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13 de abril de 2021 | 05:09 pm

HERMANO: “ANTES DE ESTAR PREPARADA PARA O TURISTA, A CIDADE DEVE CUIDAR DE SUA PRÓPRIA POPULAÇÃO”

Tempo de leitura: 6 minutos
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Hermano Fahning tem 33 anos, é ilheense e, desde 2005, tem exercido funções estratégicas na gestão do turismo em Ilhéus. Iniciou como diretor de marketing da Setur, na gestão de Raymundo Mazzei, sendo depois seu assessor. Com a ida de Mazzei para Angola, Hermano assumiu o comando da Secretaria, passando novamente a assessor quando o então prefeito Valderico Reis nomeou o empresário Paulo Moreira como secretário.

Quando foi alvo de um processo de cassação, Valderico exigiu que os ocupantes de cargos comissionados se afastassem, como demonstração de fidelidade. Hermano desobedeceu e ficou. Valderico foi afastado, Newton assumiu e acabou colocando Hermano novamente no comando da Setur, no segundo semestre de 2007.

Há alguns dias, Hermano Fahning afastou-se novamente da Setur para assumir um cargo efetivo na Controladoria do Município. Formado em engenharia civil, ele agora será responsável pela fiscalização de obras públicas.

Nesta conversa com o Pimenta, Hermano fala sobre sua passagem pela Setur e dá sua opinião sobre o que é necessário fazer para o turismo de Ilhéus sair da letargia.

Fala um pouco sobre você.
Sou ilheense, tenho 33 anos, estudei fora, mas sempre senti que tinha a obrigação de voltar à região para retribuir as oportunidades que ela me deu. Fiz engenharia civil na Universidade Católica de Salvador e cheguei a cursar ao mesmo tempo análise de sistemas na Federal, até que não consegui conciliar as duas faculdades e continuei só com a de engenharia.

Você chegou a trabalhar nessa área?
Depois de me formar, atuei em Salvador por três anos como engenheiro civil e meu perfil sempre foi mais direcionado para a parte de planejamento e controle de obras, o que me deu uma boa bagagem na área de gestão. Em 2000, fui para o Canadá, a princípio só para aprender inglês. Como não tinha muitos recursos, trabalhei de tudo o que você possa imaginar: de garçom a zelador de prédio. Isso durante uns três anos.  Depois que aprendi inglês, fiz duas pós-graduações no Canadá, uma em gestão de negócios e outra em marketing esportivo.

Você voltou para Salvador em 2003…
Sim. Cheguei  em Salvador e tentei abrir um negócio na área de marketing. Quando a coisa estava começando a se consolidar, já em 2004, eu recebi o convite para trabalhar como diretor de marketing da Secretaria de Turismo de Ilhéus, ao lado de Raymundo Mazzei. Meu trabalho era fazer a promoção de Ilhéus em todos os polos emissores, focando o público que a gente queria trazer para Ilhéus. Fazíamos contato com as operadoras nos polos emissores, num trabalho em parceria com as agências de receptivo  locais. Posteriormente, fui convidado a cuidar da assessoria do secretário e da parte de planejamento turístico e, quando ele recebeu uma proposta irrecusável para trabalhar Angola, me indicou para substituí-lo.

Como foi essa experiência?
A gente encontrou uma região turística onde Ilhéus não conversava com Itacaré, não conversava com Canavieiras e a gente conseguiu fazer toda uma articulação institucional para tornar possível um planejamento em conjunto. Queríamos que essas instituições também se sentissem responsáveis pelo planejamento das políticas públicas do turismo. A partir daí, houve um fortalecimento do trade, a recriação da Atil, a repaginação do Convention Bureau, que tem a função de captar eventos para a cidade; reinstalamos o Conselho Municipal de Turismo. Houve uma grande conquista também, mesmo com os problemas do aeroporto, que foi a vinda da Gol Linhas Aéreas no final de 2006, fruto de uma articulação da nossa Secretaria junto ao pessoal da companhia e da Infraero.

Nesse primeiro momento, foi pouco tempo como secretário, já que uns cinco meses depois Paulo Moreira assumiu a Setur…

No final de 2006, Paulo Moreira assumiu a Secretaria e eu continuei, assessorando ele até meados de 2007, quando aconteceu todo o problema político (cassação do ex-prefeito Valderico Reis) e o então prefeito exigiu que todos os cargos comissionados pedissem exoneração., Eu fui uma das pessoas que não pararam de trabalhar. Estávamos fechando diversos projetos, como o da sinalização turística, havia prazos e o compromisso com Ilhéus era muito maior.

Mesmo com todas essas ações que você menciona, o turismo de Ilhéus não deslanchou. Qual o impedimento para que isso aconteça?
Em primeiro lugar, a cidade precisa de um foco, porque o turismo hoje é bastante segmentado. Hoje se fala em turismo étnico, turismo sol e praia, turismo ecológico, de eventos, negócios, ecoturismo, estudantil, terceira idade… Nós temos potencial para todos eles, mas não podemos trabalhar todos ao mesmo tempo. Ilhéus precisa se posicionar estrategicamente e nós entendemos que o ponto mais forte da cidade hoje seja, além do sol e praia, o turismo cultural. Então, vamos focar no que nós somos, o que queremos, o tipo de público que pretendemos atrair.

“A cultura da cidade precisa mudar, ela tem que se acostumar a servir bem. O ilheense deve ter a consciência de que vive numa cidade turística”.

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E depois?
Depois, nós passamos para as outras fases, o que começa com o planejamento estratégico,aperfeiçoamento da qualidade dos serviços. Nós conseguimos, em parceria com o Senac, implementar vários cursos de aperfeiçoamento profissional, justamente para promover essa qualificação. Todo mundo sabe que hoje o turista é muito exigente. Ele não reclama do preço quando a qualidade do serviço é condizente. Outra: a cidade precisa estar preparada para receber o turista, mas antes disso é preciso que ela esteja preparada para o sua própria população. Tem que estar bem cuidada, limpa, organizada, bem sinalizada, roteirizada, com boas empresas de receptivo e um trade turístico forte.

Você concorda com o pensamento de que Ilhéus, apesar de todas as suas belezas naturais, ainda não se organizou para ser efetivamente uma cidade turística? Diferente de Porto Seguro, por exemplo.
Em primeiro lugar, Ilhéus é uma cidade turística. Qual a diferença? Porto Seguro tem um fluxo constante, porque sempre esteve na mídia e tem um trade turístico forte, além de ter estabelecido seu foco, que é sol e praia e eventos. Os empresários do setor se sobrepõem ao poder público local. O que Ilhéus precisa é investir num público que tenha uma taxa de gastos per capita maior, o que implica na qualificação do fluxo turístico.

Qual seria  o foco do turismo ilheense?
Essa é uma discussão que tem de ser feita entre comunidade, empresários e poder público, mas eu particularmente acho Ilhéus muito forte na parte cultural, além de sol e praia e eventos. Investindo nesses focos, a cidade pode marcar o seu posicionamento no mercado.

Por que essa discussão não anda e os projetos não saem do papel?

Para Ilhéus deixar de ser simplesmente uma cidade turística e se tornar um produto turístico formatado, é necessário em primeiro lugar uma mudança de mentalidade. Viemos de uma sociedade que se construiu sobre a monocultura do cacau e se acostumou a ser servida. Com a queda da monocultura, essa sociedade está aprendendo que ela precisa ser uma prestadora de serviços, para reconstruir sua riqueza. Ou seja, a cultura da cidade precisa mudar, ela tem que se acostumar a servir bem. O ilheense deve ter a consciência de que vive numa cidade turística. A cidade deve estar bem sinalizada, o cidadão precisa tratar com cortesia o turista, saber informar. O primeiro ponto é a conscientização.

A falta de infraestrutura compromete?
A falta de infraestrutura turística não é um “privilégio” só de Ilhéus, uma vez que a maioria dos destinos baianos e brasileiros carece de uma estrutura profissional. A preocupação com isso começou a mudar em 2003, com a implantação do Ministério do Turismo, quando começaram a ficar bem definidas as questões da capacitação dos serviços turísticos e da infraestrutura turística.

Na prática, a ação do Ministério é percebida?
Do jeito que as coisas são distribuídas e como o recurso é captado para os municípios, existe uma dependência muito forte de articulação política. Portanto, é muito importante que a região tenha representatividade política, sobretudo na esfera federal. Nós temos bons projetos, mas é difícil conseguirmos os recursos.

O Porto Sul vai atrapalhar o turismo de Ilhéus?
O turismo não pode ser o único vetor de desenvolvimento e nós não podemos fechar portas. A proposta do Porto Sul é bastante interessante, até o nível de conhecimento que nós temos, já que ainda está na fase do projeto conceitual e o diálogo está acontecendo entre os governos municipal, estadual e a sociedade. É algo interessante para o desenvolvimento da região, mas que precisa ser implantado com muita responsabilidade, com respeito à legislação ambiental. O turismo pode, perfeitamente, conviver com esse desenvolvimento.

O episódio em que você foi denunciado de receber pagamento indevido de uma banda pesou na sua decisão de se afastar da Setur?
Não houve em nenhum momento, nem no governo nem na equipe que eu coordenei na Setur, qualquer tipo de questionamento acerca da minha conduta. A denúncia a que você se refere partiu de pessoas que não têm credibilidade para fazer qualquer tipo de acusação. Os fatos já foram esclarecidos e a maneira como eu atuei na Setur me dá respaldo para que eu siga de cabeça erguida. Eu sou engenheiro civil, com maior atuação na área de planejamento, e optei por atender à convocação para assumir um cargo efetivo no governo, dentro de minha área de formação. Vou cuidar da auditoria das obras do município, que é também uma função de grande responsabilidade.

A nomeação de uma pessoa ligada a você (a turismóloga Ana Matilde) para o comando da Setur significa que seu prestígio ainda é grande junto ao governo?
Eu não posso colocar isso como prestígio ou “coisa política” em hipótese alguma. Na verdade, o prefeito lamentou a minha saída e, como está bastante satisfeito com a condução da Setur, ele não quer que as linhas, os planejamentos e os programas sejam desviados. O prefeito acredita na causa do turismo e quer que esse trabalho tenha seguimento. Nós deixamos o prefeito bem à vontade para escolher o substituto e ele optou por nomear Ana Matilde, em caráter interino.

Esta publicação possui 0 comentários
  1. carácter interino…, só para não pagar a promoção da moça, vai levar a pasta nas costas por amor a profissão, já que é qualificada para o cargo, um histórico como esse, fazendo um bom trabalho como interina, é um investimento, parece saber articular e usar a sabedoria feminina.
    vai longe

  2. Sr. Editor,

    Recebi esta semana a visita de um amigo proprietário de uma
    rede de hoteis do extremo sul da Bahia e norte do Espirito
    Santo, chegou de férias e fez uma turnê pela Espanha, ficou hospedado no hotel Praia do Sol, fui convida-lo para
    almoçar e ele respondeu que estava cançado e iria almoçar numa
    barraca de praia defronte ao hotel, pedimos um peixe grelhado
    para surpresa dele o pedido demorou mais de duas horas, então chamou o garçom e questionou a demora e para surpresa ainda maior o garçom respondeu que recebeu orientação para retardar ao maximo o pedido com a intenção de vender cerveja, confesso que fiquei morto de vergonha, o meu amigo muito educado pagou a conta e saimos e no caminho ele disse que estava explicado o por que de uma cidade tão bonita por natureza não deslanchar no turismo, as pessoas de ilhéus não tem noção da grandeza da indústria do turismo e não adianta teses filosóficas, articulação politica, trade turistico se o povo não tiver a consciência da importancia turismo como uma atividade forte na vida dos moradores. Na realidade este empresário pretendia fazer um levamento e estudar a possibilidade de expandir seus negócios para esta região, e ficou triste com a postura dos moradores, jogam lixo em todo local, motorista não respeitam o pedestre, enfim pretendia ficar quatro dias e sisplemente foi embora no outro dia, deixou uma mensagem para reflexão: “dificilmente um empreendedor da área de turismo irá investir num bolsão de problemas”

    Carlos José Calazans Neto

  3. Depois desta Newton conseguiu mudar até o significado do batom na cueca, pois isto agora não prova mais nada.

    Como diria Gerdan Rosário ” Faça-me uma garapara com limão balão”.

    E só ir na Setur e ver o planejamento turistico que este rapaz fala e de dar pena…

  4. Senhor Hermano
    Dois pontos chamam a atenção na sua entrevista, de forma gritante e meus ouvidos ainda doem.

    1 – Ignorar que Porto Sul e Turismo não poderão jamais conviver. É certo que seu lugar realmente é na Secretaria de Planejamento e por isso o Turismo não mudou em nada com a sua passagem pela Secretaria. Ninguém viu nada diferente na cidade de Ilhéus;
    2 – O turismo e toda sua variedade, podem ser tratados simultâneamente sim, mas o Gestor deve ser competente e só assim acontecerá;

    Sempre achei pelas entrevistas e suas fotos que o Senhor é meio “inssoso” e ser assim numa cidade com tanto mar,não tem turismo que deslanche. Por outro lado, encontrou aí uma Matilde que parece gostar mesmo de Turismo, pelo que contam, e estar interinamente à frente de uma Secretaria tão importante e também nela, já será um desastre maior ainda que sua passagem por lá. Chega!!!!!! Que triste!!!!…. Essa conversa de não descontinuidade é prá boi dormir. Essa moça com a arrogancia que tem, nariz empinado de rainha da cocada preta, vai levar Ilhéus para a desgraça maior que o anunciado projeto porto sul que por si só, já é o maior dos males. Ilhéus merece muito mais que apenas isso. Essa moça aí só sabe gritar e querer aparecer.
    Se existem projeto dizendo que são bons e não consegue recursos, não está bem elaborado, portanto não são bons como cita.
    Quero que tenha sucesso como efetivo no Planejamento, pois sendo executor certamente será melhor do que gestor,espero.
    Gerindo uma casa essa Matilde talvez se saia melhor.

    Fuiiiiiiiiiiiiiii………

  5. Caríssima Ana Matilde,
    Se um dos focos do turismo em Ilhéus é Praia, então comece a pegar no pé dos cabaneiros para eles se profissionalizarem e profissionalizarem os seus funcionários, pois não dá para colocar peão para atender turista, justamente no nosso cartão de visita que são as praias!!
    Mas não se atenha somente à parte da capacitação da mão de obra, pois isso o Sebrae é quem tinha que estar fazendo – cobre deles!
    É preciso trabalhar na formatação dos passeios e viabiliza-los para o turista: Por exemplo, como se chega ao Rio do Engenho? e à Lagoa Encantada? e se o turista não quiser contratar uma empresa de passeios (que são caríssimas!), como fará para chegar là? Não há informações práticas para se chegar nos lugares para passear em Ilhéus e região!
    Não deixe somente nas mãos dos hoteleiros e agencias trazer as Operadoras dos pólos emissores para conhecer e divulgar a cidade, pois isso é função da Setur, seria proveitoso organizar a vinda de Operadoras, Agências de outros Estados, assim como de Jornalistas para divulgar a região.
    Cobre mais do Convention Bureau a realização de mais eventos na cidade, está muito fraco ainda.
    Boa Sorte!!

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