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4 de junho de 2020 | 05:48 pm

A CAMINHO DO CEMITÉRIO

Tempo de leitura: 2 minutos

Jackson LessaJackson Lessa | jacksonslessa@hotmail.com

O primeiro passo para fugir do pesadelo é acordar. Caso contrário, teremos que parafrasear Paulinho da Viola e dizer “Rio Cachoeira, foi um rio que passou em nossas vidas”.

Estamos diante de um problema sem precedentes na cidade de Itabuna, a morte de um rio. É um pesadelo prestes a se tornar realidade, também tornando inquestionável a urgência em enfrentar esse problema. Essa crise não se limita ao aspecto natural, envolve também a história e cultura do município. Enfrentar a crise é olhar para o futuro. Precisamos trazer o tema para o centro do debate, seria o ponto de partida para um verdadeiro programa de salvação do Cachoeira.

É necessário criar uma agenda local para garantir uma gestão racional desse recurso hídrico, um projeto que envolva também os municípios vizinhos. Que estejam incluídos, seus afluentes, mata ciliares, famílias que vivem da pesca, da agricultura e da criação de gado.

O rio desaparecerá se nada for feito. Devemos entender que a intervenção na gestão do rio também tem relação com a luta contra a pobreza e a melhoria das condições econômicas e ambientais da região. Será que temos a capacidade de enfrentar essa crise?

O grande obstáculo para solucionar essa questão é assumir a responsabilidade. As pessoas da cidade reclamam da estética, se incomodam com o mau-cheiro, se lamentam da presença de mosquitos, falam sobre a possibilidade da proliferação de doenças, mas não tomam nenhuma atitude realmente efetiva para “ressuscitar” o rio. Não podemos mais esperar pela ação do poder público, nossos governos, em sucessivas gestões não planejaram nada referente à recuperação do rio e se milagrosamente planejaram erraram na execução. Dessa forma, passa a ser dever dos cidadãos a iniciativa de lutar pela existência de nosso Cachoeira.

Sabemos que há um distanciamento do governo com o povo, o que provoca a redução da participação cidadã e consequentemente um esvaziamento dos processos democráticos. Infelizmente, os partidos políticos não conseguem definir prioridades para o município e muito menos assimilar as manifestações organizadas pela população ou movimentos sociais.

Precisamos da atuação de grupos que ajam de forma paralela ao mundo da política, associações que organizem debates, universidades, escolas, igrejas. É fundamental contar com o apoio de toda a sociedade, porém precisamos informá-la, transferir responsabilidades, democratizar a gestão.

O primeiro passo para fugir do pesadelo é acordar. Caso contrário, teremos que parafrasear Paulinho da Viola e dizer “Rio Cachoeira, foi um rio que passou em nossas vidas”.

Jackson Lessa é professor de Geografia e Atualidades em escolas e cursos pré-vestibulares de Itabuna e região.

Esta publicação possui 9 comentários
  1. Prof. Poderia esclarecer qual o papel da Emasa no papel de despoluição do rio?
    Pergunto, pois é cobrado taxa de Escoto em nossa conta de água, e nesse deve compreender o tratamento antes de despejado os dejetos no rio, ou não é assim?
    Obrigado.

  2. A triste realidade que no Brasil não temos nenhum exemplo de recuperação de nenhuma Bacia Hidrográfica.

    Exemplos que temos e podemos copiar são as recuperações do Rio Tâmise de Londres, Inglaterra e o Rio Danúbio que corta 1O países da Europa.

    O Rio Tâmise na metade do século XIX,ficou conhecido como o Rio do Grande Fedor,a mesma catinga que vive o nosso Rio Cachoeira de Itabuna-Ba. Uma catinga insuportável.

    O Rio de Londres iniciou o processo de degradação a partir de 161O,uma vez que,
    suas águas deixaram de ser potável e em 1858,as atividades do parlamento Britânico foi suspensos devido a caatinga do Rio Tâmise.

    A partir de então,bilhões de Libras foram gastos pra recuperar este tesouro,pelo
    qual,significa salvar e preservar a humanidade. Veja que olhar dos britânicos!
    quando que vamos ter este olhar?

    Outro exemplo que devemos sequie;a recuperação do Rio Danúbio,o mesma era igual em degradação ao Rio cachoeira,eram jogados no seu leito,resíduos tóxicos das industrias,os esgotos e excrementos humanos.

    Após os 75 anos de extrema poluição as autoridades dos países que são banhados pelo o Danúbio se mobilizaram em salvar o Rio,desenvolveu um projeto pelo qual
    os 1O países europeu que são banhados pelo o Danúbio e receberam apoio do PNDU
    (Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento) e gastaram 3 bilhões de dólares.

    Hoje o Rio Danúbio, cuja água potável é banhados pelos países,Alemanha,Áustria,
    Hungria,Eslováquia,Grécia,Romênia,Bulgária,Sérvia,Ucrânia,Maldívia.

    As civilizações e cultura milenares deste velho continente,o que seu grau de conscientização são extremamente superiores aos nossos,o que nós ainda vivemos como se estivesse dentro da casca do ovo.

    Portanto,o que nunca devemos nos acomodar sem persuadir este estágio de uma conscientização coletiva cuja responsabilidade em recuperar as nossas Bacias Hidrográficas e preservar,assim como os europeus fizestes.

    Será uma grande caminhada,mas valerá a pena,primeiro a inteligência,sabendo votar e saber exigir o que é bom para a humanidade,aqui em Itabuna,é recuperar
    o Rio cachoeira,cuja fonte inesgotável de saúde,cujo combate a proliferação de doença e o fedor insuportável.

    O Rio cachoeira como uma fonte de renda das famílias,pelo envolvimento da pesca, voltar as lavandeiras,os areeiros e o desenvolvimento de lazer e entretenimento do turismo, passeio de barco e caiaque, saveiros,como sabiamente diz o anunciado.

  3. O Rio Cachoeira já foi caso de notícia nacional, e inclusive já houve uma tentativa de ajuda financeira (não lembro se por orgão público, ong, ou privado), porém ninguém sabe para onde foram esses fundos. Em relação a solução, estamos com duas escancaradas, fugindo parcialmente do estatismo: o grande elefante branco da região que é injustiçada de seu propósito verdadeiro (a UESC), e a federação das indústrias da Bahia. Ambas as soluções são mistas, pois infelizmente alguém pagará pelo ônus de anos de esquecimento. Porém acima de qualquer responsabilidade, ela é nossa e do poder público, cabendo a ele ceder à máxima eficiência alocativa de recursos ao setor privado. Além do exposto Itabuna precisa de um projeto de reurbanização sustentável, para amparar todo o suporte técnico, ambiental, financeiro, administrativo e intelectual. No mais apenas vontade política do governo do Estado. Como disseram, o socorro financeiro das Nações Unidas seria bem vindo, não sem antes sem ser adotado um projeto de cidade.

  4. Prof. Jackson Lessa,

    Bastante interessante a sua matéria, porém, permita-me discordar de alguns posicionamentos.

    PRECISAMOS QUEM?

    No ano passado, em setembro, foi realizado um Fórum das Águas em Itabuna com a participação da sociedade organizada, empresas, entidades, clubes de serviços, UESC, UFSB, poder público etc.

    O ex-prefeito Azevedo, recebeu 13 milhões para a obra do Canal da Amélia Amado, não concluiu e não retirou o esgoto jogado no mesmo. Essa turma acima citada não questionou o Ministério Público Federal para acionar a justiça para responsabilizar essa imoralidade. Pelo menos não tive conhecimento.

    VEJA ABAIXO MATÉRIA SOBRE O FÓRUM DAS ÁGUAS E FICA AQUI ALGUMAS INDAGAÇÕES:

    QUAL O RESULTADO EFETIVO DESTE FÓRUM?

    QUAIS AS AÇÕES DO FÓRUM PERMANENTE?

    COM A PALAVRA A GEÓGRAFA E MESTRE EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL E MEIO AMBIENTE PELA UESC, MARIA LUZIA DE MELLO

    I FÓRUM DAS ÁGUAS PROPÕE AGENDA ÚNICA PARA A REVITALIZAÇÃO DO RIO CACHOEIRA
    30 DE AGOSTO DE 2014

    A elaboração de uma agenda única para as ações em prol da revitalização do Rio Cachoeira é uma das principais propostas do I Fórum das Águas, que será realizado em Itabuna, nos próximos dias 3 e 4 de setembro, no Tarik Hotel, a partir do esforço conjunto do Rotary Club de Itabuna, Centro das Águas-Espaço Cidadão, TV Santa Cruz, OAB-Itabuna, Sindicato do Comércio de Itabuna (Sindicom), Associação Comercial e Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), com a parceria de importantes instituições, como a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

    O evento tem como alto a palestra De Volta ao Presente, que será proferida pelo PhD em Ecologia, Prof. Dr. Genebaldo Freire Dias, às 10 horas do primeiro dia do fórum (3), seguida do lançamento do seu livro Mudanças Climáticas e Você. A ilustre participação do autor brasileiro mais citado em Educação Ambiental, com 19 livros publicados e 40 anos de ativismo, ocorre logo após o credenciamento, marcado para as 8 horas e apresentação de vídeos sobre a bacia do Rio Cachoeira, às 09 horas.

    A partir das 13h40min, começam os trabalhos técnicos do I Fórum das Águas, com a realização do painel Iniciativas sobre a bacia do Rio Cachoeira, apresentado, sucessivamente, pelo Centro das Águas–Espaço Cidadão, Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Associação dos Municípios do Sul e Extremo Sul da Bahia (Amurc), Comitê das Bacias Hidrográficas do Leste, Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Emasa e Embasa. O encerramento está previsto para as 17 horas.

    No segundo dia (4), as instituições realizadoras e parceiras do I Fórum das Águas concentram-se na construção da Agenda Comum comprometida com revitalização do Rio Cachoeira, a partir das 08h30min, com a organização dos grupos de trabalho. Logo após, acontecem as oficinas, apresentação dos grupos, debate, culminando com a formação da agenda única. A confraternização dos grupos marca o encerramento do fórum, programado para as 17 horas.

    Fórum permanente – O resgate da luta pela revitalização da bacia do Rio Cachoeira também conta com a adesão da Ceplac, Secretaria Municipal de Educação de Itabuna, Colégio Sistema, Emasa, Embasa, Loja Maçônica Aerópago Itabunense, Amurc, Academia de Letras de Itabuna (Alita), Lions Clube Itabuna Sul e Jornal Agora. Idealizadora e coordenadora do Centro das Águas-Espaço Cidadão, a geógrafa e mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente pela Uesc, Maria Luzia de Mello, enfatiza que a intenção dos organizadores é multiplicar as propostas e manter a união entre as instituições representativas da sociedade regional, com ações e programas de caráter permanente.

    http://www.ilheusamado.com.br/2014/08/30/i-forum-das-aguas-propoe-agenda-unica-para-a-revitalizacao-do-rio-cachoeira/

  5. Caro professor, é improvável que o rio cachoeira possa desaparecer, pois antes de tudo é um canal de drenagem para onde é escoado o fluxo ocasionado pelas precipitações, havendo o atenuante que nosso bioma, mata atlântica, tem um dos maiores índices pluviométricos do Brasil, deste modo a menos que seja desenrolada uma catástrofe ambiental e mudança repentina do clima local o rio cachoeira continuará com seu escoamento.
    Partilho de sua preocupação com este corpo hídrico impar, mas a única salvação do mesmo é necessário uma ação conjunta com o poder publico que não possui a menor ideia de como proceder, pois não são capacitado tão pouco contratam pessoas capazes.
    Não se pode reverter uma continua agressão oriunda de dezenas de anos com poucas medidas. A ignorância de vários gestores em poluir, impermeabilizar e desmatar o rio sobrepujou sua resiliência. Sugiro ao atual que procure uma equipe interdisciplinar capacitada para cuidar desta problemática.

  6. E senhor Felippe Guimarães, a UESC não pode fazer muita coisa pois não possui autonomia nem para sua manutenção, quanto mais cuidar de um projeto a nível de bacia hidrográfica. A universidade forma todo ano pessoas capacitadas mas o grande problema são as amebas que estão no poder e quando este seres contratam profissionais escolhem os mais alienados possíveis apenas para receber seu salario e ganhar mais um voto. Itabuna tem um geografo, alguém já viu algum projeto ambiental ou social do mesmo?

  7. Geografo, a Uesc corresponde ao propósito intelectual. Ela pode sim e DEVE, seguir uma agenda que pode ser financiada pela FAPESB, a CAPES e outros orgãos de pesquisa. A universidade já tem projetos voltados para a economia solidária, projetos, encubação, inovação tecnológica de ponta, e pesquisas bio-orgânicas. Quanto a prefeitura, não discordo, porém se houver pressão popular, e da iniciativa privada, pode-se ter um passo em direção à solução. Como disse, a despoluição do rio não é uma medida final, é parte da reurbanização, só que essa reurbanização da cidade deve atender um propósito econômico à ser explorado. É aí que justamente entra o papel da FIEB, de encontrar um denominador comum entre empresas dispostas a produzir na região, e o setor público amparar a infra estrutura (a prefeitura municipal).

  8. O processo de reurbanização da cidade é necessário, no tocante da criação de uma rede de tratamento de esgoto, coleta seletiva, aplicação de multas por descarte em locais inapropriados, e principalmente a problemática das ocupações irregulares nas margens e entornos dos córregos que abastecem o rio. Itabuna tem mais de 100 anos, e já estourou o prazo de validade da planta mal planejada da cidade.

  9. A SITUAÇÃO DO CACHOEIRA É CONSEQUÊNCIA DE CONTÍNUOS GOVERNOS IRRESPONSÁVEIS, NÃO SÓ DE ITABUNA MAS DE TODAS AS CIDADES QUE COMPÕEM A BACIA DO MESMO.NÃO VEJO SOLUÇÃO POSSÍVEL, MAS ALGUMAS MUDANÇAS MELHORARIAM A SITUAÇÃO DA POLUIÇÃO SENDO A PRINCIPAL DELAS O TRATAMENTO DE ESGOTOS DAS CIDADES MAIORES.PENA QUE FALTA VONTADE POLÍTICA PRA ISSO…DAQUI ALGUNS ANOS ESSE RIO SERÁ APENAS UM ESGOTO A CÉU ABERTO.

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