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14 de julho de 2020 | 07:41 am

VIOLÊNCIA AO VIVO

Tempo de leitura: 2 minutos

ricardo artigosRicardo Ribeiro | ricardo_rb10@hotmail.com

 
Não é incomum (muito pelo contrário) o repórter estar cobrindo um homicídio e ter ali bem perto dezenas de meninos e meninas, de 7 a 8 anos, talvez menos, na maior algazarra, como se estivessem numa festa.

 
O ritual diário de levar meu filho à escola, todas as manhãs, teve um ingrediente novo nesta sexta-feira, 15 de março de 2013. Seguíamos pelo nosso caminho de costume, quando deparamos com dois sujeitos discutindo – um deles saíra de um carro, o outro estava montado em uma moto. Eles simplesmente fecharam a rua para “bater boca” por alguma razão da qual não houve tempo nem condição de se tomar conhecimento.
Mas não era uma simples discussão: o cara do carro portava uma convincente pistola, que ele não só apontava como praticamente esfregava o cano no outro rapaz, com raiva, enquanto lhe segurava a parte de trás da camisa e intimava: “qual é a sua, meu irmão?” A essa altura, por precaução e instinto de sobrevivência, logicamente quem está na mira de uma arma não diz coisa alguma.
Estávamos a uns dez metros da cena e foram alguns segundos nos quais eu não soube o que fazer. Não tinha ideia dos motivos, quem estava certo e quem estava errado. Minha preocupação – confesso – era estar ali com meu filho, e ele prestes a ser apresentado à violência de um modo brutal. Outro receio, obviamente, era a possibilidade de um de nós ser atingido por uma “bala perdida”.
Na primeira brecha, saímos rapidamente do local e nem soubemos os desdobramentos do episódio. A salvo, meu filho disse apenas: “pai, não conta nada à minha mãe, senão ela vai ficar traumatizada e não me deixa mais colocar o pé na rua”. Detalhe: ele parecia menos assustado que eu.
Em pensar que tantas crianças nessa cidade já convivem diariamente com todo tipo de violência, e com naturalidade, como se vê nas reportagens exibidas pelos “programas policiais”. Não é incomum (muito pelo contrário) o repórter estar cobrindo um homicídio e ter ali bem perto dezenas de meninos e meninas, de 7 a 8 anos, talvez menos, na maior algazarra, como se estivessem numa festa.
É a violência banalizada desde a infância, e não apenas nos videogames, mas na vida real.
Uma vida que, lamentavelmente, parece valer cada vez menos.
 

Esta publicação possui 13 comentários
  1. Infelizmente é o cotidiano do Brasil!
    Vivemos no mundo violento e primitivo,cena medieval está nos quatro canto não só de Itabuna mas,em todo Brasil!
    “fechar a rua para discuti” não é comportamento de Policial.”Qual é a sua meu irmão” não é comportamento de Policial. “Com raiva segura uma pistola e esfrega no rosto e segura na parte de trás da camisa”. Não é comportamento de policial. Um comportamento de
    um policial,um servidor público está totalmente descartado.
    O Sr.Ricardo Ribeiro presenciou uma cena de bandidos ou policial do tráfico igual aos ocorridos nos morros cariocas,sendo mostrados os soldados do tráficos pela grande mídia do Brasil e do mundo.
    Portando,é uma fotografia de uma sociedade violenta e primitiva. O quanto as nossas crianças,a proteção é sem limites por parte dos papais e mamães e, o mundo para as crianças é um paraíso,os mesmos não tem nenhuma dimensão desta “selva” que chamamos de cidade e os mesmos só quer conhecer as ruas e nós impedimos pelo nossos instintos protetores,desta sociedade violenta e primitiva. A criança já percebe a proteção dos papais e mamãe,por isso que a reação “Pai não conte nada à minha mãe senão ela vai ficar traumatizada e não me deixa mais
    a colocar o pé na rua”. A mamãe deve saber sim,ela que sabe o que é o melhor para o filho! Infelizmente, este retrato é o cotidiano do Brasil!

  2. Na década de 80 tinha na saída de Itabuna para Ilhéus uma capelinha, em memória de um assassinato. Um homem que morreu com algumas poucas facadas. Um crime brutal para a época. Hoje, a “normalidade” tomou conta do cotidiano. Imagina se para cada crime brutal em Itabuna se coloca-se uma capela? Seria quase impossível andar pelas ruas. Realmente as nossas crianças estão crescendo em meio à violência. E tudo é normal.
    É normal ter uma arma, é normal conseguir as vantagens ameaçando as pessoas… Os nossos valores estão invertidos.
    Tento imaginar como será a nossa vida daqui a dez anos? Quais valores teremos? o que será certo? O que será normal?

  3. Imaginamos o que voce passou com o seu filho. Esperamos que superem. Louvavél foi a operação Libertad (antes chamada de batendo de frente), mas o dia a dia como fica? O ditado não é melhor previnir que remediar.

  4. Vc está certo a violência urbana está a cada dia pior. O problema é que as pessoas já estão vendo cenas como essa e agindo com naturalidade.
    Parabéns pela reflexão

  5. Oh, Ricardo, a pistola era uma Ponto 40?
    Pela arrogância de quem portava a mesma, imaginem a profissão do arrogante.
    Recentemente um desse arrogantes atirou nas costas de um motoqueiro e matou o rapaz por motivos fúteis, uma simples discussão de trânsito em Salvador.
    É preciso botar cabrestos nesses sujeitos!

  6. Essa tribo é atrasada demais…
    Tenhamos paz neste trânsito de Itabuna, as pessoas adetram um carro e acham que vão para guerra, só faltam um passar por cima do outro, paz pelo amor de DEUS!

  7. Para os jovens e normal esta violencia porque nas suas brincadeiras eles estao sempre matando, nos jogos de video game, filmes etc. Ja que na ficção para se descartar uma pessoa e so um click ou um enter eles ja crescem com esta “normalidade”. Senhores pais acompanhe um jogo de video game do seu filho e veja a violencia.

  8. Seria interessante q esses militares q estão almejando a política, se concientizem em primeiro fazer a gestão q lhe é oficial. Cuidar da nossa cidade q é o seu dever. Depois se qualificar a qquer cargo de gestão política.
    A violência em Itabuna nos corrói! Basta!!!!

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