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16 de abril de 2021 | 01:58 pm

OUSARME, SINATRA E A MÁFIA

Tempo de leitura: 3 minutos

Marival Guedes

Visitante assíduo de  Ousarme Citoaian, do Universo Paralelo,  li comentário de Frank Sinatra afirmando que não gostava  de  My way “porque a letra é muito gabola e eu não gosto de falta de modéstia”. Em verdade e em verdade vos digo, meu caro Ousarme: My way é o retrato cantado do arrogante e prepotente Sinatra. Chequei há muito tempo a esta conclusão baseado em alguns fatos.

Por exemplo, o autor da composição, o canadense Paul Anka em DVD gravado durante um show, declarou após cantá-la: “Sinatra me ligou e disse, ‘soube que você fez músicas e as distribuiu para Tom Jones, Angle Burton, Humphrey Dirk ,Andy Wiliams. Quero que escreva um sucesso’”. E o compositor ironiza: “pessoal, quando Sinatra pede é melhor você escrever um sucesso senão um homem vai aparecer com uma cabeça de cavalo embaixo do braço”.

Paul Anka se refere à história de um cavalo de corrida do chefe da Columbia, Harry Cohn, que teve a cabeça decepada a mando da máfia, numa punição ao veto de Sinatra ao filme “From Here To Eternity”. Conh entendeu o recado e imediatamente escalou o ator. O fato é retratado no filme “O Poderoso Chefão”, baseado no livro de Mário Puzo, a quem o cantor nunca perdoou. Na obra, Frank Sinatra leva o nome de Johnny Fontane.

Numa outra cena Michael Corlene, filho do poderoso chefão, conta à  namorada que o pai fez um favor para Johnny .Ele queria sair da banda de Tommy Dorsey, antes do final do contrato, e por ter recusado o maestro recebeu a visita de um integrante da “família” que encostou o cano do revólver na sua cabeça e advertiu: “ sua assinatura ou seus miolos estarão no contrato em um minuto.” Ao terminar o relato, Michael fala que “é uma história real, Kay” .

Preconceituoso, quando os travestis adotaram como hino a música Strangers in The Night (Estranhos na Noite), ele a excluiu do repertório.

O cantor se relacionava com os chefões Luck Luciano e Sam Giancana. Segundo o comediante Jerry Lewis, Frank passou a ser mula da máfia e chegou a ser flagrado, numa viagem de volta no aeroporto de Nova York,  transportando  uma mala com US$ 3,5milhões. Escapou porque a multidão de fãs se acotovelando levou o fiscal a desistir da revista.

Foi Sinatra quem levou a Giancana pedido do velho Kennedy para o chefão influenciar no resultado das eleições em 1960. E prova maior do seu real estilo é quando se casa com Mia Farrow.  Ela fez queixas do ex, Woody Allen, e o ator perguntou: “quer que eu mande quebrar as pernas dele?” Preconceituoso, quando os travestis adotaram como hino a música Strangers in The Night (Estranhos na Noite), ele a excluiu do repertório. Nunca mais cantou.

Quanto à My way, alguns traduzem como “Minha Caminhada”, outros “Meu jeito”. “I did it my way” (fiz do meu jeito) expressão tipicamente mafiosa, fala da trajetória de uma pessoa no final da vida. No caso de Sinatra poderia ser intitulada minha vida pregressa. Já Comme d’habitude, (Como de costume), que deu origem a My way, fala sobre o cotidiano de um casal de pouca criatividade, que teve o ardor da paixão apagado pelo tempo. Prefiro My way.

O leitor Ferraz tem razão, Mia foi casada com Sinatra de 1966 até 1968.Depois casou-se com André Previn em 1970 e separou-se em 79. Com Woody Allen casou-se em 1983 e separaram-se em 1997 porque o ator começou a ter um caso com a filha adotiva de Mia e Previn. Foi aí que procurou Sinatra para se queixar e recebeu a proposta de punição contra o ator. Obrigado Ferraz pela contribuição.

Marival Guedes é jornalista.

Atualizada às 20h40min

Este post tem um comentário
  1. E prova maior do seu real estilo é quando se casa com Mia Farrow. Ela fez queixas do ex, Woody Allen, e o ator perguntou: “quer que eu mande quebrar as pernas dele?”
    Tenho impressão que há um equivoco aí. Mia farrow casou-se com Woody Allen muito tempo depois, portanto ela não era ex dele (Woody).

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