode ser a Saúde, conforme deixa escapar o ex-deputado. Confira a entrevista.

O PT esperava um início de ano conturbado como este em Ilhéus?

Olha, desde o final do ano passado que estamos conversando com Newton [Lima], para compor. Mas ele mostrava resistência. Ontem, houve essa conversa do prefeito com o governador.

E Jaques Wagner, realmente, jogará a “bóia” para Newton?

Wagner topa apoiar [o governo] e se colocou à disposição de Ilhéus e da gestão.

E como é que fica agora?

Olha, Jonas [Paulo, presidente do PT baiano] terá conversa com Newton, amanhã. Sabe Deus no que vai dar. Ele [Newton] é muito imprevisível, mas eu estou animado em relação a essa conversa. A gente sabe que a situação do governo [de Ilhéus] não é nada boa, mas estamos dispostos a ajudar.

E com essa briga com o presidente da Câmara, ele terá que buscar novos aliados…

Isso, vai ter de se aliar mais, politicamente, conosco. Ele ficou de anunciar esse apoio à reeleição de Wagner em um ato em Ilhéus. Então, a minha impressão é que vai dar certo. O governo [o segundo mandato] ainda está começando. Se direcionar o governo para uma tomada de posição mais positiva, pode dar certo.

Mesmo após a campanha tensa de 2008, o senhor acredita nessa “concertação”, com o PT apoiando Newton?

Há uma certa desconfiança, mas o PT ilheense está aberto, bem aberto, para dialogar e ajudar o governo.

A conversa em Salvador definiu qual a participação do partido na gestão de Newton?

O PT não terá a Educação. É provável que assuma a Saúde, pois a menina [Marleide Figueiredo] vai sair.

E como é que fica essa negociação, tendo a deputada Ângela Sousa e o vice Mário Alexandre, interessados?

Ele [Newton] procurou o PT em busca de solução. Então, é a partir daí que vamos conversar. Não é arrogância.

O sr. diz que o diretório ilheense está aberto. Diz isso com base apenas na opinião de dirigentes?

Não. O presidente do diretório precisou viajar a Itambé, não está em Ilhéus. Digo isso pelo clima de mudança, virada na administração. É nesse espírito que vamos conversar.

Se o PT entrar no governo e a pasta for a Saúde, qual o nome do partido para o cargo?

Olha, nós ainda não conversamos com ele, mas o nome pode muito bem ser [o do médico Antônio] Rabat. Qual a nossa participação e se o PT entra no governo a gente saberá amanhã, nessa conversa do prefeito com Jonas [Paulo].

VIEIRA: SANTA CASA NÃO HONRA CONTRATO COM O ESTADO

O secretário de Saúde de Itabuna, Antônio Vieira, chutou o balde, em entrevista ao radialista Fábio Roberto, no programa Bom Dia, Bahia, na Rádio Nacional. Afirmou que a Santa Casa de Misericórdia não está cumprindo sua parte na contratação de serviços com o estado.

Respondendo a um ouvinte, que relatou dificuldade para realizar um exame de biópsia, ele disse que os serviços são prestados de forma deficiente pela Santa Casa. E prometeu construir um laboratório para fazer esses exames em Itabuna, sem depender daquela unidade particular de saúde.

Baixa o pano, rápido!

FRATURA NO ‘BRÁULIO’

Um homem de 23 anos, de Ibicaraí, passou maus-bocados na segunda-feira, 4, à noite. Casado, decidiu dar a famosa escapadinha numa pousada local. Mas revelou-se afoito na hora H. E precisou ser atendido às pressas no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem).

Após avaliação médica (é, ele conseguiu!), o diagnóstico: a dor no ‘bráulio’ era resultado de uma infeliz fratura peniana. O jovem terá que implantar uma prótese, procedimento que, na Bahia, é feito apenas em Salvador.

“FAREMOS UMA INVESTIGAÇÃO PARALELA”

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O vereador Roberto de Souza (PR) não se deu por vencido, após a derrota da oposição na tentativa de instalação da Comissão Especial de Inquérito para investigar desmandos na secretaria da Saúde (veja nota).

Segundo ele, os vereadores comprometidos com a apuração das denúncias vão fazer uma investigação paralela, a partir de depoimentos e documentos, e acionar o Ministério Público estadual e, principalmente, o federal.

“Mesmo que fuja à competência do doutor Clodoaldo, o Ministério Público federal vai se interessar muito, já que o caso do desperdício de medicamentos se trata de verbas federais”, assegura o parlamentar. Ele falou mais ao Pimenta:

A oposição se precipitou ao apresentar o requerimento da CEI à votação sem antes negociar com a situação?

A gente tinha opiniões dentro do grupo de que não era o momento para ir pra votação, mas a maioria decidiu. Por outro lado, não imagino que o resultado fosse diferente se apresentássemos em outro momento. Mas o que preocupa é que as denúncias estão aí, e não estão querendo investigar.

O senhor acha que essa denúncia dos medicamentos cairá no esquecimento?

Não, porque não vamos deixar. Mas não falo aqui só dos medicamentos. Tivemos roubo de cloro na Emasa, tivemos também o escândalo dos alvarás. Quando a gente fala em escândalo dos alvarás, do cloro, as pessoas nem se dão conta, pela banalização das más condutas, que aquilo envolve dinheiro. Ninguém vai fornecer um alvará, de forma ilegal, de graça. Alguém ganhou dinheiro, é a presunção que se faz. Resta investigar, mas a bancada do governo não quer.

De que forma vocês não deixarão essas denúncias morrer?

Faremos investigação paralela, principalmente nessa dos remédios, que temos farto material em imagens, documentos e testemunhos, inclusive os que foram dados aqui na Câmara. Juntaremos forças com o Conselho Municipal de Saúde, e vamos acionar o ministério público, tanto na esfera estadual como na federal. Se, no MPE, a denúncia não seguir, por se tratar de convênios federais, o MPF vai se interessar muito. Mas, pelo que conhecemos do doutor Clodoaldo Anunciação, achamos que vale a pena acionar a promotoria de Cidadania, visto que Itabuna sofreu um surto de dengue, faltou medicamento nos postos e hospitais, e depois apareceram milhares escondidos na zoonoses.

“Alguns gaiatos disseram que nós perdemos

um voto importante na hora da cobra fumar”.

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Quem acompanha o dia a dia da Câmara sabe que em votações polêmicas sempre ocorrem atitudes inusitadas de vereadores que não querem se comprometer. Ontem teve aquele atraso do vereador Raimundo Pólvora…

Na verdade Pólvora (PPS) estava no Plenário, mas quando a votação ia começar ele saiu, para fumar. Quando voltou, a votação já havia sido encerrada, e a oposição foi derrotada. Alguns gaiatos disseram que nós perdemos um voto importante na hora da cobra fumar, mas a verdade é que mesmo com o voto dele teríamos perdido, porque Gérson Nascimento (PV), que se mostrava simpático à CEI, mudou de opinião e votou com o governo.

DOR, DESESPERO E HUMILHAÇÃO NO CALIXTO MIDLEJ

Nos corredores do Hospital Calixto Midlej Filho (HCMF), um paciente agoniza à espera da boa vontade da provedoria da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna. Ele necessita de uma cirurgia urgente para extração de tumor no cérebro.

Clodoaldo da Anunciação, da promotoria de Cidadania do Ministério Público Estadual, determinou ao provedor da Santa Casa, Renan Moreira, que aceitasse o paciente e que a instituição realizasse – com urgência – o procedimento cirúrgico.

O paciente estava internado há mais de um mês no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem), em Itabuna, que não possui tecnologia para o tipo de procedimento.

O Calixto se negava a receber o paciente. Com a determinação do MP, ele foi praticamente abandonado em um dos corredores do hospital.

A família da vítima do descaso médico-hospitalar diz estar sendo humilhada pela direção da Santa Casa. Segundo descrevem funcionários do Calixto e familiares, a toda hora alguém da administração passa pelo paciente e exibe a fatura de serviços.

O procedimento para a extração do tumor é coberto pelo SUS, mas o pós-operatório, não. A Santa Casa alega que a prefeitura de Itabuna está em débito com a instituição e por isso não realizaria a cirurgia.

O promotor público Clodoaldo da Anunciação está em Salvador. Indignado com o tratamento da provedoria, o promotor manteve contato com assessores e falou até em pedido de prisão de médicos e provedor caso persista a humilhação e falta de socorro ao paciente.

VIEIRA CONFESSA DESVIO DE DINHEIRO NA GESTÃO

É tenso o clima no plenário (lotad0) da Câmara de Vereadores. O secretário de Saúde de Itabuna, Antônio Vieira, se explica sobre a perda de mais de meia tonelada de remédios e o sucateamento do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

Na audiência, o secretário afirmou que não houve desvio de recursos em toda a sua gestão, mas na Coordenação Municipal DST/Aids e no Plano de Assistência Municipal, da Secretaria de Saúde de Itabuna.

O clima é mais do que tenso e há bate-boca entre Vieira e o ex-coordenador do CCZ, Nailton Almeida, e o diretor de Vigilância à Saúde, Florentino Filho.

Florentino e Vieira foram denunciados por Nailton em entrevista bomba concedida ao Pimenta (confira). Nailton disse, há pouco, que o CCZ recebia R$ 32 mil, mas o destino do dindin não é, digamos, sabido. O valor seria utilizado em campanha de vacinação.

CÂMARA OUVE SECRETÁRIO

Os vereadores itabunenses ouvem, nesta segunda, às 14h30min, no plenário da Câmara, o secretário municipal de Saúde, Antônio Vieira.

Ele foi convocado para esclarecer as denúncias de desperdício de mais de meia tonelada de medicamentos e a prática de eutanásia no CCZ. Nailton disse que os medicamentos foram escondidos no Centro de Zoonoses por ordem de Vieira (confira entrevista de Nailton ao Pimeta).

Como Nailton e Vieira andaram travando diálogos tensos pelo rádio, espera-se uma tarde quente  no plenário da Câmara de Vereadores. O secretário de Saúde também é alvo de fiscalização do Conselho Municipal de Saúde (CMS) pelos mesmos motivos que levaram à convocação por parte do Legislativo.

Atualizada às 11h38min

NOVA ENQUETE NA ÁREA

O médico e vice-prefeito Antônio Vieira (DEM) contestou um ouvinte, na rádio Jornal, e afirmou que a população quer a sua continuidade à frente da Secretaria de Saúde de Itabuna.

Aqui, você é convocado para a prova dos nove.

No lado esquerdo da tela do seu computador, há uma enquete onde você pode opinar. Será uma espécie de “fica” ou “ejeta” Vieira. Ou um meio termo. Lá, o que vale é a sua opinião.

Ao voto, pois.

TENSO, VIEIRA PROMOVE BATE-BOCA COM OUVINTE NA RÁDIO JORNAL

Vieira não suporta pressão de ouvinte.

Vieira não suporta pressão de ouvinte.

O tempo fechou, novamente, no estúdio da rádio Jornal.

O secretário de Saúde de Itabuna, Antônio Vieira, não suportou provocação de um ouvinte do programa Resenha da Cidade, que pediu para o vice-prefeito deixar o cargo de secretário.

Jorge Calixto Madalena aconselhou Vieira a pedir exoneração logo para que tenha um natal em paz e sustentou que a saída do secretário é o que todo itabunense deseja, por conta da péssima gestão do médico na Saúde.

Vieira, tenso, rebateu Jorge Calixto e disse que aquela era uma posição pessoal do ouvinte e não da maioria dos itabunenses (será, nobre secretário?).

A propósito, o médico participava do programa para responder às denúncias de estocagem de mais de meia tonelada de medicamentos vencidos recentemente (enquanto parte da população sofria sem acesso a remédios, no primeiro semestre) e abandono do Centro de Controle de Zoonoses.

Vieira ainda foi contraditado, no ar, pelo homem-bomba Nailton Almeida, ex-diretor do Centro de Zoonoses. A participação do secretário no programa, aliás, foi desastrosa.

Ele não respondeu às denúncias e afirmava sempre que a responsabilidade no caso dos medicamentos é do diretor de Vigilância à Saúde, Florentino Filho.

Em tempo: o secretário tentou a todo momento evitar a participação no Resenha da Cidade. Após confirmar a ida aos estúdios da emissora, Vieira alegava sempre – nas ligações hoje pela manhã – estar em sala de cirurgia. Acabou indo à rádio nos minutos finais do programa.

OUTRA BOMBA

Pelo visto, o centro administrativo Firmino Alves tornou-se um “Iraque”. As bombas não param de estourar por lá. A mais nova é, também e de novo, na área de saúde.

Convém à equipe de governo alertar o capitão de que operação-abafa não é a melhor saída. Ou é fácil explicar como, de repente, Itabuna salta de 210 mil para 300 mil habitantes?

VIEIRA E ‘HOMEM-BOMBA’ SERÃO CONVOCADOS

Os vereadores Wenceslau Júnior (PCdoB) e Roberto de Souza (PR) são autores de requerimento para que a Câmara Municipal convoque o secretário de Saúde, Antônio Vieira, e o ex-diretor do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Nailton Almeida.

É o primeiro passo que a Câmara dá para investigar a denúncia de Nailton de que mais de meia tonelada de medicamentos foram desperdiçados pela prefeitura, em pleno auge da epidemia de dengue, neste ano. Remédios como paracetamol perderam prazo de validade e foram “escondidos”, segundo o “homem-bomba”, no Centro de Controle de Zoonoses.

Ainda de acordo com Nailton, remédio vencido era aplicada em animais e até utilizado por humanos. O secretário contestou a versão do ex-diretor do CCZ, mas Nailton afirmou ter provas da denúncia, que está toda registada em vídeos e fotos. “Tenho documentação para meter ele na cadeia”, sustenta o ex-servidor comissionado.

Confira a denúncia feita por Nailton, aqui no Pimenta.

Segundo apurou o blog, o secretário Antônio Vieira, e o diretor de Vigilância à Saúde, Florentino Filho, estão sob desconfiança crescente do governo. Teriam sido descobertos elementos que não apenas sustentam como também tornam ainda mais robustas as denúncias de Nailton.

SEM TRANSPORTE

Meia tonelada de medicamentos foi para o lixo.

Meia tonelada de medicamentos foi para o lixo.

Dois conselheiros de Saúde ouvidos pelo Pimenta lembram que, por duas ocasiões, a chefe da divisão de Assistência Farmacêutica da prefeitura de Itabuna, Cristina Câmera, culpou a falta de transporte pela falta de medicamento nas unidades de saúde.

O relato de Câmera foi feito em reuniões do Conselho Municipal de Saúde.

Meses depois, explodiu a denúncia de Nailton Almeida, ex-diretor do Centro de Controle de Zoonoses, dando conta de meia tonelada de remédios vencidos escondidos no CCZ (relembre a denúncia).

PREFEITURA INVENTA CARGO E CAPS NÃO ‘DECOLA’

fotos da situação dos CAPS Itabuna (33)

A gambiarra na rede elétrica retrata…

Um militante do Movimento Luta Antimanicomial se empolgou com a visibilidade que a Saúde de Itabuna ganhou na mídia e aproveita para também denunciar alguns descasos do setor de saúde mental. Um deles é ausência de coordenador clínico em unidades do Caps. Em seu lugar, o município tascou um ‘administrador’. Aí, o negócio deu pra trás.

Antes, ele faz duas observações à nota intitulada “Revezamento”, publicada  neste blog, e sugere dois reparos: a) não se fala em “internos”, no Caps-ad. “Na verdade os pacientes/usuários dos serviços não ficam internos. O atendimento é integral, mas somente durante o dia. Então eles ficam num sistema que chamamos de atenção diária”.

b) Sobre a expressão “gente despreparada”, ele teme uma generalização. “Concordo que o pastor ou pai de santo não tem preparo técnico para assumir o cargo, mas a gente corre o risco de generalizar para todos os demais técnicos”.

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…a situação da saúde como um todo:

Feitos os reparos, o psicólogo lembra que o cargo de administrador do Caps não consta na legislação de saúde mental. “A prefeitura inventou essa função, e é por isso que temos lá gente que não entende de saúde, muito menos de saúde mental. Ora, não temos um coordenador clínico, mas temos administrador?”.

Na verdade, o psicólogo já luta há algum tempo contra a situação de total abandono no setor em Itabuna. Seus relatórios, cobrando providências, foram encaminhados ao secretário municipal da Saúde, ao Ministério da Saúde e ao Ministério Publico. Ainda não obteve resposta.

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falta o básico, sobram problemas e abandono

Pouca gente sabe, mas os usuários do Caps passaram 10 meses sem comida, a situação dos banheiros é lastimável, a troca constante da equipe desmotiva e deixa aquela sensação de perseguição política.

“O interessante é que nós temos uma equipe qualificada, com especialização na área e alguns com estágio no exterior. Temos os recursos federais (só em outubro de 2008 foram mais de R$ 58 mil) e a coisa não anda”.

É bom lembrar que esse dinheiro está lá, só esperando o município apresentar os relatórios, suas demandas e um mínimo de vontade de fazer algo pela saúde mental. Se o dinheiro não está chegando, a culpa é de quem não tem competência para buscar. Os usuários não têm responsabilidade. Matéria alterada às 12h04min de 27/07/2015

E O VALENTÃO…

Na sexta-feira (4), o secretário municipal da Saúde, Antônio Vieira, arrotava valentia. Chamava o homem-bomba Nailton Almeida de leviano, o ameaçava com uma interpelação judicial (uma chamada às falas, perante o juiz), pintava e bordava. Já no sábado…

Bem, no sábado Nailton foi ao programa Resenha da Cidade, do vereador Roberto de Souza, na Rádio Jornal. Falou, falou, confirmou toda a história, acrescentou alguns detalhes… Até que Vieira pediu pra entrar no ar, falando de Salvador, por telefone.

Quando confrontado com o acusador, ninguém entendeu nada. O todo corajoso da sexta deu lugar a um pacificador – pra não dizer covarde. Mais parecia o Chicó, personagem ‘corajooooso’ de Selton Melo, no Auto da Compadecida.

Jogou a culpa dos remédios escondidos no canil para o homem da Vigilância à Saúde, Florentino Filho, e a falta de apoio na Zoonoses para o prefeito Azevedo. “A culpa é do gestor…”, mandou, a 450 quilômetros de distância.

Já Nailton diz que sua próxima parada é no Ministério Público. O homem está disposto a ir mesmo sem ser convocado ou convidado. Tem muto a dizer.

SERÁ QUE DÁ EM ALGUMA COISA?

Repercutiu de maneira contundente na Prefeitura de Itabuna a denúncia feita neste blog, ontem, pelo chefe do Centro de Controle de Zoonoses, Nailton Almeida. Ele, que pediu exoneração do cargo, revelou que havia caixas de paracetamol e mais de meia tonelada de outros medicamentos escondidos no CCZ, com o prazo de validade vencido.

Nailton Disse ainda que havia recomendação expressa do secretário municipal de Saúde, Antônio Vieira, de que ninguém poderia ver os medicamentos.

Agora pela manhã, o prefeito José Nilton Azevedo determinou que a Corregedoria do Município, órgão vinculado à Procuradoria, apure responsabilidades pela estocagem indevida do paracetamol.

A expectativa é de que alguma providência seja tomada, até porque a população já está se cansando da leniência e tolerância do prefeito com os mais diversos absurdos cometidos em sua administração. Aos poucos, Azevedo vai passando a impressão de ser um gestor que não decide, não apita nada no governo.

Bom lembrar que ser democrático é bem diferente de ser negligente e omisso.

“VIEIRA MANDOU ESCONDER MEDICAMENTOS VENCIDOS”, DIZ CHEFE DO ZOONOSES

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Nailton Silva Almeida, chefe da Divisão de Zoonoses da prefeitura de Itabuna, não agüentou o tranco. Depois de ser vítima de várias matérias e denúncias por não fazer o seu trabalho, já que os animais soltos pela rua se multiplicavam, ele decidiu deixar o polpudo salário para manter sua honra, segundo afirma ao Pimenta. Vai entregar o cargo nessa sexta-feira, 4.

Explica-se. Nailton, um dos muitos colaboradores da campanha de Azevedo, foi mandado para a Zoonoses, o que ele aceitou numa boa. Antes, no governo de Fernando Gomes, era chefe do Caps.

O problema foram os rumos – ou a falta de – que o governo adotou. “O governo não me deu respaldo algum. Nunca tivemos condições de fazer o trabalho, e só víamos nosso nome ser enxovalhado nas ruas, na imprensa”. Mas essa é apenas a parte ‘administrativa’ da história.

“O Centro de Zoonoses é um depósito de remédios vencidos, que a prefeitura não distribui à população. Contra a dengue, por exemplo, são muitos. Todos escondidos lá, a mando do secretário da Saúde, Antônio Vieira, e do chefe da Vigilância à Saúde, Florentino Filho”.

Muito mais, na entrevista a seguir.

O Pimenta, assim como parte da imprensa itabunense, denunciou várias vezes o seu trabalho. Os animais não eram retirados das ruas e até causaram acidentes. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Nós passamos quatro meses sem uma carroça e sem a Hilux [picape usada para puxar a carrocinha que recolhia os animais das ruas]. Nesse período, nem um detergente entrou no centro. Nada. Nosso freezer, que era usado para congelar os animais sacrificados antes de serem levados para o descarte no lixão, quebrou e não foi consertado.

Hoje, após a eutanásia, os bichos se decompõem lá mesmo, até a chegada do carro da Marquise, para fazer o recolhimento. Ou seja, nunca tivemos condições de fazer o trabalho.

DESPERDÍCIO: medicamentos que deveriam ser doados à população foram parar no centro de zoonoses

O senhor falou em eutanásia. Essa é a recomendação ou o sacrifício lá é feito por conta própria e indiscriminadamente?

Veja bem. Animais que estão com doenças transmissíveis ou em estado terminal, são sacrificados. Mas veja o que acontecia em Itabuna há até um mês, antes da chegada de uma veterinária, que está tratando dos animais. Todos os animais doentes recolhidos das ruas (cães e gatos, principalmente), eram sacrificados. Se chegasse lá com o pêlo caindo, recebia a injeção letal. Eram de 10 a 12 animais sacrificados ao dia.

Temos informações de que o canil e outras dependências do centro são totalmente insalubres. Como o senhor descreveria as condições de higiene e segurança do local onde esses animais são sacrificados ou mesmo onde eles ficam durante o tratamento?

São péssimas condições de trabalho. Péssimas. Funcionários trabalham sem proteção, sem luvas, sem máscaras. São condições insalubres, perigosas, mesmo.

São quantos funcionários?

Dois, que cuidam do canil, do gatil e do local onde ficavam os outros animais de grande porte.

“Se chegasse lá com o pêlo caindo, recebia a injeção letal. Eram de 10 a 12 animais sacrificados ao dia”

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E esses outros animais, onde estão sendo guardados agora?

Ah, agora a Settran pega nas ruas e leva para a Adei, ficam num cercadinho que fizeram lá. Eles estão dizendo que esses animais são levados para a Zoonoses. Não são. Quando ainda estão na Adei, a nossa veterinária vai lá, classifica, ferra e depois eles são levados para a fazenda de ‘Alvinho’ [Álvaro Catarino], coordenador do Samu.

Por que o trabalho do Zoonoses só aparecia em notícia ruim?

Tentei trabalhar e não tive apoio do secretário da Saúde, Antônio Vieira, nem do diretor da Vigilância Epidemiológica, Florentino Filho. Esse é um zero à esquerda.

“São medicamentos que eram para ser entregues à população nos postos de saúde, mas não são distribuídos”

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O senhor falou, antes da entrevista, que vários medicamentos que deveriam ser entregues à população, foram descartados no Centro de Zoonoses. Fale sobre esses medicamentos.

São medicamentos que eram para ser entregues à população nos postos de saúde, não são distribuídos, têm os prazos de validade vencidos e eles levam pra lá, para transformar em remédios para animais. Às vezes, até humanos tomam desses medicamentos, com prazos de validade vencidos.

Qual deveria ser a destinação desses medicamentos?

Deveriam ser incinerados.

E lá no centro tem incinerador?

Não tem incinerador nem teve autorização de ninguém para que… Mandaram só esconder esses medicamentos.

Esconder?

Esconder.

“Quem fiscaliza é a Vigilância Epidemiológica, que é quem encaminha os medicamentos pra lá”

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Vamos só fazer uma recapitulação. O senhor está falando que medicamentos, que são adquiridos por meio de convênios com o Ministério da Saúde, não são distribuídos à população e, quando ficam vencidos, o secretário da Saúde pede para que os escondam no centro de zoonoses.

Isso mesmo. Pede ao setor de Vigilância à Saúde, que fica a cargo de Florentino. Este, por sua vez, manda os medicamentos pra lá para que sejam escondidos. Vieira o manda e ele, por sua vez, nos manda esconder tudo.

Pelo que o senhor nos descreveu das condições do lugar, que não seria seguro nem agradável aos seres humanos, e não tem incinerador, esses medicamentos estariam, ao juízo dessas autoridades, num lugar perfeito para ficarem longe dos olhos da população e da imprensa.

Quem fiscaliza é a Vigilância Epidemiológica, que é quem encaminha os medicamentos pra lá. Nunca vai ter fiscalização, né?

O senhor está deixando um cargo que lhe garante uma boa remuneração. Por outro lado, o que se percebe é que isso ocorre depois que os animais começam a ser retirados da rua pela Settran…

Pois é. O secretário Wesley Melo virou o artista de cinema que manda na parada. Mas ele está com quatro motos, está com um Uno, com um carro-gaiola e com a polícia, na captura de animais. Aí, é muito bom. Nós não tínhamos nada disso. E o meu nome na imprensa era só levando porrada. E o secretário da Saúde nunca tomou paternidade de nada.

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E sua atitude então foi…

Minha atitude é pedir demissão do cargo. Porque eu não tenho condições de continuar, estou vendo meu nome ir pra rua como incompetente. Porque, se falar, vai ser posto fora. Você tem que ser desmoralizado, engolir isso, e depois vem o outro, que não tem nada a ver, para ir pra rua [fazer o trabalho]. Primeiro, o prefeito pediu que ele [o secretário Wesley Melo] me desse suporte. Só que o suporte era de transporte, carro e a carretazinha para pegar os animais. Agora, ele me dar aula de administração, não aceito.

Antes do centro de zoonoses, o que o senhor fazia?

Sou formado em Economia. Fiquei à frente do Caps, no governo de Fernando Gomes, por quatro anos. Também fui funcionário da Embasa, da Ceplac. No Caps, fiz um trabalho que todos lá reconhecem, porque eu tive apoio do governo, do secretário da Saúde. Mas, hoje, o secretário da Saúde não ajuda ninguém. O Florentino, que se diz doutor, é um bioquímico, que nunca foi doutor em lugar nenhum, é um zero à esquerda.

Pra resumir: renuncia ao cargo, ao salário de chefe de divisão, para manter a honra.

Para manter a honra. Pra mostrar que eu sou Nailton. Porque, se eu ficar nesse jogo de empurra, eu vou compactuar com ele e me tornar inoperante perante qualquer trabalho público. E eu não quero isso.

FOLHA GORDA

O inchaço da folha do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem), gerido pelo município, gerou preocupações para funcionários da unidade de saúde. Saltou de uma média de 380 para 615 o número de funcionários do Hblem.

A folha gordinha gera consequências. Uma delas é o previsível atraso do 13º salário. Alguns reclamam que alguns médicos recebem até R$ 40 mil mesmo sem ter a tal da dedicação exclusiva ao Hblem.








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