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7 de julho de 2020 | 02:25 am

A DISPUTA PELO COMANDO DO PT

Tempo de leitura: 2 minutos

Marco Wense

 

A relação política de Gleisi Hoffmann com Fernando Haddad é cordial diante dos holofotes. Ambos fazem questão de mostrar um bom relacionamento. Em conversas reservadas, no entanto, não é bem assim.

 

As eleições internas do Partido dos Trabalhadores, que acontece nos dias 22, 23 e 24 de novembro, para o comando nacional da legenda, será tranquila no olhar do público e agitada nos bastidores.

Tranquila porque vai passar a impressão que tudo ocorreu de maneira consensual, com as várias correntes chegando a um acordo. Agitada porque existe uma acirrada disputa entre os que querem a permanência de Gleisi Hoffmann na frente do partido e os defensores do nome do ex-presidenciável Fernando Haddad.

A corrente Construindo Um Novo Brasil (CNB), majoritária no petismo, está dividida entre renovar e continuar com Hoffmann, que ainda não desistiu de ser a candidata ao Palácio do Planalto na sucessão de 2022, já que a inelegibilidade de Lula vai durar um bom tempo.

No frigir dos ovos, o controle da direção nacional do PT vai ficar com quem o ex-presidente Lula quiser. E Lula quer Gleisi. Portanto, ponto final. A deputada vai continuar no comando da legenda. O resto é oba-oba. Puro teatro.

A tal da renovação vai ficar para depois, quando Lula achar conveniente. É melhor um “pássaro” na mão, que é a Gleisi, sua porta-voz desde que foi preso, em 7 de abril de 2018, do que dois voando, Fernando Haddad, o “poste” da eleição que elegeu Jair Messias Bolsonaro, e o governador da Bahia Rui Costa. Ambos também companheiros, mas não tanto confiáveis como Hoffmann.

Por dois motivos a deputada federal do Paraná permanecerá no posto. O primeiro, é que ninguém vai peitar a inconteste liderança de Lula. O outro é de puro companheirismo. Seria imperdoável Lula preso e ainda derrotado no processo eleitoral do partido. O movimento pró-Haddad tende a enfraquecer em decorrência desses dois fatos.

O presidente do PT da Bahia, Everaldo Anunciação, já sinalizou sua posição: “Lula tem uma afinidade com Gleisi, que tem cumprido um papel importante no PT, em uma conjuntura muito difícil”. Obviamente, a “conjuntura difícil” que se refere Anunciação diz respeito a dois pontos: a prisão do líder maior e o enraizado antipetismo.

A relação política de Gleisi Hoffmann com Fernando Haddad é cordial diante dos holofotes. Ambos fazem questão de mostrar um bom relacionamento. Em conversas reservadas, no entanto, não é bem assim. Vale lembrar que a parlamentar fez de tudo para impedir a candidatura do ex-prefeito de São Paulo na sucessão de Michel Temer. Gleisi queria ser a candidata do PT.

A torcida, digamos, “gleisiniana” pode ter um invejável reforço: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a decisão do STJ de diminuir sua pena, poderá ser solto em setembro. De fora da prisão, a campanha para Gleisi será mais intensa, inclusive convencendo os adversários a desistir de enfrentá-la. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

HÁ 50 ANOS, DESCOBRIMOS A TERRA QUANDO ANDÁVAMOS NA LUA

Tempo de leitura: 6 minutos

Lucas França

 

 

Em última análise, os smartphones que temos no bolso, tornaram-se um computadorzinho superpoderoso, aliás, muito mais poderoso do que aqueles que levaram o homem à Lua.

 

 

Marina Silva tinha 11 anos e vivia num seringal no Acre, quando tudo aconteceu. “Antes de ver alguma imagem de televisão, alguma movimentação, eu vi as fotos na Revista Manchete”. O Cid Moreira estava no estúdio do Jornal da Globo. “Não só a mim, mas todos que assistiam o evento, estávamos todos emocionados. Foi sensacional”. Também participou daquela cobertura com o Cid, o jornalista Hilton Gomes, que morreu em 1999. “Resta-nos desejar boa sorte aos astronautas Armstrong, Collins e Aldrin”. E eu? Bem, eu nasceria somente cinco anos após o feito, no mesmo mês.

Celebridades, parentes dos astronautas, engenheiros e 3.550 jornalistas de 54 países estavam em postos de observação mais próximos do lançamento, cerca de dois quilômetros da plataforma. A nave americana Apollo 11 tinha deixado a Terra, mais especificamente o Cabo Canaveral, na Flórida, no dia 16 daquele mês. Mais de duas toneladas de combustível foram queimadas em dois minutos. “…dois minutos e quarenta segundos depois, a Apollo está a 64 quilômetros de altura e se prepara para soltar o último estágio”, narrava, ao vivo, o jornalista Celso Freitas, dos estúdios da TV Globo. Pois é! O 20 de julho de 1969 é de certa forma o 11 de setembro de uma geração, onde é comum lembrar onde se estava, e o que se estava fazendo.

Conta a história que a Apollo 11 atravessou 350 mil quilômetros para ir da Terra até a Lua. É tipo você ir 80 vezes do Norte ao Sul do Brasil em linha reta, só que em quatro dias e meio. A espaçonave foi atraída pela força da gravidade lunar e entrou em órbita na superfície da Lua, quatro minutos antes do horário previsto. Eles estavam a 6.007 quilômetros por hora. E às vinte e três horas, cinquenta e seis minutos e trinta e um segundos, horário de Brasília, o homem tocou o solo da Lua pela primeira vez. Sábado, dia 20, foi o aniversário de 50 anos daquele dia.

O espetáculo foi, inclusive, transmitido pela televisão, ao vivo, para um bilhão e duzentos milhões de pessoas. Pra você não se perder aqui, os três tripulantes eram: Neil Armstrong, Buzz Aldrin (segundo homem a pisar na Lua) e o Michael Collins, que ficou em órbita, esperando os dois brother’s voltarem com o módulo lunar. Estive pesquisando em um blog que fala sobre o assunto, e li a opinião da biomédica Helena Nader, que presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Ela estava na faculdade quando tudo aquilo estava acontecendo.

“Marcou a minha vida em termos de ciência. Foi a prova de tenacidade e determinação do ser humano, da conquista daquilo que parecia impossível. E eu lembro da frase do Armstrong, quando ele andou, sobre o pequeno passo. Eu percebi com aquilo que, ciência bem-feita, a gente pode conseguir muitas coisas para a melhoria da humanidade”, relatou a cientista.

Os astronautas levaram quatro câmeras fotográficas e duas cinematográficas para registrar a missão. Não era só uma questão de …ah beleza, chegamos, que legal! Era uma missão científica, fazer registros e coletar dados. Entre outras coisas, eles relataram que a Lua era mais dura do que parecia, que o solo era mais fofo do que eles pensavam. Fofo no sentido de macio, para ficar claro. Segundo Armstrong, o pé dele afundou cinco centímetros na primeira pisada. Claramente fofo.

A visão que os dois astronautas tiveram na superfície era uma espécie de ‘dia e noite’ ao mesmo tempo. Se olhassem para o chão era dia, se olhassem pro céu era noite. Eu explico. O solo lunar é iluminado pelo sol, mas o céu é negro e estrelado, já que a Lua não tem uma atmosfera como a Terra. Os cosmonautas americanos aproveitaram, intencionalmente, para fincar a bandeira americana dos Estados Unidos (EUA). Quando estavam por lá, prestaram a primeira continência lunar à bandeira norte americana.

As edições dos jornais daqueles dias contam tudo o que estava acontecendo no satélite, trazem artigos de opinião e registram os parabéns ao feito, de autoridades internacionais e brasileiras, entre elas, o presidente Artur da Costa e Silva. Os jornais também registram todas as tenções da guerra fria quando tudo aquilo acontecia. Porque sim, a ida na Lua era muito bonito, mas fazia parte de uma disputa de poder entre os EUA e a União Soviética. Os soviéticos levaram a melhor mandando o primeiro satélite para o espaço, o primeiro ser vivo, a pobre da cachorrinha Laica, que morreu em órbita, e o primeiro homem, Yuri Gagarin. Mas no final, contou mais pontos para a corrida espacial, o feito americano de ir mais longe, prometido pelo presidente John Kennedy.

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JOÃO GILBERTO, O MESTRE AVOADO

Tempo de leitura: 2 minutos

Marival Guedes || marivalguedes@yahoo.com.br

 

 

João Gilberto, principal nome da Bossa Nova, levou esta nova batida e jeito de cantar para o Brasil e vários outros países influenciando decisivamente uma geração de grandes nomes da MPB. Um mestre que deixou um imenso legado.

 

 

Escrevi este texto há cerca de dois meses para o programa Multicultura da rádio Educadora onde fui premiado ao responder uma questão sobre a Bossa Nova. Dentre os brindes, o livro Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova (Ruy Castro).

O livro contribuiu para eu entender melhor João Gilberto, incluindo seus atrasos e “desligamentos”. Desde criança é avoado: esquecia livros, cadernos, canetas e até as sandálias.

Um dia a mãe lhe deu um par de sapatos e o advertiu para ter cuidado. Na rua foi convidado a jogar bola e enterrou os sapatos com medo de perdê-los. No final do jogo não lembrou o local e voltou pra casa descalço.

Quando estava em Porto Alegre decidiu ir à Diamantina (MG) visitar a irmã Dadainha e o cunhado Péricles. Ao chegar, notou que não havia levado o endereço e saiu perguntando onde morava o casal. Ficou impossível. João desembarcou na cidade errada, em Lavras, a quatrocentos quilômetros do seu destino.

Episódio também interessante ocorreu quando já fazia sucesso: depois de um show em Belo Horizonte um músico cego foi visitá-lo no hotel e elogiou o som do violão. João lhe ofereceu o instrumento de presente. O músico recusou, mas João insistiu: “faço questão. Leve como lembrança”.

Detalhe: o violão não era dele e o dono, seu amigo Pacífico Mascarenhas, responsável pela contratação do show, assistia incrédulo àquela cena. Mas não interferiu.

Na juventude em Juazeiro, introspectivo dentro de casa, só queria tocar e cantar. O pai avaliou que Joãozinho estava “ficando tantã” e um primo-irmão o levou para uma consulta no Hospital das Clínicas, em Salvador, setor psiquiátrico.

Da janela do hospital João, contemplando a paisagem, falou:

“Olha o vento descabelando as árvores”.

Uma psicóloga comentou: “Mas árvores não têm cabelo, João”.

Ouviu a tréplica genial: “E há pessoas que não têm poesia”.

João Gilberto, principal nome da Bossa Nova, levou esta nova batida e jeito de cantar para o Brasil e vários outros países influenciando decisivamente uma geração de grandes nomes da MPB. Um mestre que deixou um imenso legado.

Marival Guedes é jornalista.

SUCESSÃO DE ITABUNA

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Marco Wense

 

O problema é juntar o, digamos, “hibridismo político” no mesmo palanque. Todos de mãos dadas: Geraldo Simões, Fernando Gomes, Augusto Castro, Davidson Magalhães, Claudevane Leite, os médicos Eric Ettinger Júnior e Renato Costa, Roberto Minas Aço e etc .

 

Os articuladores políticos do PT, quando a pauta é a sucessão do prefeito Fernando Gomes, são unânimes em afirmar que a união das legendas da base aliada do governo Rui Costa é imprescindível para derrotar os que eles acham que não farão campanha para o candidato do partido na eleição de 2022.

O comando estadual da legenda, ainda sem o aval do governador, já se posicionou, pelo menos informalmente, mas de maneira incisiva e intransigente, que o lançamento de candidatura própria para o cobiçado Palácio de Ondina é decisão irrevogável.

Os petistas, mais especificamente os mais vistosos, que exercem uma certa liderança sobre os demais, estão preocupados com o fato de que os três prefeituráveis que estão na frente nas pesquisas de intenções de voto não são politicamente confiáveis, não vão rezar pela cartilha dogmática do partido.

Mangabeira, do PDT, é quem mais causa arrepio no staff petista. Vale lembrar que o governador Rui Costa apoiou Fernando Gomes, então candidato do DEM, no pleito de 2016. O alcaide pretende disputar o sexto mandato tendo Rui novamente do seu lado.

O capitão Azevedo, do PTB, vem conversando com o prefeito ACM Neto sobre sua possível filiação ao DEM. O problema do ex-gestor é sua instabilidade política, o que termina colocando algumas pulgas atrás das orelhas do chefe do Palácio Thomé de Souza.

O outro é o ex-tucano e ex-deputado estadual Augusto Castro, hoje filiado ao PSD do senador Otto Alencar. Além de ser um histórico antipetista, que fazia oposição dura aos governos do PT, defende a candidatura de Otto na sucessão de Rui Costa. Como não bastasse, não quer nem ouvir falar do “Lula Livre”.

O problema é juntar o, digamos, “hibridismo político” no mesmo palanque. Todos de mãos dadas: Geraldo Simões, Fernando Gomes, Augusto Castro, Davidson Magalhães, Claudevane Leite, os médicos Eric Ettinger Júnior e Renato Costa, Roberto Minas Aço e etc .

Obviamente que o candidato de ACM Neto, também postulante a ser o morador mais ilustre do Palácio de Ondina, vai ser aquele com mais chances de derrotar a opção que surgirá dessa difícil missão de buscar um nome de consenso da base aliada do governador Rui Costa.

O ex-prefeito Geraldo Simões, hoje uma espécie de “patinho feio” na cúpula do PT, assim que soube da aliança de Rui Costa com Fernando Gomes, a definiu como “casamento de cobra com jacaré”.

Pelo andar da carruagem, parece que Geraldo se enganou. O governador e o prefeito estão tendo um bom relacionamento político. No staff fernandista, tem até quem aposte que o apoio de Rui ao sexto mandato de FG é favas contadas.

PS – Correligionários mais próximos de Fernando Gomes não descartam a possibilidade de ter Azevedo como vice. Esperam, ansiosamente, o resultado da conversa do capitão com ACM Neto.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

OTTO E O GRUPO DOS 13

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Marco Wense

 

Esse confronto Otto versus PT já era esperado. Até as freiras do convento das Carmelitas sabiam que, mais cedo ou mais tarde, o pega-pega seria inevitável.

 

Davidson Magalhães, presidente do PCdoB da Bahia, foi mais um da base aliada do governo estadual a criticar a declaração do senador Otto Alencar, que chamou de “incoerentes” os parlamentares que votaram contra a reforma Previdenciária.

Davidson, que é também secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, achou “injusta” a opinião do senador, que é presidente estadual do PSD e pré-candidato a governador na sucessão de 2022.

Otto condenou o fato de votarem a favor da mudança no sistema de aposentadoria do Estado e ser contra a reforma bolsonariana. O comunista rebateu dizendo que “as propostas do governo Bolsonaro e da gestão de Rui Costa são coisas completamente diferentes”.

Otto peitou o “Grupo dos 13”, formado por deputados federais do PT, PCdoB, PSB, PDT e PP. Todos com cargos no primeiro escalão do governo Rui Costa.

A firmeza do senador, cada vez mais se distanciando do petismo, foi elogiada pelos presidentes Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia e ACM Neto, respectivamente da República, Câmara dos Deputados e DEM nacional.

De todo esse bafafá, ficou a forte impressão que Otto Alencar não iria girar sua metralhadora para 13 deputados da base sem saber qual seria a reação do governador Rui Costa. Não iria comprar uma briga com legendas aliadas para contrariar o chefe do Palácio de Ondina.

Nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, o que se comenta é que Rui sabia que Otto iria criticar o “Grupo dos 13”.

A atitude de Otto é encarada como mais um passo para se distanciar do PT, que já decidiu que não abre mão de candidatura própria no pleito de 2022 para o governo do Estado.

Esse confronto Otto versus PT já era esperado. Até as freiras do convento das Carmelitas sabiam que, mais cedo ou mais tarde, o pega-pega seria inevitável.

PS – A segunda etapa do modesto Editorial do Wense vai até o número 200. Somados com os 300, um total de 500. Não vai ser fácil. Depois, quem sabe, um livro.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

QUE O SOL SEMPRE BRILHE NO TURISMO DE ILHÉUS

Tempo de leitura: 4 minutos

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

 

 

A Atil sempre foi forte, embora a individualidade tenha sido frequentemente seu calcanhar de Aquiles. A Atil de hoje não pode mais depender do poder público para participar dos grandes eventos turísticos, economizando migalhas como se não fosse investimento.

 

Fiquei bastante surpreso com a recepção dos segmentos do trade turístico de Ilhéus em relação à posse da nova diretoria da Associação de Turismo de Ilhéus (Atil), entidade com 30 anos de praia. Há bem pouco tempo ninguém ouvia falar nada sobre a Atil, nada de bem ou mal, simplesmente era ignorada, inclusive pelos seus quadros, em dia com as obrigações sociais ou não.

Numa município do porte de Ilhéus, que reúne todas as condições para bombar no turismo nacional, pouco se sobressai, atraindo apenas uma parcela ínfima dos que viajam em busca de descanso, lazer, conhecimento. Muitos do que aportam no aeroporto Jorge Amado embarcam em vans e se dirigem a outros destinos bem próximos, como Itacaré, Maraú (Barra Grande) ou Una (Comandatuba).

Esses mesmos turistas utilizam alguns equipamentos de Ilhéus, a exemplo do porto ou aeroporto, mas voltam para casa sem conhecer os atrativos de Ilhéus, incluindo as belezas naturais, seu casario colonial e da civilização do cacau, suas variadas praias, e a zona rural. Perdem eles [os turistas] por não conhecerem os atrativos, e mais, ainda, o segmento turístico de Ilhéus, essa grande oportunidade de negócio.

Se acaso fossem convidados para virem a Ilhéus, poderiam conhecer pessoalmente, ao vivo, o que leram e imaginaram nas histórias contadas por Jorge Amado, quem sabe beber um chope e comer um quibe no Vesúvio, experimentar a boa cachaça do Rio de Engenho, uma boa dose de Cauchaça, destilada do mais puro mel de cacau, conhecer as fábricas de chocolate artesanal e experimentar o verdadeiro e puro chocolate…

Se por acaso é aficionado por ecologia, pode e deve visitar a Mata Atlântica preservada por obra e graça das roças de cacau, conhecer o pé e o fruto do cacaueiro e todo o processo de transformação em chocolate e demais subprodutos. Tomar banho em cachoeiras, conhecer as famosas ilhas flutuantes, comer uma moqueca e depois se espreguiçar contemplando a deslumbrante natureza…

É pouco, tem mais: a cidade de Ilhéus foi localizada num dos pontos mais belos da costa baiana banhada pelo oceano Atlântico e rios, estes navegáveis em pequenas embarcações, próprias para se aventurar mata a dentro, visitar os manguezais. Pode, ainda, se maravilhar com o casario da época da colonização do Brasil e a linda arquitetura importada pelos coronéis do cacau, entre elas o majestoso convento da Piedade.

Quem sabe a nova direção da Atil poderá contemplar nativos e turistas estimulando o poder público com as melhorias no belvedere da Conquista, de onde se vislumbra, de uma só vez, a baia do Pontal, a praia da Soares Lopes e grande parte da cidade… Garanto que a Ilhéus dos tempos atuais é bem melhor para se visitar do que a Ilhéus das novelas, excelente para sonharmos com nossa história.

Presente à posse, o prefeito Mário Alexandre promete parceria em projetos e ações, aliás iniciadas antes mesmo da eleição e posse, com a finalidade de consolidar a Estrada do Chocolate, que liga Ilhéus a Uruçuca. No roteiro, indústrias moageiras de cacau, fazendas com fábrica de chocolate gourmet, o acervo histórico e arquitetônico construídos pelos “coronéis do cacau”, o Rio do Braço, Banco do Pedro, onde está localizada a Biofábrica do Cacau.

Que novas parcerias sejam firmadas com o interesse precípuo do desenvolvimento turístico de Ilhéus, apoiado nas experiências do passado, para que não se repitam os erros calcados no individualismo e pompas dos cargos. Mais do que nunca, compartilhar as ideias com a sociedade e construir projetos de interesse econômico e social, aglutinando forças positivas.

A Atil sempre foi forte, embora a individualidade tenha sido frequentemente seu calcanhar de Aquiles. A Atil de hoje não pode mais depender do poder público para participar dos grandes eventos turísticos, economizando migalhas como se não fosse investimento. É preciso se conscientizar do seu tamanho e seu poder, ser uma instituição determinada a promover seu próprio negócio, uma atividade sublime, a de tratar bem as pessoas.

O turismo é bem mais que uma atividade econômica. Acredito que seja um estado de espírito pelo qual ainda se tem a felicidade de ser remunerado. Se ficamos felizes por receber um parente ou um grande amigo em nossa casa, desfrutamos de sua agradável companhia, dos momentos de lazer e dos bate-papos e ainda ficamos com saudade quando eles nos deixam para voltarem às suas casas.

Se nessa condição ficamos agradecidos, imaginem se ainda tivermos as vantagens econômicas dessa relação? Uniremos o útil ao agradável: Hospedamos pessoas até então desconhecidas, recebemos um determinado pagamento pelo serviço prestado, e ainda ganhamos amigos. Serão essas pessoas que manterão nossos negócios por anos a fio, seja voltando para nos visitar ou nos indicando a amigos.

Não precisamos procurar chifre em cabeça de cavalo para verificar como qualquer negócio funciona, inclusive o turismo. Como temos que nos reinventar com frequência para enfrentar a concorrência e a dificuldade do mercado, temos que continuar tratando bem os nossos clientes e buscar os melhores técnicos da área para nos orientar no algo mais que poderemos oferecer.

Essa regra vale para Ilhéus, Rio de Janeiro, Porto Seguro, Paris, Canavieiras, Havaí ou o mais recôndito lugarejo escondido no meio das matas, na caatinga, numa praia sem acesso ou numa rua qualquer da cidade. Ilhéus somente será o point quando o negócio de cada um contribuir para tanto. Se cada um criar um diferencial no padrão de atendimento dos seus clientes, todos serão bem-sucedidos.

O que acontece com o turismo de Ilhéus é um filme já visto frequentemente com a cultura do cacau, que fracassou com a introdução da vassoura de bruxa num momento em que as plantas se ressentiam de uma seca impiedosa e da falta de atenção dos cacauicultores. Com sangue novo, tal e qual a fênix ressurgiu das cinzas e hoje deixou de ser uma simples commodities para se apresentar como um produto de excelência, com indicação geográfica.

À Atil cabe aproveitar as boas ideias, mesmo que velhas, incorporando às novas, desde que boas.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

NO MESMO DIAPASÃO

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Marco Wense

 

A dúvida é se esse diapasão de Rui e Wagner vai chegar aos municípios, para o desespero das velhas e carcomidas ex-lideranças que ainda se acham vivas.

 

 

O governador Rui Costa e o senador Jaques Wagner, quando o assunto é a sucessão soteropolitana, obviamente do prefeito ACM Neto (DEM), têm a mesma linha de pensamento. Estão afinados.

As duas maiores lideranças do petismo baiano são da opinião de que é preciso oxigenar a política com pessoas novas, dando um chega pra lá no empoeirado, nas velhas figuras que deveriam politicamente se aposentar.

É evidente que o morador mais ilustre do Palácio de Ondina faz de tudo para não tornar pública sua posição, evitando assim constranger alguns companheiros prefeituráveis que insistem em colocar seu nome como opção do PT na disputa pela prefeitura de Salvador.

Mas chega um momento que “ninguém é de ferro”, como diz a sabedoria popular. Ao ser questionado sobre a disputa pelo comando do Thomé de Souza, Rui Costa não aguentou o sufocante silêncio: “Temos vários nomes importantes e o de Bellintani é importante, poderá nos ajudar nesse processo”. O preferido do governador é presidente do Bahia e não é filiado ao Partido dos Trabalhadores. Vale lembrar que o PT já confirmou que não abre mão de lançar candidatura própria.

Tanto Rui Costa como Jaques Wagner têm razão. As empoeiradas e velhas raposas não podem ter mais espaços no jogo político. Tem até os que merecem um “obrigado” pelo que já fez, mas passou. Agora é dar oportunidade para quem vai chegando.

O diapasão do governador é o mesmo do senador, que é mais duro, vai mais longe e não perdoa nem o próprio PT e aliados que se articulam para a sucessão do governador Rui Costa, como o também senador Otto Alencar, dirigente-mor do PSD baiano.

Wagner, em todas as suas declarações, deixa bem claro a necessidade de renovação dos quadros petistas, que a legenda precisa de novos ventos, de novas lideranças. E até descarta, pelo menos nas entrelinhas, o colega Otto Alencar na sua legítima pretensão de disputar a sucessão de Rui Costa. Wagner diz que o sucessor de Rui Costa “deve ser alguém jovem”.

A dúvida é se esse diapasão de Rui e Wagner vai chegar aos municípios, para o desespero das velhas e carcomidas ex-lideranças que ainda se acham vivas.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

O NORDESTE, CABRA DA PESTE

Tempo de leitura: 4 minutos

Efson Lima

 

Nordeste é um complexo de múltiplas identidades. De múltiplos sonhos. Nordeste – tu, você, cê, oxente, continua sendo uma terra abençoada. Compreendê-lo é um desafio para nós, que aqui nascemos e/ou moramos e o mundo. Oxalá!

 

O mês de junho de 2019 chegou ao fim. Para nós baianos e nordestinos é um dos meses – para não ser taxativo – que as tradições ganham fôlego e mostram o quanto temos de identidade. Na, quinta-feira última (04), no almoço com colegas de trabalho e à noite, após encontro de grupos de pesquisa sobre Direito e Literatura, o tema Nordeste voltou à mesa.  E tinha que voltar, afinal, o povo do sertão com o povo da capital juntos reascendem a fogueira. Na mesa havia um gaúcho. Assim, melhor ficou evidenciado o ser nordeste para os baianos. Não é o debate do pior e/ou melhor, apenas discorrendo sobre o sujeito cultural.

De início, a expressão “cabra da peste” marcante e ligada a nossa gente possui mais de uma versão. Há quem considere que a expressão é usada referendar o sujeito destemido, mas também pode ser dita em situação de ofensa. Será que no primeiro caso seria a confirmação do registro de Euclides da Cunha em Os Sertões, onde “o sertanejo antes de tudo é um forte”?

No Dicionário do Folclore Brasileiro, Luiz da Câmara Cascudo afirma que “cabra” era como os navegadores portugueses referendavam os índios que “ruminavam o bétel” planta com folhas de mascar. Ao longo do tempo, o animal pode ter sido visto como sinônimo de homem forte em decorrência do leite – percebido mais denso e nutritivo que o da vaca.  Há indicativo que a conotação com “peste” surgiu em virtude da má fama da cabra, identificada como sendo simpática ao diabo na tradição nordestina. Lembro que quando criança, falar o termo “peste” merecia uma tapa da minha mãe, pai, tio, irmãos…

Na Bahia, quem ainda não ouviu Raiz de Todo Bem, do compositor Saulo Fernandes, cantada na voz do mesmo, que parece um hino para Salvador, identifica a expressão facilmente: “Oxente, ‘cê num ‘tá vendo que a gente é nordeste?/Cabra da peste Sai daí batucador”? Mais que um conjunto de palavras, é a representação da nossa identidade, dos nossos sentidos e signos. Sou eu e você! Somos nós!

Do ponto de vista das regiões do Brasil, no ano de 1940, o país tinha as seguintes regiões: Norte, Nordeste, Este, Centro e Sul. No ano de 1950, os Estados do Maranhão e Piauí passaram a compor a Região Nordeste (antes estavam relacionadas ao Norte). O Estado da Bahia só foi incorporado ao Nordeste a partir de 1970.  Antes, estávamos de mãos dadas com os Estados de Sergipe e Espírito Santo na denominada região “ESTE”. Sudeste nem existia.  Registra-se que essas divisões foram sendo sistematizadas a partir de 1913. Geográfico o parágrafo, mas nos oferece uma dimensão política e como foi processada a construção das identidades regionais. A forma do mapinha atual tem sua divisão estabelecida em 1970 pelo IBGE. Aí, sim, caba da peste, somos Nordeste? Não, já nutríamos esse sentimento. Foi um redesenhar.

Abordar Nordeste é muito mais que tomá-lo simplesmente como um espaço geográfico, é recorrer aos povos originários, às tradições orais, à História do Brasil, às invasões, à lavoura da cana de açúcar, falar do mar e das praias, da mata atlântica, do cacau. É enfrentar o problema da desigualdade socioeconômica e da concentração de terras. Euclides Neto, que pertenceu o quadro de membros da Academia de Letras de Ilhéus, já tratou deste assunto. É relembrar literatura e compreender um sentido de território muito mais amplo que um mero signo geográfico, como sinaliza Milton Santos, baiano e com circulação em Ilhéus, professor do IME e também pertenceu a Academia de Letras de Ilhéus.  Símbolo maior da geografia nacional e uma das estrelas da geografia no mundo. Pena que pessoas como ele  têm sido maltratadas na quadra atual.

O obscurantismo parece ser o caminho. Graças que estamos protegidos pelos nordestinos, que ousam não ser seduzidos pelos caminhos fáceis. Nordeste é tratar da proposta educacional de Paulo Freire, Anísio Teixeira… propostas emancipadoras e que apresentam sentidos mais humano e problematizador.

Nordeste é terra de Ariana Suassuna, que aulas mágicas sobre cultura foram proferidas. Encantador. O “oxente” tão bem defendido. De José Lins do Rego, dos engenhos de açúcar e as pontadas do regionalismo.  Do nosso eterno Jorge, o nosso Amado. De Rachel de Queiroz, saudade do Quinze.

Falar de nordeste é tocar na literatura de cordel. É ver a magia de Janete Lainha pelas ruas de Ilhéus e nas praias. De nossos cantores e compositores como Dorival Caymmi. É terra de Lampião e de Maria Bonita. Das lendas e dos mitos. Da Terra onde padre tem muler. É encontro de religiões… É terra de Padim Cícero e de Mãe Menininha, de Mãe Stella de Oxóssi. É ter suas histórias e estórias contadas por escolas de samba do Rio e de São Paulo. Por sinal, Mangueira já sambou o sertão, que enredo arrebatador.  É ver São Paulo com a ajuda de mãos nordestinas subir.  Nordeste é terra – mãe.

É terra de juristas: Teixeira de Freitas, de Rui Barbosa, de Orlando Gomes. É terra do nosso grande tributarista, a maior autoridade viva do direito na Bahia; um de nossos símbolos no Brasil, professor Edvaldo Brito, vivíssimo e atuante. A mim, mais que um advogado, um gigante na docência. Exemplo a ser seguido de comprometimento e dedicação à docência.

Recorri aos personagens recentes, que viveram no século XX ou alcançaram esse século. Muitos outros, que descansam na infinitude, poderiam ser convidados a falar, mas optei por deixá-los lá, quietos.  Com a vênia, como ainda estamos no clima do 2 de Julho, com carinho mencionamos Maria Quitéria, nossa heroína da Independência brasileira. Afinal, caso os portugueses não tivessem sido expulsos, imagino que Bahia não seria Brasil. Oh, céus! Perdoe-me. Isto é Nordeste. Isto é vida.

Nordeste é um complexo de múltiplas identidades. De múltiplos sonhos. Nordeste – tu, você, cê, oxente, continua sendo uma terra abençoada. Compreendê-lo é um desafio para nós, que aqui nascemos e/ou moramos e o mundo. Oxalá!

Efson Lima é advogado, coordenador-geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho, coordena o Laboratório de Empreendedorismo, Criatividade e Inovação e é doutorando, mestre e bacharel em Direito pela UFBA.

O RETORNO DE VANE

Tempo de leitura: 2 minutos

Marco Wense

 

Não resta aos geraldistas contrários outra conduta que não seja a de abrir as portas do PT com um “seja bem-vindo”, “bom retorno, companheiro!” ou, se alguém preferir, “Vane e o PT, tudo a ver”.

 

 

O retorno do ex-prefeito Claudevane Leite ao Partido dos Trabalhadores está sendo o assunto mais comentado nas redes sociais, principalmente nos grupos de WhatsApp de Itabuna.

Vane do Renascer, como é mais conhecido na vida pessoal e no campo político, sonha em ser novamente gestor do centro administrativo Firmino Alves, uma postulação legítima que encontra uma certa resistência no grupo do também ex-alcaide Geraldo Simões.

Se não conseguir se firmar como uma opção do petismo para a disputa da sucessão de 2020, Vane deve sair candidato a vereador com grandes possibilidades de ser eleito. O evangélico político já parlamentou por duas vezes na Casa Legislativa.

Geraldo Simões, que há muito tempo domina a legenda, mostrando sua força diante do petismo itabunense, diz que vai presentear o futuro companheiro com uma camisa do “Lula Livre”.

Vane, então prefeito de Itabuna, sempre foi criticado por não ter governado com a autoridade que o cargo exige, deixando a administração sob a forte influência do PCdoB, que ditava os rumos do governo, causando uma insatisfação no staff mais próximo do chefe do Executivo.

Os obstáculos para o retorno de Vane ao PT só não são maiores por causa do governador Rui Costa. O morador mais ilustre do cobiçado Palácio de Ondina tem uma boa relação com o ex-prefeito.

O então alcaide Vane do Renascer foi um dos primeiros a apoiar a pré-candidatura de Rui. Vale lembrar que a cria política de Jaques Wagner tinha menos de 3% nas pesquisas de intenções de voto. Os adversários diziam que o “poste” de Wagner não iria para lugar nenhum.

Outro detalhe é que Geraldo Simões foi contra a candidatura de Rui Costa. Aliás, o relacionamento de GS com RC nunca foi bom. De público, o silêncio e o teatro. Nos bastidores, o pega-pega.

Portanto, o caminho da volta de Vane ao PT está pavimentado. Tem o aval do governador Rui Costa, do comando estadual da legenda e do deputado federal licenciado Josias Gomes.

Não resta aos geraldistas contrários outra conduta que não seja a de abrir as portas do PT com um “seja bem-vindo”, “bom retorno, companheiro!” ou, se alguém preferir, “Vane e o PT, tudo a ver”.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

A CANDIDATURA DE FERNANDO GOMES

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Marco Wense

 

O morador mais ilustre do Palácio de Ondina apoiaria a ousada pretensão de Fernando Gomes, fazendo dele o candidato da base aliada? Como ficaria o PT de Geraldo Simões? Para pirraçar o geraldismo, alguns fernandistas ficam dizendo que Geraldo seria um bom vice.

 

A possibilidade do prefeito Fernando Gomes disputar o sexto mandato já é assunto do dia a dia no staff fernandista, que tem na linha de frente Maria Alice, secretaria de Governo e fiel escudeira do alcaide.

A opinião de que Fernando buscaria a reeleição era tratada com desdém pela maioria dos correligionários mais próximos do gestor. Agora, já divide o grupo. Tem gente até apostando que sua candidatura é favas contadas. Os mais otimistas falam até na quebra do tabu do segundo mandato consecutivo. Vale lembrar que o surpreendente eleitorado de Itabuna nunca reconduziu ao cargo um chefe do Executivo.

É evidente que a candidatura de Fernando provoca uma mudança radical no processo sucessório. Todas as análises políticas terão que ser revistas. O cenário muda completamente, da água para o vinho, como diz a sabedoria popular.

Quais seriam os três principais questionamentos em relação a esse novo ingrediente na sucessão do cobiçado centro administrativo Firmino Alves? O primeiro diz respeito ao governador Rui Costa. O segundo, ao médico Antônio Mangabeira. O terceiro, ao Capitão Azevedo.

O morador mais ilustre do Palácio de Ondina apoiaria a ousada pretensão de Fernando Gomes, fazendo dele o candidato da base aliada? Como ficaria o PT de Geraldo Simões? Para pirraçar o geraldismo, alguns fernandistas ficam dizendo que Geraldo seria um bom vice.

E Mangabeira, prefeiturável do PDT? Dentro da legenda, mais especificamente entre os integrantes do diretório, a opinião de que a candidatura de FG é bem vinda prevalece. A eleição ficaria polarizada entre o pedetista, que é quem representa verdadeiramente o antifernandismo, e o alcaide.

Ora, quando digo que Mangabeira é quem encarna o antifernandismo, é porque só o PDT faz oposição ao governo municipal. As outras legendas estão omissas, ou por serem aliadas do governador Rui Costa, hoje companheiro de Fernando, ou por interesses outros. Alguém já viu um posicionamento do PCdoB de Davidson Magalhães e do PSB de Renato Costa em relação a gestão Fernando Gomes?

Quanto a Azevedo, não se tem nenhuma dúvida de que seria o mais prejudicado. O eleitorado do militar é quase o mesmo de Fernando. O populismo ficaria rachado. Não há espaço para dois “fernandos”.

Outro detalhe é que a cada vez mais constante aproximação de Azevedo com Fernando vai minando sua candidatura pelo DEM de ACM Neto. O prefeito soteropolitano caminha a passos largos para apoiar Mangabeira. ACM Neto, presidente nacional do Democratas, não quer saber de Fernando Gomes e vice-versa.

O maior problema de Azevedo, que foi meu colega no curso de direito na então Fespi, hoje UESC, é sua instabilidade política. Tem que decidir se quer a liderança de Fernando ou Neto. Agradar aos dois simultaneamente é impossível. Termina desagradando e perdendo a confiança de ambos.

O “foram me chamar” será substituído pelo “já estou aqui”. Fernando Gomes, em que pese uma acentuada rejeição, é um candidato que preocupa. É quem mais sabe onde as cobras dormem.

O voto do antifernandismo pode ser um importante “cabo eleitoral” para Mangabeira, principalmente se no decorrer da campanha o cidadão-eleitor-contribuinte perceber que o postulante do PDT é a melhor opção para evitar a sexto mandato de Fernando Gomes.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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