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:: ‘Sebastião Nery’

CENSORES, CORTES E GAFES

marivalguedesMarival Guedes | marivalguedes@gmail.com

Para driblar a censura, Chico Buarque adotou o pseudônimo Julinho da Adelaide. Com três composições, foi delatado e os censores passaram a exigir documentos. Morreu Julinho.

Designado a solicitar liberação das músicas de um festival em Itabuna, fui à Divisão de Censura de Diversões Públicas da PF em Salvador. O agente proibiu a letra de uma composição e esbravejou: vai ter gente nossa lá, se tocar o festival acaba.

Não se tratava de ameaça, era um aviso. Estávamos em 76, período da cruel ditadura militar. Grupos paramilitares havia invadido o teatro Ruth Escobar e espancado atrizes e atores da peça Roda Viva (Chico Buarque e José Celso Martinez).

Já na gravadora Philips, o Exército quebrou os compactos da música Apesar de você. A canção havia sido liberada, mas Sebastião Nery publicou em sua coluna que seus filhos cantavam como se fosse o Hino Nacional.

O jornalista foi intimado e o censor que liberou punido. Chico, quando interrogado, disse que a composição se refere a uma mulher mandona e autoritária.

Tragicômico era o nível de conhecimento de quem julgava o que população poderia ter acesso. Por exemplo, o livro O vermelho e o negro foi proibido por que o título parecia “coisa de comunista”. A obra é do francês Stendhal, escrita em 1830.

Outra hilária, agentes do Dops invadiram o Teatro Municipal de SP para prender o autor de Electra, o subversivo Sófocles. “Ficou difícil”, o dramaturgo morreu na Grécia há quase 2.500 anos.

Para driblar a censura, Chico Buarque adotou o pseudônimo Julinho da Adelaide. Com três composições, foi delatado e os censores passaram a exigir documentos. Morreu Julinho.

Ainda sobre Chico, no autoexílio na Itália recebeu a visita de Toquinho que compôs uma música e pediu pra ele escrever a letra. Nasceu Samba de Orly. Quando retornou ao Brasil, mostrou a Toquinho na presença de Vinicius.

Só para participar, o poeta pediu pra trocar os versos pede perdão/ pela duração dessa temporada, argumentando que a frase era muito branda para quem passou tanto tempo na Itália. E sugeriu: “Pede perdão/Pela omissão um tanto forçada.”

A censura cortou exatamente estes versos. Quando Toquinho telefonou pra Vinicius, ele respondeu: “a frase eles podem proibir, mas a parceria não.” E o nome do poeta foi mantido na autoria.

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas semanais no Pimenta.

HISTÓRIAS DE SEBASTIÃO NERY

De passagem pelo sul da Bahia, o jornalista e escritor Sebastião Nery, relembrou histórias da política baiana que envolveram personagens que fazem parte da história da região, como os coronéis Henrique Alves e Gileno Amado, entre outros.

Clique abaixo para ouvir os “causos” do velho Nery, em comentário feito para a rádio Metrópole:

VAI TER QUE ENGOLIR

O advogado Carlos Sodré (PV) é pré-candidato a prefeito de Itapé. Enveredando pelo caminho da literatura, acaba de escrever livro sobre a cidade onde nasceu. O lançamento da obra será amanhã, 28, em comemoração ao cinquentenário da cidade.

Conta o blog Políticos do Sul da Bahia que o prefeito Jackson Rezende (PP) não queria permitir a cerimônia político-literária que reunirá os ex-governadores João Durval e Roberto Santos e o jornalista e escritor Sebastião Nery.

Jackson, famoso pelo jeito rude, tentava impedir que fosse armada a estrutura para o palanque do evento. “Piau Bicudo”, como também é conhecido Carlos Sodré, acionou seus contatos – e o palanque já está prontinho para o evento de amanhã. A dúvida é se a cerimônia ocorrerá de forma tranquila.

SEBASTIÃO NERY NA ALAMBIQUE

Sebastião Nery, entre Daniel Thame e Walmir Rosário

Esta segunda-feira, 26, foi um dia de glória para a Alambique (Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias Etc. de Itabuna). Num almoço na casa do jornalista José Adervan, o presidente da associação, Daniel Thame, juntamente com o vice, Walmir Rosário, deram posse ao jornalista e escritor Sebastião Nery, autor de A Nuvem, livro autobiográfico que conta alguns dos fatos mais importantes da história recente do Brasil.

O novo membro da Alambique foi – como diz Thame – “imortalcoolizado” e brindou com um bourbon. Os caciques da associação preferiram uma pinga das Minas Gerais.

 

UNIVERSO PARALELO

SEBASTIÃO NERY ASSINA COLUNA EM ITABUNA

Ousarme Citoaian

Suponho que a notícia deva ser comemorada: um jornal diário de Itabuna passou a abrigar a coluna de um dos mais brilhantes, cultos e experientes jornalistas brasileiros – Sebastião Nery. Autor de mais de quinze livros, principalmente sobre a política partidária (dentre eles, Pais e padrastos da pátria, Crepúsculo caiado, Socialismo com liberdade e Folclore político), Nery sabe, como os melhores de sua geração, contar histórias deliciosas, em estilo leve e cativante. Alguns dos textos publicados em jornal vêm dos livros. E vice-versa. Nas colunas reproduzidas no jornal de Itabuna ele tem usado passagens do seu excelente A Nuvem/2009, livro de memórias que só li no ano passado.

A LEITORA SABE ONDE FICA A TAPROBANA

De A Nuvem, esta história, passada no Seminário de Amargosa, quando Nery e outros analisavam, em aula, Os Lusíadas (“As armas e os barões assinalados/Que da ocidental praia lusitana/Por mares nunca d´antes navegados/Passaram muito além da Taprobana”). “Onde fica a Taprobana?” – vai perguntando o exigente e quase surdo Padre Correia, sem resposta. Até chegar à última fila de carteiras, onde está um tímido seminarista recém-chegado de Jequiriçá: “Sei não, professor”. O velho mestre esfrega a resposta na cara dos alunos. “Muito bem! Ceilão! Vocês, seus marmanjos, há anos aqui, não sabem. E o tabareuzinho de Jequiriçá já sabia”. Conta Sebastião Nery: “Nenhum de nós dedurou o tabareuzinho de Jequiriça”.

NABUCODONOSOR “VISITA” JOAQUIM NABUCO

Eu também não saberia onde fica a Taprobana – e aproveito para contar um caso, da forma como me foi contado. Era o lendário Instituto Municipal de Educação (I.M.E.,na foto de Mendonça), Ilhéus, no fim dos anos cinquenta. Durante uma prova oral de História do Brasil, o professor Leopoldo Campos Monteiro pergunta a um aluno meio “curto” o nome do diplomata famoso, autor de O estadista do Império. Como o rapaz não sabia, o mestre, bondoso, tentava ajudar, mas a resposta não saía. Já esgotados os “argumentos”, o professor dá a pista definitiva: “Nabuco, meu filho, Nabuco…” O mau aluno, achando que tinha captado a dica, sai-se com esta pérola, em voz alta: “Nabuco…donosor”! O bom professor Leopoldo quase desmaia de susto e frustração, diante da risadaria geral.

MASSAGISTA SE APAIXONA POR “SINÔNIMO

Tempos antes de ganhar o nome de Zito Bolinha, o futuro massagista do Itabuna, apaixonou-se por uma palavra nova e bonita: sinônimo. Assim, tudo que o espantava, divertia ou preocupava, ele definia como… “um sinônimo!” – para a total perplexidade dos que o ouviam. A gripe asiática era um sinônimo, Leo, entortador de zagueiros, era outro sinônimo, e que sinônimo era a louríssima arrasa-quarteirão Marylin Monroe (foto), incendiando telas e a imaginações! Até que, interrogado a respeito, Zito explicou que ouviu a palavra no filme Absolutamente certo: Anselmo Duarte (1920-2009), a certa altura da narrativa, afirma: “Isto é um fenômeno!”. O bom Zito Bolinha, que nunca teve oportunidade de ir à escola, confundiu fenômeno com sinônimo.

CUIDADO: ATLETA “FINALIZA” ADVERSÁRIO

Com pessoas iletradas eu sou todo boa vontade, mas não consigo reeditar esse comportamento com os que se dão ao ofício de escrever para o público. Estes (às vezes com pose que supera a competência) não têm justificativa para erros palmares, resultantes de indolência, descuido, desatenção, desleixo. “Jornalistas têm que escrever tão bem…” (vocês já sabem). Com tal espírito, leio em importante diário de Itabuna este título enigmático: “Itabunense finaliza adversário em 15 segundos de luta”. Ora, como será que esse lutador de maus bofes ”finalizou” seu infeliz desafeto? Um furo na jugular do pobre coitado? Vitimou-o a tiros de escopeta ou o forçou a uma overdose de droga.

APENAS A LINGUAGEM FICOU COM HEMATOMAS

Decido-me pela leitura do texto e respiro aliviado, pois – ao contrário da expectativa criada pela manchete – a notícia não revela nenhuma agressão com sangue derramado, apenas a linguagem sofreu hematomas: um atleta de Itabuna aplicou uma chave de braço no seu adversário e o venceu, tornando-se campeão de um torneio de luta livre, em Jequié. Fico sem saber o porquê de certos redatores buscarem complicações, quando deveriam manter-se no simples. A estilística não vê a simplicidade como defeito a evitar, mas qualidade a perseguir. Se Zito Bolinha tinha o direito falar “bonito”, jornalistas não o têm. Aliás, o falecido massagista certamente diria que o título referido é… um sinônimo!

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O ERRO “ESPECIAL” DE NELSON GONÇALVES

Já nos referimos aos erros gravados na MPB, voltamos a eles hoje e, por certo, tão cedo não esgotaremos o tema. Há erros menores, facilmente absorvíveis, e erros notáveis, que transformaram em definitivo a letra original. Mas há um deles que tem características diferentes, por ter sido “corrigido” no ar, coisa nunca vista. O registro em disco tornou-se antológico, devido ao erro e a imediata correção. Trata-se da canção Maria Betânia, de Capiba (Lourenço Fonseca Barbosa), cuja letra foi “atacada” por ninguém menos do que Nelson Gonçalves, e “defendida” por Jessé, uma espécie de concorrente. A gravação, ao vivo, ganhou esse quê de especial, pela importância de Nelson Gonçalves.

LUTA DE GIGANTES, RENHIDA, EQUILIBRADA

Depois de Jessé cantar metade da letra, Nelson exibe aquele grave que o caracterizava, com Jessé num contracanto emocionado. Aí Nelson (que é “dono e senhor” de Maria Betânia desde 1944!) confunde o texto, enfia um “esplendor” no lugar errado, Jessé percebe o erro, diz “data vênia, mestre!” e, de peito escancarado, corrige: “hoje confesso, com dissabor”. Gosto de imaginar que foi assim. Ou então penso numa luta de gigantes, equilibrada, renhida, sem prognóstico e, quando menos se espera, um deles escorrega numa casca de banana. Maria Betânia (então, Bethânia) foi feita em 1943, quando Capiba (1904-1997), musicou a opereta “Senhora de Engenho”.

CAETANO VELOSO GOSTOU DE MARIA BETHÂNIA

Em visita ao Recife, Nelson resolveu gravar a canção, o que fez em 1944, popularizando o nome. Maria Bethânia era ouvida também nos alto-falantes de Santo Amaro, pela família Veloso, tanto que Maria Bethânia, a cantora, chama-se Maria Bethânia por causa de Maria Bethânia, a canção. Se alguém aí vive no mundo da lua e ainda não sabe dessa história, vá lá: quem deu o nome à festejada cantora foi seu criativo mano Caetano. Outra curiosidade, menos óbvia: a pequena Surubim (foto) –  pouco mais de 58 mil habitantes, pelo censo de 2010), no agreste pernambucano – deu, além do compositor Capiba, o animador Chacrinha. Veja/ouça o “duelo” de dois grandes da MPB: Jessé e Nelson Gonçalves.

(O.C.)

QUIZUMBA

Armando Nuvem (com os pés no chão e a cabeça no sobrenome)

convite-a-nuvem-3TUDO A MESMA M…

Encontrei um livro bem interessante, recém-lançado, no qual o quase octogenário jornalista Sebastião Nery conta histórias de décadas de atuação no jornalismo.

Nery é de Jaguaquara, mas iniciou sua carreira em Belo Horizonte e depois veio trabalhar no Jornal da Bahia. Quando ACM perseguiu e conseguiu acabar com a publicação, Nery foi para o A Tarde.

Das muitas histórias contadas pelo jornalista, uma é sobre um tio-avô dele, coronel poderoso em Jaquaquara, lá pela década de 30. Certa vez, o homem ficou de birra com a família e resolveu viajar pelo mundo, para espairecer.  Depois de muito tempo sem dar notícias, mandou uma carta para as filhas, afirmando que a raiva tinha passado e contando seu itinerário.

Algo mais ou menos assim:

“Meninas, minha zanga já terminou. Está na hora de voltar. Peguei um vapor na Bahia, passei pelo Rio, saltei em Gênova, vim para Roma. É a Bahia com o Papa. De Roma fui de trem a Paris. É o Rio sem mar. De Paris, para Berlim. É São Paulo com mais fábrica. Como vocês veem, o mundo é todo a mesma merda.

A bênção de seu pai”.

***

ESCRITORES CONTRA

João Ubaldo não quer nem ouvir falar na ponte sobre a Baía de Todos os Santos. Hélio Pólvora também não curte a ideia, por considerá-la cara e imaginar que haja outras ações na fila, que deveriam gozar de maior prioridade.

Quem se serve do transporte precário da caótica TWB diz que João só vai a Itaparica uma vez por ano e não fica por lá mais de uma semana. E Hélio, nem isso. Por isso são contra a ponte.

***

PERNAS-DE-PAU

O time do Capitão bate cabeça e segue na lanterna do campeonato. Ou ele organiza o esquema tático e substitui algumas peças que não se encaixam, ou não vai conseguir reverter a situação, que já começa a se tornar vexatória.

O “baba”tá feio.

***

MENINO TRAQUINO
O administrador da Fazenda andou querendo pular a cerca e invadir a área da Educação. Houve conflito, corre-corre, princípio de debandada, mas a invasão acabou sendo repelida. A ordem agora é aumentar a altura da cerca, para impedir novas invasões.

Já se sabe que o traquino é membro do MST (Movimento do Sempre Tirando).

***

CRISE
Ouviram-se choros convulsivos na manhã deste domingo, na casa do prefeito de Salvador, João Henrique. Dona Maria Luiza tentava consolar, nada. O berreiro começou assim que o homem recebeu o jornal A Tarde e soube da gravação da conversa em que Geddel o define como pessoa inconfiável.

João ficou roxo de raiva. Aliás, parece que a cor era mais pra vermelha.
PT, saudações.

***

OS 100 ANOS DE RUY
O publicitário Ruy Carvalho chega aos 100 anos, com carinha de 50. Está aí um verdadeiro Highlander em terras grapiúnas. Verdadeiro fenômeno!

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