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27 de outubro de 2020 | 11:46 am

QUANDO PENSAREMOS NO PÃO E NA ARTE?

Tempo de leitura: 2 minutos

zacariasJosé Zacarias | jzacarias12@hotmail.com

Faz um mês meu time obteve uma estrondosa vitória sobre seu rival, e hoje no meu bairro ocorreu mais um assassinato e a minha vizinha reclama que a Escola Municipal onde seu filho estuda continua em greve. A cidade da paz prometida não apareceu.

Domingo estive eufórico, alegre, contente, extravasei, fui às ruas, saí gritando, empunhando a bandeira de meu time. O mundo seria diferente a partir dali. Meu time foi campeão.
Na segunda seguinte, passou a euforia. Voltei a realidade e percebi que minha vida continuava como antes, teria que pagar a mensalidade da escola para minhas filhas, as contas de água, luz, telefone (inclusive do celular), tudo na mesma rotinha com valores que ganhava antes do meu time tornar-se campeão.
Já se passou uma semana da vitória de meu time, os preços dos alimentos continuavam a subir, o tomate encareceu, a farinha encareceu etc. Se vão quinze dias, da minha alegria de ter meu time campeão. O desemprego na minha cidade continua grande.
Faz um mês meu time obteve uma estrondosa vitória sobre seu rival, e hoje no meu bairro ocorreu mais um assassinato e a minha vizinha reclama que a Escola Municipal onde seu filho estuda continua em greve. A cidade da paz prometida não apareceu.
Um ano já se foi da data que meu time foi campeão. Ele irá disputar a Copa Libertadores da América (a propósito, meus companheiros continuam presos na Bolívia) e sinto-me orgulhoso não só de torcer para meu time campeão, mas também de ser brasileiro, que terá alguns dos melhores estádios de futebol do mundo, nos quais serão gastos milhões e milhões de dólares.
E, já passados vários meses do título de meu time, vejo que a violência na minha cidade aumentou, que o consumo de crack atingiu também a zona rural; a seca assola meu Estado, como a muito não atingia, e o governo pouco fez em obra pra prevenir as suas consequências da estiagem.

O governo gastou bem mais pra construindo os estádio novos que em obras contra a seca, investiu mais em propaganda que com educação. Mas estou feliz. Meu time foi campeão o ano passado e agora disputa outro campeonato.
Hoje necessitei tomar dinheiro emprestado para pagar minhas dividas, pois meu salário não é suficiente. E eu estou em casa sentado, assistindo novela, esperando a hora que meu time vai entrar em campo.
Ah, sim, percebi que não houve mudanças na economia, nem na educação, nem na melhoria da renda dos trabalhadores, tão pouco melhorou a empregabilidade destes.
Ufa! Ainda existe circo, apesar de não poder comprar o pão.
José Zacarias Santos é  advogado e pós-graduado em Administração Pública.

Esta publicação possui 4 comentários
  1. O homem é um ser pensante,o mesmo precisa apreender e desenvolver
    esta ferramento que nenhum ser mortal é capaz de frear. Seus pensamentos são capazes de se transformar gerações e gerações através de suas escritas.
    Assim é o sentimento, ideias que ficou enraizados nas mentes da humanidade da passagem de Jesus pela terra.
    Eu quero dizer que os nossos pensamentos se evolui de geração em geração.
    Aqui em Itabuna,pra chegar o que o prefeito prometeu de transformar esta cidade violenta em cidade da paz.
    Eu preferia que um presidente do Brasil prometesse em transformar estes 5670 municípios brasileiros em cidades de paz.
    Muito fácil de resolver: fechar as fronteiras do Brasil;territorial,aérea e marítima.
    Vigilância 24:horas,a sociedade brasileira iria amar um presidente do Brasil,o país era de paz.
    Quem é o responsável desta violência no Brasil,o governo federal que há 12 anos “governa” o Brasil.
    Os gestores municipais iriam complementar as melhorias das cidades e construir uma cidade não só de paz,mas acolhedora e,
    as famílias viver feliz.

  2. Ótimo texto, gostei muito de como o autor discorreu sobre o tema. E gostaria de fazer um adendo: MUITAS destas “coisas” ausentes começam em casa, desde o berço e pelo exemplo familiar. Ensinar desde não jogar lixo fora do lixo, não se desentender por trivialidades, não responder com violência, não ouvir música que invada a casa alheia, etc…etc. Muito mesmo é responsabilidade do governo fazer, e muito mais é responsabilidade dos pais. Um adulto “ruim” não é 100% culpa dos pais, mas esteja certo que para um adulto “bom” grande parte pode se deve a uma boa educação e a pais presentes e atuantes. Tenho 20 anos e acho estranho como os pais de minha geração acham tão banal cada coisa absurda que crianças e adolescentes fazem. Mas quando mais tarde esses mesmos adolescentes fazem pior os pais acham q é obrigação da polícia pegar, prender, bater, punir como quer que seja. Muitas vezes os filhos que mereciam isso são daqueles que apontaram o dedo aos filhos alheios e não educaram os seus próprios filhos. MAS, ESTA É SÓ A MINHA OPINIÃO.¬¬

  3. Zelão, diz: – Quem disse que não temos?
    “É preciso que analisemos com bastante calma e sensibilidade o que está sendo escrito na nossa história, para vermos que mesmo do “jeitinho brasileiro” as coisas acontecem.”
    Temos o pão – mesmo que seja o pão que o diabo amassou – na forma de Bolsa Família, que garante os votos necessários para o PT se manter no poder. Temos arte – mesmo que diabólica – através do circo mambembe instalado permanentemente no Congresso Nacional.
    Querer mais para esse povo que tem o sentimento pátrio elevado ao mais alto nível, na ponta das chuteiras é querer dar um salto além da nossa capacidade cultural, fruto de uma educação capenga, pela qual os governos fazem que pagam e os professores; fingem que ensinam.
    Talvez daqui a mais quinhentos anos – já que somos eternamente o país do futuro – tenhamos alcançado o nível de cidadania e de educação desejados. Ou talvez não. As futuras gerações de brasileiros poderão, analisando a história, conferir, assim como alguns de nós fazem hoje, se evoluímos ou se a arte continua sendo a do circo mambembe e, se o pão será conquistado pelo suor do nosso rosto e da capacidade de produzir do nosso povo.

  4. O prezado Zacarias quando esteve a frente do DETRAN em Itabuna parecia estar feliz com a cidade e o governo pois o DETRAN era e continua um caos e pouco ele fez pra mudar. O DETRAN continua a síntese do desrespeito ao cidadão, contribuinte e usuário dos serviços públicas. De fato é difícil mudança!

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