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20 de janeiro de 2021 | 04:37 pm

ARTE E POLÍTICA EM TRANSE

Tempo de leitura: 3 minutos

Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

Uma obra pensada para criticar uma realidade passada segue aberta. Sigamos em busca de conhecer cada vez mais de nossa história através daquilo que também nos constitui fundamentalmente enquanto nação: nossa arte.

 

 

O jogo político se desenha com dois rumos possíveis. Um, de vertente política mais conservadora, liberal, defendendo a necessidade do desenvolvimento da nação. Outro, de caráter mais populista, próximo da massa, com políticas sociais.

O jogo midiático exerce forte papel nos rumos da política e o financiamento empresarial surge como elemento fundamental. Campanha presidencial – ou qualquer outra – brasileira de 2014? Não. Disputa pelo poder em Eldorado, país latino fictício criado por Glauber Rocha para o filme Terra em Transe.

Narrado pela visão de Paulo Martins (Jardel Filho), jornalista e poeta, que, desiludido com as posturas do senador, migrou entre a assessoria do conservador Porfírio Diaz (Paulo Autran) para o populista Felipe Vieira (José Lewgoy), por acreditar que o novo líder que emergia poderia ser o responsável por tirar o país da miséria. Este, assim que eleito, foi motivo da dúvida de Paulo: “Será que o governador dará conta de executar as promessas do candidato?”. Como se os dois fossem pessoas diferentes.

Terra em Transe pode ser lido como uma profunda crítica aos acontecimentos políticos do Brasil dos anos 60, contudo, ao exibi-lo aos estudantes do Bacharelado Interdisciplinar em Artes da UFSB na última semana, percebemos o quanto a obra de Glauber continua atual, 48 anos depois de seu lançamento.

Antes da sessão, fizemos um produtivo debate sobre análise fílmica. Destacamos a necessidade de entender o cinema não como um retrato fiel da realidade, mas uma leitura de alguns aspectos dessa. O olhar do diretor. Olhar que aparece descrito pelas palavras do roteiro, dos figurinos, dos movimentos de câmera, pelas luzes utilizadas, pelas subjetividades. Além disso, destacamos também a obra filme enquanto peça historiográfica. Aberta, porém conectada a uma realidade específica, a um tempo específico. E tais critérios devem ser levados em conta na sua leitura.

Contudo, no processo de análise fílmica, o que surge como elemento fortemente significante, é a capacidade que um filme tem de circular entre aspectos objetivos e subjetivos. Como técnica fotográfica, tem a capacidade de trazer quase que uma fiel representação da realidade. Contudo, como obra artística, tem suas narrativas repletas de subjetividades – na produção e nas “leituras” possíveis a serem feitas após sua finalização.

Terminada a exibição, durante o componente curricular Cinema e Alteridade nas Américas, questionei a turma: E então? O que acharam? Foi então que uma estudante, que migrou para o Bacharelado de Artes após um ano de curso na Área Básica de Ingresso no Colégio Universitário de Ibicaraí destacou suas impressões: “Professor, na política, independente do lado político que se adota, parece não ter lugar para idealismo. No final das contas, parece que nenhum lado vale nada”.

Em meio à triste, mas, em certos aspectos, infelizmente verdadeira conclusão obtida pela estudante, percebe-se o quanto o cinema se constitui em uma rica ferramenta para pensarmos a realidade. Uma obra pensada para criticar uma realidade passada segue aberta. Sigamos em busca de conhecer cada vez mais de nossa história através daquilo que também nos constitui fundamentalmente enquanto nação: nossa arte.

Conhecendo as bases do que sustenta nossos discursos e práticas, poderemos agir no sentido de buscar que um dia os rumos da nossa política possam perseguir aquilo que um já delirante Paulo Martins afirma em uma das últimas cenas de Terra em Transe: que nela ocorra o triunfo da beleza e da verdade!

Felipe de Paula é professor do Bacharelado Interdisciplinar em Artes da UFSB.

Esta publicação possui 2 comentários
  1. O anunciado cria uma problemática da atual situação vivida na sociedade brasileira pela qual,o eleitor vá desenrolar o anunciado; entre uma política demagoga populista ou uma política voltada para o desenvolvimento da nação ou quem descobriu o avião,se foi Alberto Santos Dumont ou os Irmãos Wriglt,porem,sobre a criação do cinema pelos irmãos Lumiére,ninguém duvida.

    Nos países desenvolvido,cuja população são de letrados,nenhuma política demagoga e populista se quer,alguém pense,infelizmente este câncer só nasce e se cria e destroem sociedade de população ignorante.

    A população da Alemanha até hoje tem vergonha desta política demagoga e populista que viveu na metade do século XX,a destruição e miséria deste país vivenciou,o que hoje vive o eldorado.

    Brasil neste últimos 12 anos,cuja política reflete o caráter do povo braseiro,uma gente de ignorante é o que reflete o governo do Brasil e neste nicho de gente que garante a miséria da nação e que representa a maioria do povo
    brasileiro,país de miserável.

    Entretanto,os conservadores já foram os “donos do Brasil” e numa sociedade de gente inteligente é benéfica se alternar o poder,o que nos vivenciamos hoje no Brasil,tal prostituição,corrupção,desonra e imoralidade se suplantara e superou os longos anos de governos conservadores do Brasil.

    O que nos passa a ideia de acordo as inquietação da estudante pela qual trouxera dúvida do que lado seria melhor,se o populismo voltado para as políticas sociais ou uma política conservadora voltada para o progresso da nação.

    Vivenciamos os dois lados da “moeda” portanto,sem nenhuma dúvida,é melhor a política conservadora voltada para o desenvolvimento da nação,eis ai a miséria da Venezuela,Cuba,Coreia do Norte e Brasil seque esta política,agora olhe e veja a política conservadora da Alemanha,é um eldorado.

  2. Bom artigo, lamentar apenas o descrédito da jovem, que chega a conclusão que nenhum lado vale nada. O que de verdade não vale nada e ficar com a ideia de de que todo lado não vale nada. Uma ideia anarquista sem futuro. Triste ver jovens pensando assim!

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