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26 de janeiro de 2021 | 11:44 am

AS COLIGAÇÕES E OS PREFEITURÁVEIS

Tempo de leitura: 3 minutos

Marco Wense

A esperança de Azevedo e de Geraldo é o mandonismo que impera na cúpula estadual das legendas.

Se os diretórios municipais tivessem autonomia para decidir sobre coligações e candidatos, os partidos seriam classificados em dois blocos: o de apoio ao prefeito de plantão e o de oposição.
Não é assim. Os blocos são formados por legendas governistas e oposicionistas em relação ao governo estadual. A vontade tupiniquim é triturada pela cúpula dos partidos.
Os senhores dirigentes partidários ficam aborrecidos, tiriricas da vida, com os comentários de que eles não decidem nada. É o manda quem pode, obedece quem tem juízo.
As coligações interioranas, independente do tamanho e da importância do município, estão hierarquicamente subordinadas aos interesses das lideranças que controlam as legendas.
A manchete do jornal Agora, do último fim de semana – “Azevedo rompe com o PP e adota o PTB como aliado” –, é a prova inconteste de que o comando estadual dos partidos vai interferir na eleição de 2012.
A orientação, ou melhor, a ordem de rompimento partiu da cúpula do DEM. O PP, que tem como secretário-geral Jabes Ribeiro, ex-prefeito de Ilhéus, integra a base aliada do governo Wagner (PT).
Neste quesito, quando os interesses lá de cima estão sendo contrariados, todos os partidos são iguais. São farinhas do mesmo saco ou bananas do mesmo cacho.
O prefeito José Nilton Azevedo, por exemplo, ainda acredita em uma coligação do DEM com o PMDB de Renato Costa e dos prefeituráveis João Xavier, Leninha Duarte, Juvenal Maynart e Ruy Correa.

Capitão Azevedo (DEM)

A esperança do chefe do Executivo, eleito pelo DEM, depois de derrotar a petista Juçara Feitosa com uma frente de mais de 12 mil votos, tem consistência. Não pode ser menosprezada.
O apoio do DEM ao radialista Mário Kertész na sucessão de Salvador, com o deputado ACM Neto desistindo da pré-candidatura, pode jogar o PMDB de Itabuna no colo do prefeito Azevedo.
Saltam aos olhos – e não precisam ser tão grandes como os da coruja – que entre uma candidatura própria do PMDB e a conquista do Palácio Thomé de Souza, os irmãos Lúcio e Geddel Vieira Lima ficam com a segunda opção.
Esse mandonismo da cúpula estadual pode também beneficiar o PT, já que o deputado Geraldo Simões aposta em uma coligação com o PSB, PDT, PCdoB, PV, PRB e PP em torno da ex-primeira dama Juçara Feitosa.
Os democratas, tendo na linha de frente a incansável Maria Alice, que preside o DEM de Itabuna, sonham com uma composição com o PSDB, PR, PTB, PPS, PTN e PMDB.
Uma coisa é certa: sem mostrar qualquer perspectiva de vitória, nenhum prefeiturável, seja do bloco governista ou de oposição ao governo Wagner, será candidato na eleição de 2012.
As exceções ficam por conta de quem não tem nada a perder no processo sucessório: os radicais candidatos do PSTU e do PSOL com suas metralhadoras giratórias.

CASTRO VERSUS ADERVAN

O deputado estadual do PSDB, Augusto Castro, além de cometer uma ingratidão inominável com José Adervan, compra uma briga desnecessária com o presidente do diretório municipal.
Adervan defende candidatura própria com o arquiteto Ronald Kalid. O parlamentar quer o apoio da legenda para a reeleição do prefeito José Nilton Azevedo (DEM).
Augusto sabe que o caminho natural do PSDB de Itabuna é não ter candidato próprio. Não precisa lançar mão da pirraça para agradar o prefeito de plantão.
Vale lembrar que Castro, quando lançou sua candidatura à Assembleia Legislativa, teve as páginas do Jornal Agora como uma espécie de cabo eleitoral sofisticado e não-remunerado da sua campanha.
Dois bicudos não se beijam, mas se bicam. O coitado do tucano, símbolo do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), vai terminar todo depenado.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

Esta publicação possui 0 comentários
  1. Wense fez uma análise detalhada e pertinente. Mas, vale a pena frisar que os partidos citados; PSB, PDT, PCdoB, PV, PRB e PP, fazem parte da base aliada e tem cargos importantes no governo estadual e portanto, devem formar com o PT em Itabuna. Já Azevedo, não pode depositar tantas esperanças no apoio do PMDB. Explico; Vita é secretário da cota particular do prefeito e Ricardo Xavier, como já foi dito pelos blogs, está no governo por forças de acordos com Pinheiro. Logo, o PMDB não faz parte do governo Azevedo.

  2. Sr Wense está errado.
    Os partidos precisam, sim, ter uma linha programática e de coerência. Nas democracias, não existe nada mais importante que a OPOSIÇÃO. É a existência da oposição que dá o equilíbrio e mantem na linha quem governa. A oposição é maioria nos Estados Unidos e na Inglaterra, duas das maiores democracias do mundo.
    A oposição só é minoria no Brasil, onde ao invés de fiscalizar quem governa, preferem aderir para roubar junto!
    No Brasil, com tanta roubalheira, quem faz a fiscalização (papel indelegável da oposição) é a imprensa. Por isto estamos neste lodaçal de bandalheira.

  3. Parlamentar mau intencionado, que quer esse prefeito reeleito em Itabuna? só se os itabunenses não tiverem vergonha na cara, menos um deputado para a gente votar.

  4. Caros amigos, é importante salientar a falta de uma consciência política por parte dos nossos munícipes. Vivemos numa cidade de xepas. Qual a diferença entre F. Gomes, Azevedo, G. Simões, J. Feitosa, Roberto Minas Aço, Adervan? Todos são farinha do mesmo saco. Isso significa o mesmo continuísmo de sempre. Sabemos que a elite itabunense jamais apoiará mudanças nessa conjuntura política que vivemos em nossa cidade. Pois embora todos se queixem, jamais largarão o osso.

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