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7 de julho de 2020 | 07:36 am

PARA QUE SERVEM AS PESQUISAS ELEITORAIS?

Tempo de leitura: 2 minutos

Agenor Gasparetto | www.agenorgasparetto.zip.net

Se você pensou que divulgação de pesquisas era informação, passa a saber, portanto, que, salvo exceções, é propaganda. Propaganda em grande estilo.

Se você estiver pensando que pesquisas eleitorais divulgadas servem para  informar, você está errado na maioria dos casos.  Com exceção das pesquisas divulgadas regularmente por veículos de comunicação, com calendário prévio, todas as demais não tem na informação sua principal motivação. A informação é apenas o pretexto.

O que são, então?, você indaga.  São propaganda disfarçada de informação. Atendem primeira e prioritariamente a propaganda. A informação que portam é o que dá a essa propaganda, digamos, ares de credibilidade.

E, então, você pergunta, com justiça, claro: e a Justiça Eleitoral? Carimba essa propaganda, que ainda tem a assinatura de um estatístico. Imagino que publicitários e marqueteiros deveriam estar protestando contra os estatísticos por ocuparem seu espaço.

Se você pensou que divulgação de pesquisas era informação, passa a saber, portanto, que, salvo exceções, é propaganda. Propaganda em grande estilo. Bem, essa é a regra do jogo e esse é o mercado. E esse é o sistema.  Portanto, nada de errado.

Mas… você ainda insiste.

Claro que há outra funções que a pesquisa desempenha. (Estou falando apenas das pesquisas tecnicamente bem conduzidas, obviamente).  Muitas funções outras são desempenhadas. Por exemplo. Uma aposta sobre o resultado e a diferença de voto em uma eleição municipal entre o contratante e, digamos, um caboclo endinheirado, entusiasmado, mas mal informado desses  vastos grotões desse imenso país. Há quem faça pesquisa para fazer a aposta certa e ganhar um bom dinheiro.

Certa feita, após uma eleição, um cliente comentou num misto de justa indignação, pois a diferença na eleição sugerira a ele que poderia ter gasto menos dinheiro. Obviamente, não procede tal comentário, pois a compra de votos não existe neste país. Isso é coisa de mexicano e seu PRI, que o diga o seu presidente recentemente eleito.  O Brasil, ao contrário do que andou dizendo um general-presidente francês, é um país sério.

Bem, pelo menos uma pesquisa serve para contrastar outra pesquisa, deixando o eleitor em dúvida. As pesquisas assumidamente falsas tem esse lado positivo e contribuem para o eleitor, afinal, pensar por si mesmo, exigem que o eleitor passe a pensar.  Nem tudo, definitivamente,  está perdido. Alguém é induzido a pensar.

Agenor Gasparetto é diretor do Instituto Sócio-Estatística.

Esta publicação possui 6 comentários
  1. Que pesquisa de opinião tem seu valor não apenas como propaganda, principalmente para quem está liderando um processo eleitoral isso não se discute. Em todo caso, o importante é lembrar que tal ferramenta pode nortear ou manipular a sociedade e quando o assunto é política é complicado entender o que é “grande estilo”. A responsabilidade social de quem desenvolve esse trabalho é grande, ainda mais quando temos uma população que em sua maioria “vota” no candidato que “está na frente”, revelando uma ausência total de consciência política. Assim, não me parece conveniente que profissionais ligados a “Institutos de Pesquisa” assemelhem-se demasiadamente ou mantenham por exemplo vínculos muito estreitos com segmentos e pessoas da vida política e infelizmente em muitos casos não é o que percebemos em nosso meio regional, onde observamos em adição que muitas organizações que trabalham proximo a mídia (NÃO TODAS, QUERO DEIXAR CLARO !!!), dependendo do interesse pessoal de quem as conduz, ficam vermelhas, azuis ou verdes e isso, infelizmente, ocorre como não poderia deixar de ser com muitos dos nossos chamados “Institutos de Pesquisa”.

  2. Muito bom e importante o pimenta ouvir Gasparetto.
    Sempre confiei em sua lisura; imparcial. Sempre que o encontro e o argumentado, me responde com finura.
    Parabéns para os dois.

    Ex aluno da UESC

  3. Zelão diz: – Com a sua permissão, mestre!

    “Sendo a pesquisa uma ferramenta indispensável ao marketing – muito mais que a propaganda – não vejo por que deva existir conflito entre o publicitário marqueteiro e o sociólogo.”

    Vejo também em discordância, que como parte da estratégia de comunicação estabelecida para um produto, conceito, imagem ou idéia, a divulgação da pesquisa – lógico que favorável – tem como um dos seus fatores intrínsecos, demonstrar a aceitação e o atendimento do objetivo junto ao público alvo. No caso especifico das campanhas eleitorais, o de demonstrar, através da credibilidade de uma pesquisa honesta, que a “liderança” é fruto da opção da maioria. Afinal, no sistema eleitoral democrático, a vitória deve ser o consenso da maioria.

  4. GRande Gaspar tive a honra de ser seu aluno no curso de geografia e assim galera esse aí sabe o que diz. O considero um grande intelectual.

  5. Nas eleições de 2008 o professor foi infeliz nas sondagens para Itabuna. Uma empresa de fundo de quintal de Jequié foi quem acertou na mosca o que daria nas urnas.

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