skip to Main Content
12 de abril de 2021 | 02:19 pm

PERGUNTE AO PÓ

Tempo de leitura: 2 minutos

O anúncio do secretariado baiano pelo governador Jaques Wagner vem sendo aguardado ansiosamente pela esfera pública. É preciso, contudo, enfrentar pressões, livrar-se, até mesmo, de aliados incômodos.

Sócrates Santana

Não existe governo de continuidade no Brasil. Enquanto o ciclo político brasileiro for intercalado por incipientes intervalos de tempo, os ânimos da esfera pública no país sempre estarão voltados para as urnas. Por isso, volta e meia, a opinião pública é confrontada periodicamente com novos rearranjos das forças, que no âmbito governamental exercitam elasticamente o significado corriqueiro da política: distribuir poder.

Tal qual uma grande cidade, o mundo político e moral no país está minado por caminhos subterrâneos, porões e esgotos. Sobre essas conexões e condições de ocupação ninguém parece refletir ou pensar. É natural que governadores (reeleitos ou não), retardem um pouco mais a composição dos governos, porque, uma peça fora do lugar nem sempre pode ser deslocada ou tão pouco substituída. O exemplo da administração municipal da capital baiana é o exemplo mais pulsante hoje.

A questão chave, porém, não é que o governante possa fazer o que lhe aprouver. Ninguém pode, por si só, apreender adequadamente tudo que se passa internamente dentro de cada partido, menos ainda do governo. Só se pode visualizar e experimentar um novo governo entendendo-o como algo que é compartilhada por muitas pessoas, percebendo o que está entre elas, que as separa e as une, revelando o que há de diverso em cada uma dessas forças.

De nenhuma forma, isso pode ser encarado como loteamento do Estado. Exercitar o diálogo nessas horas aumenta o lastro dos governos na medida em que muitos atores falam, trocam opiniões e perspectivas em mútua contraposição.

O anúncio do secretariado baiano pelo governador Jaques Wagner vem sendo aguardado ansiosamente pela esfera pública. É preciso, contudo, enfrentar pressões, livrar-se, até mesmo, de aliados incômodos. Este é o momento de refutar idéias erradas e pôr em prática idéias corretas, embora quase ninguém seja capaz de enxergar isso no momento em que é preciso brigar por elas.

O espaço público da aventura e do empreendimento desapareceu após as eleições. Ao líder exige-se – tão somente – a capacidade de iniciar uma nova jornada e buscar companheiros para ajudá-lo a realizá-la.

Wagner não deve temer reiniciar novamente ações de governo todas as manhãs, todos os dias, ao longo de todo o mandato. Mas prever as dificuldades para as quais os melhores intelectuais não tem resposta consagrada, diante das quais os assessores também se revelam inseguros e divididos, é uma tarefa que cabe exclusivamente ao governador.

Sócrates Santana é jornalista.

Esta publicação possui 0 comentários
  1. Zelão diz: – Não me parece

    (…Diga que eu o convidei, mas voce agradeceu e não aceitou o convite). Frase atribuída a Tancredo Neves, a um correligionário, diante da insistência do mesmo em ser nomeado secretário do governo de Minas Gerais.

    Não vejo lógica nos argumentos de que; um governante reeleito, salvo por se deixar quedar diante das presões, tenha que sofrer as “dores de parto,” para formar o seu secretariado.

    Tendo já convivido por quatro anos, período de um mandato, com as “forças aliadas” que dão sustentatação ao governo, um bom governante deixa bem claro o seu perfil de político e de administrador e qual o perfil que exige dos seus colaboradores, o que inibe de logo as pretenções daqueles que não se enquadram no perfil exigido.

    Só um político vacilante admite sofrer pressões e com isso sinaliza aos oportunistas, com a oportunidade de exercer ilegítimas pressões. Com todos os defeitos que lhe eram atribuídos, o político ACM, não se deixava pressionar e nem mesmo os oportunistas ousavam tentar.

  2. O articulista acima defende bem a tese, mas, infelizmente, o funcionalismo público não entende isso, porque, enquanto o governador não define o secretariado, as pessoas não querem trabalhar. É claro – e o articulista fez bem em criticar primeiro o modelo político que faz eleições de 2 em 2 anos – que a nossa ansiedade é porque as coisas não funcionam e torcemos para que voltem ao normal, mas, sem dúvida, pior ainda é a confusão de administrações que toda hora trocam de secretariado e nomes, da cabeça até o gari da esquina.

  3. Perdoe-me o Sr. Sócrates, que não sei quem é, mas o texto dele me deixou preocupado. Será que estou ficando senil e não consigo apreender o que ele quis dizer?
    Em primeiro lugar não consigo entender o que sejam “incipientes intervalos de tempo” e em segundo lugar o parágrafo que a seguir transcrevo, mpara mim, não diz absolutamente NADA.

    Não existe governo de continuidade no Brasil. Enquanto o ciclo político brasileiro for intercalado por incipientes intervalos de tempo, os ânimos da esfera pública no país sempre estarão voltados para as urnas. Por isso, volta e meia, a opinião pública é confrontada periodicamente com novos rearranjos das forças, que no âmbito governamental exercitam elasticamente o significado corriqueiro da política: distribuir poder.

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top