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14 de julho de 2020 | 04:17 am

OCUPADOS E PRODUZINDO

Tempo de leitura: 2 minutos

Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

A UFSB está em protesto. Parada? Não. A universidade está viva como poucas vezes em sua breve história. Mobilizada, ativa, dialogando com a comunidade e apropriada por aqueles que buscam o melhor para a instituição: seus estudantes.

 

Sou professor universitário há sete anos e alguns meses. Já atuei em instituição privada e atualmente sou docente da segunda universidade federal de minha carreira. Durante quatro anos fui professor da Universidade Federal de Alagoas e há pouco mais de dois anos estou na Universidade Federal do Sul da Bahia. Na tarde do dia 21 de novembro tive uma experiência nova na carreira: ministrei uma aula num campus ocupado. O Campus Jorge Amado, em Itabuna, assim como as outras duas sedes da UFSB, completa nesta semana um mês de ocupação por seus estudantes. A resistência à PEC 55, que cortará gastos em setores essenciais e à MP 746, que propõe a reforma do ensino médio, são as pautas principais.

Minha aula foi sobre imagens e significados. Desta experiência, gostaria de desdobrar uma breve reflexão a respeito da imagem que encontrei naquele espaço. Há ali a ocupação fixa de algumas dezenas de estudantes. Eles se revezam no espaço, cuidando da alimentação, limpeza e uma extensa programação de atividades. Diferente do que alguns podem pensar, não é um grande camping. Estes jovens têm dedicado longas horas ao estudo de leis, debates, apreciação de filmes e aulas públicas sobre temas afeitos às motivações da mobilização.

Encontrei ali um espaço impecavelmente limpo, organizado e sistematizado. Uma comunidade quase familiar se formou entre aqueles que se dedicam a organizar ações a fim de marcar um posicionamento contra medidas governamentais que impactarão os rumos da instituição e, consequentemente, das suas vidas estudantis. Os discursos, contudo, não são centrados na perspectiva personalista. A preocupação com o futuro da educação superior é recorrentemente manifestada nas falas.

Estudantes de diversas áreas são capazes de ministrar verdadeiras aulas sobre a PEC, sobre gestão pública, sobre educação superior. Os eventos organizados pelos estudantes, divulgados em uma programação diária nas redes sociais são transmitidos ao vivo pela internet – através de tecnologia gerida pelo grupo. Minha participação teve audiência de 670 pontos de conexão. Considerando que cada ponto pode ter mais de uma pessoa assistindo e considerando que a aula gravada segue disponível na internet, pode-se estimar facilmente um público de cerca de 1000 pessoas. Para uma aula de caráter acadêmico… e ainda existem os que dizem que a universidade está parada!

A UFSB está em protesto. Parada? Não. A universidade está viva como poucas vezes em sua breve história. Mobilizada, ativa, dialogando com a comunidade e apropriada por aqueles que buscam o melhor para a instituição: seus estudantes. A vivência que a comunidade acadêmica tem experimentado é compatível com o que há de mais contemporâneo na educação: todos têm algo a ensinar. No Ocupa UFSB, os docentes têm recebido excelentes aulas.

Felipe de Paula é professor universitário.

Esta publicação possui 7 comentários
  1. blá blá blá , o tomada das universidades pelos estudantes é a demonstração de desespero quando a esquerda tende a desaparecer depois da ultima eleição onde foram varridos.
    Cabe ao reitor o pedido de reintegração de posse , se não o fizer poderá ser responsabilizado por dano ao patrimônio ou danos morais aos milhares de estudantes afastados de suas atividades por conta deste minusculo grupo

  2. Parabéns Professor Felipe,

    A classe dominante nunca desiste de deturpar a imagem e conduta de quem vem de encontro as suas conveniências e Paradigmas.

    Afinal são proprietários dos poderosos meios de comunicação.
    Infelizmente são capazes transformar vítimas em agressores.

  3. Não, Felipe.
    Vocês estão ocupados com o “Fora Temer”, isto sim. Alheios ao esforço que se faz para tentar colocar alguma coisa do País nos trilhos. E não estão dialogando com os principais problemas sequer do ensino e da própria universidade. O que mais vemos é uma massa de mal-formados, os que escapam da evasão, engrossando a fileira dos desempregados. Calma, é preciso sair da hipocrisia porque a sociedade está cada vez mais consciente e intolerante contra embustes.

  4. Estamos ocupados para assegurar que ainda exista universidade publica e de qualidade. Contra os cortes na saúde e educação, enquanto nos lucros dos banqueiros e especuladores financeiros ninguém mexe. É um movimento para além do Fora Temer. Mas a favor do que é público e pela garantia dos direitos essenciais garantidos pela nossa constituição

  5. Belíssimo texto Felipe! Só quem já foi a uma ocupação pode ver de perto o que realmente acontece. Os estudantes tem pautas coerentes e em defesa da educação. Isso sim é colocar o país nos trilhos, através de uma educação pública de qualidade.
    Só iremos progredir quando deixarmos de lado esta polarização da politica e pensarmos no coletivo, o que os estudantes tem feito muito bem.

  6. Que a sociedade está intolerante, não há dúvidas.
    Já os embustes estão sendo sugeridos nas entrelinhas da “nova” política que nos faz recordar de um passado que imaginávamos libertos.

  7. Não me é em nada estranho o post de um “Professor” em defesa deste grupo que, no final das contas, não passa de uma “massa de manobra” utilizada exatamente pelos que serão os maiores afetados pelas medidas tomadas. Em que pese a tributação de responsabilidade exclusiva aos Governos, pela má qualidade da Educação Superior no Brasil, todos os que já, como eu, passaram pelos bancos de uma Universidade, se tiverem um mínimo de bom senso, reconhecerão a postura dos “professores” que se aproveitam da sua condição diferenciada e tratam com desdém e desrespeito aqueles que lhe são confiados para educar. Quantas vezes estão tão envolvidos em seus interesses pessoais que abandonam as salas de aula e atrasam a formação das turmas ou comprometem a qualidade do ensino. Sejamos justos!

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