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5 de março de 2021 | 03:56 am

ARTICULADO

Tempo de leitura: 3 minutos

Fernando VolpiFernando Volpi
 

Qualquer candidato a cargos políticos ou na iniciativa privada que tiver como propósito apenas vencer as eleições ou a concorrência numa disputa de inspiração subjetiva ou pelo simples prazer da vitória ou até mesmo pelo status do posto, se não tiver um forte senso de responsabilidade por suas próprias ações, seja pelo bem comum, seja pelo êxito do empreendimento ou da empreitada, nunca irá perseverar.

 
A diferença entre alguém de iniciativa e uma pessoa articulada está exatamente no senso de propósito, sem o qual não se desenvolve a perseverança. “Ser persistente é ser teimoso com objetividade”, ouvi recentemente de um conceituado executivo do Sebrae durante encontro de gestores públicos e privados em Itabuna. De fato, quando predomina a convicção do propósito, a energia emerge com força e produz resultados. Todas as dificuldades serão estimulantes e vencerá a determinação. O segredo é sair do “bureau” e tentar mudar, mudando o rumo da coisa.
Mas toda mudança deve começar, necessariamente, por um propósito. Sem ele, impossível perseverar. Sem perseverança, não há superação.
Qualquer candidato a cargos políticos ou na iniciativa privada que tiver como propósito apenas vencer as eleições ou a concorrência numa disputa de inspiração subjetiva ou pelo simples prazer da vitória ou até mesmo pelo status do posto, se não tiver um forte senso de responsabilidade por suas próprias ações, seja pelo bem comum, seja pelo êxito do empreendimento ou da empreitada, nunca irá perseverar. O sucesso não passará da primeira esquina, será curto como curta é a sua inspiração, como certamente curta é a sua habilidade para o sucesso.
Todo propósito alimentado pela vaidade ou pela obsessão (até mesmo pela paixão) só resulta em enxaqueca. Mas o propósito vitaminado da pessoa articulada, antenada, logada, alimentado com amor e liderança honesta resultará em perseverança também honesta. É bem diferente do propósito apaixonado. A paixão desestimula, a paixão gera teimosia dispersa, enquanto o amor bem articulado encoraja com serenidade propulsora como as asas das garças sobre o Rio Pardo. Suaves, sem alarde, mas fortes.
Gestor público ou privado, o legislador, o jurista, o gerente, o funcionário, o prestador de serviços, todos eles que não se fortalecerem com sinceros propósitos, claros e definidos, inspirados na sua responsabilidade diante da legião de expectativas, não passarão de melancólicas tentativas isoladas de êxito com pálidos resultados empíricos e insulsos. Algo parecido com um aborto que deu errado.
Uma pessoa que defende suas ideias e projetos sem propósito, que não supera obstáculos, que não persevera com a certeza do que realmente quer, será apenas mais uma piada no cenário de piadas sem graça e de mau gosto que grassam alhures na vida real nos diferentes setores da sociedade, na mídia e na internet.
Este será um ano de articulações. A Copa é uma articulação. As eleições são articulações. Gestões e empreitadas são articulações. Todo movimento vitorioso é resultado da ação sincronizada e bem ajustada de vários componentes de um mecanismo preciso para que realizem movimentos perfeitamente coordenados, ajustados, rumo a um mesmo propósito, a um objetivo comum a ser atingido por agentes bem articulados.
Todo cuidado é pouco, no entanto, com articulações passivas. Opte sempre por articulações ativas, como a mandíbula que tritura pausadamente o alimento e lhe garante uma digestão sem problemas. Mas isso será assunto para nosso próximo encontro.
Fernando Volpi é secretário de Turismo e Esportes de Canavieiras.

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