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:: ‘Uesc’

INOVAÇÃO NO CACAU DA MATA ATLÂNTICA

Eduardo AthaydeEduardo Athayde | eduathayde@gmail.com

 

A Fazenda Futuro, localizada em Buerarema, base das pesquisas do WWI no final do século passado – e agora cliente do CIC -, está sendo usada por pesquisadores parceiros do WWI, da floresta urbana de Nova Iorque e do Smithsonian Institute como referência para um projeto piloto de fazenda do futuro, conectado com universidades e centros de pesquisas do mundo.

Quando o WWI-Worldwatch Institute, na virada do milênio, publicou internacionalmente estudo sobre a mata atlântica da região cacaueira da Bahia, batizando-a de “Floresta de Chocolate”, única no mundo, onde a matéria prima do chocolate é produzida com recordes de biodiversidade no planeta, registrado pelo Jardim Botânico de Nova Iorque, a prefeitura nova-iorquina iniciava o levantamento de cada uma das suas 683.113 árvores.

Hoje, os cidadãos de Nova Iorque conhecem o valor econômico individual das suas árvores, sabem que cada uma reduz a temperatura sob sua copa em cinco graus centígrados, joga no ar 150 mil litros de água por ano e produzem serviços anuais avaliados em US$111 bilhões [tree-map.nycgovparks.org]; um padrão que está sendo seguido por várias cidades do mundo que plantam florestas urbanas visando a melhoria do ar, do clima local e da qualidade de vida dos seus cidadãos.

Com a força das redes sociais, o mundo parece ter ficado pequeno e a biodiversa Mata Atlântica, antes pouco percebida (ainda não valorada), vem recebendo influência direta dessas inovações. O Centro de Inovação do Cacau (CIC), por exemplo, que será inaugurado [hoje] na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus, é a parte concreta do projeto do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia, idealizado conjuntamente pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Ceplac, Uesc, Secti, Instituto Arapiaú e outras instituições.

Focando a cadeia produtiva do cacau e a economia florestal, o CIC, formado por acadêmicos e empresários, analisará propriedades físico-químicas do cacau e do chocolate, a qualidade de sementes e mudas das biofábricas de essências da mata atlântica, fomentando a indústria do reflorestamento que, cobiçada por investidores, floresce impulsionada pelo robusto mercado financeiro internacional interessado em ativos florestais.

Na era da “eco-nomia”, oficializada pelo Acordo de Paris e já legalmente adotada pelo Brasil, a preservação, além de uma imperiosa necessidade, passou a ser analisada também por parâmetros econométricos da precificação e monetização (restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 – bit.ly/2cHvxT8). Observando o senso de oportunidade, o CIC nasce como elo local desta inovadora rede global, posicionando-se, com linguagem nova, como uma espécie de “porta USB” de alta velocidade aberta a conexões de pesquisa, geração de conhecimento e econegócios.

Integrado a iniciativas como a Plataforma Brasileira sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (bpbes.net.br), que tem a missão de produzir conhecimento científico e saberes tradicionais sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos – onde o cacau se inclui -, o CIC nasce como parceiro natural do Programa Fapesp de Pesquisa em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-FAPESP), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e alinhado com a
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que lançou a Campanha da Fraternidade 2017 com o tema “Biomas Brasileiros e a Defesa da Vida”.

A imaginação é mais importante que o conhecimento, afirmava Albert Einstein. Nesta linha, a Fazenda Futuro, localizada em Buerarema, base das pesquisas do WWI no final do século passado – e agora cliente do CIC -, está sendo usada por pesquisadores parceiros do WWI, da floresta urbana de Nova Iorque e do Smithsonian Institute como referência para um projeto piloto de fazenda do futuro, conectado com universidades e centros de pesquisas do mundo.

Com a quebra de fronteiras e os espaços abertos pelas redes sociais, a região cacaueira, imaginada como Floresta de Chocolate, vive um momento de mudanças intensas observadas na metáfora da crisálida, quando a lagarta não mais existe, e a borboleta ainda não nasceu.

Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute.

ESTADO ANUNCIA R$ 50 MILHÕES EM PROGRAMA DE BOLSAS E ESTÁGIO PARA UNIVERSITÁRIOS

Alunos da Uesc podem concorrer a bolsa e estágio do programa   (Foto Robson Duarte).

Alunos da Uesc podem concorrer a bolsa e estágio do programa (Foto Robson Duarte).

O governo baiano anunciou R$ 50 milhões em investimentos em um programa de permanência voltado a estudantes das universidades estaduais, o Mais Futuro. Segundo o governador Rui Costa, o programa beneficiará até 9 mil estudantes com bolsas-permanência e estágio.

De acordo com ele, o auxílio financeiro visa auxiliar na continuidade dos estudos e evitar o abandono do curso superior por falta de condições de concluir a graduação. O Mais Futuro é uma remodelagem de programas de assistência estudantil já existente em universidades estaduais, como a Uesc, em Ilhéus.

O edital do programa foi lançado nesta terça (7) e os estudantes terão até 31 de março para fazer inscrições e concorrer às bolsas e estágio, por meio do site http://maisfuturo.educacao.ba.gov.br/, onde podem ser conferidos critérios do programa.

O auxílio será de R$ 300,00 ou R$ 600,00 ao mês. O primeiro valor é destinado a universitários que estudam a até 100 quilômetros da sua cidade de origem. Já o segundo, para aqueles que moram em cidades a mais de 100 quilômetros de distância do campus onde estão matriculados. Estando dentro do perfil do programa, o estudante poderá receber o auxílio desde o primeiro semestre até completar dois terços do curso. No terço final, o universitário pode concorrer a vagas de estágio na própria instituição.

FEIJÃO PUXA QUEDA DA CESTA BÁSICA EM ITABUNA E ILHÉUS

Feijão ficou entre 10% e 13% mais barato no eixo Ilhéus-Itabuna.

Feijão ficou entre 10% e 13% mais barato no eixo Ilhéus-Itabuna.

O custo da cesta básica caiu nos dois maiores municípios sul-baianos, segundo pesquisa mensal feita pelo Curso de Economia da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

A redução foi de 0,74% em Ilhéus, passando de R$ 341,74 em janeiro para R$ 339,22 em fevereiro. Queda maior ocorreu em Itabuna, onde a pesquisa mensal apurou redução de 1,28%, saindo de R$317,64 em janeiro para R$313,57 em fevereiro.

O produto que mais colaborou para a baixa em Ilhéus, assim como em Itabuna, foi o feijão. Ficou 10,79% mais barato. Queda também no valor da farinha (6,36%), carne (4,61%), açúcar (3,74%), leite (1,49%) e arroz (0,34%). “Ousado”, o tomate jogou no time contrário. Ficou 7,10% mais caro.

Já em Itabuna, o preço do feijão registrou queda de 13,8%. Outros itens em queda foram manteiga (-4,46%), açúcar (-4,26%), tomate (-2,12%), carne (-1,10%) e leite (-0,61%). O pão foi o produto da cesta básica que mais pesou contra. Alta de 3,58%. Outros componentes da cesta básica em alta em fevereiro: farinha de mandioca (2,41%) arroz (1,40%), banana (1,22%), óleo de soja (0,94%) e café (0,55%).

JOSÉ ADERVAN – FOI O HOMEM, FICA SUA HISTÓRIA

walmirWalmir Rosário | wallaw1111@gmail.com

Adervan lutou pela transformação da Fespi em Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) se empenhou na criação da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Mas nada disso se compara como o carinho com que recebia jovens estudantes que frequentemente visitavam o Agora.

Em 3 de março próximo José Adervan completaria 75 anos de existência, 66 deles vividos em Itabuna – sem levar em conta o período que passou em Salvador e Alagoinhas. A intenção dos amigos e família era elaborar uma edição especial do Jornal Agora para homenageá-lo, mas como ainda não conseguiram tornar a vida perene, nos deixou antes disso.

Lutou contra a enfermidade até não poder mais. E não poderia ser diferente para quem passou toda a vida superando obstáculos, sempre com a naturalidade que lhe era peculiar. Se as coisas estavam difíceis, aí era que ele apostava num salto mais alto. Contava que aprendeu isso com sua mãe, obstinada, como toda sergipana, em tornar vencer as dificuldades.

E Adervan, o mais baiano – grapiúna – dos sergipanos, costumava lembrar do dia em que chegou a Itabuna, numa data qualquer de 1951, em cima de um “pau-de-arara”, fugindo da terrível seca. Aos nove anos, o menino se deslumbrou quando o caminhão parou no terreno baldio onde hoje é o Fórum Ruy Barbosa, e resolveu fazer um reconhecimento daquela que seria a cidade do seu coração.

Mais do que sergipano de Boquim, passou a ser itabunense e cidadão da região cacaueira, título dado e passado pela população do Sul da Bahia, como reconhecimento dos seus feitos. Era um obstinado pelo desenvolvimento regional e travou uma luta constante na defesa da nossa economia, pelo cumprimento das promessas dos políticos, e pela garantia básica de direitos assegurados em nossa Constituição, como educação, saúde e cidadania.

É bom que se diga que esse estofo não nasceu do Jornal Agora, bastião da defesa regional, criado por Adervan e Ramiro Aquino, uma instituição que teima em desafiar a história, sobrevivendo por longos 35 anos. Não pensem que foi o Jornal Agora quem fez Adervan. Foi exatamente o contrário e desde os tempos de Alagoinhas que ele já se dedicava à imprensa, editando uma revista.

Dos tempos menino, quando começou a respirar o cheiro das tintas nas gráficas, ainda com tipos frios, passou pelo chumbo quente dos linotipos até as impressoras planas e a composição digital. Durante esse período, dividiu seu tempo com a política, a começar pela estudantil, elegendo-se presidente da então toda poderosa União dos Estudantes Secundaristas de Itabuna (Uesi). :: LEIA MAIS »

PARQUE TECNOLÓGICO “TURBINARÁ” PRODUÇÃO DE CACAU E CHOCOLATE NO SUL DA BAHIA

Evento marcou lançamento do Parque Tecnológico do Sul da Bahia (Foto Daniel Thame).

Evento marcou lançamento do Parque Tecnológico do Sul da Bahia (Foto Daniel Thame).

A apresentação do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia, que vai funcionar dentro da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na rodovia Ilhéus-Itabuna, marcou as comemorações dos 60 anos da implantação da Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira (Ceplac), nesta segunda-feira (20).

Articulado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e Uesc, o parque terá como foco a criação e inovação da cadeia produtiva do cacau e chocolate no sul da Bahia. Foram três anos de estudos para o desenvolvimento do projeto da unidade, que irá auxiliar ainda na qualificação dos ensinos técnico e superior da região.

Com previsão de receber R$ 6,5 milhões em investimentos até 2019, o parque também possui como metas o desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental, produtividade e competitividade do cacau e do chocolate, fomento à produção agroindustrial, agroecologia e agricultura familiar, manejo e conservação dos recursos florestais.

O evento de apresentação do parque foi realizado na sede regional da instituição, na Rodovia Ilhéus-Itabuna, com as presenças dos secretários estaduais Vitor Bonfim (Agricultura), José Vivaldo Mendonça (Ciência, Tecnologia e Inovação), Geraldo Reis (Meio Ambiente) e Jerônimo Rodrigues (Desenvolvimento Rural.

DESENVOLVIMENTO REGIONAL

A primeira estrutura do parque será inaugurada em março. Trata-se do Centro de Inovação do Cacau, instalado em uma área dentro do Instituto Nacional de Pesquisa e Análises Físico-químicas da Uesc. “Com o apoio do Governo do Estado, atuando em parceria com a Ceplac, a Universidade Estadual de Santa Cruz e a Universidade Federal do Sul da Bahia, vamos ampliar o processo de geração de tecnologia voltada para o desenvolvimento regional, que passa pelo fortalecimento da cadeia produtiva do cacau”, afirma José Vivaldo Mendonça.

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CORPO DE PROFESSORA DA UESC É VELADO EM ILHÉUS

Arlete faleceu em acidente na última quinta.

Arlete faleceu em acidente na última quinta.

O corpo da professora Arlete Vieira da Silva, “Tica”, está sendo velado no SAF de Ilhéus, na Conquista, neste sábado. O velório será até as 16 horas, de acordo com a diretoria da Associação de Docentes da Universidade Estadual de Santa Cruz (Adusc). Arlete era professora do Departamento de Letras e Artes da Uesc e faleceu, na última quinta (9), em um acidente com duas mortes.

Neste sábado (11), a Adusc emitiu nota em que lamenta a perda da professora. “Sua presença foi marcante para aqueles com os quais compartilhou os espaços acadêmicos, dentro e fora das salas de aula. Seu compromisso com a educação, se expressa em projetos como “Biblioteca Itinerante”, do Programa de Incentivo a Leitura (PROLER). A UESC perde uma importante educadora, que será sempre lembrada por suas importantes contribuições.

A Diretoria da ADUSC expressa o seu profundo sentimento de pesar aos familiares, amigos e colegas.”

O corpo da professora será trasladado para o Rio Grande do Sul, onde ocorrerá o enterro.

ARTIGO DE PROFESSORES DA UESC É CAPA DA REVISTA “ECOLOGY”

Deborah e José Carlos desenvolveram estudo sobre mata atlântica (Fotomontagem Pimenta).

Deborah e José Carlos desenvolveram estudo sobre mata atlântica (Fotomontagem Pimenta).

Um estudo desenvolvido pelos professores José Carlos Morante Filho e Deborah Faria, ambos doutores e membros do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), foi capa da Ecology, edição de dezembro. A publicação é das revistas mais prestigiadas na área de ecologia em todo o mundo. José Carlos e Deborah são pesquisadores do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação (LEAC) da universidade pública sul-baiana.

O trabalho dos pesquisadores mostra, através da construção e teste de um complexo modelo de interações ecológicas, que o desmatamento da Mata Atlântica leva a um aumento no dano foliar causado por insetos”, opina a professora Fernanda Gaiotto. De acordo com os autores do estudo, esse efeito ocorre porque, quando uma determinada região é desmatada, a floresta que resta sofre profundas modificações em consequência da perda de árvores grandes e altas.

Os professores José Carlos Morante Filho e Deborah Faria assinalam que “em particular, a floresta se torna mais fina, mais baixa e mais rala, e este novo ambiente favorece a proliferação de populações de insetos herbívoros que consequentemente aumentam o consumo de plantas”. O trabalho mostra, com clareza, a maneira pela qual o desmatamento modifica determinados processos ecológicos que são importantes para o funcionamento das florestas tropicais.

Neste estudo, o aumento do dano foliar causado pelos insetos herbívoros pode ainda influenciar a regeneração das populações de plantas e de toda a floresta, uma vez que, para crescerem e reporem os adultos, estas plantas terão que vencer a pressão de consumo imposta pelos insetos.

Esta pesquisa foi desenvolvida dentro da Sisbiota, uma rede de pesquisa financiada pelo CNPq e coordenada pela doutora Deborah Faria, e contou com a colaboração de pesquisadores de universidades do México, Holanda e Alemanha.

São coautores do trabalho, publicado no volume 97 da revista Ecology , de 12 de Dezembro de 2016, nas páginas 3315 a 3325, os doutores Víctor Arroyo-Rodríguez, do Instituto de Investigaciones en Ecosistemas y Sustentabilidad, Universidad Nacional Autónoma de México, Morelia, Michoacán, México; Madelon Lohbeck, do Floresta Ecologia e Grupo de Gestão Florestal, Universidade de Wageningen, Países Baixos e Teja Tscharntke, do Agroecologia, Georg-August-Universidade de Göttingen, Alemanha.

O PESO DO POLO DE INFORMÁTICA

Bebeto e Vivaldo abordaram situação do Polo de Informática.

Bebeto e Vivaldo abordaram situação do Polo de Informática.

A nomeação do ilheense José Vivaldo Mendonça para o comando da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação reacendeu um tema adormecido há anos, a revitalização do Polo de Informática de Ilhéus. Ontem, o deputado federal Bebeto Galvão – do PSB assim como o novo secretário, teve audiência com José Vivaldo.

Bebeto relembrou o peso do polo na economia ilheense. “Tínhamos 74 fabricantes [no polo], 2,5 mil empregos diretos, participação de 20% na produção nacional de computadores e faturamento anual dos fabricantes em torno de R$ 2,1 bilhões”, citou. Hoje, o faturamento do polo de informática ilheense caiu para R$ 1,1 bilhão e emprega em torno de mil pessoas.

Para o parlamentar, é necessário analisar as demandas do polo e a convergência de agendas comuns, focando em fortalecimento do negócio e melhoria do ambiente de negócios na cidade. Segundo ele, “é necessário fazer uma transição, transformando Ilhéus em polo tecnológico, com inovação, conhecimento, agregando valores a novos produtos”.

O parlamentar defende, nesta linha, aprofundar relação e definir estratégias com as universidades Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Federal do Sul da Bahia (UFSB). “Para além da cidade se tornar polo tecnológico, transformar o eixo de Ilhéus–Itabuna em áreas do conhecimento e inovação e o eixo Ilhéus–Uruçuca como pólo do chocolate, pois essas ações resultarão no maior desenvolvimento regional”.

SISU TEM QUASE 800 MIL INSCRIÇÕES EM POUCAS HORAS

Uesc é uma das instituições que oferecem vagas pelo Sisu (Foto Robson Duarte).

Uesc é uma das instituições que oferecem vagas pelo Sisu (Foto Robson Duarte).

No primeiro dia de inscrições abertas, o Sistema de Seleção Unificada recebeu, até as 13 horas, 773.341 inscritos e 1.483.554 inscrições. Cada candidato pode escolher até duas opções de curso. Os candidatos poderão se inscrever até sexta-feira (27). Ao todo, são 238.397 vagas em 131 instituições públicas, entre universidades federais e estaduais, institutos federais e instituições estaduais.

O Sisu seleciona os estudantes com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cabe a cada instituição definir o cálculo que utilizará para a seleção dos novos alunos. Para participar do processo, o estudante não pode ter tirado nota 0 na redação do exame. Ao todo, mais de 6,1 milhões fizeram o Enem em 2016. O resultado será divulgado no dia 30. O período de matrícula será de 3 a 7 de fevereiro.

Os candidatos que não forem selecionados na chamada regular poderão participar da lista de espera, entre 30 de janeiro e 10 de fevereiro. Esses candidatos serão convocados a partir do dia 16 de fevereiro, caso haja vagas remanescentes. Da Agência Brasil.

RAMON SE MUDOU DA TERRA

adroaldo almeidaAdroaldo Almeida

como ele sabe agora, jamais encontramos um bálsamo, conforto ou doçura na provisoriedade dessa condenação da existência. Talvez nessa travessia, na eternidade de serafins e cítaras, ele possa declamar todo seu lirismo sem a azáfama e a urgência dos dias terrenos.

 

No meio da década de 1980, eu cheguei a Itabuna para estudar e trabalhar. Era bancário e sindicalista, mas queria ser escritor. Por revés da sorte, acabei advogado e político, uma lástima. Naquele tempo, transitava na senda da arte entre Buerarema e Ilhéus uma trupe felliniana: Jackson, Betão, Alba, Eva, Gideon, Gal, Delmo, Zé Henrique e, naquela miríade estrelar, ele, claro, RAMON VANE, o mais cênico de todos. A figura de um pintor holandês do século XVII, a recitação de um menestrel medieval e a presença carismática de um franciscano. Um astro rasgando o céu da Mata Atlântica. Nosso Rimbaud trovando no alto da proa de um barco bêbado, singrando os mares e domando as ondas naquela temporada no inferno, atirando poesias contra a estação da ditadura ainda presente.

Eu o encontrava quase todas as noites no curso noturno de Direito da Fespi. Fomos colegas e contemporâneos, nos códigos e na decodificação da Justiça, mas “as leis não bastam, os lírios não nascem da lei”, como aprendemos com Drummond e escrevemos o nome tumulto na pedra.  Era tímido na faculdade, nunca o encontrei no DCE, mas enxergava-o de soslaio num canto da biblioteca do Departamento de Letras, onde ambos acorríamos à procura da consolação na palavra. Porém, como ele sabe agora, jamais encontramos um bálsamo, conforto ou doçura na provisoriedade dessa condenação da existência. Talvez nessa travessia, na eternidade de serafins e cítaras, ele possa declamar todo seu lirismo sem a azáfama e a urgência dos dias terrenos.

No domingo [dia 15] acordei com uma mensagem de Gideon Rosa: “Ramon se mudou da terra hoje de madrugada”. Assustado, levantei mudo e pasmo, e essas reminiscências me afloraram durante toda a manhã. Daqui de Itororó, lamentavelmente, não pude ir ao sepultamento, então, mando rápidas e atropeladas letras na ambição de contribuir para desentortar as veredas no seu caminho ao paraíso.

Ramon Vane era um artista, eu me lembro!

Adroaldo Almeida

RUY PÓVOAS LANÇA “NOVOS DIZERES”

Ruy Póvoas lança terceira obra, Novos dizeres.

Ruy Póvoas lança terceira obra, Novos dizeres.

Novos dizeres é o terceiro e novo livro do escritor grapiúna Ruy Póvoas. A obra, em formato de verbete, traz olhar íntimo sobre temas variados. Os pensamentos, experiências e vivências do autor se costuram entre um texto e outro, manifestando o desejo de uma reflexão dos problemas do dia a dia.

Publicado pela Editora da Uesc (Editus), Novos dizeres reúne 105 poemas nos quais o autor constrói uma narrativa da vida que permite ao leitor uma interpretação própria do que lhe é apresentado.

A intenção, revela Póvoas, não é mudar o mundo por meio de sua poesia, mas incentivar as pessoas a entender o universo da forma que ele é. Nas últimas páginas da obra, o escritor e professor expõe o dicionário do dicionário, explicando o significado das palavras que podem fugir à compreensão do leitor.

O livro Novos Dizeres está disponível na Livraria da Editus, localizada no Centro de Artes e Cultura Paulo Souto, na UESC. O título está disponível também na Livraria Papirus, em Ilhéus e na Banca do Shopping Jequitibá, em Itabuna.

Na internet, o leitor pode encontrar essa e outras publicações nos sites www.livrariacultura.com.br e www.bookpartners.com.br. Pedidos podem ser feitos pelo email vendas.editus@uesc.br ou pelo telefone (73) 3680-5240. Acompanhe todas as novidades da Editus no site www.uesc.br/editora ou pelo Facebook @editoradauesc.

A VIDA E OS CICLOS QUE NOS CERCAM

rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Foquemos na prática do bem e lutemos a partir dos nossos lares por uma cidade e um país melhores. Não nos deixemos cair em tentação e sigamos na busca por ciclos que nos façam cidadãos e cidadãs com maior inserção no mundo das coisas positivas.

 

O ano está terminando e com ele vem a certeza da realização de alguns planos, o registro de alguns nascimentos, a não realização de objetivos traçados e a despedida de pessoas importantes para a nossa comunhão. São os ciclos da vida…

Além deles, os ciclos da vida em comunidade: o nosso país e a clara realidade de classes jurídica e política envoltas em um tsunami de problemas, a corrupção e a teia de interesses ramificada nos mais altos escalões e estruturas de decisões. Ciclos da ganância.

Assistimos ao perdão de dívidas de grandes empresários. A fixação de teto para despesas com saúde, educação e seguridade social, reforma da previdência e leis trabalhistas. Ciclos do capital.

Estamos vivendo um momento que nos impacta diante das centenas de narrativas que nos deixam boquiabertos ao percebermos quanto de dinheiro é surrupiado dos serviços essenciais. São tantos os casos que já não conseguimos reagir com tenacidade, nos sentimos fracos, oprimidos e incrédulos. Ciclos do silêncio.

Um novo ano bate à nossa porta… Esperamos que sejam estabelecidos novos paradigmas e que nossas vidas melhorem. Precisamos continuar nossas lutas, vencer os desafios que aparecerão no caminho e estabelecer objetivos novos. Manter a fé na vida e no que virá será o que nos fortalecerá no percurso da vida. Ciclos da existência.

Foquemos na prática do bem e lutemos a partir dos nossos lares por uma cidade e um país melhores. Não nos deixemos cair em tentação e sigamos na busca por ciclos que nos façam cidadãos e cidadãs com maior inserção no mundo das coisas positivas.

Feliz Ciclo Novo!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

ESTUDO REVELA QUE MUDAR USO DA TERRA AFETA BIODIVERSIDADE E SOLO

André Franco, ex-aluno da UESC, realizou pesquisa publicada em periódico.

André Franco, ex-aluno da UESC, realizou pesquisa publicada em periódico.

Peter Moon | Agência Fapesp

Pesquisa realizada no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, acaba de mensurar o impacto sobre a biodiversidade do solo da transformação de áreas de floresta em pastagens e de pastagens em canaviais.

A conclusão é que esse impacto é devastador sobre a macrofauna original do solo: 90% dela – formada por cupins, formigas, minhocas, besouros, aranhas e escorpiões – desapareceu por completo.

A pesquisa foi realizada por André Luiz Custodio Franco, durante o seu doutorado e estágio de pesquisa no exterior realizados com bolsas da Fapesp, com orientação do professor Carlos Clemente Cerri.

Os resultados do trabalho foram publicados no periódico Science of the Total Environment.

“Nossa intenção foi verificar como a mudança no uso da terra interfere na emissão de gases e no armazenamento de carbono no solo e, em consequência, na composição da matéria orgânica, ” diz Franco.

Invertebrados, microrganismos e fungos desenvolvem um grande papel na reciclagem do solo, graças à sua ação na decomposição da matéria orgânica. Eles compõem a microfauna do solo. Formigas e cupins – que integram a macrofauna do solo – são os principais agentes estabilizadores, evitando a erosão graças à construção de seus ninhos.

Para verificar o que acontece com a biodiversidade com a mudança no uso da terra, os pesquisadores retiraram blocos de solo na forma de cubos com 30 centímetros de profundidade.

Essas amostras foram coletadas em três canaviais localizados em Jataí, Goiás, Ipaussu e Valparaíso, São Paulo. Nessas áreas uma parte do pasto foi convertida em cana. A equipe também coletou blocos de áreas nativa, de mata, para demonstrar a biodiversidade do solo em um sistema estável, antes do desmatamento para pastagem.

“Quando a mata nativa é convertida em pasto, todos os predadores de topo do solo, como as aranhas e os escorpiões, desaparecem”, diz Franco. “Na ausência de predadores, as populações de cupins e minhocas explodem. A quantidade de cupins no solo aumenta nove vezes. Já a de minhocas cresce 14 vezes.”

Por outro lado, quando o pasto é convertido em canavial, as populações de cupim e minhocas também são eliminadas, em decorrência da correção química do solo.

O solo nativo é ligeiramente ácido e os invertebrados e microrganismos estão adaptados para viver num ambiente de leve acidez. Como a cana precisa de um solo mais alcalino, a agroindústria introduz quantidades maciças de calcário – além de fertilizantes, herbicidas e pesticidas. “Isto torna o solo tóxico, especialmente para as minhocas”, diz Franco.

O resultado da correção química do solo e, posteriormente, da adubação química é a eliminação quase completa de toda a sua biodiversidade. Os poucos animais e microrganismos que poderiam se adaptar a um solo levemente alcalino são eliminados pelos agrotóxicos.

“Cerca de 90% da macrofauna do solo desapareceu. Em termos de grupos animais, perdeu-se 40%”, diz Franco. Ou seja, o solo dos canaviais é um solo extirpado de biodiversidade – e, em consequência, instável.

ENGENHEIROS DO SOLO

Cupins e formigas são os “engenheiros do solo”, observa Franco. Eles são importantes para manter sua estabilidade. Onde há mais animais a estabilidade do solo é maior. Decorre daí que menos animais significa menor estabilidade e, por conseguinte, maior risco de erosão.

Outra questão a ser contabilizada é a perda de carbono do solo. A ação de cupins e formigas faz com que partículas de carbono sejam encapsuladas em microagregados de argila ou areia e permaneçam protegidas da decomposição por microrganismos.

Já as minhocas estabilizam as partículas de carbono que passam pelo seu trato digestivo e que ficam igualmente encapsuladas, fora do alcance dos microrganismos.

A perda da macrofauna coloca em risco a estabilidade do solo e a sua capacidade de armazenar carbono, além de contribuir para a liberação de carbono na atmosfera.

O artigo de André L.C. Franco, Marie L.C. Bartz, Maurício R. Cherubin, Dilmar Baretta, Carlos E.P. Cerri, Brigitte J. Feigl, Diana H. Wall, Christian A. Davies Carlos C. Cerri, Loss of soil (macro)fauna due to the expansion of Brazilian sugarcane acreage, foi publicado em Science of the Total Environment.

ALUNO DA UESC É PREMIADO COM TRABALHO SOBRE PERDA DE CARBONO NA MATA ATLÂNTICA

Ramiris, à esquerda, teve trabalho premiado em evento internacional.

Ramiris, à esquerda, teve trabalho premiado em evento internacional.

Jonildo Glória

O estudante Ramiris Moraes, do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), teve seu trabalho premiado na primeira edição da School of Advanced Science on Nitrogen Cycling, em São Paulo. Em seu trabalho, Ramiris discutiu como a perda de floresta pode alterar a dinâmica de nutrientes na Mata Atlântica.

O pôster apresentado sugere que a porcentagem de floresta numa determinada área é um forte descritor das mudanças no estoque de carbono. O doutorando apontou que as áreas com elevado índice de desmatamento perderam aproximadamente 80% dos seus estoques de carbono, se comparadas com áreas mais conservadas.

O trabalho ainda alertou para a possibilidade de essa alteração afetar o carbono do solo, o que seria mais um fator de emissão de CO2 para a atmosfera. Durante o evento, foram apresentados 105 trabalhos de estudantes de vários países, dentre os quais apenas seis receberam o referido prêmio.

UNIVERSIDADES ESTADUAIS BAIANAS PERDEM POSIÇÕES NO RANKING FOLHA

Uesc perdeu duas posições no ranking anual da Folha (Foto Robson Duarte).

Uesc perdeu duas posições no ranking anual da Folha (Foto Robson Duarte).

Apesar de leve melhora na nota, a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) caiu duas posições no ranking universitário anual divulgado pela Folha. Era 63º em 2015 e ficou em 65º neste ano, embora a nota tenha saído de 53,91 para 56,68. Foi a menor queda dentre as quatro instituições de ensino superior estaduais.

O Ranking Universitário Folha (RUF) leva em conta desempenho nas áreas de ensino, pesquisa, inovação, internacionalização e mercado.

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) se saiu melhor entre as universidades públicas e particulares na Bahia, na 14ª posição, com nota 86,94, ante a 15ª posição no ano passado (85,33). A escala vai de 0 a 100.

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) figura em 64ª posição, com 58,99, porém era 60ª no ano passado (56,36). A Universidade do Estado da Bahia (Uneb) aparece em 93ª colocação, nota 43,87. Era 81ª em 2015, com 45,34.

Das estaduais públicas, a pior colocada foi a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), com 41,69 e 104ª posição. Já em 2015, aparecia em posição melhor (79ª), com nota 47,45.

A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) também caiu. De 107º (37,10) para 121º (36,33) agora.

MELHOR PARTICULAR DA BAHIA É 123ª

A melhor entre as particulares da Bahia é a Unifacs, figurando na 123ª posição com a nota 36,13, abaixo da obtida em 2015, quando alcançou o 103º lugar e a nota 38,05.

Com 25,58, a Católica (Salvador) é apenas a 159ª em 2016. Melhorou em relação ao ano passado, período em que figurou na 164ª colocação com nota 19,64. As demais não figuram na lista, que reúne 195 instituições de ensino superior públicas e privadas.

O ranking deste ano é liderado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desbancando a Universidade de São Paulo (USP), com nota 97,46 contra 97,03.



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