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:: ‘violência física’

MACHISMO, VIOLÊNCIA MORAL E IMPRENSA

nátaliNátali Mendes

Não quero tomar ninguém ‘’pra cristo’’ e nem ‘’ferir a honra de um homem’’ como se tem dito. Só insisto na apuração da atitude e no seu registro formal, para que a Uesc tenha eficiência em inibir e advertir de forma adequada esse tipo de ação.

Desde a semana passada circulam nos corredores da Uesc, em blogs e sites de relacionamento notícias sobre o episódio lamentável que ocorreu comigo no dia 05 de novembro: a violência moral e psicológica causada por um professor diante da minha mãe e de uma plateia. Gostaria de esclarecer alguns pontos:

-Nós mulheres, militantes e feministas, não somos contrárias a receber elogios e sabemos diferenciá-los daquilo que nos ofende e nos constrange.

– O machismo é um sistema de opressão que estrutura a sociedade em que vivemos, logo, o que aconteceu comigo é um exemplo de práticas diárias que, na maioria das vezes, são silenciadas.

– As medidas tomadas por minha pessoa estão dentro das conformidades legais que me são garantidas por direito. A representação formal foi feita à administração da universidade. Aguardo o retorno da instituição.

Quero registrar, também, minha indignação para com determinados veículos de comunicação que veicularam o ocorrido de maneira deturpada. Nenhum blog entrou em contato comigo para pedir informações a respeito do caso. Ao meu ver, o que caracteriza irresponsabilidade é expor uma situação tão delicada sem investigar. Eu, que milito por uma comunicação democrática e acessível para todos, repudio o jornalismo sensacionalista, capaz de publicizar a imagem de pessoas sem ao menos averiguar as informações com exaustão, o que considero um dever ético do ofício.

Para as pessoas que querem se informar melhor sobre o que aconteceu, sugiro a leitura da Nota de Repúdio, elaborada pelos movimentos, grupos e pessoas que também discordam da atitude do professor e que contém o meu breve relato. Peço humanidade e sensibilidade para que possam compreender que, além do que foi escrito por mim, existe todo um contexto da ação que as palavras não são capazes de demonstrar: a entonação da voz, o olhar, a reação… Por isso, peço cautela e, acima de tudo, respeito.

Peço também o respeito dos que não me conhecem, não conhecem a minha história, minha luta e minha trajetória em busca do fim de tantas opressões. Não, eu não tenho vontade e tampouco necessidade de aparecer. Aliás, a frase que mais tenho dito ultimamente é ‘‘eu não queria estar passando por isso’’, e não queria mesmo! Comentários maldosos não ajudarão em nada!

Agradeço a todas as pessoas, que conheço e que não conheço, que têm mandado mensagens de apoio e encorajamento. Cada mensagem me faz perceber que estou tomando a atitude correta em não silenciar diante de uma ofensa que não atinge somente a mim, mas a todas as mulheres que precisam conviver com um cotidiano de violência simbólica e física.

Infelizmente, não sou a primeira e nem a última mulher a passar por esse tipo de situação, e o professor não é o primeiro e nem o último homem a reproduzir o machismo presente em nossa sociedade. Não quero tomar ninguém ‘’pra cristo’’ e nem ‘’ferir a honra de um homem’’ como se tem dito. Só insisto na apuração da atitude e no seu registro formal, para que a Uesc tenha eficiência em inibir e advertir de forma adequada esse tipo de ação. No mais, estou aguardando um retorno da administração da instituição e levando minha vida acadêmica na correria de sempre, afinal, o fim do semestre não quer saber se estou estabilizada emocionalmente, então, a luta continua.

Peço força e permissão às guerreiras ancestrais. Nenhum passo atrás!

Nátali Mendes é graduanda em Comunicação Social (Uesc), militante da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (GET Combate às Opressões) e integrante do Movimento Mulheres em Luta- Sul BA.






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