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8 de abril de 2020 | 12:29 pm

UNIÃO PELO CACAU

Tempo de leitura: 2 minutos


Helenilson Chaves

Espera-se, em caráter imediato, uma medida que impeça a importação desenfreada de cacau, absolutamente desnecessária neste momento.

É com satisfação que vemos a iniciativa dos produtores de cacau do Sul da Bahia de promover manifestação contra a importação de cacau. Um movimento que não deve se limitar aos produtores, mas a toda sociedade organizada.
Por conta da queda na produção de cacau brasileira, a importação de amêndoas da África e da Ásia se tornou necessária para manter as indústrias em funcionamento.
Ocorre que nos últimos dois anos, a safra brasileira vem apresentando um processo contínuo de recuperação, chegando a 137 mil toneladas na safra 2012/2013. E a tendência é de que esse volume aumente na próxima safra.
Com isso, o que era solução, se transformou em problema. A manutenção das importações faz com que as indústrias processadoras deixem de comprar o cacau nacional. E com oferta crescente, os preços despencam, chegando a irrisórios 58 reais a arroba. Um valor que não cobre nem os custos de produção.
É importante observar que mesmo com dividas astronômicas e dificuldades para a obtenção de novos créditos, os produtores sul baianos, dotados de notável espírito empreendedor, conseguem retomar a produção e delinear um quadro em que o cacau volte a ser um fator preponderante na economia regional, com a necessária ressalva que não se pode mais pensar em monocultura.
Mas, por outro lado, não se pode tratar o cacau como uma cultura irrelevante, que já deu o que tinha que dar.
E é aí que entra a necessidade de uma ação governamental mais efetiva, transformando em realidade projetos de recuperação da lavoura, como o PAC do Cacau.  É o mínimo que se pode esperar como retribuição a um produto que tanto contribuiu com a economia do Brasil e da Bahia e que ainda tem muito oferecer aos sul-baianos.
Espera-se, em caráter imediato, uma medida que impeça a importação desenfreada de cacau, absolutamente desnecessária neste momento; além do risco de introdução de novas pragas numa lavoura que já sofreu o suficiente com a vassoura-de-bruxa.
Um dos grandes pecados do produtor de cacau ao longo de décadas foi o excessivo individualismo, a completa ausência de espírito coletivo, a incapacidade de mobilização.
A manifestação contra a importação de cacau pode sinalizar um novo paradigma, em que a soma de esforços de uma sociedade que luta para se reerguer, resultará numa união permanente, que nos tornará fortes o suficiente para sermos ouvidos e atendidos em nossas justíssimas reivindicações.
Helenilson Chaves é diretor-presidente do Grupo Chaves.

Esta publicação possui 0 comentários
  1. O Brasil é o maior exportador de commodities agrícolas do mundo , queremos cada vez mais mercado para nossos produtos, queremos mais empresas comprando nossos produtos, natural que façamos importação de produtos que não temos, cabe a cada empresa decidir se vai comprar aqui ou importar e do livre comercio, isto beneficia muito mais o Brasil que atrapalha. Empresários estão errados, temos que verificar o motivo de empresas aqui instaladas comprem o cacau lá de fora e não baiano.

  2. minha teoria é a seguinte:
    havendo um excendente de produto no exterior, o Pais de origem da algumas facilidades tipo prazo de 12 meses para pagar. A empresa local aproveita esta oportunidade de comprar materia prima, processa e exporta.
    Sabendo que a logistica de exportadoras de cacau ja nao operam mais no Pais, o produto ficara dentro do Pais e acabara ficando para elas, assim criam mecanismos que garantam abastecimento de materia prima o mais barato possivel, nao se importando em sacrificar o produtor, la na frente ira oferecer preços vantajosos e novos investimentos serao feitos para garantir a continuidade do processo.
    A questao é a forma que tudo isso esta sendo executado sem a segurança que novas pragas possam ser intoduzidas na regiao e o ” Dumping” descarado sem que as autoridades responsaveis façam algo.
    A zona agricola cacaueira ja enfrente uma serie de problemas estruturais que os Govermos nao querem enxergar e a sociedade nao se mobiliza como deveria, exigindo o que é de direito: segurança no campo, em todos os sentidos.

  3. Parabens pela mobilizacao de produtores por esta justa reinvindicacao, torço que a sociedade se faça presente para mostar que algo tem que ser feito.

  4. Parabéns ao Helenilson pela opinião responsável e fundamentada. A lavoura cacaueira baiana já apanhou demais, processo que começou com o crime covarde da vassoura de bruxa. A união é condicionante para a sobrevivência.

  5. Zelão, diz: – Desunidos até na hora da morte
    “No período da ditadura militar oriunda do golpe de 64, os protagonistas da “direita” criaram um slogan para denegrir a imagem dos seus adversários da “esquerda:” – “No Brasil as esquerdas só se unem na prisão.”
    Em contrário, os produtores de cacau da Bahia, herdeiros da cultura do” isolucionismo”, na qual, cada homem que produzia nas suas roças, acima de duas mil arrobas de cacau, não precisava de ninguém e nem mesmo de se unir a outros produtores na defesa dos interesses comuns.
    Helenilson Chaves na sua entrevista, lamenta a falta de participação do produtor de cacau nas lutas em prol do fortalecimento da lavoura e por consequência, dos interesses individuais. A respeito disso; lembro-me de uma das muitas celebres frases do produtor Marcelo Gedeon na época em que foi presidente do CNPC: – “O produtor de cacau só é unido, quando é para derrubar alguém.”
    Sob essa perspectiva é que tememos; mesmo agora que a lavoura do cacau já não tem a mesma importância econômica de antigamente, que o ato de protesto não receba o apoio devido e, que falte até “amêndoas” para serem queimadas.

  6. A Bahia têm têm Sem terra……? Ou A Bahia já teve? Em 1931 foi inaugurado o Instituto de cacau da Bahia,gerava milhões de emprego e renda,bons tempo! 1974 criado o CCPC. Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau.
    1984 esta instituição passa ser denominada de CNPC. Conselho Nacional dos Produtores de Cacau.
    Em 2011 o fogo destruíra a sede do Instituto de Cacau da Bahia.
    A representação teve,as instituições falam por se! Eu acredito o que faltou fora uma consciência interpessoal entre os produtores de cacau. Entretanto,não me vislumbra nenhum motivo que, hora venha acreditar no governo que há 12 anos governa este país, venha interceder em favor dos produtores do Cacau.
    Eu só acredito em uma eventual melhora com outro governo,que alias,é no próximo ano. Outrossim,deste mato não sai coelho,só
    sai Índio travestido de sem terra.

  7. To de olho, ninguém menciona em fazer barreiras a importação do cacau, entretanto, precisamos ter a garantia de colocação da nossa producao no mercado interno, diante insiguinificancia de volume que o cacau baiano tem no exterior, além disto, diante baixos volumes nao se consegue viabilidade logística para exportação. Acredito que além de muitos produtores de grande, médio e pequeno porte, tem muita família envolvida nesta monocultura que o governo federal, estadual e municipal nao podem e nao devem virar as costas!

  8. Seu Helenilson, cobra o cinema no Jequitibá ao seu filho aí por favor. Ele abriu a boca pra dizer que as obras começariam em Janeiro e estariam prontas em Outubro e não parece nem um pouco que isso vá acontecer.

  9. Helenilson, como um dos poucos que ainda luta, acredita e somos sabedores que e um apaixonado pelo cacau, PARABENIZAMOS, pelo espirito empreendedor e de guerreiro que vc tem. Toda região reconhece a luta travada dos produtores de cacau com a mantida vassoura trazida irresponsavelmente por um LOUCO. Em fim, precisamos traduzir sua iniciativa como empresário e emprendedor na política como um líder na câmara federal, gritando por nossa região e lavoura do cacau. Parabéns,

  10. O Brasil tem que proibir a entrada de cacau vindo de paises que, é de conhecimento de todos, usa mão de obra escrava e infantil para o cultivo e colheita, esta na hora do governo federal aderir ao chamado selo social que esta sendo combatido por muitas empresas que se utilizam de mão de obra escrava direta ou indiretamente, nomes? ai vão alguns NESTLE (por comprar cacau da costa do marfim), Nike (por se aproveiar da mão de obra escrava em diversos paises, no entanto ela nega dizendo que não tem fábricas e vende apenas a marca), e algumas outras mais onde o importante é o dinheiro.

  11. BURGUESES AMADIANOS FAZENDO MOVIMENTO PARA QUEIMAR CACAU
    Quem conhece a história do cacau no Sul da Bahia sabe que não a muito do que se orgulhar. Desde seu inicio que envolve assassinatos, coronelismo, escravidão de trabalhadores, caxixes. Por fim os herdeiros destes (DNA), que acostumados aos ganhos fáceis, oferecido por uma cultura que parecia ser eterna, tropeçaram na própria sorte, por falta de domínio e organização daquela que deveria ser sustentáculo de gerações. Bastou um minúsculo fungo adentrar para derrotar um exército de desorganizados. Uma cultura que não consegue agregar ,unir produtores em torno dos interesses comuns. Briga entre si, o orgulho, a vaidade, a empáfia de herdeiros que não sabem lidar com a cultura e que hoje diante das mudanças sociais, para melhor, encareceu a mão de obra que sempre foi farta e barata.
    Agricultores de fim de mês
    Mesmo com toda crise as roças de cacau se bem cuidadas ainda surte bons resultados, vejamos os exemplos do Norte, Rondônia e Pará. Na Bahia, em especial no Sul da Bahia, a grande maioria dos “Produtores de cacau” ainda vivem nos meios urbanos e grande parte na Capital. Só aparecem para pesar e vender o cacau que em grande parte é dado em meia. Enquanto isso a agricultura familiar avança e se organiza, ao ponto de se tornar o foco do Estado e do Governo federal.
    Protesto do dia 5
    Eu vejo como mais um fracasso, eles não sabem fazer um verdadeiro movimento, sempre viveiro em seus luxuosos palacetes e não sabem o que é brigar por aquilo que se deseja que de fato mude. Talvez a mudança venha por mais um filmezinho. Agora é fato! Se este protesto fosse realizado em Paris, eu não tenho dúvidas que iria lotar.
    Na verdade é a primeira vez que vejo as entidades representativas se unirem em um só objetivo, mas mesmo assim vão depender dos ônibus lotados de peões ou gente contratada no meio urbano para se deslocar dos vários município para enxertar o movimento. Os produtores de salvador estarão na sede da FAEB, no ar condicionado esperando os resultados. E os que moram no Rio, São Paulo, Brasília e etc.?.
    O orgulho
    “Os caras se juntam para poder pressionar o governo para ajustar o preço do cacau, mas não tem a capacidade de se organizarem para agregar valor ao cacau.” Pura verdade de Fuhrer.
    O produto está sem representação, e o cara que mais defende eles, por ironia,(Geraldo Simões) é o que mais eles atacam em sua lista de discussões que eu classificaria reduto de fofocas. Numa demonstração clara que estão despreparados, pois politica de grupo não se faz com o fígado e sim com a razão.
    A Ceplac que hoje é crucificada, já foi o sustentáculo, destes que hoje lhes viram as costas.
    Eu vejo que toda transformação na região como um fato natural e consequente de um modelo de exploração agrícola ultrapassado e só há duas formas de se resgatar a cultura do cacau:
    1- Que os cacauicultores regressem as suas propriedades e agregue valor a cultura;
    2- Que deixem o espaço aberto para a nova filosofia de exploração que é a AGRICULTURA FAMILIAR.
    Por Gustavo.Silva
    Gooogle.brasil@gmail.com

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