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28 de setembro de 2020 | 03:47 am

SAIA JUSTA NO GENUFLEXÓRIO

Tempo de leitura: 2 minutos

"Pai, livrai-nos desses políticos estúpidos! Amém!"

O Pai Nosso obrigatório do vereador Gurita, chancelado pelo prefeito Newton Lima, foi o assunto mais comentado na semana por estas plagas e alhures, pois ultrapassou as fronteiras ilheenses e mais uma vez divulgou a inesgotável capacidade dos conterrâneos de produzir besteiras.
Sucede ao ato legislativo, sancionado pelo Executivo, um festival de argumentos tolos, emitidos por gente do governo, inclusive a ilustre secretária da Educação, que deveria – pelo cargo que ocupa – preocupar-se um pouco mais ao abrir a boca. Sim, porque uma estupidez proferida por um educador é sempre mais grave.
Como a questão se transformou também num debate entre religiosos e agnósticos, cristãos e ateus, é preciso ressaltar que o menos importante nessa discussão é exatamente o aspecto religioso. Não se trata de ser contra o Pai Nosso ou contra Deus, pois a celeuma se resolve na base da lei. Aliás, da Constituição Federal, a chamada lei maior.
Pela Constituição, na qual se assenta o Estado brasileiro e que é o eixo de todo o ordenamento jurídico, este é um país laico onde vigora a liberdade religiosa. Todos são livres para professar sua fé, mas ninguém pode ser obrigado a adotar ritos de qualquer religião.
Não importa que o vereador Gurita ou este blogueiro admire a ideia de que as crianças rezem o Pai Nosso em sala de aula. Essa é uma questão de preferência, de afinidade, mas não pode ser convertida em lei, pois esta será inconstitucional, pelo menos até que mudem o ordenamento jurídico.
As escolas precisam de muitas coisas, entre elas novos recursos pedagógicos para estimular os alunos e prepará-los de fato para a vida; mais incentivo aos educadores, em termos financeiros e de formação; melhor estrutura; mais interação com a comunidade… Podem precisar também de muita oração, mas isso pode ser no máximo uma opinião e nunca uma norma.
A tal lei do Pai Nosso obrigatório, além de inócua, pode até criar repulsa nas crianças, que em geral não se dão muito bem com imposições. Lei inconstitucional e burra, portanto. Não deveria ter sido proposta, muito menos aprovada pela Câmara de Vereadores e menos ainda sancionada pelo prefeito, que ficou de saia justa no genuflexório depois de referendar a “guritada”.

Esta publicação possui 0 comentários
  1. O “causo” é o seguinte: Para rezar, geralmente, é necessário ter motivos, coisas para se pedir, então, …?!?!?!
    1 – Rezar para que o município não tenha mais buracos nem lixo espalhado pelas ruas;
    2 – Rezar para que a biblioteca mnicipal não feche as portas, e a educação pública municipal seja de qualidade;
    3 – Rezar para que os turistas voltem, mesmo sendo destratados;
    4 – Rezar para não ser roubado e/ou assaltado, seja na rua ou dentro de casa, assim como para não se encontrar com uma bala perdida;
    5 – Rezar para não pegar dengue;
    6 – Rezar para não ter mis buracos nem poças d’água na porta das escolas e creches municipais;
    7 – Rezar para que os políticos tomem vergonha na cara e não mandem mais projetos bobos para com o escopo de fazer o povo de besta.
    Além de muitas outras coisas, …!!!
    Pelo jeito, Deus irá se manter ocupado por muito tempo, coitado, …!!!
    Pelo menos os políticos municipais ainda estão melhores que o (des)governador do estado pois, por enquanto, só estão mandando rezar, …, ainda não começaram a fazer promessas que nunca cumprem, …!!!

  2. Caso o país seja “tão laico” como se fala, o que dizer dos feriados “santificados”?
    Acredito que o ensino religioso deve ser orientado em casa, pela família, e nas igrejas que cada um deseja frequentar.
    Afora isso, temos as escolas confecionais e até faculdades e universidades. Fui aluno da Univ Católica do Salvador e tivemos dois semestres de aulas da disciplina Teologia. Em Itabuna temos o Colégio Adventista,Colégio Batista e AFI que devem tem alguma atividade voltada para a fé que os levaram a abrir uma escola. Bem que os alunos não são obrigados a assistirem as mesmas.

  3. Tanta asneiras, desde quando rezar ou orar resolve alguma coisa. Hitler era cristão católico, o estudante que matou várias pessoas na Noruega era cristão, o jovem que matou várias crianças no Rio de Janeiro era deísta acreditava em Deus. Bush é evangélico mandou invadi vários países e matou milhares de pessoas, Obama é evangélico também e mandou daqui do Brasil bombardear a Líbia, os Cruzados mataram milhões de pessoas e tudo isso em nome de quem? de Deus. ter religião não determina caráter de ninguém. rezar ou orar não resolve problema na educação e nem em coisa alguma. religião é escolha pessoal e não deve ser imposta. viva a liberdade religiosa e o Estado laico.

  4. Amigos,dizer que Hitler era cristão é absurdo. Cristão é aquele que segue o que disse Jesus. Também não foram apenas os cruzados que mataram milhões. Matamos às vezes muito mais ao lembrar com veemência da nossa Constituição e esquecer que ela celebra vários pontos que nunca são lembrados. E o salário-mínimo? O projeto de lei é realmente inconstitucional mas porque não lembramos de tantos itens da Carta Magna que não são respeitados? Deixemos as crianças ao menos terem um momento de oração. E que não seja exigida a presença de todos, mas que se respeite esse momento pois é encontro com Deus. E que se respeitem os ausentes pois eles também são filhos de Deus. Seria a vitória do espiritual sobre o material. Seria um pedacinho do céu aqui na Terra. Deus seja louvado.

  5. É para isso que são usados os nossos impostos. Vai ver que forçar a gente a orar o Pai Nosso, seria uma forma de nos fazer a apelar para um milagre, isso desde a Escola, para que peçamos que Deus melhore as nossas vidas, pois eles, os nossos políticos são eleitos para melhorar a vida da gente, mas só melhoram mesmo a vida deles e na base do “venha a nós o Vosso reino”. Quanto a nós, os eleitores, que sejam feita as Vossas vontades, senhores “legisladrões”, ops, digo, “Legisladores”!

  6. DISCORDO DESSA LEI TOTALMENTE, MAS É BOM QUE SE REGISTRE ALGUMAS COISAS:
    1- O BRASIL É UM PAÍS LAICO? POR QUE ENTÃO TEMOS TANTOS FERIADOS CATÓLICOS E NENHUM EVANGÉLICO,BUDISTA,MULÇUMANO OU DE QUALQUER OUTRA RELIGIÃO?
    2 – SE O BRASIL É UM PAÍS LAICO POR QUE A GRANDE MÍDIA (TV ABERTA), NÃO DÁ NENHUM DESTAQUE AOS EVENTOS DE OUTRAS RELIGIÕES E SÓ DESTACA AS FESTAS CATÓLICAS/ESPÍRITAS?
    3 – SE O BRASIL É UM PAÍS LAICO, POR QUE AS DEMAIS RELIGIÕES NÃO TEM AJUDA NA CONSERVAÇÃO DOS SEUS TEMPLOS COMO A RELIGIÃO PREDOMINANTE TEM?
    4 – SE O BRASIL É UM PAÍS LAICO, POR QUE NO CONGRESSO EXISTE BANCADA EVANGÉLICA E BANCADA CATÓLICA?
    5 – SE O BRASIL É UM PAÍS LAICO POR QUE ALGUNS CANDIDATOS USAM AS SUAS RELIGIÕES PARA SE AUTO-PROMOVEREM? ISSO VALE PARA CATÓLICOS E EVANGÉLICOS PRINCIPALMENTE.
    VEMOS QUE NA VERDADE O BRASIL NÃO É LAICO COISA NENHUMA E CADA UM USA A FORÇA DA SUA RELIGIÃOS PARA APLICAREM A FAMOSA “LEI DE GERSON”.

  7. Cara! Acho que já disse tudo que penso sobre esse caso em comentários anteriores. Não vou entrar no mérito dessa “gorgotagem” agora.
    Quero apenas parabenizá-lo por este artigo, especialmente no trecho em que você diz:
    “As escolas precisam de muitas coisas, entre elas novos recursos pedagógicos para estimular os alunos e prepará-los de fato para a vida;”
    Quando igressei na lida pedagógica, li algumas dezenas de livros sobre essa práxis tão importante para a formação e transformação de nossos cidadãos.
    Os livros que mais me chamaram a atenção foram os de Paulo Freire. Em um deles, Educação e Mudança, Freire assim define Educação:
    “Educar é preparar para o mundo!”
    E você disse muito bem: Preparar para o mundo é preparar para a vida!
    Aí sim, está toda a nossa responsabilidade! Comnpete aos mestres oferecerem aos alunos todos os conhecimentos (e exemplos) necessários à sua formação plena. Condições para que desenvolvam – eles próprios – o caráter e a personalidade.
    O Mestre nada impõe: OFERECE. Cabe ao aluno tirar o melhor proveito dos ensinamentos. Isto se chama aprendizagem. Contudo, aprendizagem não significa que o aluno vá concordar plenamente com tudo que está sendo ensinado! Freire, mais uma vez, afirma que o bom mestre não é aquele que ensina o que os alunos irão fazer em termos conceituais, atitudinais e comportamentais. Mas, sim, aquele que é capaz de fazer os alunos enxergarem além dos próprios muros da escola.
    Nessa afirmativa de Freire está a necessidade do desenvolvimento do senso crítico para a superação do status quo. Esse indivíduo crítico não mais estará somente “no mundo”, mais também “com o mundo”, sendo capaz de, pela leitura do mundo, modificá-lo para melhor.
    Fico por aqui…
    Saudações!
    Souza Neto

  8. Errata do meu comentário anterior:
    – Onde se lê: “igressei”; leia-se: “ingressei”.
    – Onde se lê: “Comnpete”; leia-se: “Compete”.
    Souza Neto

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