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15 de agosto de 2020 | 04:24 pm

A FAMIGERADA CULTURA DO "NÃO É COMIGO"

Tempo de leitura: 2 minutos

ricardo artigosRicardo Ribeiro | ricardo_rb10@hotmail.com

 Faz-se necessário participar e até questionar, é claro, a impiedosa carga tributária que nos sobrecarrega. Mas, antes de tudo, é preciso participar, fiscalizar, cobrar e responsabilizar-se.

Termina nesta quarta-feira, 15, salvo possível prorrogação, o prazo para o itabunense quitar seu Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em cota única. Quinze dias antes, encerrara o prazo para a declaração do Imposto de Renda e ainda estamos às voltas com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), sem falar na infinidade de tributos embutidos nos mais diversos produtos, os quais pagamos a todo momento.
Tantos impostos e tão pouco retorno. Essa é uma realidade cruel e vergonhosa, pela ausência de contrapartidas do poder público, mas aliada à cultura da omissão por parte de quem paga a conta. Ou de quem não paga.
Entre ser adimplente e exigir seus direitos, há muitos – sobretudo no caso do IPTU – que preferem a inadimplência conformada. Tipo: “não tenho um serviço público de qualidade, as ruas estão acabadas e escuras, mas também não pago o IPTU”.
É absurda e anticidadã tal postura, mas lamentavelmente comum.
Ela é prima daquela outra que trata a coisa pública como objeto pertencente a ninguém e, portanto, desmerecedor de qualquer cuidado. Não é raro que o sujeito inadimplente em suas obrigações tributárias com a cidade seja o mesmo que joga lixo na rua, para sobre a faixa de pedestre e ouve som nas alturas, sem se importar com os direitos do vizinho.
Essa é uma cultura que perpetua o atraso, pois não cria as condições necessárias à promoção de mudanças. É ela uma das principais responsáveis pelos problemas que não se resolvem, seja a ineficiência da saúde, da educação ou do transporte público. Quem se abstém da cidadania não se sente parte de coisa alguma e costuma achar que tudo é culpa dos políticos. Ledo engano.
Na democracia, todas as responsabilidades devem ser compartilhadas e o papel do cidadão não pode se encerrar no momento do voto. Faz-se necessário participar e até questionar, é claro, a impiedosa carga tributária que nos sobrecarrega. Mas, antes de tudo, é preciso participar, fiscalizar, cobrar e responsabilizar-se. Ir além do individual e pensar no coletivo, cuidar do que é comum.
Esse é um comportamento que de fato poderia mudar toda a nossa realidade, algo que governo nenhum, sem articulação social efetiva, jamais conseguirá.
Ricardo Ribeiro é advogado.

Esta publicação possui 5 comentários
  1. Olá Ricardo
    Isso me fez lembrar uma tarefa passada para a minha filha Beatriz de 04 anos.
    Na tarefa a professora pedia para desenhar o que ela via no caminho da escola. Ela desenhou duas colunas com uns circulos dentro.
    Ai eu falei: Olha filha! Você desenhou um prédio! Prédio é diferente de casa e blá blá blá.
    Ela olhou pra mim e disse:
    – Não é prédio não, é a estrada, o caminho da escola.
    – Ué filha, e essas rodinhas aqui dentro, o que são?
    Ela sabiamente disse:
    – São os buracos, mãe, tem muitos buracos no caminho até a escola, deixa eu desenhar mais uns aqui…
    … E o carnê do IPTU já foi entregue com antecedência e eficiência em minha residência…

  2. Enquanto nós cidadãos conscientes pagamos o IPTU, se possível, em cota única, aqules que justificam o não pagamento alegando a má administração da coisa pública estão na verdade aguardando o fim do governo, quando em geral acontecem “promoções” e o IPTU poderá ser quitado com superdescontos.
    Mais uma vez fica evidente que quem não é correto é sempre beneficiado, e a maior parte da população cumpridora dos seus deveres é prejudicada porque não recebe benefícios fiscais nem bons serviços públicos.

  3. O que eu acho legal, Lidiana, é que nossos filhos estão bem espertos. É uma geração ligada em tudo, bem informada e com muito senso crítico. Ninguém vai enrolar essa turma.

  4. Querido Ricardo,
    Gostaria de ter seus contatos para, quando observar algum acontecimento passar para vocês analisar e, após, divulgar e ou denunciar, a depender da notícia.
    Meu e-mail é esse que está na mensagem.
    Espero respostas!
    FAVOR NÃO DIVULGAR ESTA MENSAGEM
    Abraços

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