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16 de abril de 2021 | 01:40 pm

“AMIGOS DO ESPORTE, BOA TARDE…”

Tempo de leitura: 2 minutos

Ramiro AquinoRamiro Aquino | aquino05@uol.com.br

Guardo de Yedo o exemplo que ele deixou para a minha geração e de quantas ele alcançou, da integridade e da amizade.

Quantas e quantas vezes ouvi esta saudação proferida pelo comentarista de rádio Yedo Torres Nogueira, que nos deixou no domingo, 7, aos 88 anos. Aposentado de suas atividades comerciárias e de imprensa por mais de 30 anos, Yedo já vinha sofrendo seguidos problemas de saúde, o que restringia as suas aparições em nosso meio, recluso que ficava apenas no aconchego da família.

Há algum tempo não ficava mais sentado à porta de sua casa, na Ruffo Galvão, acompanhado da mulher Gilka, companheira de tantas jornadas. Na verdade ele era meu primo por afinidade, haja vista ser casado com a minha prima carnal Gilka Nunes de Aquino, filha do meu tio Ramiro.

No rádio passei a conviver com Yedo mais diretamente a partir de 1963, quando iniciei minhas atividades como repórter. O trio das transmissões esportivas da Rádio Clube era formado por Geraldo Santos (que viria a ser meu compadre, pois batizei seu filho Gustavo), como narrador, Yedo Nogueira, o comentarista e eu como repórter de pista. Éramos literalmente uma família.

Respeitado e premiado, Yedo conquistou uma legião de fãs e de amigos no rádio. Todos esperavam ansiosamente quando Geraldo anunciava nas transmissões: “e com vocês Yedo Nogueira, o seu comentarista de futebol”, pois sabiam que de sua boca sairia um comentário preciso, equilibrado, mesmo quando jogava o Clube Recreativo Flamengo, seu time do coração.

Para não me estender muito narro um fato que atesta a sua imensa credibilidade. Em determinada época Yedo foi juiz de futebol, dos mais sérios, compenetrados e respeitados, até pelos adversários. Um belo dia, apitando um clássico Fla x Flu (fora escolhido com aquiescência do Fluminense por sua retidão) ele marcou uma falta contra o Fluminense, quando ouviu do dirigente do Flu, Frederico Midlej: “você é um ladrão…”. Aquilo era demais. Yedo dirigiu-se até onde estava o diretor, entregou-lhe o apito e disse apenas: “agora vai você apitar o jogo…”

São muitas histórias que o espaço não me permite mais. Guardo de Yedo o exemplo que ele deixou para a minha geração e de quantas ele alcançou, da integridade e da amizade.

Ramiro Aquino é radialista e jornalista.

Esta publicação possui 5 comentários
  1. Que bom ver o velho amigo e companheiro Ramiro Aquino através das suas crônicas. à familia do velho cronista em foco as nossas condolencias.

  2. Tive a honra, o prazer e a sorte de trabalhar com esse trio.
    Ramiro Aquino, Geraldo Santos e Yedo Nogueira.
    Obrigado meu DEUS !!
    Valeu Yedo !!

  3. Eu era menino e frequentava a velha Desportiva Itabunense.Bons tempos.Tempo em que Itabuna tinha futebol de qualidade.Nos intervalos sempre parava para escutar os brilhantes comentários de Yedo Nogueira.

  4. Amigo Ramiro Aquino;

    Só você para narrar fatos interessantes como esse do nosso saudoso amigo Yedo Noqueira.

    Ramiro,você também é um ser humano generoso.Lembro bem quando eu morava aí em Itabuna e estava preste a lançar o livro; (Taboquianos/2009 )e bati na porta do Executivo na Gestão de Azevedo e,ninguém se quer deu importância ao meu projeto, mas você mesmo com certas limitações me apoiou.Abraços amigo Ramiro e Região Cacaueira.

    José Roque Filho
    Escritor
    São Paulo

  5. YEDO, MEU QUERIDO IRMÃO, FOI SEMPRE UMA PESSOA ÍNTEGRA. Tenho muitas recordações da nossa infância no Rio Vermelho em Salvador. Depois de adultos tivemos pouca convivencia.
    Em 1950 passei a residir no Rio de Janeiro e me casei em 1959 com o jornalista Bill Williamson. Depois dessa época nos encontramos algumas vezes com ele e Gilka.
    No inicio de 81 mudamos para Florida nos Estados Unidos. Alguns anos atrás passamos de navio num cruzeiro em Ilhéus e fomos especialmente a Itabuna para encontrar com ele e Gilka. Nessa ocasião conhecemos meu sobrinho André. E vimos Yolanda, irmã de Gilka que ainda estava viva. Mas apesar do nosso pouco convivio falamos algumas vezes no telefone, especialmente nos aniversários dele . Ele sempre viverá em minha lembrança. Não faz muito tempo liguei e batemos um papo. Isso me consola. Lamento não ter tido tido a oportunidade de ve-lo uma vez mais. Peço a Deus a paz eterna para sua alma. Muito consolo para todos nós que sentimos profundamente sua partida.
    Em nome da família, agradeço o lindo tributo que Ramiro Aquino fez a Yedo.

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