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3 de dezembro de 2020 | 10:28 am

COMPOSIÇÕES COMPENSATÓRIAS

Tempo de leitura: 2 minutos

marivalguedes2Marival Guedes | marivalguedes@gmail.com

Roberto Carlos estourou em 65 com Quero que Vá Tudo Pro Inferno. A composição fez tanto sucesso que gerou debates entre músicos e sociólogos, por causa dos rebeldes versos que dão título à canção. “Foi o fenômeno de massa mais intenso da minha geração”, afirma Caetano Veloso.

Roberto se inspirou em Magda Fonseca de Guida, sua namorada que estava nos Estados Unidos, encaminhada pelo pai, para estudar inglês. Na verdade, um pretexto para afastar a filha do cantor.

Dos textos sobre o assunto, o mais completo é o do ótimo livro Roberto em Detalhes, do jornalista e historiador Paulo César de Araújo. A obra foi injustamente proibida pelo artista.

Mas, voltando à composição, a letra agradou e ao mesmo tempo chocou. Segundo o escritor, “Roberto Carlos sofria certa pressão de setores da Igreja, notadamente do arcebispo de São Paulo, dom Agnelo Rossi, no sentido de que ele fizesse uma mensagem para compensar aquela em que mandou tudo pro inferno. Foi então que o artista compôs Eu te darei o céu.”

Além disso, depois de algum tempo, por religiosidade e Transtorno Obsessivo Compulsivo-TOC, Roberto excluiu a música do seu repertório.

Pra não falar a palavra inferno (medo retado) passou a se referir a composição como “aquela música”. E mais, apesar dos vários pedidos, não permitiu que outros artistas gravassem a composição.

Quem também foi pressionado a criar para compensar foi Paulinho da Viola, após compor Sei Lá, Mangueira. O pessoal ficou indignado com o fato de um ilustre compositor da Portela fazer um samba tão bonito em homenagem à outra escola.

Na verdade, Hermínio Bello de Carvalho apresentou a Paulinho uma poesia e pediu ao amigo para musicá-la. O belíssimo samba ficou ainda mais emocionante na voz de Elizeth Cardoso (ouça, abaixo).

Para fazer as pazes, Paulinho da Viola compôs outro clássico. Foi um Rio que passou em minha vida estourou nas emissoras de rádio, no coração e na boca povo.

No filme Meu tempo é hoje, Paulinho fala da emoção de ver este samba cantado pela primeira vez na avenida, antes do desfile, com a multidão acompanhando. Depois, antes mesmo de terminar o desfile, o povo voltou a cantar.

Paulinho estava redimido. Em “alto estilo”.

Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas aos domingos no Pimenta.

Esta publicação possui 2 comentários
  1. Roberto Carlos,aprendi amá-lo,admirá-lo,pelas suas belas canções e mais pelo seu caráter irretocável ali no meu doce Mutuns,tudo isso,fizeste aumentar à minha admiração,uma vez que,se houver uma criança ou adulto se ser suspeita de ser filho
    do mesmo,Roberto Carlos acolher com ternura e carinho.

    Gesto nobre que é alcançado por poucos elementos,o que Pelé é uma vergonha de ser humano medíocre,por não reconhecer sua filha,mesmo no leito de morte.O mesmo é um verme.

    A nobreza de Roberto Carlos,se exauriu no momento que,o biografo, Paulo Cesar Araujo,fez um ícone trabalho de cunho científico,garimpando e pesquisando entrevistas de rádio, televisão,jornais,músicas,livros,gravação e depoimento oral e armazenando um arcabouço de conteúdo a respeito do seu ídolo,o rei da música popular brasileira.

    Em nenhum momento agrediu a intimidade de Roberto Carlos,tudo que foi armazenado
    é de conhecimento do público,mesmo porque,foram garimpado e condensado no conteúdo e gerou o livro,Roberto Carlos em detalhes.

    Um magnifico e brilhante trabalho mas,o Sr.Roberto Carlos,se mostrou o que sempre nos escondeu,uma pessoa menor,um egoísta,veaco,ambicioso, medíocre e desprezível ser humano,mas serei justo,um grande cantor.

    Por este gesto ignóbil de Roberto Carlos,em impedir que o livro seja comercializado e que o mesmo não tenha nenhum direito sobre à obra e alegando que o mesmo que construíra tudo e merece receber dinheiro.

    Por isso que deixei de ouvir as músicas de Roberto Carlos e seu especial de fim de ano,o que mim enoja este rapaz.

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