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14 de julho de 2020 | 11:52 pm

MUDAR A POLÍTICA: UMA IDEIA VIVA

Tempo de leitura: 2 minutos

ricardo artigosRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com
Há pouco mais de seis meses, a notícia do nascimento do garoto Miguel, filho do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, chamou minha atenção. Não por ser o filho de um pré-candidato à Presidência (o quinto) nem por ter a Síndrome de Down, mas pela frase de outro filho de Campos. “O Miguel nasceu na família certa”, disse o irmão.
O tanto de acolhimento e amor que a frase despertava fez surgir uma admiração por aquela família numerosa e que parecia tão unida. Ainda que percebesse na divulgação do nascimento certa estratégia para dourar a imagem do futuro candidato, era plausível que houvesse um fundo de verdade na aparente ação de marketing.
Por essas e outras, Campos acabou por encarnar o bom moço das eleições presidenciais. Jovem, idealista, construiu imagem de bom gestor. E amarrou o discurso no combate à “velha política”, criticando o sistema de coalizão e propondo um governo sem atrelamento fisiológico. Uma cantiga boa de ouvir, mas com toda certeza muito difícil de ser tocada na prática.
Num contraste com a utopia, havia certas incoerências. Esteve ao lado do PT por mais de dez anos, até descobrir, já quando decidido a se candidatar, que o partido cometia graves equívocos. Formou chapa com Marina Silva, mesmo com tantas divergências, como as relacionadas ao debate entre desenvolvimento e conservação.
Prematuramente desaparecido, Campos deixa a imagem do bom pai e marido, do sujeito que defendia a renovação da política e a definitiva extinção de certos dinossauros que simbolizam o atraso e as mazelas nacionais.
Não se sabe até que ponto o socialista considerava viável a empreitada de enterrar a velha política, mas a ideia era (e é) alentadora. Está aí um debate que não pode ser sepultado com o homem que o propunha.
Ricardo Ribeiro é advogado e jornalista.

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