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18 de fevereiro de 2020 | 09:37 pm

LÚCIO: “DISSERAM QUE O MDB ESTAVA ACABADO. ERA CONVERSA PARA BOI DORMIR”

Tempo de leitura: 4 minutos

Lúcio Vieira fala de Charliane, MDB, Mangabeira, Wense e eleições 2020

O MDB baiano sobreviveu aos efeitos das imagens dos R$ 51 milhões, na avaliação do ex-presidente da legenda e ex-deputado Lúcio Vieira Lima. “Disseram que o MDB na Bahia estava acabado. Era conversa para boi dormir”, afirma o emedebista mais amado e odiado – depois do irmão Geddel – em conversa com o PIMENTA.

Para ele, as discussões no estado para incluir o MDB em alianças em colégios eleitorais importantes, a exemplo de Itabuna, reforçam o peso da legenda. E, aproveita até para falar de si e da condição de condenado da justiça. “Se eu não prestava antes, passei a prestar agora”.

O ex-deputado fala do cenário em Itabuna e vê a vereadora Charliane Sousa, ainda no PTB, como aposta promissora do partido para a disputa ao governo municipal em 2020, por representar a renovação.

– Logicamente, a Charliane está dentro desse perfil. Ela é nova, combativa, falando a linguagem da população. A população, majoritariamente, está descontente com o governo.

Ele acrescenta ao fatores renovação e desempenho dela na Câmara o fato de ser oposição e Fernando Gomes, do qual o MDB é aliado, fazer governo com rejeição alta. E, para ele, as críticas a Charliane, tanto internamente como as que vêm de fora, e não deixa de fazer menção ao colunista Marco Wense, se devem ao fato de que pretendem negociar alianças e colocá-la como vice.

– Por que todo mundo não quer o MDB com candidato? Por que critica Charliane? Ela é player (jogadora/pré-candidata) importante. Na hora que o partido coloca ela como candidata, corta o sonho daqueles todos que querem negociar uma vice por espaço em governo. E a orientação do MDB nacional é que nós disputemos a eleição no maior número de municípios possível.

Segundo Lúcio, o MDB deverá ter entre 80 e 100 candidatos a prefeito em todo a Bahia, que possui 417 municípios. Apesar das mudanças na política nacional e o humor do eleitorado, Lúcio se arrisca a falar que o MDB quer sair das urnas com 15 a 25 prefeitos eleitos na Bahia. “Mas falar de números agora é “chutômetro”, pois o prazo de filiações vai até abril”, pondera.

Para este querer se tornar em poder, observa, vai depender de como os pré-candidatos emedebistas pontuarão nas pesquisas até o prazo final das eleições. “Se Charliane chega a 20% das intenções de voto para prefeito em abril, vai ter muita gente se filiando ao MDB querendo sair a vereador”, diz, apontando uma das variantes nesse “querer”.

MDB, PDT, NETO E WENSE

Lúcio ainda diz que o MDB não está impedido de fazer aliança com Mangabeira, apesar das críticas de membros do PDT. No início da semana, Lúcio respondeu a artigo do pedetista Marco Wense. “Não tenho atrito com ninguém, não tenho magoa com ninguém. Não vou transigir de ficar ouvindo toda coisa, quanto mais de um militante partidário”. Ele disse que não impede o MDB de fazer aliança com Mangabeira, PT ou DEM. “Sou amigo de Geraldo [Simões], me dou com Augusto Castro, me dou com Fernando… Mangabeira ainda não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente”.

Segundo ele, a animosidade começou com notas que vinculavam o acordo do MDB com ACM Neto no apoio a Bruno Reis, pré-candidato a prefeito de Salvador, e a pressão para o MDB também fechar com Mangabeira, em Itabuna. “Se for para negociar como imaginam… Mangabeira nem para o DEM quis ir. Nem do DEM ele é. É muito mais fácil o Neto apoiar o MDB [em Itabuna]”.

FASE DE TRANSIÇÃO

Para Lúcio Vieira, o MDB, assim como os outros grandes partidos, está passando por fase de transição para acompanhar as mudanças da sociedade. “O partido que fez o presidente da República foi o PSL. Isso é demonstração clara de que o sistema político brasileiro está falido. O PSL não tinha história, não tinha bandeira… [O brasileiro] votou pelo fenômeno Bolsonaro e o PSL saiu elegendo bancada grande [na Câmara Federal], governadores”, completa.

Na avaliação dele, as legendas não têm mais bandeiras e lembra que Bolsonaro foi eleito “sem apresentar o que faria pela educação, pela saúde”. “A grande bandeira era combater a corrupção, como se isso fosse programa de governo. Para isso temos a Polícia Federal, Ministério Público. Combate à corrupção é importante, sim, mas não discutia o que realmente interessa ao povo”.

O ex-deputado disse que partidos não entenderam bem os sinais emitidos pelo eleitorado quando optaram por mudar nome e não fazer reforma política séria. “Vamos mudar o nome dos partidos. Um virou Avante, o outro não sei o quê, como se mudar o nome fosse como mudar de roupa e esse mudar deixasse tudo lindo… Certo é que ninguém tem a fórmula para mudar a cabeça do eleitorado, conquista-lo.

INTERNET

Questionado sobre os impactos dessas mudanças e como será em 2020, ano de eleições municipais, ele diz que até agora “ninguém tem a fórmula”. E reforça que hoje ninguém vai mais para comício. Hoje é tudo internet. Encontro na universidade, ninguém vai. É tudo live [transmissão ao vivo pela internet]”, aponta, lembrando que não existe mais, como antes, o conceito de sociedade civil organizada.

Mas vê como necessário e urgente o processo de renovação na política. “Houve um envelhecimento de todas as lideranças dos partidos e há processo de renovação. O ex-deputado vê o eleitor muito mais lincado aos problemas nacionais e estaduais mesmo numa eleição municipal, embora no pleito local entrem outras variantes.

“Neste aspecto, a internet vai influenciar. Ou seja, a política municipal está saindo daquela história do “gabiraba” contra não sei o quem, “jacu baleado” contra não sei o quem”, diz, enumerando a crise nas prefeituras e a dificuldade de os municípios resolvê-la sem ajuda externa. “Então, os problemas vão ficando nacionais”.

RENOVAÇÃO

A saída, crê, é o candidato não apenas dizer que é contra, mas como vai melhorar a situação de cada município. Citando especificamente os novos, afirma que estes poderão juntar propostas ao fato de não ter tido oportunidade. “Você vai pegar o fato de gente que já foi prefeito duas, três vezes… O cara vai perguntar: por que não fez quando foi prefeito? Fernando Gomes e [Capitão] Azevedo vão dizer que vão dizer que vão fazer alguma coisa. Eles já tiveram oportunidade.

Lúcio também disse que o partido decidirá se terá candidato a prefeito em Ilhéus ou apoiará o empresário Valderico Júnior, hoje no DEM.

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