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12 de agosto de 2020 | 05:46 pm

UNIVERSO PARALELO

Tempo de leitura: 7 minutos

A PAIXÃO, SEGUNDO MARIA LUIZA NORA

Ousarme Citoaian

Muitos se acham tocados pela força da poesia e, em função de tal canto de sereia, afoitamente se atiram nas águas revoltas desse gênero, às vezes com resultados funestos. Maria Luiza (Baísa) Nora, que acaba de lançar A ética da paixão, recusou-se à aventura a que tantos imprudentes se lançam e escolheu o caminho “clássico”: antes de escrever, leu. Talvez seja importante dizer isto, como forma de entendermos o porquê de A ética… não parecer artigo de principiante. É que Baísa (foto) se mantém distante da sintaxe tatibitate de uns que impunemente (quem sabe, impudentemente) se dizem poetas; ela sequer tangencia o ridículo em que mergulham os incautos “bafejados” pelas musas.

POÉTICA QUE ABRE AS PORTAS DA ALMA

“Vítima” de uma autora com refinadas leituras de prosa e verso, seria impossível a A ética da paixão não refletir Fernando Pessoa, Neruda e (destacados por Patrícia Pina, em parecer acostado ao livro) Camões, Vinícius, Chico Buarque, Cartola, Álvares de Azevedo. Pessoalmente, imagino Baísa Nora assemelhando-se a Florbela Espanca: poética confessional, corajosa, ousada, de uma ousadia tal que abre as portas da alma e escancara um misto de desenfreado sofrimento e intenso gozo. Um espectro que abrange a angústia e a paz, o “ridículo” das revelações íntimas (à Álvaro de Campos) e a tragédia inevitável das rupturas afetivas, sempre portadoras dores lancinantes.

O CORPO PARA DIVIDIR, NÃO PARA DOAR

Baísa Nora revela a plena mulher ocidental do seu tempo, em oposição àquele antigo objeto de prazer do outro, mas nula em si mesma. Seu cantar é erótico, afetivo, protetor, possessivo, provocador, provocante, às vezes de mãe, muitas de amante, atrevido sempre. É a voz da mulher-cidadã, que se reconhece dona do seu corpo e pronta a dividi-lo, nunca a doá-lo. A ética… não é  o cometimento de versos piegas que o tema motiva, mas grito universal e maduro sobre a paixonite aguda e outras moléstias do ser humano, “versos tintos do rubro da paixão, do roxo das saudades e nostalgias, do rosa de ardentes crepúsculos, do amarelo de outonos desfolhados”, na leitura permanentemente lúcida da ensaísta Margarida Fahel.

ALGUÉM DIZ “MINISTÉRIO DE SAÚDE”?

“O secretário de Saúde está em dificuldades”, diz o jornal.  Ou seria “O secretário da Saúde está em dificuldades”? O correto é “de” ou “da”? Ambas as formas, afirmam os filólogos, são bem-vindas. O “da” tem sabor mais clássico, mais purista, enquanto o “de” é consagrado pelo uso. Minha preferência, nem precisava dizer, é pela primeira alternativa – coerente com expressões análogas. Ninguém em juízo perfeito diz “ministro de Saúde” ou “Ministério de Saúde”, e sim “da Saúde”, “da Agricultura”, “da Fazenda”. Logo, a primeira das duas escolhas está mais para a teoria do “se você entendeu, está bom”, defendida por certos (ou errados?) linguistas.

BELOS EFEITOS DA PREPOSIÇÃO “DE”

É mesmo curiosa essa preposição “de”. Surge em expressões que geram som e sabor agradáveis ao combinar palavras aparentemente inconciliáveis. Vejam esse efeito em alguns títulos de livros, lembrados ao acaso: Chão de meninos (Zélia Gattai), Girassol do espanto (Telmo Padilha), Sangue de coca-cola (Roberto Drummond), Flores do caos (Ulisses Goes), Amor de perdição (Camilo Castelo Branco). Fico surpreso ao saber que está no ar, ou esteve (não afirmo, pois não vejo novela nem sob tortura!) uma coisa chamada Canavial de paixões. Aí, tenham dó deste pobre e hebdomático escriba e o esclareçam: que diabos vem a ser um… canavial de paixões?
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O AUTOR E SEU NAMORO COM O TEXTO

Creio que a maioria dos autores seja enamorada do próprio trabalho, num estanho narcisismo, tendo o texto como o espelho em que o autor se reflete e se admira. Aventuro-me a afirmar: ainda que o leitor não se sensibilize com esse esforço, o autor se sente recompensado, quando é atingido pelo próprio produto. “Sou meu melhor leitor”, diz, com variações, esse narcisista. Escreve para ele, em primeiro lugar; se for possível, também para o leitor. Profissional a soldo, que escreve para sobreviver, não sou exceção a esta regra: estou pronto a defender o que escrevo, pois só vai a público o que é aprovado pela minha rígida autocensura.

PROVOCAR LEITOR É FUNÇÃO DO AUTOR

O que me emociona talvez não emocione o leitor; o que não me emociona, certamente não o emocionará. Logo, não será publicado. Outra questão fundamental da escrita: não há de faltar quem a deseje pura de ideologias – um produto sem fecundidade, sem calor, sem alento, banal, estéril, um fruto peco. Penso que o texto precisa ter claros e escuros, luzes e sombras, caminhos e sugestões. Se a gente entra e sai dele sem que algo se mexa dentro de nós, tal leitura não terá passado de inútil gasto de tempo. A função do autor é comunicar (talvez “provocar” seja o termo justo), daí ser indispensável que ele tenha algo a dizer – e diga.

ENTRE A NOITE ESCURA E O DIA LUMINOSO

Imagino que o texto há de ser a cara do autor, ter suas digitais, marca e estilo, no sentido dado pelo Conde de Buffon (foto), de que “o estilo é o homem” (Le style cest lhomme même). Vai-lhe bem uma pitada de ideologia, representação, teatralidade, coração, fantasmas, experiências, ritmos e cores – que passeiam entre a noite escura e o dia luminoso, entre o alfa e o ômega – digamos. O texto é tudo isso, disso tudo se alimenta, mas a tudo isso se sobrepõe. O leitor não precisa concordar com o autor, e muitas vezes é preferível que não o faça. A discordância, se praticada com honestidade de princípios, é ótimo caldo de cultura para o crescimento das ideias.

QUEM ESCREVE HÁ DE SER CRÍTICO E LEITOR

Na juventude (que longe vai), fruí de autores cuja ideologia abominava, mas que escreviam com alta qualidade – e todos contribuíram para formar este resultado que diante de vós se apresenta: o panfleto de David Nasser (foto), a eloqüência de Carlos Lacerda, a crônica de Nelson Rodrigues. Os três aspergiram em seu discurso as sombras da ideologia, do compromisso pessoal, às vezes até do interesse inconfesso – mas sempre com o condão de proporcionar um prazer intenso ao leitor e, aposto, a eles mesmos. Se, de faca na garganta, eu fosse forçado a ditar uma regra de escrita, diria: seja seu leitor e seu crítico; agrade a você mesmo – e o depois virá.

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ENTRE BALANÇAR O CORPO E O GOVERNO

I will survive (literalmente, “Eu sobreviverei”) andava no topo da lista naqueles anos setenta, a era disco (ou dance), com  os adultos jovens divididos em dois grandes grupos: um tentava balançar os milicos no poder usurpado, enquanto o outro queria apenas balançar o corpo, de preferência aquela parte que o bom Deus houve por bem fazer a mais carnuda do corpo humano. Talvez seja o caso de se dizer que entre mortos e feridos salvaram-se (quase) todos. A exceção é para os esqueletos danificados pelo pau-de-arara, os choques elétricos, o telefone e outros malefícios da ditadura.

DE GRANDE HIT DAS MULHERES A HINO GAY

É relevante dizer que I will survive, sabe-se lá por que cargas dágua, transformou-se no hino gay, e assim é conhecida hoje.  Dizem os entendidos (ops!) que o fenômeno se deu devido à fantástica quantidade de execuções que a música teve nos ambientes homossexuais. Eu nada vi, de nada sei, não afirmo nem nego, pois não estava lá. Estava, modestamente, procurando derrubar o governo, o que (me dói afirmar) não conseguimos. Ele só caiu de podre. Mas preciso ser justo: minha escoliose não foi provocada pelos militares, e sim pela má postura. Voltemos à canção, que é menos penosa.
</span><strong><span style=”color: #ffffff;”> </span></strong></div> <h3 style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>E FRED JORGE CRIOU CELLY CAMPELLO!</span></h3> <div style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>No auge do sucesso, em 1965, a música teve uma versão no Brasil, gravada por Agnaldo Timóteo. Como costuma ocorrer com as

CARAS E BOCAS DE VIRA-LATA ABANDONADO

Em I will survive (Dino Fekaris e Freddie Perren), uma mulher bem resolvida é procurada pelo sujeito que a deixara de maneira vil e que, de repente, está ali na sala de visitas, dando uma de vira-lata abandonado. Diante do cara “Com aquele ar tristonho no rosto” (With that sad look upon your face), ela relembra as injúrias do passado e joga duro, bem ao estilo do lateral Felipe Melo: “Vá embora agora! Saia por aquela porta!” (Well, now go! Walk out the door!). Embora não seja suficiente para ganhar o Nobel de Literatura, é uma letra forte, apropriada para mandar homem pastar.

O PRECONCEITO E A MORTE AOS 36 ANOS

Ao descobrir que Vanusa (foto) teria a audácia de gravar I will survive, o reduto entrou em parafuso: depois do hino nacional, o que ela faria com o hino gay? Ouvi relato de que numa dessas paradas GLBT ela entoou Eu sobrevivo (versão de Paulo Coelho, ex-parceiro de Raul Seixas e maior vendedor de livros do mundo) e não reeditou o desempenho obtido com a canção de Osório Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva, quer dizer, sob o ataque vanusiano, a música fez o que faz nos últimos trinta anos: sobreviveu. Afaste os móveis, aperte o play e solte a fran…, isto é, mande ver (escolhemos Gloria Gaynor, para prevenir acidentes com o “hino”).

(O.C.)

UNEB PRORROGA INSCRIÇÕES

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Alegando como motivo a greve nos bancos, a Universidade Estadual da Bahia (Uneb) decidiu prorrogar as inscrições de seu vestibular. Os interessados poderão garantir sua participação no concurso até o dia 24 deste mês.
A Uneb oferece 4.701 vagas em cursos nas modalidades presencial e a distância. São 24 campi, um na capital e os demais espalhados pelo interior, além dos polos EaD.
O processo de inscrição é realizado exclusivamente pela internet, no site www.vestibular.uneb.br e, para escapar da greve dos bancários, a taxa de R$ 85,00 pode ser paga em caixas eletrônicos, casas lotéricas e com o internet banking.

BALEADO APÓS RECEBER INDULTO

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Encontra-se internado no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna, o jovem Leandro Higino da Silva, de 18 anos. Ele cumpre pena no Conjunto Penal do Município e havia sido beneficiado com o indulto para passar o feriado do Dia das Crianças com a família.
O detento saiu da cadeia ontem pela manhã e, poucas horas depois, levou um tiro no rosto quando se encontrava na Rua da Palmeira, bairro Califórnia. Leandro Higino foi levado por uma unidade do Samu para o Hblem.
Segundo a polícia, o autor do disparo não foi identificado.

CAMARADAS

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Kelly Magalhães e Wenceslau Júnior no encontro com o governador

A deputada estadual eleita Kelly Magalhães (PCdoB) bateu altos papos com o vereador itabunense Wenceslau Júnior, que acertou a trave nestas eleições e ficou na primeira suplência dos comunistas. Kelly, cujo domicílio eleitoral é o município de Barreiras, teve a terceira votação do partido, atrás de Fabrício e Álvaro Gomes.
O encontro entre os dois correligionários aconteceu durante evento nesta sexta-feira, 08, em que o governador Jaques Wagner conclamou a esquerda baiana a se empenhar na campanha de Dilma neste segundo turno.

SABADÃO, FERIADÃO… E BOLSOS VAZIOS

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Funcionários efetivos lotados na Secretaria de Assistência Social de Itabuna estão tiriricas da vida. Quem compareceu ao caixa eletrônico mais próximo em busca de ca$calho deu com os burros n´água.
O município, mais uma vez, descumpriu termo de ajustamento de conduta (TAC) assinado com o Ministério Público Federal do Trabalho e (ainda) não pagou o salário de setembro.
Outra turma do serviço público municipal que reclama é a dos fiscais da Fazenda e da Secretaria de Indústria e Comércio. Eles receberam o salário 60% mais magro, pois a prefeitura descumpriu o termo de ajustamento e não depositou a “produtividade” do mês passado.

VITÓRIA MANTÉM BAHIA NO G-4

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O Bahia bateu o Guaratinguetá por 2 a 1, no estádio de Pituaçu, e manteve-se no grupo dos quatro times que sobem para a elite do futebol nacional em 2011. O tricolor foi a 48 pontos e está, provisoriamente, em terceiro lugar. O América-MG tem 46, mas tem um jogo a menos e pode superá-lo (joga hoje, às 21h).
No jogo desta tarde, o tricolor baiano abriu o placar com aos 8 minutos de jogo. Adriano aproveitou passe de Morais e estufou a rede. E o assistente Morais foi quem ampliou, para 2 a 0, aos 3min do segundo tempo, em cobrança de pênalti.
Guaru descontou para o time paulista em cobrança de pênalti. O Bahia passou sufoco devido à expulsão de Morais, mas segurou os três pontos. O tricolor volta a campo na próxima terça, 12, contra o São Caetano, no ABC paulista, às 21h. O Guaratinguetá enfreta o Paraná, às 19h30min, em casa.

E A GREVE CONTINUA

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A proposta de reajuste de 6,5% para quem recebe até R$ 4,1 mil e de fixo de R$ 266,50 para salários superiores foi rejeitada pelos bancários em rodada de negociações encerrada nesta tarde de sábado, 9, em São Paulo.
A categoria retoma diálogo com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta segunda-feira, 11. Os bancários defendem maior participação nos lucros e, ainda, reajuste linear de 6,5%.

DATAFOLHA TRAZ DILMA COM 48% E SERRA, 41%

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Saiu a primeira pesquisa da corrida presidencial brasileira neste segundo turno. Os números podem ser conferidos na edição de domingo da Folha: Dilma Rousseff tem 48% das intenções de voto e José Serra com 41%.
Em votos válidos, dá 54% a 46%.
Isso quer dizer que este segundo turno não será o passeio que petistas imaginavam. Nem traz Serra à frente de Dilma, como especulavam os tucanos. Quem vai suceder Luiz Inácio Lula da Silva?
Foram ouvidos 3.265 eleitores ontem (8) e a margem de erro é de dois pontos. A pesquisa captou que 51% dos votos de Marina Silva (PV) migraram para Serra e 22%, para Dilma. Outro ponto: no dia 2, o Datafolha apontava a petista com 52% e o tucano com 40% em cenário de segundo turno.
Atualizado às 18h

PRA FICAR NA MORAL!

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Uma boa mistura de reggae, pop rock e forró é o que você vai poder conferir no próximo sábado, dia 16, no Luau Universitário. A noite do ‘tudo junto e misturado’ terá, na boate Bunker, Adão Negro, Submarino e Danado de Bom.
Os ingressos estão à venda na Central de Ingressos e na Back Door e custam R$ 40,00 camarote e R$ 25,00 pista. Agora, clique no play e confira Adão Negro em Feedback, pra ficar na moral.

CABEÇA A PRÊMIO

Tempo de leitura: 5 minutos

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

É difícil falar de Cabeça a Prêmio (idem – 2009), estreia de Marco Ricca na direção, sem entrar no seu desenvolvimento. Para evitá-los, melhor dizer que, como gênero, vai além da competência, e ressalvas, embora pareçam claras, potencializam roteiro em resultado forte e corajoso.
São mundos diferentes de pessoas que residem ou convivem em mesma área, na zona fronteiriça de Brasil, Paraguai e Argentina. Temos um latifundiário, que não é apenas isso, temos um funcionário que não se limita à propriedade, e temos histórias que não se cruzam, mas que nascem convincentemente interligadas.
Um assassinato nos apresenta à história. Os personagens de Eduardo Moscovis e Cássio Gabus Mendes desempenham a mesma função, mas se mostram com personalidades opostas. O porém é que Marco Ricca investe em um realismo tão forte quanto convincente em todo o resto do elenco (muito bom, de Fulvio Stefanini a Alice Braga e o uruguaio Daniel Hendler).

Com isso, não dá para enxergar os dois como arquétipos parte do suspense e do drama, mas figuras próximas a caricaturas em tom destoante do filme. O que se torna ainda mais visível no fim, quando reviravolta é tão inesperada quanto coerente com esse comportamento.
Mas se o desfecho – e a sequência – da cena que reúne quatro elementos, por um lado, tem esse porém, a última tomada é nada menos que brilhante, como quase todo o resto do filme.
O movimento é tenso e lento, mas justificável e compreensível. Ali, como nas outras quase duas horas de projeção, temos alguém com domínio do meio, um diretor de talento que parece estar no quarto ou quinto longa-metragem do gênero, e que ainda tem perceptível algo a dizer. Vemos o medo e a incerteza, o ódio e o sangue, da família e o escorrido. Tudo em meio a algo que, como ela, sempre teremos: a dúvida.

Visto no Espaço Unibanco/Cine Glauber Rocha – Salvador, outubro de 2010.

PS Infeliz: Único filme visto na semana.
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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.

<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg”><img title=”70 MM” src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/70-MM2.jpg” alt=”” width=”559″ height=”95″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”><a href=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg”><img class=”aligncenter size-full wp-image-30092″ title=”Final 3″ src=”http://www.pimentanamuqueca.com.br/wp-content/uploads/Final-3.jpg” alt=”” width=”42″ height=”13″ /></a></p>
<p style=”text-align: center;”>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> | <a href=”http://www.ohomemsemnome.blogspot.com”>www.ohomemsemnome.blogspot.com</a></p>
<p><em><img class=”alignright” src=”http://roteiroceara.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/09/BLOG2_viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo_cultura.jpg” alt=”” width=”368″ height=”182″ />Viajo porque preciso, volto porque te amo</em> (<em>idem</em> – Brasil, 2009), de Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>, <em>Madame Satã</em>) e Marcelo Gomes (<em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>), é um <em>road-movie </em>experimental (também por isso inevitavelmente irregular) que tem de melhor o que de melhor seus dois diretores podem oferecer – especialmente Aïnouz. É um filme em um meio, o semi-árido nordestino, e sobre sentimentos – carinho, amor, rejeição – já visitados por ambos, mas trata também e principalmente das divagações e aflições do personagem principal.</p>
<p>Faz sentido dizer que a maioria dos planos de <em>Viajo porque preciso…</em> não tem significado concreto ou função narrativa. Do mesmo modo, praticamente tudo aquilo que visa o horizonte e paisagens afins dura mais que o que o plano de fato mostra – mas esses fatos são menos um demérito que uma defesa da contemplação. E ainda que muitas vezes simplesmente não haja o que ser contemplado, faz parte do personagem esse sentir-se parado – a agonia e o tédio do personagem chegam a nos atingir, às vezes, sem eufemismo algum</p>
<p>Em filme que se assume tão ou mais experimental quanto narrativo, temos aí, no entanto, talvez – e paradoxalmente – uma tentativa de evitar uma monotonia que a ideia do filme sugere. Quase tudo não acontece em cena, mas na cabeça do personagem principal, a escrever suas cartas – trata-se de um filme epistolar de mão única. Como, então, filmar isso – algo tão ligado a um diário, algo a princípio tão anti-audiovisual?</p>
<p>Não temos uma resposta, mas uma opção arriscada, na qual os melhores momentos vêm de depoimentos (prostituta falando em vida-lazer, por exemplo), quando percebemos que os dois souberam extrair uma sinceridade tocante que emana daqueles que dirigem. Isso sem falar do personagem como entrevistador/provocador, em situação que nos liga inevitavelmente a ele fazendo o papel de diretor.</p>
<p>Esse caráter experimental, contudo, pode camuflar desnecessários tremeliques de câmera ao mostrar o personagem em meio à sua jornada, uma vez que não dá para chamar de experimental (ou dar qualquer mérito aqui) o que já virou um quase padrão – a câmera na mão nos dias de hoje.</p>
<p>Ainda assim, vale dizer que os altos do filme atingem um nível de sensibilidade que vem, entre outras coisas, justamente dessa abstração da narrativa convencional: da por vezes completa imersão em um mundo acima de tudo sensorial. Torto, talvez fatalmente torto, talvez o mais fraco trabalho de ambos, mas com momentos de coragem e brilhantismo bem-vindos.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>8mm</span></h2>
<p><strong>Paixão do visível</strong></p>
<p style=”text-align: left;”><em><img class=”aligncenter” src=”http://harpymarx.files.wordpress.com/2009/03/sylvia2.jpg” alt=”” width=”480″ height=”270″ />Na Cidade de Sylvia</em> (<em>En La Ciudad de Sylvia</em> – Espanha/ França, 2007) é meu primeiro contato com José Luis Guerín, catalão que teve três de seus longas exibidos no Panorama Internacional Coisa de Cinema. (Alguém sabe falar sobre?)</p>
<p>Guerín se mostra preocupado com a cidade, às vezes mais que com seus dois personagens principais, ou – o que pinta com alguma prioridade – as relações entre personagens diversos e o lugar onde vivem. No entanto, a busca dele (Xavier Lafitte) por ela (Pilar López de Ayala) é interessante a ponto de causar angústia quando algo foge do esperado. Ele desenha e retrata a cidade, é ele o mais afetado e sobre quem é o filme, é ele que não sabemos de fato o que sente, viveu ou viu; mas é ela que magnetiza a tela quando aparece.</p>
<p>Todavia, e felizmente, o filme vai além da contemplação de um sensacional rosto de uma boa atriz. Pode-se entrar em longas discussões e análises sobre memória e imagem, sobre miragem e dúvida; em uma palavra, sobre cinema. E, o que é melhor, através do cinema.</p>
<h2><span style=”color: #800000;”>Filmes da semana<br />
</span></h2>
<ol>
<li><strong>Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009), de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Cine Vivo) (***)</strong></li>
<li><strong>Batalha no Céu (2008), de Carlos Reygadas (sala Walter da Silveira) (***1/2)</strong></li>
<li><strong>O Refúgio (2009), de François Ozon (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***)</strong></li>
<li><strong>O Profeta (2009), de Jacques Audiard (Espaço Unibanco – Glauber Rocha) (***1/2)</strong></li>
<li>O Demônio das 11 Horas (1965), de Jean-Luc Godard (DVDRip) (****)</li>
<li>Na Cidade de Sylvia (2007), de José Luis Guerín (DVDRip) (***1/2)</li>
</ol>
<p>______________</p>
<p><strong>Leandro Afonso</strong> é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.</p>
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