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24 de novembro de 2020 | 03:25 am

EM TEMPOS DE PÓS-VERDADE

Tempo de leitura: 2 minutos

Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

 

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica.

 

 

Vivemos na, já conhecida, época da pós-verdade. Momento contemporâneo onde “verdades” são reconstruídas com base em diferentes percepções ideológicas e diferentes interesses envolvidos. A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) se viu envolvida numa densa narrativa de “golpe” a partir da carta de exoneração lida pelo seu ex-reitor Naomar Almeida onde ele renuncia ao exercício da função e solicita sua exoneração ao Ministro da Educação.

Quase que imediatamente, surgiram notas em sites e blogs de todo o Brasil, sempre seguidos por lamentos distorcidos a respeito do tal “golpe” em curso no sul da Bahia. Muitos lamentando o “conservadorismo” dos “golpistas” ou mesmo o dano que os “golpistas” farão na instituição. O que poucos pararam pra pensar antes de reproduzir tais lamentos: que golpe é esse? Quem são os golpistas?

A UFSB vem dando trâmite aos seus processos eleitorais há cerca de um ano. Com uma gestão pro tempore, a segurança jurídica é um tanto quanto reduzida. A gestão pode, legalmente, ser substituída a qualquer tempo pelo Ministro da Educação. Diante disso, a comunidade acadêmica mobilizou esforços no sentido de reforçar a legalidade com o estabelecimento de uma representação eleita por sua comunidade. E assim foi feito, no primeiro semestre desse ano com a eleição de decanos para os Centros de Formação e os Institutos de Humanidades, Artes e Ciências.

O passo seguinte era a reitoria, com votação já agendada e aprovada pelo Conselho Superior da UFSB para o mês de novembro. Numa decisão unilateral e própria, o reitor Naomar na reunião do Conselho realizada na sexta-feira (29) comunicou através de uma videoconferência transmitida de Salvador que entregara seu cargo ao Ministério por meio de uma carta enviada há 9 dias e mantida em sigilo da comunidade por esse tempo.

Nesta carta, surgiram acusações genéricas de “ilegalidades” e de “corrupção” por parte de “membros da gestão” e consequente “golpe”, palavra que, no meu entendimento, acaba sendo utilizada de forma infeliz diante, principalmente, da conotação e simbolismo envolvido na aplicação desta nos últimos anos de nosso país. Leituras tortas, muitas agressivas, surgiram em diversos setores da academia, política e sociedade local e nacional.

O clima criado foi de extrema instabilidade, comprometendo grandemente a segurança e autonomia da instituição, uma vez que tal pós-verdade, repercutindo, pode levar ao pior dos cenários: uma intervenção do Ministério, com a nomeação de uma pessoa distante da realidade institucional e regional, comprometendo, inclusive, o desenvolvimento do projeto da Universidade.

Eventuais denúncias, reverberadas por apoiadores do ex-reitor em redes sociais, que sejam apresentadas através dos meios legais, apuradas e se constatada concretude dos fatos, os responsáveis punidos. Contudo é abjeto pensar no uso de subterfúgios discursivos para obstruir o processo democrático institucional.

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica. O desejo que move parte significativa da comunidade acadêmica é único: que esse processo democrático se consolide. Que aconteçam eleições na UFSB.

Felipe de Paula é professor da UFSB, campus de Itabuna.

Esta publicação possui 6 comentários
  1. O grito daqueles que razão não têm,sendo disparado primeiro por uma sem razão,
    desprovida de tudo de caráter,moral,honestidade e dignidade,uma farsante e ladra
    contumaz. Dilma Diaba.

    O que essa peste de tipo de pessoas no mundo existe e no Brasil esses vermes se multiplicaram na prostituição que o Brasil foi “governado” causando aversão a seita do PT só em ouvi falar.

    As universidades foram prostituída nestes últimos 14 anos,o que era um símbolo de ensino e valor,era as Universidades Federais,entre as melhores do mundo ensino e desenvolvimento de pesquisas.

    A realidade é entre as 1OO(cem) melhores universidades do mundo,nenhuma,o que antes desta desgraça do PT,sempre o Brasil pontuava e se destacava no ensino de
    qualidade e desenvolvimento tecnológico.

    A nível de Brasil as Universidades Federias em qualidade de ensino,é pior do que
    a Escola de Mutuns,Escola Zacarias Dantas,lá o ensino é levado a sério e este comentarista aprendeu não só o saber curricular,mas o saber da honestidade,do respeito,da dignidade e as virtudes das pessoas na convivência do dia a dia.

    A “tal” Escola de Ferradas de alcunha pomposo de “universidade” federal,centenas
    de alunos vão para outras instituições alegando que nem professores existem,as
    demandas curriculares dos alunos não atendem e as péssimas condições de ensino.

    Entretanto,o que pode esperar,o que um diretor de meia pataca sai com este chulo
    linguajar de golpe que uma vulgar “presidenta do Brasil” prostituiu a sociedade brasileira e para ser justo:em parte este diretor é um discípulo da Dilma vadia
    que saiu bufando é golpe,é golpe,é golpe,uma lástima que não saiu de camburão.

  2. Caro Prof. Felipe, você foi no centro da questão – a pós verdade! Sua ponderação é necessária nestes tempo/espaço bicudos de falsificações, mentiras e acusações levianas! Não há golpe na UFSB! Confio que os decanos e decanas dos Centros de Formação e do IHAC, tenham ao lado da reitora em exercício, prof. Joana, a sabedoria para conduzir os processos internos que se farão necessários com a renúncia intempestiva do agora ex-reitor que nos deixou perplexos por ocorrer há poucos dias do processo de consulta!

  3. Nos últimos 14 anos o modelo de educação das universidades eram elitistas,apesar de que ainda existe algumas que são,eu quero ver quem é o guerreiro que algum dia possa implantar um sistema de seleção de ingresso nas universidades que não faça acepção e não privilegia tal camada da sociedade.

  4. EM TEMPOS DE FAKE NEWS

    Na semana passada, abriu-se um processo de consulta à Comunidade Acadêmica para eleição do Reitorado da UFSB. O professor Naomar de Almeida Filho, Reitor Pro-Tempore, apresentou Carta de Exoneração, acusando “golpe”.
    Ninguém está contra que se realize consulta à comunidade acadêmica para escolha do/a Reitor/a da UFSB. O problema, entretanto, é que esse processo, assim como o impeachment da Dilma, tem aparência de legalidade, mas é ilegítimo.

    Por que esse “processo eleitoral para o primeiro Reitorado” é ilegítimo”?
    Porque “restrito aos segmentos que convencionalmente compõem a comunidade universitária, docentes, servidores e estudantes. Ao excluir a sociedade do território como quarto ator nos processos de escolha de dirigentes, o processo confronta princípios e valores da Carta de Fundação da UFSB”. A argumentação é simples: “esta universidade não nos pertence, não é propriedade de docentes, servidores e mesmo de estudantes. É um patrimônio do sofrido povo do território que nos abriga e inspira”.
    Sempre defendemos “a intensa participação social na governança institucional das instituições públicas (…) que, como a nossa, se definem pela democratização ampla de seus processos e pela grandeza de sua missão”. “Ao priorizar a missão social da Universidade, promovendo o protagonismo dos conselhos sociais em todos os planos, (…) definimos com clareza os rumos da UFSB como uma universidade socialmente referenciada”.
    Esse processo eleitoral “restrito aos segmentos que convencionalmente compõem a comunidade universitária, docentes, servidores e estudantes”, além de confrontar princípios e valores inscrito na Carta de Fundação da UFSB, ameaça “desestabilizar a gestão da universidade, comprometendo a viabilidade institucional do projeto”.

    E por que tem “mera aparência de legalidade”?
    “E de legalidade tem somente uma casca, talvez uma camuflagem, porque não segue regras e normas da democracia (…) que a duras penas temos tentado consolidar na instituição: não segue o Estatuto da Universidade nem as normas do Conselho Estratégico Social aprovadas pelo Conselho Universitário.”
    O “modelo de integração social” que praticamos buscou promover, além de “ampla inclusão étnico-social e respeito à diversidade de saberes”, o “engajamento da sociedade na governança institucional, com representação política efetiva nos órgãos consultivos e deliberativos da Universidade”. Levamos a sério nossa agenda de integração social.
    Quem há de negar que o I Fórum Social, que elegeu o Conselho Estratégico Social, foi “o evento mais marcante de nossa curta história”?

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