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12 de abril de 2021 | 12:50 pm

ORIGEM DE ALGUNS DITADOS POPULARES

Tempo de leitura: 2 minutos

Marival Guedes | marivalguedes@yahoo.com.br

 

O vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa. Porém, descobriram que o burro havia sido treinado.

Li o livro do jornalista Mário Prata sobre a origem dos ditados populares e comentei com o escritor Antônio Lopes, que acrescentou algumas informações. Decidi compartilhar com os leitores do Pimenta:
Lavar a égua- Os escravos faziam o papel de garimpeiro. Pra ficar com “o que lhe era de direito” colocavam o ouro em pó nos cabelos. Os portugueses descobriram e mandaram raspar a cabeça. O transporte era feito em mulas, éguas. O ouro em pó só brilha no sol e os escravos passaram a colocá-lo nos animais para sair das minas beneficiados. Para pegar o produto lavavam o animal para que o ouro se desprendesse. Lavavam a égua.

Será o Benedito? – Não se refere ao santo nem ao polêmico jornalista Ederivaldo Benedito. Era Benedito Valadares, político ladino. Em 1933 diante da hesitação do governo em nomear o interventor de Minas Gerais, o povo temendo que optasse por ele, o pior de todos, perguntava-se: “Será o Benedito?”. E foi.

Pra inglês ver – Surgiu quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, eram criadas apenas “pra inglês ver.” se refere à

Ok – Significa tudo bem e teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Quando os soldados voltavam para as bases sem baixa na tropa, escreviam satisfeitos numa placa “0 Killed” (nenhum morto).

Casa da Mãe Joana – É isto mesmo que você está pensando. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença (1326-1382), liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: “que tenha uma porta por onde todos entrarão”.

Conto do vigário – Duas igrejas em Ouro Preto foram presenteadas com uma imagem de santa. Para verificar qual das paróquias ficaria, os vigários resolveram deixar por conta da mão divina, ou melhor, das patas de um burro. Exatamente no meio do caminho entre as duas igrejas, soltaram o animal. Para onde ele se dirigisse, teríamos a igreja felizarda. O vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa. Porém, descobriram que o burro havia sido treinado para seguir o caminho da igreja vencedora. Assim, conto do vigário passou à linguagem popular como golpe, falcatrua.

Cuspido e escarrado – De extremo mau-gosto, que popularmente significa uma pessoa parecida com outra, na verdade se originou de uma bela frase “esculpido em carrara”, já que o mármore italiano era usado por artistas que faziam esculturas idênticas aos seus modelos.

O pior cego é aquele que não quer ver – Em 1647, na França, o médico Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão chamado Angel. Foi um sucesso, mas o paciente assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que imaginava era muito melhor e pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi ao tribunal de Paris e Vaticano. Angel ganhou a causa e ficou conhecido como o cego que não quis ver.

 

Marival Guedes é jornalista.

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