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11 de julho de 2020 | 02:11 am

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

Tempo de leitura: 3 minutos

daniel_thameDaniel Thame | danielthame@gmail.com

 

Atlético Paranaense x Coritiba pelo Youtube pode ter sido a Sierra Maestra da libertação dos clubes. Ou pode ter sido apenas um daqueles momentos que, embora históricos se perdem nos desvãos da História, porque nascem e morrem como uma intenção que não se transformou em ação efetiva e continuada.

 

Coritiba e Atlético Paranaense protagonizaram um jogo histórico na quarta-feira. Não pela qualidade do futebol, que futebol de qualidade é artigo raro nos campos brasileiros, mas pelo fato de que, pela primeira vez, um dos mais tradicionais clássicos do país não teve transmissão por uma emissora de tevê, aberta ou fechada, mas pelo Youtube, o canal de vídeos do cada vez mais onipresente Google.

O resultado, 2×0 para o Atlético, é o que menos importa, já que o Campeonato Paranaense, a exemplo dos demais estaduais, perdeu qualquer relevância.

O verdadeiro significado deste já histórico embate é que os clubes brasileiros podem estar dando o primeiro passo para se livrar das amarras das federações, verdadeiras sanguessugas e não raro antro das mais deslavadas negociatas, e da Rede Globo, emissora que detém os direitos de transmissão e praticamente monopoliza o futebol, dos jogos da Seleção Brasileira ao torneiozinho mais chinfrim.

É a Rede Globo quem determina quanto vai pagar aos clubes, os horários dos jogos e as partidas que vai transmitir, tudo de acordo com a sua grade de programação. O que implica, por exemplo, em jogos de meio de semana no obsceno horário das 22 horas, impraticável num país onde o transporte público funciona mal e a violência faz com que, à noite, não apenas todos os gatos sejam pardos, como também todo torcedor/cidadão seja uma vítima em potencial.

Ressalte-se que a Rede Globo está no direito de pagar quanto acha que deve pagar (e as vezes paga muito por um futebol de quinta categoria, vide o medonho Brusque 0x0 Corinthians na quarta-feira, pela Copa do Brasil) e transmite (ou não transmite) o que acha conveniente, ainda que num sábado de Carnaval, opte por transmitir Fluminense 0x0 Madureira (outro show de horror), privando o torcedor de assistir ao Flamengo x Vasco, com futebol igualmente horrendo, mas com muito mais apelo.

Posto que a Globo pode pagar o que quer e transmitir o que quer, desde que os clubes aceitem e assinem os contratos de transmissão. Aos que não aceitam buscar outros caminhos, cabe romper o status quo que impera desde que a bola é redonda.

E é ai que está a importância histórica do Atletiba. O jogo, segundo os dois clubes que o transmitiram em seus canais no Youtube, atraiu cerca de 3 milhões de pessoas.

Imagine-se o potencial de um Palmeiras x Corinthians, São Paulo x Corinthians, Flamengo x Vasco, Cruzeiro x Atlético Mineiro, Inter x Grêmio, Bahia x Vitória.

Os próprios clubes poderão negociar cotas de patrocínio, placas publicitárias nos estádios e uma infinidade de possibilidades de arrecadação que a internet, acessada do celular ao aparelho de tevê, permite. Isso sem as amarras e as intermediações das federações e sem as imposições de horário e de tabela das tevês.

É um longo e difícil caminho, mas é também uma revolução.

E como todo caminho longo e difícil, como toda revolução, exige perseverança, união, luta, paciência e resistência a forças poderosas.

Atlético Paranaense x Coritiba pelo Youtube pode ter sido a Sierra Maestra da libertação dos clubes. Ou pode ter sido apenas um daqueles momentos que, embora históricos se perdem nos desvãos da História, porque nascem e morrem como uma intenção que não se transformou em ação efetiva e continuada.

Cabe aos clubes brasileiros, com o caminho foi sinalizado e o primeiro passo dado, decidir se querem seguir em frente ou se contentar com um bolo que é dividido de forma desigual e em que a maioria tem que se contentar apenas com migalhas.

Recorramos a um simbolismo, esse sim inegavelmente Histórico: de Sierra Maestra a La Habana não é fácil, mas `si, se puede`.

Daniel Thame é jornalista e edita o Blog do Thame.

Esta publicação possui 0 comentários
  1. Um texto,artigo ou mesmo discurso é imprescindível,segundo Aristóteles, o pai da da retórica, o caráter do locutor e o orador,isso é ideias verdadeiras o que será inconteste.

    A bola era de meia recheada de capim,um objeto redondo usado como bolo,quem as praticava era os primitivos ou negros e escravos,isso é,casta social desprezível,fato clássico em várias sociedades.

    Os ingleses em 1894 introduziu a bola no Brasil,a mesma era de couro e borracha,
    muito pesada,quem jogava era a casta social marginalizada,desde então,longos anos e caminhos até o dia atual. Portanto,descarateriza o Status quo.

    Sierra Maestria,é sinônimo de prisão,coação,jugo pesado numa sociedade,a mesma ganhou a revolução implantando outra pior da anterior e cada família recebe uma porção de migalha pro sobreviver,inaceitável rimar com liberdade,se nem o ar é livre e pior pensar diferente.

    Aristóteles.384-322 a.C. Pai da lógica e retórica.

  2. Me poupe Daniel Thame. Falar em Sierra Maestra é falar em libertação? Pois na verdade esse “libertação” se tornou numa ditadura do proletariado. Onde Fidel e seus aseclas so enriqueceram. Faço-lhe uma indagação? Por que nao vai morar em Cuba, para sentir a realidade de uma ditadura. Isso é pura fantasia.

  3. O texto do Daniel Thame foi quase impecável no seu conteúdo se não fosse a besteira em comparar a libertação dos clubes com a implantação da ditadura cubana iniciada após a tomada da Sierra Maestra.

    Admirar ditaduras ao estilo Castrista(mais de 100.000 fuzilados e outros milhares de presos políticos) e outros tipos de regimes é direito de cada um, porém fazer comparações grotescas e desalinhadas com a realidade dos fatos é querer zombar dos leitores.

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