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:: ‘William Bonner’

PASTOR EVERALDO CONFIRMA QUE SOLTOU PUM EM ENTREVISTA: “FOI SILENCIOSO E SEM CHEIRO”

Pastor Everaldo, à direita, na bancada ao lado dos apresentadores do JN.

Pastor Everaldo, à direita, na bancada ao lado dos apresentadores do JN.

Alvo de montagem nas redes sociais dando conta de um suposto “pum” na entrevista ao Jornal Nacional, o Pastor Everaldo (PSC), candidato a presidente da República, confessa que, sim, cometeu a indelicadeza na semana passada, diante das câmeras globais e de William Bonner e Patrícia Poeta. Em montagem feita por internautas, Pastor Everaldo aparece soltando um pum durante entrevista na Rede Globo, no último dia 19 de agosto.

William Bonner tanto apertou que ele… Deixemos que ele mesmo conte o episódio…

– A gente entra na campanha e acaba virando alvo das brincadeiras mesmo. Faz parte do jogo. Mas vou te confessar um segredo: teve pum. Mas foi silencioso e sem cheiro – disse.

A confissão se deu em entrevista ao jornalista Rodrigo Rodrigues, do Terra Magazine, editado pelo jornalista Bob Fernandes. Confira a montagem:

UNIVERSO PARALELO

“PREVENTIVOS” E DISFARCES DA LINGUAGEM

Ousarme Citoaian

“Acabo de fazer meus exames preventivos de câncer – e está tudo bem”, me diz a amiga cheia de esperanças numa longa vida. É interessante como as armadilhas da linguagem se disfarçam até nas frases mais simples.  Essa impropriedade repetida pela mídia tem sido divulgada pelos profissionais da saúde, levando-a à consagração pelos leigos. Como seria bom para a humanidade que o câncer pudesse ser “prevenido”. Mas não pode. A rigor, os exames “preventivos” (câncer de mama, próstata, colo do útero, pele e outras formas) são apenas “detectivos”: vão mostrar se o indivíduo está ou não está com a moléstia – mas não há meio, pelo menos até agora, de prevenir o surgimento dela.

“PREVENÇÃO”: DENGUE, SIM;  CÂNCER , NÃO

Quando um homem faz exame de próstata, por exemplo (o folclórico toque retal, fonte de tantas piadas de mau gosto), não previne o câncer nessa glândula, somente fica sabendo se a tem doente. Com sorte, o urologista lhe dirá: “Você não está com câncer de próstata” – mas não inventaram ainda tecnologia capaz de impedir que o câncer apareça, mais tarde. Vale o mesmo para os casos de pele, útero, seios, pâncreas ou o que mais seja. É diferente da dengue: se houver combate eficiente ao mosquito transmissor (que tem gente chamando de aédes egípti – mas que é édes egípti), não haverá a doença: pode-se prevenir o surgimento da dengue; do câncer, lastimavelmente, não.

GAY TEM PRÓSTATA – E QUEM TEM, TEM MEDO

Tecnicamente, esses exames ditos preventivos, são “de detecção precoce”: visam detectar (descobrir, revelar, encontrar) a doença logo cedo, o que a faz curável – e, muitas vezes, esse exame será a diferença entre a vida e a morte. E já que adentramos o perigoso campo da medicina, é conveniente lembrar que estudos recentes apontam a alta probabilidade de que todos os homens terão câncer de próstata (desde que vivam o suficiente, até os 100anos, por exemplo). Por isso, a importância do exame de detecção precoce, para que o tratamento seja feito a tempo. E não há vantagem em ser gay: a natureza dividiu nossa espécie em dois gêneros, um deles tem próstata – e quem tem, tem medo.

A TELEVISÃO E SEU GOSTO PELAS FÓRMULAS

Fui levado a trabalhar em televisão (o que a gente não faz para pagar em dia o uisquinho com água de coco!) lá pelo fim dos anos oitenta. Naqueles tempos imemoriais, topei com uma coisa que muito me incomodava: a repetição de fórmulas na chamada linguagem televisiva. A mais enjoativa delas era, no encerramento do telejornal (e de outros programas), o redator escrever (que seria repetido pelo apresentador) “o jornal tal fica por aqui”. Esse “fica por aqui” me soava execrável – não pela expressão em si, mas pela forma como era dita a toda hora, em todas as emissoras, em diversos programas.

“FICA POR AQUI” É DO TEMPO DAS VÁLVULA

Na semana passada, passadas mais de duas décadas, ouço o impecável William Bonner encerrar o JN com estas palavras abomináveis: “O Jornal Nacional fica por aqui”. Leitores mais “ligados” em tevê saberão se foi uma recaída ou se é a permanência da antiga prática delituosa – que eu imaginava morta e sepultada. Não vejo muito televisão, a ponto de saber se isto ocorre todas as noites – se for, é lamentável que tal lugar-comum, já insuportável “no meu tempo”, seja veiculado até hoje, e na maior rede brasileira. Seria outra mostra de que o público é muito condescendente com as bobagens divulgadas pela mídia.

NÃO CONFUNDIR CLAREZA COM INDIGÊNCIA

Excesso não se comete ao lembrar que originalidade (extirpar do texto as imitações, frases repetidas, banalidades e chavões) é qualidade fundamental do estilo. Não se trata de escrever ou falar “difícil”, “bonito”, de forma hermética (o que cairia no outro extremo, que é o estilo empolado, portador do pecado contra a clareza). Qualidades de estilo que quem escreve precisa sempre manter à vista são  harmonia, correção, precisão, nobreza e naturalidade – além das duas citadas. No santo nome da clareza, a tevê sacrifica a originalidade e mergulha na indigência estilística. Parece ter sido o caso do JN.

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CANTAR A HISTÓRIA DOS HOMENS E DO MEIO

Manuel Bandeira disse (cito de memória) que “É poeta quem inventa/em boa improvisação/como faz Dimas Batista/e Otacílio, seu irmão/como faz o violeiro/bom cantador do sertão”. O Michaelis tem uma definição ótima para cantador: “Cantor popular que, cantando, narra a história dos homens e do ambiente que o cerca”. Aurélio simplifica, ao afirmar que a característica do cantador é a capacidade de improvisar, enquanto Câmara Cascudo aprofunda o tema: “o cantador  é representante legítimo de todos os bardos menestréis”. Profissional nascido da linha direta dos violeiros nordestinos (e pesquisador da cantoria), Luiz Vieira não gosta de ser chamado de cantor, mas de cantador.

PRESENÇA DA POESIA POPULAR NORDESTINA

Cantor-cantador, compositor e radialista (nascido em Caruaru, cedo se mudou para o Rio), começou cantando as coisas da moda (valsa, bolero, samba-canção), até encontrar seu próprio caminho: canções com versos de bom gosto, linguagem direta, simples e bem-humorada – tudo isso temperado com a memória da poesia popular nordestina (a que chamam “cordel”). Luiz Vieira, marcado por forte atavismo, é ele e seu passado, presente nas conversas, estórias e canções. Foi “descoberto” somente em 1953 (após muitos anos de luta), com Menino de Braçanã, uma toada que o Brasil inteiro cantarolou. Depois vieram Canção para Ninar Gente Grande, Na Asa do Vento, Guarânia da Lua Nova, Pagando o Pato e outras.

“TODA A RECOMPENSA DE UM AMOR SEM FIM”

É provável que Paz do Meu Amor seja o melhor exemplo da produção romântica a que nos referimos. Luiz Vieira faz um canto à mulher amada, à moda antiga. Ela silente, no pedestal, ele de joelhos, a lhe dirigir um panegírico que em nossos dias de pragmatismo amoroso soaria um tanto deslocado. Hoje, a coisa está mais para presa e predador – e a presa não é, necessariamente, o macho (na fórmula avant la lettre de João do Vale, “pega, mata e come!”). Paz do Meu Amor começa assim: “Você é isso, uma beleza imensa/Toda a recompensa de um amor sem fim” (ah, como era verde o meu vale de esperanças!). Dá vontade de dizer isto a alguém, mesmo com o risco de ser internado, urgentemente, como extravagante incurável.

(O.C.)

UNIVERSO PARALELO

A TELEVISÃO E SUA LINGUAGEM RASTEIRA

Ousarme Citoaian

Do jeito que a coisa anda, terminaremos nos comunicando por sinais de fumaça. Escrever (ou falar) de acordo com o que a norma preceitua virou coisa arcaica, sem graça e de difícil entendimento. E a mídia (façamos aqui um mea culpa) tem muito a ver com isso, sobretudo a tevê, que defende como princípio uma linguagem cada vez mais rasteira, cooptando, lentamente, a sociedade: os folhetins (a que chamam novela), antes considerados “produto para domésticas analfabetas”, hoje são matéria de teses de doutoramento nas universidades (e quem empregar a frase aspeada será tido como preconceituoso e politicamente incorreto). São ásperos os tempos.

ANTÔNIO MARIA, A FRASE PARA A HISTÓRIA

O processo de erosão intelectual é bem antigo. Sérgio Porto (o Stanislaw Ponte Preta) nos conta esta: Antônio Maria (cronista, compositor, narrador de futebol, roteirista e apresentador de programas de rádio e televisão), foi solicitado por Péricles do Amaral, então diretor da TV Rio, a copidescar uma matéria. A ideia era tornar o texto mais simples, ao alcance do público menos escolarizado. O trabalho do autor de Ninguém me ama não satisfez o chefe, pois este achava que o texto ainda poderia ser mais simples. O bom Maria refez a tarefa, porém, ao entregar a nova adaptação, produziu uma frase para a história: “Pior do que isto eu não sei fazer”.

DE COMO TORNAR PERPÉTUA A IGNORÂNCIA

A tevê, em seu objetivo de atingir as camadas medianas da população, derrapa tanto em linguagem quanto em conteúdo. A linguagem (seja na tevê seja na literatura de ficção, por exemplo) precisa ser simples, sem ser indigente. Nunca é demais repetir que a simplicidade é uma qualidade do estilo. Portanto, ser simples, sem ser rasteiro, não é defeito, é virtude. Já a questão do conteúdo é mais difícil: William Bonner, editor do Jornal Nacional, comparou o telespectador médio a alguém simplório como o personagem Homer Simpson, “incapaz de entender notícias complexas” – daí o JN só divulgar o “simples”. Este, sim, é um argumento destinado a perpetuar a ignorância.

PROVA DE DESRESPEITO AO LEITOR/OUVINTE

Costumo dizer que jornalistas detêm, basicamente, o mesmo saber. Eles se diferenciam na ética, no comportamento moral e na (in) dependência com que atuam – mas se equivalem em domínio da linguagem (ou não são jornalistas, são enganadores). Todos eles sabem o que é sujeito e predicado, estudaram e apreenderam noções de concordância, regência e acentuação (se não estão seguros sobre o emprego do hífen, não os culpemos – afinal de contas, ninguém sabe usar esse sinalzinho nefasto, depois do último Acordo Ortográfico). Por que erram tanto? – perguntaria a leitora ingênua (ainda há leitoras ingênuas?), a quem eu diria: erram por falta de cuidado, desleixo e conseqüente desrespeito ao leitor/ouvinte.

CUIDADO COM O REBANHO BOVINO NAS RUAS

Em dias recuados, na aventura de assistir a um noticiário de tevê, dei de cara com uma reportagem do Extremo Sul da Bahia, alardeando o progresso econômico daquela região. Lá pras tantas, o repórter destacou que, além da agricultura, existe em Teixeira de Freitas um notável crescimento da pecuária. E saiu-me com esta pérola: “Tanto é assim que a cidade já possui o quarto rebanho bovino do estado”. Pálido de espanto, pensei no inferno que seria a cidade conviver com tantas vacas, bois, bezerros e touros nem sempre de bom humor, a atravancar ruas e amedrontar pessoas. Ao que me consta, nem a Índia (onde as vacas, por tradição religiosa, têm sagradas até as fezes e a urina) se viu igual pesadelo.

PARA UM BIFE, 15 MIL LITROS DE BOA ÁGUA

Devidamente traduzida e digerida a notícia, filosofei, a respeito do repórter: tão jovem, bem vestido, mas tão descuidado! Tudo ficaria simples e claro se ele dissesse que “o município” etc. etc., pois é regra conhecida que a pecuária não se pratica na cidade: é lá no campo que ela se exerce, sob protesto dos ambientalistas, que querem os bois extintos (um bovino, até que passe de bezerro a bife acebolado, bebeu milhões de litros de boa água – sendo que o tal bife acebolado “custa” cerca de 15 mil litros – mas esta é outra história). Voltando à pérola, é o que dizíamos na abertura deste tema: o repórter, por certo, está careca de saber que município e cidade são valores bem diferentes. Descuidou-se.

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DE TROPEIRO A ATOR, POETA E COMPOSITOR

Zé do Norte (por extenso, Alfredo Ricardo do Nascimento, em Cajazeiras/PB) trabalhou na enxada sob o sol do sertão nordestino, foi tropeiro e apanhador de algodão. Em 1921, alistado no Exército, foi servir no Rio de Janeiro e, a partir de um convite de Joracy Camargo, embrenhou-se no meio artístico e foi em frente: virou cantor, compositor, poeta, folclorista e ator. Jogava nas onze e chutava com as duas. Trabalhou nas principais emissoras de rádio da época, foi consultor do sotaque nordestino em O Cangaceiro (Lima Barreto) e, graças a esse filme, ficou conhecido mundialmente com Muié Rendera (ou Mulher Rendeira). Fez cerca de cem canções, algumas delas com revisitas modernas de Nana Caymmi, Raul Seixas, Maria Bethânia e Joan Baez. É tido como “descobridor” de Luiz Gonzaga.

CANGACEIRO-POETA OU POETA-CANGACEIRO?

O músico pernambucano (1926-2006) ensinou a arte a Baden Powell, Paulo Moura, Menescal, Sérgio Mendes, Nara Leão, João Donato. Não é pouca coisa. Dele, Vinícius disse (Samba da Bênção): “Moacir Santos/tu que não és um só, és tantos”. Sua estreia em gravação se deu com o álbum Coisas, “um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos”, segundo a revista Rolling Stones. São dez faixas – Coisa nº 1, Coisa nº 2, Coisa nº 3 (e por aí vai), mas Coisa nº 1 não é a primeira faixa, é a 8ª, Coisa nº 8 é a 10ª e Coisa nº 5 é a 3ª. Coisa confusa, não? Coisa mais linda é Sônia Braga, que enfeita, acompanhada de figuras carimbadas da Globo em 1980, Coisas do mundo, minha nega, do elegante, fino, inteligente, discreto e terno Paulinho da Viola. Faltou alguma coisa? Então vá: genial.

LAMPIÃO: “TU ME ENSINA A FAZER RENDA”

Volta Seca e Zé do Norte foram contemporâneos (Zé do Norte era dez anos mais velho) e, ao que consta, chegaram a trabalhar juntos como consultores de O Cangaceiro. Mesmo assim, o ex-integrante do bando de Lampião não se mostrou incomodado com a Muié Rendera cantada pelo grupo paulistano Demônios da Garoa (a letra de Zé do Norte, não a dele). E não se pode ignorar a versão também corrente de que o autor não seria nenhum dos dois, mas o mítico Lampião, o Rei do Cangaço. Enfim, a autoria da letra simplória de Mulher Rendeira tem lá seus mistérios, mas a Zé do Norte cabe o mérito da adaptação conhecida por várias gerações de brasileiros, há quase 60 anos. A dupla Marco Pereira (violão) e Gabriel Grossi nos mostram o que a composição tem de melhor, a melodia.

(O.C.)

QUANDO A ENTREVISTA VIRA INTERROGATÓRIO

Daniel Thame

Os companheiros Willian Bonner e Fátima Bernardes precisam voltar urgentemente para a faculdade e estudar melhor a diferença entre entrevista e interrogatório. O que o casalzinho fez com a candidata Dilma Rousseff na noite desta segunda-feira no Jornal Nacional foi vergonhoso.

As perguntas duras, mesmo as fora de contexto como a de comparar o Brasil com a Bolívia e Uruguai, até fazem sentido, mas interromper Dilma a todo instante, impedindo que ela concluísse seu raciocínio e fazendo com que ela parecesse confusa, não pode ser atribuído à falta de experiência da dupla Bonner & Fátima.

Leia a íntegra da análise de DT

ERA SÓ UMA ENTREVISTA, MAS…

A Folha de São Paulo acionou o cronômetro e observou: quase um terço do tempo da sabatina do Jornal Nacional com a ex-ministra e presidenciável Dilma Rousseff (PT) foi ocupado pelo casal de apresentadores William Bonner-Fátima Bernardes.

Dos 12min35s da entrevista, o casal usou 3min50s para fazer perguntas. Todas longas, observa o jornal dos Frias, que também aponta no “mentirômetro” incoerência na fala da ex-ministra, quando ela afirma que o governo Lula foi quem mais investiu em saneamento.

UNIVERSO PARALELO

GENOCÍDIO EM PORTO SEGURO

Ousarme Citoaian

O apresentador da TV Bahia referiu-se, no Jornal da Manhã, ao ex-secretário de Governo, Edésio Lima, como “acusado de matar os professores de Porto Seguro”. É incrível a falta de atenção dos nossos redatores (e, na televisão e no rádio, também dos apresentadores, que lêem as bobagens escritas pelos outros). O Pimenta, felizmente, não foi na mesma linha. Tratou Edésio Lima como “acusado de mandar matar os professores sindicalistas Elisney Pereira e Álvaro Henrique”. No dia anterior, estampou em manchete que saíra a preventiva “contra secretário acusado de matar professores”. O Pimenta está certo.

PROFESSORES OU “OS PROFESSORES”?

O caso é transparente. Com o artigo definido “os”, e sem complemento, a frase descreve um genocídio: em vez de a morte de dois professores, registra a de toda uma categoria profissional. Aceita-se “matar professores” ou “matar os professores etc. (etc. é especificação)”. O redator da tevê cometeu um equívoco muito comum na comunicação, que é tentar dizer uma coisa e dizer outra. O povo, na sua intuição, já explicou o mecanismo desses erros: “Quem não sabe rezar…”. E não me venham repetir, como justificativa, que “a língua é viva”. A língua é viva, sim, mas erro é erro, apesar da muleta errare humanum est.

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“É PENTA! É PENTA! É PENTA!”

O narrador da televisão, pré-apoplético e parecendo à beira de um ataque de histerismo, berra, a plenos pulmões, referindo-se à seleção brasileira de futebol: “É penta! É penta! É penta!”. Um exagero. Antes, dizia-se pentacampeão quem vencia um campeonato cinco vezes consecutivas (duas era bicampeão, três, tri etc.). A partir de 1970, quando o Brasil – com a melhor seleção de todos os tempos, a que João Saldanha (foto) montou – venceu sua terceira Copa do Mundo, popularizou-se a tendência de dizer-se tricampeão quem vence um campeonato três vezes, sem ser seguidas. Ao que me recorde, o jornalista Raimundo Galvão, que mencionamos aqui há dias, foi a primeira voz a se insurgir contra esse modo de dizer.

MENTIRA QUE VIRA VERDADE

Pouco sei de futebol (prefiro basquete e o xadrez), mas a discussão, sob o prisma da língua portuguesa, me fascina. Entendo que o Brasil é, de maneira indiscutível, bicampeão mundial, pois venceu as Copas de 1958 e 1962. Ao voltar a ganhar em 1970 (com a melhor seleção etc. etc.), tornou-se campeão pela terceira vez – e isto é diferente de ser tricampeão. Acontece que a mídia, por ignorância ou interesse, às vezes assume aquele comportamento atribuído a Goebells (ministro das Comunicações de Hitler): bate na mentira até que ela se transforme em verdade. O rito é mais ou menos este: lança-se a invenção, as ruas a adotam e ela adentra os compêndios, já travestida de verdade. A língua é viva, certo. Mas não precisa ser burra.

O FUTEBOL NO ANO 2110

É ocorrência admirável um time ser tricampeão regional (no sentido “clássico”). Mas obter três títulos não sucessivamente, convenhamos, é moleza. Depois, essa “nova” linguagem produz alguma confusão no público: como representar clubes como o Flamengo, por exemplo, que já foi trinta e três vezes campeão do Rio? Ou o Fluminense, trinta e duas vezes?  Ou o Vitória e o Bahia? Percebe-se que, na Copa do Mundo, porque são poucos os países com vários títulos, isto é possível. Mas quando se trata de certames regionais é preferível ficar com o sistema “antigo”. Especialistas afiançam que, daqui a uns cem anos, quando as grandes seleções terão muitos títulos acumulados, o sistema “moderno” será esquecido.

SALDANHA E A MODA BLACK POWER

Por falar em  futebol… Nos últimos tempos, jogadores passaram a adotar o estilo cabeça raspada. Ronaldo (foto), apelidado O fenômeno, é um dos últimos a adotar o modelo. Nos tempos em que o estilo black power estava em moda (os anos setenta), João Saldanha foi chamado à polêmica e, bem ao seu estilo, não fugiu da raia. O inventor da melhor seleção brasileira de futebol de todos os tempos foi, de novo, ao âmago da questão, mostrando que treino é treino e jogo é jogo. É engraçada sua sugestão de que os jogadores raspem a cabeça pra jogar e usem uma peruca na hora do rebolado (hoje se diz balada). Veja no vídeo.

PANACUM DE BUGIGANGAS

Como esta coluna não tem formato definido, estando mais para panacum de bugigangas, vai aqui mais uma. Para não dizerem que só falamos mal da mídia, pretendemos registrar, habitualmente, a existência de textos jornalísticos de boa qualidade – pois que os há, sem dúvida. Comecemos com Hélio Pólvora, que produz, no jornal A Tarde, aos sábados, uma crônica que compensa, por si só, o preço que pagamos. Estilo leve, criativo, econômico, sem sobras, sem concessão aos adjetivos ociosos. Não é à toa que o autor de Os galos da aurora é fã confesso de Graciliano Ramos, tendo declarado que, em tempos de juventude, quase decorou Vidas secas. Mas não se apressem em pensar que HP se dedique ao odioso esporte do pastiche.

PRECISÃO CINEMATOGRÁFICA

Hélio é senhor de sua própria forma de expressão, aprovada pela crítica e demonstrada em cerca de 30 títulos, entre contos, crônicas e análise literária (tem em preparo o primeiro romance). Seu texto equilibra simplicidade e erudição, vazadas na fórmula mágica e difícil que muitos perseguem e poucos alcançam, e que fez a glória de um gênero eminentemente brasileiro, a crônica de jornal. Sobre a linguagem de Hélio Pólvora, assim falou Aramis Ribeiro Costa (foto):  “É preciso registrar que foi o domínio da linguagem, unido à observação sagaz do ficcionista (…)  que o fez primoroso na descrição de cenas e situações, bem como na ambientação das suas histórias, resultado obtido com poucas palavras e uma precisão que se diria fotográfica, ou, considerando a dinâmica do entrecho, cinematográfica”.

OLHAR SOBRE O COTIDIANO

Hélio (A Tarde – 13.3.2010) fala, com carinho, do sambista Ederaldo Gentil (foto):

“Por acaso encontrei cópia de um CD de suas melhores composições, em que Ederaldo se diz mais amargo do que o alumã, declara que não quer o dia, só a alvorada, queixa-se que a distância o mata e a saudade o maltrata, e vice-versa, e conclui que o próprio tempo é que não lhe deu tempo. Acusa uma mulher de ter sido ´cimento fraco na construção do meu lar´, e responsável por ´um amor em demolição´. Achados, Bossas. A filosofia das ruas está inteira nesses versos”. Hélio não desmente Aramis:  espalha sobre pessoas, ações e sentimentos do cotidiano de nossas vidas a “observação sagaz do ficcionista”. É ler para crer.

“DESCENDO PARA BAIXO”

Vejo na TV Globo o sobe e desce das pesquisas eleitorais e, ao fim, ouço do apresentador William Bonner (foto) que “a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos”. O correto editor do Jornal Nacional labora num erro daqueles que sua empresa – sabe-se lá o motivo – tenta repetir até transformar em acerto: variação de “x” pontos percentuais já diz tudo.  “Para mais ou para menos” torna-se um reforço que agride a boa linguagem – algo parecido com subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro e sair para fora. A tevê, em vez de informar os telespectadores, contribui para deseducá-los.

ETERNAMENTE EM BERÇO ESPÚRIO

Parece-me que o nome dessa coisa é redundância (também pleonasmo ou tautologia), algo que, se bem utilizado, dá cores vivas à frase. Alberto Janes escreveu e a extraordinária Amália Rodrigues (1920-1999) popularizou “E [Deus] deu-me esta voz a mim”. Há beleza neste verso pleonástico, longe do absurdo de “para mais ou para menos”. Aliás, o berço espúrio que embala esta expressão é o mesmo que embala “récorde”, termo estranho à língua portuguesa (certamente uma macaqueação do inglês record). Lembremos Dad Squarisi (foto): “Jornalistas têm de escrever tão bem quanto romancistas”.

FADO BRASILEIRO EM LISBOA

Que a citada Amália Rodrigues é a mais ilustre das cantoras portuguesas, todo mundo sabe. Mas há quem não saiba que o fado, elemento fundamental da cultura lusitana, tem mais a ver com o Brasil do que parece. O temido crítico José Ramos Tinhorão sustenta, baseado em pesquisa por ele feita, que o gênero nasceu em terras brasileiras – e depois se fez popular em Lisboa. Está tudo no livro Domingos Caldas Barbosa – o poeta da viola, da modinha e do lundu (foto), lançado em 2004. O modinheiro Caldas Barbosa (que teve por pseudônimo Lereno Selenuntino) teria sido o grande divulgador do fado brasileiro em Portugal.

PALMAS PARA A GRANDE DAMA

Tem mais. Amália Rodrigues (foto) também “nasceu” no Brasil. Foi no Rio de Janeiro, em 1945, que ela gravou seu primeiro disco (iniciara a carreira de cantora há alguns anos e ainda não gravara, sendo convencida a fazê-lo entre nós). Aliás, na turnê brasileira Amália agradou tanto que veio para ficar quatro semanas e ficou quatro meses. Mas as coincidências ainda não terminaram: foi no Rio, naquele período, que o compositor Frederico Valério, que acompanhava a cantora, fez um dos fados mais famosos de todos os tempos: Ai, Mouraria. No vídeo, Amália Rodrigues e o mencionado Foi Deus.

(O.C.)

Pouco sei de futebol (prefiro basquete e o xadrez), mas a discussão, sob o prisma da língua portuguesa, me fascina. Entendo que o Brasil é, de maneira indiscutível, bicampeão mundial, pois venceu as Copas de 1958 e 1962. Ao voltar a ganhar em 1970 (com a melhor seleção etc. etc.), tornou-se campeão pela terceira vez – e isto é diferente de ser tricampeão. Acontece que a mídia, por ignorância ou interesse, às vezes assume aquele comportamento atribuído a Goebells (ministro das Comunicações de Hitler): bate na mentira até que ela se transforme em verdade. O rito é mais ou menos este: lança-se a invenção, as ruas a adotam e ela adentra os compêndios, já travestida de verdade. A língua é viva, certo. Mas não precisa ser burra.








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