WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia


alba










setembro 2019
D S T Q Q S S
« ago    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

editorias






:: ‘Sérgio Cabral’

A LEI É PARA TODOS

Juliana Soledade

 

Como pode então o povo querer ser o próprio tribunal de um ex-presidente? É atestar que um país não é democrático e tampouco consegue respeitar e entender a diferença dos três poderes em um país. A única justiça que eu realmente espero é que ele não pague o ‘pato’ sozinho.

 

Eu escolhi o silêncio enquanto pude durante esse processo arrastado do Caso Triplex e das condenações do ex-presidente. Além de ser extremante complexo, preferi observar o comportamento dos juízes de plantão sem nunca terem aberto um livro específico sobre as matérias em discussão.

Na cabeça de muitos o Brasil está dividido em dois lados, mas apenas esses dois lados se apresentam, digladiam e medem forças imaginárias. Esquece-se de uma grande massa que tem muitas faces: a silenciosa, aquela que se articula e discute a possibilidade de um novo candidato no pé de orelha, na mesa do bar ou na reunião de negócios, mas além, não discutem sobre a nova condenação por ser um assunto vencido.

O jeitinho brasileiro nos faz esquecer a premissa básica de que a Lei é para todos, principalmente para os mais influentes e quase intocáveis. Um julgamento desse porte é uma mensagem nas entrelinhas, onde diz: mais respeito aos poderes que regem este país. Assim como foi para o Eike Batista, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Joesley Batista, Geddel Vieira e tantos outros que não imaginavam que o telhado de vidro poderia ser quebrado.

Para determinados fanáticos a figuras públicas é difícil compreender que cadeia não pode ter um porteiro como nessas boates VIPs onde pode se escolher quem deve ou não entrar. A condenação do Juiz Federal foi criticada pelos apaixonados, a mesma condenação foi ratificada e majorada em segunda instância por um colegiado, ainda assim, críticas, habbeas corpus, injustiça, falta de provas. O meu grande questionamento é como o da maioria: O que falta para prender a alma mais honesta do Brasil que já foi investigado, condenado e julgado?

É calamitoso defender uma inocência de quem transformou a sua família em milionária em meses, de quem não cumpriu com a promessa de tirar o Brasil da miséria, e a maior prova é o desespero da grande massa quando surgem boatos do fim de auxílios sociais. O país continua completamente dependente do Estado, principalmente quando abandonou a estabilidade de quando o assumiu. O Brasil tem uma expoente necessidade de abandonar a crise moral que nos assola e sair da crise financeira será tão somente uma decorrência.

A classe da esquerda assemelha-se com crianças mimadas e extremamente birrentas, que, no julgamento do impeachment, anunciaram golpe e após o insucesso, bradaram pelas Diretas Já. Novamente é o mesmo que rasgar a Constituição e derrubar aos gritos um regime democrático.

E como pode então o povo querer ser o próprio tribunal de um ex-presidente? É atestar que um país não é democrático e tampouco consegue respeitar e entender a diferença dos três poderes em um país. A única justiça que eu realmente espero é que ele não pague o ‘pato’ sozinho.

Juliana Soledade é escritora e pós-graduada em Direito.

UNIVERSO PARALELO

CANÇÃO QUE TROUXE FAMA E DISSABORES

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1Antônio MariaAntônio Maria (1921-1964), locutor esportivo, cronista literário e compositor popular, é autor de um dos maiores clássicos da chamada dor-de-cotovelo: Ninguém me ama. A canção lhe trouxe fama (não creio que fortuna, pois os ecads da vida não brincam em serviço) e alguns dissabores. Certa vez, numa entrevista com a candidata a deputada “direitona” Sandra Cavalcanti, ele insinuou que ela era “mal-amada”. A resposta, rasante, pôs Antônio Maria no chão: “Posso até ser, mas não fui eu quem escreveu aqueles versos ´ninguém me ama, ninguém me quer…´” Outro momento ruim foi com Ari Barroso, contado por Sérgio Cabral (o jornalista, pai, não o governador, filho).

________________

“Mulato inzoneiro” é coisa antiquada

Maria fez um comentário sobre Aquarela do Brasil: desancou o “coqueiro que dá coco”(coqueiro não pode dar goiaba, brincou) e o “mulato inzoneiro” (coisa muito devagar, antiquada, de difícil entendimento). Ari Barroso, cheio de vaidade, feriu-se e prometeu revidar. Ao encontrar o “detrator” no Vogue, com amigos, dirigiu-se à mesa e, sem mais delongas, “intimou” o cronista: “Cante Aquarela do Brasil”. Maria não entendeu, ele insistiu, insistiu, até ouvir: Brasil, meu Brasil brasileiro/Meu mulato inzoneiro… “Chega”, diz Ari. “Agora me peça para cantar Ninguém me ama”. Insistiu, até que Maria pede: “Cante Ninguém de ama”. Resposta de Ari, aos berros: Não sei! Não sei!

_______________

3Chega de saudadeAntônio Maria: mais vivo do que nunca

Em Chega de saudade, Ruy Castro (jornalista da melhor qualidade e biógrafo de primeiro time) trata Antônio Maria sem nenhum respeito, quase a pontapés. Muitos gostam de bossa-nova (eu, então!) mas Castro exagera: é um fundamentalista, para quem não é MPB o que não seja rio, sol, bar, violão, banquinho e barquinho. A BN é de alta qualidade, mas há MPB de alta qualidade antes e depois dela. Mesmo que Ninguém me ama tenha (a ouvidos de hoje) algum quê de mau gosto, Antônio Maria está mais vivo do que nunca em, dentre outras canções, Valsa de uma cidade, O amor e a rosa (que leva jeito de bossa-nova!), Canção da volta, Samba do Orfeu e, sobretudo, Manhã de Carnaval.

SEREIA: MULHER, PEIXE E SENSUALIDADE

Sereia (aquele tipo metade gente, metade peixe, com grande carga de sensualidade) não existe, mesmo assim canta e encanta. Coisas da mitologia grega que pesam no dia a dia de nosso linguajar. Dotadas de olhar e voz envolvente, elas se postavam nos rochedos do mar, à beira da rota dos navegantes, e, cantando, os deixavam enlevados. Ou abestalhados. Assim “hipnotizados”, eles se aproximavam das pedras e viravam almoço (ou jantar, a depender do horário) das monstrinhas. Relata a Odisseia que Ulisses (também dito Odisseu), avisado pela deusa Circe, evitou que sua tripulação entrasse na dieta das sereias, com a ação inteligente a seguir.
________________

5Canto de sereia

Canção com arranjos para harpa e vozes

Ele tapou com cera os ouvidos dos marinheiros e, já com a turma ensurdecida, se fez amarrar ao mastro do navio, impedindo-se de ouvir (e seguir) as vozes. Funcionou: as sereias capricharam no canto (provavelmente com um arranjo novo para harpa e vozes), depois foram atacadas pelo nervosismo, se esgoelaram a mais não poder, rebolaram, desafinaram, espernearam, xingaram… e Ulisses nem tchum! Na verdade, o herói bem que tentou convencer seus marinheiros (suponho que por gestos, pois eles estavam de oiças tamponadas!) de soltá-lo para ele ir “às meninas”, mas os homens, seguindo a instrução que receberam dele antes, recusaram as ordens (o que me parece fácil, se estavam surdos!).

________________

Quando veneno letal parece coisa boa

O herói só foi solto quando estavam a distância segura. As sereias, ofendidas com o “desprezo”, atiraram-se ao mar e se afogaram. Mas a expressão canto de sereia ficou – significando algo que nos é oferecido como ambrosia, mas que é veneno letal. Quantos de nós não já fomos, de alguma forma, submetidos ao teste do canto de sereia? Os jovens são confrontados com a “música” das drogas, políticos cantam desafinado para cooptar jornalistas, candidatos solfejam, em imitação de bichos marinhos, no ouvido do eleitor. Sem cordas nem cera, só resta ao homem moderno, para resistir ao canto dos monstros, os princípios de educação, ética, moral e cidadania.

PIANISTA QUE TEVE O JAZZ COM ESCOLHA

7Araken P.Moacyr Peixoto (1920-2003) foi talvez o primeiro pianista brasileiro a escolher o jazz como expressão artística, isto lá pelos anos 50, em São Paulo. Mas sua carreira de músico começara no Rio (nasceu em Niterói), em 1936, ainda adolescente. Radicado em SP, a partir de 1948, formou um trio e ganhou notoriedade. Aprendeu a tocar piano de ouvido, no rastro do talento da família: filho de pai violonista e mãe bandolinista, era sobrinho de Nonô e de Cyro Monteiro, irmão dos cantores Cauby e Andiara, e do trompetista Araken. Pianista essencialmente da noite, Moacyr Peixoto poucas vezes se trancou em estúdio, para gravar..
________________

Apenas uma gravação a cada dez anos

Em mais de 60 anos de atividade, deixou apenas seis discos, com a média incrivelmente baixa de uma gravação a cada dez anos. Além disso, o último registro que fez, Jeito brasileiro, de 1996, teve distribuição restrita. É um grande e belo disco, com 17 faixas e alguns clássicos da MPB que embalaram gerações (Molambo, Não me diga adeus, Ai que saudades da Amélia, Nem eu, Cabelos brancos, Agora é cinza, Da cor do pecado, Tarde em Itapuã, Se acaso você chegasse, Na baixa do sapateiro, A voz do morro…). Para exemplificar a técnica do pianista fluminense, escolhemos Triste, de Tom Jobim, do LP Um piano dentro da noite/1979.

O.C.

IDENTIFICADO O CORPO DE MARIANA NOLETO

Do G1:

O delegado Ricardo Feitosa, responsável pelas investigações sobre a queda de um helicóptero em Trancoso, no sul da Bahia, confirmou na manhã desta segunda-feira (20) que o quinto corpo localizado no mar da região é o da jovem Mariana Noleto, de 20 anos. Ela era namorada do filho do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. De acordo com a assessoria de imprensa do governador, ele e o filho saíram de Porto Seguro com destino ao Rio de Janeiro na madrugada desta segunda, assim que souberam da identificação do corpo de Mariana.

Leia mais

BUSCAS RETOMADAS EM PORTO SEGURO

Do G1:

As buscas por três pessoas que permanecem desaparecidas desde a noite de sexta-feira (17), após a queda de um helicóptero na Bahia, foram retomadas por volta das 6h deste domingo (19). Segundo o que informou a Capitania dos Portos ao G1, as buscam ocorrem inicialmente com o apoio de um navio e três lanchas. Cerca de 20 militares trabalham no local.

Neste domingo, deve chegar também à área de buscas um segundo navio que possui um equipamento sonar de varredura lateral e poderá ajudar na localização da aeronave no fundo do mar. Estão empenhadas na operação equipes da Marinha, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros, Polícias Civil e Militar, além de pescadores da região. Quatro pessoas morreram no acidente.

A queda do helicóptero ocorreu durante uma viagem curta, entre Porto Seguro e Trancoso. O helicóptero caiu no mar na Praia de Itapororoca. Sete pessoas estavam a bordo. Mariana Noleto, namorada do filho do governador Sérgio Cabral, o empresário Marcelo Mattoso de Almeida, que pilotava o helicóptero, e Jordana Kfuri ainda não foram encontrados.

GOVERNADOR CARIOCA ACOMPANHA BUSCAS EM PORTO

Do PIMENTA

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, encontra-se em Porto Seguro desde a noite de ontem e acompanha as buscas pelos ocupantes do helicóptero que caiu ontem nas águas da Praia de Itapororoca.

Um dos passageiros da aeronave era Mariana Noleto, namorada de Marco Antônio Cabral, filho do governador. Pouco mais de duas horas depois do acidente, Cabral acionou o governador Jaques Wagner solicitando auxílio para as buscas ao helicóptero e às vítimas. Ele passaria o final de semana em Porto e chegou antes das vítimas.

A polícia militar informa que havia sete pessoas a bordo e três corpos foram resgatados: eram uma mulher e duas crianças. Equipes de resgate da Marinha prosseguiram com as buscas durante a madrugada de hoje. O acidente ocorreu por volta das 18h50min de ontem.

Atualização às 09h55min

HELICÓPTERO CAI EM PORTO; 6 ESTÃO DESAPARECIDOS

Um helicóptero caiu na praia de Itapororoca, em Porto Seguro (BA), nesta noite. Pelo menos uma mulher, nora do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, sobreviveu ao acidente.

As informações iniciais apontam para seis desaparecidos na queda da aeronave, dentre eles, Marcelo Mattoso, proprietário do resort Jacumã Ocean, em Trancoso, Porto Seguro.

O Corpo de Bombeiros faz busca no local. Dos ocupantes, cinco seriam adultos e dois, crianças.

OS BOMBEIROS E O RIO (VERMELHO)

Bombeiros em protesto no quartel central no Rio (Foto Google).

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, preferiu chamar os bombeiros de “vândalos, irresponsáveis” e tratar com repressão violenta os 439 que invadiram o quartel central da Corporação. Agora, começa a pagar o preço político. A população fluminense está sendo chamada a vestir ou usar peça com a cor da corporação, o vermelho, em solidariedade aos bombeiros detidos e à categoria que, apesar dos riscos, tem piso salarial de apenas R$ 950,00 – o mais baixo do Brasil. A convocação é feita por emails, telefonemas, redes sociais e Twitter.

(Fica o exemplo para outros governadores  que tratam bombeiros, professores, população com desdém pensem melhor antes de falar, de prometer…)

UNIVERSO PARALELO

REFORMA: MUITO DEBATE, POUCO RESULTADO

Ousarme Citoaian
As gerações que aprenderam língua portuguesa antes das últimas quatro décadas (só para fixar um período, sem maior precisão) têm discutido acirradamente a presença do Y em nomes próprios.  Enquanto a reforma ortográfica de 1942 eliminava essa letra (na companhia do K e do W), continuaram a ser grafados os Raymundos, Ruys, Cyros, Euclydes, Oswaldos, obviamente, e, em tempos recentes, sem prejuízo, duma profusão de Yasmines, Karlas, Karines e Kamilas. A mesma reforma – que gerou apaixonados debates na Academia Brasileira de Letras – também aboliu o H medial (de Christo, por exemplo), deixando como exceção a palavra Bahia.

NA BAHIA, NINGUÉM MEXE COM RUY BARBOSA

Em 1993, quando Sérgio Cabral publicou No tempo de Ari Barroso, incluiu uma nota explicativa sobre o motivo de grafar Ari (e não Ary, como fazia o compositor mineiro) – e levou um elegante “pito” do filólogo Antônio Houaiss. Para aquele que é tido como “o maior conhecedor da língua portuguesa em tempos modernos”, o autor não precisava se justificar, pois a forma arcaica Ary inexistia entre nós, devido à queda do Y. A mesma regra também aboliu Ruy, sob protesto de baianos enfurecidos, pois nesta terra descoberta por Cabral (Pedro, o lusitano, não Sérgio, o carioca) Ruy Barbosa é “imexível”.

NADA MUDA PARA RAYMUNDOS, CYROS E RUYS

Eis que em 2009 entra em vigor o (mais um!) novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AOLP), que recoloca no alfabeto as letras K, W e Y, renovando uma querela já, pela parte que me toca (e a Antônio Houaiss!), resolvida. As  “novas” letras só podem ser utilizadas em nomes estrangeiros não aportuguesados (como Darwin, Franklin, Wagner, motoboy),mas mesmo assim a medida deu ânimo aos “cartoristas”: afinal de contas, se temos, legalizada pelo AOLP, a presença  desses sinais outrora banidos, por que não usá-los? Porque seu uso “recuperado” é restrito – então, quanto a W, Y e K, nada importante há de novo.

OS QUE ESTÃO MORTOS NADA MAIS RECLAMAM

Um linguista (já não me lembro quem) sugeriu uma saída sábia para tal questão: respeitar as grafias “ao gosto do dono”, enquanto este for vivo. Por exemplo: embora o acadêmico Antônio Olinto grafasse seu nome sem circunflexo, me dou ao direito de escrever Antônio, seguindo a regra (e o crítico não está mais entre nós para reclamar), o mesmo ocorrendo com o poeta Vinícius – para mim, “de Morais”, pois a forma “Moraes” é estranha à língua. Jorge de Souza Araujo não quer acento em seu último nome: e, pelo que me é dado opinar, assim fica, enquanto vida ele tiver – que rezo para ser loooonga e profícua.

CEM ANOS DE MARIGHELLA E ASSIS VALENTE

Uma listinha de nascimentos em 1911 (faz cem anos!): Assis Valente (compositor, Santo Amaro-BA), Broderick Crawford (ator, Filadélfia-EUA), Carybé (pintor, Buenos Aires-ARG), Carlos Marighella (político, Salvador-BA – na foto, metralhado), Mahalia Jackson (cantora, Nova Orleans/EUA), Maria Bonita (“lampiona”, Santa Brígida-BA), Mikhail Botvinnik (enxadrista, Kuokkuala-FIN), Paulo Gracindo (ator, Rio de Janeiro-RJ), Pedro Caetano (compositor, Bananal-SP), Robert Johnson (bluesman, Mississipi-EUA), Roland Barbera (criador de desenho animado, Nova Iorque-EUA). Também se tornam centenários neste ano da graça de 2011: San Thiago Dantas (político, Rio de Janeiro-RJ) e Tennessee Williams (dramaturgo, Mississipi-EUA).

COLUNISTA “DIVIDE” A DATA COM BOB DYLAN

E há uma pequena relação de setentões, os nascidos em 1941: são daquele ano as atrizes Faye Dunaway (Os olhos de Laura Mars/1978) e Julie Christi, o jornalista e compositor Sérgio Bittencourt (Modinha, Naquela mesa), o cantor Roberto Carlos (já fartamente noticiado), o baterista Airto Moreira e o cantor Bob Dylan. Que coincidência: Bob Dylan (foto) e um veterano colunista da região (de quem não revelo o nome porque ele considera sua idade uma espécie de segredo de estado) viram a luz do mundo pela primeira vez na mesma data, há 70 anos: 24 de maio de 1941. Também deram seu primeiro berro no dia 24 de maio os “globais” Marcelo Madureira (comediante) e José de Abreu (ator).

COMENTE >>

EU QUE NÃO AMAVA OS BEATLES E OS STONES

Quando Drummond nasceu, um anjo torto disse: “Vai Carlos, ser gauche na vida!”. A “praga” me atingiu. Gauche (não sei se por artes de anjos ou demônios), enquanto os Beatles reviravam o mundo com suas guitarras retumbantes, eu me mantinha em cool, ouvindo João Gilberto, o mar, o sol, o sul (“as mãos se descobrindo em tanto azul”), é preciso cantar para alegrar a cidade – e tudo se acabar na quarta-feira. Avesso a fusões, era-me inviável conciliar Beatles e Bossa Nova: cartesiano, dicotômico, sim ou não, preto e branco, ai de mim, eu era um garoto que não amava os Beatles e os Rolling Stones. O castigo não demorou a chegar: tempos depois, passei a absorver Beatles de segunda mão, pelo novo canto que vinha do Norte.

“SOM E A FÚRIA DE UM “POETA MALDITO”

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenele Fernandes é o compositor brasileiro que mais foi influenciado pelo som, a fúria e a poética da turma de Liverpool. Belchior é campeão de citações literárias – o que o remete ao panteão dos grandes: Shakespeare e Edgard Allan Poe, Divina comédia de Dante e “Ora – direis – ouvir estrelas. Certo perdeste o senso”, de Bilac, estão em seus versos, além de colegas como Caetano, Roberto Carlos e Celly Campello. Com raízes que vão do erudito aos violeiros nordestinos, de Luiz Gonzaga a Bob Dylan e os Stones, seu tom saudosista esconde um revolucionário. “O passado é uma roupa que não nos serve mais”, “o novo sempre vem”, “eles venceram e o sinal está fechado pra nós, que somos jovens”.

DE BOB DYLAN AOS VIOLEIROS NORDESTINOS

Mas os Beatles são os mais citados: em Velha roupa colorida (“Blackbird” e “She´s leaving home”), Medo de avião (“I want to hold your hand”) e ainda “Hapiness is a warm gun”, em Comentário a respeito de John, feita com José Luiz Penna. O canto nostálgico de Belchior, a voz sofrida do retirante sufocado pela cidade grande sempre me fascinou, também pela sua presença no cancioneiro anti-ditadura militar: são dele, dentre outros, os versos “Mas veio o tempo negro e a força fez comigo/ o mal que a força sempre faz./Não sou feliz, mas não sou mudo:/hoje eu canto muito mais”. Clique e ouça o clássico Medo de avião, arquivado no Fantástico (com citação dos Beatles e uma sombra de fetiche sobre aeromoças).



(O.C.)






WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia