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10 de julho de 2020 | 03:49 am

DEUS E O DIABO NA TERRA DO PRÉ-SAL

Tempo de leitura: 2 minutos

Daniel Thame | danielthame@gmail.com

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O que poderia ser (e é) a melhor notícia dos últimos anos para os brasileiros, com a descoberta e exploração de imensas reservas de petróleo na camada conhecida como Pré-Sal, está se transformando numa inacreditável queda de braço, que tem como pano de fundo o interesse eleitoral. Mais precisamente, as eleições presidenciais de 2010.

A exploração do Pré-Sal, que insere o Brasil como um dos maiores produtores de petróleo do planeta, irá gerar recursos que, se aplicados como deseja o presidente Lula, contribuirão para reduzir as desigualdades sociais num país que, a despeito dos avanços dos últimos anos, tem gente que vive dentro de padrões europeus e norte-americanos e gente que sobrevive em condições africanas.

A exploração dessa riqueza deveria ser motivo de orgulho, unir o país e fazer, ainda que momentaneamente, com que se esqueçam diferenças político-partidárias, que tantos danos vêm causando ao desenvolvimento do Brasil.

Deveria, mas não é motivo de orgulho, muito menos de união.

Ocorre justamente o contrário.

Como o início da exploração de petróleo depende de regulamentação e o processo passa necessariamente pelo Congresso Nacional, trava-se uma disputa em que o que menos interessa são os benefícios gerados pela extração das reservas localizadas no mar territorial brasileiro.

E o que mais interessa é a eleição de 2010.

Entra em cena, de novo, a dupla DEM-PSDB (este com seu apêndice, o PPS), disposta a emperrar a aprovação da regulamentação, por considerar o processo apressado e a proposta enviada pelo governo exageradamente nacionalista.

Nada a estranhar para quem entregou a Vale do Rio Doce, as empresas da telefonia, as companhias de eletricidade, tudo a preço camarada e ainda com financiamento público.

Mas, não é apenas isso.

Democratas, tucanos e seus penduricalhos partidários temem que o Pré-Sal traga dividendos eleitorais ao presidente Lula e por extensão à sua ungida para sucedê-lo, a ministra Dilma Roussef. Que, além de petróleo, jorrem votos em profusão, capazes de manter o PT mais quatro anos no Palácio do Planalto.

Daí que é melhor deixar o petróleo quietinho nas profundezas do oceano, adiando sua exploração para 2011, 2012, quem sabe não apenas pela brasileira Petrobrás, mas também por empresas estrangeiras, que o tal neoliberalismo, que muitas vezes não apenas rima mas também se confunde com entreguismo, existe é para isso mesmo.

Dane-se que os excluídos continuem excluídos, que a saúde e a educação continuem capengando, já que a se preservar a proposta de Lula, parte dos recursos gerados pelo Pré-Sal serão carreados para esses setores.

O que importa é a política, sempre a política, naquilo que ela tem de pior.

Dane-se, também, o povo brasileiro, que acaba sendo a vítima dessa batalha entre Deus e o Diabo na Terra do Pré-Sal.

Daniel Thame é jornalista e blogueiro

www.danielthame.blogspot.com

Esta publicação possui 0 comentários
  1. Minha opinião, a esse respeito, é a seguinte:

    As reservas estão aí – são estratégicas – não vão desaparecer de uma hora para outra, o Brasil é dito auto suficiente, apenas com a exploração dos atuais poços off shore (menos profundos), mais os poços de petróleo explorados em terra, que o diga Mossoró – RN. Além de tudo isso, a tecnolgia para a tal exploração ainda está sendo desenvolvida, testada, comprovada.

    Então, pergunta-se: Para que tanta pressa em se discutir quem irá ficar com isso ou aquilo, …?!?!?!

    Está parecendo até divisão de herança com o “defunto” ainda vivo, …!!!

    Isto nos leva a desconfiar de que alguem´está querendo usar parte desse dinheiro em campanha eleitoral no próximo ano, pois assim como a polícia, enquanto investiga um caso, todas as hipóteses devem ser levadas em conta, …!!!

    O que tem que ser definido, de uma vez por todas, é a questão dos dividendos, se serão repassados apenas aos estados considerados produtores ou ao país como um todo, já que se trata de uma riqueza nacional. Mas mesmo essa questão, na minha opinião, deveria ser discutida após as eleições de 2010, para que tenhamos um Senado mais renovado, pois muitos dos atuais Senadores estão em final de mandato, já caíram no descrédito popular, são apenas suplentes que assumiram os mandatos sem terem recebido um voto sequer, isto é, não teriam legitimidade bastante e suficiente para discutir uma questão de tamanha importância. Isto se justifica mais ainda, pois os Senadores são representantes dos estados, não do povo, …!!!

    Deixa essas jazidas como uma espécie de reserva para o futuro, …!!!

    A pergunta é: Para que tanta pressa, ..?!?!?!

  2. O fato da ”politicagem” é realmente um problema a ser combatido no Brasil, pois ele atrasa constantemente o nosso progresso, anexado à corrupção. Mas o que me faria compreender que esse dinheiro vai pra a diminuição da desigualdade, saúde e educação no Brasil? Já que o PT tem um histórico tão vasto em corrupção?

  3. O PSDB E O DEM SÃO DOIS PARTIDOS QUE SEMPRE USAM DA POLÍTICA DO ENTREGUISMO E SEMPRE SE VALERAM DA MISÉRIA DO POVO. PARA ELES, QUANTO PIOR, MELHOR!

  4. Tudo que vem do PT é bom, né Daniel?
    Tudo que vem dos outros é ruim, né?
    Lula não privatizou nada, a turma de Lula (Sarney, Roseana, collor, Temer, Delfim, Maluf, dirceu, Palocci) é tudo gente boa, né?
    Que vergonha…

  5. O processo das vaidades pessoais e falta de senso com as necessidades dos brasileiros leva ao desgaste politico, e da sociedade, essa riqueza que dizem representar o pré-sal, tomara que seja verdade, hoje, o Brasil tornou-se “auto suficiente” na produção de petroleo, no entanto, os brasileiros continuam pagando o preço de uma das gasolinas mais caras do mundo, o aposentado pagou a previdencia para garantir sua sobrevivencia, o que estamos assistindo é o achatamento, com esses politicos que temos, nada é levado a sério, sem diferença de partido, o pré-sal será mais uma armação e o beneficiamento para os poderosos e fortalecimento das mazelas do congresso.

  6. Prezado Rodrigues,
    Boa parte está, sim, como estratégia de sobrevivência no curto prazo. Mas há aqueles que não abandonam velhos hábitos,orgulhos e “ideais” entreguistas nem por uma semana.

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