skip to Main Content
31 de maio de 2020 | 03:37 am

NÃO APRENDEU A LIÇÃO

Tempo de leitura: 3 minutos

Adylson Machado

Pelo que vimos segunda-feira, em Ferradas, o poeta e contista Cyro de Mattos não aprendeu a lição ministrada pelo mestre Jorge Amado.

Uma intervenção lamentável. Não pode ser outra a adjetivação para a desastrosa manifestação do Presidente da FICC, Cyro de Mattos, depois de encerrada a programação de lançamento, em Ferradas (segunda-feira, 9), de um projeto da comunidade voltado para a comemoração do centenário de nascimento do escritor Jorge Amado, a ocorrer em 10 de agosto de 2012 (confira aqui).
Desastrosa (outra adjetivação que se impõe) porque efetivou a lamentável interferência quebrando o protocolo, que fizera inserir falas curtas dos que compunham a Mesa e dos que apresentaram o Projeto “JORGE 100 anos AMADO”, imediatamente à fala do Prefeito Municipal, José Nilton Azevedo, a quem cabia o encerramento do evento.
Não fora isso, enveredou por gongóricas considerações – em 90% publicizando sua atividade de escritor – descambando por considerações outras, como se falasse para um público que não entenderia o que dissesse, como quando confundiu o lançamento de CACAU (1931) como obra amadiana que inseriu a geografia grapiúna na literatura do ilustre ferradense, o que somente ocorreria com TERRAS DO SEM FIM, em 1943.
Desconheceu no texto, de forte componente idealístico (de um radical de esquerda, daí porque seria obra menor, disse-o o próprio Cyro de Mattos), que Jorge Amado utilizou-o para denunciar mazelas da cultura/economia cacaueira como expressão da exploração capitalista, o que implica observá-la sobre qualquer espaço onde existisse o fruto de ouro, fosse Itabuna, Ilhéus, Canavieiras, Itororó, Ibicaraí, Camacã, Itajuípe etc., o que afasta a observação autoral (posta sob olhar econômico), da evidente temática abordada em TERRAS DO SEM FIM, configuradora de uma geografia física determinada, envolvendo os conflitos pela conquista das terras do Sequeiro, envidados pelos personagens Horácio e Sinhô Badaró.
Não bastasse o cansativo enredo – que logo se viu caminhar para a defesa de projetos que diz realizar na FICC -, enveredou por criticar a administração municipal (a que diz servir) sob a alegação dos parcos recursos destinados ao setor cultural, ao tempo em que deixou claro que, nestes quase vinte meses à frente da instituição, não desenvolveu projetos que fizessem aportar recursos na área em que atua.
Esse último aspecto refuta-se da maior gravidade. A direção de qualquer entidade cultural tem obrigação de, pelo menos conhecer (se não souber), da existência de recursos financeiros alocados especialmente no Orçamento do Governo Federal aguardando apenas bons projetos que viabilizem a sua disponibilização. Desta forma, se a FICC não disporia de recursos, ao que parece faltam-lhe projetos, competentemente elaborados, encaminhados às instâncias culturais do Estado e da União, confessa-o o seu Presidente.
Possibilita-nos entender da fala do Presidente da FICC que, ao que parece, nem sempre a formação ou reconhecimento intelectual são virtudes ideais para transformar ideias em projetos, e esses em transferência de recursos.
Por fim – para não alongar o texto, tantas outras incongruências – aproveitou para falar de sua amizade, quase intimidade com Jorge Amado, ressaltando o “grande coração” do escritor brasileiro mais traduzido no mundo. Disse-o que desprendimento e ausência de ambições faziam de Jorge homem maior do que o era na literatura. E que tudo isso lhe ficara (a ele, Cyro) como exemplo.
Pelo que vimos segunda-feira, em Ferradas, o poeta e contista Cyro de Mattos não aprendeu a lição ministrada pelo mestre Jorge Amado. Em tempos mais pretéritos, de questionada pedagogia, receberia uma boa lição. Não necessariamente ajoelhar sobre grãos de milho ou de feijão no canto da sala. Mas de que a boa educação recomenda não interromper os outros. Demais disso, falar menos – e só quando chamado – e trabalhar mais, para evitar ser transferido de escola.
Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de Amendoeiras de outono e O ABC do Cabôco, editados pela Via Litterarum.

Esta publicação possui 8 comentários
  1. Depois que João Ubaldo falou umas besteiras sobre a possibilidade da ponte Itaparica-Salvador, que seria uma desgraça para ilha.Isso porque ele nem mora na Bahia -Não sabe que muita gente pega o Ferry para trabalhar.E olha que o cara escreveu Sargento Getulio.Talvez ele não aceite as mudanças!!
    O maior intelectual de Itabuna é o prefeito- O que fez na avenida do cinquentenário foi uma poesia “Dadaísta”.

  2. Querido adilson,
    Pessoas como vc, competentes e bem informadas, orgulham nossa cidade!
    Principalmente, quando com com coragem, mostra claramente como estamos cheios de ídolos de barro, demonstrando egoísmo e enaltecendo suas qualidades(?), quando deveriam usar os cargos para dinamizar e valorizar a cultura e educação de uma maneira ampla, conforme deveria proceder.
    Fatos lamentáveis como esses, nos deixam desestimulados e tristes, quando presenciamos as preferências políticas voltadas para interesses individuais, que tratam o povo como meros coadjuvantes.
    Quando será que veremos uma melhoria que possamos respeitar por ser qualificada e eficaz?
    Um abraço e parabéns pela sensatez e coerência no seu pronunciamento.
    Com admiração,
    Antonio Nunes de Souza

  3. Cyro de Mattos, José Oduque Teixeira e Nonô Correia (personagem fictício de novela) têm em comum a avareza e a tragicomédia que são a essência da vida dos três. Não gosto da literatura do nosso poeta. Seus escritos cheiram à naftalina. Vez por outra alguma instituição de ensino o coloca como livro obrigatório de leitura para exames de vestibular. Afora isso, não lembro de ninguém que lembre sequer de algum livro da autoria do nobre intelectual grapiúna. Ao contrário de José Oduque, vai cair no esquecimento, quando da sua partida para outra dimensão. Refiro-me a Oduque, porque, este sim, vai ser lembrado sempre, pela sua administração municipal ou pelos seus inúmeros “causos” de avareza, dignos de “Nonô Correia”. Quanto a Cyro de Mattos, apesar da sovinice, alguém lembra de alguma coisa importante, ligada a ele, que valha à pena recordar???

  4. Sr. Adylson Machado,
    Estou em Itabuna há alguns anos e infelizmente encontrei em meu caminho um sujeito arrogante e opressor, chamado Cyro de Matos. Graças a Deus que, embora tendo prejuízo financeiro, fiquei livre desse sujeito orgulhoso e prepotente.
    É deveras lamentável que um escritorzinho de meia tigela ainda não tenha, mesmo com as cãs que o tempo lhe trouxeram, aprendido que a maior qualidade de um ser humano é a humildade e que a nossa maior herança é fazer o bem ao próximo, mesmo que este já tenha nos deixado, como é o caso do nobre escritor e grande autor, Jorge Amado, imortalizado pelas suas grandes obras.
    No fundo, percebe-se que este sujeito tem mesmo é inveja da competência do mestre Jorge Amado, mas alcançar o patamar mais elevado é apenas para aqueles que enobrecem a nossa sociedade com ações e palavras que engradecem as pessoas.
    Ainda não sei como é que o Prefeito convidou-o para um cargo do qual ele não possui merecimento algum e gostaria de saber porque o DETRAN ainda não suspendeu a habilitação de um sujeito que sofre de glaucoma e que bate nos veículos estacionados e sai de mansinho para não pagar os prejuízos.
    Abraços.

  5. Sou moradora de Ferradas, e um grupo de alunos saiu mais cedo da escola porque a ACODECC convidou a todos para conhecer um projeto que lançariam na segunda feira. Foi tudo muito bonito, muito explicativo, pensei que realmente alguém faria alguma coisa para resgatar a história de Ferradas. Mas depois que o presidente da FICC falou por mais de 40 minutos, fui embora com a sensação de que aquilo tudo que vi ali não ia para lugar nenhum, porque, eu que sou estudante de escola pública, não entendo muito de protocolo, mas o que eu vi ali foi uma total falta de respeito as autoridades e as pessoas que estavam presentes. Mas de certa forma foi bom, para o prefeito ver onde está empregado o dinheiro público.Em salários altíssimos, a pessoas incapacitadas. O salário deste senhor é pago com o suor de meu pai, que trabalha mais de 12 horas por dia, para me dar escola e educação.Educação esta, que falta a gestores públicos como esse cidadão citado acima.

  6. TUDO O QUE SE ESCREVE A RESPEITO DESSE SUJEITO EH POUCO, POIS ELE JAMAIS SABERA QUE UM ESCRITOR EH UM HOMEM PUBLICO, UM SER DIFERENTE DOS OUTROS. DEVERIA TER RESPEITO PROFUNDO PELO SEU POVO.DESCREVO COMO TESTEMUNHA DE SUA ARROGANCIA. SEI QUE GRANDES E VERDADEIROS ESCRITORES GOSTAVAM DE PARTILHAR SUAS IDEAIS, SEUS PENSAMENTOS AOS SEUS DIGNOS LEITORES E ADMIRADORES. JORGE AMADO, MANUEL BANDEIRA, MARIO QUITANA, DRUMMOND…NOSSA, UMA LEVA DE IMORTAIS QUE JAMAIS FORAM ESQUECIDOS, POIS ESTE CIDADAO , PELO QUE EU SEI, MUITA GENTE NEM SABE QUEM ELE EH E O QUE FAZ. ESTE CIDADAO APENAS OLHA O SEU UMBIGO E NAO TEM INTERESSE PELAS COISAS REAIS DA GENTE, EH UM ALIENADO.

  7. A culpa disso tudo é de Felix Mendonça. Fica afastado, não sabe o que está acontecendo, e inetermedia junto ao prefeito para dar um emprego a este elemento que está acabando com a cultura de Itabuna. Sou artista em Salvador mas não deixo de ver os assuntos de minha cidade. Vou passar pelo menos 5.000 email para dar o troco a Felix. Não vai ser ele, mas o filho dele vai ter o troco.

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top